FMO - Previnir é a melhor forma de lutar

01/08


2021

Alta dos alimentos faz brasileiro temer a volta da inflação

Por Fernando Castilho*

Nos últimos meses, os brasileiros passaram a conviver com um nível de inflação que, entre os mais novos, só tinha referência o governo Dilma Rousseff, e, para os mais velhos, o período que antecedeu a chegada do Real, em 1994.

O noticiário econômico já trata do tema, inclusive prevendo que 2021 deve ter Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 8,07% no período de 12 meses. Medidos até junho, os últimos 12 meses chegam a 8,35%. Há certeza de que a taxa Selic, que fixa os juros pagos pelo governo, fechará 2021 em 6,50%. 

Mas a inflação do cidadão tem números maiores. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo de alimentos, em 12 meses, cresceu 12,59%. Mas, na ponta, itens como óleo de soja (83.93%), feijão macaçar (59,92%) e arroz (45,40%) assustam as donas de casa.

As carnes bovinas, na média, subiram 38,25% e o corte mais caro do boi, o Filet Mignon, aumentou 53,52%. Pouca gente come Filet Mignon, por isso o peso maior é sentido no frango inteiro, que subiu 19,55%.

Na esteira da inflação dos alimentos, outros itens passaram a assustar, subiram 16,88%. Essa inflação atinge mais as famílias que recebem até dois salários mínimos, na hora de comprar comida.

É uma situação curiosa. O noticiário que fala do crescimento das exportações de soja, milho, carnes bovinas, suínas e de frango é o mesmo que, na sequência, relata a explosão de preços cobrados em Real.  

A exportação de soja e milho impacta diretamente o preço do óleo de soja, margarinas, fubá e todo o complexo de carnes que usa farelo de soja e milho para a produção de proteína animal.

Segundo o IBGE, a alimentação no domicílio foi de 0,33% em junho, puxada pelas carnes (1,32%), que subiram pelo quinto mês consecutivo e acumulam alta de 38,17% em 12 meses.  

O IPCA, que oficialmente mede o índice da inflação no Brasil, foi de 0,53% em junho. No ano, o índice acumula alta de 3,77% e, nos últimos 12 meses, 8,35% - acima dos 8,06% observados nos 12 meses anteriores. 

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta de preços em junho. O maior impacto veio da Habitação e, na sequência, Alimentação e Bebidas (0,43%). 

No grupo Alimentação e Bebidas, as quedas na batata-inglesa (-15,38%), a cebola (-13,70%), o tomate (-9,35%) e as frutas (-2,69%) ajudaram o consumidor.

Mas nem só de alimentos vive a inflação do brasileiro. Energia elétrica já subiu 14,20% e combustíveis domésticos, 22,98%.

Eles também assustam. Mas, além do IPCA, um outro índice assusta milhares de consumidores: o IGPM, que é usado para os reajustes dos contratos de aluguel. Ele subiu tanto em 12 meses que foi abandonado pelo mercado. Em 12 meses, o índice chegou a 33,83%, Apenas em 2021 ele já subiu 15,98%.  

Na mesa de negociação são poucos os proprietários que usaram o índice cheio. Como os senhorios sabem que subir o valor do aluguel pelo IGPM pode significar meses fechado e despesas com o condomínio, a opção foi negociar.

O que pouca gente percebe é que fora do índice da inflação (IPCA), do PIB, da taxa Selic e do desemprego, o IBGE, o Banco Central e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) também produzem uma série de forte impacto na nossa vida diária.  

Um desses índices é o Índice de Preços ao Produtor (IPP), voltado para a indústria e mede a variação de preços de venda recebidos pelos produtores de bens e serviços e sinaliza as tendências inflacionárias de curto prazo no País. Ele é essencial como instrumento analítico para tomadores de decisão, públicos ou privados. Em 12 meses, o IPP já está em 36,81% e só em 2021 chegou a 19,11%. 

O IPP é desconhecido pelo cidadão comum. Mas ele é acompanhado pelos analistas e, segundo o IPP de junho, em 12 meses, a fabricação de produtos alimentícios (maio/2020 e junho/2021) registrou uma inflação de biocombustíveis (cujos preços são regulados em dólar) chegou em 2021 a 76,64%.

A única informação boa é que a inflação de um ano no setor de fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos subiu apenas R$ 8,69%.  

Para toda uma geração que nasceu depois da criação do Real, de fato, a ideia de uma inflação que passe de 10% ao ano é mesmo impensável.

Mas é importante lembrar que houve uma quebra do PIB do País, em 3,50% (2015) e 3,30% (2016) levando a um impeachment. 

Por isso, a ideia de inflação acima de 8,06% no ano assusta. Talvez o nossa maior conquista como nação.

Alta do IGPM assustou o mercado

No debate da inflação desde o final de 2020, um índice passou a ter atenção especial. O IGP-M. Ele é uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP), que registra a variação de preços do mercado. Ele engloba desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.

O motivo da atenção com o IGPM foi sua variação: 33,83% em 12 meses. Só em julho ele variou 0,78% e, com este resultado, o índice acumula alta de 15,98% no ano. O alarde já existia em 2020, quando o índice havia subido 2,23% e acumulava alta de 9,27% em 12 meses.  

O problema do IGPM é que ele é usado como indicador para o reajuste de custos em contratos de aluguel e energia elétrica, o que nesse tempo de crise hídrica acentua a importância.  

Na vida prática, as pessoas só sabem da existência do IGP-M quando vão estabelecer um contrato de aluguel, já que esse índice influencia diretamente no valor pago mensalmente.

O problema é que o IGPM é formado por três outros índices: IPA-M (Índice de Preços ao Produtor Amplo – Mercado), IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor – Mercado) e INCCM (Índice Nacional do Custo da Construção – Mercado). O IPA-M tem peso de 60% no IGPM e é ele que monitora os preços recebidos pelos produtores domésticos no atacado (tanto industriais quanto agropecuários) E como esses produtores trabalham com o dólar, o IGP-M disparou.  

O aumento do IGP-M levou o Congresso aprovar uma lei para substituí-lo pelo IPCA. O mercado imobiliário não gostou, porque o padrão IGPM já está em uso há 30 anos e inquilinos e locatários já estavam se entendendo. A lei foi aprovada, mas o mercado encontrou o caminho da negociação.

Taxa de juros. O BC chegando atrasado na atitude

Nesta terça e quarta-feira, o Banco Central faz a sua quinta reunião do ano. Até dezembro devem ocorrem semana será mantida a tendência de alta, podendo a taxa subir para 6,50% em dezembro.  

A Selic é uma taxa referencial. Ela baliza o mercado e ficou em apenas 2% entre 16 de setembro do ano passado e 18 de março último. Desde então, iniciou uma tendência de alta que a elevou para 4,25% desde 17 de junho, devendo chegar a 5% esta semana.

A retomada da alta é motivo de críticas de analistas do mercado que avaliam que o Banco Central foi cauteloso demais em mantê-la em 2%, permitindo que a inflação fosse alimentada. 

Mas para o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, “A mudança no panorama inflacionário obriga o Banco Central a fazer isso, senão ocorrerá a contaminação da taxa para 2022”. 

Com a taxa Selic de 2%, a inflação no Brasil subiu, deixando os juros negativos. A correção tornou-se uma necessidade urgente, embora nas suas atas (documento em que explica sua decisão ao mercado) o BC venha insistindo que agiu no prazo certo.

O problema é que a alta do dólar, que impulsionou as exportações e fez a alegria do agronegócio, teve efeito no mercado interno onde, além dos alimentos, todos os demais setores enfrentaram pressão de alta.  

Juros altos assustam o mercado, ponta as taxas não tenham subido nos mesmos índices da inflação, as dificuldades na economia prejudicam especialmente as pequenas e médias empresas.

O preocupante é que no mercado existe a certeza de que até a última reunião do Copom, em 7 e 8 de dezembro, a Selic chegue a 6,50% - a mesma taxa entregue por Michel Temer a Jair Bolsonaro. Para Maílson, se isso acontecer, “a vantagem é não precisar elevar a Selic ao longo do próximo ano e manter neste nível até 2023”.

Exportações cresceram empurradas pelo dólar

No ano passado, as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 100,81 bilhões, com um crescimento de 4,1% sobre 2019.

Apenas o complexo soja cresceu 35% (US$ 35,24 bilhões). A seguir vieram as carnes, com crescimento de 17% (US$ 17,16 bilhões) e os produtos florestais - representados por papel e celulose, que cresceram 11,3% (US$ 11,41 bilhões); e o complexo sucroalcooleiro, com 9,9% tudo que foi exportado pelo setor em 2020.

Só que isso tem repercussão em Real destino do produto, comprando 73,2% da soja em grãos exportada pelo Brasil, no total de US$ 20,91 bilhões, seguida do farelo de soja - somaram US$ 5,92 bilhões, um recorde nas quantidades da série histórica. A China também comprou mais carnes de boi, frango e porco. O problema é que esse sucesso vai bater na mesa do brasileiro. 

No caso do farelo de soja, usado para alimentação dos animais na engorda. Mais farelo exportado é menos farelo para a indústria de carnes, especialmente frango e porco. No caso das carnes, segundo o IBGE, medindo o IPCA existem detalhes curiosos. Do filet mignon que subiu (53.52%), o problema foi para os principais cortes, que subiram acima de 30%. Caso do contrafilé (36.115), lagarto (40,21%) acém (40,94%) e costela (45,30%) e carne Sol (13,60%). Na esteira dos aumentos, a carne de porco subiu 32.39% e o frango inteiro, 19,55%. 

O problema do sucesso na exportação é que ele acabou resvalando para os demais produtos como ovos (8,04%), leite longa vida (11,37%) e o café moído 11,18%. E na esteira disso, até mesmos produtos agrícolas tiveram reajustes. O arroz e o feijão formam os grandes vilões, porque sendo comodities 

*Jornalista. Titular da coluna JC Negócios, do Jornal do Commercio.


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Jaboatão - regularizacao-fundiaria

Confira os últimos posts

18/10


2021

Prefeita de Serra reafirma lealdade a Duque

A prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), descarta que esteja ocorrendo algum tipo de ruído na relação política e pessoal com o seu criador, o ex-prefeito Luciano Duque (PT).  Blogs da região chegaram a noticiar um possível choque de interesses entre os dois, mas Conrado nega. "Ninguém será capaz de criar qualquer tipo de animosidade entre Duque e nossa gestão", afirmou.

Acrescentou que de sua parte o que está havendo, de fato, é coragem, esforço e muita dedicação para eleger Duque deputado estadual. "Nossa relação foi alicerçada numa grande amizade. Sou muito amiga, quase uma irmã de Karina, esposa de Duque. E já estamos trabalhando em perfeita sintonia para fazer de Duque o estadual mais votado do Pajeú", destacou.


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Cabo - Pavimentação e Drenagem

18/10


2021

Bolsonaro detona o “Projeto Rita Lee”

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Bolsonaro vetou o Projeto Rita Lee, de distribuição gratuita de absorventes, em especial às mulheres mais pobres, que todo mês sangram, revela o bicho-grilo Adalbertovsky em sua cantoria no reino da Jaqueira. “A declaração revolucionária foi feita pela roqueira Rita Lee: “Mulher é um bicho esquisito, todo mês sangra”. “O sangramento acontece desde os tempos das cavernas e das savanas. Mas, Bolsonaro disse que era apenas um “sangramentozinho”, tipo uma gripezinha, e vetou o “Projeto Rita Lee”.

“O governo perdeu mais uma batalha de comunicação, ao som do rock n’roll. Desse jeito, o capitão não faz amor por telepatia com a patota de Rita Lee. A seita do gado é uma sangria desatada. As tripas gaiteiras do capitão todas as horas sangram. Não tem cortiça, nem ferrolho, nem Tampax, nem O.B. que dê jeito. A única solução seria um nó nas tripas do capitão de fandango ou um ferrolho na língua dele. Mas, o bicho resiste feito bode embarcado. A sangria desatada vai continuar”.

“Queiram ou não queiram os devotos da ideologia de gênero, as fêmeas do sexo feminino, cromossomos XX, sangram de acordo com as estações da lua. As mulheres são irmãs da lua. Na fase outonal da vida as fêmeas deixam de sangrar, se tornam oceanos pacíficos, ou jardins de açucenas. Oh, abelha-rainha, musa linda do meu coração à moda de Carolina Herrera!”.    

“VIVA INOCÊNCIO! Médico e parlamentar, detentor de 10 mandatos federais, Inocêncio Oliveira aniversaria dia 21, quinta-feira. Ele faz parte da memória viva do Congresso Nacional. Minha biografia sobre Inocêncio será publicada até o final do ano”. A crônica feminista do bicho-grilo Adalbertovsky está postada no Menu Opinião.


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Petrolina setembro 2

17/10


2021

PSB terá que engolir Geraldo

Na coluna desta segunda-feira, postada à meia-noite, trago informações de bastidores dando conta que o ex-prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), nunca desistiu da sua postulação ao Governo do Estado. E que será ele próprio o candidato da Frente Popular à sucessão do governador Paulo Câmara. A estratégia, conforme apurei, passa pela sustentação do discurso de que Geraldo não queria, mas não resistiu à "convocação".


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17/10


2021

Professor da UFPE é assaltado e agredido no Recife

Por Raphael Guerra, do Jornal do Commercio

Um professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) precisou passar por cirurgia após ser assaltado e agredido no Parque Santana, na Zona Norte do Recife, na última sexta-feira (15). Rodrigo Carreiro, 49 anos, andava de bicicleta, por volta das 11h30, quando foi surpreendido por três homens, que já fizeram a abordagem de forma bastante violenta.

"Estava na pista de bicicleta, mais ou menos na terceira volta, quando os três correram pra cima de mim. Foi tudo muito rápido, fragmento de segundos. Um deles deu logo uma voadora e me derrubou. Não falaram nada. Pegaram minha bicicleta e meu celular, que caiu no chão, e foram embora", relata o professor.

Logo mais o ocorrido, ele conta que procurou um vigilante, que o ajudou a ligar para o 190 e fazer a denúncia. Como mora perto do local, Rodrigo, muito machucado, foi andando para casa. Pediu ajuda à namorada, que o levou para um hospital particular. Lá, exames revelaram que ele teve quatro costelas quebradas. "A clavícula também estava quebrada em cinco partes. E um dedo em três partes", diz.

Rodrigo passou por cirurgia e, neste domingo (17), recebeu alta.


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Sindicontas

17/10


2021

Assaltantes agridem juiz e roubam bicicleta no Recife

Diario de Pernambuco

O juiz Virgínio Carneiro Leão, da Décima Quarta Vara Cível da Capital, foi assaltado na manhã deste domingo (17) no bairro da Jaqueira, na Zona Norte do Recife. O magistrado foi abordado por três indivíduos ainda não identificados quando andava de bicicleta na região. Os suspeitos anunciaram o assalto e roubaram a bicicleta da vítima, que foi derrubada no chão e agredida com chutes.

O juiz voltava de um passeio no Centro da Cidade quando foi alvo dos criminosos. O local estava deserto e não havia policiamento na área. "Eu vinha na direção do Hospital Maria Lucinda para o subúrbio, para Casa Forte. E nas imediações do viaduto, quando eu passava por ali, sem ninguém, vi nitidamente dois homens, um tentando obstruir minha bicicleta e outro me empurrou e eu caí e perdi parcialmente os sentidos, não vi nem quando eles foram embora", contou o juiz.

A Polícia Civil de Pernambuco informou em nota que já instaurou um inquérito policial para apurar o caso, identificar e capturar os autores do crime. A vítima chegou a ir para um hospital realizar exames, mas já foi liberada e passa bem. 


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Ipojuca - Outubro

17/10


2021

Paulista: Cine Teatro Paulo Freire segue abandonado

Por Maria Clara Trajano

No coração da cidade do Paulista, Região Metropolitana do Recife, pulsa arte. Um amplo espaço abriga cenas de drama, que se arrastam em uma tragédia de longos anos. Os intervalos entre os atos do Cine Teatro Paulo Freire são marcados por um desprezo que parece não ter previsão para acabar, mesmo após a reportagem do Diario de Pernambuco em julho deste ano, o cine teatro continua abandonado. Desde maio de 1944, o espaço é o único aparato cultural público da cidade. Na última década, dentro do shopping center, surgiram o Teatro Experimental Roberto Costa e uma franquia da rede de cinemas Cinesystem — ambos privados.

Inaugurado 77 anos atrás, no declínio da Era Vargas e da Segunda Guerra Mundial, o Cine Teatro Paulo Freire, antes Cine Teatro Municipal, outrora conciliava o esplendor da alta sociedade paulistense, a efervescência da juventude que matava aula para assistir à sétima arte e a tranquilidade familiar ao reunir-se de casualidades dominicais à festividades. Hoje o teatro é palco da negligência e personifica um projeto de apagamento da cultura na cidade. Sem teto e sem letreiro, a construção foi invadida pela vegetação, e suas dependências cedidas por 20 anos ao Tribunal Regional Eleitoral.

Residindo há vinte anos no município, Zuleica Alencar (38) conta que esteve em um teatro apenas uma vez na vida — o Santa Isabel, no centro do Recife — mas que nunca teve a oportunidade de sequer entrar no teatro que existe em sua cidade, porque nunca o viu aberto por longos períodos. E ao cinema, foi apenas duas vezes, quando abriu uma franquia no shopping da cidade e nunca visitou o teatro do mall, assim como outros munícipes entrevistados.

A realidade é que um centro de compras não é o espaço ideal para concentrar toda a exibição cultural de uma cidade. “O shopping é um ambiente privado, que remete ao capitalismo, ao fenômeno da compra. Para levar os estudantes ao Teatro Experimental, até os próprios professores acabam encontrando dificuldades nesses ambientes”, pontuou Washington Machado, ator, diretor e conselheiro de cultura do município. Uma das parcelas mais prejudicadas com essa situação são os estudantes da rede municipal. Os dois filhos de Zuleica nunca estiveram em um teatro e vão ao cinema esporadicamente com os amigos, porque é caro demais para ir a família toda junta.

A falta de um aparelho cultural público na cidade limita o acesso dos cidadãos a um direito constitucional. “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”, diz o artigo 215 da Constituição. Quando a prefeitura não garante o cumprimento desta disposição, não afasta apenas os munícipes da cena artística, mas gera um êxodo cultural. Sem lugar para exercer suas profissões no próprio município, atores, diretores, cineastas e muitos outros migram para municípios vizinhos, onde existe um maior apoio à classe.

Além do abandono às artes materializado no Cine Teatro, o descaso com os artistas paulistenses vai além. O ator e conselheiro de cultura Vinícius Coutinho informou que desde que assumiu o mandato, em janeiro de 2021, o prefeito, Yves Ribeiro, e sua gestão, ainda não indicaram os oito nomes que devem compor o Conselho Municipal de Política Cultural do Paulista junto aos oito nomes da sociedade civil que já têm atuado desde a fundação do órgão, em 2019. Washington, além de confirmar, endossou que o acesso pleno ao Fundo Municipal de Cultura, que já é garantido por lei, hoje, depende apenas da abertura de um CNPJ e uma conta bancária sob esse número, mas a gestão também não demonstra interesse em fazê-lo.

A sugestão da Secretaria de Turismo, Cultura, Esportes e Juventude do Paulista é desfazer o Cine Teatro Paulo Freire — que não é tombado — para construir o Complexo Cultural Ariano Suassuna, uma obra “megalomaníaca”, nas palavras da historiadora e vereadora Flávia Hellen (PT). Entretanto, a reforma do teatro urge e não pode esperar por uma obra de 2 mil m² que se arrastará por anos. Além do que, a definição desse complexo foi idealizada sem a participação da sociedade civil, que é a mais interessada. 

A matéria completa está disponível no Diario de Pernambuco.


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Caruaru - Transparência em 1° Lugar

17/10


2021

Os grandes escultores pernambucanos (2)

Da coluna de João Alberto

Nicola: As figuras de anjos e santos predominam nas peças de Jaime Nicola de Oliveira, que têm grande influência da arte barroca, de uma maneira especial das esculturas de Aleijadinho. Suas criações são esculpidas em madeira ou pedra de calcário e estão em importantes galerias, do Brasil e exterior. Ele tem uma grande coleção de prêmios, que começou na primeira Bienal de Artesanato do Nordeste.

Mestre Nuca: Manuel Borges da Silva nasceu em Nazaré da Mata e depois se mudou para Tracunhaém, onde virou o consagrado Mestre Nuca. Ao lado da esposa, Maria, fazia bois, bonecas, peixes, galinhas, anjos, além dos leões, que se tornaram ícones do artesanato pernambucano. Foi ao lado dela que criou todos os detalhes desses leões cheios de charme, de cabelos encaracolados, que estão espalhados em várias partes do Recife. Tornaram-se uma referência ao Leão do Norte, símbolo da força política, econômica e cultural do estado. O maior deles está em frente à Estação de Passageiros do Porto do Recife. É uma das peças da arte popular pernambucana mais vendidas. Dos seus seis filhos, três seguiram sua profissão e são os responsáveis por produzir, atualmente, os leões.

Cavani Rosas: escultor, desenhista e artista plástico Ricardo Cavani Rosas começou como ilustrador do Diario de Pernambuco e em agências de publicidade. Ao longo de toda a carreira, sempre criou espaço para a convergência entre as espécies ao desenhar criaturas combinando características humanas, animais e vegetais. Uma das suas peças mais conhecidas é o touro que fica em frente ao restaurante Spettus. Inicialmente no Derby e agora em Boa Viagem.

Ana das Carrancas: Filha de uma artesã e um agricultor, Ana Leopoldina Santos nasceu em Santa Filomena, distrito de Ouricuri, em Pernambuco. Na infância, usava o barro para fazer panelas, potes, brinquedos, boi-zebus, cavalinhos e santinhos, para ajudar sua mãe, que vendia utensílios de barro na feira, para sustentar a família. Com o objetivo de melhorar de vida, mudou-se para Petrolina. Devota de São Francisco das Chagas e do Padre Cícero, pediu que eles lhes mostrassem uma forma de ganhar dinheiro. No dia seguinte, foi até o Rio São Francisco buscar barro para fazer panelas. Diante da imensidão das águas, sentiu uma forte inspiração, ao ver as carrancas de madeira multicoloridas das barcaças que aportavam às margens do rio. E lá confeccionou sua primeira carranca de pequeno tamanho. Levou-a para casa, onde todos gostaram e aprovaram a ideia.

A partir de então, além dos potes e jarras que fazia, passou a fazer carrancas de barro em grande quantidade, que passaram a ser muito procuradas, especialmente devido à lenda de que afastavam os maus espíritos. Suas obras são peças de aspectos grosseiros, criadas no estilo próprio da artesã, com formas simples, primitivas e com um detalhe importante: possuem os olhos vazados, em homenagem ao marido, José Vicente, que era cego, e sempre participou ativamente de seus trabalhos, fazendo os bolos de barro para a confecção das peças. Na sua carreira participou de várias exposições no Brasil e na Europa. Até hoje, as peças feitas pelos seus herdeiros fazem sucesso.

Alex Mont’Elberto: Formado em design pela UFPE, tem mais de quatro décadas da carreira. Quando começou, em 1978, não se falava em ecologia, muito menos em produtos ecologicamente corretos. E ele já se preocupava em utilizar resíduos no processo de confecção de suas obras, hoje conhecidas pelo conceito de ecodesign. Trabalha com esculturas em inox e se notabiliza pela qualidade e primor na execução de suas criações. Seus trabalhos têm reconhecimento internacional, usando madeira de reflorestamento e metais, sucatas de alumínio e aço. Sua obra tem três pilares: artesanato, móveis e, mais recentemente, náutica com a produção de embarcações em fibra de vidro e madeira. Já participou de vários eventos internacionais e coleciona muitas premiações.


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Serra Talhada 2021

17/10


2021

Luciana Santos é reeleita presidente nacional do PCdoB

A vice-governadora de Pernambuco Luciana Santos foi reconduzida, hoje, à presidência nacional do PCdoB. Ela continuará a comandar a sigla pelos próximos quatro anos. A reeleição ocorreu durante o Congresso da legenda, que se encerrou neste domingo (17), após três dias de deliberações.

No evento, foi aprovada também uma resolução política com foco no fortalecimento da agremiação e na luta da legenda contra o governo Bolsonaro. Luciana chegou à presidência nacional do seu partido em maio de 2015. Foi a primeira mulher a ocupar tal posição.

Em 2017, teve o mandato renovado, algo que se repetiu hoje. A dirigente assumiu a liderança dos comunistas em um momento difícil para as forças progressistas, que incluiu o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a ascensão da direita.

Sob sua condução, o PCdoB oficializou, em 2019, a incorporação do Partido Pátria Livre, o que lhe permitiu superar a cláusula de barreira e manter seu pleno funcionamento institucional. A dirigente também liderou o movimento pela aprovação das federações partidárias no Congresso Nacional, uma inovação democrática que incide para preservar o pluralismo político no Parlamento.

Sobre o Congresso do PCdoB

O 15° Congresso Nacional do PCdoB aconteceu de forma virtual, com a participação de mais de 600 delegados. No sábado (16), ocorreu o ato político da atividade, com a participação de personalidades de diversos partidos, a exemplo do ex-presidente Lula (PT); o ex-ministro Ciro Gomes (PDT); os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL), à frente da CPI da Covid; e o ex-candidato à Presidência da República Guilherme Boulos (PSOL).

Ao fim do Congresso, o PCdoB aprovou uma resolução que irá nortear a sua atuação pelo próximo período. Segundo o partido, no centro do documento, está a "necessidade de construir uma frente ampla contra o governo Bolsonaro e de fortalecer a sigla para que tenha maior influência na vida do país".


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Pousada da Paixão

17/10


2021

Leite: “Espero que o Bolsodoria não esteja voltando”

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), comparou comportamentos recentes do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu principal adversário nas prévias do partido, ao jeito do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de fazer política. A afirmação ocorreu porque Doria sugeriu que não iria participar do debate marcado para terça-feira (19) —o governador, no entanto, voltou atrás ontem.

Leite também se referiu a questionamentos de pessoas ligadas a Doria sobre o aplicativo que vai servir para votação. "Levantar suspeitas sobre o modelo de votação e não participar de debate é coisa de Bolsonaro. Espero que o Bolsodoria não esteja voltando aí. Que bom que ele desfez este caminho e está se apresentando para ir ao debate", disse Leite.

Presidente do PSDB em São Paulo e integrante da campanha de Doria nas prévias, Marco Vinholi reagiu a declaração. "Leite vem a São Paulo e ataca Doria mais uma vez. Diálogo na teoria, agressão na prática. É momento de termos candidato para unir o partido e o pais, não para dividir".

Debate na terça-feira

As declarações de Leite foram dadas neste domingo em um hotel São Paulo, onde esteve para um evento da campanha das prévias tucanas. Ele disse que lamentou a postura de Doria em relação aos debates porque o governador de São Paulo reclamou do formato, mas sem detalhar os problemas.

"Reclamou do formato, mas não disse o que no formato o incomodava. Não tem nada de diferente do que é um debate normal, apresentar as ideias", disse.

O debate está marcado para terça-feira (19), no Rio de Janeiro, e também contará com Arthur Virgílio Neto, o terceiro nome das prévias tucanas, mas que tem menos recebido adesões.

Disputa acirrada

A escolha do nome do PSDB está se tornando uma disputa acirrada entre Doria e Leite. O primeiro turno das prévias está marcado para 21 de novembro.

O governador do Rio Grande do Sul tem mais diretórios estaduais a seu lado. Ele tenta avançar em São Paulo, partido onde o PSDB é maior —26% dos filiados estão no estado.

Doria aposta no tamanho do estado que governa para ser indicado como o nome do PSDB que vai concorrer à presidência da República. Ele recebeu uma carta de apoio assinada por 230 prefeitos paulistas tucanos e 120 vice-prefeitos.

Como acontece no começo de candidaturas, ambos pregam otimismo. Leite chegou ao hotel onde ocorreu o evento com discurso de quem vai vencer. Afirmou que está recebendo apoios em todo o Brasil. Também ressaltou a presença de líderes políticos no evento que acontece na terra de Doria, e projetou um bom resultado no estado.

A matéria completa está disponível no UOL.


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SESC Outubro 2021

17/10


2021

Não aprendemos nada

Por José Nilvaldo Júnior, de O Poder

Os historiadores gostam de falar que quem não aprende com os próprios erros tende a repeti-los. Isso não é o pior. Danado é a humanidade não aprender sequer com os seus acertos. Se a pandemia trouxe algo de positivo foi educar a população a usar máscara e higienizar as mãos com frequência e, o mais importante, evitar o tradicional aperto como cumprimento.

Os benefícios complementares são evidentes. Levante o dedo quem encontrou pessoas gripadas nos últimos meses. Eu mesmo, este ano, não lembro de ninguém. Não, não é ciência (ainda) caro Patrulheiro Toddy do conhecimento. É empirismo. Por onde a ciência teve origem.

PEGOU

Como todo mundo sabe, tem coisas que pegam e coisas que não pegam. As máscaras pegaram, apesar de alguns inconvenientes e eventuais esquecimentos. Pois bem: os governos ao invés de aproveitarem o embalo e estimularem a permanência do adereço até que ele se torne tão normal como cuecas e calcinhas, entraram numa corrida alucinada para ver quem libera primeiro o seu uso. Claro que nada deve ser imposto. Mas já que a pandemia ainda está causando estragos e o uso da máscara foi bem incorporado, por que não manter por mais tempo?

E simultaneamente fazer uma campanha ampla e constante sobre os seus benefícios, até que as pessoas se convençam de que ganham mais usando máscaras do que roupas íntimas. Alô, desmoralizada OMS. Que tal começar a recuperar o conceito jogado na lata do lixo durante a pandemia, propondo e coordenando uma campanha mundial sobre isso?

MÃO AO ALTO

Li na revista "SERA?" desta semana artigo de Paulo Gustavo sobre o tema. Cita um livro recente, lançado na Inglaterra e ainda sem tradução no Brasil, de Ella Al-Shamani, bióloga e paleoantropóloga. ("The handshake, a gripping history"). Pelo resumo, a autora viajou na maionese. Delirou. Disse, sem qualquer suporte factual, que o aperto de mão vem de tempos imemoriais, da pré-história. Conversa fiada. Quem já viu índios esquimós, mongóis ou qualquer povo primitivo trocando apertos de mão? Onde Darwin, Engels ou o nosso Darcy Ribeiro, que estudaram sociedades primitivas, registram esse costume na pré-história?

O gesto é antigo, mas não tanto. A evidência mais distante da prática, pesquisei no Google, vem da Assíria, no século IX a C. Persistiu como um gesto de paz ou acerto entre governantes e pessoas importantes. Só se popularizou no Ocidente a partir do século XVIII. No Oriente, não é usado de jeito nenhum. Os orientais preferem o asséptico "nemastê", aquela simpática inclinação guardando distância regulamentar.

AVISOS ANTES DA PANDEMIA

Sempre registro que, muitos anos atrás, o papa do colunismo no Nordeste, João Alberto, considerou "OUT" apertar mãos em restaurante. Fez uma campanha para acabar com o péssimo hábito. Apesar da força do DP, deu em nada. Todo mundo sabe que os apertos de mãos são grandes transmissores de doenças infecciosas. Estudos científicos ao longo do tempo mostram isso. Propõem o fim do hábito. Ate agora, em vão Até porque existe coisa mais mal educada do que deixar alguém de mão estendida?

A coluna está disponível na íntegra no jornal O Poder.


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