30/10


2020

Percentual dos que não aprovam Geraldo sobe para 60%

JC Online

A terceira rodada da Pesquisa Ibope/JC/Rede Globo, divulgada ontem, mostrou um crescimento do percentual dos que não aprovam a gestão do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB). O índice subiu de 55% no levantamento anterior, em 15 de outubro, para 60%. Já a aprovação do prefeito caiu de 40% para 36%. A parcela dos entrevistados que não souberam ou não quiseram responder oscilou negativamente de 5% para 4%.

A aprovação do governo do socialista no Recife é maior entre as mulheres (38%) do que homens (34%). Considerando o recorte de idade, ele tem maior aprovação entre os mais velhos: 42% dos entrevistados de 45 a 54 anos e 48% dos com 55 anos ou mais.

Do universo que desaprova a atual gestão, o maior índice é entre os homens, de 62%, e entre as mulheres é de 58%. Considerando a idade, o maior percentual de desaprovação está entre os entrevistados com idade de 35 a 44, de 70%.

No recorte de raça, os índices são equilibrados, com diferença igual ou inferior a três pontos percentuais, como é o caso dos que aprovam a gestão: brancos (36%), pretos/pardos (36%) e outros (39%). Já no quesito religião, Geraldo tem o maior índice de aprovação entre os católicos (40%) e o maior índice de rejeição entre os evangélicos (64%).


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Cabo 2021

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27/02


2021

Belo Jardim paga folha e injeta R$ 8 mi na economia

A Prefeitura de Belo Jardim, no Agreste pernambucano, pagou o salário de todos os servidores entre os dias 25 e 26 de fevereiro. Com a quitação salarial de todas as categorias, R$ 8.130.487,34 foram injetados na economia local.

Na última quinta-feira (25), o montante relativo ao pagamento dos servidores aposentados, incorporados ao Belo Jardim Prev, foi de R$ 2.230 milhões. Para servidores efetivos, houve a destinação de R$ 3.023.593,46. Já a sexta-feira (26) foi a data de pagamento dos comissionados (R$ 264.129,04); contratados (R$ 2.258.407,05); mandato eletivo (R$ 41 mil); Pensão Especial (R$ 3.300) e Assistência Social (R$ 310.057,79).

Para o prefeito de Belo Jardim, Gilvandro Estrela (DEM), essa é uma maneira de mostrar que a administração municipal está empenhada em honrar os compromissos firmados, além de buscar formas de quitar débitos gerados por gestões anteriores. “O pagamento da folha salarial é o resultado da busca pelo equilíbrio financeiro da gestão, da redução nos custos da prefeitura e secretarias e na aplicação das receitas de maneira responsável.  Com isso, o governo está conseguindo manter o ritmo de pagamento como prometido", afirma.

Ainda na visão do prefeito, a pontualidade no acerto salarial não dá apenas segurança aos profissionais de diversos setores da administração pública e suas respectivas famílias que dependem da renda, auxilia e dá suporte também ao fomento do comércio e setor de serviços da cidade.


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27/02


2021

Nos primeiros clarins, há 8 anos fevereiro levou mamãe

Fevereiro é o segundo mês do ano pelo calendário gregoriano, décimo-segundo e último no calendário luni-solar romano. O fato de sua origem ser o último mês do ano faz com que tenha a duração de 28 dias, a não ser em anos bissextos, adicionados um dia. É o primeiro de cinco meses a ter menos de 31 dias, mas o único deles com duração inferior a 30 dias. Para nós, do tronco Martins, de mamãe Margarida, ventre com raízes fincadas na paraibana Monteiro, nove filhos concebidos pela graça do Espírito Santo e a vocação de touro reprodutor do meu papai Gastão, é um mês doloroso.

Faltando apenas um dia para se despedir do ano de 2013, há exatos 8 anos, fevereiro arrebatou com um sopro repentino a nossa luz materna. Levou mamãe quando os clarins do Galo anunciavam o Carnaval. De repente, mais que de repente, o mundo dos Martins se fez trevas, uma escuridão que parecia sem fim. 

Fevereiro vem do latim februarius, inspirado em Fébruo, deus da morte e da purificação na mitologia etrusca. Os melhores carnavais eu vivi em fevereiro, mês da alegria, das colombinas que viram paixões cegas. Não imaginava que fevereiro também viesse a ser o mês da maior tristeza que se apodera, como visgo, da alma, do espírito e do coração de um ser humano: a perda de uma mãe.

Quando se perde uma mãe o mundo desaba sobre as nossas cabeças. Abre-se um calendário com dias de saudade do amor ausente, cicatriz que nenhum tempo cura. Mães que partem vivem eternamente na saudade, presente na memória dos seus filhos. Veste-se um luto eterno. Para mim e todos os meus oito irmãos, mamãe era um riacho abundante de água. A sua morte secou o riacho. Deixou nosso mundo seco e deserto.

Muitas pessoas sonham em ver anjos. Fui um sortudo: nasci e fui criado por um anjo, sempre ao meu lado, me protegendo 24 horas. Meu anjo Margarida, não estava escrito nas estrelas, morreu no mesmo dia em que botou no mundo, há 55 anos, o seu filho caçula Gastão Filho. Desde então, a tristeza impede ele a comemorar com alegria e emoção o seu aniversário. 

Mãezona como era, se pudesse, teria deixado para se despedir do mundo no dia seguinte, para não contrariar o filho, nem deixá-lo abatido ao invés de alegre na data do seu niver.

A falta de mamãe aperta tanto o meu coração que a saudade escorre pelos olhos. Penso nela em silêncio e às vezes chego a chamar seu nome. Sua lembrança continua viva dentro de mim, eternizada em meu coração.


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Banner Jaboatao 2021

27/02


2021

Kajuru pede impeachment de Alexandre de Moraes

O Antagonista

A determinação da prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira por Alexandre de Moraes — posteriormente referendada por unanimidade no plenário do STF e confirmada pelo plenário da Câmara — , levou o senador Jorge Kajuru (Cidadania) a apresentar um novo pedido de impeachment do ministro do STF.

No pedido, ao qual O Antagonista teve acesso, Kajuru diz entender que não houve por parte do deputado Daniel Silveira “ameaça”, e, sim, “exasperação, má-educação, grosseria, baixo nível”. Ainda na avaliação do senador, a prisão desrespeita a imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição.

Kajuru escreveu no pedido:

“Não se pode admitir – e esta Casa não pode tolerar – que o Poder Judiciário use do seu poder de império, não para atender finalidade pública, mas como instrumento de mordaça, impedir críticas públicas, e exercer o direito de livre manifestação de pensamento e expressão.”

Kajuru, no documento, ainda cita o inquérito das fake news — aquele que censurou Crusoé e O Antagonista — e diz que Alexandre de Moraes se utiliza desse instrumento “para intimidar, ameaçar e violar os direitos e liberdades individuais de quem ousa se manifestar contra a Corte e seus membros”.

Para ser analisado no plenário do Senado, o pedido de impeachment precisa ser levado a sério pelo presidente, hoje Rodrigo Pacheco, que dificilmente o fará.


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27/02


2021

Yves encontra governador e anuncia investimentos

Em sua primeira agenda oficial com o governador Paulo Câmara (PSB) após ser empossado no cargo de prefeito de Paulista pela terceira vez, Yves Ribeiro (MDB) anunciou investimentos em obras de infraestrutura urbana e ações nas áreas de saúde e educação em parceria com o governo estadual. O encontro ocorreu, ontem, no Palácio do Campo das Princesas.

Acompanhado do vice-prefeito, Dido Vieira (MDB), do secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Jorge Carreiro, e do secretário executivo de Gabinete, Marcos Eduardo, Yves apresentou ao governador reivindicações da gestão do município voltadas para obras de infraestrutura urbana, saúde e educação. O prefeito de Paulista destacou o recapeamento e construção da PE-22, integrando a PE- 01 (Avenida Tancredo Neves, no bairro de Jardim Paulista a Paratibe), a revitalização da ciclofaixa da PE-15 e a construção de canteiros paisagísticos nas rodovias estaduais do município. 

Já Paulo Câmara informou que já autorizou a execução da obra de pavimentação da PE-18, que liga Paratibe ao complexo industrial de Caetés 1, em Abreu Lima. Ainda de acordo com o governador, o Estado vai liberar R$ 800 mil para a Prefeitura de Paulista investir em obras de infraestrutura e mobilidade urbana. O recurso será aplicado para ligar a comunidade de Nossa Prata ao bairro de Maranguape 1 e servirá também para a requalificação de toda iluminação pública da PE-15.

O prefeito emedebista revelou que serão firmadas parcerias entre as duas esferas de governo para a ampliação da rede escolar, com a implantação de escolas em período integral, assim como na construção de uma UPA na região das praias. "Vamos espalhar obras públicas por todos os recantos da cidade e desenvolver ações de fortalecimento da cidadania, ouvindo sempre o povo nas ruas", afirmou Yves.


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Petrolina 2021

27/02


2021

Os verdadeiros heróis e a importância dos exemplos

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho*

Por princípio, o idealismo está ligado ao conservadorismo, como o exemplo do nazismo e o idealismo alemão. Ao contrário, as ações empíricas relacionam-se à filosofia liberal, de Hume e outros. Já o tradicionalismo de Bolsonaro e Trump apoia-se na desconstrução, sem idealismo ou liberalismo. 

Talvez isso explique, ao menos em parte, o que vivemos. De certo, estamos num tempo sem lideranças e relações práticas entre filosofia e política, tão importantes na busca da felicidade em sociedades mais evoluídas. Os mais de 30% que apoiam o Bolsonaro sempre existiram, são eles que têm saudade da glória dos que servem ao rei, é de um saudosismo tolo e infantil. Versam sobre o mantra dos justiceiros, bem próprio dos egoístas, dos que temem o debate, daqueles que tem certeza de quase tudo. Aliás, esses são ingredientes fundamentais aos movimentos de massificação e manipulação. 

Nas últimas décadas, o Brasil do futuro amparou-se na lógica dos economistas financistas, influência inequívoca do mercado e da sociedade de consumo. Sou do tempo que não podíamos questionar axiomas, como o que a responsabilidade fiscal propiciaria o “welfare state”. Infelizmente o estado de bem estar social não aconteceu, ou melhor, ainda não vem acontecendo. O mundo expandiu as desigualdades e os conflitos. 

A melhoria da saúde e da felicidade tem relação evidente com a redução de desigualdades. No Brasil, caminhamos a meu ver, para um estado mais rico e com maior concentração de renda, e para um povo mais pobre. O desafio é secular. O Brasil está sem projeto nas suas áreas mais prioritárias. Não qualquer exemplo de iniciativa para a mudança do modelo de desenvolvimento, prioritariamente, capaz de reverter a desigualdade entre as regiões do Brasil. Trata-se de um processo político, quanto as definições de investimentos, na qualificação das desonerações fiscais e de transformar as escolhas acertadas em orçamento real. 

Várias demandas precisam ser solucionadas. Entre elas, estão a de reduzir indicadores básicos como os da violência, que guardam relação direta com o desenvolvimento sustentável e com a desigualdade, e principalmente, dar equidade ao desenvolvimento das regiões econômicas e da saúde. O Ceará do futuro tem que ser agora, justamente diante da maior crise social do século. O Ceará do futuro precisa ser um país, e rever seus mecanismos de representação social e política. 

Precisamos, também, combater com coragem e determinação essa massificação do pensamento, que tem por estratégia a escolha dos culpados, fazendo parecer aos desavisados e decepcionados, que uma infantil volta ao passado, ao tempo da separação dos alunos nas salas de aula, ao preconceito com os homossexuais e, principalmente, a proibição da cultura e identidade da nossa sociedade. São esses os ingredientes do pensamento de boiada. Em fim, desejam o retorno de uma sociedade estática, em geral, com valores moralistas e hipocritas. Guardam sim um saudosismo dos anos da ditadura, que insistem não ter existido. É um tipo de vontade óbvia de  recuperar a proteção dos escolhidos e protegidos, e a perseguição daqueles que não toleram a desigualdade social e os preconceitos. Refiro me ao patrimonialismo brasileiro. 

Porém, não sou um pessimista, nem faço parte dos que acreditam que tudo piorou. Pois, não conseguirão, simplesmente por não silenciarmos. Opto por ser um otimista realista, por ser um liberal, principalmente no julgamento aos hábitos e costumes, e ainda, por convicção dos males que a falta de humildade proporciona a humanidade, por causar prejuízos ao espírito e à possibilidade de colaboração com o desenvolvimento intuitivo, tão importante na história de nossa sociedade. 

Perdoem-me pelo meu modo sem jeito de analisar a nossa realidade. O faço para combater a apatia, e principalmente, o autoritarismo e a dificuldade de aceitar as mudanças, ou mesmo as críticas. 

Acredito que estamos num momento de ruptura, para fazer o amanhã mais harmônico. Entre várias ações, um bom começo seria mudar nossos mitos, reconhecer e enaltecer heróis como  Carlos Chagas, Machado de Assis, José de Alencar, Rodolfo Teófilo, dentre outros. São eles os exemplos de doação, dedicação, altruísmo e coragem, valores essenciais para uma sociedade com mais equidade e justiça. São eles os verdadeiros ídolos que governam nossas vidas, pelos exemplos  de vida. 

Enfim, não precisamos usar ou manchar a bandeira de sangue, nem tampouco exaltar um positivismo nacionalista e excludente. A bandeira significa pouco, mas os valores exprimem muito de uma sociedade!!!

*Médico e secretário de Saúde do Ceará


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JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Para esse senhor, bom mesmo foi o período dos ladrões que, após a intervenção militar, ficaram mais de trinta anos no poder e só fizeram dá proteção e direitos a bandidos e saquear o Brasil. Um hipócrita e esquerdista caviar.


Serra Talhada 2021

27/02


2021

Jarbas recebe vacina contra a Covid-19

O senador Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), 78 anos, tomou a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, hoje, em um posto drive-thru no Recife. Ele divulgou o momento da imunização em sua conta oficial no Instagram e aproveitou para defender a ciência e a vacinação.

"Após me cadastrar e aguardar o agendamento por parte da Prefeitura do Recife, recebi, neste sábado, a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Um momento de muita alegria e de reconhecimento a todos os envolvidos nessa verdadeira luta que estamos travando contra a pandemia. Sigo confiando na ciência e adotando todos os protocolos de saúde que continuam sendo importantes e necessários. Que todos possam se vacinar também o mais breve possível!", escreveu.


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27/02


2021

O homem que amava livros e poesia

Por Antônio Campos*

Um dos grandes vultos da cultura brasileira do século XX, Edson Nery da Fonseca inovou no campo da biblioteconomia. Criou técnica de arquivos e de preservação de livros e documentos. Neste ano, em dezembro, será o centenário de nascimento do ilustre pernambucano de Recife. 

A Fundação Joaquim Nabuco já iniciou  os preparativos para marcar essa importante data. Em 23 de abril, Dia Nacional do Livro,  Edson Nery será celebrado. E lembrado não só como bibliógrafo, bibliotecário, historiador, intérprete e crítico literário. Atividades que exercia com tamanha qualidade que, já aos 20 anos incompletos, era elogiado por Álvaro Lins. E visto com Gilberto Freyre a realizar pesquisas em arquivos da Câmara Federal. 

Não podermos esquecer do legado que nos deixou com o seu pioneirismo metodológico na Biblioteca Nacional, de Brasília, a que tive a oportunidade de visitar há poucos dias. Nessa biblioteca, que continua sendo uma referência pelo tratamento arquivistico e catalogação do acervo, Edson Nery deixaria a marca de sua competência inovadora. 

Importante destacar nas celebrações a  sua participação, durante décadas, no Seminário de Tropicologia, quando era presidido por Gilberto Freyre, na Fundaj,  instituição a que tenho a honra de presidir. Na Fundação, Edson Nery tornou-se um dos mais próximos colaboradores, em pesquisas, do autor de 'Casa Grande & Senzala", ao lado de Gilberto Osório de Andrade, Estevão Pinto, Renê Ribeiro, Maria Graziela Peregrino, Clovis Cavalcanti, Paulo Rosas, Frederico Pernambucano, Mário Souto Maior, Waldemar Valente, Maria do Carmo Tavares de Miranda e Fátima Quintas.  

Na celebração de seu centenário, no dia 23 de abril, farei uma palestra pelo canal da Fundaj, no YouTube. Abordarei o tema "O livro na era digital, o suporte material dos textos e as variadas formas de ler em época de aceleração digital." Vou lembrar o quanto foi gratificante, para mim, a oportunidade que tive de produzir um CD com a voz de Edson Nery. Ele que foi um dos nossos grandes intérpretes e declamadores da poesia de Manuel Bandeira. 

Para ser mais preciso, não só de Bandeira, o seu preferido a vida inteira, mas dos poetas do seu íntimo miradouro. Vou reeditar esse CD, pela importância histórica e afetiva que ele enseja. Edson Ney tinha o que Rolland Barthes no seu monumental "A Aventura Semiológica", chama de Ethè, os atributos do orador, os traços fundamentais de quem fala. Possuía o dom da voz e a  imponência corpórea. Era prazeroso escutar Edson declamar Bandeira.  

Além de ter sido o mais importante e conceituado mestre na sua especialidade,ele próprio se dizia bibliófilo e “bibliósofo”, "Bibliósofo”, como o chamava seu amigo Antônio Houaiss, que não se cansava de convidá-lo para, ambos, realizarem grandes projetos. 

Na sua casa olindense, a 20 metros do Mosteiro de São Bento, nas visitas que fiz vi de perto os 595 volumes sobre o sociólogo Gilberto Freyre, de quem Nery foi amigo por 47 anos. Tornou-se o maior conhecedor, no campo da bibliografia, assim como biógrafo do Mestre de Apipucos.

A historiadora Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, curadora da homenagem a Gilberto Freyre na Festa Literária Internacional de Paraty de 2010 e autora da biografia "Gilberto Freyre: Um Vitoriano dos Trópicos", confirma Edson Nery como o maior conhecedor da obra de Freyre: “Penso que não há exagero em dizer que ele conhece praticamente todos os livros, artigos, opúsculos que Freyre escreveu, assim como muito do que foi escrito sobre sua obra”. Antes de Maria Lúcia, Otto Maria Carpeaux, de quem Edson era amigo, já dizia isso, juntando-se as vozes de Eduardo Portela e Vamireh Chacon, outros grandes leitores de Edson e pesquisadores da obra de Gilberto.  

A Fliiporto, por minha iniciativa, em 2013, foi dedicada à sua vida e à sua obra. Recordo a alegria que Edson Nery teve ao ser aplaudido por milhares de pessoas. Saiu do leito de enfermo, fez questão de estar presente, assistido por dois enfermeiros. O acompanhei nesse trajeto. Não, queria perder a oportunidade de estar perto da multidão que o aplaudia de pé.  

Não sei qual das vozes mais cheias de emoções e fervor, a do numeroso público ou a dele. A Fliporto engrandeceu-se naquela noite, no Pátio do Carmo. Podíamos ouvir, ao longe, os sinos da Abadia do Mosteiro de São Bento, quando da entrada de Edson no palco monumental do evento.  

Ao voltar para a casa, Edson teria visto pela janela do carro, que o conduzira em marcha lenta, a cidade que tanto amou. A Olinda das ladeiras, do casario e quintais ensolarados, das sete colinas onde o ar se faz mais fino, das igrejas e seus sinos seculares, das procissões centenárias, das ladainhas e orações da gente simples, do seu querer bem aos livros e aos seus gatos de estimação. Um amor que não consentia extinção.  

*Advogado, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letra e presidente da Fundação Joaquim Nabuco


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Jornao O Poder

27/02


2021

A dor que vai virar posteridade

Esta foto, enviada, há pouco, pelo meu amigo Donizete Arruda, craque da Imprensa cearense, tocou profundamente o meu coração, rasgou minha alma por dentro e por fora. Vai entrar para a história da mídia brasileira: mostra jornalistas exibindo a última edição impressa do Diário do Nordeste, o maior jornal do Ceará, que a partir da segunda-feira, 1°, vira 100% digital.

Embora pioneiro no Nordeste na ferramenta digital do jornalismo, sou filho do papel. E por isso, choro. Aprendi a fazer notícias e gerar manchetes, logo cedo, imberbe, num papel exalando cheiro de tinta. Meu ouvido ficou viciado no barulho das rotativas impressoras. O jornal foi companheiro de todas as horas, começando pelo café da manhã.

Joaquim Nabuco dizia que atrás do jornal não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo.

Jornais foram criados para excitar a curiosidade. 

Jornal já serviu até para anunciar o amor. "Pensei em colocar um anúncio no jornal pra todo mundo ficar sabendo o quanto eu amo você", já li num velho matutino. Eu sou como um jornal: tenho meus dias, meus meses, meus anos, sejam eles bons ou ruins.

Trago sempre comigo notícias, sejam elas de inverno ou jardim. Anuncio um mês e um ciclo, sou também preto e branco quando me dão liberdade. 

Alguém me dê uma notícia que não esteja no jornal. Saudoso, compartilho da dor dos colegas cearenses. Um bom jornal é uma Nação falando consigo mesma.

Esta foto é a minha dor e de tantos companheiros estampada no jornal da história. Jornal inspirou até os poetas: A vida é vã, banalidade... É como jornal de hoje, amanhã será papel de embrulho. 

A vida não é como um jornal, que pode ter uma edição do amanhã. Ler jornal, já ouvi, é o melhor remédio para se reinventar. Dou uma rápida leitura no jornal e tiro duas frases que podem me dar muitos dias de reflexão e assunto para muitos textos.

O último Diário do Nordeste é a foto drumoniana na parede. Dói muito.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

27/02


2021

Pousadas de Noronha lançam site para reservas

Um lugar de beleza estonteante, cercado de natureza, águas mornas cristalinas e espetaculares cenários naturais, um paraíso. Assim é a Ilha de Fernando de Noronha, em Pernambuco. A experiência de conhecer um dos melhores destinos do Brasil pode ficar ainda melhor se for aliada à exclusividade de uma hospedagem impecável.

Buscando reunir tudo isso em apenas um clique, a Associação de Pousadas de Fernando de Noronha (APFN) criou um site (www.apfn.com.br), onde é possível fazer reservas, diretamente, em uma das suas 25 pousadas associadas. Ao utilizar o site da associação para fazer sua reserva, o turista também tem a garantia de fazer uma hospedagem segura, evitando os transtornos comuns que acontecem nas pousadas que funcionam de forma irregular e clandestina, amplamente ofertada pelos canais digitais, que não se responsabilizam por eventuais problemas com o estabelecimento.

“Resolvemos criar nossa própria plataforma de vendas para proporcionar aos nossos clientes um canal direto com cada uma das pousadas e nos aproximar dos clientes para poder atender todas as expectativas e estreitar o contato com nossos turista, transformando uma hospedagem em uma experiência. Queremos conhecer de perto nossos clientes para minimizar essa “digitalização” no atendimento, que tanto tem afastado as pessoas. É muito bom saber o que cada cliente pensa”, diz Adriana Flor, presidente da APFN. 

Para fazer a reserva é bem simples. Basta acessar o site da associação, preencher o check-in e check-out, quantidade de adultos e crianças e escolher uma pousada. Pronto. Você será direcionado para a página de reservas da pousada escolhida. Fácil, ágil e seguro.

“Fizemos um site para que as pessoas tenham segurança e praticidade na hora de fazer sua reserva. Além dos detalhes da hospedagem, o site reúne outras informações para os turistas. É rápido, pratico e seguro”, comenta Juliana Paraíso, desenvolvedora do site. No site também estão disponíveis informações sobre o arquipélago, a associação e as pousadas.

A Ilha de Fernando de Noronha é reconhecida pelas suas praias pouco urbanizadas e por atividades como o mergulho, onde é possível nadar em um aquário natural de águas quentes e cristalinas. Outras informações sobre a associação, as pousadas e as belezas de Fernando de Noronha estão disponíveis no site www.apfn.com.br e no perfil @apfnoronha.


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27/02


2021

Urbanos, rurais e os demais

Por Marcelo Tognozzi*

Numa época em que a cidade entendia o campo a partir do clássico “Coronelismo, enxada e voto”, do escritor Victor Nunes Leal, um moleque pobre de Viçosa, no interior de Alagoas, entrou para o PC do B em 1977. Seu pai era vaqueiro da fazenda do senador Teotônio Vilela. Aldo Rebelo mergulhou de cabeça na política. Passou pela Ação Popular antes de militar num partido que na época era clandestino. Três anos depois, em 1980, o comunista de Viçosa virou presidente da UNE. No início dos anos 1980, a política uniu o dono da fazenda e o filho do vaqueiro na luta pela redemocratização do Brasil. Teotônio morreu em 1983 e 5 anos depois o filho do vaqueiro fazia sua estreia nas urnas se elegendo vereador por São Paulo.

Aldo tem uma visão do país extremamente realista, distante dos delírios e da tempestade de bobagens que a todos assola cotidianamente pelas redes sociais. Em 2017, durante a comemoração do aniversário de um alagoano ilustre, um amigo perguntou por que ele deixara o PC do B. “Eu não aguentava mais. Queria discutir o Brasil, a questão da infraestrutura, da saúde, da garantia de escola para todos, e eles queriam uma outra pauta, que a meu ver não é prioritária. Decidi seguir meu caminho”, explicou.

Na última Quarta-Feira de Cinzas, na dolorosa abstinência forçada do Carnaval, meu amigo baiano (imagine a agonia de um baiano sem Carnaval!) Edson Barbosa publicou neste Poder360 um artigo sobre o pensamento de Aldo, esquentando o debate sério e qualificado sobre que país queremos construir. Em resumo, propõe pacificar o Brasil como caminho para destravar a economia e investir nas pessoas, naquilo que define como 5º Movimento.

Existem hoje 2 Brasis. Aquele que faz política pelas redes sociais, pregando uma pauta recheada de problemas absolutamente regionais e essencialmente ideológica, como as milícias do Rio ou as máfias de São Paulo. E um outro fora das regiões metropolitanas, onde esta narrativa não tem aderência. Neste outro Brasil estão nada menos que 2/3 dos votos. Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa, da Ciência e Tecnologia e ex-presidente da Câmara dos Deputados conhece esta realidade de cor e salteado.

Os candidatos que viraram o jogo e ganharam a eleição nos últimos 20 anos, foram aqueles focados em conversar, entender e conhecer o interior. Lula fez suas caravanas na campanha de 2002 e conquistou estes votos. Bolsonaro peregrinou pelo interior muito antes de ser percebido e admitido como possibilidade viável pela grande mídia e a Faria Lima. Quando acordaram, o capitão estava no segundo turno.

Vamos falar sério: ele não foi eleito por causa da facada ou do bate-boca nas redes sociais. Ganhou porque convenceu aquele Brasil que não sai no Jornal Nacional ou na novela, focado em produzir, criar seus filhos e melhorar de vida. A escola integral virou realidade faz tempo em muitas cidades deste Brasilzão, no Oeste da Bahia, Goiás ou Mato Grosso. O cidadão formado na zona rural acaba sendo bem diferente em pensamento e atitude daquele das periferias das metrópoles.

Transformar questões regionais do Rio ou de São Paulo em temas nacionais não seduz o eleitor de Sorriso, Lucas do Rio Verde, Gurupi, Porto Nacional, Rolim de Moura, São Gabriel, Cascavel, Pato Branco, Três Lagoas, Dourados, Rondonópolis, Balsas, Uruçuí ou Luís Eduardo Magalhães. Acreditar na possibilidade de convencer o eleitor brasileiro médio que a Amazônia é o futuro, só tem sentido se mudarmos o presente das pessoas fazendo um baita investimento em educação. Num país onde 47% do eleitorado se declara desempregado ou sem renda fixa, é um luxo falar em futuro da Amazônia para quem não sabe se vai conseguir almoçar.

É essencial entendermos o país a partir de um ponto de vista distinto, fora da bolha das regiões metropolitanas. Sem mudar o tom, a forma e o discurso, não será possível compreender e interagir com este Brasil emergente, dono dos votos decisivos na hora de escolher quem será o próximo a sentar na cadeira de presidente. A elite metropolitana vive um processo de decadência cultural e política, enquanto a do campo é emergente, cada vez mais influente, rica e bem educada.

Aldo fez sua carreira no PC do B e largou o partido insatisfeito com a pauta limitada e desfocada da realidade, filiou-se ao PSB e hoje está no Solidariedade. Veio da zona rural de Alagoas, família humilde, num tempo em que a rota de ascensão social dos meninos pobres passava pela política ou pelo Exército. Sua percepção do mundo traz esta a marca cultural de um estado tradicionalmente violento e uma sociedade hierarquizada pela força e pelo dinheiro.

Ainda não apareceram muitos políticos ou partidos com propostas claras e objetivas, focados em debater os rumos do país. O PSDB acaba de lançar suas propostas para o Brasil pós-pandemia, pregando mudanças profundas e estruturais na organização do Estado. Toda contribuição é importante num momento em que a pandemia virou o mundo de pernas para o ar e temos de repensar o país, nosso estilo de vida e valores. Ou será que vamos continuar lavando roupa suja e batendo boca nas redes sociais num eterno looping de bobagens que não resolvem a vida de ninguém?

Correção – No artigo da semana passada me referi a um vídeo do ministro Alexandre de Moraes com críticas ao Supremo que circula pela internet. O vídeo, conforme pude comprovar, é fake. O ministro aparece lendo o trecho de um processo durante audiência do STF. Esta parte foi editada para dar a impressão de que Moraes criticava o tribunal.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no site Poder 360.


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