Jaboatão

17/04


2021

Por que o Brasil se tornou ameaça sanitária mundial?

Por Arnaldo Santos*

Antes de tentarmos responder por qual razão isso aconteceu, por um dever de justiça que se impõe, iniciamos esta reflexão, reconhecendo e “parabenizando” o Presidente da República e o ex-ministro da Saúde, Eduardo “pesadelo”, por essa dupla e inédita conquista. Situa-nos, a um só tempo, nas condições de ameaça sanitária e párias diante do mundo, das quais tanto se orgulha o também ex-Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Como é do saber geral, desde o início do ano, quando surgiram as primeiras informações sobre a circulação, em algumas regiões da Europa, das novas cepas do coronavírus, resultantes das mutações ocorridas em solo brasileiro - que, segundo os epidemiologistas possuem maior poder de infectividade e transmissibilidade - as autoridades da saúde de vários países passaram a considerar o Brasil uma ameaça sanitária em escala planetária.

Como era esperado, desde então, passamos a sofrer todas as restrições impostas pelas autoridades sanitárias mundiais, e a ser vistos com repugnância e medo, num período só comparado àquele imediatamente anterior a Oswaldo Cruz - quando “éramos sinônimos do tifo, da peste bubônica e da febre amarela” – dificultando, ainda mais, a circulação dos brasileiros pelo mundo.

A consequência imediata foi o agravamento da crise de desconfiança no governo, com agudos rebatimentos sobre a economia, aumentando ainda mais o empobrecimento da população, empurrando milhões para a humilhante condição de famélicos. Aos olhos internacionais, é como se cada brasileiro fosse portador de uma cepa sobradamente perigosa e exclusiva, só encontrada por essas bandas, desenvolvida nos laboratórios da incompetência, do descaso, enfim, da irresponsabilidade desse governo. É imperioso afirmar que essa não é uma opinião apenas dos cientistas e dos governos internacionais, porquanto vários pesquisadores e infectologistas brasileiros também passaram a admitir a ideia de que, em razão da negligência na gestão da pandemia, nos tornamos essa vergonhosa ameaça sanitária para o orbe inteiro.

Ante essa inusitada realidade, fomos conversar com alguns infectologistas, para nos ajudar a entender as razões que nos transportaram a essa vexatória condição, se existe evidência científica que a justifique, e, assim, buscar a resposta para o que concede o título desta reflexão. Esta foi conduzida hoje ao leitor, com amparo nas análises e opiniões que colhemos dos especialistas, dentre eles o Dr. José Xavier Neto, cientista, chefe da saúde do Ceará, que é taxativo, ao assegurar que essa não é uma condição exclusiva do Brasil.

Para ele, a pergunta é um tanto especiosa pois o que não faltam são ameaças sanitárias advindas de outros países, inclusive bem mais desenvolvidos do que o nosso. Com efeito, não se trata apenas do Brasil, especificamente. Em verdade, todo e qualquer Estado no qual há regiões com proliferação descontrolada de um agente patogênico com potencial pandêmico oferecerá perigo à comunidade das nações. O caso sob comento é o da pandemia mundial de covid-19 provocada pelo vírus SARS-CoV-2.

Na condição de pesquisador e analista do comportamento do vírus e da evolução da pandemia, ele assevera que a questão é estatística. Quanto mais pessoas suscetíveis expostas ao SARS-CoV-2, e quanto maior o tempo de exposição ao vírus, maiores as oportunidades de emergência de novas variantes, o que têm ocorrido também em outros países, embora se observe no Brasil maior descontrole da doença.

As variantes surgem porque, com certa frequência, em todos os organismos, mesmo nos vírus, a reprodução viral é associada a erros de duplicação na sequência de DNA ou RNA. Certos vírus, como os que produzem gripe, são hipermutáveis, cometem muitos erros na produção de suas sequências. Outros erram menos, como sucede com o próprio SARS-CoV-2, que possui mecanismos ativos de correção de mutações.

O Dr. Xavier Neto acentua, ainda, que, na maioria das situações, os erros de sequência durante duplicação de DNA ou RNA são neutros, por assim dizer. Não terão qualquer consequência para a infectividade, a patogenicidade, ou para sua vulnerabilidade às vacinas. Em outras circunstâncias, as mutações são susceptíveis de produzir vírus defeituosos, dos quais ninguém vai ouvir falar, pois estes, simplesmente, não se reproduzirão e, tampouco, farão mal nenhum. Mais raramente, pode ocorrer um cenário mais temido por nós, que é o de ganho de função do vírus. Nesse caso, as mutações conferem maior infectividade, patogenicidade ou resistência viral às vacinas.

Explicando um pouco as características, o comportamento e a evolução dos vírus, o Cientista afirma que eles só proliferam quando associados a células vivas. Naturalmente, quanto menores forem as oportunidades de acesso a um hospedeiro, menores são as chances de mutação, pois estas dependem do processo de reprodução. Por esse pretexto, é fundamental evitar aglomeração para restringir o acesso do vírus a um maior número de pessoas, pois o tempo de exposição de um hospedeiro, de uma pessoa ao vírus, também é determinante nesse processo. Quer dizer, quanto maior for o período de residência do vírus em um hospedeiro, maiores serão as chances de infecção de muito mais das suas células, e, portanto, há mais oportunidade de mutação. Assim, especula-se a ideia de que pacientes com sistemas imunes deprimidos constituiriam ambientes mais favoráveis ao aparecimento de mutações, pois, tanto suas células permaneceriam infectadas e vivas por mais tempo, quanto a infecção seria passível de atingir um número muito maior de suas células.

Portanto, a ameaça sanitária está encapsulada no número de pacientes infectados, bem como no tempo de exposição total ao vírus. É por isso que o descontrole da epidemia no Brasil, ou em qualquer outro país ou região, constitui uma ameaça a toda a comunidade das nações - acentua o Dr. Xavier Neto - evidenciando que, embora sejamos uma ameaça sanitária, não estamos sozinhos nessa condição.

Ainda que não estejamos sozinhos nessa condição de ameaça sanitária para o mundo, é preciso reafirmar que os 4 mil mortos de cada dia, e as quase 400 mil vidas perdidas até aqui, resultam do negacionismo, e da necropolitica desse governo, que pela incúria na gestão da pandemia, gerou o que se pode considerar a “tragédia brasileira”.

 Em decorrência dessa funesta realidade, a condição de ameaça para o mundo, vale relembrar uma das frases toscas do Presidente, “[…] Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado, o poder destruidor do vírus”.

*Jornalista, sociólogo e doutor em Ciências Políticas. Comentários e críticas para: [email protected]


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Olinda

Confira os últimos posts



18/05


2021

Ministro do Turismo participa de atividades em Madri

O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, o presidente da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), Carlos Brito, e o diretor de Marketing, Inteligência e Comunicação da Agência, Silvio Nascimento, cumprem agenda na capital da Espanha, Madrid, até a próxima sexta-feira. Entre outros compromissos, a comitiva vai participar da Feira de Madrid (Fitur 2021).

O foco da Fitur é a recuperação global do Turismo e conta com apoio e participação da Organização Mundial do Turismo e da World Travel and Tourism Council (WTTC), além de diversos países e entidades atuantes no setor do Turismo. “Precisamos de união mundial para a retomada do fluxo de turistas. O governo brasileiro está atento em busca de soluções que ajudem a garantir a sobrevivência das pessoas e a manutenção de empregos”, salienta o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto.

No embarque para o país europeu, o ministro fez um registro de como estava o voo internacional. Um avião com capacidade para quase 400 pessoas praticamente vazio. Ele alegou que um dos motivos desta viagem também é fazer pontes e restaurar o Turismo brasileiro.


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Ipojuca 2021

18/05


2021

Arcoverde: Vereadora pede CPI pra investigar recursos

O clima esquentou na sessão ordinária da Câmara Municipal de Arcoverde, ontem, após a vereadora oposicionista Zirleide Monteiro (PTB) relacionar uma série de gastos suspeitos feitos com os recursos da Covid-19 no município. Entre as denúncias, um processo licitatório que previa, entre outras coisas, a compra de 500 garrafas de azeite de oliva para o Hospital de Campanha.

"Ontem, denunciamos um processo licitatório com recursos da Covid-19 que previa a compra de gênero alimentícios para o Hospital de Campanha e que ainda está em vigor. O curioso desse processo é que na lista de compras tem nada menos do que 500 garrafas de azeite de oliva com previsão de gastos de mais de R$ 15 mil, enquanto faltam testes para a população" disse a parlamentar trabalhista.

A vereadora afirmou que a Câmara de Arcoverde deveria realizar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o objetivo de apurar a aplicação das verbas destinadas ao combate da Covid-19. "Precisamos saber o que foi feito e como foi usado esses mais de R$ 8 milhões de reais que Arcoverde recebeu da Covid-19", disse.

Zirleide ainda mencionou gastos com despesa de pessoal terceirizado no município, que chega a mais de meio milhão de reais, realizados durante os meses de outubro e novembro de 2020. A vereadora chegou a indagar se esse montante não foi utilizado para pagar militantes do grupo governista, já que o momento se tratava do pique da campanha eleitoral passada.

Outro ponto tocado foram os valores gastos com exames laboratoriais também foram lembrados na sessão virtual pela petebista, quando, segundo a parlamentar se gastaram agora em 2021 quase R$ 100 mil em exames com os pacientes do Hospital de Campanha, que teve em média, no período, 3 pacientes diários. Na mesma sessão, a vereadora Célia Galindo (PSB), que é do mesmo partido do prefeito interino e da ex-prefeita Madalena Brito, disse que é um caso que deve ser investigado pela Polícia Federal.


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CABO

18/05


2021

Cardinot acerta volta ao rádio pela Interativa 102.1

Um dia após ter sua saída confirmada da TV Jornal, o jornalista Joslei Cardinot, famoso apresentador de programas populares no Estado, tendo já passado por várias emissoras de rádio e televisão, acertou sua volta ao rádio. Apresentará um programa na Interativa 102.1 FM, com estreia marcada para o próximo dia 1 de junho. Seu programa terá duas horas de duração, das sete às nove da manhã, de segunda a sexta-feira.


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18/05


2021

Collins diz que a solução para o Agreste é a vacina

O deputado estadual Pastor Cleiton Collins (PP) esteve, hoje, com pastores e líderes religiosos do Agreste, na Cidade de Caruaru. O parlamentar estava na cidade para participar das comemorações dos 164 de Caruaru, na Câmara Municipal. Collins reagiu com insatisfação às novas medidas tomadas pelo Governo do Estado com relação às igrejas e ao comércio no Agreste.

Para Collins, não é o culto presencial ou on-line que fará a diferença. “Todas as igrejas e seus membros estão usando máscara, fazendo distanciamento social, respeitando as regras. A lei das igrejas essenciais deve ser respeitada. Foi uma lei dada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco às igrejas que estão atuando nessa pandemia e trabalhando tão bem. O que o Agreste está precisando no momento não é mexer nas estruturas das igrejas e sim trazer vacina, priorizar vacina para a região. Assim como foram mais vacinas para Manaus e o país foi solidário. Agora é hora da saúde e de todos os setores do governo serem solidários ao Agreste. Isso sim vai mudar a situação na região”, pontuou.


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Petrolina abril 2021

18/05


2021

Miguel cumpre agenda política no Recife

O deputado federal Ricardo Teobaldo (Podemos) esteve, na manhã de hoje, reunido com o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), no Recife. Na pauta, o protagonismo dos municípios pernambucanos e a nova agenda do pacto federativo.

Além da pauta administrativa, Miguel e Teobaldo conversaram bastante sobre o cenário político local e nacional. Do encontro, ficou acertada uma nova agenda em Petrolina, onde Ricardo Teobaldo levará alguns prefeitos do seu grupo político para conhecer o exitoso modelo de gestão implantado por Miguel no município.


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Bandeirantes 2021

18/05


2021

Marília participa de ato contra privatização da Eletrobras

A deputada federal Marília Arraes (PT-PE) participou, na manhã de hoje, de um ato na sede da CHESF contra a privatização da Eletrobras. A parlamentar, que encampa a luta contra o desmonte do estado nacional brasileiro na Câmara dos Deputados, é totalmente contra a entrega do setor elétrico às empresas privadas.

Marília acredita que a venda da Eletrobras será a mais grave privatização feita pelo Governo Bolsonaro, já que impacta diretamente em cada passo dado pelos brasileiros. "Lá na Câmara não tem sido fácil lutar contra o Governo que, cada vez mais, está cooptando parlamentares. Mesmo assim, temos que manter a mobilização popular firme e forte”, disse.

Com esse processo de privatizações, a CHESF, empresa subsidiária da Eletrobras, será diretamente afetada com a decisão. Criada em 1945, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco é uma das principais geradoras, transmissoras e comercializadoras de energia elétrica do Nordeste.

Atualmente, a CHESF tem cerca de 3.816 funcionários. "A CHESF é uma empresa que faz parte da história do desenvolvimento nordestino. Vamos utilizar os instrumentos que temos para mobilizar o máximo de pessoas possível contra a privatização”, afirmou.


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Serra Talhada 2021

18/05


2021

Mais 255.100 vacinas da Astrazeneca chegam a PE

Pernambuco recebeu, na madrugada de hoje, mais 255.100 doses da vacina contra a Covid-19 da Astrazeneca/Fiocruz. Esse quantitativo será voltado para a primeira dose da população com comorbidades e das pessoas com deficiência cadastradas no BPC, além da segunda dose de idosos entre 60 e 69 anos.

As vacinas chegaram ao Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre à 01h50, seguindo para checagem e armazenamento no Programa Estadual de Imunização. Os imunizantes começam a ser entregues às 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres) já nesta manhã, para que os municípios possam fazer a retirada dos seus respectivos quantitativos.

“A chegada dessas 255.100 doses é um reforço significativo para o nosso programa de imunização. Por isso, temos a preocupação de garantir agilidade para que as doses cheguem com agilidade e segurança às Gerencias Regionais de Saúde até o final do dia, permitindo a ampliação da vacinação para uma parcela expressiva da população”, disse o governador Paulo Câmara.

"Continuamos empenhados em distribuir as vacinas no menor tempo possível para que os gestores municipais possam planejar suas atividades e imunizar sua população. Reforço para que as secretarias municipais fiquem atentas às pautas de distribuição, que informam qual a dose e qual o público contemplado naquela remessa. É importante seguir essas recomendações para não haver inconformidades ao longo da campanha", afirma o secretário estadual de Saúde, André Longo.

Até agora, o Estado soma 3.706.930 vacinas contra a Covid-19 recebidas, sendo 1.959.160 da Coronavac/Butantan, 1.683.420 da Astrazeneca/Fiocruz e 64.350 da Pfizer/BioNTech.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

18/05


2021

Governo do PSB homenageia ex-superintendente da PF

Não passou batida a gestão da delegada federal Carla Patrícia a frente da Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco. A delegada federal Carla Patrícia, que está deixando o cargo de Superintendente, foi homenageada pela gestão estadual do PSB pelos serviços prestados ao Estado de Pernambuco.

Ela recebeu um diploma do chefe e do subchefe da Polícia Civil de Pernambuco, vinculada ao Governo do Estado.

A delegada federal Carla Patrícia era cargo comissionado do governador Paulo Câmara (PSB), na Secretaria de Defesa Social, antes de assumir a Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco.

A Polícia Federal em Pernambuco será comandada pelo delegado federal Daniel Granjeiro, de Alagoas.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

18/05


2021

Fracassa tentativa de Geraldo no social

EXCLUSIVO

O ex-prefeito do Recife Geraldo Júlio (PSB), atual secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, fez uma tentativa de atuar no social através de SUAPE. A Secretaria queria contratar uma instituição para "capacitação profissional de marisqueiras".

No entanto, nenhuma instituição se apresentou para fazer a parceria com a Secretaria de Geraldo. O certame foi declarado "deserto", pela comissão de licitação de SUAPE.

A gestão de Geraldo, no Desenvolvimento Econômico do Estado, segue sem ter nada o que mostrar.

Na pandemia, Geraldo tem se escondido como secretário, sempre mandando sua secretária-executiva aparecer nas entrevistas sobre a covid-19. Geraldo não quer assumir junto a empresários e comerciantes sua omissão com a falência e fechamento de milhares de estabelecimentos em Pernambuco.


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18/05


2021

A celebração das milícias por Bolsonaro

Por José Nêumanne*

O presidente e o filho Flávio não escondem de ninguém – amigo, inimigo, apoiador ou adversário – relações próximas com ex-chefão da milícia de Rio das Pedras e parentes próximos deste

Em entrevista à GloboNews, o relator da CPI da Covid no Senado, Renan Calheiros, reagiu a ofensas do colega Flávio Bolsonaro depois do entrevero que ambos tiveram no plenário das comissões: “Isso é uma coisa da cultura do Rio de Janeiro. As pessoas que moram no Rio de Janeiro sabem que o miliciano tem uma cultura diferente. Ele nunca considera que é um criminoso, que está fazendo um dano à vida das pessoas, que está traficando. Ele considera que não é um criminoso e que é vagabundo quem o enfrenta”. O pai socorreu o filho em pronunciamento público, afirmando: “Sempre tem alguém picareta, vagabundo querendo atrapalhar o trabalho daqueles que produzem. Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem no nosso país. É um crime o que vem acontecendo com essas pessoas neste país”. Nas Alagoas do relator, aos berros de “Renan vagabundo!” da plateia, Bolsonaro deu um recado “para esse indivíduo que quer fazer um show tentando me derrubar: não fará”.

Na verdade, a intimidade com milicianos do presidente, quando deputado federal, e do senador, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nunca foi escondida de aliados, adversários, inimigos e do público em geral. Em 2003 o pai, na bancada do PTB na Câmara, não poderia ter sido mais explícito ao afirmar, como registram os anais: “Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro”.  Em 2005 ele próprio compareceu ao julgamento de Adriano da Nóbrega, então tenente da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PM/RJ), acusado de haver comandado um grupo de oito PMS presos em flagrante, em 2003, pelo homicídio do flanelinha Leandro dos Santos Silva, em Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio. E o homenageou em discurso da tribuna. O “brilhante oficial” foi expulso da PM por chefiar a milícia de Rio das Pedras e também acusado pela Polícia Civil de ter chefiado o Escritório do Crime, que era contratado para assassínios em quiosque na praia onde fica o condomínio onde moram o pistoleiro que a polícia acusa de ter atirado em Marielle Franco, o próprio Bolsonaro e seu filho Carlos, colega da vítima na Câmara Municipal. Numa ironia do destino, o dono do PTB é o fiel aliado Roberto Jefferson. E Adriano foi executado por PMs da Bahia e do Rio de Janeiro, despertando em Flávio reação indignada e comovida, se não suspeita, além da conta.

Também em 2005 Jair mandou o primogênito, Flávio, condecorar esse “herói” com a Medalha Tiradentes, entregue na cela onde estava preso. Foi o pai ainda que indicou ao filho o subtenente reformado da PM-RJ Fabrício Queiroz para ser “pau pra toda obra” em seu gabinete. Este empregou no gabinete Raimunda Veras Magalhães, mãe, e Danielle da Nóbrega, mulher de Adriano, conforme informa o inquérito do Ministério Público fluminense, no qual o senador, ex-deputado estadual, é acusado de peculato, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. E o noticiário dos meios de comunicação, que, et pour cause, a famiglia execra publicamente. Seja em insultos genéricos, seja em ameaças de convocar para o pugilato repórteres “abelhudos”, em vez de encontrar explicação razoável para R$ 89 mil depositados na conta da primeira-dama Michelle, neta de traficante, filha de acusada de falsificação de documento e sobrinha de miliciano. É também notório o apoio insistente do presidente ao voto impresso, a ponto de ameaçar o próprio pleito de 2022 se não for adotado, sabendo previamente que não será. A quem mais interessa imprimir voto?

Protagonista da semana na série Dois dedos de prosa no Blog do Nêumanne, no portal do Estadão, o jornalista Edilson Martins abordou essa familiaridade da famiglia Bolsonaro com grupos de extermínio de policiais na Bahia e milícias do Rio de Janeiro, em especial a do Rio das Pedras. As coincidências com notícias dos últimos 18 anos impressionam e podem até inquietar. O pioneiro em jornalismo ambiental, com coluna no jornal O Pasquim à época da ditadura militar, chama a atenção para a importância dos negócios imobiliários na formação das forças milicianas que, segundo ele, não são mais um fenômeno exclusivamente carioca, já tendo atingido até Estados do Norte, caso do Acre, onde nasceu. Destacou que, desde as primícias da modalidade de extermínio nas proximidades da praia da Barra da Tijuca, “a luta desses grupos se trava pela posse da terra”. Hoje com um blog no Facebook, ele acha que a explicação para a execução da vereadora Marielle Franco, do PSOL, passa por duas hipóteses: muito combativa e ousada, ela teria “abusado” (milicianos são misógenos) e era ligada ao correligionário Marcelo Freixo ­– “é um milagre que ele ainda esteja vivo e sua vida depende muito de seu mandato”, completou.

O documentarista acreano observou ainda que esses grupos são muito mais do que organizações criminosas ao estilo da Máfia ítalo-americana. “Milicianos não são os pobretões, negros e raquíticos do tráfico. Mas os ‘fortões’, em tese quase sempre brancos, gordinhos e com aparência de classe média… As milícias estão presentes em 90% dos 163 bairros do Rio, a cujas populações vendem até gasolina e óleo produzidos em suas refinarias… A presença das milícias no Rio de Janeiro é a de um Estado totalitário, com poder de vida e de morte… Nunca se encontrará político que defenda traficante. Mas o presidente defende a milícia com orgulho. O gesto público fuzilando alguém, logomarca da campanha e que continua sendo, ganhou a simpatia da classe média fascistoide, ao exprimir a realidade em que ponto este país se encontra… Neste momento quem tem a caneta são o presidente e um grupo político que celebram a milícia.”

*Jornalista, poeta e escritor


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