Jaboatão

16/04


2021

Vicente diz que até Brizola fez complô contra

A histórica eleição de 2000 no Recife, objeto do meu livro A derrota não anunciada, que vem sendo postado nos últimos dias neste blog como contribuição à história, contou com outros candidatos, além de Roberto Magalhães e João Paulo, que polarizaram.

Contrariando José Queiroz, mandachuva do PDT, o então deputado federal Vicente André Gomes, já falecido, entrou na briga. E brigou muito, principalmente dentro do seu partido envolto num ninho de cobra que envolveu até o presidente nacional, o ex-governador do Rio, Leonel Brizola.

Brizola, no seu entender, também fez o jogo de Queiroz, ao pedir para ele apoiar Roberto Magalhães, no segundo turno. “Brizola me ligou para elogiar doutor Roberto. Ele disse: “Doutor Roberto tem essas coisas, mas a gente dá um banho nele no Rio Jordão”, relembra o ex-parlamentar, acrescentando que, na mesma ocasião, ratificou para Brizola o seu compromisso com João Paulo.

Vicente acusou Queiroz de ter abandonado sua campanha no Recife por assumir um acordo com Roberto Magalhães e Sérgio Guerra. Dois anos antes, em 98, Wolney Queiroz, filho de Zé, não se elegeu federal. Ficou na primeira suplência. Se Roberto fosse reeleito com Guerra, que era federal, na vice, Wolney assumiria. "Zé fechou o acordo e se escondeu em Caruaru, nos abandonando", diz Vicente. Eis sua entrevista.

 “Queiroz fez acordo com Sérgio Guerra”

Capítulo 20

Ex-deputado federal, o candidato do PDT, Vicente André Gomes, adotou como símbolo da campanha na televisão a exibição do seu braço cotó, uma deficiência física de nascença. Sempre ao final de cada fala, batia fortemente a mão direita no cotoco da esquerda. “Foi proposital, para criar uma identificação”, revela André, que venceu todos os preconceitos, tendo se formado em Medicina depois de uma verdadeira batalha para ser aceito como aluno deficiente.

Político com atuação dirigida apenas a um reduto eleitoral do Recife – o popular bairro de Casa Amarela – Vicente André Gomes teve um papel importante na campanha, talvez até decisivo para a vitória de João Paulo, no segundo turno, pela capacidade de transferência de voto. Praticamente todos os eleitores que votaram nele, no primeiro turno, derramaram os votos, em segundo turno, no candidato do PT. “Diante de uma vitória tão apertada (menos de 1%), nosso apoio pode ter sido decisivo”, admite.

A campanha do pedetista, entretanto, foi marcada por uma batalha interna travada dentro do seu partido, com o grupo majoritário, liderado pelo deputado José Queiroz, a quem acusa de ter feito um acordo tácito com o então candidato a vice de Roberto Magalhães, deputado Sérgio Guerra, para que seu filho, Wolney Queiroz, assumisse o seu mandato em Brasília.

Primeiro suplente da coligação que elegeu Sérgio Guerra, Wolney Queiroz ganharia dois anos de mandato sem nenhum esforço, no momento em que Guerra assumisse o cargo de vice-prefeito, no Recife. “José Queiroz fez esse acordo e sumiu do Recife. Sua participação na minha campanha foi zero, nula, porque ele não tinha interesse na vitória de ninguém do bloco da esquerda. Estava pensando apenas no plano doméstico”, acusa Vicente.

Brizola, no seu entender, também fez o jogo de Queiroz, ao pedir para ele apoiar Roberto Magalhães, no segundo turno. “Brizola me ligou para elogiar doutor Roberto. Ele disse: “doutor Roberto tem essas coisas, mas a gente dá um banho nele no Rio Jordão”, relembra o ex-parlamentar, acrescentando que, na mesma ocasião, ratificou para Brizola o seu compromisso com João Paulo.

Se Vicente brigou com Queiroz para ser candidato no primeiro turno, no segundo não foi diferente. O presidente do PDT, que só se engajou na campanha do Recife em segundo turno, chegou a mandar para Brizola recortes de jornais que mostravam um Vicente hesitante entre marchar com João Paulo ou dar uma guinada à direita, apoiando Roberto Magalhães.

A briga não acabou na campanha. Recentemente, o grupo de Vicente tentou tirar o controle absoluto de Queiroz do PDT, com denúncias de que usava o partido para atender interesses pessoais e domésticos. O confronto acabou na dissolução da executiva estadual, mas Queiroz deu a volta por cima e reassumiu o partido, obrigando Vicente a se filiar ao PCdoB.

Seu depoimento foi dado durante um almoço do Paço Alfândega. Ali, durante mais de duas horas, Vicente voltou a jogar pedras em Queiroz e revelou bastidores inéditos da sua campanha.

            O que levou o senhor a disputar a Prefeitura do Recife diante de um cenário tão difícil para representar a chamada “zebra”?

                        Fui candidato porque, historicamente, tenho uma expressiva representatividade eleitoral em Casa Amarela. Ali, quando disputei a eleição pata vereador, pelo PMDB, fui o segundo mais votado do Recife. Depois fui para o PDT, sempre fui o vereador mais votado do Recife, pela história de trabalho e a relação com Casa Amarela.

            È aquela velha estratégia, de marcar presença, não é isso?

                        Não. Nunca houve essa intenção. Pelo contrário, o referencial da disputa nossa foi essa, voltada para Casa Amarela. Agora, nós fizemos parte de um jogo político, que representa o que tem de ruim na ação política. Fui escolhido candidato a prefeito pelo PDT, porque existia uma candidatura dentro do partido, uma candidatura legítima, que representava, também, a história do partido, que era a candidatura de Anatólio Julião, mas que não contava com a simpatia do presidente do partido, José Queiroz, que agiu com maquiavelismo para derrotá-lo.

            Como assim?

                        Anatólio Julião se colocava como candidato a prefeito do Recife, mas eu tinha a maioria do partido nas mãos. E José Queiroz sabia disso. Por quê? Porque nós temos um trabalho de base partidária e éramos, naquele momento, a única força política que poderia, legitimamente, disputar e vencer o então adversário de José Queiroz, que era Anatólio Julião. E por que Anatólio Julião era adversário político dele? É importante que se diga isso, porque, mais uma vez, José Queiroz utilizou Anatólio Julião de uma forma cruel. Queiroz quis ser candidato a senador, em 1998, mas foi rifado pelo PSB, que preferiu apoiar a candidatura de Humberto Costa. Desesperado, Queiroz correu para o partido e tentou construir uma candidatura própria a governador, usando, novamente, Anatólio Julião.

            Anatólio seria candidato a governador e Queiroz ao Senado?

                        Para se vingar do PSB, que preferiu apoiar a candidatura de Humberto Costa, Queiroz inventou a candidatura a governador de Anatólio, com a promessa de que seria candidato ao Senado, mas deixou Anatólio com o pincel na mão, retirando sua pré-candidatura. Nesse episódio, Anatólio criou um ódio terrível de Queiroz e, para não ter que apoiar Anatólio, em 2000, Queiroz teve que engolir a minha candidatura, porque, na prática, era uma forma dele derrotar Anatólio, novamente.

            Queiroz impôs alguma condição para apoiar o senhor?

                        Impôs a candidatura de Alberto Salazar como vice na minha chapa. Foi uma jogada maquiavélica dele, para impedir o crescimento da minha candidatura, porque era um técnico sem experiência política, sem votos, sem densidade eleitoral no Recife. No contexto, era apenas uma pessoa da confiança de Queiroz e esse foi o critério adotado por ele.

            O senhor queria colocar quem como vice?

                        A gente estava querendo Newton Carneiro, porque não tínhamos um nome do próprio partido. A gente queria discutir nomes e aí ele veio com uma exposição de motivos para emplacar Alberto Salazar. Por quê? Na realidade, ele queria travar a campanha, e isso é importante que você aborde, porque ninguém sabe disso. Ele queria travar a candidatura, porque ele temia, naquele momento, que a candidatura do PDT trouxesse a vitória, e trouxe, para João Paulo. Então, ele queria esvaziar a candidatura, queria enxovalhar toda a candidatura. Tanto é que ele não participou da campanha.

            Quer dizer que José Queiroz estava fazendo o jogo do candidato Roberto Magalhães?

                        De Roberto Magalhães, porque o primeiro suplente de deputado federal era Wolney Queiroz, seu filho, que poderia assumir o mandato em Brasília, caso Sérgio Guerra fosse eleito vice na chapa de Magalhães. Ele fez uma composição com Sérgio Guerra e se afastou do Recife. Não participou de nenhum ato da nossa campanha. Seu sonho mesmo era ver o filho deputado, no lugar de Guerra. Então, qual a razão que tinha de se envolver no Recife. No fundo, ele não trabalhou somente contra minha candidatura, mas contra a eleição de João Paulo.

            Ele se mandou para Caruaru, não foi?

                        Exatamente. Ele compôs com Sérgio Guerra na vice. Sérgio Guerra foi para vice.

                        Ele queria que Sérgio Guerra fosse o vice, e o Wolney Queiroz assumiria o mandato. Então, ele travou a minha campanha, não veio gravar o guia eleitoral, não participou de nada. Ou seja, me colocou num emaranhado, me tirou como presidente do partido, travou todas as ações políticas nossas.

            O senhor acha que teve acordo financeiro também?

                        Não posso dizer que houve isso, porque não tenho provas, mas que ele se entendeu com Sérgio Guerra eu não tenho a menor dúvida.

            Mas o senhor teve notícias, na época, de que teve alguma coisa desse tipo?

                        Não. Eu vou lhe ser muito sincero, a minha dignidade não permite acusá-lo dessa forma. Agora, eu preciso dizer que a genética tem se posicionado dentro do PDT, como uma posição política permanente do José Queiroz. Então, o José Queiroz fez isso porque ele queria casar os interesses. Eu era derrotado, passava a ser um camarada que, eleitoralmente, era um desastre, não ganhava. Foi quando nós tivemos Casa Amarela agora nas eleições. Nós entendemos que não tínhamos chances de disputar a eleição no Recife.

            Mas, vocês tinham o interesse de somar para João Paulo, não era isso?

                        Exatamente, porque a gente acertou que todos os partidos teriam candidato próprio no primeiro turno e no segundo se juntariam. Foi uma estratégia que deu certo, para provocar o segundo turno. Criamos, na época um pacto de governo. Que seriam forças de esquerda para apoiar quem ganhasse, quem se saísse melhor, fosse Carlos Wilson ou João Paulo. Fizemos essa ‘arrumação’ política, que era legítima, para apoiarmos no segundo turno. No resultado final, você verá que a minha soma de votos com a de Carlos Wilson foi fundamental para forçar o segundo turno e eleger João Paulo.

            Mas, no segundo turno, o senhor vacilou entre apoiar João Paulo e Magalhães.

                        Não, a foi a maior injustiça que fizeram com a minha pessoa.

            Mas está nos jornais da época.

                        Eu vou lhe contar como foi o fato. Quando o resultado foi proclamado, no primeiro turno, com uma diferença de cinco mil votos, o que aconteceu? Recebi um telefonema de Raul Henry, perguntando se eu o recebia em meu escritório. Eu disse a ele que o recebia, porque, antes de político, ele era meu amigo. Nós militamos juntos, no MDB, temos uma posição política com história e que não havia nenhum problema recebê-lo. Só que, no dia em que Raul Henry veio, foi exatamente no mesmo dia em que João Paulo veio com Luciano Siqueira. O que acontece? Quando Luciano Siqueira e João Paulo chegaram em meu escritório, a Imprensa veio toda. E por uma questão de elegância, seria extremamente desagradável não receber João Paulo, também. Então, eu recebi Henry e em seguida informei que estava recebendo João Paulo e que daria o nosso apoio a ele, até porque não tinha nem o que discutir. Mas, como recebi Raul Henry naquele mesmo dia, a Imprensa colocou da forma que achou conveniente. Como se eu, na verdade, estivesse leiloando o apoio. O que foi que eu fiz?

            Raul não chegou a fazer nenhuma proposta?

                        Nenhuma proposta, nenhuma proposta. Foi um recebimento cordial, elegante, de um comportamento fino, ético. Na verdade, o nosso compromisso era com a esquerda e Raul Henry entendeu a nossa posição.

            Em depoimento, José Queiroz disse que o senhor foi a reboque do apoio do PDT, que o PDT chegou primeiro no apoio a João Paulo.

                        OIhe, José Queiroz não pode dizer que nós viemos a reboque, porque ele não participou da campanha. Ele veio participar da campanha exatamente no segundo turno, exigindo, fazendo exigências. Se você perguntar a Luciano Siqueira e a João Paulo, eles confirmam que eu telefonei para eles e disse: “Vamos selar já esse compromisso, porque não dá mais para a gente discutir. Porque a Imprensa está colocando uma versão que é muito ruim para mim”. Estão colocando ... Telefonei para Luciano, e marcamos, então, um encontro no Sindicato dos Jornalistas. Aí, nós fomos falar com Julião, com todo mundo, para ter uma unidade política e José Queiroz não quis conversa. Pelo contrário, fez reuniões paralelas, para traduzir o que a Imprensa disse, para poder tirar a fatia política. E observe que nessa posição política nós, sem barganhar cargos, não fizemos questão de nada. Nós participamos, apenas, do Governo, indo para o Geraldão. Eu fiquei no Geraldão, depois saí, porque meu objetivo era exatamente consolidar um governo que ajudei a criar. Eu ajudei a criar, José Queiroz não tem absolutamente nada, não tem caminhada, não tem uma gravação, não foi para programa nenhum. Agora, infelizmente, ele jogou com alguns dados e alguns resultados de matérias da Imprensa, porque não tinha votos no Recife.

            Mas ele foi lembrado pelo PDT para disputar a Prefeitura, transferindo o seu título de Caruaru para o Recife.

                        Quem lançou ele candidato, fui eu. Eu defendi a candidatura dele a prefeito do Recife. Mas muito antes, mas, quando chegou no prazo da troca de domicílio eleitoral, ele não fez a transferência. Hoje, eu sei qual foi a regra, o que levou ele a não transferir. Foi o acordo tácito que tinha com Sérgio Guerra, para seu filho assumir o mandato, em Brasília. Nós fizemos um documento, na época, redigido a quatro mãos, em defesa de um pacto de segundo turno. Chegamos a falar com João Braga, e era exatamente isso aqui, a gente tirou ele da internet. Era um pacto de unidade de esquerda, de apoiar o candidato da esquerda que chegasse ao segundo turno. José Queiroz ficou fora disso, porque ele não participou da campanha. Ele não discutiu nada. Ficou em Caruaru.

            O senhor não apoiou João Paulo no primeiro turno porque os partidos de esquerda se dividiram justamente para provocar o segundo turno.

                        A minha estratégia era, não só minha, mas de todos os partidos da oposição, de se dividir para provocar o segundo turno. Havia uma pressão muito grande para que a gente retirasse a candidatura, que a gente não fosse candidato. Mas, isso não de pessoas ligadas aos partidos de esquerda, mas interessadas na eleição de Roberto Magalhães logo no primeiro turno.

            O senhor não apoiaria Roberto Magalhães em hipótese alguma?

                        Eu quero dizer a você o seguinte: recebi, no segundo turno, um telefonema do nosso presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, que disse: “Olhe, Vicente, Roberto é um homem sério, é um homem que, biologicamente, tem essas coisas. Mas a gente dá um banho nele no Rio Jordão. Pense nisso, para ver se a gente pode ficar do seu lado”. Mas, na verdade, nós tínhamos de defender o interesse da esquerda, da luta que travamos de 20 anos de combate à ditadura.

            Brizola tem ligações no Estado com José Queiroz. Será que ele não agiu a pedido de Queiroz, que, como o senhor disse, tinha interesse que o filho assumisse o mandato na Câmara no lugar de Sérgio Guerra?

                        É possível, mas eu disse a ele o seguinte: “Olhe, governador, eu quero dizer ao senhor que a linha aqui é apoiar o João Paulo!. E aí ele argumentou: “Não, mas você sabe que se trata de um rapaz que não tem muita experiência, a gente pode fazer uma participação”. Mas, a gente tinha uma posição política previamente definida e não me curvei às pressões do doutor Brizola.

            No primeiro turno o senhor teve o apoio de Brizola? Inclusive financeiro? 

                        Tive, mas só para propaganda.

            Quanto foi que ele deu?

                        Não, propaganda. Só propaganda. Ele mandou imprimir umas propagandas e mandou para mim.

            É verdade que, no primeiro turno, o senhor procurou também o apoio financeiro de Garotinho?

                        Veja bem, Garotinho era do PDT. Nós fomos a São Paulo para pedir ajuda. Ajuda financeira. E o Garotinho nos recebeu muito bem, mas não definiu. Não tinha recursos para, naquele momento, na altura da campanha, que a gente fosse buscar ajuda, porque ele não tinha.

            O senhor lembra quem foi o contato?

                        Claro. Ele mesmo. Eu fui conversar com Garotinho mesmo. Fui eu e Júlio Ferreira.

                        Nós tivemos lá e conversamos diretamente com Garotinho. Eu sou do PDT Jovem, eu acompanhei o PDT na sua base.

            Mesmo sabendo das divergências com Brizola, o senhor pediu dinheiro a Garotinho?

                        Mas as divergências de Garotinho com Brizola não impediam que a relação política existisse entre nós, até porque o próprio Garotinho telefonava para o Brizola. E nós fomos procurá-lo, porque o partido não tinha estrutura, e ele era meu amigo. Então eu fui lá buscar uma ajuda, e o que eu consegui, também dele, foi propaganda. Trouxemos a propaganda no avião.

            Eu tenho informações de que o senhor recebeu ajuda financeira.

                        Ajuda financeira nós não recebemos. Fizemos a campanha com todas as dificuldades financeiras.

            Quem pagou o seu guia?

                        Quem pagou o guia? O guia foi produzido no fundo do quintal lá de casa, um guia doméstico, com uma câmera doméstica. Foi feito assim.

            Quanto custou sua campanha?

                        A campanha custou R$ 80 mil. O pior é que ninguém acredita numa história dessa, mas a campanha custou 80 mil. Oitenta e uns quebrados. Real, verdadeiramente, de amigo. O Alberto Salazar não conseguiu, absolutamente, nada para a campanha, nenhuma ajuda, embora fosse ligado ao Clube de Engenharia. A gente achava que, com ele na chapa, o setor empresarial nos ajudaria. Nós não conseguimos absolutamente nada, como se houvesse um programa para travar os recursos e as ajudas financeiras.

            O senhor acha que pode ter dado a vitória de João Paulo, já que seu reduto, em Casa Amarela, votou fechado no candidato do PT?

                        Eu não tenho dúvida nenhuma que todas as forças ajudaram João Paulo no segundo turno: agora, como a minha base eleitoral é Casa Amarela, e foi, exatamente, na quinta, sexta e nona zonas que João Paulo mais teve votos, nós tivemos uma participação decisiva. Eu acho que nós tivemos uma contribuição importante.

            Foi o senhor que garantiu a eleição?

                        A diferença foi de apenas cinco mil votos. Você acha que eu não tinha condições de dar três mil votos em Casa Amarela, numa campanha daquela, polarizada, discutida, daquela maneira que a campanha foi? Nós temos a convicção. Nós não iremos assumir nunca essa posição de que a vitória foi só nossa. Agora nós entendemos que a contribuição que nós demos ao companheiro João Paulo é histórica. Ninguém pode questionar. Eu acho que nem o presidente José Queiroz, hoje, questiona.

            Vicente, então em nenhum momento você vetou a candidatura do João Monteiro, nome lembrado antes por José Queiroz?

                        Não, em momento nenhum. Fui, inclusive, ao seu escritório, para dar apoio a ele, numa articulação de José Queiroz. Em momento algum, alcancei qual era o objetivo dele. Na verdade, João Monteiro não alcançou o que estava por trás desse interesse de Queiroz. Ele queria expor João Monteiro, puxar o seu tapete, porque ele tinha um projeto familiar. Aliás, é o que ele tem feito, ao longo do tempo, quando usa o partido, os programas do partido, em benefício próprio, do filho. E foram todas essas razões ... Eu não saí do PDT para ir para a direita não. Eu saí do PDT para ir para o Partido Comunista. Como é que a gente poderia criar um rumo diferente, do que ele nos acusa? A nossa linha sempre foi ao lado da esquerda, ao lado daquilo que a gente acredita.

            O senhor acreditou, em algum momento, que haveria segundo turno no Recife?

                        Eu sempre, desde o início, defendi a tese de que ira haver segundo turno. A tese eu até entendo, mas veja bem: na eleição anterior, em 1996, em que João Paulo disputou a Prefeitura do Recife e havia outros candidatos, como João Braga, Roberto Magalhães foi eleito com uma diferença apenas de 2%. Então, com base nisso, achava que não tinha como a gente não crescer eleitoralmente. E as pesquisas chegaram a dar, para o PDT, 6%. Eu tinha certeza que nós estávamos contribuindo para a realização do segundo turno. Depois do fechamento da campanha – com a falta de recursos, com o guia eleitoral sendo colocado sem, na verdade, a gente ter uma boa performance eleitoral, porque a gente não podia ter uma caminhada boa faltando recursos, faltava isso, faltava aquilo outro – a gente centralizou em Casa Amarela, como uma estratégia de consolidar. Não adiantava eu ir para o Jordão, não adiantava eu ir para canto nenhum, e consolidamos em Casa Amarela para poder contribuir com a realização do segundo turno. Se eu tivesse diluído no Recife, não teria tido 0,5% e isso seria mais uma eleição sem nenhuma referência. Nós usamos a estratégia “Casa Amarela, agora, vai ter prefeito”, usamos esse marketing exclusivo para Casa Amarela.

            É verdade que o senhor queria ser secretário de Saúde no lugar de Humberto Costa?

                        Não, não pedi para ser, mas é uma área que está mais ligada a mim. Eu sou médico. Eu faço política em cima da ajuda social e da saúde. Então, eu tinha um projeto. Eu lhe digo, com toda a sinceridade, que se João Paulo me convidasse para ser secretário de saúde, eu aceitaria, porque, de fato, era algo que estava dentro de um projeto – eu não digo um sonho – mas, um projeto executável, podendo ser executado por mim, sem, na verdade, inventar. Inventar sem criar nada de novo. Então, o projeto, na área de saúde, poderia contribuir efetivamente com o Recife. Eu acho que poderia ... Com a população carente do Recife. Se bem que eu acho que a Secretaria tem feito alguma coisa, como o programa Saúde da Família. O outro seria na área de esportes. Eu queria implantar, aqui, um trabalho social para portadores de deficiência, na faixa da terceira idade. Diante disso, aceitei a direção do Geraldão como uma contribuição, um gesto de contribuição à gestão de João Paulo.

Sua aposentadoria como deputado federal não é ilegal?

                        Não existe nenhuma ilegalidade. Aliás, eu sou o primeiro suplente de deputado estadual. Se assumir, recusarei o subsídio, porque já recebo como deputado aposentado, diferente de alguns políticos, como o vereador Clóvis Corrêa, que recebe como juiz aposentado. Eu não acho que fique eticamente bem disputar a eleição para deputado e receber para isso. Então, eu protocolei , na eleição de prefeito, um documento que, se fosse eleito, não receberia os proventos de prefeito. Aí, Roberto Magalhães veio me atacar. Eu respondi com documentos em cartório, dizendo que, quando eu me propus a ser candidato a prefeito do Recife, eu fui em cartório registrar a minha promessa. Que crime há nisso? Agora ele, apesar de aposentado, continuava a receber o subsídio de deputado federal. Ele já era aposentado como prefeito, governador. Doutor Roberto não sabe, mas eu tenho uma grave lesão no coração.

            Mas, por que, então, continua trabalhando e disputando cargos?

                        No momento, estou estável, mas continuo tendo dores. Outro dia peguei um avião e quando cheguei no Rio comecei a me sentir mal. Então, evito fazer esse tipo de coisa. Mas lembro que Teotônio Vilela, com um câncer na cabeça, era senador e nem por isso renunciou. Continuou andando, com aquele câncer. Quer dizer, na verdade, eu faço esse trabalho político-social, porque se eu não fizer isso, eu morro de inanição. Eu me sinto gratificado em fazer esse trabalho político, que não tem nenhum objetivo financeiro. Você não me vê com histórias de benefícios pessoais, não é nada disso. Fui para o Geraldão, nunca coloquei nenhum filho em cargo público, na minha história não pratiquei nepotismo. Fui deputado federal, nunca levei nenhum parente para colocar no meu gabinete, eu não tenho essa história na minha vida. Eu faço isso porque eu me realizo, e vou continuar fazendo até enquanto vida eu tiver. É um direito meu de ser candidato. E enquanto eu tiver o direito da cidadania preservado eu vou disputar.

            Qual episódio o senhor acha que foi mais decisivo para a derrota de Magalhães?

                        Eu acho que Roberto Magalhães foi muito infeliz em sucessivos comportamentos.

                        Um homem público, na verdade, não pode ter o comportamento que ele teve, de dar “bananas” para o público. Eu sei que isso, às vezes, vai do homem, e não do político, mas o homem público, quando faz isso fica muito exposto. Acho que isso contribuiu. E acho que a greve da polícia também. Faltou uma certa habilidade do governador de conduzir um processo eleitoral, mas Jarbas sempre foi muito autêntico, não é um homem de fazer para agradar. Naquele momento, ele tinha esse comportamento, esse litígio político com a polícia. E ele é um homem que toma posições, muitas vezes, independente de conseqüências que possam ter. Eu acho que aquilo também contribuiu para a derrota de Roberto Magalhães. Acho que foi um somatório. Roberto Magalhães podia não ir para os debates, mas não podia ser um camarada tão autoritário nas colocações dele, nos debates. Acho que tudo isso foi somando ao perfil dele. Mas eu quero dizer que eu tenho um carinho muito especial pelo doutor Roberto Magalhães. Uma certa vez eu, como médico, socorri ele no avião, durante um vôo para Brasília, quando ele se sentiu mal. Foi aí que eu me aproximei mais de Roberto. Roberto Magalhães é uma pessoa que, quando a gente conversa, quando a gente tem uma relação mais próxima dele, a gente tem uma impressão muito melhor, do que a imagem que ele traduz. Através dos meios de comunicação, ele traduz um sentimento muito ríspido. Agora mesmo eu vi um depoimento dele, no jornal, dado a você, dizendo que se seu candidato não for para o segundo turno, pega um avião e sai do Estado. Isso é coisa do perfil dele mesmo. E olha que o filho dele é candidato na chapa de Joaquim.

            Por que o senhor fazia questão de exibir a mão deficiente?

                        Deixe eu lhe contar o que foi aquilo. Eu toco violão, mesmo com um braço só. E bato palmas ‘assim’ (batendo com a mão perfeita no braço com defeito); eu não tenho outra mão para bater palmas. Então, num debate, na Rádio Jornal do Commercio, eu fiz ‘isso’. O cara me perguntou se eu tocava violão. “O que é que o senhor faz? O que é que o senhor gosta de fazer?” E ... “Eu gosto de muitas coisas, entre elas, gosto de uma seresta, de um violão...” aí o jornalista: “Você gosta de violão?” Isso no rádio ...

            Como é que você toca violão?

                        Vou explicar, da forma que disse ao radialista. Olhei para ele e disse: “Está pensando o quê? Que isso aqui não é uma mão, não? Isso aqui é uma mão”. E quando fiz ‘isso’, estava a platéia lotada, e todo mundo riu. E a pessoa que estava comigo disse: “Vamos colocar isso, vai ser uma marca sua”.

            As pessoas não levaram na gozação?

                        Pode ser , mas criei uma identificação. O grande objetivo da gente era criar uma marca. Quando eu fazia ‘isso’, passou a ser a referência minha. Ainda hoje eu chego e ... o cara bate no braço.

            Como o senhor perdeu o braço?

                        Eu nasci desse jeito. Fui o primeiro filho. O cordão umbilical passou e impediu a circulação. São coisas da minha vida que ... Eu passei no vestibular de Medicina em décimo lugar. E quando fui me matricular a faculdade não aceitou. Porque eu só tinha uma mão.

            Puro preconceito.

                        Não, porque achavam que eu não podia ser médico. Como é que eu ria operar?

                        Quando eu fui trabalhar, já formado, sabe o que disseram? “Como é que você vai entubar o doente?” Eu tive que provar, com uma agente especial, como fazia.

            E para dirigir?

                        Eu fui tirar a carteira de motorista todo cuidadoso, porque o Detran não permitia que eu dirigisse com uma mão só. E eu não sei fazer outra coisa. Eu opero, se for necessário, boto o bisturi ‘aqui’ e opero. Eu como, eu corto a carne ‘assim’ ... E não ia deixar de bater na mão porque o cara dizia que estava “dando uma banana”. Porque o pessoal de Roberto Magalhães começou a dizer que eu estava dando “banana”. Chegaram a fazer adesivos: “A banana do PDT”, para ver se eu pirava. Eles fizeram uns adesivos “banana do PDT”, para poder me identificar como se eu tivesse dando uma “banana”. Todo mundo sabia que ‘isso’ não era uma “banana”, mas uma identificação, que fazias as pessoas me identificarem. Quando eu tinha 13 anos – no Sítio da Trindade – levei uma porrada do guarda municipal, que foi atrás da gente porque o cara que tinha roubado o Sítio, os passarinhos, era um ‘cotó’. Quando eu estava jogando bola lá embaixo, disseram a ele: “Olha, o ‘cotó’, ele está lá embaixo jogando bola”. Era um outro ‘cotó’. Aí me pegaram e deram uma porrada em mim ... Me levaram preso. Me levaram para o juizado. Eu tinha 13 anos de idade. Então, esse defeito físico me identifica.


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Olinda

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2021

Cardinot acerta volta ao rádio pela Interativa 102.1

Um dia após ter sua saída confirmada da TV Jornal, o jornalista Joslei Cardinot, famoso apresentador de programas populares no Estado, tendo já passado por várias emissoras de rádio e televisão, acertou sua volta ao rádio. Apresentará um programa na Interativa 102.1 FM, com estreia marcada para o próximo dia 1 de junho. Seu programa terá duas horas de duração, das sete às nove da manhã, de segunda a sexta-feira.


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Ipojuca 2021

18/05


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Collins diz que a solução para o Agreste é a vacina

O deputado estadual Pastor Cleiton Collins (PP) esteve, hoje, com pastores e líderes religiosos do Agreste, na Cidade de Caruaru. O parlamentar estava na cidade para participar das comemorações dos 164 de Caruaru, na Câmara Municipal. Collins reagiu com insatisfação às novas medidas tomadas pelo Governo do Estado com relação às igrejas e ao comércio no Agreste.

Para Collins, não é o culto presencial ou on-line que fará a diferença. “Todas as igrejas e seus membros estão usando máscara, fazendo distanciamento social, respeitando as regras. A lei das igrejas essenciais deve ser respeitada. Foi uma lei dada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco às igrejas que estão atuando nessa pandemia e trabalhando tão bem. O que o Agreste está precisando no momento não é mexer nas estruturas das igrejas e sim trazer vacina, priorizar vacina para a região. Assim como foram mais vacinas para Manaus e o país foi solidário. Agora é hora da saúde e de todos os setores do governo serem solidários ao Agreste. Isso sim vai mudar a situação na região”, pontuou.


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CABO

18/05


2021

Miguel cumpre agenda política no Recife

O deputado federal Ricardo Teobaldo (Podemos) esteve, na manhã de hoje, reunido com o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), no Recife. Na pauta, o protagonismo dos municípios pernambucanos e a nova agenda do pacto federativo.

Além da pauta administrativa, Miguel e Teobaldo conversaram bastante sobre o cenário político local e nacional. Do encontro, ficou acertada uma nova agenda em Petrolina, onde Ricardo Teobaldo levará alguns prefeitos do seu grupo político para conhecer o exitoso modelo de gestão implantado por Miguel no município.


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18/05


2021

Marília participa de ato contra privatização da Eletrobras

A deputada federal Marília Arraes (PT-PE) participou, na manhã de hoje, de um ato na sede da CHESF contra a privatização da Eletrobras. A parlamentar, que encampa a luta contra o desmonte do estado nacional brasileiro na Câmara dos Deputados, é totalmente contra a entrega do setor elétrico às empresas privadas.

Marília acredita que a venda da Eletrobras será a mais grave privatização feita pelo Governo Bolsonaro, já que impacta diretamente em cada passo dado pelos brasileiros. "Lá na Câmara não tem sido fácil lutar contra o Governo que, cada vez mais, está cooptando parlamentares. Mesmo assim, temos que manter a mobilização popular firme e forte”, disse.

Com esse processo de privatizações, a CHESF, empresa subsidiária da Eletrobras, será diretamente afetada com a decisão. Criada em 1945, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco é uma das principais geradoras, transmissoras e comercializadoras de energia elétrica do Nordeste.

Atualmente, a CHESF tem cerca de 3.816 funcionários. "A CHESF é uma empresa que faz parte da história do desenvolvimento nordestino. Vamos utilizar os instrumentos que temos para mobilizar o máximo de pessoas possível contra a privatização”, afirmou.


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Petrolina abril 2021

18/05


2021

Mais 255.100 vacinas da Astrazeneca chegam a PE

Pernambuco recebeu, na madrugada de hoje, mais 255.100 doses da vacina contra a Covid-19 da Astrazeneca/Fiocruz. Esse quantitativo será voltado para a primeira dose da população com comorbidades e das pessoas com deficiência cadastradas no BPC, além da segunda dose de idosos entre 60 e 69 anos.

As vacinas chegaram ao Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre à 01h50, seguindo para checagem e armazenamento no Programa Estadual de Imunização. Os imunizantes começam a ser entregues às 12 Gerências Regionais de Saúde (Geres) já nesta manhã, para que os municípios possam fazer a retirada dos seus respectivos quantitativos.

“A chegada dessas 255.100 doses é um reforço significativo para o nosso programa de imunização. Por isso, temos a preocupação de garantir agilidade para que as doses cheguem com agilidade e segurança às Gerencias Regionais de Saúde até o final do dia, permitindo a ampliação da vacinação para uma parcela expressiva da população”, disse o governador Paulo Câmara.

"Continuamos empenhados em distribuir as vacinas no menor tempo possível para que os gestores municipais possam planejar suas atividades e imunizar sua população. Reforço para que as secretarias municipais fiquem atentas às pautas de distribuição, que informam qual a dose e qual o público contemplado naquela remessa. É importante seguir essas recomendações para não haver inconformidades ao longo da campanha", afirma o secretário estadual de Saúde, André Longo.

Até agora, o Estado soma 3.706.930 vacinas contra a Covid-19 recebidas, sendo 1.959.160 da Coronavac/Butantan, 1.683.420 da Astrazeneca/Fiocruz e 64.350 da Pfizer/BioNTech.


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Bandeirantes 2021

18/05


2021

Governo do PSB homenageia ex-superintendente da PF

Não passou batida a gestão da delegada federal Carla Patrícia a frente da Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco. A delegada federal Carla Patrícia, que está deixando o cargo de Superintendente, foi homenageada pela gestão estadual do PSB pelos serviços prestados ao Estado de Pernambuco.

Ela recebeu um diploma do chefe e do subchefe da Polícia Civil de Pernambuco, vinculada ao Governo do Estado.

A delegada federal Carla Patrícia era cargo comissionado do governador Paulo Câmara (PSB), na Secretaria de Defesa Social, antes de assumir a Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco.

A Polícia Federal em Pernambuco será comandada pelo delegado federal Daniel Granjeiro, de Alagoas.


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Serra Talhada 2021

18/05


2021

Fracassa tentativa de Geraldo no social

EXCLUSIVO

O ex-prefeito do Recife Geraldo Júlio (PSB), atual secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, fez uma tentativa de atuar no social através de SUAPE. A Secretaria queria contratar uma instituição para "capacitação profissional de marisqueiras".

No entanto, nenhuma instituição se apresentou para fazer a parceria com a Secretaria de Geraldo. O certame foi declarado "deserto", pela comissão de licitação de SUAPE.

A gestão de Geraldo, no Desenvolvimento Econômico do Estado, segue sem ter nada o que mostrar.

Na pandemia, Geraldo tem se escondido como secretário, sempre mandando sua secretária-executiva aparecer nas entrevistas sobre a covid-19. Geraldo não quer assumir junto a empresários e comerciantes sua omissão com a falência e fechamento de milhares de estabelecimentos em Pernambuco.


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18/05


2021

A celebração das milícias por Bolsonaro

Por José Nêumanne*

O presidente e o filho Flávio não escondem de ninguém – amigo, inimigo, apoiador ou adversário – relações próximas com ex-chefão da milícia de Rio das Pedras e parentes próximos deste

Em entrevista à GloboNews, o relator da CPI da Covid no Senado, Renan Calheiros, reagiu a ofensas do colega Flávio Bolsonaro depois do entrevero que ambos tiveram no plenário das comissões: “Isso é uma coisa da cultura do Rio de Janeiro. As pessoas que moram no Rio de Janeiro sabem que o miliciano tem uma cultura diferente. Ele nunca considera que é um criminoso, que está fazendo um dano à vida das pessoas, que está traficando. Ele considera que não é um criminoso e que é vagabundo quem o enfrenta”. O pai socorreu o filho em pronunciamento público, afirmando: “Sempre tem alguém picareta, vagabundo querendo atrapalhar o trabalho daqueles que produzem. Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem no nosso país. É um crime o que vem acontecendo com essas pessoas neste país”. Nas Alagoas do relator, aos berros de “Renan vagabundo!” da plateia, Bolsonaro deu um recado “para esse indivíduo que quer fazer um show tentando me derrubar: não fará”.

Na verdade, a intimidade com milicianos do presidente, quando deputado federal, e do senador, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nunca foi escondida de aliados, adversários, inimigos e do público em geral. Em 2003 o pai, na bancada do PTB na Câmara, não poderia ter sido mais explícito ao afirmar, como registram os anais: “Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro”.  Em 2005 ele próprio compareceu ao julgamento de Adriano da Nóbrega, então tenente da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PM/RJ), acusado de haver comandado um grupo de oito PMS presos em flagrante, em 2003, pelo homicídio do flanelinha Leandro dos Santos Silva, em Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio. E o homenageou em discurso da tribuna. O “brilhante oficial” foi expulso da PM por chefiar a milícia de Rio das Pedras e também acusado pela Polícia Civil de ter chefiado o Escritório do Crime, que era contratado para assassínios em quiosque na praia onde fica o condomínio onde moram o pistoleiro que a polícia acusa de ter atirado em Marielle Franco, o próprio Bolsonaro e seu filho Carlos, colega da vítima na Câmara Municipal. Numa ironia do destino, o dono do PTB é o fiel aliado Roberto Jefferson. E Adriano foi executado por PMs da Bahia e do Rio de Janeiro, despertando em Flávio reação indignada e comovida, se não suspeita, além da conta.

Também em 2005 Jair mandou o primogênito, Flávio, condecorar esse “herói” com a Medalha Tiradentes, entregue na cela onde estava preso. Foi o pai ainda que indicou ao filho o subtenente reformado da PM-RJ Fabrício Queiroz para ser “pau pra toda obra” em seu gabinete. Este empregou no gabinete Raimunda Veras Magalhães, mãe, e Danielle da Nóbrega, mulher de Adriano, conforme informa o inquérito do Ministério Público fluminense, no qual o senador, ex-deputado estadual, é acusado de peculato, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. E o noticiário dos meios de comunicação, que, et pour cause, a famiglia execra publicamente. Seja em insultos genéricos, seja em ameaças de convocar para o pugilato repórteres “abelhudos”, em vez de encontrar explicação razoável para R$ 89 mil depositados na conta da primeira-dama Michelle, neta de traficante, filha de acusada de falsificação de documento e sobrinha de miliciano. É também notório o apoio insistente do presidente ao voto impresso, a ponto de ameaçar o próprio pleito de 2022 se não for adotado, sabendo previamente que não será. A quem mais interessa imprimir voto?

Protagonista da semana na série Dois dedos de prosa no Blog do Nêumanne, no portal do Estadão, o jornalista Edilson Martins abordou essa familiaridade da famiglia Bolsonaro com grupos de extermínio de policiais na Bahia e milícias do Rio de Janeiro, em especial a do Rio das Pedras. As coincidências com notícias dos últimos 18 anos impressionam e podem até inquietar. O pioneiro em jornalismo ambiental, com coluna no jornal O Pasquim à época da ditadura militar, chama a atenção para a importância dos negócios imobiliários na formação das forças milicianas que, segundo ele, não são mais um fenômeno exclusivamente carioca, já tendo atingido até Estados do Norte, caso do Acre, onde nasceu. Destacou que, desde as primícias da modalidade de extermínio nas proximidades da praia da Barra da Tijuca, “a luta desses grupos se trava pela posse da terra”. Hoje com um blog no Facebook, ele acha que a explicação para a execução da vereadora Marielle Franco, do PSOL, passa por duas hipóteses: muito combativa e ousada, ela teria “abusado” (milicianos são misógenos) e era ligada ao correligionário Marcelo Freixo ­– “é um milagre que ele ainda esteja vivo e sua vida depende muito de seu mandato”, completou.

O documentarista acreano observou ainda que esses grupos são muito mais do que organizações criminosas ao estilo da Máfia ítalo-americana. “Milicianos não são os pobretões, negros e raquíticos do tráfico. Mas os ‘fortões’, em tese quase sempre brancos, gordinhos e com aparência de classe média… As milícias estão presentes em 90% dos 163 bairros do Rio, a cujas populações vendem até gasolina e óleo produzidos em suas refinarias… A presença das milícias no Rio de Janeiro é a de um Estado totalitário, com poder de vida e de morte… Nunca se encontrará político que defenda traficante. Mas o presidente defende a milícia com orgulho. O gesto público fuzilando alguém, logomarca da campanha e que continua sendo, ganhou a simpatia da classe média fascistoide, ao exprimir a realidade em que ponto este país se encontra… Neste momento quem tem a caneta são o presidente e um grupo político que celebram a milícia.”

*Jornalista, poeta e escritor


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

18/05


2021

E agora, João?

Na eleição passada para prefeito do Recife, o então candidato João Campos (PSB) optou por uma campanha de baixíssimo nível e agressiva no segundo turno. Refletia o desespero de perder para Marília Arraes (PT), que já aparecia com 6% à frente dele nas pesquisas. O bom moço, que se apresentava um cordeirinho do primeiro turno, transformou-se num lobo mal da noite para o dia.

Agrediu, sem limites, o PT, Lula e suas lideranças associando todos à corrupção de forma escancarada, além de espalhar militância assalariada em cargos públicos para ações em sinais de trânsito e comunidades com o mesmo objetivo. A pesquisa do Opinião, postada hoje neste blog, mostra Lula forte, quase imbatível no Estado.

PSB tenta fingir, agora, que nada existiu e volta a cortejar Lula e o PT, os mesmos que, desrespeitosamente, agrediram para não perder as eleições. Para um bom entendedor, o PT tem Lula e Marília Arraes numa aliança muito forte. Não seria a chance de dar a resposta ao PSB?


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18/05


2021

Araújo liga Bolsonaro e Pazuello à compra de cloroquina

O depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo compromete o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na estratégia de priorizar a produção e compra de insumos da cloroquina em detrimento da aquisição de vacinas.

A avaliação foi feita ao blog do Valdo Cruz pelo vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). "O ex-chanceler comprometeu totalmente o senhor Eduardo Pazuello e o presidente da República nas negociações para priorizar a produção e compra de insumos da cloroquina e não a aquisição de vacinas", afirmou o vice-presidente.

Durante seu depoimento, Ernesto Araújo disse que recebeu uma ordem do presidente da República para negociar com o governo da Índia a compra de insumos para produção de cloroquina no Brasil e que o Ministério da Saúde fez também o pedido diante da baixa no estoque do medicamento no país.

Segundo Randolfe Rodrigues, a fala de Ernesto Araújo explicitou que foi uma decisão de governo, tomada pelo Ministério da Saúde, a decisão de aderir à cota mínima, de 10%, do consórcio Covax Facility para aquisição de vacinas e não uma cota de 50%.

Para o senador, isso mostra como o ministério não estava priorizando a aquisição de vacinas, mas sim a cloroquina dentro da tese da imunidade de rebanho.

"Está sendo uma contribuição importante para a CPI", disse Randolfe Rodrigues, a despeito de suas tentativas de desmentir declarações que ele deu, durante sua gestão à frente do Itamaraty, contra a China e contra a vacina coronavac.


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