Jaboatão

14/04


2021

Krause atribui perda de Magalhães a sapato alto

No capítulo de hoje do livro "A derrota não anunciada", trazendo bastidores da eleição para prefeito do Recife em 2000, que este blog vem reproduzindo nos últimos dias, o ex-ministro Gustavo Krause, conselheiro de Roberto Magalhães, derrotado por João Paulo, reconhece que houve sapato alto na campanha.

Responsável pelo texto final do programa de governo de Magalhães, era Krause quem o orientava no discurso de confronto com os adversários. Atuou nos bastidores e nesta entrevista dá o tom da sua visão sobre a derrota. 

"Acho que houve, no conjunto das forças, uma certa negligência em função do favoritismo. Foi isso que provocou o segundo turno. Esse conjunto revelou uma atitude, um comportamento. Entramos todos de sapato alto", atesta. Abaixo o capítulo com a versão krausiana.

"Subestimamos nossos adversários"

Capítulo 18

O ex-ministro Gustavo Krause talvez tenha sido, durante a campanha, um dos poucos assessores que Roberto Magalhães, nas horas de agruras, ouviu, atentamente, sem subestimar a sua opinião. Humanista, identificado com o Recife, cidade que governou e pela qual revela uma paixão alucinante, Krause um macielista de carteirinha, mas entrou na vida pública pelas mãos de Moura Cavalcanti, governador biônico.

Krause avalia cenários, estratégia de campanha, discurso do candidato, direcionamento do guia eleitoral e, nos dias que antecediam um debate na televisão, sentava com Roberto Magalhães, para definir as perguntas que seriam feitas ao adversário e preparar as respostas para um eventual "casca de banana" jogada pro João Paulo.

O ex-ministro deu, ainda, o texto final do programa de governo. Quando queria algo refinado, inteligente, era a Krause que Magalhães recorria. O ex-ministro é uma das melhores cabeças do PFL nacional. Escreve com elegância e brilho. É muito intelectual, poeta os melhores, boêmio por natureza.

Para ele, Roberto Magalhães foi vítima de um fenômeno novo: a "pesquisocracia", termo criado pelo próprio Krause, para justificar o atropelo provocado pelo excesso de confiança em pesquisas que, ao final da campanha, não se confirmaram. Isso, no seu entender, fez com que todos, sem exceção, usassem sapato alto.

Krause é sócio de carteirinha do spa Espaço Verde, em Aldeia, onde costuma se refugiar pelo menos duas vezes ao ano. E foi lá que colhi o seu depoimento, durante o intervalo de uma leitura e outra de uma pilha de livros que leva na bagagem para devorar, enquanto perde uns quilinhos.

Qual o papel que o senhor desempenhou na campanha de Roberto Magalhães?

No primeiro turno, uma participação muito discreta. No segundo turno, houve uma mobilização maior e eu fui convocado para participar do núcleo estratégico da campanha. Também tive uma participação, principalmente na discussão dos temas urbanos, na proposta de governo. E, de um modo geral, naqueles momentos que antecediam os debates, até porque os debates são momentos de avaliação da performance do candidato, que exigem uma participação maior. Aí, tive uma participação mais ativa.

O senhor foi uma espécie de conselheiro?

Não. Acho que conselheiro é um exagero. Eu diria que fiz parte de uma assessoria, uma assessoria multidisciplinar, que tinha outras pessoas, especialistas em comunicação, que conheciam os problemas do Recife. Acho que, com a experiência de ter sido prefeito, vereador e lidado com as questões urbanas, pude dar uma contribuição mais efetiva na construção das ideias e do programa de governo.

Como o senhor avalia a derrota?

Todos os resultados eleitorais decorrem, seja na vitória ou na derrota, de uma multiplicidade de causas. Eu acho que hoje, no meu entender, subestimamos um pouco a leitura eleitoral. Todos os dados davam uma vitória no primeiro turno. Os próprios adversários, e o próprio PT, lançaram candidatos mais para marcar posição do que para ganhar uma eleição. Acho que essa é uma lição que a gente deve extrair do favoritismo. Esse favoritismo decorre um fenômeno que chamo de 'pesquisocracia'. As pesquisas deixam de ser um instrumento de trabalho e passam a ter um fim em si próprio. Passam a definir candidaturas, quando, na verdade, todo mundo já sabe que elas medem uma situação contingencial, detectam tendências ocasionais, episódicas. Mas, elas geram, não pode se negar isso, um certo favoritismo artificial e um derrotismo também artificial. Acho que houve, no conjunto das forças, uma certa negligência em função do favoritismo. Foi isso que provocou o segundo turno. Esse conjunto revelou uma atitude, um comportamento. A linguagem popular traduz desse jeito favoritismo: entraram todos, não foi só o candidato não, de sapato alto. E aí, quando se subestima, é fatal. Não existe eleição previamente ganha. Não existe posse na véspera, não existe vitória na véspera. Isso é um dos efeitos que eu chamo de a ditadura da pesquisocracia.

Mas, o senhor não acha que os erros cometidos pelo candidato contribuíram muito mais?

O próprio candidato teve a grandeza de reconhecer isso. Agora de fato, realisticamente, o candidato é, foi e continua sendo um homem muito maior do que fatos ocasionais. Quer dizer, o currículo de Roberto Magalhães, a sua história marcante, o seu preparo intelectual faz de Roberto um candidato forte em qualquer circunstância. Então, evidentemente que os erros ocasionais contribuíram para uma onda que também favoreceu o João Paulo. É preciso não subestimar na análise, olhando agora pelo retrovisor, as forças contra as quais nós lutávamos e que já tinham uma inserção nacional muito forte. Acho que nós não devemos superestimar os erros, ou os deslizes do candidato. O candidato tem uma biografia que o faz forte em qualquer circunstância. Evidentemente que os erros atiçam a emoção das campanhas e favorecem os elementos positivos, os pontos fortes do aniversário. Foi isso que aconteceu. Foi a soma disso tudo que deu numa derrota eleitoral, numa derrota pública.

O senhor estava naquela carreata em Boa Viagem onde o candidato foi provocado e acabou respondendo aos insultos com uma "banana"?

Não.

Quando se ouviu pelo jornal, teve o sentimento de que ali começou a derrota?

Não. Eu tive um sentimento de que era um fato negativo, um fato a ser explorado. Mas um fato que foi, a meu ver, corrigido a tempo, quando o candidato pediu desculpa pública. É um fato humano, que qualquer um de nós está sujeito. Que a palavra dita, a palavra equivocada pode ser dita, que o gesto equivocado pode ser feito. Costumo dizer que a maior de todas as provas de resistência física, intelectual, emocional a que um homem pode se submeter é uma eleição majoritária. É por isso que nós, políticos, temos uma pele de paquiderme. Temos que ter serenidade, tanto para dizer coisa com coisa, como para responder adequadamente as perguntas e daí tirar por menos as provocações. Enfim, o candidato para manter a serenidade emocional, para atingir o máximo da sua serenidade emocional, ele tem que agradecer até a vaia. Se derem uma vaia em você, você diz 'obrigado'. Recebe como elogio. Claro, foi um fato negativo, que seria explorado, e foi explorado.

Roberto Magalhães diz que perdeu a eleição com a greve da polícia militar. Como o senhor avalia?

A greve da polícia também foi um componente e ele tem toda razão. Foi um fator que impulsionou. Quando se vai para os números, talvez haja uma avaliação melhor. Se um daqueles elementos que constituíram painel de fatores que levaram à derrota não existissem, uma diferença de cinco mil votos não aconteceria. Então, a greve da polícia adicionou o caldo da emoção eleitoral o tempero decisivo. Foi um elemento. Eu continuo dizendo seguinte buscar uma causa única determinante é um equívoco de avaliação, é um equívoco de análise. Essa foi uma das parcelas na soma dos fatores.

O senhor não acha que, nos debates na própria campanha, Roberto Magalhães deixava transparecer um pouco de arrogância?

Roberto teve uma administração aprovada, correta, financeiramente equilibrada, que os próprios adversários reconheciam. Os nossos adversários jamais puderam falar de uma herança maldita. Isso ele não pode falar em relação ao governo municipal. Então, o prefeito, ele não só tinha um preparo muito grande, como conhecia de longe, melhor, os problemas da cidade, do que o atual prefeito, João Paulo. Tanto que, o primeiro debate, na TV Universitária, o candidato do PT levou uma grande desvantagem, sem que Roberto demonstrasse nenhum tipo de soberba intelectual. Tanto que os outros debates forçaram o João Paulo a se assessorar melhor. E aí, o que é que aconteceu? João Paulo melhorou um pouco o nível de conhecimento dos problemas urbanos e passou a usar um conjunto de jargões. Ele usava alguns tiradas, assim, que acabam com o candidato. Ele dizia: o senhor está nervoso. Ele teve a competência de exacerbar, perante a opinião pública que assistia aos debates, com um certo conteúdo emocional também, e que avaliava menos o conhecimento dos problemas do que a ânsia transmitida pelos candidatos. Os jargões foram brevemente preparados e aquilo foi criando uma certa impressão, gerando um conceito. Com Cristovam Buarque e Joaquim Roriz, em Brasília, sim. Ali, Cristovam deu uma demonstração de soberba intelectual de maneira muito mais deliberada. E Roriz se vitimizou. Essa vitimização contribuiu para a derrota eleitoral de um candidato, que do ponto de vista tradicional, estaria mais preparado para o cargo.

João Paulo se vitimizou naquela situação?

Também, mas se vitimizou usando bordões, que colaram. Então, na medida em que Roberto manifestava o maior conhecimento do problema, aquilo não era tido como um melhor preparo para o desempenho, mas como atitude de soberba. É muito importante se avaliar essas questões a partir da percepção do eleitor. Então, a atitude de manifestar maior preparo, maior conhecimento, foi devidamente conduzida para que isso fosse visto como arrogância. E as pesquisas qualitativas demonstravam isso. Veja a emoção eleitoral o que produz: As pesquisas qualitativas, as mesmas que foram feitas logo depois do primeiro turno, davam tudo aquilo que era qualidade - por exemplo, a franqueza de Roberto, que o eleitor gosta - mais, naquele momento, tudo era visto como rudeza. O preparo, que é normalmente visto com um fator positivo de alguém que concorre na disputa de um cargo, era visto como soberba intelectual. Numa eleição, às vezes, o palco das percepções vira surrealista. Quem é moderno, fica antigo; quem é antigo, fica moderno, na percepção do eleitor. Quem é rural, fica urbano; quem é velho, fica jovem; quem atrasado, fica progressista. A emoção eleitoral pode gerar o que eu chamo de um grande palco surrealista. Esse palco surrealista existiu no segundo turno e aí, talvez, com certeza, nós não fomos suficientemente capazes de transformar uma percepção surrealista numa percepção realista.

Esse quadro surrealista não seria traduzido como o voto de protesto?

É, quando esse palco surrealista é percebido pelo eleitor, aí você tem vários votos que ultrapassam a capacidade do racional e entram no irracional. Você vota com raiva, você vota contra. Aliás, os franceses, que têm uma grande experiência sobre eleições em dois turnos, chamam esse sistema de 'ballotage'. Na Argentina, de 'vuelta'. Os franceses diziam que, 'no primeiro turno o eleitor vota a favor, no segundo turno tende a votar contra'. Então, é possível que você tenha, no conteúdo do voto, o protesto, o votar contra, o voto de repúdio, o voto com raiva, com ira. É provável que isso tem acontecido.

O senhor identifica nesse cenário também uma certa influência da chamada onda vermelha?

Houve um fenômeno, que a gente não pode classificar como onda vermelha, que também é uma classificação muito simplória. A gente pode perceber que o mito PT, o grande mito petista, aquele partido que se diz portador da verdade, dos valores éticos, do bem, e que tem um certo, ou, pelo menos, tinha, uma certa visão fundamentalista da política, certamente influiu. Tanto isso é verdade que, dois anos depois, o seu líder maior chegou à presidência da República. Isso não vai acontecer agora. Eu estou dizendo agora a você, porque nada melhor do que as lições que se extraem, que o eleitor extrai de um processo de amadurecimento e de clarividência, para se caracterizar a chamada rotatividade no poder. Essa rotatividade faz com que o eleitor amadureça. E essa rotatividade no poder está mostrando que a realidade é diferente daquele mero exercício da oposição que o PT exercia e que era percebido pelo eleitor como portador da boa nova, como o portador desse mundo ideal. A real "politique" está ensinando que não é bem assim. E que o eleitor está percebendo que não é bem assim. Então, o que leva isso? A que você ao votar, ao se posicionar diante de uma eleição, deixa de lado as categorias abstratas, as abstrações, as mensagens retoricamente bonitas e passa a pegar no candidato. O candidato passa a ser de carne e osso, com grandezas e misérias, feito de barro, que é o barro humano, que tem virtudes e que tem defeitos. Essa é a primeira eleição na história do Brasil onde uma esquerda messiânica, mais messiânica do que orgânica, vai se submeter ao escrutínio popular.

Em algum momento, Roberto Magalhães chegou a confessar que não queria ser candidato à reeleição?

Não tenho conhecimento desse registro.

Que reflexo teve a mudança do vice na chapa dele na derrota?

A minha opinião é de que houve reflexo negativo, não por nenhum demérito ao senador Sérgio Guerra, nenhum demérito. Estou avaliando sobre essa ótica: acho que a dobradinha Roberto / Raul era, no meu entender, sinérgica. Eram os diferentes no temperamento, na idade, na inserção política e na representatividade. E por que mexer nisso? Eu quero dizer que eu também não estou olhando pelo retrovisor. Manifestei isso em conversas reservadas, manifestei, tenho testemunhos quanto a isso. Não gosto muito de fazer avaliações pelo retrovisor. Essas avaliações de que, fulano ou beltrano evitaria no segundo turno, não me sensibilizam. É isso que eu chamo a pesquisocracia. No meu entender, isso teve uma influência. Não por demérito de quem quer que assumisse, mas por que mexer naquilo?

O que eles alegam é que havia uma pedra no meio do caminho chamada PSDB, que teria que tirar mais um candidato, no caso Braga, para fortalecer a aliança. E o PSDB queria a vice...

É. Aí vem a pergunta que Garrincha fez quando o técnico montou todo o esquema tático: combinaram com o povo? Combinaram com os russos? Isso não existe. Isso é elucubração. É aritmética. O que faz parte do jogo político não é só uma racionalidade cartesiana. Isso, para mim, é uma realidade cartesiana. Qual é o problema de se ir para o segundo turno? Por que as eleições têm que terminar necessariamente no primeiro turno? Você tem que ganhar a eleição. Então, se desfez no meu entender uma chapa que deu certo e que estava dando certo do ponto de vista da gestão. Na minha opinião, e eu digo com toda convicção: por que mexer nesse negócio?

Tem outro fato. No depoimento de Roberto Magalhães, ele conta que Raul Henry manifestou interesse em morar no exterior, que não queria ser mais vice...

Veja bem: Eu não conheço o teor das conversas. Estou como espectador. Acompanhei todo esse processo pelos jornais, pelas conversas. Nisso, você tem duas interpretações. Pode ser um obstáculo irremovível. Não, eu não quero mais vida pública. Poderia ser entendido assim. Mas poderia ser entendido de outra maneira. Veja aí como as palavras podem trair. Podia ser entendido assim: se naquele momento se falava que era necessário superar o obstáculo, aí levaria certamente, pelas contas, para o segundo turno. Aquilo poderia ser lido da seguinte maneira: Eu não sou um obstáculo a uma composição. O que faz parte do temperamento de Raul Henry. Podia ter sido decodificado da seguinte maneira: se for pra ganhar, e não vou criar problema. Isso é uma das interpretações. Até porque você não pode tomar palavras. Quantas vezes você já ouviu: eu não participo mais da política, de uma eleição. Talvez um dos poucos que você tem ouvido falar fui eu, que participei de uma eleição recentemente. Mas quantas vezes? Eu gostaria muito de estudar, de passar um tempo na Europa. Isso é palavra de rei que não volta atrás? Ou não? Então, a decodificação dessa conversa - da qual eu não conheço o teor - eu estou aqui fazendo uma especulação - poderia ter sido feita dessa maneira. Não, eu não sou um obstáculo.

Pelo que você conhece de Raul, ele estava querendo dizer isso?

Bom, aí me falta o dom de penetrar nas intenções alheias. O meu sentimento é dizer, 'negativo, velho', vamos juntos. Negativo. Eu acho que essa questão para mim não está muito clara.

Com relação especificamente ao vice Sérgio Guerra: era um candidato que não tinha muita identificação com o Recife?

Roberto trocou um cara que tinha muita identificação com o Recife por uma pessoa que não tinha. Eu acho que Sérgio Guerra não tinha nenhuma identificação com a cidade. Mais uma vez não se deve atribuir a isso a questão do insucesso eleitoral. O que eu quero dizer é o seguinte: Roberto e Raul representavam uma complementaridade. Em tudo. Então, por que mexer. Ah, Raul não quis. Não sei. Eu não estou totalmente convencido disso.

Com relação ao personagem do Mané da China, que influência ele teve no conjunto da campanha?

Acho que o Mané da China era uma casca de banana. Se você está numa luta de boxe, tem duas estratégias: ou parte para nocautear ou para minar as forças. Minar as forças é dar um soco no fígado. Então, aquilo era uma estratégia chinesa, suplício de Tântalo vai, vem, enche o saco. Por quê? As pessoas são diferentes, as pessoas têm um determinado temperamento. Tem pessoa que tirar por menos. Não liga para Mané China. Aquilo foi uma tática usada no sentido de provocar uma certa reação emocional.

Roberto era considerado pavio curto e eles achavam que o irritavam aí. Não é isso?

Definiram o personagem com esse objetivo, mas o Mané da China não ganhou a eleição.

Mas como você interpreta o fato de o Mané ter caído no gosto popular e não ter somado nada para o candidato Carlos Wilson?

Porque o Mané da China não é cabo eleitoral expressivo. É o recurso da ironia, é o recurso do deboche. O recurso de um tipo de humor que pode gerar certos efeitos do ponto de vista emocional. Só isso. Mas, não transfere voto, não ganha eleição.

Chegou alguém para dizer: "Dr. Roberto, mude o seu comportamento na televisão. Está aparecendo muito arrogante"?

Veja bem, primeiro Roberto, pelo preparo que tem, não tem uma carência de conselheiros e de assessores. Ele tem ideias próprias, sabe equacionar os problemas. Só que a orientação da campanha era no sentido de que a gente tratasse com muito zelo e com muito trato todas as armadilhas e todas as cascas de banana que podiam surgir. Todo processo de preparação e de conversa antes era muito rico, muito discutido e assimilado. Isso vale para a a assessoria tradicional e a assessoria ocasional. Nada que mude o jeito, que desfigure a personalidade do candidato. Mas, era necessário que alguns consensos em relação a alguns assuntos fossem tomados. E eram formados. O que eu quero dizer é que o que valeu ali é que o candidato assumia. O que valeu ali foi menos o comportamento do candidato e mais a percepção do eleitor. Houve um conjunto de fatos que foi solidificando a percepção do eleitor. E também não adiantava colocar um doutor Roberto carneirinho. Aí, era um pecado mortal, porque ele tem um estilo próprio. Ele não se faz no estilo, às vezes, do político clássico - que usa as palavras para responder o seu pensamento. Isto, de um modo geral, é visto como uma qualidade. Na eleição, por conta de um conjunto de episódios, ele foi visto maneira diferente.

Quando mudou do primeiro para o segundo turno, ele já saiu com uma desvantagem 17 pontos nas pesquisas. Que conselho o senhor deu a ele?

O que as pessoas esquecem é que ele partiu de 17 pontos e chegou empatado, no final. O problema não foi o comportamento de doutor Roberto nos debates. Pelo contrário, o comportamento dele mostrou que estava muito mais preparado, que conhecia muito melhor os problemas. Mostrou que a gestão dele foi eficiente. A questão é que a percepção do eleitor já estava quase solidificada. O ponto de partida do segundo turno era de uma desvantagem enorme -17 pontos de diferença. E as pesquisas qualitativas já estavam dizendo. E foi no olho mecânico que a gente solucionou. Então, eu diria que o processo de debate reverteu toda uma desvantagem que foi o ponto de partida do segundo turno, onde eu quero registrar o mérito da participação nos debates, a demonstração de que tinha conhecimento dos problemas. A percepção do eleitor foi muito mais trabalhada pelo bordão, pela atitude ostensiva, politicamente adequada que o João Paulo usou, quando dizia: 'Dr. Roberto, o senhor está nervoso. Dr. Roberto tenha calma'. Não importava a qualidade das respostas naquele momento. No fundo, o eleitor avaliava que o 'homem estava nervoso', tinha um problema emocional. Assim as coisas foram conduzidas. O mérito vai pra quem coordenou essa estratégia.

O governador chegou a fazer um gesto simbólico, quando tirou a gravata para mergulhar na campanha. Ele também saiu derrotado?

A derrota atingiu todo mundo. Cada um perdeu um pouco, ou cada um perdeu muito. Perdeu todo mundo. Perdeu o candidato, o que foi derrotado, perdeu o governador, perdeu o PFL, perdeu o Marco Maciel.

Quem perdeu mais?

É importante ver que a atitude do governador Jarbas Vasconcelos em nada me surpreendeu. Ele fez isso comigo em 94, ele fez isso a vida inteira com as coisas que ele defendia. E é por isso que tem um conjunto de fortes lealdades em torno dele. Porque, ele foi para a luta, dizendo assim: se Roberto perder, eu perco também. E perdeu. Eu acho que as três grandes lideranças derrotadas foram Marco Maciel, vice-presidente da República, o governador e o próprio candidato. Curiosamente, esses três candidatos, um é, brilhantemente, eleito como deputado federal, o outro reeleito Senador e o outro reeleito governador.

Jarbas e Sérgio Guerra admitem uma espécie de intenção, não projeto, do PSDB assumir a prefeitura, com a vitória de Magalhães, este ser o candidato a governador e Jarbas sairia para o Senado. Como o senhor avalia? Da pra fazer política em longo prazo?

Tratar desses projetos, para mim, não tem grande importância, porque a política tem um grande componente de aleatoriedade e de destino, de imprevisibilidade. Então, essas arrumações são extremamente bobas, completamente tolas. Isso faz parte da ficção política. Não é assim, cada dia tem a sua agonia. Vamos ganhar a eleição. Eis aí o que eu venho falando, o que eu disse no começo. Não acredito nisso, porque as pessoas envolvidas são pessoas que merecem meu respeito, não só pela inteligência e competência, mas porque não fazem esse tipo de arranjo. Esse é um arranjo que desrespeita o eleitor e a inteligência mínima das pessoas. É como se fosse possível traçar os rumos do futuro. Se existia isso, para mim, é algo incompatível com a inteligência e a percepção política das pessoas que estão envolvidas.

E em política, como diz Marco Maciel, 30 dias são eternidade. Não se faz política pensando em longo prazo, não é isso?

Longo prazo é a soma do curto prazo. Eu sempre digo: O futuro de um político é a soma algébrica de cada dia'. Um dia positivo, outro dia negativo. Se as pessoas conseguem ser construtivas, leais, parceiras, solidárias, atenciosas, atendem à demanda dos eleitores, tem projeto político. Há uma diferença fundamental entre os políticos que têm projeto político e os políticos que têm projeto eleitoral. Quem tem projeto político, geralmente fica quietinho no seu canto, tendo as benesses da vitória e o ônus da derrota. São pessoas que cultivam esses laços de solidariedade, esses laços de lealdade que inspiram confiança e cultivam as virtudes da grande liderança. Quem tem projeto eleitoral é diferente. Pode até ter um êxito aqui, um êxito acolá, mas não chega, bate no teto. Não chega a outra passar um certo plano de voo.

O senhor acha que houve uma "mea-culpa" do eleitor ao fazer Roberto deputado mais votado do Recife, dois anos depois?

De forma alguma. Primeiro, ele tem densidade eleitoral, independente de derrotas, independente do voto. Agora, o eleitor muitas vezes se arrepende, entendeu? E aí ele dá voto remorso. Mas dizer que os votos de Roberto Magalhães decorreram do voto remorso, não. Ele sempre teve uma enorme densidade eleitoral. Tanto que continuo sendo eleito expressivo, significativo, respeitado no Recife.

O senhor acha que o Recife se arrependeu de ter votado em João Paulo?

Isso a gente vai ver agora, nessa eleição. Os sinais não são bons para o prefeito. Não são bons os sinais, hoje. Mas aí a gente vai ver em outubro.

O que o senhor acha da administração do PT?

Acho que a administração João Paulo não tem visão estratégica do que é, hoje, o desenvolvimento urbano, dos significados da cidade, dos espaços. Existem três grandes espaços de gestão urbana: a cidade urbana, a cidade metrópole e a cidade global. No meu entender, é uma administração que não tem uma visão estratégica do desenvolvimento urbano e não presta atenção a esses três espaços, dessas três divisões e dessas inter-relações que exigem hoje do gestor urbano. Então, o meu sentimento é de que, a despeito de todo esforço, da participação do governo PT, ele terá uma eleição difícil.

Talvez isso não esteja na origem da própria campanha, já que o próprio prefeito fez uma proposta de governo sem esperança de vitória?

Havia uma visível, uma explícita confissão, de que ele não tinha proposta de governo. Aliás, isso não é um mal do PT municipal não, isso é o mal do PT nacional. O PT nacional, por exemplo, e eu escrevi um artigo sobre isso, tem um competente projeto de poder, de continuação no poder. Agora, em matéria de operar, de fazer as coisas acontecerem, de fazer a máquina andar, é público e notório que esse problema não acontece só na prefeitura do Recife, não. Acontece no plano nacional.

Quer dizer que não é falha do prefeito, nem que a equipe dele é falha?

A tradução é essa. Eu não gosto de dizer se é fraco ou se é forte, se é preparado ou se não é. Examino pelos efeitos, pelos resultados. O prefeito não tem visão estratégica da gestão urbana e a equipe opera com deficiência a máquina gerencial. Porque o cara pode até ser muito preparado, se é um grande professor, mas um péssimo gestor.

Engraçado, porque a história do Recife nunca viu um prefeito com tanta baixa popularidade....

Era de se esperar que o terceiro ano, que é o ano da colheita, mais do que o quarto ano, que também é um ano de colheita, ele estivesse mal. Mas isso também não significa que ele não seja competitivo. Mais uma vez, atenção, analistas de dados de pesquisas: isso não significa que o PT esteja fora da disputa. Nós estamos tratando de um candidato forte. O prefeito é fraco, administrativamente, mas é um candidato forte, competitivo, politicamente.

O senhor já foi prefeito. Recife é uma cidade difícil de administrar?

É difícil. Muito difícil. Vou explicar. O espaço urbano, que contém o fenômeno urbano brasileiro, tem proporções gigantescas. Traz, no seu bojo, todos os efeitos dramáticos de uma distorção em matéria da relação campo-cidade, do crescimento urbano. Então, administrar uma cidade muitas vezes 'e correr atrás de efeitos que as causas estão fora do alcance. Então, é muito difícil qualquer gestão urbana numa capital brasileira. O que é que acontece com a gestão na prefeitura? O que acontece é que alguns serviços que são prestados a gestão urbana tem uma visibilidade diferenciada dos outros espaços de poder. O espaço de poder estadual, este é mais desgastante, porque estão atrelados a ele na percepção da população serviços como segurança, educação e saúde. Estou dando o exemplo de três que estão muito desgastantes. No caso da prefeitura, você tem hoje o desemprego, que está mais atrelado a responsabilidade do governo estadual e mais ainda do governo federal do que ao prefeito. A gestões urbanas têm mais visibilidade e alguns serviços que dizem respeito ao seu cotidiano. A população é mais indulgente, mais generosa com os prefeitos do que com os administradores dos outros espaços, como é o caso do administrador do governo estadual.

Recife é uma cidade cruel?

Olhe, essa adjetivação de Agamenon tem um certo sentido histórico. Ele traduzia uma bela vocação do Recife, que é a vocação irredenta, não é oposicionista apenas, é irredenta; não é de esquerda, não é de direita, é vocação irredenta. Essa coisa da noiva das revoluções, de uma cidade e um estado onde foram gestados os movimentos Libertários, onde você teve o maior abolicionista, onde você teve os maiores sindicalistas, onde você inaugurou no Brasil os movimentos sociais de bairro, as comunidades de base, onde você teve um duelo ideológico de uma esquerda orgânica; onde, mais atrás, você teve revoluções liberais. Figuras como Frei Caneca, figuras de 1817. Esse povo todo dá ao Recife uma feição irredenta. A percepção ali, menos do que visão histórica era uma percepção pessoal. Recife não respondia a quem estava no poder eleitoralmente como ele queria, então ele criou a frase. Recife é uma cidade cruel? Para ele, naquele momento, para aqueles que estavam no poder naquele momento. Pergunte a Jarbas se Recife é uma cidade cruel. Pergunte a Joaquim. Pergunte a Roberto. Roberto também não acha isso. Então eu acho que ali existe uma forte decepção por conta de situação contingencial, meramente contingencial. Recife, cidade rebelde e irredenta, por todas as razões históricas não respondia a Agamenon - que era um estadista, mas que tinha um espírito fortemente autoritário. Homem público da melhor qualidade, mas ele não deixou passar em branco essa resposta. Se Recife não lhe deu uma resposta eleitoral, Agamenon lhe deu essa resposta cunhando essa frase.

Qual a sua percepção em relação ao eleitor?

Além da percepção que habilmente o prefeito provocou no contexto entre o candidato João Paulo e o prefeito Roberto Magalhães, outros fatores serviram para aprofundar essa percepção. Foi a ideologização da campanha, colocando de um lado os conservadores, ou os representantes de uma direita conservadora, do outro uma esquerda progressista. De um lado candidato dos ricos, do outro lado do candidato dos pobres, que vinha como veio, de uma origem humilde, uma profunda identidade com os mais pobres. Então, esse foi um fator que contribuiu para a derrota eleitoral, que foi o grande cabo eleitoral. Ainda por cima da derrota eleitoral, uma derrota política, que foi a de grudar, colar na imagem do conjunto de forças que apoiou Roberto Magalhães bandeiras retrógradas, no fundo, Recife reviveu a polarização dois anos 60,70, 80, e foi a polarização ideológica esquerda-direita, conservador-progressista.

O pleito de 2000 entrou para a história de Recife?

 As eleições, de modo geral, todas elas, têm um certo conteúdo inovador e uma certa contribuição para história. Agora, claro, que nessa eleição e não adianta tapar o sol com a peneira, nem querer mascarar nada, mas, no fundo, o candidato de origem operária, humilde, chegou ao poder e o seu conjunto de forças derrotou a mais forte aliança que Pernambuco já fez do ponto de vista político e eleitoral. Então, essa eleição tem esse forte conteúdo e a marca na sua história política. Uma aliança que vinha de 96 e 98. Então, não há dúvida nenhuma. Esse registro tem que ser feito por uma questão de amor à história. Independente de qualquer posição em que o analista se encontre.


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PREF DE OLINDA DESAFIOS DA PANDEMIA 21

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10/05


2021

Ciro Gomes se compara a Joe Biden em vídeo

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) publicou vídeo nas redes sociais, hoje, no qual compara seu plano de governo ao do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, eleito após derrotar o republicano Donald Trump, em 2020. Nas últimas semanas, o político começou a publicar vídeos em tom de campanha eleitoral de olho nas eleições presidenciais de 2022.

A peça indica que o plano de Biden e o plano de Ciro “têm muitas semelhanças” quando se trata de impostos: “cobrar mais dos muito ricos e menos dos mais pobres e da classe média”.

“Biden quer aumentar impostos sobre os lucros das grandes empresas, os ganhos de capital e os dividendos dos mais ricos”, diz sobre o plano Joe Biden.

Ao falar sobre o projeto nacional de Ciro, afirma: “Ciro quer diminuir a carga para os pobres e a classe média. Aumentar impostos sobre grandes heranças e grandes fortunas. E cobrar sobre lucros e dividendos”.

Joe Biden derrotou em 2020 o republicano Donald Trump, que tinha no Brasil o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que deve buscar a reeleição em 2022.


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Ipojuca 2021

10/05


2021

Entrega de vacinas pode atrasar por falta de insumos

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse, hoje, que o Brasil deverá sentir em junho os impactos do atraso na liberação do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) vindo da China. O insumo é ingrediente essencial para fabricação das vacinas contra a covid-19. A expectativa do instituto é que 4.000 litros do insumo sejam enviados até a quinta-feira e cheguem uma semana depois. As informações são do Portal Poder360.

De acordo com Dimas Covas, o Ministério da Saúde receberá 2,1 milhões de doses da CoronaVac divididas em duas entregas até a sexta-feira. No entanto, depois desses imunizantes, o Instituto Butantan ficará sem vacinas contra a covid-19 por causa da falta do IFA.

“Situação parecida com essa também é enfrentada pela Fiocruz. A informação que tenho é de que ela também não teve seu IFA liberado”, informou Covas durante a cerimônia de entrega de 2 milhões de doses da CoronaVac ao ministério.

O diretor do instituto e o governador João Doria (PSDB) atribuíram a dificuldade para o IFA ser liberado à postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de integrantes do governo federal, que fizeram declarações contra a China.

“Cada vez que manifestações são feitas aqui de forma desagradável em relação à China, isso cria dificuldades claramente à autorização do governo chinês para o embarque desses insumos para o Brasil”, afirmou Doria.

O país asiático é fornecedor de insumos para a produção da CoronaVac, do Instituto Butantan, e da vacina de Oxford, produzida pela Fiocruz.


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Petrolina abril 2021

10/05


2021

Fraude em exames da Covid-19

A edição do jornal digital O Poder Brasil de hoje, que já está circulando para os seus assinantes, traz uma denúncia bombástica: pessoas que estão com Covid-19 tentam subornar funcionários públicos ou de laboratórios privados para conseguir o nada consta. Com isso, pretendem frequentar, mesmo doentes, ambientes controlados ou até fazer viagens internacionais.

Além disso, como a criatividade para o mal não tem limites, já foi descoberta uma fórmula que, usando meios caseiros, os doentes conseguem mascarar a doença por algum tempo e enganam a coleta do material.

Trata-se de um assunto indignante e da maior gravidade. Mais informações no www.jornalopoder.com.br


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10/05


2021

Representações pedem para apurar orçamento secreto

Três representações protocoladas hoje pedem ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal que investiguem se o governo criou um "orçamento secreto" em troca de apoio parlamentar, segundo apontou o jornal "O Estado de S. Paulo".

De acordo com reportagem do jornal publicada ontem, o governo federal teria montado um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões por meio do qual deputados e senadores aliados indicavam obras públicas e compra de equipamentos em suas bases eleitorais. Parte dos recursos teria sido destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas com valores superfaturados, segundo o jornal.

O Ministério do Desenvolvimento Regional contesta a reportagem e afirma que não há irregularidades. Das três representações, duas são dirigidas ao TCU e uma ao Ministério Público Federal. Ao TCU, recorreram o subprocurador-geral da República Lucas Furtado e o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ). A bancada do PSOL na Câmara fez representação à Procuradoria-Geral da República.

Os deputados e senadores têm direito às chamadas emendas individuais, limitadas a R$ 16,3 milhões por parlamentar – metade vai obrigatoriamente para a saúde. O chamado "orçamento secreto" permitiria que indicassem obras em valores superiores, executadas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal subordinada à pasta.

Na representação que protocolou no TCU, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado pede a adoção "das medidas necessárias a apurar a notícia de que o Presidente Jair Bolsonaro criou orçamento secreto em troca de apoio parlamentar, promovendo a análise, de maneira urgente e aprofundada, do esquema denunciado pela reportagem do site Estadão, de modo a identificar as fragilidades da metodologia de distribuição de recursos a parlamentares e determinar as alterações necessárias ao procedimento denunciado”.

Segundo Furtado, a verba do orçamento paralelo seria aplicada "à margem de todo o regramento constitucional, legal e regulamentar, em ofensa ao princípio da isonomia que orienta a distribuição de recursos orçamentários entre os parlamentares no regime das emendas individuais e sem a transparência que requer o uso de recursos públicos".

Ele diz, ainda, que os fatos denotam, em tese, "inadequada execução orçamentária, motivada supostamente por interesses políticos", podendo "caracterizar eventual crime de responsabilidade, por atentar contra a lei orçamentária".

Líder da minoria na Câmara, o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) enviou uma representação à presidente do TCU, ministra Ana Arraes.

No texto, o deputado pede que a Corte instaure uma auditoria para apurar todas as circunstâncias denunciadas pela reportagem e eventuais responsabilidades.

Na representação, Freixo lembra que os 513 deputados e 81 senadores têm direito a indicar, no máximo, R$ 8 milhões em emendas por ano, além dos R$ 8 milhões que vão necessariamente para a saúde.

"No entanto, os parlamentares que apoiaram os candidatos do governo nas eleições para as presidências das casas do Congresso Nacional conseguiram expandir o poder de direcionar gastos do orçamento”, argumenta.

Ele afirma, ainda, que as possíveis ilegalidades apontadas pela reportagem de "O Estado de S. Paulo" não se deram "apenas no âmbito do desvio de finalidade na utilização de verbas públicas. Há também superfaturamento na compra de produtos agrícolas”.

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados ingressou com representação no Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente Jair Bolsonaro, o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e o diretor-presidente da Codevasf, Marcelo Pinto.

Os deputados do PSOL argumentam que a reportagem revela um “esquema que atropela leis orçamentárias, regras legais e a Constituição Federal". "Para além disso, tem o objetivo de dificultar o controle do Tribunal de Contas da União (TCU) e da própria sociedade. Contrariando princípios administrativos consagrados, os acordos para direcionar o dinheiro não são públicos e não têm transparência”, diz a representação.


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ALEPE

10/05


2021

FBC: Bolsonaro vai lançar programa social robusto

Desgastado pelo mau desempenho do Brasil na pandemia e pelo início dos trabalhos da CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro apostará em medidas na área social e na recuperação da economia para melhorar a imagem da sua gestão. As informações são do Blog do Valdo Cruz.

Segundo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), Bolsonaro vai lançar um "programa social muito robusto em julho, para começar a valer em agosto". A data coincide com o fim dos pagamentos do novo auxílio emergencial.

Bezerra disse que o programa será uma nova versão do Bolsa Família, com a inclusão de mais lares e um novo valor para o benefício. A proposta está sendo elaborada pelo ministro da Cidadania, João Roma, e vai contar com recursos do orçamento do Bolsa Família, mais de R$ 35 bilhões.

Atualmente, esse montante não está sendo usado, porque as famílias do programa estão recebendo o auxílio emergencial, bancado com recursos fora do teto de gastos.

"É natural que neste momento o presidente sofra um pouco de desgaste, mas mesmo assim ele mantém um apoio importante junto à população. E, depois desse início da CPI, o presidente vai se recuperar. Ele vai lançar um programa social robusto em julho, e a economia vai melhorar no segundo semestre, puxada num primeiro momento pelo aumento das nossas exportações e depois pelo avanço da vacinação", afirmou o senador.

Em relação à CPI da Covid, ele disse o governo cometeu alguns erros durante o combate à pandemia, mas afirma que os acertos foram maiores e, segundo o senador, isso "ficará claro com outros depoimentos na comissão, destacando as medidas adotadas para socorrer os vulneráveis, trabalhadores, empresas, estados e municípios".

Além disso, Bezerra diz que, na avaliação do governo, não há base jurídica para responsabilizar o presidente "por defender que as pessoas não fossem impedidas de trabalhar".

O líder do governo no Senado disse que o Brasil está sendo favorecido neste momento por um novo boom das commodities, o que está se refletindo nas exportações brasileiras.

"O saldo positivo da balança comercial, que era previsto em US$ 40 bilhões, pode fechar o ano em US$ 80 bilhões. O vento na economia começa a ficar a favor do país", afirmou Fernando Bezerra. Ele faz uma previsão otimista para o crescimento da economia neste ano, acima de 3%.


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Bandeirantes 2021

10/05


2021

Na CPI, Humberto pede nova convocação de ministro

Titular da CPI da Covid, o senador Humberto Costa (PT-PE) protocolou, na tarde de hoje, um novo pedido de convocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Para o parlamentar, o ministro deixou muitas perguntas sem respostas e, mais do que isso, esquivou-se de prestar contas ao Senado sobre atos que estavam prontos e só foram divulgados após o fim do seu depoimento.

No documento entregue à comissão, Humberto diz que Queiroga "foi lacônico em muitos aspectos, inclusive e sobretudo porque alegou estar há poucos dias na condição de ministro da Saúde". "Isso, por si só, já foi um gesto desrespeitoso. Ele deveria ter estudado os temas para vir ao depoimento minimamente munido. Sua fala também foi contraditória em diversos aspectos. Mesmo médico e tendo presidido a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que condenou o uso da cloroquina, da azitromicina, da ivermectina e da hidroxicloroquina contra a covid, ele fez de tudo para não confrontar Bolsonaro. E mais: até hoje, não revogou portaria do Ministério que prescreve o uso de medicação para esse fim", afirmou o senador, que é ex-ministro da Saúde.

Humberto criticou ainda Queiroga por não ter trazido ao conhecimento da CPI o fato de que sua pasta, dois dias antes, tinha editado uma portaria dispondo sobre procedimentos de cobrança administrativa e de instauração de tomada de contas especial em relação a recursos do Ministério da Saúde, aumentando a pressão sobre estados e municípios. A medida se insere no esforço do Planalto de mudar o foco das investigações da comissão para tirá-lo de Bolsonaro e jogá-lo sobre governadores e prefeitos. A decisão só foi conhecida por reportagem da imprensa.

"Essa portaria mostra que há uma ação coordenada no governo federal para minar nossos esforços e evitar a apuração das mais de 420 mil mortes a que chegamos até agora. Não vamos nos desviar. Não vamos perder a nossa rota. A cada dia, temos mais e mais elementos que confirmam a ação deliberada do governo em favor da expansão do vírus, enquanto empurrava remédios ineficazes na população. Isso está claro como causa direta desta que é a maior tragédia sanitária que vivemos na nossa história", disse Humberto.


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Serra Talhada 2021

10/05


2021

Raquel abre sinecura para filho de Roberto Freire

Leitores atentos ao Portal da Transparência da Prefeitura de Caruaru enviaram, hoje, ao blog, a informação de que João Baltar Freire, filho do presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, está lotado no gabinete da prefeita Raquel Lyra (PSDB) como consultor técnico. O cargo comissionado ocupado por ele tem um salário de R$ 9 mil por mês e carga horária de 8h semanais. Isso mesmo, uma verdadeira sinecura.

A admissão não é ilegal, mas está sendo considerada imoral pelo valor recebido e a carga horaria “trabalhada”, sobretudo pelo fato de Raquel se apresentar como vestal, discriminar políticos de sua terra e tratar vereadores da sua base a pão e água.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

10/05


2021

Deputado anuncia investimentos para Taquaritinga

No dia em que celebra aniversário, o município de Taquaritinga do Norte recebeu mais um presente. Ao lado do prefeito Ivanildo Mestre (Lero), do deputado estadual Diogo Moraes, do vice Gena, vereadores e secretários municipais, o deputado federal Ricardo Teobaldo anunciou recursos para o município na ordem de R$ 4 milhões de reais para as áreas de saúde e educação. A agenda de hoje também contemplou uma série de inaugurações, algumas delas com recursos provenientes de emendas parlamentares do deputado Ricardo Teobaldo.

Para ele, a chegada de novos recursos vai ajudar ainda mais a administração do prefeito Lero. "Fico muito contente de estar aqui em Taquaritinga para celebrar esse aniversário de emancipação e anunciar recursos. Estamos destinando cerca de R$ 4 milhões de reais para o município. Nosso gabinete está à disposição do povo de Taquaritinga", frisou Ricardo.

Foram destinados R$ 1.242.000,00 para aquisição de 5 ônibus escolares; cerca de R$ 1,8 milhão para construção de uma escola com seis salas e quadra no povoado de Vila do Socorro e mais R$ 700 mil para investimentos em saúde, sendo R$400 mil para alta e média complexidade e R$300 mil para atenção básica.


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10/05


2021

Vitória: Fiscalizações voltam a dispersar aglomerações

Mais uma ação da Vigilância Sanitária foi realizada, neste final de semana, em Vitória de Santo Antão, com o intuito de verificar o funcionamento dos estabelecimentos comerciais em relação às medidas sanitárias de distanciamento social e o atendimento destes locais em conformidade com as normas vigentes de combate à Covid-19.

As fiscalizações em caráter educativo vêm ocorrendo todos os finais de semana e devem perdurar por todo o período pandêmico. Mais uma vez, proprietários dos pontos comerciais foram orientados e reeducados sobre o uso de máscaras, utilização de álcool a 70% e o distanciamento entre os clientes.

Apesar das ações terem sido intensificadas, algumas pessoas ainda seguem contrariando a gravidade da doença, não utilizando máscaras e promovendo aglomerações, principalmente em bares e praças. “A Vigilância segue fazendo o seu papel, orientando as pessoas, visitando os estabelecimentos, conversando com os proprietários e solicitando o uso da máscara. Mesmo assim, infelizmente, muita gente não acredita no perigo trazido pela Covid-19 e saem para aglomerar, colocando a própria vida em risco”, pontuou Nathália Álvares, coordenadora da Vigilância Sanitária.

Segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem, Vitória de Santo Antão registrou 4.206 casos confirmados da doença, com 231 casos que evoluíram para óbito. Alheios a esses dados e mesmo com todas as ações educativas que vem sendo desenvolvidas desde o final de janeiro, jovens voltaram a se concentrar na praça da Matriz.

Após vídeos circularem pelas redes sociais mostrando essas novas aglomerações no final de semana passado, as incursões voltaram a contar com a presença da Polícia Militar, que acompanhou a ação junto com a Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros. A força de segurança precisou promover, pacificamente, a dispersão dessas pessoas que formavam os pontos de aglomerações.

O telefone 190 da Polícia Militar e o número (81) 3526-8900, do 21º Batalhão, podem ser utilizados pelos vitorienses para denunciar aglomerações e qualquer tipo de evento ou festas que estão proibidos até 24 de maio com a prorrogação do decreto do Governo do Estado com medidas restritivas de circulação.


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10/05


2021

Caos em Camaragibe

Reeleita com a promessa de organizar e melhorar a saúde de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, a prefeita Doutora Nadegi (Republicanos), que por ironia do destino é médica, virou uma unanimidade, a de responsável por jogar a saúde, literalmente, na UTI. Pelas redes sociais, com mensagens que respingam também neste blog, o bombardeio em cima do seu desgoverno virou uma rotina, algo que vem corroendo sua imagem.

Além da pandemia da Covid-19, presente naturalmente em todos os municípios, Camaragibe não consegue, por incompetência dela e descaso da sua equipe, mudar a curva em ascensão de casos e mortes provocados pela doença. Há superlotação de hospitais, e, para complicar, surto de dengue e chikungunya, doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti. A situação é dramática, não há atendimento médico sequer para os casos mais graves da enfermidade.

Moradora do bairro Céu Azul, a técnica de enfermagem Cláudia Correia enviou uma mensagem à redação do blog relatando o sofrimento que passou para ser atendida nas unidades de saúde da cidade, sem sucesso.

Acometida pela chikungunya desde o último sábado, com febre alta e muitas dores pelo corpo, ela procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde Expansão Timbi, hoje, próximo à sua casa, mas foi informada que não havia médico disponível para atendê-la. Mesmo com muitas dores, sem conseguir se locomover e sem atendimento do Samu para esses casos no município, Cláudia se dirigiu ao Hospital Municipal Dr. Aristeu Chaves, no centro da cidade, onde disseram que “se o caso não for acidente, tiro, ou Covid-19, o hospital não aceitaria o paciente”.

“Preciso ser atendida por um médico e não posso contar com isso na minha cidade, preciso de um atestado, pois não estou em condições de trabalhar, mas não encontro atendimento em Camaragibe. No ano passado, eu tive a Covid-19 e procurei atendimento no Cemec ouvi de uma médica que “se eu não estivesse morrendo, ela não poderia me atender”, eu estava morrendo. Eu posso estar morrendo agora, mas vou morrer em cima da minha cama porque não tem médico que me atenda em Camaragibe, desabafou Cláudia.

Nas redes sociais, as denúncias são insistentes e preocupantes. Na página do Instagram do Camaragibe Agora, um perfil com notícias sobre a cidade, moradores se queixam da falta de atendimento em outros postos no município. Em uma postagem sobre o atendimento restrito nas UPAS da Caxangá, Torrões e São Lourenço, os internautas reclamam que as unidades de saúde de Camaragibe só aceitam pacientes com Covid-19.

Além dos problemas na Saúde, a Prefeitura também está sendo acusada de não combater as endemias, segundo outros comentários na postagem do Camaragibe Agora. Os agentes que visitam as casas distribuindo veneno que mata a larva do Aedes aegypti não estão circulando pela cidade, o que fez aumentar os casos das doenças no município. Com a palavra, a desastrosa prefeita de Camaragibe.


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