Ipojuca 2021 IPTU

08/03


2021

Defesa de Lula diz que decisão de Fachin não repara danos

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que anulou, hoje, todas as condenações do ex-presidente pela Justiça Federal no Paraná relacionadas às investigações da Operação Lava Jato, afirma "incompetência" da Justiça Federal em Curitiba, mas não repara danos causados.

Com a decisão, o ex-presidente Lula recupera os direitos políticos e volta a ser elegível. Segundo os advogados, a decisão "está em sintonia" com a defesa, mas não repara danos causados.

"A decisão, portanto, está em sintonia com tudo o que sustentamos há mais de 5 anos na condução dos processos. Mas ela não tem o condão de reparar os danos irremediáveis causados pelo ex-juiz Sergio Moro e pelos procuradores da “lava jato” ao ex-presidente Lula, ao Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito", diz a nota assinada por Cristiano Zanin Martin e Valeska Teixeira Zanin Martins.

Ao decidir sobre pedido de habeas corpus da defesa de Lula impetrado em novembro do ano passado, Fachin declarou a incompetência da Justiça Federal do Paraná nos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e das doações ao Instituto Lula.

Segundo o ministro, a 13ª Vara Federal de Curitiba, cujo titular na ocasião das condenações era o ex-juiz federal Sergio Moro, não era o "juiz natural" dos casos. Na mesma decisão, Fachin declarou a "perda do objeto" e extinguiu 14 processos que tramitavam no Supremo e questionavam se o Moro agiu com parcialidade ao condenar Lula.

A decisão de Fachin tem caráter processual. O ministro não analisou o mérito das condenações. "Embora a questão da competência já tenha sido suscitada indiretamente, é a primeira vez que o argumento reúne condições processuais de ser examinado, diante do aprofundamento e aperfeiçoamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal", diz nota divulgada pelo gabinete do ministro.

Agora, os processos serão analisados pela Justiça Federal do Distrito Federal, à qual caberá dizer se os atos realizados nos três processos podem ou não ser validados e reaproveitados. "Com a decisão, foram declaradas nulas todas as decisões proferidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba e determinada a remessa dos respectivos autos para à Seção Judiciária do Distrito Federal", diz a nota do gabinete do ministro.

De acordo com o gabinete de Fachin, julgamento do plenário do Supremo Tribunal Federal já havia restringido o alcance da competência da 13ª Vara Federal de Curitiba. "Inicialmente, retirou-se todos os casos que não se relacionavam com os desvios praticados contra a Petrobras. Em seguida, passou a distribuir por todo território nacional as investigações que tiveram início com as delações premiadas da Odebrecht, OAS e J&F. Finalmente, mais recentemente, os casos envolvendo a Transpetro (subsidiária da própria Petrobras) também foram retirados da competência da 13ª Vara Federal de Curitiba", diz a nota.

De acordo com o texto, nas ações penais envolvendo Lula, assim como em outros processos julgados pelo plenário e pela Segunda Turma do STF, "verificou-se que os supostos atos ilícitos não envolviam diretamente apenas a Petrobras, mas, ainda outros órgãos da Administração Pública".

Segundo o ministro, em outros casos de agentes políticos denunciados pelo Ministério Público Federal em circunstâncias semelhantes ao de Lula, a Segunda Turma do Supremo já vem transferindo esses processos para a Justiça Federal do Distrito Federal.

Embora divergente e derrotado nas votações na Segunda Turma em relação a esse ponto, Fachin considerou que o mesmo entendimento deveria ser aplicado ao ex-presidente. "Faço por respeito à maioria, sem embargo de que restei vencido em numerosos julgamentos", escreveu o ministro na decisão.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Petrolina abril 2021

Confira os últimos posts



14/04


2021

Lula pede que STF tranque ações de Atibaia e do Instituto

Às vésperas do julgamento do Supremo Tribunal Federal que pode ser decisivo para os processos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a defesa do petista pediu ao ministro Ricardo Lewandowski que tranque as ações do sitio de Atibaia, da sede do Instituto Lula e das doações da Odebrecht à mesma entidade. Encaminhado nos autos da reclamação que garantiu a Lula acesso às mensagens apreendidas na Operação Spoofing, o pedido tem relação com o acordo de leniência da Odebrecht. As informações são do Estadão.

O STF deve começar a julgar hoje, em plenário, a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 8 de março, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte, decidiu anular todas as condenações de Lula. Na ocasião, ele apreciou um pedido de habeas corpus apresentado em 2020 pela defesa do petista. O magistrado entendeu que os casos sobre o ex-presidente não têm relação com a Petrobras. Por isso, não deveriam ter tramitado na Justiça Federal do Paraná, responsável por julgamentos da operação Lava Jato.

No documento enviado a Lewandowski na segunda, 12, os advogados pedem ainda, caso a solicitação principal não seja atendida, que seja declarada a impossibilidade de os elementos obtidos por meio do acordo de leniência da empreiteira serem utilizados como prova ou meio de obtenção de prova, direta ou indiretamente contra Lula.

O principal argumento da defesa é o de que, apesar de pedir desde 2017 o ‘pleno acesso’ ao acordo de leniência e aos sistemas da Odebrecht, tal acesso ainda não teria ocorrido, ‘especialmente no que diz respeito às tratativas internacionais que levaram ao acordo’.

Um dos focos dos questionamentos da defesa do petista é suposta troca de correspondência entre a força-tarefa da Operação Lava Jato e outros países que teriam participado direta ou indiretamente, do acordo de leniência, como autoridades dos Estados Unidos da América e da Suíça.

Em dezembro de 2020, Lewandowski determinou que Lula tivesse acesso a tais dados, assim como aos documentos e depoimentos relacionados aos sistemas da Odebrecht e às perícias da empreiteira, da Polícia Federal, e do Ministério Público Federal realizadas por outros países que, de qualquer modo, participaram do ajuste.

A defesa alega que o acesso a tais informações ‘é essencial para perquirir fidedignidade da prova que dá suporte à acusação’.

A subprocuradora Elizete Maria Paiva Ramos, Corregedora-Geral do Ministério Público Federal, chegou a tratar do assunto com o Supremo em dezembro, afirmando que não havia registro, na Secretaria de Cooperação Internacional da PGR, ‘de contatos ou tratativas estabelecidas entre autoridades brasileiras e dos Estados Unidos da América ou da Suíça para a celebração de acordos de leniência com o grupo empresarial Odebrecht’.

No entanto, a defesa de Lula sustenta que a Lava Jato ‘faltou com a verdade ao afirmar que não teria qualquer relação documentada com autoridades suíças e norte-americanas’. As informações prestadas por Elizeta, consideradas ‘inverossímeis’ pela defesa de Lula, motivaram o pedido de acesso às mensagens na Operação Spoofing, deferido por Lewandowski.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

ALEPE

14/04


2021

Kajuru vê impeachment de Bolsonaro no radar

Em participação no UOL entrevista, hoje, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) corre risco de impeachment se a CPI da Covid-19 "for séria e independente". Na visão do parlamentar, o governante "cometeu vários erros", agiu com "desrespeito à imprensa" e pode ser responsabilizado por parte das mortes na pandemia.

A declaração foi dada em sabatina conduzida por Tales Faria, diretor da sucursal do UOL em Brasília, e pela repórter Luciana Amaral. Kajuru está em rota de colisão com o presidente depois de divulgar uma conversa telefônica entre eles.

Nas gravações, entre outras declarações polêmicas, Bolsonaro pressiona para que os congressistas levem adiante pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia seria criar um clima desfavorável à instalação da CPI.

Na entrevista, Jorge Kajuru também fala do atrito com o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, em razão da gravação telefônica. Flávio ameaçou levar o senador goiano ao Conselho de Ética. 

Saiba mais na reportagem publicada no UOL.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Bandeirantes 2021

14/04


2021

O Club Litterario de Afogados

Por Alexsandro Acioly* e Augusto César Acioly**

O Sertão do Pajeú é reconhecido em todo o território nacional pela poesia que aflora em suas terras. Pesquisando por esses dias, no site da Biblioteca Nacional, encontramos um conjunto de artigos que noticiam a instalação de um Clube Literário na então denominada vila de Afogados, àquela altura, pertencente ao município de Ingazeira, no final do século XIX, precisamente, no ano de 1880. Esta sociedade literária, que teve os seus trabalhos iniciados em uma sessão pública, na Câmara Municipal da vila, no dia 10 de Outubro de 1880, fornece um conjunto de questões que podem colaborar para pensar a história local e regional, principalmente, ao que tange à formação de espaços de sociabilidades, tendo como finalidade construir “Ares de Civilização” para a vila.

A seção de instalação se deu no Paço da Câmara Municipal, onde compareceram vários sócios do “Club”. Um aspecto interessante a ser observado é que, mesmo com a quase integralidade dos componentes, compostos por homens, é possível encontrar a participação de algumas mulheres responsáveis pela administração de uma escola, para meninas, um dos objetivos do referido “Club”, além de classes voltadas para o ensino de meninos e adultos. O  estabelecimento tinha como preocupação a difusão do conhecimento, através da promoção de conferências sobre Direito Constitucional e História.

Fazendo uma análise rápida dos personagens que teriam animado esta iniciativa, é possível destacar a presença dos segmentos médios da “vila”, compostos por religiosos, representantes da administração pública, justiça e segurança. Segmentos que demonstravam construir uma sensibilidade criadora local, distante dos grandes centros do Império, no intuito superar as imagens do atraso sob o qual eram representadas as regiões dos “sertões profundos” do Brasil, que careciam, em grande medida, de ânimos culturais e de convivência para estabelecer uma lógica que os integrassem à ideia de civilização. Muitos destes personagens já haviam usufruído de experiências o bastante e, por isso, havia a intenção de disseminá-las no local.

O discurso inaugural ficou a cargo do presidente da sociedade, o senhor João Gonzaga Bacellar que era juiz de direito da vila. Também subiram a tribuna os Drs. Argemiro Martiniano da Cunha Galvão e José Theodoro Cordeiro, Juiz Municipal e Promotor Público, respectivamente. Além dos três já citados, essa sociedade literária era composta por outros membros, dentre eles, o senhor José Matheus Coimbra Campos e a senhora Francisca Joaquina de Oliveira, professores, sócios do “Club” e pais do escritor, jornalista, teatrólogo, poeta e membro da APL – Academia Pernambucana de Letras, o Afogadense - Manoel Arão de Oliveira Campos.

Por conseguinte, ainda não possuímos dados que demonstrem o período de atividade desta sociedade, mas é possível localizar na documentação encontrada, a sua atividade, constando 08 meses após a sua fundação, através da nomeação de órgãos de imprensa de várias províncias do Brasil. Dentre elas, a do jornal Maçônico, a Família Maçônica, órgão de imprensa carioca que existia desde meados da década de 70 do século XIX, e contavam como um grande espaço de divulgação daquela entidade.

Essa questão abre uma perspectiva interessante, visto que se constitui uma hipótese, pois alguns dos membros desta instituição, provavelmente, fossem maçons pelo fato de que a maçonaria incentivava, entre os seus componentes, a constituição de espaços de socialização que tivessem, como objetivo, a propagação da ciência e da educação. Com relação a este último aspecto, é reconhecido, através da historiografia maçônica, especializada de estudos acadêmicos, o papel que esta instituição desempenhou como: a estratégia de atuação política, o incentivo da educação e a formação de leitores.

Além deste periódico, a apresentação do Club Literário da vila de Afogados da Ingazeira, foi partilhada em outros meios de circulação ao longo dos meses finais de 1880, seja de órgãos de imprensa locais, de grande circulação como o Diário de Pernambuco, seja de outras províncias como a do Espirito Santo e o Rio de Janeiro, sede da corte, espaço importante do poder e das letras, no Brasil Império.

A descoberta desse espaço de promoção da Cultura e das Letras, representado pelo Club Literário da vila de Afogados da Ingazeira, pode nos ajudar a reconstruir a história local de um momento de instituições que, de alguma forma, colaboraram no processo de desenvolvimento daquele local e, posterior luta pelo seu processo de emancipação através da criação do município que aconteceu nas décadas iniciais da República, constituindo-se outra História.

*Pesquisador e historiador - CPDOC/Pajeú
*Doutor - Aesa/Cesa


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


14/04


2021

Câmara aprova projeto que prorroga entrega do IR

A Câmara dos Deputados aprovou, ontem, a prorrogação, até 31 de julho de 2021, do prazo para entrega da declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, ano-base 2020. A proposta segue para sanção presidencial.

Pelo texto aprovado, caso tenha saldo do imposto a pagar no fim da declaração, o valor devido pelo contribuinte poderá ser parcelado em até seis meses. No entanto, o último mês de vencimento de parcelas de imposto a pagar eventualmente apurado está limitado a dezembro deste ano. 

RESTITUIÇÃO – O projeto não altera o cronograma de restituição do IR. O contribuinte continuará a receber o reembolso em cinco lotes mensais, de 31 de maio a 30 de setembro.

*Com informações da Agência Brasil


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Serra Talhada 2021

14/04


2021

Paulo anuncia vacinação para pessoas acima de 60 anos

Por Houldine Nascimento, da equipe do Blog

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), divulgou, hoje, a ampliação da imunização contra a Covid-19 para pessoas acima de 60 anos em todo o Estado. De acordo com o gestor, isso só foi possível pela chegada de mais 255 mil doses de vacinas, prevista para amanhã.

“É um passo importante na proteção da população idosa, que já vem registrando resultados positivos nas faixas etárias cuja imunização já foi concluída. Nosso esquema de logística está pronto e a distribuição dessas novas doses será concluída até a próxima sexta-feira”, destacou.

ÁGUA – Ainda segundo o governador, o volume de chuvas registrado nos últimos cinco dias elevou o nível de armazenamento dos principais reservatórios da Região Metropolitana do Recife. Isso vai permitir a flexibilização do rodízio do abastecimento de água nas áreas mais críticas da RMR.

“O novo calendário será divulgado pela Compesa, e vai permitir uma oferta maior para atender às demandas da nossa população. Com mais água, temos mais condições de intensificar a higienização das mãos e dos ambientes”, afirmou.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Anuncie Aqui - Blog do Magno

14/04


2021

Relator da Reforma Tributária diz que parecer está pronto

Da Revista Nordeste

Embora as atenções do Brasil estejam voltadas agora para novas etapas da CPI da Covid consolidada pelo Senado Federal, no paralelo o relator da Reforma Tributária, deputado federal Aguinaldo Ribeiro, assegura em longa entrevista à próxima edição da Revista Nordeste, que já está com parecer pronto para apresentar assim que os trabalhos normais no Congresso Nacional sejam retomados.

"Estamos tratando da unificação de impostos sobre consumo com criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), antecipou o líder da Maioria tanto na Câmara quanto no Senado Federal, aliás com ele tratando na entrevista sobre como conquistou o acúmulo de representação bicameral."

Na entrevista, ele aborda a conjuntura no Congresso no trato da Covid, Auxilio Emergencial que defende ter melhor sido repetindo o valor de R$ 600,00, mas no trato da Reforma Tributária entende ser fundamental a redução das desigualdades.

"A grave desigualdade econômica brasileira é um dos problemas que a Reforma Tributária combaterá. O atual sistema tributário incide fortemente sobre o consumo e cria a situação inaceitável de pessoas pobres pagarem mais impostos do que  as ricas", disse ele para concluir: "A carga tributária brasileira está concentrada nos impostos indiretos inseridos em toda e qualquer mercadoria. Portanto, impostos como ICMS e IPI passam despercebidos pelo consumidor".


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

14/04


2021

Collor defende união e diz que não é momento para CPI

Por Houldine Nascimento, da equipe do Blog

O senador Fernando Collor (Pros-AL) se posicionou contra a instalação da CPI da Covid, ontem, em sessão plenária. Na visão do parlamentar, "o momento é de união" entre os poderes. "União de todos aqueles que têm poder de investidura do povo brasileiro. Essa união exige de nós compreensão para o momento em que vivemos. Vivemos um momento em que a população passa por necessidade. O povo está com fome", discursou.

"Querer instalar uma CPI neste momento é fazer dessa CPI uma Babel eletrônica. Não há nenhuma possibilidade de uma CPI funcionar de forma adequada de uma maneira não presencial", prosseguiu o ex-presidente da República, que foi alvo de um processo de impeachment em 1992.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


14/04


2021

MPE dá parecer pela cassação do prefeito de Maraial

No que depender do Ministério Público Eleitoral, o prefeito de Maraial, Sérgio da Farinha (foto), e o vice, Nia Filho (ambos do Avante), terão os diplomas cassados e se tornarão inelegíveis. Isso porque o procurador regional eleitoral Wellington Cabral Saraiva emitiu, na última sexta-feira (9), um parecer favorável ao provimento dos recursos movidos pela coligação Unidos por Maraial, encabeçada por Marlos Henrique (PSB).

Nas duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) o socialista alega que o atual prefeito construíu uma ponte no município e também distribuiu caminhões-pipa à população no período eleitoral, o que constitui flagrante irregularidade. Por isso, o MPE também pede que o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determine a realização de novas eleições diretas em Maraial, tomando como fundamento o artigo 224 do Código Eleitoral.

A decisão, contudo, cabe ao TRE-PE.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


14/04


2021

Krause atribui perda de Magalhães a sapato alto

No capítulo de hoje do livro "A derrota não anunciada", trazendo bastidores da eleição para prefeito do Recife em 2000, que este blog vem reproduzindo nos últimos dias, o ex-ministro Gustavo Krause, conselheiro de Roberto Magalhães, derrotado por João Paulo, reconhece que houve sapato alto na campanha.

Responsável pelo texto final do programa de governo de Magalhães, era Krause quem o orientava no discurso de confronto com os adversários. Atuou nos bastidores e nesta entrevista dá o tom da sua visão sobre a derrota. 

"Acho que houve, no conjunto das forças, uma certa negligência em função do favoritismo. Foi isso que provocou o segundo turno. Esse conjunto revelou uma atitude, um comportamento. Entramos todos de sapato alto", atesta. Abaixo o capítulo com a versão krausiana.

"Subestimamos nossos adversários"

Capítulo 18

O ex-ministro Gustavo Krause talvez tenha sido, durante a campanha, um dos poucos assessores que Roberto Magalhães, nas horas de agruras, ouviu, atentamente, sem subestimar a sua opinião. Humanista, identificado com o Recife, cidade que governou e pela qual revela uma paixão alucinante, Krause um macielista de carteirinha, mas entrou na vida pública pelas mãos de Moura Cavalcanti, governador biônico.

Krause avalia cenários, estratégia de campanha, discurso do candidato, direcionamento do guia eleitoral e, nos dias que antecediam um debate na televisão, sentava com Roberto Magalhães, para definir as perguntas que seriam feitas ao adversário e preparar as respostas para um eventual "casca de banana" jogada pro João Paulo.

O ex-ministro deu, ainda, o texto final do programa de governo. Quando queria algo refinado, inteligente, era a Krause que Magalhães recorria. O ex-ministro é uma das melhores cabeças do PFL nacional. Escreve com elegância e brilho. É muito intelectual, poeta os melhores, boêmio por natureza.

Para ele, Roberto Magalhães foi vítima de um fenômeno novo: a "pesquisocracia", termo criado pelo próprio Krause, para justificar o atropelo provocado pelo excesso de confiança em pesquisas que, ao final da campanha, não se confirmaram. Isso, no seu entender, fez com que todos, sem exceção, usassem sapato alto.

Krause é sócio de carteirinha do spa Espaço Verde, em Aldeia, onde costuma se refugiar pelo menos duas vezes ao ano. E foi lá que colhi o seu depoimento, durante o intervalo de uma leitura e outra de uma pilha de livros que leva na bagagem para devorar, enquanto perde uns quilinhos.

Qual o papel que o senhor desempenhou na campanha de Roberto Magalhães?

No primeiro turno, uma participação muito discreta. No segundo turno, houve uma mobilização maior e eu fui convocado para participar do núcleo estratégico da campanha. Também tive uma participação, principalmente na discussão dos temas urbanos, na proposta de governo. E, de um modo geral, naqueles momentos que antecediam os debates, até porque os debates são momentos de avaliação da performance do candidato, que exigem uma participação maior. Aí, tive uma participação mais ativa.

O senhor foi uma espécie de conselheiro?

Não. Acho que conselheiro é um exagero. Eu diria que fiz parte de uma assessoria, uma assessoria multidisciplinar, que tinha outras pessoas, especialistas em comunicação, que conheciam os problemas do Recife. Acho que, com a experiência de ter sido prefeito, vereador e lidado com as questões urbanas, pude dar uma contribuição mais efetiva na construção das ideias e do programa de governo.

Como o senhor avalia a derrota?

Todos os resultados eleitorais decorrem, seja na vitória ou na derrota, de uma multiplicidade de causas. Eu acho que hoje, no meu entender, subestimamos um pouco a leitura eleitoral. Todos os dados davam uma vitória no primeiro turno. Os próprios adversários, e o próprio PT, lançaram candidatos mais para marcar posição do que para ganhar uma eleição. Acho que essa é uma lição que a gente deve extrair do favoritismo. Esse favoritismo decorre um fenômeno que chamo de 'pesquisocracia'. As pesquisas deixam de ser um instrumento de trabalho e passam a ter um fim em si próprio. Passam a definir candidaturas, quando, na verdade, todo mundo já sabe que elas medem uma situação contingencial, detectam tendências ocasionais, episódicas. Mas, elas geram, não pode se negar isso, um certo favoritismo artificial e um derrotismo também artificial. Acho que houve, no conjunto das forças, uma certa negligência em função do favoritismo. Foi isso que provocou o segundo turno. Esse conjunto revelou uma atitude, um comportamento. A linguagem popular traduz desse jeito favoritismo: entraram todos, não foi só o candidato não, de sapato alto. E aí, quando se subestima, é fatal. Não existe eleição previamente ganha. Não existe posse na véspera, não existe vitória na véspera. Isso é um dos efeitos que eu chamo de a ditadura da pesquisocracia.

Mas, o senhor não acha que os erros cometidos pelo candidato contribuíram muito mais?

O próprio candidato teve a grandeza de reconhecer isso. Agora de fato, realisticamente, o candidato é, foi e continua sendo um homem muito maior do que fatos ocasionais. Quer dizer, o currículo de Roberto Magalhães, a sua história marcante, o seu preparo intelectual faz de Roberto um candidato forte em qualquer circunstância. Então, evidentemente que os erros ocasionais contribuíram para uma onda que também favoreceu o João Paulo. É preciso não subestimar na análise, olhando agora pelo retrovisor, as forças contra as quais nós lutávamos e que já tinham uma inserção nacional muito forte. Acho que nós não devemos superestimar os erros, ou os deslizes do candidato. O candidato tem uma biografia que o faz forte em qualquer circunstância. Evidentemente que os erros atiçam a emoção das campanhas e favorecem os elementos positivos, os pontos fortes do aniversário. Foi isso que aconteceu. Foi a soma disso tudo que deu numa derrota eleitoral, numa derrota pública.

O senhor estava naquela carreata em Boa Viagem onde o candidato foi provocado e acabou respondendo aos insultos com uma "banana"?

Não.

Quando se ouviu pelo jornal, teve o sentimento de que ali começou a derrota?

Não. Eu tive um sentimento de que era um fato negativo, um fato a ser explorado. Mas um fato que foi, a meu ver, corrigido a tempo, quando o candidato pediu desculpa pública. É um fato humano, que qualquer um de nós está sujeito. Que a palavra dita, a palavra equivocada pode ser dita, que o gesto equivocado pode ser feito. Costumo dizer que a maior de todas as provas de resistência física, intelectual, emocional a que um homem pode se submeter é uma eleição majoritária. É por isso que nós, políticos, temos uma pele de paquiderme. Temos que ter serenidade, tanto para dizer coisa com coisa, como para responder adequadamente as perguntas e daí tirar por menos as provocações. Enfim, o candidato para manter a serenidade emocional, para atingir o máximo da sua serenidade emocional, ele tem que agradecer até a vaia. Se derem uma vaia em você, você diz 'obrigado'. Recebe como elogio. Claro, foi um fato negativo, que seria explorado, e foi explorado.

Roberto Magalhães diz que perdeu a eleição com a greve da polícia militar. Como o senhor avalia?

A greve da polícia também foi um componente e ele tem toda razão. Foi um fator que impulsionou. Quando se vai para os números, talvez haja uma avaliação melhor. Se um daqueles elementos que constituíram painel de fatores que levaram à derrota não existissem, uma diferença de cinco mil votos não aconteceria. Então, a greve da polícia adicionou o caldo da emoção eleitoral o tempero decisivo. Foi um elemento. Eu continuo dizendo seguinte buscar uma causa única determinante é um equívoco de avaliação, é um equívoco de análise. Essa foi uma das parcelas na soma dos fatores.

O senhor não acha que, nos debates na própria campanha, Roberto Magalhães deixava transparecer um pouco de arrogância?

Roberto teve uma administração aprovada, correta, financeiramente equilibrada, que os próprios adversários reconheciam. Os nossos adversários jamais puderam falar de uma herança maldita. Isso ele não pode falar em relação ao governo municipal. Então, o prefeito, ele não só tinha um preparo muito grande, como conhecia de longe, melhor, os problemas da cidade, do que o atual prefeito, João Paulo. Tanto que, o primeiro debate, na TV Universitária, o candidato do PT levou uma grande desvantagem, sem que Roberto demonstrasse nenhum tipo de soberba intelectual. Tanto que os outros debates forçaram o João Paulo a se assessorar melhor. E aí, o que é que aconteceu? João Paulo melhorou um pouco o nível de conhecimento dos problemas urbanos e passou a usar um conjunto de jargões. Ele usava alguns tiradas, assim, que acabam com o candidato. Ele dizia: o senhor está nervoso. Ele teve a competência de exacerbar, perante a opinião pública que assistia aos debates, com um certo conteúdo emocional também, e que avaliava menos o conhecimento dos problemas do que a ânsia transmitida pelos candidatos. Os jargões foram brevemente preparados e aquilo foi criando uma certa impressão, gerando um conceito. Com Cristovam Buarque e Joaquim Roriz, em Brasília, sim. Ali, Cristovam deu uma demonstração de soberba intelectual de maneira muito mais deliberada. E Roriz se vitimizou. Essa vitimização contribuiu para a derrota eleitoral de um candidato, que do ponto de vista tradicional, estaria mais preparado para o cargo.

João Paulo se vitimizou naquela situação?

Também, mas se vitimizou usando bordões, que colaram. Então, na medida em que Roberto manifestava o maior conhecimento do problema, aquilo não era tido como um melhor preparo para o desempenho, mas como atitude de soberba. É muito importante se avaliar essas questões a partir da percepção do eleitor. Então, a atitude de manifestar maior preparo, maior conhecimento, foi devidamente conduzida para que isso fosse visto como arrogância. E as pesquisas qualitativas demonstravam isso. Veja a emoção eleitoral o que produz: As pesquisas qualitativas, as mesmas que foram feitas logo depois do primeiro turno, davam tudo aquilo que era qualidade - por exemplo, a franqueza de Roberto, que o eleitor gosta - mais, naquele momento, tudo era visto como rudeza. O preparo, que é normalmente visto com um fator positivo de alguém que concorre na disputa de um cargo, era visto como soberba intelectual. Numa eleição, às vezes, o palco das percepções vira surrealista. Quem é moderno, fica antigo; quem é antigo, fica moderno, na percepção do eleitor. Quem é rural, fica urbano; quem é velho, fica jovem; quem atrasado, fica progressista. A emoção eleitoral pode gerar o que eu chamo de um grande palco surrealista. Esse palco surrealista existiu no segundo turno e aí, talvez, com certeza, nós não fomos suficientemente capazes de transformar uma percepção surrealista numa percepção realista.

Esse quadro surrealista não seria traduzido como o voto de protesto?

É, quando esse palco surrealista é percebido pelo eleitor, aí você tem vários votos que ultrapassam a capacidade do racional e entram no irracional. Você vota com raiva, você vota contra. Aliás, os franceses, que têm uma grande experiência sobre eleições em dois turnos, chamam esse sistema de 'ballotage'. Na Argentina, de 'vuelta'. Os franceses diziam que, 'no primeiro turno o eleitor vota a favor, no segundo turno tende a votar contra'. Então, é possível que você tenha, no conteúdo do voto, o protesto, o votar contra, o voto de repúdio, o voto com raiva, com ira. É provável que isso tem acontecido.

O senhor identifica nesse cenário também uma certa influência da chamada onda vermelha?

Houve um fenômeno, que a gente não pode classificar como onda vermelha, que também é uma classificação muito simplória. A gente pode perceber que o mito PT, o grande mito petista, aquele partido que se diz portador da verdade, dos valores éticos, do bem, e que tem um certo, ou, pelo menos, tinha, uma certa visão fundamentalista da política, certamente influiu. Tanto isso é verdade que, dois anos depois, o seu líder maior chegou à presidência da República. Isso não vai acontecer agora. Eu estou dizendo agora a você, porque nada melhor do que as lições que se extraem, que o eleitor extrai de um processo de amadurecimento e de clarividência, para se caracterizar a chamada rotatividade no poder. Essa rotatividade faz com que o eleitor amadureça. E essa rotatividade no poder está mostrando que a realidade é diferente daquele mero exercício da oposição que o PT exercia e que era percebido pelo eleitor como portador da boa nova, como o portador desse mundo ideal. A real "politique" está ensinando que não é bem assim. E que o eleitor está percebendo que não é bem assim. Então, o que leva isso? A que você ao votar, ao se posicionar diante de uma eleição, deixa de lado as categorias abstratas, as abstrações, as mensagens retoricamente bonitas e passa a pegar no candidato. O candidato passa a ser de carne e osso, com grandezas e misérias, feito de barro, que é o barro humano, que tem virtudes e que tem defeitos. Essa é a primeira eleição na história do Brasil onde uma esquerda messiânica, mais messiânica do que orgânica, vai se submeter ao escrutínio popular.

Em algum momento, Roberto Magalhães chegou a confessar que não queria ser candidato à reeleição?

Não tenho conhecimento desse registro.

Que reflexo teve a mudança do vice na chapa dele na derrota?

A minha opinião é de que houve reflexo negativo, não por nenhum demérito ao senador Sérgio Guerra, nenhum demérito. Estou avaliando sobre essa ótica: acho que a dobradinha Roberto / Raul era, no meu entender, sinérgica. Eram os diferentes no temperamento, na idade, na inserção política e na representatividade. E por que mexer nisso? Eu quero dizer que eu também não estou olhando pelo retrovisor. Manifestei isso em conversas reservadas, manifestei, tenho testemunhos quanto a isso. Não gosto muito de fazer avaliações pelo retrovisor. Essas avaliações de que, fulano ou beltrano evitaria no segundo turno, não me sensibilizam. É isso que eu chamo a pesquisocracia. No meu entender, isso teve uma influência. Não por demérito de quem quer que assumisse, mas por que mexer naquilo?

O que eles alegam é que havia uma pedra no meio do caminho chamada PSDB, que teria que tirar mais um candidato, no caso Braga, para fortalecer a aliança. E o PSDB queria a vice...

É. Aí vem a pergunta que Garrincha fez quando o técnico montou todo o esquema tático: combinaram com o povo? Combinaram com os russos? Isso não existe. Isso é elucubração. É aritmética. O que faz parte do jogo político não é só uma racionalidade cartesiana. Isso, para mim, é uma realidade cartesiana. Qual é o problema de se ir para o segundo turno? Por que as eleições têm que terminar necessariamente no primeiro turno? Você tem que ganhar a eleição. Então, se desfez no meu entender uma chapa que deu certo e que estava dando certo do ponto de vista da gestão. Na minha opinião, e eu digo com toda convicção: por que mexer nesse negócio?

Tem outro fato. No depoimento de Roberto Magalhães, ele conta que Raul Henry manifestou interesse em morar no exterior, que não queria ser mais vice...

Veja bem: Eu não conheço o teor das conversas. Estou como espectador. Acompanhei todo esse processo pelos jornais, pelas conversas. Nisso, você tem duas interpretações. Pode ser um obstáculo irremovível. Não, eu não quero mais vida pública. Poderia ser entendido assim. Mas poderia ser entendido de outra maneira. Veja aí como as palavras podem trair. Podia ser entendido assim: se naquele momento se falava que era necessário superar o obstáculo, aí levaria certamente, pelas contas, para o segundo turno. Aquilo poderia ser lido da seguinte maneira: Eu não sou um obstáculo a uma composição. O que faz parte do temperamento de Raul Henry. Podia ter sido decodificado da seguinte maneira: se for pra ganhar, e não vou criar problema. Isso é uma das interpretações. Até porque você não pode tomar palavras. Quantas vezes você já ouviu: eu não participo mais da política, de uma eleição. Talvez um dos poucos que você tem ouvido falar fui eu, que participei de uma eleição recentemente. Mas quantas vezes? Eu gostaria muito de estudar, de passar um tempo na Europa. Isso é palavra de rei que não volta atrás? Ou não? Então, a decodificação dessa conversa - da qual eu não conheço o teor - eu estou aqui fazendo uma especulação - poderia ter sido feita dessa maneira. Não, eu não sou um obstáculo.

Pelo que você conhece de Raul, ele estava querendo dizer isso?

Bom, aí me falta o dom de penetrar nas intenções alheias. O meu sentimento é dizer, 'negativo, velho', vamos juntos. Negativo. Eu acho que essa questão para mim não está muito clara.

Com relação especificamente ao vice Sérgio Guerra: era um candidato que não tinha muita identificação com o Recife?

Roberto trocou um cara que tinha muita identificação com o Recife por uma pessoa que não tinha. Eu acho que Sérgio Guerra não tinha nenhuma identificação com a cidade. Mais uma vez não se deve atribuir a isso a questão do insucesso eleitoral. O que eu quero dizer é o seguinte: Roberto e Raul representavam uma complementaridade. Em tudo. Então, por que mexer. Ah, Raul não quis. Não sei. Eu não estou totalmente convencido disso.

Com relação ao personagem do Mané da China, que influência ele teve no conjunto da campanha?

Acho que o Mané da China era uma casca de banana. Se você está numa luta de boxe, tem duas estratégias: ou parte para nocautear ou para minar as forças. Minar as forças é dar um soco no fígado. Então, aquilo era uma estratégia chinesa, suplício de Tântalo vai, vem, enche o saco. Por quê? As pessoas são diferentes, as pessoas têm um determinado temperamento. Tem pessoa que tirar por menos. Não liga para Mané China. Aquilo foi uma tática usada no sentido de provocar uma certa reação emocional.

Roberto era considerado pavio curto e eles achavam que o irritavam aí. Não é isso?

Definiram o personagem com esse objetivo, mas o Mané da China não ganhou a eleição.

Mas como você interpreta o fato de o Mané ter caído no gosto popular e não ter somado nada para o candidato Carlos Wilson?

Porque o Mané da China não é cabo eleitoral expressivo. É o recurso da ironia, é o recurso do deboche. O recurso de um tipo de humor que pode gerar certos efeitos do ponto de vista emocional. Só isso. Mas, não transfere voto, não ganha eleição.

Chegou alguém para dizer: "Dr. Roberto, mude o seu comportamento na televisão. Está aparecendo muito arrogante"?

Veja bem, primeiro Roberto, pelo preparo que tem, não tem uma carência de conselheiros e de assessores. Ele tem ideias próprias, sabe equacionar os problemas. Só que a orientação da campanha era no sentido de que a gente tratasse com muito zelo e com muito trato todas as armadilhas e todas as cascas de banana que podiam surgir. Todo processo de preparação e de conversa antes era muito rico, muito discutido e assimilado. Isso vale para a a assessoria tradicional e a assessoria ocasional. Nada que mude o jeito, que desfigure a personalidade do candidato. Mas, era necessário que alguns consensos em relação a alguns assuntos fossem tomados. E eram formados. O que eu quero dizer é que o que valeu ali é que o candidato assumia. O que valeu ali foi menos o comportamento do candidato e mais a percepção do eleitor. Houve um conjunto de fatos que foi solidificando a percepção do eleitor. E também não adiantava colocar um doutor Roberto carneirinho. Aí, era um pecado mortal, porque ele tem um estilo próprio. Ele não se faz no estilo, às vezes, do político clássico - que usa as palavras para responder o seu pensamento. Isto, de um modo geral, é visto como uma qualidade. Na eleição, por conta de um conjunto de episódios, ele foi visto maneira diferente.

Quando mudou do primeiro para o segundo turno, ele já saiu com uma desvantagem 17 pontos nas pesquisas. Que conselho o senhor deu a ele?

O que as pessoas esquecem é que ele partiu de 17 pontos e chegou empatado, no final. O problema não foi o comportamento de doutor Roberto nos debates. Pelo contrário, o comportamento dele mostrou que estava muito mais preparado, que conhecia muito melhor os problemas. Mostrou que a gestão dele foi eficiente. A questão é que a percepção do eleitor já estava quase solidificada. O ponto de partida do segundo turno era de uma desvantagem enorme -17 pontos de diferença. E as pesquisas qualitativas já estavam dizendo. E foi no olho mecânico que a gente solucionou. Então, eu diria que o processo de debate reverteu toda uma desvantagem que foi o ponto de partida do segundo turno, onde eu quero registrar o mérito da participação nos debates, a demonstração de que tinha conhecimento dos problemas. A percepção do eleitor foi muito mais trabalhada pelo bordão, pela atitude ostensiva, politicamente adequada que o João Paulo usou, quando dizia: 'Dr. Roberto, o senhor está nervoso. Dr. Roberto tenha calma'. Não importava a qualidade das respostas naquele momento. No fundo, o eleitor avaliava que o 'homem estava nervoso', tinha um problema emocional. Assim as coisas foram conduzidas. O mérito vai pra quem coordenou essa estratégia.

O governador chegou a fazer um gesto simbólico, quando tirou a gravata para mergulhar na campanha. Ele também saiu derrotado?

A derrota atingiu todo mundo. Cada um perdeu um pouco, ou cada um perdeu muito. Perdeu todo mundo. Perdeu o candidato, o que foi derrotado, perdeu o governador, perdeu o PFL, perdeu o Marco Maciel.

Quem perdeu mais?

É importante ver que a atitude do governador Jarbas Vasconcelos em nada me surpreendeu. Ele fez isso comigo em 94, ele fez isso a vida inteira com as coisas que ele defendia. E é por isso que tem um conjunto de fortes lealdades em torno dele. Porque, ele foi para a luta, dizendo assim: se Roberto perder, eu perco também. E perdeu. Eu acho que as três grandes lideranças derrotadas foram Marco Maciel, vice-presidente da República, o governador e o próprio candidato. Curiosamente, esses três candidatos, um é, brilhantemente, eleito como deputado federal, o outro reeleito Senador e o outro reeleito governador.

Jarbas e Sérgio Guerra admitem uma espécie de intenção, não projeto, do PSDB assumir a prefeitura, com a vitória de Magalhães, este ser o candidato a governador e Jarbas sairia para o Senado. Como o senhor avalia? Da pra fazer política em longo prazo?

Tratar desses projetos, para mim, não tem grande importância, porque a política tem um grande componente de aleatoriedade e de destino, de imprevisibilidade. Então, essas arrumações são extremamente bobas, completamente tolas. Isso faz parte da ficção política. Não é assim, cada dia tem a sua agonia. Vamos ganhar a eleição. Eis aí o que eu venho falando, o que eu disse no começo. Não acredito nisso, porque as pessoas envolvidas são pessoas que merecem meu respeito, não só pela inteligência e competência, mas porque não fazem esse tipo de arranjo. Esse é um arranjo que desrespeita o eleitor e a inteligência mínima das pessoas. É como se fosse possível traçar os rumos do futuro. Se existia isso, para mim, é algo incompatível com a inteligência e a percepção política das pessoas que estão envolvidas.

E em política, como diz Marco Maciel, 30 dias são eternidade. Não se faz política pensando em longo prazo, não é isso?

Longo prazo é a soma do curto prazo. Eu sempre digo: O futuro de um político é a soma algébrica de cada dia'. Um dia positivo, outro dia negativo. Se as pessoas conseguem ser construtivas, leais, parceiras, solidárias, atenciosas, atendem à demanda dos eleitores, tem projeto político. Há uma diferença fundamental entre os políticos que têm projeto político e os políticos que têm projeto eleitoral. Quem tem projeto político, geralmente fica quietinho no seu canto, tendo as benesses da vitória e o ônus da derrota. São pessoas que cultivam esses laços de solidariedade, esses laços de lealdade que inspiram confiança e cultivam as virtudes da grande liderança. Quem tem projeto eleitoral é diferente. Pode até ter um êxito aqui, um êxito acolá, mas não chega, bate no teto. Não chega a outra passar um certo plano de voo.

O senhor acha que houve uma "mea-culpa" do eleitor ao fazer Roberto deputado mais votado do Recife, dois anos depois?

De forma alguma. Primeiro, ele tem densidade eleitoral, independente de derrotas, independente do voto. Agora, o eleitor muitas vezes se arrepende, entendeu? E aí ele dá voto remorso. Mas dizer que os votos de Roberto Magalhães decorreram do voto remorso, não. Ele sempre teve uma enorme densidade eleitoral. Tanto que continuo sendo eleito expressivo, significativo, respeitado no Recife.

O senhor acha que o Recife se arrependeu de ter votado em João Paulo?

Isso a gente vai ver agora, nessa eleição. Os sinais não são bons para o prefeito. Não são bons os sinais, hoje. Mas aí a gente vai ver em outubro.

O que o senhor acha da administração do PT?

Acho que a administração João Paulo não tem visão estratégica do que é, hoje, o desenvolvimento urbano, dos significados da cidade, dos espaços. Existem três grandes espaços de gestão urbana: a cidade urbana, a cidade metrópole e a cidade global. No meu entender, é uma administração que não tem uma visão estratégica do desenvolvimento urbano e não presta atenção a esses três espaços, dessas três divisões e dessas inter-relações que exigem hoje do gestor urbano. Então, o meu sentimento é de que, a despeito de todo esforço, da participação do governo PT, ele terá uma eleição difícil.

Talvez isso não esteja na origem da própria campanha, já que o próprio prefeito fez uma proposta de governo sem esperança de vitória?

Havia uma visível, uma explícita confissão, de que ele não tinha proposta de governo. Aliás, isso não é um mal do PT municipal não, isso é o mal do PT nacional. O PT nacional, por exemplo, e eu escrevi um artigo sobre isso, tem um competente projeto de poder, de continuação no poder. Agora, em matéria de operar, de fazer as coisas acontecerem, de fazer a máquina andar, é público e notório que esse problema não acontece só na prefeitura do Recife, não. Acontece no plano nacional.

Quer dizer que não é falha do prefeito, nem que a equipe dele é falha?

A tradução é essa. Eu não gosto de dizer se é fraco ou se é forte, se é preparado ou se não é. Examino pelos efeitos, pelos resultados. O prefeito não tem visão estratégica da gestão urbana e a equipe opera com deficiência a máquina gerencial. Porque o cara pode até ser muito preparado, se é um grande professor, mas um péssimo gestor.

Engraçado, porque a história do Recife nunca viu um prefeito com tanta baixa popularidade....

Era de se esperar que o terceiro ano, que é o ano da colheita, mais do que o quarto ano, que também é um ano de colheita, ele estivesse mal. Mas isso também não significa que ele não seja competitivo. Mais uma vez, atenção, analistas de dados de pesquisas: isso não significa que o PT esteja fora da disputa. Nós estamos tratando de um candidato forte. O prefeito é fraco, administrativamente, mas é um candidato forte, competitivo, politicamente.

O senhor já foi prefeito. Recife é uma cidade difícil de administrar?

É difícil. Muito difícil. Vou explicar. O espaço urbano, que contém o fenômeno urbano brasileiro, tem proporções gigantescas. Traz, no seu bojo, todos os efeitos dramáticos de uma distorção em matéria da relação campo-cidade, do crescimento urbano. Então, administrar uma cidade muitas vezes 'e correr atrás de efeitos que as causas estão fora do alcance. Então, é muito difícil qualquer gestão urbana numa capital brasileira. O que é que acontece com a gestão na prefeitura? O que acontece é que alguns serviços que são prestados a gestão urbana tem uma visibilidade diferenciada dos outros espaços de poder. O espaço de poder estadual, este é mais desgastante, porque estão atrelados a ele na percepção da população serviços como segurança, educação e saúde. Estou dando o exemplo de três que estão muito desgastantes. No caso da prefeitura, você tem hoje o desemprego, que está mais atrelado a responsabilidade do governo estadual e mais ainda do governo federal do que ao prefeito. A gestões urbanas têm mais visibilidade e alguns serviços que dizem respeito ao seu cotidiano. A população é mais indulgente, mais generosa com os prefeitos do que com os administradores dos outros espaços, como é o caso do administrador do governo estadual.

Recife é uma cidade cruel?

Olhe, essa adjetivação de Agamenon tem um certo sentido histórico. Ele traduzia uma bela vocação do Recife, que é a vocação irredenta, não é oposicionista apenas, é irredenta; não é de esquerda, não é de direita, é vocação irredenta. Essa coisa da noiva das revoluções, de uma cidade e um estado onde foram gestados os movimentos Libertários, onde você teve o maior abolicionista, onde você teve os maiores sindicalistas, onde você inaugurou no Brasil os movimentos sociais de bairro, as comunidades de base, onde você teve um duelo ideológico de uma esquerda orgânica; onde, mais atrás, você teve revoluções liberais. Figuras como Frei Caneca, figuras de 1817. Esse povo todo dá ao Recife uma feição irredenta. A percepção ali, menos do que visão histórica era uma percepção pessoal. Recife não respondia a quem estava no poder eleitoralmente como ele queria, então ele criou a frase. Recife é uma cidade cruel? Para ele, naquele momento, para aqueles que estavam no poder naquele momento. Pergunte a Jarbas se Recife é uma cidade cruel. Pergunte a Joaquim. Pergunte a Roberto. Roberto também não acha isso. Então eu acho que ali existe uma forte decepção por conta de situação contingencial, meramente contingencial. Recife, cidade rebelde e irredenta, por todas as razões históricas não respondia a Agamenon - que era um estadista, mas que tinha um espírito fortemente autoritário. Homem público da melhor qualidade, mas ele não deixou passar em branco essa resposta. Se Recife não lhe deu uma resposta eleitoral, Agamenon lhe deu essa resposta cunhando essa frase.

Qual a sua percepção em relação ao eleitor?

Além da percepção que habilmente o prefeito provocou no contexto entre o candidato João Paulo e o prefeito Roberto Magalhães, outros fatores serviram para aprofundar essa percepção. Foi a ideologização da campanha, colocando de um lado os conservadores, ou os representantes de uma direita conservadora, do outro uma esquerda progressista. De um lado candidato dos ricos, do outro lado do candidato dos pobres, que vinha como veio, de uma origem humilde, uma profunda identidade com os mais pobres. Então, esse foi um fator que contribuiu para a derrota eleitoral, que foi o grande cabo eleitoral. Ainda por cima da derrota eleitoral, uma derrota política, que foi a de grudar, colar na imagem do conjunto de forças que apoiou Roberto Magalhães bandeiras retrógradas, no fundo, Recife reviveu a polarização dois anos 60,70, 80, e foi a polarização ideológica esquerda-direita, conservador-progressista.

O pleito de 2000 entrou para a história de Recife?

 As eleições, de modo geral, todas elas, têm um certo conteúdo inovador e uma certa contribuição para história. Agora, claro, que nessa eleição e não adianta tapar o sol com a peneira, nem querer mascarar nada, mas, no fundo, o candidato de origem operária, humilde, chegou ao poder e o seu conjunto de forças derrotou a mais forte aliança que Pernambuco já fez do ponto de vista político e eleitoral. Então, essa eleição tem esse forte conteúdo e a marca na sua história política. Uma aliança que vinha de 96 e 98. Então, não há dúvida nenhuma. Esse registro tem que ser feito por uma questão de amor à história. Independente de qualquer posição em que o analista se encontre.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


14/04


2021

Covid-19 vitima publicitário Einhart Jácome

Conhecido pela atuação em diversas campanhas eleitorais, o publicitário Einhart Jácome morreu, hoje, em decorrência da Covid-19. A causa da morte foi confirmada pela própria família.

Jácome foi o marqueteiro responsável pela campanha eleitoral vitoriosa de Jasso Jereissati ao Governo do Ceará em 1986. Ele também integrou campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e de Ciro Gomes, seu cunhado, nas campanhas da Prefeitura de Fortaleza, governador do Ceará e para presidente, em 2002.

No ano passado, Einhart Jácome tocou a campanha de Vitor Valim à Prefeitura de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O publicitário deixa três filhos: Clara, de seu primeiro casamento, e os gêmeos Marina e Vicente, frutos do casamento com Lia Ferreira Gomes, irmã de Cid, Ivo e Ciro Gomes.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha