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Petrolina abril 2021

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13/04


2021

Magalhães começou a perder com invasão ao JC

Um dos principais personagens da histórica eleição de 2000 no Recife, temática do meu livro A derrota não anunciada, que vem sendo reproduzido neste blog nos últimos dias, o professor, publicitário, cientista político, marqueteiro e aplicado pesquisador Antônio Lavareda, abre o coração nesta entrevista exclusiva ao livro. Depois dos candidatos, que travaram uma batalha até no campo pessoal, ninguém foi mais atacado do que Lavareda, já na época uma figura de projeção nacional como hoje.

Neste longo depoimento, o professor se defende dos bombardeios, especialmente do então candidato Carlos Wilson, que moveu ação na justiça contra ele, conta em detalhes os bastidores do marketing de Roberto Magalhães e chega à concluir que o então prefeito do Recife começou a perder a reeleição quando entrou armado na redação do JC para ameaçar o jornalista Orismar Rodrigues. Ao saber do episódio, em outra missão profissional em Brasília naquele dia, Lavareda disse ao jornalista Fernando Veloso, do guia eleitoral de Magalhães: "Perdemos a eleição". Confira a reveladora entrevista abaixo:

“Invasão ao JC derrotou Magalhães”

Capítulo 17

Guru do marketing político do governador Jarbas Vasconcelos, o cientista político e publicitário Antônio Lavareda foi o cérebro da campanha de Roberto Magalhães. A ele coube definir e executar toda a estratégia de comunicação, desde a elaboração do guia eleitoral até a contrapropaganda, que na eleição de 2000 foi muito forte. Foi de Lavareda a ideia de ideologizar o discurso do segundo turno, num tudo ou nada contra João Paulo, na tentativa de tirar 17 pontos de vantagem do petista.

Articulado nacionalmente, tendo sido responsável pelas avaliações das pesquisas ao longo dos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso – 94/98 e 98/2002 – Lavareda cuidou em 2000 de campanhas em outras seis capitais das mais diferentes regiões. Mas o campo da batalha do general foi o Recife, em que a reeleição de Magalhães era considerada fundamental e indispensável para o projeto de 20 anos no poder da aliança liderada pelo governador Jarbas Vasconcelos.

E Lavareda não se desgrudou do Recife, porque sabia que havia um candidato de personalidade explosiva, que poderia mudar o curso da campanha a qualquer momento. E isso muito mais pelos sinais que já havia dado, como a invasão à redação do Jornal do Commercio em 1999.

Quando soube desse fato, através de um telefonema do jornalista Fernando Veloso, Lavareda estava em Brasília. Neste depoimento, ele recorda, textualmente, a frase que pronunciou diante da notícia: “A vaca foi para o brejo. Temos que arranjar outro candidato”. Pela experiência de condução de campanhas que entraram para a história, Lavareda concluiu que o gesto havia detonado o candidato e corroborado para encobrir todas as suas qualidades, que são muitas.

Mas, para a sorte da aliança e, principalmente, de Magalhães, a Imprensa pernambucana deu menos destaque ao assunto do que a nacional, o que, hipoteticamente, não afetou demasiadamente a imagem do candidato, que um ano depois, deu a largada na campanha com uma invejável performance nas pesquisas, com chances reais de ganhar a eleição no primeiro turno.

Para Lavareda, a “banana” que o candidato deu aos militantes do PT, em Boa Viagem, não teria sito tão desastrosa se não tivesse um antecedente de violência – a invasão do JC. Que, para o cientista, foi o divisor de águas. “De todos os erros, o mais cruel e decisivo para a derrota foi a invasão ao jornal”, conclui, adiantando que a eleição foi para o beleléu em consequência justamente dos erros acumulados pelo candidato, antes e ao longo da campanha.

Foi difícil conciliar a agenda de Lavareda com a minha para colher este depoimento, porque ele vive praticamente dentro de um avião. Nem em Brasília, minha principal base de atuação, isso foi possível. Coube à jornalista Sônia Lopes armar um café da manhã na casa dele, em Boa Viagem.

Ali, numa manhã de sol, no apagar das luzes de 2003, depois de um café à base de frutas, cereais, leite, pães e sucos, Lavareda falou a manhã praticamente inteira. Cheguei cismado, achando que ele não seria tão sincero e aberto, até pela sua condição profissional e pela função de confiança que assumiu na campanha. Mas, aos poucos, foi deixando fluir a conversa e fez revelações importantíssimas.

Contou, por exemplo, que na véspera do segundo turno, foi para a cama derrotado. Tinha em mãos uma pesquisa que dava a vitória de João Paulo por menos de um ponto, mesmo considerando a margem de erro. Como sabia que o cliente tinha um temperamento imprevisível, só deu a notícia ao governador Jarbas Vasconcelos, com quem já trabalha e tem uma relação de confiança inabalável há mais de 20 anos. As urnas confirmaram as previsões de Lavareda.

Ninguém melhor do que o senhor, que coordenou a campanha eleitoral de Magalhães e foi seu marqueteiro, para avaliar a derrota. Qual sua avaliação?

A derrota de doutor Roberto é algo surpreendente, muito mais pelo momento em que ocorreu. Há uma série de fatores que ajudam a entender porque ela ocorreu nas suas circunstâncias. Primeiro fato importante para considerar é o seguinte: administrativamente, o doutor Roberto estava bem, antes da campanha, durante a campanha e até o seu final. As avaliações da administração dele nunca foram inferiores a 40% de ótimo e bom durante toda a campanha. Obviamente, um ano atrás, a essa altura, por exemplo, a avaliação dele não era tão boa. Nós começamos a trabalhar para ele em agosto de 1999. Naquele momento ele tinha 32% de ótimo e bom.

Qual era a posição dele no ranking dos prefeitos avaliados pelo Datafolha?

Era o quarto ou quinto lugar. Durante o ano de 2000, ele foi administrativamente bem avaliado. Ocorre que doutor Roberto tem um problema nítido de avaliação, do ponto de vista da imagem pessoal. E esse capítulo, ou seja, a questão da avaliação de imagem pessoal, ajuda a manter as razões da sua derrota.

O senhor não acha que houve uma certa acomodação pelo fato dele liderar com folga todas as pesquisas?

Eu não diria, porque isso foi motivo de advertência por parte de todos nós ao longo da campanha. Nós lembrávamos, o tempo todo, ao conjunto da campanha, a margem estreita que tinha assimilado a vitória no primeiro turno, em 1996. Foi uma campanha também em que coordenamos a comunicação. Eu lembrava isso o tempo todo e insistia no fato de que a gente tinha que ter uma margem de 10%, superior ou igual, sobre todos os outros candidatos, para termos tranquilidade com relação à vitória no primeiro turno. Nós chegamos a obter isso. A oito dias da eleição do primeiro turno, tínhamos mais ou menos essa margem. Alguns institutos deram até 12% de dianteira sobre o somatório dos demais candidatos. Mas os fatos levaram ao segundo turno e, no segundo turno, começamos, já na primeira pesquisa, feita no primeiro dia útil da semana subsequente ao pleito, com uma diferença de 17 pontos.

Quando falo em acomodação, no “já ganhou”, quero me referir ao fato de muita gente não ter acreditado em segundo turno e relaxado. Os candidatos a vereador, por exemplo, fizeram uma campanha independente, sem se esforçar muito no pedido do voto para doutor Roberto, não foi?

Isso aconteceu, também. E você tem razão num ponto: o número de votos que levou Roberto Magalhães ao segundo turno foi tão reduzido, que qualquer perda foi fundamental. Quase todos os fatores que se elencar têm seu peso, a sua importância. Podem ter ou podem assumir a condição de fator decisivo. Mas eu diria que os fatores mais importantes foram esses.

Quais foram, então:

Por exemplo, expectativa de vitória certa. Até porque isso ocorre com todos os candidatos que são apontados pelas pesquisas como prováveis vitoriosos. Seus aliados tendem a fazer um pouco de “corpo mole”. Isso ocorre com candidatos nessa situação, mas não acredito que isso seja fator principal, ou que integre o elenco dos principais fatores que expliquem o resultado do pleito.

A derrota é resultado de uma soma de erros. O senhor não acha, por exemplo, que o candidato começou a errar no momento em que não quis participar dos debates?

O primeiro grande erro da campanha ocorreu antes do seu início, um ano antes. Refiro-me ao episódio da invasão da redação do JC, a ida do doutor Roberto, armado, ao jornal. Esse foi o primeiro grande erro. Se você me perguntar: “Lavareda, voltando no tempo, se você dissesse um único erro que teria uma consequência negativa para todo o restante do processo, qual você destacaria?”, eu apontaria esse.

Mas, talvez nesse mesmo período, faltando um ano para iniciar a campanha, o senhor procurou ele e disse que não havia outro candidato mais competitivo dentro da aliança. Então, esse episódio não pesou assim?

Veja o seguinte: ele era o administrador da Cidade, estava conseguindo uma boa avaliação de sua administração. Politicamente, era irremovível e não havia nenhum sentido de se criar, de se inventar uma outra candidatura. Ele era, portanto, o candidato natural, o que não exclui dizer que o episódio do Jornal do Commercio não iria ter severas consequências para a campanha.

Como assim?

O problema do Jornal do Commercio é o seguinte: se fosse em outro Estado, provavelmente aquele fato teria gerado uma onda de reações, inviabilizando a candidatura do doutor Roberto, mesmo tendo ocorrido um ano antes da eleição. E ponto final. Mas, pelas peculiaridades de Pernambuco e de sua Imprensa, tudo isso só veio, de fato, à superfície, só veio a traduzir de forma problemática, durante a campanha eleitoral. Tanto que você deve lembrar que, durante a campanha eleitoral, quando os partidos de oposição colocaram o episódio na televisão, nós tivemos que preparar uma peça na qual o doutor Roberto praticamente se desculpava por aquele fato que tinha ocorrido lá atrás.

Vocês aferiam isso em pesquisas?

Tudo aquilo se baseava em pesquisas que apontavam a necessidade urgente e imperiosa de se fazer isso. Infelizmente, quando a uma semana da eleição, o candidato deu “bananas” aos petistas, ficou anulado o efeito das desculpas a respeito do ato de meses atrás. Mais do que isso, resgatou a ideia de um candidato com dificuldades de autocontrole e uma certa taxa de imprevisibilidade, o que a oposição, obviamente, aproveitou, para colar, mais uma vez, o selo da arrogância, do Roberto autoritário, etc., e tal.

Doutor Roberto ficou carimbado como um político truculento?

Esses dois episódios ajudaram a oposição na tarefa de fazer ressuscitar, do imaginário coletivo do Recife, por assim dizer, a ideia do Roberto Magalhães de 1982, um Roberto truculento da direita. Entendeu? Foram os dois fatos, duas ações dele que, infelizmente, forneceu munição para os adversários nessa direção. Tanto que, no segundo, a oposição conduziu a campanha nessa direção, explorando a personalidade de Roberto Magalhães. Não se discutia a administração do Recife, mas a personalidade do governante. O que estava em jogo não era a administração, os projetos, as propostas, nada disso. Inclusive, quando se perguntava, nas pesquisas, quais eram as propostas de João Paulo, e se João tinha condições de governar, as pessoas diziam que, provavelmente não. Mas boa parte do eleitorado recifense, digamos metade mais alguns poucos, resolveu manifestar a Roberto Magalhães, que não aceitava aquela forma de comportamento, não aceitava aquele estilo pessoal, aquele traço de personalidade que eles viam como autoritário, como não contemporâneo, ou seja, uma coisa antiga.

A humildade, no caso João Paulo, venceu a arrogância – Roberto Magalhães?

A humildade venceu a aparência de arrogância, porque o estilo Roberto Magalhães de ser, às vezes estourado, num determinado contexto, pode ser absolutamente simpático. As pessoas acham até engraçado. Eu mesmo, que o conheço de perto, acho engraçado, acho divertido, acho criativo quando ele faz aquelas coisas todas. Mas o episódio do Jornal do Commercio passou a emprestar um outro sinal para isso. O que era visto como uma coisa destemperada, embora sincera e inofensiva, passou a ser visto por muitos como algo agressivo, algo autoritário, algo arrogante.

E ainda tem gente que acha que ele é político blindado, que nada pega nele, mesmo fazendo tamanhas besteiras.

Veja um exemplo atual e interessante: 10 dias atrás, Howard Dean, que liderava as primárias pelo Partido Democrata, nos Estados Unidos, no momento decisivo, falando a uma plateia de estudantes, depois de ser informado que havia ficado entre segundo e terceiro colocado numa eleição primária, pegou seu casaco, atirou ao chão e deu um grito de raiva. Resultado: caiu nove pontos nas pesquisas, já no dia seguinte. A expressão ficou conhecida como “Os efeitos do grito primal”. Todas as manchetes dos jornais americanos e brasileiros mostraram isso.

No Recife, não se podia esperar nada diferente em relação ao doutor Roberto depois da invasão ao JC?

Você imagina essa questão do Jornal do Commercio, o fato dele estar armado? Muito grave. Foi votado o Estatuto do Desarmamento, recentemente, e 85% dos brasileiros se manifestam contra. Imagine o perigo! Entendeu? As pessoas têm resistência a esse tipo de coisa. Isso foi muito mais importante do que parecia, às vésperas. Até para nós, às vésperas da eleição.

Como o senhor avalia o tratamento da Imprensa ao episódio?

A imprensa noticiou de uma forma, digamos, discreta. Também, hoje, avaliamos que a gente administrou o episódio de forma constrangida. Mas esse assunto ficou fermentando nas redações. E quando tiveram oportunidade de abordá-lo foi, literalmente, explorado no andamento da campanha, sobretudo entre o primeiro e o segundo turno. Some-se o episódio do Jornal do Commercio ao das “bananas” e mais a recusa de ir aos debates. Essa soma levou o candidato à derrota.

Mas, quanto aos debates, o senhor advertia o candidato de que poderia perder pontos nas pesquisas?

A recusa não foi nossa, mas dele. As pesquisas mostravam isso. Eu tive a oportunidade de mostrar ao doutor Roberto Magalhães; “Olhe, o senhor vai perder quatro pontos se não for ao debate amanhã. Quatro pontos confessados pelos eleitores. Imagine aqueles outros que não dizem isso agora, mas depois, quando forem processados?” Mas, ele dizia que não tinha condições de debater com aquele nível dos candidatos, e se preocupava, especialmente, com Carlos Wilson. Carlos Wilson assumiu, naquela campanha, o papel de desestabilizar, pessoal e psicologicamente, o candidato Roberto Magalhães. Uma vez eu concluí isso para o conjunto da campanha: ele vai perder alguns votos, agora é melhor perder alguns votos não indo ao debate, do que perder todos os votos se for, e fizer uma besteira ao reagir às provocações de Carlos Wilson.

Mas, pelo que o senhor está dizendo, a decisão de não ir aos debates foi dele?

Foi dele.

O senhor aconselhava a ele ir?

As pesquisas aconselhavam-no a ir, mas ele dizia que não tinha condições de se comportar de forma adequada num debate.

E isso, de certa forma, ele revelou, no primeiro debate, com João Paulo, no segundo turno, quando perdia um pouco o controle.

E isso poderia ter sido mais grave no primeiro turno, porque tinha lá a presença de Carlos Wilson, que o irritava e incomodava bastante.

Ele fugia de Carlos Wilson como o “diabo da cruz”?

Carlos Wilson, digamos, o incomodava, o incomodava bastante.

Por causa do deboche do “Mané da China”?

Pela forma como Carlos Wilson se reportava a ele, pessoalmente, na televisão. Carlos Wilson, literalmente, desestabilizava o doutor Roberto.

Então o Carlos Wilson teve um papel fundamental na eleição de João Paulo?

De certa forma, sim. Carlos Wilson, o Jornal do Commercio, as “bananas”, os erros acumulados ao longo da campanha.

Traduzindo: quem perdeu a eleição foi Roberto Magalhães pelos seus erros e não a aliança de Jarbas?

Quem perde são todos os envolvidos na campanha, mas quem perde mais é o candidato, em qualquer circunstância. Eu costumo dizer que se o marketing, sozinho, ganhasse as eleições, o candidato seria eu. Da mesma forma, eu perdi a eleição, participei da derrota, como participei da vitória de 96. Eu nunca disse que ganhei a eleição de 96, porque achava uma coisa arrogante. Quem diz isso, em geral, são marqueteiros bobos. Quem perde a eleição são todos os envolvidos. Perde quem fez a comunicação, também. Fiz um balanço e publiquei nos principais jornais do país sobre as campanhas vitoriosas e não vitoriosas. Começa logo com as não vitoriosas: José Serra e vem outros. O que eu quero dizer? Perde todo mundo. Perde quem fez a comunicação, perdem as forças políticas. Perdeu o doutor Jarbas, perdeu a aliança, perdeu Roberto Magalhães. Agora, obviamente, publicitários, pela formação, em geral, são muito superficiais e bastante bobos. Eu sou um cientista político, sei que não é marketing que ganha a eleição. Pode ajudar a ganhar, mas pode ajudar muito a perder também.

Se o político não for bom de voto, não há milagre, não é isso?

E se não se comportar bem durante a campanha, se não fizer as coisas que têm que ser feitas. Estou dando um exemplo, um candidato, que até outro dia, a revista Times e a revista News Week diziam que era o candidato ungido para ser o apontado pelo Partido Democrático, mas pelo destempero de um grito ficou de fora. Agora, tem mais: já imaginou se esse candidato tivesse ido armado à redação de algum jornal americano? Não era candidato.

Há quanto tempo o senhor faz campanha política?

Eu estudo eleições desde 1978. Eu cheguei em campanhas eleitorais a partir dos estudos de Eleições, quando comecei meu mestrado em Sociologia, que fiz nessa área de Sociologia Eleitoral. Depois, meu doutoramento em Ciência Política também foi nessa área. Então, estudo eleições há 26 anos e trabalho em eleições há 20 anos.

Desse tempo para cá, o senhor já tinha tido experiência de um candidato mais difícil de administrar do que Roberto Magalhães? Foi a experiência mais traumática que o senhor já teve?

Foi uma campanha atribulada. Uma campanha, que não gosto de recordar, porque isso me faz mal, fisicamente, com certeza foi a de 2000.

Por quê?

Porque foi uma campanha tumultuada, uma campanha onde todos esses fatores que apontei ajudam a explicar boa parte da tensão que vivemos.

O senhor não tinha controle sobre o candidato?

Controle sobre um candidato, nenhum marqueteiro, nenhum coordenador de comunicação deve ter. Não é essa dimensão. Eu tinha com ele uma relação boa. Mas, com o tempo, essa relação não foi tão fácil, quanto, por exemplo, minha relação com Marco Maciel, na campanha. Só para falar em duas pessoas da mesma geração e também do mesmo partido. No segundo turno, por exemplo, onde ele havia participado dos debates, eu tive o cuidado de constituir uma equipe e entreguei a coordenação a Gustavo Krause. Eu tive o cuidado de colocar Krause, porque o candidato já o conhecia, certo? O doutor Roberto tem isso também, de trabalhar com quem conhece. Eleições majoritárias, hoje, no Brasil e em todo mundo, exigem campanhas muito planejadas, muito milimetricamente ajustadas.

O senhor classificaria o deputado Roberto Magalhães como um político de “pavio curto”?

Eu acho que ele não tem “pavio” (risos).

Mas, como um político sem pavio pode sair, dois anos depois, como o deputado mais votado do Recife?

Sim, mas ele não tem pavio. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A partir de agora vai ser cada vez mais difícil encontrar trajetórias de políticos vitoriosos com esse perfil.  Ou seja, quando encontra exceções, deve vê-las como exceções, e não pensar que está se confrontando com novas regras. Esse comportamento não serve de regra, ou seja, para qualquer político iniciante. Hoje, você, Magno, não deveria dizer: “Olha, este caminho é o caminho, siga o comando de Roberto Magalhães”. Não é uma estrada a ser seguida. Serviu para ele como temperamento e como político, mas não é referencial para ninguém.

Então, um político não pode ser transparente, ele tem que fazer truques?

Não, não, não. O político tem que ser transparente, obviamente. Agora, tem que ter um grande cuidado, com seus atos e suas palavras, porque a representação – e, agora, não é assunto de marketismo, nem de publicidade, é um assunto de filosofia política. Renat Pithking, uma estudiosa, professora da Universidade de Santa Bárbara, uma das maiores estudiosas sobre representação no mundo, dizia que a representação tem dois conteúdos. Tem um conteúdo jurídico, no sentido de representação enquanto mandato, e tem um conteúdo, rigorosamente teatral, no sentido de representação como representação teatral mesmo, para que as pessoas comuns vejam, naquele representante, alguém capaz de agir por elas, no interesse delas, e na forma como elas gostariam, que ele reagisse. Então, por exemplo, essa questão da arma no jornal. Ele escapa? Escapa, mas passa a ideia para as pessoas de algo irreprovável.  As pessoas não gostariam que um representante seu a usasse, como um instrumento, substituindo um instrumento de diálogo, por uma arma, que é um elemento de intimidação. Infringe o conteúdo do conceito de representação. Só para ficar nesse exemplo.

Vota-se mais nas pessoas que nos partidos, hoje?

Com certeza, com toda certeza. Os partidos continuam a ser, no Brasil, hoje, irrelevantes. Pela ordem, em primeiro lugar vêm as pessoas; em segundo as propostas e em terceiro, bem distante, vêm os partidos.

Por que isso?

As pessoas hoje em dia têm centenas de preocupações diferentes da política, do campo da política.

E não é um entrave para um País que quer alcançar níveis de politização ou isso ocorre em países de primeiro mundo, também?

As pessoas têm dezenas de preocupações. Têm que se preocupar com emprego, com afetividade, com família, com saúde e etc. Então, não têm tempo para ficar pensando em diferenças programáticas do partido A, B, C ou D. Aí, esse eleitor escolhe um representante, através de uma avaliação, de uma espécie de golpe de vista, durante a campanha e durante o acumulado da campanha. A televisão também contribuiu muito para isso. A televisão coloca a liderança em contato direto com o liderado, sem a mediação partidária. Isso acontece até em países parlamentaristas. Por exemplo, a campanha dos trabalhadores da Grã-Bretanha, toda calcada no Blair. Um cidadão britânico apoia aquele que mora no distrito onde Blair é candidato. Ninguém vota no personagem Tony Blair, vota no Partido Trabalhista, mas a campanha é totalmente personalizada. Isso na Grã-Bretanha e em diversos países. O que se tem é um parlamentarismo personalizado. É o nome técnico que se dá a isso. É ruim, é negativo, mas é um fato da realidade, dos meios de comunicação, do desenvolvimento da sociedade.

Voltando à questão da campanha, Dr. Roberto, em depoimento, diz, textualmente, que não tinha controle sobre o guia eleitoral. Ele queria mudar, mas ele não tinha controle. Isso se deu?

Ele se mostra uma pessoa inconformada com a forma com que foi conduzida a estratégia do guia. O candidato busca, após a eleição, uma série de explicações para a sua derrota ou para a sua vitória. Em 1996, engraçado, ele me agradeceu, publicamente, depois da eleição. A primeira fala dele, na sede do comitê, foi de agradecimento público a mim e isso até me surpreendeu. Agora, nessa eleição, ele, entre os vários fatores, talvez aponte sua comunicação como principal responsável pela derrota. É muito frequente isso, eu já assisti isso por parte de vários candidatos. Eu quero dizer que o guia era desenvolvido seguindo uma estratégia acertada com ele. O programa eleitoral era desenvolvido com bases num conjunto de pesquisas, as mesmas que nós usamos para várias eleições, as mesmas que nós usamos para a eleição de Jarbas, a eleição de Fernando Henrique, a eleição de José Serra, que também perdeu, a eleição de Marco Maciel, a eleição de Sérgio Guerra, a eleição de José Jorge, todas as eleições, e nas eleições dele também, em 96. Controle do guia? Um candidato tem o controle político, decisões políticas. Agora, o dia-a-dia de um guia eleitoral não pode ser resolvido pelo candidato. Mas nada, politicamente, no guia, foi resolvido sem a participação dele e do governador Jarbas Vasconcelos. Por exemplo, o momento de atacar Carlos Wilson. Por doutor Roberto, isso tinha ocorrido muito antes, muito antes, logo no início da campanha. Nós escolhemos o momento certo, adequado tecnicamente. Mas a decisão de atacar foi uma decisão dele.

Mas, por exemplo, ele reclama que, ao contrário da campanha de 96, onde tinha um canal direto com Ivan Maurício, em 2000, o senhor não estabeleceu uma relação direta dele com ninguém do guia.

Tinha, sim. Na eleição de 96, também nós tivemos problemas. A eleição de 96 eu tinha Ivan Maurício, como em 2000 tinha o Lucas Pacheco, que era o meu segundo, além de Fernando Veloso e Vera Ferraz, que com ele faziam contatos todos os dias. Essa reclamação não tem consistência.

Vera Ferraz? Ele diz que ela foi colocada lá, mas sem nenhuma interferência dele. Ele diz que não foi ele quem pediu. Eu até pensei que ela tivesse sido um pedido dele.

Não. Vera Ferraz foi uma escolha minha. Mas, em 96, ele também não pediu para botar Ivan Maurício. A equipe toda foi constituída por mim. Isso não é o caso. Algumas peças, por exemplo, o pedido de desculpa dele pelo episódio de setembro e tudo o mais foi escrito por mim, pessoalmente. Discuti com ele, obviamente ele não gravou nada sem discutir. Todas as falas dele, ele lia, participava, fazia adendos. Agora, ele criticava a comunicação, às vezes, as críticas chegavam pelos jornais. Quanto eu tive a oportunidade de dizer que quem ganha eleição é o candidato, não é o marketing, senão eu seria o candidato, foi um comentário meu nos jornais, tentando habilmente responder a uma crítica que tinha partido dele, ou de pessoa muito próxima a ele.

Lavareda, eu lembro que, durante a campanha, num almoço no Spettus, numa conversa com jornalistas, ele reclamou do guia. Disse que foi forçado a gravar numa área verde, como se fosse uma floresta. E brincou, dizendo: “Minha mulher se chama Jane, mas eu não sou Tarzan”. Isso gerou, aliás, nota na minha coluna.

Eu lhe garanto que não tem área verde, área seca, área mais ou menos vegetação que tenha contribuído para a derrota dele mais do que aquele episódio da praia de Boa Viagem, que foi fundamental para tirar a vitória dele no primeiro turno.

O segundo turno foi mais trabalhoso que o primeiro?

Muito mais complicado. Nem se compara. Quando se confirmou o segundo turno, eu disse a ele o seguinte: o senhor não tem como não ir para os debates. Vamos apostar e promover a maioria dos debates, vamos incentivar a maioria dos debates. Ele disse: “Doutor Lavareda, eu estou perdendo por 17 pontos, segundo você está dizendo. Se eu for para os debates, quanto é que passa a ser a minha chance de ganhar a eleição?” Eu olhei para ele e disse: “40%”. Quando recebi a primeira pesquisa do segundo turno, não tinha nenhuma esperança, nenhuma mais. Esperança zero da vitória no segundo turno. Nós partimos para reduzir a distância, para evitar que a derrota eleitoral fosse uma derrota política, parecesse maior do que foi. Aí, contamos com a imensa e generosa contribuição de Jarbas Vasconcelos, que permitiu que nós transformássemos o segundo turno, numa contenda, em que era, de um lado João Paulo, PT, e, de outro, Jarbas aliado, pegado a Roberto Magalhães. Não sei se você notou, Jarbas e Roberto “Mudança sim, bagunça não, baderna não. Vinte e cinco, sim, o outro não. Estava tudo parado quando a mudança começou. Mudança com Jarbas e Roberto, etc.”. Jarbas permitiu isso, ou seja, se utilizar uma parte considerável do capital político dele. E eu disse: “Jarbas, você tem a consciência do que isso pode vir a lhe fazer falta na próxima eleição?” E ele disse: “Tenho. Mas vamos lá. Vamos por esse caminho. Vamos fazer o possível e o impossível para melhorar esse quadro”.

Vocês partiram para o tudo ou nada e ideologizaram o debate.

Foi, foi. Ideologizamos e politizamos a campanha no sentido mais ideológico. Tudo, tudo, tudo. Tanto que envolvemos profundamente a figura de Jarbas no segundo turno. E obtivemos resultados. Que resultados! Doutor Roberto foi aos debates, mas o desempenho dele em nenhum momento foi considerado fantástico, segundo as pesquisas que fazíamos na época. Não houve nada de fantástico. Ao contrário, as pessoas se surpreendiam como João Paulo, a despeito do seu visível pouco conhecimento, conseguia sair direitinho.

Jarbas também chegou, num determinado momento da campanha, a sugerir que João Paulo, por se um operário, era despreparado. E que o melhor seria apostar num homem preparado como o doutor Roberto.

Trabalhamos fortemente com a ideologização da campanha e usamos o contraditório, que era competência versus despreparo.

Isso foi uma “faca de dois gumes”?

Não, como a gente trabalhava com um candidato com larga experiência administrativa, como Roberto Magalhães, daria para fazer um paralelo com um despreparado, que nunca tinha passado por um cargo executivo. Mas é o seguinte: as pesquisas apontavam que as pessoas podiam ter restrições pessoais a Roberto Magalhães, mas diziam que ele era competente e preparado. E as pessoas podiam gostar de João Paulo, mas diziam: “Não, ele é despreparado mesmo”. Então, o maior forte de Roberto era a competência. A maior fragilidade de João Paulo era o despreparo. Nós jogamos a maior virtude de um contra o maior defeito de outro, na dimensão pessoal, entendeu?

Mas de João Paulo passou mais humildade e acabou vencendo.

Não foi por causa disso, nós fizemos uma proposta para o eleitorado. Era como se a gente dissesse assim: “Olhe para esses dois homens e pense um pouco antes de decidir seu voto, um é competente e o outro é despreparado. Recife precisa de quê? Competência. E eles fizeram outra campanha, que era o humilde contra o arrogante, o violento, o destrambelhado”. Pense assim: “Esse é o humilde, boa gente, parecido com vocês, e esse é o arrogante, o violento, o destrambelhado”. Terminou por uma fração (risos). Por um nariz de cavalo, de corrida de cavalo, predominando esse segundo eixo, o eixo que eles propuseram. Agora, quem ajudou a construir esse segundo eixo? De certa medida, terminou sendo duas ações do próprio doutor Roberto – a invasão do JC e a “banana”.

Quando o senhor percebeu que iria perder a eleição?

No domingo da “banana”, quando Veloso (Fernando Veloso, coordenador de produção do guia eleitoral) me liga para informar sobre o episódio em Boa Viagem. Meu comentário para Veloso foi o seguinte: “A vaca foi para o brejo”.

Mas vocês conseguiram vencer na Justiça, na briga eleitoral com a oposição, não permitindo que as imagens da “banana” fossem ao ar.

Mas foram ao ar. Foram ao ar no primeiro dia. A imprensa reverberou isso. Entre a “banana” e o primeiro turno, teve a foto da Folha de Pernambuco na primeira página, meia primeira página do Jornal do Commercio, vieram as matérias nos jornais, tudo isso. Você quer o que mais? Tudo isso. A imprensa, nesse momento, reverberou, associando-o à invasão do Jornal do Commercio. A imprensa toda apostou as fichas em produzir o segundo turno. E quando produziu, ajudou a oposição. Boa parte da Imprensa, força majoritária, ajudou a desequilibrar o jogo. Como foi editada a primeira fala de Roberto Magalhães na televisão após a confirmação do segundo turno? Ele, olhando as Câmaras, disse: “Vamos para o segundo turno. Quero dizer que quem gosta de Roberto Magalhães, vota em Roberto Magalhães do jeito que ele é. Não vou mudar”. E ele terminou tornando ainda mais pessoal a disputa com João Paulo, já no seu primeiro pronunciamento.

Além desses erros, o senhor acredita que Magalhães também foi atropelado pela onda vermelha que já se apresentava e se tornou mais nítida na campanha de Lula?

Naquela época, você tinha o PT como uma grande utopia, grandes esperanças, as pessoas ... O signo da mudança... havia um certo sentimento majoritário nas grandes capitais, bem positivo em relação ao PT.

O desgaste de Fernando Henrique Cardoso também atrapalhou?

O PSDB perdeu quase 50% das Prefeituras que conquistou em 1996. Então, tudo isso é como você diz, e como nós comentamos lá no início. Uma diferença tão curta pode ser explicada pelo conjunto de fatores e às vezes, aparentemente, por cada um dos fatores isoladamente. O nosso desafio é dizer: “Olha, pega um fato só, que teria mudado a história da eleição”. Hoje, olhando para trás, eu digo: “Esse fato, um fato só, mantenha a “banana”, mantenha tudo. Um fato só: Jornal do Commercio. Episódio Jornal do Commercio”. Esse, para mim, é claríssimo, hoje. Engraçado é que eu tive a intuição disso, mas não pude reverberar. Mas, ao longo do tempo isso se afastou, pela forma como a Imprensa deixou o assunto de lado, na primeira hora. Quem me deu essa notícia foi o jornalista Fernando Veloso. “Perdemos nosso candidato, Veloso. Vamos ter que pensar noutro candidato”. No dia seguinte, voltei para o Recife, peguei os jornais e nada do fato. Dois dias depois e nada. Pedi os jornais de antes e nenhuma palavra. Nenhuma palavra. Os jornais seguintes, nenhuma palavra. Todos nós, do comando da campanha, da coordenação, da aliança, não tivemos, naquele momento, capacidade e condições de entender a repercussão daquilo a médio e longo prazo, porque os jornais cobriram muito mal.

Mas o Jornal do Commercio deu a matéria em primeira página.

Ele deu a matéria, mas no dia seguinte não houve desdobramento, a chamada suíte. Se aquilo tivesse ocorrido em São Paulo, Rio, Brasília, pelo amor de Deus, não tinha candidato que sobrevivesse.

A imprensa nacional cobriu melhor que a local.

É, mas se aquilo tivesse ocorrido em São Paulo, o que teria sido do candidato?

Estava inviabilizado?

Estava inviabilizado. Se a Marta Suplicy (prefeita de São Paulo) der um tapa, hoje, num jornalista. Se invadir uma redação de jornal, hoje, a Marta, tua achas que ela seria candidata? Nunca mais. Poderia encerrar a carreira.

Isso, em qualquer lugar, com qualquer candidato, não?

Se o César Maia (prefeito do Rio de Janeiro) fizer a mesma coisa, terá condições de ser candidato? Não! Mas, diga-se, de um lado, que, no caso do Recife, não houve grande repercussão imediata, porque os jornais cobriram muito mal, para a nossa sorte. Não houve uma grande repercussão imediata, tanto que nas pesquisas ele continuava pontuando bem, e a aliança não tinha nenhum outro nome para bancar, na direção da substituição. Você imagina que condições eu teria de chegar e dizer: “Não, não pode ser o doutor Roberto. Vocês têm que criar um outro candidato”. Tratava-se da invasão à redação de um jornal, motivo para uma crise! Isso poderia ter ocorrido. E eu tinha essa percepção, claramente.

Na época lhe veio algum nome para substituir Magalhães?

Não, por que eu estou dizendo isso? Na hora que Veloso me falou isso, eu disse a ele, e ele é testemunha disso, eu disse: “Olha, nessa próxima eleição eles vão ter que tentar outro candidato”. Resultado: uma semana depois, parecia que aquilo eram águas passadas.

Lavareda, vocês desestabilizaram a candidatura de uma pessoa que sonhou muito tempo em ser candidato a prefeito do Recife e que conhece bem a cidade e que estava no PSDB. Refiro-me a João Braga. Como foi o desmonte da candidatura dele?

A questão é a seguinte: na eleição de 96, Braga foi a grande ameaça à vitória de Roberto Magalhães no primeiro turno. A grande ameaça.

O senhor lembra dos números?

Não, mas ele aparecia muito bem. Você lembra que Roberto Magalhães venceu a eleição em primeiro turno com mais de mil votos de frente. Com o tempo que tinha na televisão e o nome representativo no Recife, Braga foi um fator que impediu uma vitória mais expressiva de Magalhães. Braga foi o segundo colocado. João Paulo veio em terceiro. Então, nós tínhamos o fator “João Braga”, que podia levar a eleição para o segundo turno, e o fator “tempo de televisão”, que também, nessa direção, poderia levar a eleição para o segundo turno. Isso eu disse a Magalhães. Me coube dizer às pessoas: “A situação é essa, o PSDB não pode ter candidatura. Administrem isso”. Quer dizer, não é que não pode. Não seria bom para nós que o PSDB tivesse candidato. Daí, a escolha de Sérgio Guerra para vice, trazendo chapa e legenda tucana.

É verdade que Raul Henry pediu para sair, que queria morar na Europa?

É verdade. Isso é verdade. Rigorosamente verdadeiro. Raul diz isso aí ... Ele disse a Jarbas Vasconcelos.

E isso facilitou, de certa forma, a escolha da chapa.

Imagine, o vice era do PMDB. O vice foi, se antecipou e disse que não queria mais ser candidato, porque queria tocar a sua vida de forma diferente. Foi uma mão na luva para o PSDB entrar na chapa.

O que o senhor acha desse processo de Raul, que era um candidato leve, com a cara do Recife, que agregava o voto da juventude. Isso também não foi ruim para a chapa? Ou vice não ajuda nada?

Olha, Magno, isso é mais um daqueles fatores ... (risos). Você é capaz de elencar 100 fatores, e como a diferença foi muito pequena, qualquer um desses 100 fatores pode aparecer como o grande ou importante, responsável. Mas eu diria que não é “o mais”. Na minha profissão, é importante você entender qual é a hierarquia dos fatores. Engels, e o companheiro Marx, dizem o seguinte: “É importante olhar as árvores e conseguir enxergar a floresta”. No meu trabalho, na minha profissão, é exatamente o contrário. Eu digo às pessoas que trabalham comigo: “Você tem que ter capacidade de olhar a floresta, todo mundo olhar a floresta e, lá dentro, identificar as árvores”. Ou seja, tem que saber o que é mogno, o que é castanheira, o que é ipê-roxo, para saber o que vale mais. O que é mais caro é mogno. Então, você tem que saber identificar o mogno, entendeu?

Em algum momento da campanha ou antes dela iniciar, doutor Roberto admitiu que não queria ser candidato?

Nunca. Pelo contrário.

Ele revelou, em depoimento para este livro, que era contra a reeleição, que procurou o senhor para comunicar que não pensava em disputar e que teria dito isso também a Jarbas Vasconcelos.

Ele nunca disse. Ao contrário, ele me procurou querendo ser candidato. Eu ajudei a eleger Roberto Magalhães em 96. Passamos 97, 98, nunca ele me procurou para tratar disso. Em agosto de 99, ele me procura, senta na minha frente, e, num rasgo de sinceridade, muito típico dele, diz: “Só estou lhe procurando porque esse negócio de comunicação em sempre achei que entendia, mas cheguei à conclusão que não entendo tanto. Porque só estou aqui com esses 31%, 32% de aprovação, etc. e tal. E, por isso, vim bater na sua porta, para você me ajudar. Aí começamos. E eu vendo, naquele gesto dele, uma preocupação com a eleição no ano seguinte. E era uma preocupação de todos os assessores.

Não houve um erro estratégico em escolher Carlos Wilson, no primeiro turno, como alvo predileto?

A questão do ataque a Carlos Wilson foi o seguinte: a campanha de Roberto Magalhães começou e decorreu boa parte dela totalmente positiva. Esse é o caminho aconselhável para qualquer candidato, que é administrador e lidera as pesquisas: fazer uma campanha positiva. Num determinado momento, e apenas num determinado momento do primeiro turno, nós negativamos uma parte da nossa campanha. Que momento foi esse e por que: Foi no momento em que Carlos Wilson ultrapassa João Paulo, empata, em viés de alta, ultrapassando João Paulo, e Carlos Wilson ameaça ir para o segundo lugar. E por que nós fizemos isso só nesse momento? Roberto Magalhães queria que nós fizéssemos isso desde o primeiro dia da campanha, ou seja, atacar Carlos Wilson (risos). Toda vez que ele via o “Mané Chinês”, ele tinha ódio de Carlos Wilson (risos). Ele queria dar uma porrada (risos).

O “Mané Chinês” irritava muito ele?

O “Mané Chinês”, mas, sobretudo, quando Carlos Wilson aparecia na televisão, com a cara cheia, dizendo assim: “Eu, junto com o Roberto” (risos). Incomodava fisicamente ele. Um cálculo estratégico e adequado para esse tipo de coisa, o ataque a Carlos Wilson? Qual era? Olha, a campanha sempre pode ter segundo turno. E isso é verdade. Desde que a campanha iniciou, desde o primeiro dia, eu dizia: “Não durmam com essa ideia. Embora, os números sejam esses, não durmam com essa ideia de que a eleição já está resolvida no primeiro turno. Pode ter segundo turno. Lembram bem de 96. Foi uma porcariazinha de votos, a diferença do primeiro turno”. Então, isso o tempo todo. Para qualquer um deles, eu dizia sempre. Mesmo quando eles se dispunham a colocar “salto alto”, eu lembrava isso o tempo todo. Quando chegou certo momento, eu disse: “Gente, chegou a hora de atender aí o apelo do doutor Roberto (risos). Porque, se Carlos Wilson for para o segundo turno, nós não temos munição contra esse rapaz no segundo turno”. Entendeu? Nós não tínhamos munição, porque nós não podíamos. Em 11 dias, se nós apresentássemos a peça que apresentamos contra Carlos Wilson no primeiro turno, se fôssemos apresentar no segundo turno, aí o segundo turno já era. Já tinha sido, já era. Ele chegava com uma aura de vencedor. Aí não tinha mais o que fazer. Ai resultado: tivemos que aquilo. Negativamos a campanha naquele momento, e mantivemos ali certa carga de comerciais, de parte do programa, para administrar Carlos Wilson. Na verdade, nós deselegemos o Carlos Wilson.

Ele (Carlos Wilson) diz, em depoimento, que aquela foi a campanha mais baixa da história do Recife. Nunca foi vista uma baixaria tão grande feito aquela contra ele.

O fato é que tenho a consciência tranquila a respeito do seguinte: o que se mostrou ali não era inverdade. De fato, havia aquele débito, de fato nós fomos procurados por aquelas pessoas, de fato elas gravaram espontaneamente. Em qualquer lugar do mundo, as ações de um candidato são avaliadas pelo público. Na Inglaterra, nos Estados Unidos. Imagine então ... Se ele tem essa avaliação, imagine se ele participasse de campanhas americanas? Iria ficar louco.

Mas aí não sai do campo político para o pessoal, não?

Não, porque aquela questão daqueles funcionários tinha ocorrido durante uma campanha eleitoral anterior. Aquilo não tinha nada a ver com a vida privada, não tratava de uma empresa, de empresários, qualquer coisa.

Carlos Alberto, o autor da denúncia, recebeu dinheiro para prestar aquele depoimento?

Nenhum. Nenhum. Foi espontâneo. Depoimento espontâneo e magoado, ressentido com ele. Só isso.

A iniciativa foi dele – Carlos Alberto?

Ele procurou a gente. Aliás, uma coisa que tem que fazer nesse mercado de marketing político é tornar as relações mais contratuais, mais sérias. As pessoas contratam outros e não pagam depois das campanhas eleitorais. Você vai encontrar um monte de pequenos fornecedores quebrados. Nesse caso concreto, ao que fui informado, Carlos Wilson, tempos depois, regularizou sua situação com Carlos Alberto.

Aquilo foi uma bomba que tirou Carlos Wilson do segundo turno?

Foi.

Foi decisivo?

Foi.

Vamos entrar agora em outros casos que Magalhães toca no depoimento dele. Ele diz que o PMDB, no momento em que perdeu a vaga de vice na chapa, cruzou os braços para a campanha. Isso é verdade?

Acredito que não. Mais do que acredito, tenho certeza que não. O PMDB participou o tempo todo, seus candidatos a vereador participaram ativamente. E o principal capital do PMDB, no Recife, chama-se Jarbas Vasconcelos. Todos os outros elementos do PMDB não representam, do ponto de vista de impacto eleitoral, 20% do impacto de Jarbas Vasconcelos. Jarbas Vasconcelos trabalhou mais na campanha de Roberto Magalhães do que nas suas próprias campanhas. É um testemunho que eu lhe dou. Eu nunca vi Jarbas se empenhar tanto numa candidatura como fez com Roberto Magalhães.

Inclusive eu lembro de uma frase dele na época que dizia: “Se Roberto Magalhães ganhar, o mérito é dele, se perder, a derrota é minha”.

Exatamente. Por aí, você tira o grau de envolvimento do governador na campanha do doutor Roberto.

Mas Jarbas saiu derrotado também?

Jarbas, naquela eleição, foi derrotado também. É como eu lhe disse, foram derrotados Jarbas, Marco Maciel, Sérgio Guerra, o conjunto da aliança. Eu também fui derrotado, porque fiz a comunicação, a estratégia da comunicação. Agora, o grande derrotado mesmo foi Roberto Magalhães.

E como se explica, dois anos depois, esses personagens terem uma grande vitória? Roberto Magalhães, o deputado mais votado, Sérgio Guerra eleito senador e Jarbas eleito governador. Como se explica isso?

João Paulo teve duas categorias de votos. Isso é bom a gente entender. Teve voto dos petistas, dos simpáticos à mudança, de Lula, aquela coisa toda. Da oposição administrativa, o povo mais preocupado com os aspectos do PT em geral, etc. e tal, e teve outros votos. Que outros votos foram responsáveis por dar a vitória a João Paulo? Os votos dos eleitores que queriam derrotar a pessoa de Roberto Magalhães. Que queriam dizer: “Esse seu estilo, e esse traço de personalidade, nós não aceitamos, não queremos, e acabou, e pronto. Vamos aceitar, vamos engolir um sapo, mas vamos te derrotar”. Então... já tinha estudo. Não tinha a ver com Jarbas Vasconcelos, com Marco Maciel, etc. e tal, nada disso. Daí que Marco Maciel ganhou a eleição de 2000 no Recife. Sérgio Guerra ganhou a eleição no Recife, então como é que Sérgio Guerra atrapalhou? O problema é o seguinte: Roberto Magalhães ganhou, foi bem votado. O que é que Roberto Magalhães teve, para ganhar a eleição de deputado? Na eleição de deputado, os “fortemente” Roberto, que na literatura chamam de “duros” Roberto, foram lá e votaram nele para deputado federal. São suficientes para dar a vitória a um deputado federal, mas não são suficientes para dar uma vitória numa eleição majoritária. Entendeu?

Mas também isso não tem um pouco de “mea culpa”, um voto de arrependimento?

Não, não. São eleitores que, com certeza, votaram em Roberto Magalhães. Quantos votos ele teve no Recife? Para deputado federal?

Foi o mais votado.

Deve ter tido 100 mil.

Mais de 100 mil.

Vamos trabalhar com 100 mil? Quantos votos ele teve para prefeito? Trezentos mil? Quatrocentos mil? Pronto! Está no segundo turno. Então ... Ou seja, é uma fração disso. Não tem arrependimento nada. São os votos duros que ele teve já na eleição para prefeito. Em suma, quem derrotou Roberto Magalhães foi o próprio Roberto Magalhães.

Aqueles outdoors sobre a greve da polícia: “Em Pernambuco, greve da polícia nunca mais”, aquilo foi feito por vocês?

Foi. Tudo da campanha foi feito por nós.

O senhor não acha que aquilo acabou incitando a greve?

Não, não incitou a greve. A greve foi construída com a direção ... A greve nos pegou de surpresa, a nós da comunicação. Nós levantamos numa pesquisa o que é que as pessoas queriam. Gostavam de misturar PT com Arraes e... No segundo turno, aquela coisa ideologizada do segundo turno. Então, nós levantamos o que é que as pessoas tinham de pior na memória do governo Arraes. Eram muitas coisas, uma delas a greve da polícia. Nós nos inteiramos, com todos os escalões da polícia e tudo o mais sobre a probabilidade de haver greve, naquele curto espaço de tempo. Nós estamos falando de 20 dias. Fomos informados que não havia probabilidade, porque as negociações estavam decorrendo normalmente. Então, fizemos aqueles outdoors, que não foram só da polícia. Foi da polícia e tinha outros com assuntos que não lembro agora. Eclodiu a greve da polícia, os outdoors ficaram na contramão, mas eu não tenho nenhuma preocupação em voltar ao ponto dos 17% quando largamos para o segundo turno. Nós tiramos a frente e perdemos por 0,8% dos votos. Então, pelo amor de Deus, não foram os outdoors da polícia que nos prejudicaram nisso.

Mas, o senhor não reconhece isso como um erro?

Não. Diante das informações disponíveis na época, não.

Magalhães acha que perdeu ali muitos votos.

Ele acha que a greve foi provocada pelos outdoors?

Não. Ele acha que perdeu a eleição na greve. Porque ele acha que a polícia votou toda contra ele.

Eu não acredito nisso. Eu não tenho nenhuma pesquisa que diga como votou a polícia. Agora, só tenho esses dados. Eu tenho esses menos 17, da segunda-feira após a eleição do primeiro turno, e tenho dos dados da eleição. Posso dizer que a campanha do segundo turno deslocou 16% de diferença de uma eleição que eu considerava perdida e jamais imaginei que a gente pudesse afetar em tanta extensão.

É provável que Magalhães tenha perdido a eleição no dia da eleição? Porque foi um percentual muito pequeno. Até às 16 horas ele estava eleito, não?

Aí, você entra em centésimos. Isso é muito complicado. Não, não. Nas minhas pesquisas, na véspera da eleição, já estava perdido. Na véspera da eleição, ele já estava perdido.

Falando em pesquisa, lembro que após a eleição, teve um debate de uma instalação de uma CPI das pesquisas, diante de resultados que não bateram. O senhor acredita em manipulação de pesquisas?

Manipulação sempre há. Recentemente a gente viu uma pesquisa estranhíssima aqui, publicada por um veículo local, e que depois, uma bateria de outras pesquisas, mostraram que ela estava incorreta. O problema das pesquisas é o problema da divulgação. Pesquisa não causa dano algum. O problema é como essas pesquisas são divulgadas. Eu tenho entendimento específico do seguinte: Quem estiver fazendo pesquisas para candidatos, não devia fazer pesquisas para veículos de comunicação. Não deveria fazer pesquisas para meios de comunicação. Esse caminho que eu estou dizendo é o caminho americano. Porque quem faz pesquisa para campanha eleitoral são institutos especializados nisso, que não fazem pesquisas para a mídia. A mídia não contrata. Se Magno Martins faz pesquisas para o candidato Lavareda, e eu tenho um jornal, eu não contrato Magno Martins, nem o Magno Martins tem a pachorra de querer vender para um veículo esse tipo de coisa. Porque cria um conflito.

Esse modelo deveria ser copiado?

É urgente que seja copiado no País, é urgente. O Ibope é divulgado na Globo, óbvio, mas todo mundo vai saber que o Ibope não trabalha para nenhum daqueles candidatos.

Quer dizer que, na véspera da eleição, o senhor tinha uma pesquisa nas mãos apontando a derrota de Magalhães.

Tinha, mostrando que ele perdia por pouco, mas perdia.

O senhor mostrou o resultado para ele?

Não.

Nem a Jarbas?

A Jarbas eu comuniquei.

E como o governador reagiu?

Ouviu aquilo, eu expliquei que estava na margem de erro, que na verdade perdia, mas dentro da margem de erro. Quando você perde na margem de erro, pode dar empate, pode dar vitória, inclusive.

O governador foi a única pessoa a tomar conhecimento?

Foi, foi a única pessoa.

O senhor foi dormir derrotado, na véspera?

Fui.

E que lições o senhor tirou da eleição de 2000?

É aquela coisa que eu falei agora há pouco. Você, para ser candidato, uma candidatura, tem que tomar uma série de providências objetivas: preparar a campanha, ver as finanças da campanha, ver os aspectos e estrutura organizacionais, e tem que tomar uma série de providências subjetivas: se preparar para enfrentar um período difícil, um período em que você vai ouvir muito desaforo, você vai ser alvo de muita injustiça.

Doutor Roberto foi bastante injustiçado ao longo da campanha. Ele é uma pessoa, muitas vezes melhor do que seus adversários, e a própria imprensa o descrevera. Ele é uma pessoa preparada, ele é uma pessoa dedicada à coisa pública. Ele tem um monte de virtudes aí, mas pr


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ALEPE

13/04


2021

PF desarticula organização criminosa no Sertão de PE

A Polícia Federal deflagrou, hoje, a Operação Frígia-Contra, segunda fase da Operação Frígia, deflagrada no segundo semestre de 2020, que visa combater organização criminosa que atua em extração ilegal de ouro no Sertão de Pernambuco. Estão sendo cumpridos 05 mandados de busca e apreensão e 04 mandados de prisão.

As medidas estão sendo cumpridas nos endereços dos investigados, localizados em Igarassu/PE, Redenção/PA e São Félix do Xingú/PA, sobre os quais constam fortes indícios que integram a organização criminosa, envolvendo agentes públicos e particulares, financiadores, refinadores de minério e receptadores.

A operação contou com a participação de 50 policiais federais e foi oriunda de uma investigação conjunta realizada entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

A atividade do grupo criminoso investigado consistia na extração de minérios em terrenos públicos e particulares, localizados na Zona Rural de Verdejante, com o consequente beneficiamento, que era realizado no município de Serrita, e, por fim, a comercialização do ouro. Os valores oriundos da venda eram colocados em circulação, com aparência de legalidade, por meio da aquisição de veículos e de outras condutas, atos consistentes em lavagem de dinheiro.

Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de usurpação de bens da União, crimes ambientais, lavagem de capitais, organização criminosa e violação de sigilo funcional, cujas penas ultrapassam os 20 anos de reclusão, além de multa.

O nome da operação – Frígia – faz menção à terra do Rei Midas da mitologia grega. Tudo o que ele tocava virava ouro.


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Bandeirantes 2021

13/04


2021

1,5 milhão de brasileiros ainda não tomaram 2ª dose

Poder 360

O ministro Marcelo Queiroga (Saúde) divulgou, hoje, um levantamento que mostra que 1,5 milhão dos 23,9 milhões de brasileiros já vacinados não voltou para receber a 2ª dose.

Esse número se refere às pessoas que se vacinaram com o imunizante CoronaVac e, depois de 28 dias, não haviam retornado para tomar a 2ª dose. A recomendação do ministério é que a 2ª dose seja disponibilizada no intervalo de 14 a 28 dias após a 1ª.

O governo federal busca ajuda de Estados e municípios para incentivar o retorno dessas pessoas. A orientação é que, mesmo depois do prazo limite, elas sejam vacinadas.

O Brasil aplicou a 1ª dose de vacinas contra a Covid-19 em 23.909.618 pessoas até as 22h30 de ontem. Dessas, 7.405.223 receberam a 2ª dose. Ao todo, foram 31.314.841 doses administradas no país. Os dados são das plataformas coronavirusbra1 e covid19br, que compilam dados das secretarias estaduais de Saúde.

O Ministério da Saúde também dispõe de uma plataforma que divulga dados sobre a vacinação: o Localiza SUS. Contudo, os números demoram mais para ser atualizados.

O número de vacinados com ao menos uma dose representa 11,3% da população, segundo a projeção para 2021 de habitantes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os que receberam as duas doses são 3,5%.

A quantidade de pessoas que receberam a 2ª dose no Brasil equivale a 31% dos que tomaram a 1ª dose. As vacinas que estão em uso são a CoronaVac e a de Oxford-AstraZeneca. Ambas são administradas em duas doses.


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13/04


2021

STF deve confirmar liminar de Barroso

O Supremo Tribunal Federal deve confirmar, amanhã, a liminar concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso mandando o Senado instalar a CPI da Pandemia. No entanto, dentro do tribunal existem posições divergentes sobre como e quando devem começar os trabalhos da comissão criada para investigar a atuação do governo federal no enfrentamento do coronavírus.

Segundo ministros do STF ouvidos pelo blog do Valdo Cruz, a maioria da Suprema Corte vai referendar na sessão plenária de amanhã a decisão de Barroso, criticada pelo presidente Jair Bolsonaro, de que o pedido de requerimento para criação da CPI atende todos os requisitos necessários para sua instalação e é um direito da minoria.

Eles divergiram, porém, sobre quando e como a comissão deveria começar a funcionar no Senado. Uma ala deve seguir a posição do ministro Luís Roberto Barroso, que deve dizer que a CPI deve ser instalada imediatamente, mas que o modelo de funcionamento deve ser definido pelo Senado, se por videoconferência ou presencialmente, e com que tipo de protocolos de segurança.

Outra ala tem uma posição diferente. Avalia que a CPI preenche todos os requisitos necessários para sua instalação, mas que deveria começar a funcionar quando forem retomados os trabalhos presenciais no Senado e a situação da pandemia no país esteja mais controlada.

Ministros que defendem essa posição lembram que o plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu na semana passada, em caráter excepcional, que governadores e prefeitos podem proibir a realização de cultos com a presença de fiéis durante o período de agravamento da pandemia. "Se culto não pode ter presença de fiéis, não faz sentido ter uma CPI presencial agora, só se for por videoconferência", argumentou um ministro do STF.

O requerimento de pedido de criação da CPI da Pandemia será lido nesta terça-feira (13) no plenário do Senado pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, cumprindo a determinação legal do STF. Antes disto, senadores governistas vão levantar questões de ordens exatamente sobre como e quando a CPI deve começar seus trabalhos.

Os aliados do presidente Bolsonaro vão defender que os trabalhos comecem apenas quando forem retomadas as sessões presenciais do plenário do Senado. Com isso, esperam ganhar tempo para que o presidente da República possa chamar senadores governistas para uma conversa e melhorar o relacionamento com eles, que está desgastado.

Hoje, o governo não teria maioria na CPI da Pandemia, impossibilitando que o Palácio do Planalto consiga ter controle sobre as estratégias de investigação da comissão. Dos onze titulares, a avaliação é que sete seriam independentes ou da oposição.


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Serra Talhada 2021

13/04


2021

Cunha diz que apoiaria Bolsonaro

Preso desde 2016 pela operação Lava Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB) acusou a imprensa e Rodrigo Maia (DEM-RJ) de sabotarem o governo Bolsonaro e disse que, caso estivesse no poder, apoiaria o chefe do Executivo.

Cunha concedeu entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada hoje, sobre seu livro “Tchau, Querida: O Diário do Impeachment”, que será lançado pela Editora Matrix no próximo sábado (17.abr).

O político fez críticas ao atual cenário político no Brasil e ressaltou que, apesar de “eventuais críticas pontuais”, daria sustentação ao presidente Jair Bolsonaro.

“Minha avaliação sobre Bolsonaro está de forma superficial, em cima de fatos concretos. Relato a sabotagem de Rodrigo Maia ao governo e o fato de que Bolsonaro sofre uma perseguição implacável de quase a totalidade da mídia”, afirmou.

“Quem elegeu Bolsonaro porque não queria a volta do PT tem a obrigação de dar a governabilidade a ele. Se estivesse no poder, eu o apoiaria, com eventuais críticas pontuais, mas sempre estaria na posição oposta ao PT”, declarou.

Cunha ainda comentou o cenário desenhado para as eleições presidenciais de 2022. Segundo ele, não há hipótese de uma 3ª candidatura tirar o protagonismo da disputa entre Bolsonaro e o PT, provavelmente representado pelo ex-presidente Lula.

“É preciso ter em conta que vivemos em uma dupla opção, entre o PT e o anti-PT. Nunca existiu 3ª via em todas as eleições desde 1989 e não existirá na próxima. Não vejo ninguém para isso. Entre Bolsonaro e o PT, não tenho a menor dúvida de ficar com Bolsonaro. Qualquer opção é melhor que a volta do PT”, disse.

Sobre o processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, Cunha afirmou que guarda mágoas do ex-presidente Michel Temer (MDB). Também acusou o PSDB de traição.

“Eu relato no livro o papel de Temer com relação a mim, que não foi correto. Não poderia esperar nada diferente dele, pois sua personalidade é fraca. Leiam e tirem suas conclusões. Quanto ao PSDB, eles se aproveitavam da situação em todos os momentos. Eles me usaram no processo como bucha de canhão. É evidente que fui traído por alguns”, declarou.


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Comentários

Fernandes

Cunha diz que apoiaria integralmente o govermo Bolsonaro. Faz sentido....

ABAIXO FALSO MORALISMO

Nada a esperar de diferente


Anuncie Aqui - Blog do Magno

13/04


2021

PF deflagra operação contra desvios de recursos em Petrolina

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje, a Operação Contrassenso, objetivando investigar possível prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, falsidade ideológica e organização criminosa através de contratações realizadas pela Secretaria de Educação da Prefeitura de Petrolina. As penas dos crimes investigados alcançam 31 anos de reclusão.

As investigações apontam irregularidades no fornecimento de kit escolar, entre o final do ano de 2015 até o ano de 2020, com emprego de recursos federais oriundos do FUNDEB, verba sob fiscalização da União. A investigação é uma decorrência da análise do material apreendido na denominada Operação Casa de Papel, deflagrada pela Polícia Federal no ano passado.

Cerca de 150 policiais federais e auditores da Controladoria Geral da União – CGU participam do cumprimento de 33 (trinta e três) mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal em Petrolina. As buscas estão sendo realizadas em sedes de órgãos da Prefeitura de Petrolina, bem como na região metropolitana do Recife e no Estado de Minas Gerais.

As investigações apontam pagamento de possível propina através de transferências bancárias em favor de terceiros, indicada por um dos servidores investigados, além de demonstrar um frequente contato entre os servidores públicos e os líderes do grupo econômico, principalmente em atos referentes ao pagamento da prefeitura às empresas do grupo. A CGU realizou auditoria em parte das contratações, apontando evidências dos artifícios utilizados pelo grupo empresarial para burlar os processos licitatórios, em especial o uso de empresas de fachada criadas em nome de interpostas pessoas (laranjas).


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Comentários

ABAIXO FALSO MORALISMO

É magno. Teu candidato a governador é bem traquina. Quem tem telhado de vidro.......


Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

13/04


2021

Federal nas ruas do Recife e Petrolina

A Polícia Federal está nas ruas para mais uma operação no Recife e em Petrolina, no Sertão. Em instantes, a Assessoria de Comunicação da instituição vai explicar o motivo da nova operação.


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Comentários

ABAIXO FALSO MORALISMO

Opaaaaaaaaaaaaaaa. Petrolina ??? Não não , Petrolina é modelo de gestão. Né não magno?



13/04


2021

Almir larga na frente na disputa pela OAB

Ainda faltam sete meses para as eleições da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pernambuco, mas alguns nomes já despontam como favoritos na disputa. No levantamento espontâneo, o pré-candidato Almir Reis aparece na liderança com 10,15%, sendo o único a pontuar com dois dígitos na pesquisa.

Ele é seguido por Fernando Ribeiro Lins (7,42%), Bruno Baptista (6,97%), atual presidente da entidade, e Ingrid Zanella (3,79%). A pesquisa aponta que 62,12% não tem preferência espontânea por qualquer candidatura. Os dados fazem parte de uma pesquisa de opinião, realizada entre os dias 5 e 7 de abril, pelo Instituto Exatta.

A sondagem ouviu 800 advogados do Estado, respeitando a proporcionalidade das subseccionais da entidade.

Grau de conhecimento dos pré-candidatos pela classe

O elevado número de indecisos tem relação com o grau de desconhecimento dos pré-candidatos pela classe. Almir Reis, que aparece na liderança, não é conhecido por 57,27% dos entrevistados. Fernando Ribeiro Lins é desconhecido para 44,24% dos ouvidos, enquanto Bruno Baptista e Ingrid Zanella não são conhecidos por 5,45% e 37,58%, respectivamente.

Prioridades na gestão

O levantamento também questionou aos advogados quais seriam as prioridades para o próximo presidente. Pouco mais de 62% defendem a redução da anuidade, enquanto 47% argumentam que a OAB deve focar na defesa com mais ênfase das prerrogativas profissionais da classe. Outra solicitação é o aumento de benefícios da caixa dos advogados (30%), auxílio financeiro para advogados com dificuldades financeiras (30%) e revisão das regras de publicidade nas redes sociais (24%).


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12/04


2021

Câmara rejeita emenda que concederia desconto linear no IPTU

A oposição ainda tentou modificar o projeto apresentado pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), mas não teve êxito. A emenda de autoria do vereador Renato Antunes, que garantiria um desconto linear de 20% para todos que antecipassem o pagamento (a proposta do governo é de 10%) e também garantisse 10% de forma linear para todos os recifenses, só conseguiu apoio de 10 parlamentares, todos oposicionista. Enviado ao poder legislativo pelo prefeito João Campos, o projeto do executivo 10/2021 que visa instituir o Programa Emergencial de Pagamento do IPTU e da TRSD, relativo ao exercício deste ano, foi aprovado na Câmara após diversos embates.

Na visão de Renato Antunes, o projeto aprovado beneficiará apenas os recifenses que têm dinheiro para quitar a parcela integral do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana e da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares. O parlamentar afirmou, ainda, que a medida não visa conceder um auxílio à população atingida pela crise econômica decorrente da pandemia de covid-19, mas cobrir deficiências orçamentárias deixadas pela gestão municipal passada. “O prefeito João Campos está pagando agora pela má gestão do seu antecessor, que antecipou o IPTU de 2021. Agora, sofre na pele porque o município não tem receita para tocar os projetos sociais e as obras”.

Renato Antunes lamentou que as emendas apresentadas por ele, visando tornar o Programa mais abrangente, não tenham sido acatadas pela Câmara.

“Esse projeto nada mais é que uma tentativa de se antecipar a receita também daqueles que podem pagar. Nada contra isso, mas no momento seria necessário que a Prefeitura tivesse atitude e desse condições para que todo contribuinte pudesse ser adimplente ou mesmo conceder um desconto que fosse à altura, sobretudo pelo momento que a gente está vivendo Esse PLE foi vendido como programa de desconto, mas é antecipação de receita”, finalizou.


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12/04


2021

Advogado Emílio Duarte parabeniza o blog

Amigo Magno,

Entre as mais diversas felicitações pela passagem dos 15 anos do seu blog, veículo indispensável para quem gosta de se atualizar, receba as minhas. Sou testemunha da sua luta, dos percalços passados ao longo desses anos!

Felicidades e até os próximos 15!

Emílio Duarte – advogado


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