23/01


2021

Uma nação acéfala

Por Weiller Diniz*

O isolamento do capitão vai se adensando. O impeachment voltou a ser reverberado, reacendeu manifestações e afinou as panelas. Os desastres em todas as áreas vão empilhando derrotas ao governo. As apostas de Bolsonaro, internas e externas, malograram. Seus comparsas da direita perderam as eleições pelo mundo, no pleito municipal em 2020 o capitão foi o grande derrotado, a economia está destruída e Bolsonaro acaba de intubar seu maior fiasco na guerra das vacinas.

Perdeu no tom, no marketing, na estratégia ideologizada, no timing e na condução da crise, onde se esmerou em sabotar a ciência e debochar das milhares de mortes. Com gabinete do ódio, impulsionamentos em redes sociais, mentiras e bravatas de ruptura, o ajuntamento governamental não consegue mais camuflar a inépcia generalizada, responsável pela necrópole assustadora e a proscrição mundial de uma Nação.

Na política externa Bolsonaro fracassou e as consequências são funestas. O capitão apostou errado nas eleições da Argentina, Bolívia, na Venezuela e no plebiscito chileno. Soçobrou com Donald Trump, repelido pelas urnas. Depois de ceder em tudo na relação vergonhosa e servil aos EUA, transformando o Brasil em um pária global, o capitão perdeu um falso aliado e a referência mundial da direita hidrofóbica e extremista. A diplomacia brasileira foi esfolada. Bolsonaro ameaçou usar “pólvora” contra Joe Biden, recém-empossado que dará o troco, como a China fez. A selvageria golpista de apoiadores na saída de Trump, barbarizando o Capitólio, ainda contou com o endosso do capitão que, macaqueando o método, resgatou a tática de nutrir sua base com fanfarronices golpistas no cercadinho da estrebaria do Alvorada.

O resultado do desastre internacional é mais trágico e mais eloquente na pandemia. Em nome da vassalagem aos EUA, Bolsonaro, os filhos, ministros e ex-ministros dispararam agressões gratuitas contra a China que usou o “V” da vingança e obrigou Bolsonaro a ajoelhar para regularizar o repasse de insumos para produção das vacinas. As ironias, gracejos preconceituosos, racismo, xenofobia, acusações infundadas já refletem num custo muito alto, pago com vidas de inocentes. O governo afastou o Brasil do estratégico BRICs e a Índia, inicialmente, priorizou a exportação do imunizante de Oxford para países asiáticos. Saímos do fim da fila indiana depois do castigo inicial. Para buscar 2 milhões de doses na Índia foi montada uma farsa adesivando um avião. Mentem como método, mentem como os nazistas.

O saldo da indefensável ideologização da diplomacia é que o Brasil está brigado com as 2 maiores potências mundiais: China e EUA. O fornecimento de insumos para as vacinas está ameaçado e o auxílio de oxigênio veio do país que Bolsonaro considera inimigo, a Venezuela, inúmeras vezes hostilizado pela seita. As mortes por asfixia no Amazonas e no Pará evocam as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas e jamais serão esquecidas. A vacina russa, registrada em 8 países, foi negada, mas a cloroquina inútil foi recomendada por protocolos do Ministério da Saúde. O Brasil não fez nenhum pré-acordo com a vacina da Johnson & Johnson, prestes a ser aprovada nos EUA. Não temos vacina. Temos tubaína, cloroquina e uma latrina verborrágica.

O histórico do obscurantismo, do escarnecimento e desdém com as vidas é vasto em zombarias. Desde o primeiro dia o capitão minimizou inúmeras vezes a gravidade da doença, provocou e estimulou aglomerações, organizou churrascos, ofendeu os brasileiros chamando-os de “maricas”, conspirou contra a ciência e, ilegalmente, ainda hoje prescreve medicamentos sem eficácia contra a Covid-19. Na batalha das vacinas, derivada da ignorância e despreparo, perdeu todas. Um Aníbal Barca às avessas.

O Ministério da Saúde desprezou o imunizante da Pfeizer, o primeiro a ser aplicado no mundo com taxas elevadas de sucesso e segurança. Quanto ao mesmo imunizante disse: “Se você virar um jacaré, problema seu”. A aposta única, mal conduzida, foi na vacina de Oxford que atrasará ainda mais. Em pelo menos 10 oportunidades Bolsonaro detonou a Coronavac produzida pelo conceituado instituto Butantan, numa irresponsabilidade genocida. Eis o breviário da incúria e da mais abominável abjeção.

“Nós entramos naquele consórcio lá de Oxford. Pelo que tudo indica, vai dar certo e 100 milhões de unidades chegarão para nós. Não é daquele outro país não, tá ok pessoal?”(julho/2020); “E o que é mais importante nessa vacina, diferente daquela outra que um governador resolveu acertar com outro país, vem a tecnologia pra nós”(agosto/2020);“Vacina chinesa de João Dória”(setembro/2020);“Já mandei cancelar, o presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade”(outubro/2020 desfazendo a compra de 46 milhões de doses);“A da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para população.

A China, lamentavelmente, já existe um descrédito muito grande por parte da população, até porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido lá” (1 dia depois do cancelamento da compra); “Ninguém vai tomar sua vacina na marra não, tá ok? Procura outro. E eu, que sou governo, o dinheiro não é meu, é do povo, não vai comprar a vacina também não, tá ok? Procura outro para pagar a tua vacina aí” (A João Dória em outubro/2020); “Morte invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistas tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha” (novembro/2020, sobre a morte de um voluntário sem relação com os testes); “A eficácia daquela vacina em São Paulo parece que está lá embaixo” (dezembro/2020); “Essa de 50% é uma boa?” (janeiro/2021); “Desmoralizado pela baixa taxa de sucesso” (janeiro/2021); “A vacina é do Brasil, não é de nenhum governador” (janeiro/2021).

A incompetência e idiotia desinibiram-se na pandemia. Se transformaram em colapso, caos, expondo ao ridículo mundial o atrapalhado general de 3 estrelas que desmoraliza o Exército. A caserna virou uma caverna. Ressuscitaram o obscurantismo, revelando ogros, trogloditas, brucutus e outras bestas primitivas.

O despreparo, insegurança, truculência e a mentira sobressaíram nos chiliques fardados. “A senhora nunca me viu receitar ou dizer, colocar para as pessoas tomarem este ou aquele remédio”, afirmou Eduardo Pazuello sobre o uso da cloroquina e outras inutilidades. São inúmeras as manifestações de Bolsonaro, Pazuello e Ministério da Saúde enaltecendo o medicamento.

A publicação do MS incentivando o “tratamento precoce” recebeu um alerta no twitter por disseminar informações falsas ou enganosas. As fotos irracionais do capitão com caixas de cloroquina, inclusive para as emas, são eternas, insanas e inexplicáveis.

Na economia a inflação ressurge ameaçadora, o desemprego atinge índices recordes e estratosféricos, o capital privado escafedeu-se, o real derreteu como moeda, a dívida pública explodiu e as empresas vão fechando as portas diante da abulia governamental que insiste no ilusionismo do crescimento em “V” enganoso. O fim do auxílio emergencial, que maquiou um PIB medíocre, já começou a afetar negativamente a popularidade de Bolsonaro na virada do ano. O fechamento das atividades da multinacional Ford, há mais de 100 anos no Brasil, engrossará a massa de desempregados e o desdém governamental contribuiu para o desfecho trágico para os trabalhadores e suas famílias. Antes já tinham encerrado as atividades por aqui a Mercedes, Sony, Audi, entre outras.

O próprio Bolsonaro, viciado em leviandades, chegou a anunciar em suas vadiagens pelas redes sociais que a Argentina perderia 3 grandes multinacionais após a eleição de Alberto Fernandez. Honda, L’Oreal e MWM iriam fechar suas atividades no país vizinho e migrar para Brasil: “A nova confiança do investidor vai gerar mais empregos e maior giro econômico em nosso país”, mentiu em 2019 com o despudor inconfundível. Pouco mais de um ano da mentira, a “confiança” da Ford fechou mais de 6,5 mil empregos diretos no Brasil e manteve-se na “inconfiável” Argentina, que aprovou recentemente imposto sobre grandes fortunas, apresentado como fantasma que afugentaria investidores. Mas exportamos abacate para Argentina, celebrou Bolsonaro.

Internamente, no primeiro teste eleitoral após 2018, o fiasco nas eleições municipais foi ensurdecedor, com reveses individuais e políticos. Todos os candidatos que tentaram explorar a logomarca Bolsonaro fracassaram, inclusive a fantasma Wal do Açaí e Rogéria, ex-mulher e mãe da prole problema (01,02 e 03). O 02 se reelegeu vereador, mas perdeu 34% dos votos desde a última eleição. Jagunços que basearam a campanha no ideário bolsonarista (capitão, major, coronel, delegado, juiz etc.) malograram.

O capitão pediu votos para 5 candidatos em capitais: São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Manaus e Rio de Janeiro. Os eleitores nessas capitais somam 18 milhões de votos. Os nomes de Bolsonaro só alcançaram 1,5 milhão de votos, menos do que 10% do total no 1 turno. Apenas 1 avançou para o 2 turno e foi derrotado.

A direita escolheu um quadro tosco para tentar se reabilitar no Brasil. O resultado é a ameaça recorrente à democracia, retrocessos civilizatórios, morticínio, mitificação da ignorância, banalização da barbárie, apologia a facínoras e carniceiros, reiteração da mentira, charlatanismo, impunidade para amigos e parentes, promoção das milícias e canonização do banditismo. Depois dos fracassos anteriores, o próximo round é a eleição no Congresso Nacional. Sem resistências, sem a defesa da ordem jurídica ele seguirá, mesmo agônico, por mais 2 anos em conspirações. Exatamente como fez o ícone Donald Trump. Se derrotado, o impeachment se avoluma.

Além das pregações golpistas, bravatas contra os Poderes constituídos e crimes de responsabilidade, outras premissas para o impeachment estão postas: economia em frangalhos, isolamento mundial, incapacidade de governar, inexistência de agenda e perda gradual de popularidade. A conjunção desses fatores não evitou a queda de Fernando Collor de Mello e Dilma Roussef. Ambos tinham os corsários do centrão ao lado. O Brasil se tornou uma ilha anacrônica de imoralidades, malfeitos, embustes, extremismos, infâmia, incúria, irracionalidade, golpismo e desalento. A Democracia, em longe do que diz Bolsonaro, não é uma liberalidade das Forças Armadas; é um princípio constitucional. Ao contrário de 1964, agora a Nação está, de fato, acéfala.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no site Os divergentes.


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Comentários

gilson

Quem é pior, o Bolzo, ou quem ainda o defende? Esqueçam o PT, EXISTE VIDA EXTRA PT. Este incompetente está destruindo o país, e estes IMBECIES não percebem, esqueçam o PT, e analisem este incompetente, deixem de fanatismo.

VACÉLY WACEMBERG SANTOS DUARTE

Um idiota esse pseudo escritor!

marcos

Onde estava esse idiota Weiller Diniz no governo Dilma? A Jumenta referenciava a mandioca , estocava vento e via a figura de um cachorro nas crianças, e ele nunca publicou porra nenhuma. O choro é livre Diniz.

Fernandes

É verdade, acéfala!

Jose Roberto Correia de Jesus

Menos Magno... Estsmos firme com Bolsonaro... Isso aí é dor de cotovelo... inveja pura...


Cabo 2021

Confira os últimos posts



27/02


2021

Onyx Lorenzoni de volta à Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, pediu exoneração do cargo para reassumir o mandato de deputado federal. A medida foi confirmada, ontem, na edição extra do Diário Oficial. Segundo sua assessoria, ele volta à Casa Legislativa "para tratar de emendas do orçamento no Congresso Nacional". Ao posto de ministro, retornará no dia 02 de março.


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27/02


2021

O carro do presidente

Da coluna de João Alberto 

O carro que o presidente Jair Bolsonaro tem usado é um Ford Fusion Hybrid, batizado de Fusion Presidencial, que pode ser visto na chegada dele para os encontros com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada. 

Não se sabe, se com saída da Ford do Brasil o automóvel será mantido.


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Banner Jaboatao 2021

27/02


2021

Belo Jardim paga folha e injeta R$ 8 mi na economia

A Prefeitura de Belo Jardim, no Agreste pernambucano, pagou o salário de todos os servidores entre os dias 25 e 26 de fevereiro. Com a quitação salarial de todas as categorias, R$ 8.130.487,34 foram injetados na economia local.

Na última quinta-feira (25), o montante relativo ao pagamento dos servidores aposentados, incorporados ao Belo Jardim Prev, foi de R$ 2.230 milhões. Para servidores efetivos, houve a destinação de R$ 3.023.593,46. Já a sexta-feira (26) foi a data de pagamento dos comissionados (R$ 264.129,04); contratados (R$ 2.258.407,05); mandato eletivo (R$ 41 mil); Pensão Especial (R$ 3.300) e Assistência Social (R$ 310.057,79).

Para o prefeito de Belo Jardim, Gilvandro Estrela (DEM), essa é uma maneira de mostrar que a administração municipal está empenhada em honrar os compromissos firmados, além de buscar formas de quitar débitos gerados por gestões anteriores. “O pagamento da folha salarial é o resultado da busca pelo equilíbrio financeiro da gestão, da redução nos custos da prefeitura e secretarias e na aplicação das receitas de maneira responsável.  Com isso, o governo está conseguindo manter o ritmo de pagamento como prometido", afirma.

Ainda na visão do prefeito, a pontualidade no acerto salarial não dá apenas segurança aos profissionais de diversos setores da administração pública e suas respectivas famílias que dependem da renda, auxilia e dá suporte também ao fomento do comércio e setor de serviços da cidade.


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27/02


2021

Nos primeiros clarins, há 8 anos fevereiro levou mamãe

Fevereiro é o segundo mês do ano pelo calendário gregoriano, décimo-segundo e último no calendário luni-solar romano. O fato de sua origem ser o último mês do ano faz com que tenha a duração de 28 dias, a não ser em anos bissextos, adicionados um dia. É o primeiro de cinco meses a ter menos de 31 dias, mas o único deles com duração inferior a 30 dias. Para nós, do tronco Martins, de mamãe Margarida, ventre com raízes fincadas na paraibana Monteiro, nove filhos concebidos pela graça do Espírito Santo e a vocação de touro reprodutor do meu papai Gastão, é um mês doloroso.

Faltando apenas um dia para se despedir do ano de 2013, há exatos 8 anos, fevereiro arrebatou com um sopro repentino a nossa luz materna. Levou mamãe quando os clarins do Galo anunciavam o Carnaval. De repente, mais que de repente, o mundo dos Martins se fez trevas, uma escuridão que parecia sem fim. 

Fevereiro vem do latim februarius, inspirado em Fébruo, deus da morte e da purificação na mitologia etrusca. Os melhores carnavais eu vivi em fevereiro, mês da alegria, das colombinas que viram paixões cegas. Não imaginava que fevereiro também viesse a ser o mês da maior tristeza que se apodera, como visgo, da alma, do espírito e do coração de um ser humano: a perda de uma mãe.

Quando se perde uma mãe o mundo desaba sobre as nossas cabeças. Abre-se um calendário com dias de saudade do amor ausente, cicatriz que nenhum tempo cura. Mães que partem vivem eternamente na saudade, presente na memória dos seus filhos. Veste-se um luto eterno. Para mim e todos os meus oito irmãos, mamãe era um riacho abundante de água. A sua morte secou o riacho. Deixou nosso mundo seco e deserto.

Muitas pessoas sonham em ver anjos. Fui um sortudo: nasci e fui criado por um anjo, sempre ao meu lado, me protegendo 24 horas. Meu anjo Margarida, não estava escrito nas estrelas, morreu no mesmo dia em que botou no mundo, há 55 anos, o seu filho caçula Gastão Filho. Desde então, a tristeza impede ele a comemorar com alegria e emoção o seu aniversário. 

Mãezona como era, se pudesse, teria deixado para se despedir do mundo no dia seguinte, para não contrariar o filho, nem deixá-lo abatido ao invés de alegre na data do seu niver.

A falta de mamãe aperta tanto o meu coração que a saudade escorre pelos olhos. Penso nela em silêncio e às vezes chego a chamar seu nome. Sua lembrança continua viva dentro de mim, eternizada em meu coração.


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Petrolina 2021

27/02


2021

Kajuru pede impeachment de Alexandre de Moraes

O Antagonista

A determinação da prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira por Alexandre de Moraes — posteriormente referendada por unanimidade no plenário do STF e confirmada pelo plenário da Câmara — , levou o senador Jorge Kajuru (Cidadania) a apresentar um novo pedido de impeachment do ministro do STF.

No pedido, ao qual O Antagonista teve acesso, Kajuru diz entender que não houve por parte do deputado Daniel Silveira “ameaça”, e, sim, “exasperação, má-educação, grosseria, baixo nível”. Ainda na avaliação do senador, a prisão desrespeita a imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição.

Kajuru escreveu no pedido:

“Não se pode admitir – e esta Casa não pode tolerar – que o Poder Judiciário use do seu poder de império, não para atender finalidade pública, mas como instrumento de mordaça, impedir críticas públicas, e exercer o direito de livre manifestação de pensamento e expressão.”

Kajuru, no documento, ainda cita o inquérito das fake news — aquele que censurou Crusoé e O Antagonista — e diz que Alexandre de Moraes se utiliza desse instrumento “para intimidar, ameaçar e violar os direitos e liberdades individuais de quem ousa se manifestar contra a Corte e seus membros”.

Para ser analisado no plenário do Senado, o pedido de impeachment precisa ser levado a sério pelo presidente, hoje Rodrigo Pacheco, que dificilmente o fará.


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Serra Talhada 2021

27/02


2021

Yves encontra governador e anuncia investimentos

Em sua primeira agenda oficial com o governador Paulo Câmara (PSB) após ser empossado no cargo de prefeito de Paulista pela terceira vez, Yves Ribeiro (MDB) anunciou investimentos em obras de infraestrutura urbana e ações nas áreas de saúde e educação em parceria com o governo estadual. O encontro ocorreu, ontem, no Palácio do Campo das Princesas.

Acompanhado do vice-prefeito, Dido Vieira (MDB), do secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Jorge Carreiro, e do secretário executivo de Gabinete, Marcos Eduardo, Yves apresentou ao governador reivindicações da gestão do município voltadas para obras de infraestrutura urbana, saúde e educação. O prefeito de Paulista destacou o recapeamento e construção da PE-22, integrando a PE- 01 (Avenida Tancredo Neves, no bairro de Jardim Paulista a Paratibe), a revitalização da ciclofaixa da PE-15 e a construção de canteiros paisagísticos nas rodovias estaduais do município. 

Já Paulo Câmara informou que já autorizou a execução da obra de pavimentação da PE-18, que liga Paratibe ao complexo industrial de Caetés 1, em Abreu Lima. Ainda de acordo com o governador, o Estado vai liberar R$ 800 mil para a Prefeitura de Paulista investir em obras de infraestrutura e mobilidade urbana. O recurso será aplicado para ligar a comunidade de Nossa Prata ao bairro de Maranguape 1 e servirá também para a requalificação de toda iluminação pública da PE-15.

O prefeito emedebista revelou que serão firmadas parcerias entre as duas esferas de governo para a ampliação da rede escolar, com a implantação de escolas em período integral, assim como na construção de uma UPA na região das praias. "Vamos espalhar obras públicas por todos os recantos da cidade e desenvolver ações de fortalecimento da cidadania, ouvindo sempre o povo nas ruas", afirmou Yves.


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27/02


2021

Os verdadeiros heróis e a importância dos exemplos

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho*

Por princípio, o idealismo está ligado ao conservadorismo, como o exemplo do nazismo e o idealismo alemão. Ao contrário, as ações empíricas relacionam-se à filosofia liberal, de Hume e outros. Já o tradicionalismo de Bolsonaro e Trump apoia-se na desconstrução, sem idealismo ou liberalismo. 

Talvez isso explique, ao menos em parte, o que vivemos. De certo, estamos num tempo sem lideranças e relações práticas entre filosofia e política, tão importantes na busca da felicidade em sociedades mais evoluídas. Os mais de 30% que apoiam o Bolsonaro sempre existiram, são eles que têm saudade da glória dos que servem ao rei, é de um saudosismo tolo e infantil. Versam sobre o mantra dos justiceiros, bem próprio dos egoístas, dos que temem o debate, daqueles que tem certeza de quase tudo. Aliás, esses são ingredientes fundamentais aos movimentos de massificação e manipulação. 

Nas últimas décadas, o Brasil do futuro amparou-se na lógica dos economistas financistas, influência inequívoca do mercado e da sociedade de consumo. Sou do tempo que não podíamos questionar axiomas, como o que a responsabilidade fiscal propiciaria o “welfare state”. Infelizmente o estado de bem estar social não aconteceu, ou melhor, ainda não vem acontecendo. O mundo expandiu as desigualdades e os conflitos. 

A melhoria da saúde e da felicidade tem relação evidente com a redução de desigualdades. No Brasil, caminhamos a meu ver, para um estado mais rico e com maior concentração de renda, e para um povo mais pobre. O desafio é secular. O Brasil está sem projeto nas suas áreas mais prioritárias. Não qualquer exemplo de iniciativa para a mudança do modelo de desenvolvimento, prioritariamente, capaz de reverter a desigualdade entre as regiões do Brasil. Trata-se de um processo político, quanto as definições de investimentos, na qualificação das desonerações fiscais e de transformar as escolhas acertadas em orçamento real. 

Várias demandas precisam ser solucionadas. Entre elas, estão a de reduzir indicadores básicos como os da violência, que guardam relação direta com o desenvolvimento sustentável e com a desigualdade, e principalmente, dar equidade ao desenvolvimento das regiões econômicas e da saúde. O Ceará do futuro tem que ser agora, justamente diante da maior crise social do século. O Ceará do futuro precisa ser um país, e rever seus mecanismos de representação social e política. 

Precisamos, também, combater com coragem e determinação essa massificação do pensamento, que tem por estratégia a escolha dos culpados, fazendo parecer aos desavisados e decepcionados, que uma infantil volta ao passado, ao tempo da separação dos alunos nas salas de aula, ao preconceito com os homossexuais e, principalmente, a proibição da cultura e identidade da nossa sociedade. São esses os ingredientes do pensamento de boiada. Em fim, desejam o retorno de uma sociedade estática, em geral, com valores moralistas e hipocritas. Guardam sim um saudosismo dos anos da ditadura, que insistem não ter existido. É um tipo de vontade óbvia de  recuperar a proteção dos escolhidos e protegidos, e a perseguição daqueles que não toleram a desigualdade social e os preconceitos. Refiro me ao patrimonialismo brasileiro. 

Porém, não sou um pessimista, nem faço parte dos que acreditam que tudo piorou. Pois, não conseguirão, simplesmente por não silenciarmos. Opto por ser um otimista realista, por ser um liberal, principalmente no julgamento aos hábitos e costumes, e ainda, por convicção dos males que a falta de humildade proporciona a humanidade, por causar prejuízos ao espírito e à possibilidade de colaboração com o desenvolvimento intuitivo, tão importante na história de nossa sociedade. 

Perdoem-me pelo meu modo sem jeito de analisar a nossa realidade. O faço para combater a apatia, e principalmente, o autoritarismo e a dificuldade de aceitar as mudanças, ou mesmo as críticas. 

Acredito que estamos num momento de ruptura, para fazer o amanhã mais harmônico. Entre várias ações, um bom começo seria mudar nossos mitos, reconhecer e enaltecer heróis como  Carlos Chagas, Machado de Assis, José de Alencar, Rodolfo Teófilo, dentre outros. São eles os exemplos de doação, dedicação, altruísmo e coragem, valores essenciais para uma sociedade com mais equidade e justiça. São eles os verdadeiros ídolos que governam nossas vidas, pelos exemplos  de vida. 

Enfim, não precisamos usar ou manchar a bandeira de sangue, nem tampouco exaltar um positivismo nacionalista e excludente. A bandeira significa pouco, mas os valores exprimem muito de uma sociedade!!!

*Médico e secretário de Saúde do Ceará


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Comentários

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Para esse senhor, bom mesmo foi o período dos ladrões que, após a intervenção militar, ficaram mais de trinta anos no poder e só fizeram dá proteção e direitos a bandidos e saquear o Brasil. Um hipócrita e esquerdista caviar.


Jornao O Poder

27/02


2021

Jarbas recebe vacina contra a Covid-19

O senador Jarbas Vasconcelos (MDB-PE), 78 anos, tomou a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, hoje, em um posto drive-thru no Recife. Ele divulgou o momento da imunização em sua conta oficial no Instagram e aproveitou para defender a ciência e a vacinação.

"Após me cadastrar e aguardar o agendamento por parte da Prefeitura do Recife, recebi, neste sábado, a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Um momento de muita alegria e de reconhecimento a todos os envolvidos nessa verdadeira luta que estamos travando contra a pandemia. Sigo confiando na ciência e adotando todos os protocolos de saúde que continuam sendo importantes e necessários. Que todos possam se vacinar também o mais breve possível!", escreveu.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

27/02


2021

O homem que amava livros e poesia

Por Antônio Campos*

Um dos grandes vultos da cultura brasileira do século XX, Edson Nery da Fonseca inovou no campo da biblioteconomia. Criou técnica de arquivos e de preservação de livros e documentos. Neste ano, em dezembro, será o centenário de nascimento do ilustre pernambucano de Recife. 

A Fundação Joaquim Nabuco já iniciou  os preparativos para marcar essa importante data. Em 23 de abril, Dia Nacional do Livro,  Edson Nery será celebrado. E lembrado não só como bibliógrafo, bibliotecário, historiador, intérprete e crítico literário. Atividades que exercia com tamanha qualidade que, já aos 20 anos incompletos, era elogiado por Álvaro Lins. E visto com Gilberto Freyre a realizar pesquisas em arquivos da Câmara Federal. 

Não podermos esquecer do legado que nos deixou com o seu pioneirismo metodológico na Biblioteca Nacional, de Brasília, a que tive a oportunidade de visitar há poucos dias. Nessa biblioteca, que continua sendo uma referência pelo tratamento arquivistico e catalogação do acervo, Edson Nery deixaria a marca de sua competência inovadora. 

Importante destacar nas celebrações a  sua participação, durante décadas, no Seminário de Tropicologia, quando era presidido por Gilberto Freyre, na Fundaj,  instituição a que tenho a honra de presidir. Na Fundação, Edson Nery tornou-se um dos mais próximos colaboradores, em pesquisas, do autor de 'Casa Grande & Senzala", ao lado de Gilberto Osório de Andrade, Estevão Pinto, Renê Ribeiro, Maria Graziela Peregrino, Clovis Cavalcanti, Paulo Rosas, Frederico Pernambucano, Mário Souto Maior, Waldemar Valente, Maria do Carmo Tavares de Miranda e Fátima Quintas.  

Na celebração de seu centenário, no dia 23 de abril, farei uma palestra pelo canal da Fundaj, no YouTube. Abordarei o tema "O livro na era digital, o suporte material dos textos e as variadas formas de ler em época de aceleração digital." Vou lembrar o quanto foi gratificante, para mim, a oportunidade que tive de produzir um CD com a voz de Edson Nery. Ele que foi um dos nossos grandes intérpretes e declamadores da poesia de Manuel Bandeira. 

Para ser mais preciso, não só de Bandeira, o seu preferido a vida inteira, mas dos poetas do seu íntimo miradouro. Vou reeditar esse CD, pela importância histórica e afetiva que ele enseja. Edson Ney tinha o que Rolland Barthes no seu monumental "A Aventura Semiológica", chama de Ethè, os atributos do orador, os traços fundamentais de quem fala. Possuía o dom da voz e a  imponência corpórea. Era prazeroso escutar Edson declamar Bandeira.  

Além de ter sido o mais importante e conceituado mestre na sua especialidade,ele próprio se dizia bibliófilo e “bibliósofo”, "Bibliósofo”, como o chamava seu amigo Antônio Houaiss, que não se cansava de convidá-lo para, ambos, realizarem grandes projetos. 

Na sua casa olindense, a 20 metros do Mosteiro de São Bento, nas visitas que fiz vi de perto os 595 volumes sobre o sociólogo Gilberto Freyre, de quem Nery foi amigo por 47 anos. Tornou-se o maior conhecedor, no campo da bibliografia, assim como biógrafo do Mestre de Apipucos.

A historiadora Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, curadora da homenagem a Gilberto Freyre na Festa Literária Internacional de Paraty de 2010 e autora da biografia "Gilberto Freyre: Um Vitoriano dos Trópicos", confirma Edson Nery como o maior conhecedor da obra de Freyre: “Penso que não há exagero em dizer que ele conhece praticamente todos os livros, artigos, opúsculos que Freyre escreveu, assim como muito do que foi escrito sobre sua obra”. Antes de Maria Lúcia, Otto Maria Carpeaux, de quem Edson era amigo, já dizia isso, juntando-se as vozes de Eduardo Portela e Vamireh Chacon, outros grandes leitores de Edson e pesquisadores da obra de Gilberto.  

A Fliiporto, por minha iniciativa, em 2013, foi dedicada à sua vida e à sua obra. Recordo a alegria que Edson Nery teve ao ser aplaudido por milhares de pessoas. Saiu do leito de enfermo, fez questão de estar presente, assistido por dois enfermeiros. O acompanhei nesse trajeto. Não, queria perder a oportunidade de estar perto da multidão que o aplaudia de pé.  

Não sei qual das vozes mais cheias de emoções e fervor, a do numeroso público ou a dele. A Fliporto engrandeceu-se naquela noite, no Pátio do Carmo. Podíamos ouvir, ao longe, os sinos da Abadia do Mosteiro de São Bento, quando da entrada de Edson no palco monumental do evento.  

Ao voltar para a casa, Edson teria visto pela janela do carro, que o conduzira em marcha lenta, a cidade que tanto amou. A Olinda das ladeiras, do casario e quintais ensolarados, das sete colinas onde o ar se faz mais fino, das igrejas e seus sinos seculares, das procissões centenárias, das ladainhas e orações da gente simples, do seu querer bem aos livros e aos seus gatos de estimação. Um amor que não consentia extinção.  

*Advogado, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letra e presidente da Fundação Joaquim Nabuco


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27/02


2021

A dor que vai virar posteridade

Esta foto, enviada, há pouco, pelo meu amigo Donizete Arruda, craque da Imprensa cearense, tocou profundamente o meu coração, rasgou minha alma por dentro e por fora. Vai entrar para a história da mídia brasileira: mostra jornalistas exibindo a última edição impressa do Diário do Nordeste, o maior jornal do Ceará, que a partir da segunda-feira, 1°, vira 100% digital.

Embora pioneiro no Nordeste na ferramenta digital do jornalismo, sou filho do papel. E por isso, choro. Aprendi a fazer notícias e gerar manchetes, logo cedo, imberbe, num papel exalando cheiro de tinta. Meu ouvido ficou viciado no barulho das rotativas impressoras. O jornal foi companheiro de todas as horas, começando pelo café da manhã.

Joaquim Nabuco dizia que atrás do jornal não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo.

Jornais foram criados para excitar a curiosidade. 

Jornal já serviu até para anunciar o amor. "Pensei em colocar um anúncio no jornal pra todo mundo ficar sabendo o quanto eu amo você", já li num velho matutino. Eu sou como um jornal: tenho meus dias, meus meses, meus anos, sejam eles bons ou ruins.

Trago sempre comigo notícias, sejam elas de inverno ou jardim. Anuncio um mês e um ciclo, sou também preto e branco quando me dão liberdade. 

Alguém me dê uma notícia que não esteja no jornal. Saudoso, compartilho da dor dos colegas cearenses. Um bom jornal é uma Nação falando consigo mesma.

Esta foto é a minha dor e de tantos companheiros estampada no jornal da história. Jornal inspirou até os poetas: A vida é vã, banalidade... É como jornal de hoje, amanhã será papel de embrulho. 

A vida não é como um jornal, que pode ter uma edição do amanhã. Ler jornal, já ouvi, é o melhor remédio para se reinventar. Dou uma rápida leitura no jornal e tiro duas frases que podem me dar muitos dias de reflexão e assunto para muitos textos.

O último Diário do Nordeste é a foto drumoniana na parede. Dói muito.


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