Cabo 2021

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08/03


2021

Guedes: Auxílio emergencial ficará entre R$ 175 e R$ 375

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, hoje, que a nova rodada do auxílio emergencial contemplará valores entre R$ 175 e R$ 375, dependendo da composição das famílias beneficiadas. Segundo ele, o valor médio será de R$ 250.

A PEC emergencial, que viabiliza a retomada do auxílio emergencial, foi aprovada na semana passada pelo Senado Federal, mas ainda passará pela Câmara dos Deputados. A expectativa do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é a de que o texto seja aprovado na próxima quarta-feira (10), se houver acordo.

"Esse é um valor médio [R$ 250], porque, se for uma família monoparental, dirigida por uma mulher, aí já é R$ 375. Se tiver um homem sozinho, já é R$ 175. Se for o casal, os dois, ai já são R$ 250. Isso é o Ministério da Cidadania, nós só fornecemos os parâmetros básicos, mas a decisão da amplitude é com o Ministério da Cidadania", declarou Guedes em entrevista no Palácio do Planalto.

A PEC Emergencial, que autoriza a extensão do auxílio, não detalha valores, duração ou condições para o benefício. O texto flexibiliza regras fiscais para abrir espaço para a retomada do programa. Isso porque, pela PEC, a eventual retomada do auxílio não precisará ser submetida a limitações previstas no teto de gastos.

A proposta prevê também protocolos de contenção de despesas públicas e uma série de medidas que podem ser adotadas em caso de descumprimento do teto de gastos, regra que limita o aumento dos gastos da União à inflação do ano anterior.

O texto da PEC emergencial, aprovado pela Câmara dos Deputados, fixou um limite para gastos fora do teto, no valor de R$ 44 bilhões, para custeio do novo auxílio.

Essa trava não é uma estimativa de quanto custará o programa, mas um teto de recursos para bancá-lo. O limite foi definido após parlamentares tentarem estender ao Bolsa Família a possibilidade de extrapolar o teto, proposta que, segundo Arthur Lira, não será aprovada pelo Congresso.


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08/03


2021

Hoje é um dia de luta e não romântico

Por Almir Reis*

O dia internacional da mulher é uma data marcante e que motiva uma série de debates. No âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil, ainda que tardiamente, o Conselho Federal da instituição deu um passo importante estabelecendo a paridade de gênero na composição das chapas para as eleições que ocorrerão em novembro de 2021.

Cuida-se de um ganho não apenas para o sistema da OAB, mas para a sociedade como um todo. As mulheres representam mais da metade da estrutura da advocacia brasileira. E esperar que existisse uma transformação por vias orgânicas do status quo, numa sociedade historicamente desigual como a brasileira, seria adiar indefinidamente a busca pela equidade de gênero na direção da instituição.

Em que pese a aplicabilidade imediata da paridade de gênero, os desafios não findam aqui. É preciso ter muito cuidado com o uso das bandeiras igualitárias apenas como pano de fundo para fins eleitoreiros. Apesar da causa ser nobre e praticamente consensual desde sempre, comenta-se nos bastidores que a mudança ocorreu em ano eleitoral da entidade na tentativa de suavizar a péssima avaliação da atual gestão junto à advocacia militante, permitindo a criação de uma pauta positiva que venha a garantir a perpetuação de alguns dirigentes na direção da entidade.

Importante registrar que o atual quadro de diretores do Conselho Federal da OAB é composto exclusivamente por homens. Agora, nas vésperas das eleições, os mesmos diretores que excluíram as mulheres da posição de protagonismo na eleição interna ocorrida em 2019, agora defendem “misteriosamente” que a participação delas em todas as posições da OAB é imprescindível, inclusive em posição de igualdade com os homens.

Não existe dúvida de que a diversidade na composição do corpo diretivo de uma instituição tão relevante como a OAB é pauta que urge! A entidade levou quase 90 anos para visualizar o óbvio. E quando o fez nos parece que o objetivo passa longe de reconhecer o inquestionável protagonismo da mulher advogada. A participação feminina em cargos de comando deve ocorrer independente de interesses eleitorais.

Não se admite a existência de uma gestão que não apoie o empoderamento da mulher, que não entenda o quanto as mulheres abrilhantam os debates em suas áreas de expertise. Elas são (e sempre foram) indispensáveis para uma gestão mais criativa, plural e democrática.

Hoje, num dia tão marcante para as mulheres, o movimento que tenho o prazer de liderar assume um compromisso irrestrito com a mulher advogada. E não só na ocupação de posições. O protagonismo que é tão necessário (não só no papel) finalmente avizinha-se! Chegou a hora de elas terem vez e voz!

*Advogado, professor e líder do movimento “A ordem é renovar”


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Ipojuca 2021

08/03


2021

Grupo Alpha comprova sucesso da liderança feminina

O Grupo Alpha, um grupo educacional recifense idealizado por duas mulheres, as CEOs Luciana Vitor e Suelandre Gonsalves, iniciou suas operações em 2012 e, hoje, detém de 90% da sua gestão liderada por mulheres, onde é coordenado com apenas 10% do público masculino. O Grupo empresarial vem dando certo, sob ótica feminina da qual é perceptiva e persistente, além de outros atributos, galgando dia a dia seu crescimento e conquistando resultados positivos no quesito educação de qualidade. Os cargos são estratégicos e vão de diretores a gestores acadêmicos e gestores administrativos.

Para Priscila Santana, diretora de marketing do Grupo Alpha, é muito gratificante fazer parte do quadro funcional da empresa. “Assumir um cargo de gestão tão importante no Grupo Alpha, é uma realização desafiadora, por isso, me sinto grata e realizada pelo trabalho que exerço com tanto afinco. É um orgulho saber que além de mim, temos na instituição outras gestoras empoderadas compondo o quadro da empresa. A prova disso é o nosso crescimento gradual”, ressaltou.

Em meio aos desafios que as mulheres ainda enfrentam na sociedade para impor a sua presença e liderança, o Grupo Alpha comprova que ser encabeçado por mulheres é a formula para o sucesso da rede.


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08/03


2021

A poderosa errou até o nome da minha terra

Seria cômico se não fosse trágico a Globo fazer uma bela reportagem para o Fantástico, exaltando o gesto da jovem Roberta Mascena, que se vestiu de faxineira na colação de grau no curso de Pedagogia em homenagem à mãe Marlene Cordeiro, tropeçando na grafia da minha cidade.

Experiente repórter, Marcos Uchoa não se deu ao trabalho de apurar o nome correto da cidade em que a homenageada nasceu. A grafia correta é Afogados da Ingazeira e não Afogados de Ingazeiras, como pronunciou. Se tivesse recorrido à regra básica do jornalismo na apuração, checar algo quando se tem dúvida indo ao Google, não teria tropeçado. 

Feio. Sua reportagem foi bonita e emocionante, mesmo recorrendo ao velho e batido jargão de um Nordeste miserável e uma São Paulo rica, como a Globo adora em suas edições com um viés preconceituoso.

Admito que o nome da minha cidade, também da mãe de Roberta, é esquisito, soa estranho, mas a história sustentada numa lenda na qual um casal em lua de mel foi atravessar o Rio Pajeú, morreu Afogado e foi encontrado no pé de uma Ingazeira, três dias depois, emociona. E se justifica.

O ex-presidente Lula nunca conseguiu também pronunciar certo o nome da cidade. Em discursos e entrevistas dizia Afogados dos Ingazeiro. Fernando Henrique Cardoso falou Afogados de Ingazeiro. Tudo bem, político sempre é desleixado, mas a Globo é a segunda maior TV comercial do mundo, não se pode dar ao luxo de errar o nome de uma cidade num dos seus programas de maior audiência, em horário nobre de domingo.


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Jaboatão Março 2021

08/03


2021

Quando um Governo é criativo

O governo de Alagoas, através da banda musical da Policia Militar, divulgou, hoje, em suas redes sociais, uma homenagem feita por mulheres integrantes da corporação às demais alagoanas, pelo Dia Internacional da Mulher. Confira a belíssima e criativa homenagem.


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Petrolina 2021

08/03


2021

Jornalista mostra que nos EUA economia não travou

Em vídeo enviado ao blog, o jornalista brasileiro Joaquim Neto, residente em Washington DC, capital americana, vai às ruas e ao comércio próximo à Casa Branca e mostra que a pandemia não estrangulou a economia como no Brasil por decisão dos governadores. Clique e confira!


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Serra Talhada 2021

08/03


2021

83% dizem que há machismo no Brasil

Poder 360

Pesquisa PoderData mostra que 83% dos brasileiros dizem haver machismo no Brasil. Para 7% da população, a desigualdade de gênero não existe no país. Essa é a 1ª vez que a divisão de estudos estatísticos do Poder360 pergunta sobre a percepção de machismo no país.

Além de questionar os entrevistados sobre machismo, o PoderData fez a seguinte pergunta: “Você se considera uma pessoa machista?”. Os entrevistados que se consideram machistas são 11% do total. Já os que não se consideram machistas somam 80%.

Ou seja, 83% dos brasileiros acham que há machismo no país, mas só 11% se consideram machistas.

Os números estão sendo divulgados hoje, Dia Internacional da Mulher. A data lembra a luta das mulheres durante a 1ª onda do feminismo, marcada por reivindicações de trabalhadoras por maior igualdade na sociedade entre o fim do século 19 e o início de século 20. O 8 de março foi oficializado como data da mulher pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1977.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, divisão de estudos estatísticos do Poder360. A divulgação do levantamento é feita em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes.

Os dados foram coletados de 1º a 3 de março, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 509 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população. Clique aqui e confira a matéria na íntegra.


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08/03


2021

Vamos ficar todas nuas

Por Mariana Teles*

Nunca me senti tão provocada a escrever sobre feminismo, sobre mulheres como nos últimos dias. Não é a data nem o simbolismo, é a necessidade atemporal de afirmar o óbvio. Na imensa maioria das vezes eu estava mais preocupada em garantir meu espaço de luta sem precisar invocar a condição de mulher. Sem perceber que o machismo que eu apontava nos homens, vestia saia e na maioria das vezes era exatamente o meu número. 

Possivelmente, se estivesse escrevendo esse texto meses atrás iria falar sobre os avanços da legislação na consolidação dos direitos da mulher, o número de casos de violência crescendo abruptamente durante a pandemia, as desigualdades do mercado de trabalho, as políticas públicas de proteção social, enfim o mesmo discurso simbólico de todo oito de março. Mas esse texto é sobre cultura. É sobre vivência. Talvez o que chamaríamos de ‘’lugar de fala’’. Um texto necessário que pediu para nascer, embora dolorido, como todo parto, como tudo que uma mulher dar à luz, tudo que ela traz ao mundo.

Maria da Penha, feminicídio, violência doméstica são os codinomes dados as repostas normativas na busca de corrigir uma deficiência histórica, cívica e moral. Respostas tímidas para um Brasil que assiste deputado assediar colega em plenário, que os partidos transformam a política de cotas em um grande laranjal de vestidos, que a violência de gênero não escolhe classe social, que o feminismo ainda é uma pauta associada aos movimentos de mulheres mostrando os seios ou queimando igrejas (como os fundamentalistas preferem associar), que aborto não é discussão de saúde pública e que o ministério que responde pelas políticas de inclusão só conseguiu dizer até agora que menina veste rosa e menino veste azul.

Mas esse texto não é sobre direito nem política somente. Não é escrito com a automação da caneta da advogada. É um texto de uma mulher que se reconhece machista e que precisou sentir por todos os poros o quanto a luta do feminismo também lhe pertence. 

Da mesma forma que essa discussão não deve padecer de sequestro ideológico por parte da fala feminina, o machismo também não é um item de exclusividade do armário masculino. Me sinto machista na maior parte do meu tempo. O processo de desconstrução é lento e talvez só prospere em outras gerações.

Nasci sertaneja, única filha de três irmãos, militei na política estudantil e na cultura popular durante a adolescência e herdei impressões e posturas que todas essas condições e escolhas me impuseram. De casa, aprendi que mundo é substantivo masculino e luta é verbo feminino. Subi em palcos reservados aos homens e quando lancei meu primeiro livro escutei que o que eu escrevia era tão bom, que nem parecia ser escrito por uma mulher. E ainda acharam que isso era um elogio. Me tornei advogada e mais uma vez a condição de mulher, nesse contexto agravada por ser sertaneja e com um sotaque arrastado, mais uma vez me colocou em porões de preconceitos que de tão naturalizados eu não sentia. Nos alimentamos do machismo velado que impuseram na nossa formação e queremos combater lá fora, sem antes desconstruir suas faces aqui dentro. E que são muitas.

Bati inúmeras vezes no peito para dizer que apesar de ler Simone de Beauvoir não me sentia feminista por não gostar do excessivo uso do termo para justificar essa ou aquela postura. Produto da criação, das condições de clima e temperatura de onde venho. E assim foi por muito tempo. Julguei a colega ao lado da minha cadeira na faculdade pelo tamanho da roupa, apontei a professora separada que paquerou um aluno, criei quase um vernáculo impublicável para batizar as mulheres que não se encaixavam dentro do que aprendi ser certo. E talvez, fosse uma delas com bem menos coragem. Mas repetia que não, não precisava do feminismo. Dizia que chegava onde estava chegando por um atributo que não escolhe sexo, a competência.

Quanto engano! Quanta babaquice! Precisei do feminismo desde a primeira discussão com um   irmão dentro de casa, quando levantei a voz na sala de aula, que recusei dançar com alguém numa festa, beijar no carnaval, quando assumi um relacionamento com um homem mais velho, quando escolhi uma saia mais curta, quando fiquei em rodas masculinas discutindo assuntos ditos masculinos, quando quis aprender a dirigir, quando viajei sozinha pela primeira vez, quando esperei sozinha o ônibus da faculdade, quando não conseguia dormir nas viagens de ônibus a noite com medo de um desconhecido sentar ao meu lado por horas ou naquela cantada insistente de um professor... Tantas vezes! Todos os dias! De todas as formas. Nessas horas pareço ouvir Pitty cantando que “ele estava ali o tempo todo, só você não viu.”

O machismo indolor começou a se transformar numa ferida pequena, gerada por comportamentos involuntários e sucessivos. Era ao mesmo tempo criadora e criatura, a amiga que apontava a outra por essa ou aquela postura, a que julgava a cor do batom, a que dizia que não confiava em ‘’fulaninha perto de fulaninho’’. Na condição de criatura, não adiantava um currículo extenso, o tamanho do decote era muito mais importante do que o do lattes. Quando criadora, apontava exatamente aquilo que mais combatiam em mim.

Lembrei que julgava a Marcela do Michel, a Ana Paula do Justus, a Michelle do Jair e a minha vizinha que desfilava grifes e grifes e ninguém sabia quem custeava.

Mas e aí, Mariana? E o processo de desconstrução? Você protestou nas ruas mostrando os seios com uma faixa levantada? Quando a obviedade do feminismo fez sentido nas suas lutas?

Feminismo não é somente seios de fora ou protestos. É garantir o direito de quem quiser protestar, protestar, quem não quiser, não ser obrigada. É sobre poder ser. Nunca tinha parado para pensar nos comportamentos que naturalizamos. Até que me deparo refletindo sobre poucas mulheres liderando o mercado financeiro, poucas mulheres nas atividades atribuídas aos homens (como as engenharias, por exemplo), um déficit representativo na política que reflete no debate da democracia, mortes, agressões. Eu não via onde essas mulheres estavam, mas sabia onde elas deveriam estar.

Somos maioria em número de advogadas e nunca elegemos uma mulher presidente do conselho federal da OAB. Em Pernambuco, temos apenas uma mulher desembargadora no Tribunal de Justiça e apenas uma no Congresso Nacional. Na Paraíba, em 223 municípios apenas 37 são governados por mulheres. No Piauí, com a mesma quantidade de cidades da Paraíba o número é ainda menor, nas eleições de 2020 apenas 28 mulheres foram eleitas para o executivo.

No último ano vivi intensamente os bastidores de uma campanha eleitoral – do jurídico ao estratégico – dos debates às agendas. Cidade conservadora por natureza, candidato declaradamente conservador, equipe de campanha majoritariamente masculina. Comecei a dormir e a acordar ressignificando o feminismo e a necessidade de visibilidade que o movimento precisa por conta própria, não foi assistindo as sufragistas na Netflix. Foi chegando em casa todas as noites com uma lição nova sobre tudo isso, ou melhor, uma ferida nova.

Lembro que um advogado que geralmente despachava comigo por telefone, sempre me tratando com muito zelo quando se reportava, frisando com respeito a minha condição de integrante da coordenação jurídica, na oportunidade que me conheceu pessoalmente passou dois minutos em silêncio e só conseguiu dizer: “é essa daí que é a Dra Mariana? Meu Deus, parece uma menininha”. Pois é! Experimenta ser jovem, mulher e de quebra, gostar do que faz e fazer bem feito. Os meses de campanha me fizeram viver todos os preconceitos de uma vez só. Se por um lado ser minoria me dava aquela sensação de que a minha cota de entrada não havia sido pelo gênero, por outro despertou uma feminista adormecida, ferida e irredenta. Ninguém tinha me dito que idade era RG de caráter, muito menos capacidade cognitiva nascia no sexo de ninguém. A vida esfregou na minha cara que quem mais precisa do feminismo é quem menos faz por ele.

Não foram poucos os dias que eu meu perguntei: “E se eu fosse homem?” Ouvi de um candidato já eleito, que ele não era machista, mas a sociedade era. E talvez o excesso cometido por uma mulher em determinado momento, fosse de álcool ou de gestos, seria mal interpretado e julgado. Decisivo, eu diria. Mas claro, por ele não! Pelos outros! Afinal, ele não era machista e jamais ‘’tiraria onda’’ com uma pauta tão cara aos olhos do politicamente correto. Ele não era machista! O mundo era. Ele é. O mundo também.

Ouvi e engoli seco uma outra sequência de absurdos. Vi mulheres e homens praticarem a vida inteira a mesmíssima postura, mas padecerem de imputações absurdamente diferentes.

É sobre essa luta silenciosa, invisível, travada todos os dias por milhares de mulheres que perdem oportunidades, que retroagem na carreira, que precisam escolher entre o sucesso doméstico ou o profissional. Sobre as que silenciam as agressões, as que viram estatísticas.

Maria engravidou adolescente e depois traiu o marido. Mas Maria não engravidou sozinha. Para trair se precisa de dois. Mas de quem é a culpa? De Maria. Todos bradamos iguais.

Gabriela é o melhor quadro técnico da empresa, mas não pode viajar para um congresso com outros executivos por que não fica bem viajar com muitos homens. Julia não será escolhida porque sua função não agrada aos olhos da esposa de fulano.

A gente naturaliza. Eu naturalizei. Só me dei conta que o feminismo também era sobre mim quando as minhas feridas se confundiam com as feridas de quem eu apontava. Quando na corrida da vida um homem passou na minha frente pelo simples fato de ser homem. Muitas vezes!

Sim! O machismo veste saia, usa scarpin e anda com batom na bolsa. Julga quem prefere cuidar da casa do que da carreira, aponta quem depende financeiramente do parceiro, duvida da jovem que ascende profissionalmente, negligencia as muitas mães solos, silencia as dores que não deixam hematomas externos.

O machismo é sistêmico, o feminismo ainda não. O machismo vive em homens e em mulheres, o feminismo em poucas mulheres. Somos um exército de muitos silêncios e muitas dores. E ainda não entendemos que se o machismo veste saia, por uma questão de pertencimento, só quem pode despir é quem usa.

É urgente desmascarar o discurso da hipocrisia do “eu não sou, o mundo é”. Todos somos, mas nem todos admitimos.

Enquanto a gente não entender que não há nada de errado em Patrícia, que quis casar e se tornar extensão do marido em sua plenitude, adorno da ribalta e decoração da mesa. Nem com Cecília que prefere preencher o passaporte e acumular premiações. Ou com Helena que não se sente atraída pela maternidade. Nem com nenhuma de nós. Não há nada de errado. O erro é obscurantismo da cultura, a falência de uma moral acéfala. Não haverá uma virada de página cultural na cidadania.

A legislação não reflete a cultura. E a urgência do primeiro e principal confronto é com as mulheres. Causas e causadoras. A saia do machismo é nossa. Vamos despir junto com ela a ressaca do patriarcado, a cultura das “mulheres legítimas”, dos que separam mulheres em dois grupos: para casar e para não casar. Vamos confrontar o que queremos mudar. E a mudança, nesse sentido, é de causa e consequência, é de criador e criatura.  

Aos homens caberá não suportar os ecos unidos, duplicados e essencialmente feministas de todas nós e, em algum momento aderir ao debate que é da cidadania. 

É hora de atribuir verdade à frase que diz que quando mulher se junta, homem sai de perto.

Somente confrontando o que somos é que mudamos. Somente rasgando as últimas páginas de um país que mata mulheres e não prende agressores é possível desnudar o machismo e vestir o feminismo com todas as cores que a luta nos impõe. Primeiro, a gente se reconhece como tal, depois a gente deixa de ser. O que não vale é a hipocrisia em dizer: “Eu não sou! O mundo é”. Pena que a hipocrisia não escolhe se veste saia ou calça, mas em muitos casos ler a bíblia, frequenta templos, discursa de um jeito e faz de outro. Olha mais a janela da vizinha do que a história da prima, da mãe, da irmã, da cunhada, etc.

É hora de ficarmos todas nuas. De machismo e de hipocrisia. 

Para que o dia oito de março nos cubra de consciência e seja regra em um calendário que marcará todos os dias como o dia da igualdade.

*Advogada e poetisa


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Etiene Ramos da Penha

Parabéns Mariana! Li sem pausa, também me reconhecendo em suas opiniões e expectativas. Que esta data sirva para pensarmos um pouco mais em nós mesmas.


Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

08/03


2021

Lockdown na testa dos outros é refresco

Confinado por conta do decreto imperial decretado monocraticamente pelo Sinhozinho Paulo Carcará, o bicho-grilo Adalbertovsky protesta: “O lockdown seletivo do Governo do Estado  – no comércio, parques e praias – irá agravar ainda mais a paralisia das atividades produtivas, potencializar o desemprego, a falência de empresas, disseminar angústia entre trabalhadores, empregadores e seus famílias. Em sendo dramática a situação, qual seria a alternativa? Vacina, vacina, vacina. Tríplice vacina, dobrar, triplicar a meta, avançar até o limite do possível.

“Os critérios são irrealistas e os resultados são contraproducentes. Arejados, ventilados e ensolarados, parques e praias são espaços de saúde. Aglomeração? Fiscalização e conscientização do rebanho! A maioria dos sinhozinhos governadores obedece as ordens do presidenciável paulista em campanha, Dorian, e governa na base dos decretos imperiais. Toque de recolher! A Coreia do Norte é aqui! A economia quebra e traz consigo outras doenças, depressão,  cardiopatias, doenças pré-existentes, neurológicas, urológicas e ginecológicas e mais a ocorrência de conflitos domésticos”.

“O sistema de transportes coletivos continua impávido a causar aglomerações nos ônibus. Mas, os governantes em geral são tementes aos empresários, aos vírus e a Deus, nessa ordem. Um dos conselheiros do Sinhozinho Paulo Câmara é o químico Eurico Lavoisier, autor da teoria de que o inseto comunista não se cria nos ônibus entupidos de gente, pois se transforma em inofensivo. Por sua teoria ultrarrevolucionária, Eurico Lavoisier é candidato ao prêmio IgNobel de química sanitária”.  

“Neste o momento em que a sociedade vivencia o pesadelo da recessão, falências e desemprego, os fidalgos do Ministério Público concedem a si mesmos um auxilio-saúde extra de 2 mil denários para complementar os modestos salários de 30 mil reais que auferem. A alegação é que existe disponibilidade de recursos no Orçamento do Estado. Claro que sim, pois os recursos públicos são um hímen complacente. A jogada dos fidalgos do Ministério Público constitui uma agressão aos princípios da moralidade e um escárnio contra a sociedade. Imorais, esses caras zombam da sociedade”.

“Que tal o sinhozinho Paulo e as altezas palacianas decretarem um lockdown parcial nos seus salários e aliviar a mão no IPVA?!” A crônica do bicho-grilo Adalbertovsky está postada no Menu Opinião. 


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Wellington Antunes

Faz assim, Bicho Grilo, participa de aglomerações, faz reuniões com várias pessoas, evita o uso de máscaras, não usa álcool, enfim, nega tudo, aliás, quem faz isso é marica conforme disse o seu mito. Só não vá para Israel adotar esse comportamento para não passar por vergonha. E mais, não usa a questão do transporte público, um problema que existe e não é de hoje, para negar ou desacreditar as medidas adotadas, seja sincero consigo mesmo.

Fernandes

Tinha que ser um Bozoloide! Não esqueçamos o que disse Michel Zaidan. O assessor, depois de ter perseguido pela sua coluna no DP, vários dos convidados, se viu na contingência de ter que convidá-los para o convescote, onde o ilustre deputado de Serra Talhada, iria anunciar as razões de sua mudança de orientação política.



08/03


2021

Às mulheres guerreiras!

Celebrado, hoje, o Dia Internacional da Mulher não foi criado para paparicar a beleza do gênero, nem para chavões exaltando seu papel de mãe, companheira, amada ou amante. A data serve, sim, para relembrar a luta histórica delas por melhores condições de trabalho e igualdade de gênero. 

É um momento único, visto que ainda há muitos problemas para serem resolvidos, como as desigualdades, entre as quais a salarial, status na vida social, a violência, o feminicídio, as dores e angústias de quem tem os mesmos direitos dos homens, os mesmos deveres numa sociedade como a do Brasil ainda, infelizmente, extremamente machista.

No plano internacional, é dia de destacar a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que ficou conhecida em todo o mundo ao sofrer um ataque do Talibã como represália a sua luta pela educação das meninas do vale do Swat, sua região natal. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2014. Diz ela que nenhuma mulher pode ser considerada bem-sucedida enquanto metade dela continuar sendo retida.

Ou a ex-primeira-dama americana Michelle Obama, advogada e escritora. "Não há limite para o que nós, como mulheres, podemos realizar", prega. Mais simbólica, Simone de Beauvoir, escritora, filósofa, ativista, polêmica, feminista e teórica social francesa, nos ensinou que não se nasce mulher, torna-se mulher.

No plano nacional, não há como deixar de destacar a paulista Dijamila Ribeiro, filósofa, feminista e escritora, que tem se destacado na pauta sobre o feminismo, em especial o feminismo negro. No seu livro 'Quem tem medo do feminismo negro?', ela discute diferentes questões que rondam a vivência das mulheres negras em uma sociedade racista e patriarcal.

E enfatiza: "A invisibilidade da mulher negra dentro da pauta feminista faz com que ela não tenha seus problemas nem ao menos nomeados. E não se pensa em saídas emancipatórias para problemas que nem sequer foram ditos." 

Na literatura, muitas mulheres foram marcantes nessa luta que parece inglória, mas que avança de forma insofismável. É o caso de Cora Coralina. Ela escreveu seus primeiros textos aos 14 anos de idade. Após a morte do seu marido, criou os quatro filhos desenvolvendo trabalhos como doceira e vendedora. Apesar de não ter concluído nem o ensino fundamental, suas obras são consideradas uma das mais importantes da literatura nacional. 

Na música, Clementina de Jesus, a deusa do samba, infelizmente só reconhecida pela mídia aos 60 anos, tendo trabalhado a vida inteira como doméstica. Apesar de ter sido descoberta tardiamente, ela marcou a história da MPB e encantou grandes nomes, como Milton Nascimento, Alceu Valença, João Bosco, dentre outros. Também chamada de Quelé, Clementina tinha um magnetismo no palco com o seu público e arrebatava os corações por onde passava.

Não posso deixar de exaltar também Chiquinha Gonzaga, sua importância na música e nas lutas sociais. A sua carreira teve início ainda no segundo reinado quando ficou conhecida pelos cânticos de valsas e polcas. Posteriormente, se dedicou a conhecer e divulgar os ritmos brasileiros, tendo sido autora de uma das primeiras, e mais conhecidas, marchinhas de carnaval, a canção Ó abre alas. 

Aos 16 anos, se casou, mas aos 18 optou pela separação, pois o marido não aceitava a sua carreira musical. Ao longo da sua vida esteve envolvida com a militância para abolição da escravatura, além de ter sido fundadora da primeira instituição no País dedicada a arrecadar e proteger direitos autorais. O casamento arranjado pelo pai nos seus 16 anos durou até que o marido impôs a condição: a música ou eu. A resposta inesperada: “Pois, senhor meu marido, eu não entendo a vida sem harmonia”. Descasada, e declarada morta pela família, com três filhos para alimentar, Chiquinha Gonzaga passou a dar aulas e trabalhar nas lojas de música, demonstrando partituras ao piano. 

Mulheres, quando se trata da espécie mais linda do planeta, não podem nunca continuar sendo escrava dos escravos, como advertiu Jonh Lennon, que disse: "Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem". A mulher, sabe bem ele, é um efeito deslumbrante da natureza.

Não poderia concluir sem exaltar a beleza da mulher, que não está nas roupas que ela usa, na imagem que ela carrega, ou na maneira que penteia os cabelos. A beleza de uma mulher tem que ser vista a partir dos seus olhos porque essa é a porta para o seu coração, o lugar onde o amor reside. A beleza de uma mulher não está nas marcas do seu rosto mas está refletida na sua alma.


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