19/01


2021

Noronha inicia vacinação de profissionais de saúde

Os profissionais de saúde e idosos acima de 75 anos do Arquipélago de Fernando de Noronha começaram a ser vacinados, hoje, contra a Covid-19. Após Pernambuco receber, ontem, o primeiro lote dos imunizantes, o Governo do Estado enviou à ilha 380 doses da CoronaVac – Instituto Butantan, que contemplarão 190 pessoas. Entre elas, está Dandara Matias Guedes, de 31 anos, a primeira noronhense vacinada da ilha. Ela atua como coordenadora de vigilância sanitária e está na linha de frente da Covid-19 desde o início da pandemia, tendo contribuído para testagens em massa e investigações epidemiológicas.

“Agora, com a chegada da vacina, poderemos ter um pouco mais de tranquilidade e esperança no amanhã. O governador Paulo Câmara assumiu o compromisso de resguardar a saúde de todos os pernambucanos, disponibilizando a vacina para as diversas regiões do Estado. Estou muito feliz e emocionado em saber que os noronhenses, começando pelos profissionais de saúde, serão vacinados e vão poder, pouco a pouco, voltar à normalidade que tanto sonhávamos”, comemorou o administrador de Fernando de Noronha, Guilherme Rocha.

O gestor destacou que a imunização dos idosos será feita em domicílio, com a equipe de unidade de saúde da família (USF) visitando a casa de cada um deles para aplicar a vacina. “A previsão é de que até as 12h de amanhã todos sejam vacinados”, concluiu Rocha, calculando que serão imunizados 160 profissionais de saúde e 30 idosos cadastrados e acompanhados pela USF. Como a administração de Noronha recebeu as duas doses previstas para serem tomadas por pessoa, ele reforçou que, durante os 21 dias de espera até a segunda dose, as vacinas serão armazenadas adequadamente na ilha.

Para Dandara, ser a primeira ilhéu a receber a vacina confere a ela uma sensação de dever cumprido. “Desde março, a gente está na luta atrás de pessoal, fazendo prevenção, conscientizando e cuidando das pessoas. A sensação é muito boa, mas ainda não acabou. A gente continua na luta contra o novo coronavírus”, disse a coordenadora de vigilância sanitária, reforçando que as pessoas precisam continuar colaborando, com a utilização de máscaras e álcool em gel, para que Fernando de Noronha se mantenha sem casos graves.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Cabo 2021

Confira os últimos posts



08/03


2021

Vamos ficar todas nuas

Por Mariana Teles*

Nunca me senti tão provocada a escrever sobre feminismo, sobre mulheres como nos últimos dias. Não é a data nem o simbolismo, é a necessidade atemporal de afirmar o óbvio. Na imensa maioria das vezes eu estava mais preocupada em garantir meu espaço de luta sem precisar invocar a condição de mulher. Sem perceber que o machismo que eu apontava nos homens, vestia saia e na maioria das vezes era exatamente o meu número. 

Possivelmente, se estivesse escrevendo esse texto meses atrás iria falar sobre os avanços da legislação na consolidação dos direitos da mulher, o número de casos de violência crescendo abruptamente durante a pandemia, as desigualdades do mercado de trabalho, as políticas públicas de proteção social, enfim o mesmo discurso simbólico de todo oito de março. Mas esse texto é sobre cultura. É sobre vivência. Talvez o que chamaríamos de ‘’lugar de fala’’. Um texto necessário que pediu para nascer, embora dolorido, como todo parto, como tudo que uma mulher dar à luz, tudo que ela traz ao mundo.

Maria da Penha, feminicídio, violência doméstica são os codinomes dados as repostas normativas na busca de corrigir uma deficiência histórica, cívica e moral. Respostas tímidas para um Brasil que assiste deputado assediar colega em plenário, que os partidos transformam a política de cotas em um grande laranjal de vestidos, que a violência de gênero não escolhe classe social, que o feminismo ainda é uma pauta associada aos movimentos de mulheres mostrando os seios ou queimando igrejas (como os fundamentalistas preferem associar), que aborto não é discussão de saúde pública e que o ministério que responde pelas políticas de inclusão só conseguiu dizer até agora que menina veste rosa e menino veste azul.

Mas esse texto não é sobre direito nem política somente. Não é escrito com a automação da caneta da advogada. É um texto de uma mulher que se reconhece machista e que precisou sentir por todos os poros o quanto a luta do feminismo também lhe pertence. 

Da mesma forma que essa discussão não deve padecer de sequestro ideológico por parte da fala feminina, o machismo também não é um item de exclusividade do armário masculino. Me sinto machista na maior parte do meu tempo. O processo de desconstrução é lento e talvez só prospere em outras gerações.

Nasci sertaneja, única filha de três irmãos, militei na política estudantil e na cultura popular durante a adolescência e herdei impressões e posturas que todas essas condições e escolhas me impuseram. De casa, aprendi que mundo é substantivo masculino e luta é verbo feminino. Subi em palcos reservados aos homens e quando lancei meu primeiro livro escutei que o que eu escrevia era tão bom, que nem parecia ser escrito por uma mulher. E ainda acharam que isso era um elogio. Me tornei advogada e mais uma vez a condição de mulher, nesse contexto agravada por ser sertaneja e com um sotaque arrastado, mais uma vez me colocou em porões de preconceitos que de tão naturalizados eu não sentia. Nos alimentamos do machismo velado que impuseram na nossa formação e queremos combater lá fora, sem antes desconstruir suas faces aqui dentro. E que são muitas.

Bati inúmeras vezes no peito para dizer que apesar de ler Simone de Beauvoir não me sentia feminista por não gostar do excessivo uso do termo para justificar essa ou aquela postura. Produto da criação, das condições de clima e temperatura de onde venho. E assim foi por muito tempo. Julguei a colega ao lado da minha cadeira na faculdade pelo tamanho da roupa, apontei a professora separada que paquerou um aluno, criei quase um vernáculo impublicável para batizar as mulheres que não se encaixavam dentro do que aprendi ser certo. E talvez, fosse uma delas com bem menos coragem. Mas repetia que não, não precisava do feminismo. Dizia que chegava onde estava chegando por um atributo que não escolhe sexo, a competência.

Quanto engano! Quanta babaquice! Precisei do feminismo desde a primeira discussão com um   irmão dentro de casa, quando levantei a voz na sala de aula, que recusei dançar com alguém numa festa, beijar no carnaval, quando assumi um relacionamento com um homem mais velho, quando escolhi uma saia mais curta, quando fiquei em rodas masculinas discutindo assuntos ditos masculinos, quando quis aprender a dirigir, quando viajei sozinha pela primeira vez, quando esperei sozinha o ônibus da faculdade, quando não conseguia dormir nas viagens de ônibus a noite com medo de um desconhecido sentar ao meu lado por horas ou naquela cantada insistente de um professor... Tantas vezes! Todos os dias! De todas as formas. Nessas horas pareço ouvir Pitty cantando que “ele estava ali o tempo todo, só você não viu.”

O machismo indolor começou a se transformar numa ferida pequena, gerada por comportamentos involuntários e sucessivos. Era ao mesmo tempo criadora e criatura, a amiga que apontava a outra por essa ou aquela postura, a que julgava a cor do batom, a que dizia que não confiava em ‘’fulaninha perto de fulaninho’’. Na condição de criatura, não adiantava um currículo extenso, o tamanho do decote era muito mais importante do que o do lattes. Quando criadora, apontava exatamente aquilo que mais combatiam em mim.

Lembrei que julgava a Marcela do Michel, a Ana Paula do Justus, a Michelle do Jair e a minha vizinha que desfilava grifes e grifes e ninguém sabia quem custeava.

Mas e aí, Mariana? E o processo de desconstrução? Você protestou nas ruas mostrando os seios com uma faixa levantada? Quando a obviedade do feminismo fez sentido nas suas lutas?

Feminismo não é somente seios de fora ou protestos. É garantir o direito de quem quiser protestar, protestar, quem não quiser, não ser obrigada. É sobre poder ser. Nunca tinha parado para pensar nos comportamentos que naturalizamos. Até que me deparo refletindo sobre poucas mulheres liderando o mercado financeiro, poucas mulheres nas atividades atribuídas aos homens (como as engenharias, por exemplo), um déficit representativo na política que reflete no debate da democracia, mortes, agressões. Eu não via onde essas mulheres estavam, mas sabia onde elas deveriam estar.

Somos maioria em número de advogadas e nunca elegemos uma mulher presidente do conselho federal da OAB. Em Pernambuco, temos apenas uma mulher desembargadora no Tribunal de Justiça e apenas uma no Congresso Nacional. Na Paraíba, em 223 municípios apenas 37 são governados por mulheres. No Piauí, com a mesma quantidade de cidades da Paraíba o número é ainda menor, nas eleições de 2020 apenas 28 mulheres foram eleitas para o executivo.

No último ano vivi intensamente os bastidores de uma campanha eleitoral – do jurídico ao estratégico – dos debates às agendas. Cidade conservadora por natureza, candidato declaradamente conservador, equipe de campanha majoritariamente masculina. Comecei a dormir e a acordar ressignificando o feminismo e a necessidade de visibilidade que o movimento precisa por conta própria, não foi assistindo as sufragistas na Netflix. Foi chegando em casa todas as noites com uma lição nova sobre tudo isso, ou melhor, uma ferida nova.

Lembro que um advogado que geralmente despachava comigo por telefone, sempre me tratando com muito zelo quando se reportava, frisando com respeito a minha condição de integrante da coordenação jurídica, na oportunidade que me conheceu pessoalmente passou dois minutos em silêncio e só conseguiu dizer: “é essa daí que é a Dra Mariana? Meu Deus, parece uma menininha”. Pois é! Experimenta ser jovem, mulher e de quebra, gostar do que faz e fazer bem feito. Os meses de campanha me fizeram viver todos os preconceitos de uma vez só. Se por um lado ser minoria me dava aquela sensação de que a minha cota de entrada não havia sido pelo gênero, por outro despertou uma feminista adormecida, ferida e irredenta. Ninguém tinha me dito que idade era RG de caráter, muito menos capacidade cognitiva nascia no sexo de ninguém. A vida esfregou na minha cara que quem mais precisa do feminismo é quem menos faz por ele.

Não foram poucos os dias que eu meu perguntei: “E se eu fosse homem?” Ouvi de um candidato já eleito, que ele não era machista, mas a sociedade era. E talvez o excesso cometido por uma mulher em determinado momento, fosse de álcool ou de gestos, seria mal interpretado e julgado. Decisivo, eu diria. Mas claro, por ele não! Pelos outros! Afinal, ele não era machista e jamais ‘’tiraria onda’’ com uma pauta tão cara aos olhos do politicamente correto. Ele não era machista! O mundo era. Ele é. O mundo também.

Ouvi e engoli seco uma outra sequência de absurdos. Vi mulheres e homens praticarem a vida inteira a mesmíssima postura, mas padecerem de imputações absurdamente diferentes.

É sobre essa luta silenciosa, invisível, travada todos os dias por milhares de mulheres que perdem oportunidades, que retroagem na carreira, que precisam escolher entre o sucesso doméstico ou o profissional. Sobre as que silenciam as agressões, as que viram estatísticas.

Maria engravidou adolescente e depois traiu o marido. Mas Maria não engravidou sozinha. Para trair se precisa de dois. Mas de quem é a culpa? De Maria. Todos bradamos iguais.

Gabriela é o melhor quadro técnico da empresa, mas não pode viajar para um congresso com outros executivos por que não fica bem viajar com muitos homens. Julia não será escolhida porque sua função não agrada aos olhos da esposa de fulano.

A gente naturaliza. Eu naturalizei. Só me dei conta que o feminismo também era sobre mim quando as minhas feridas se confundiam com as feridas de quem eu apontava. Quando na corrida da vida um homem passou na minha frente pelo simples fato de ser homem. Muitas vezes!

Sim! O machismo veste saia, usa scarpin e anda com batom na bolsa. Julga quem prefere cuidar da casa do que da carreira, aponta quem depende financeiramente do parceiro, duvida da jovem que ascende profissionalmente, negligencia as muitas mães solos, silencia as dores que não deixam hematomas externos.

O machismo é sistêmico, o feminismo ainda não. O machismo vive em homens e em mulheres, o feminismo em poucas mulheres. Somos um exército de muitos silêncios e muitas dores. E ainda não entendemos que se o machismo veste saia, por uma questão de pertencimento, só quem pode despir é quem usa.

É urgente desmascarar o discurso da hipocrisia do “eu não sou, o mundo é”. Todos somos, mas nem todos admitimos.

Enquanto a gente não entender que não há nada de errado em Patrícia, que quis casar e se tornar extensão do marido em sua plenitude, adorno da ribalta e decoração da mesa. Nem com Cecília que prefere preencher o passaporte e acumular premiações. Ou com Helena que não se sente atraída pela maternidade. Nem com nenhuma de nós. Não há nada de errado. O erro é obscurantismo da cultura, a falência de uma moral acéfala. Não haverá uma virada de página cultural na cidadania.

A legislação não reflete a cultura. E a urgência do primeiro e principal confronto é com as mulheres. Causas e causadoras. A saia do machismo é nossa. Vamos despir junto com ela a ressaca do patriarcado, a cultura das “mulheres legítimas”, dos que separam mulheres em dois grupos: para casar e para não casar. Vamos confrontar o que queremos mudar. E a mudança, nesse sentido, é de causa e consequência, é de criador e criatura.  

Aos homens caberá não suportar os ecos unidos, duplicados e essencialmente feministas de todas nós e, em algum momento aderir ao debate que é da cidadania. 

É hora de atribuir verdade à frase que diz que quando mulher se junta, homem sai de perto.

Somente confrontando o que somos é que mudamos. Somente rasgando as últimas páginas de um país que mata mulheres e não prende agressores é possível desnudar o machismo e vestir o feminismo com todas as cores que a luta nos impõe. Primeiro, a gente se reconhece como tal, depois a gente deixa de ser. O que não vale é a hipocrisia em dizer: “Eu não sou! O mundo é”. Pena que a hipocrisia não escolhe se veste saia ou calça, mas em muitos casos ler a bíblia, frequenta templos, discursa de um jeito e faz de outro. Olha mais a janela da vizinha do que a história da prima, da mãe, da irmã, da cunhada, etc.

É hora de ficarmos todas nuas. De machismo e de hipocrisia. 

Para que o dia oito de março nos cubra de consciência e seja regra em um calendário que marcará todos os dias como o dia da igualdade.

*Advogada e poetisa


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


08/03


2021

Lockdown na testa dos outros é refresco

Confinado por conta do decreto imperial decretado monocraticamente pelo Sinhozinho Paulo Carcará, o bicho-grilo Adalbertovsky protesta: “O lockdown seletivo do Governo do Estado  – no comércio, parques e praias – irá agravar ainda mais a paralisia das atividades produtivas, potencializar o desemprego, a falência de empresas, disseminar angústia entre trabalhadores, empregadores e seus famílias. Em sendo dramática a situação, qual seria a alternativa? Vacina, vacina, vacina. Tríplice vacina, dobrar, triplicar a meta, avançar até o limite do possível.

“Os critérios são irrealistas e os resultados são contraproducentes. Arejados, ventilados e ensolarados, parques e praias são espaços de saúde. Aglomeração? Fiscalização e conscientização do rebanho! A maioria dos sinhozinhos governadores obedece as ordens do presidenciável paulista em campanha, Dorian, e governa na base dos decretos imperiais. Toque de recolher! A Coreia do Norte é aqui! A economia quebra e traz consigo outras doenças, depressão,  cardiopatias, doenças pré-existentes, neurológicas, urológicas e ginecológicas e mais a ocorrência de conflitos domésticos”.

“O sistema de transportes coletivos continua impávido a causar aglomerações nos ônibus. Mas, os governantes em geral são tementes aos empresários, aos vírus e a Deus, nessa ordem. Um dos conselheiros do Sinhozinho Paulo Câmara é o químico Eurico Lavoisier, autor da teoria de que o inseto comunista não se cria nos ônibus entupidos de gente, pois se transforma em inofensivo. Por sua teoria ultrarrevolucionária, Eurico Lavoisier é candidato ao prêmio IgNobel de química sanitária”.  

“Neste o momento em que a sociedade vivencia o pesadelo da recessão, falências e desemprego, os fidalgos do Ministério Público concedem a si mesmos um auxilio-saúde extra de 2 mil denários para complementar os modestos salários de 30 mil reais que auferem. A alegação é que existe disponibilidade de recursos no Orçamento do Estado. Claro que sim, pois os recursos públicos são um hímen complacente. A jogada dos fidalgos do Ministério Público constitui uma agressão aos princípios da moralidade e um escárnio contra a sociedade. Imorais, esses caras zombam da sociedade”.

“Que tal o sinhozinho Paulo e as altezas palacianas decretarem um lockdown parcial nos seus salários e aliviar a mão no IPVA?!” A crônica do bicho-grilo Adalbertovsky está postada no Menu Opinião. 


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Ipojuca 2021 IPTU

08/03


2021

Às mulheres guerreiras!

Celebrado, hoje, o Dia Internacional da Mulher não foi criado para paparicar a beleza do gênero, nem para chavões exaltando seu papel de mãe, companheira, amada ou amante. A data serve, sim, para relembrar a luta histórica delas por melhores condições de trabalho e igualdade de gênero. 

É um momento único, visto que ainda há muitos problemas para serem resolvidos, como as desigualdades, entre as quais a salarial, status na vida social, a violência, o feminicídio, as dores e angústias de quem tem os mesmos direitos dos homens, os mesmos deveres numa sociedade como a do Brasil ainda, infelizmente, extremamente machista.

No plano internacional, é dia de destacar a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que ficou conhecida em todo o mundo ao sofrer um ataque do Talibã como represália a sua luta pela educação das meninas do vale do Swat, sua região natal. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2014. Diz ela que nenhuma mulher pode ser considerada bem-sucedida enquanto metade dela continuar sendo retida.

Ou a ex-primeira-dama americana Michelle Obama, advogada e escritora. "Não há limite para o que nós, como mulheres, podemos realizar", prega. Mais simbólica, Simone de Beauvoir, escritora, filósofa, ativista, polêmica, feminista e teórica social francesa, nos ensinou que não se nasce mulher, torna-se mulher.

No plano nacional, não há como deixar de destacar a paulista Dijamila Ribeiro, filósofa, feminista e escritora, que tem se destacado na pauta sobre o feminismo, em especial o feminismo negro. No seu livro 'Quem tem medo do feminismo negro?', ela discute diferentes questões que rondam a vivência das mulheres negras em uma sociedade racista e patriarcal.

E enfatiza: "A invisibilidade da mulher negra dentro da pauta feminista faz com que ela não tenha seus problemas nem ao menos nomeados. E não se pensa em saídas emancipatórias para problemas que nem sequer foram ditos." 

Na literatura, muitas mulheres foram marcantes nessa luta que parece inglória, mas que avança de forma insofismável. É o caso de Cora Coralina. Ela escreveu seus primeiros textos aos 14 anos de idade. Após a morte do seu marido, criou os quatro filhos desenvolvendo trabalhos como doceira e vendedora. Apesar de não ter concluído nem o ensino fundamental, suas obras são consideradas uma das mais importantes da literatura nacional. 

Na música, Clementina de Jesus, a deusa do samba, infelizmente só reconhecida pela mídia aos 60 anos, tendo trabalhado a vida inteira como doméstica. Apesar de ter sido descoberta tardiamente, ela marcou a história da MPB e encantou grandes nomes, como Milton Nascimento, Alceu Valença, João Bosco, dentre outros. Também chamada de Quelé, Clementina tinha um magnetismo no palco com o seu público e arrebatava os corações por onde passava.

Não posso deixar de exaltar também Chiquinha Gonzaga, sua importância na música e nas lutas sociais. A sua carreira teve início ainda no segundo reinado quando ficou conhecida pelos cânticos de valsas e polcas. Posteriormente, se dedicou a conhecer e divulgar os ritmos brasileiros, tendo sido autora de uma das primeiras, e mais conhecidas, marchinhas de carnaval, a canção Ó abre alas. 

Aos 16 anos, se casou, mas aos 18 optou pela separação, pois o marido não aceitava a sua carreira musical. Ao longo da sua vida esteve envolvida com a militância para abolição da escravatura, além de ter sido fundadora da primeira instituição no País dedicada a arrecadar e proteger direitos autorais. O casamento arranjado pelo pai nos seus 16 anos durou até que o marido impôs a condição: a música ou eu. A resposta inesperada: “Pois, senhor meu marido, eu não entendo a vida sem harmonia”. Descasada, e declarada morta pela família, com três filhos para alimentar, Chiquinha Gonzaga passou a dar aulas e trabalhar nas lojas de música, demonstrando partituras ao piano. 

Mulheres, quando se trata da espécie mais linda do planeta, não podem nunca continuar sendo escrava dos escravos, como advertiu Jonh Lennon, que disse: "Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem". A mulher, sabe bem ele, é um efeito deslumbrante da natureza.

Não poderia concluir sem exaltar a beleza da mulher, que não está nas roupas que ela usa, na imagem que ela carrega, ou na maneira que penteia os cabelos. A beleza de uma mulher tem que ser vista a partir dos seus olhos porque essa é a porta para o seu coração, o lugar onde o amor reside. A beleza de uma mulher não está nas marcas do seu rosto mas está refletida na sua alma.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


07/03


2021

Para ter Luciano Huck, PSB abraça social-democracia

Por Sérgio Roxo, de O Globo

De olho na eleição presidencial de 2022, o PSB iniciou uma reformulação de seu programa partidário para retirar do texto pontos de defesa da implantação do socialismo considerados ultrapassados e fora da realidade atual. A ideia é que a legenda assuma princípios mais próximos da social-democracia. Para a próxima disputa ao Palácio do Planalto, a sigla busca atrair um candidato de fora do mundo da política para encabeçar a chapa, como a empresária Luiza Trajano ou o apresentador Luciano Huck.

Um dos itens do programa diz que o “objetivo do partido, no terreno econômico, é a transformação da estrutura da sociedade, incluída a gradual e progressiva socialização dos meios de produção, que procurará realizar na medida em que as condições do país a exigirem”. "Não faz mais sentido nesta altura dos acontecimentos falar de socialização dos meios de produção. Isso é anacrônico e não corresponde ao nosso pensamento atual", afirma o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

Fundado em 1947, o Partido Socialista Brasileiro foi extinto pela ditadura militar. Refundado em 1985, após a redemocratização, adotou o programa original. Em 2014, quando lançou candidatura encabeçada por Eduardo Campos, o partido enfrentou questionamentos nas redes sociais em razão dos textos de seu programa e de seu manifesto. Campos, que defendia propostas liberais como a autonomia do Banco Central, chegou a prometer rever as publicações para tirar as referências ao socialismo, mas isso acabou não acontecendo.

Refundação da legenda

A ideia agora é aprovar, até novembro, um novo programa, que, segundo Siqueira, significará uma refundação do partido. O processo foi batizado de autorreforma. Um texto usado para as discussões internas critica a desigualdade social brasileira e diz que doutrina liberal tem falhado para combatê-la, mas defende a “adoção de políticas públicas que promovam o crescimento e a prosperidade”.

Apesar das mudanças de rumo, o partido não planeja deixar o termo socialismo para trás. No texto que está em discussão, o PSB fala em “socialismo criativo” para tratar da revolução tecnológica e em “ecossocialismo” ao abordar as saídas para a crise ambiental do planeta.

Uma alteração do nome da legenda está descartada. "Não precisamos mudar de nome, não nos envergonhamos de ser socialistas", afirma Siqueira, que cita os triunfos eleitorais recentes de partidos socialistas em Portugal e na Espanha."

O dirigente descarta que as mudanças no programa partidário tenham sido planejadas para atrair Huck ou Luiza Trajano, mas reconhece que a alteração possa ser útil nesse processo: "Precisamos colocar os nossos interesses partidários um pouco à parte e filiar uma pessoa que represente muito além do PSB, embora possa aproveitar muito do que o partido vai apresentar na sua renovação programática."

Defensor da renovação promovida pelo PSB e integrante da executiva do partido, o ex-prefeito de Campinas Jonas Donizette acredita que a alteração facilitaria a entrada de Huck. "A gente não está fazendo (a mudança) pensando num nome, está pensando numa ideia. Mas acho que o Huck se sentiria confortável (com esse novo programa)", reconhece.

Para Donizette, a autorreforma ajudará também a evitar que o partido seja atacado pelos rivais de direita, que muitas vezes relacionam a sigla aos regimes de países como Cuba, Venezuela e Coreia do Norte. "Não tenho dúvida de que o PSB vai se diferenciar muito dos partidos de esquerda. A gente vai querer ampliar o nosso leque de diálogo", afirma o ex-prefeito de Campinas.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Jaboatão Março 2021

07/03


2021

"Tábua de pirulito", diz leitor sobre PE-45

Um leitor que optou por não se identificar entrou em contato, hoje, para reclamar do péssimo estado da PE-45, rodovia que liga Vitória de Santo Antão a Escada, cidades da Mata Sul pernambucana. O Blog já noticiou em outro momento a buraqueira que persiste na pista. Veja o desabafo:,

"Magno,

Com a força do seu Blog, gostaria que você mostrasse a situação precária da rodovia que liga Escada a Vitória de Santo Antão, a PE-45. Estrada 'tábua de pirulitos', buracos grandes, profundos, trechos sem asfaltos, sem nenhuma sinalização, abandonada.

Importante rota do desenvolvimento, região de diversos engenhos, onde passam diversos caminhões com cana de açúcar, álcool, etc, caminhões que vem de suape com destino a Caruaru, Gravatá, Bezerros e tantas outras cidades, pois utilizam pra diminuir o percurso e fugir do trânsito caótico da BR-101. 

Por ali passam tanto caminhões de cargas como também botijões de gás, combustíveis, e tantos outros veículos. Cidades importantes da região com diversas fábricas sofrem com a situação da rodovia, sem falar nos riscos de acidentes pelo fato de os veículos trafegarem na contramão para se livrar dos buracos,  mas, pelo visto, vidas não são importantes pra atual governador."


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Petrolina 2021

07/03


2021

Rui Costa decreta lockdown no norte da Bahia

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), anunciou, hoje, a suspensão de atividades consideradas não essenciais no norte do Estado. A medida passa a valer a partir de amanhã segue até as 5h da quarta-feira (10), abrangendo cidades como Juazeiro do Norte e Canudos. A justificativa é frear o avanço da Covid-19 na região.

"Com o objetivo de conter o avanço da #Covid19 no norte do estado e salvar vidas, decidimos suspender as atividades não essenciais em 20 municípios da região de Juazeiro e Senhor do Bonfim desta segunda até 5h de quarta, dia 10. As cidades que terão medidas mais restritivas são Andorinha, Antônio Gonçalves, Campo Alegre de Lourdes, Campo Formoso, Cansanção, Canudos, Casa Nova, Curaçá, Filadélfia, Itiúba, Jaguarari, Juazeiro, Pilão Arcado, Pindobaçu, Ponto Novo, Remanso, Senhor do Bonfim, Sento Sé, Sobradinho e Uauá", escreveu.

"Outros 22 municípios da região de Guanambi e 15 da região de Serrinha seguem com comércio não essencial também fechado até 10/03. Em Salvador e RMS, a restrição destas atividades vai até 5h de 15/03. Já o toque de recolher permanece em vigor em toda a #Bahia até 01/04", prosseguiu Costa.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Serra Talhada 2021

07/03


2021

Consumidor registra salto no ICMS do diesel em PE

Um consumidor fez um comparativo, em vídeo, dos impostos cobrados sobre o preço do diesel em Pernambuco antes e após a isenção do Governo Federal do PIS e Cofins no último dia 1º. Duas notas fiscais são apresentadas nas imagens: uma datada de 19 de fevereiro, que registra 26,06% de ICMS, e outra em 04 de março, que aponta 49,61%.

A compra de combustível ocorreu em um posto de Goiana, na Mata Norte do Estado, como é possível ver nas imagens. Apesar da reclamação, as duas notas fiscais mostram uma queda no valor do litro do diesel: antes custava R$ 4,34 e passou para R$ 4,20.

Confusão no aumento do diesel

O cálculo é difícil de entender pela variação de preços constantes em razão da política da Petrobras, que anunciou na última segunda-feira (1º) um novo aumento no preço do diesel, de 5%. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), houve alta de R$ 0,55 no diesel desde o início do ano (de R$ 3,63 para R$ 4,18, ou 15%).

A isenção de impostos federais reduz R$ 0,31, o que representa no fim das contas R$ 0,24 a mais do que o cobrado no ano passado. Já a consultoria Ticket Log diz que o preço do diesel deve diminuir R$ 0,05 em relação ao que era cobrado em dezembro devido à suspensão dos impostos federais.


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Anuncie Aqui - Blog do Magno

07/03


2021

Ernesto é repreendido por não usar máscara em Israel

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi repreendido, hoje, durante evento com o chanceler israelense Gabi Ashkenazi, em Jerusalém, por não utilizar a máscara. A situação constrangedora ocorreu ao final de uma entrevista conjunta entre os dois chanceleres, quando o mestre de cerimônias convidou a dupla para uma foto oficial do encontro.

Enquanto Ashkenazi já havia recolocado a máscara, Araújo estava sem a proteção contra a disseminação da Covid-19. Foi aí que o mestre de cerimônia o repreendeu: "Nós precisamos que coloque a máscara." Assista ao momento.

Uma comitiva brasileira composta por nove autoridades desembarcou, hoje, em Israel para uma série de reuniões em busca de acordos para vacinas e medicamentos contra o novo coronavírus. 


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

ABAIXO FALSO MORALISMO

Pau no cu mal educado .... vergonha pro país . Parece um menino buchudo


Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

07/03


2021

Grupo Olinda do Bem faz ação em prol das mulheres

O grupo Olinda do Bem, formado por empresários e pessoas solidárias à causa, realizará amanhã (8), às 6h, no semáforo da Rua do Sol, no Carmo, uma ação de combate à violência contra a mulher, que consiste em panfletagem e adesivaço. "Respeita ela, meu irmão" é o lema e a data é bastante simbólica por se tratar do Dia Internacional da Mulher. Outros detalhes no Instagram do grupo (@olindadobemoficial).


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha


07/03


2021

Samba para o governador de Pernambuco


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Coluna do Blog
Publicidade

TV - Blog do Magno
Programa Frente a Frente

Aplicativo

Destaques

Publicidade

Opinião

Publicidade

Parceiros
Publicidade
Apoiadores