FMO janeiro 2020

21/02


2020

Nações de maracatu se reúnem no Marco Zero do Recife

Do G1 - PE

Em uma noite de muita música e celebração ao povo negro, o Tumaraca, encontro das nações de maracatu do estado, animou o Bairro do Recife, no Centro da cidade, na noite de ontem, véspera da abertura oficial do carnaval da capital pernambucana.

Continuando a festa iniciada pelo encontro dos grupos de afoxé, o cortejo das nações saiu da Rua da Moeda até a Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, lotando o local e proporcionando um dia a mais de festa na cidade.

Ao chegar ao Marco Zero, os mestres das 13 nações de maracatu vindas de diversos bairros da Região Metropolitana deram início à celebração. Eles pediram e agradeceram a energia dos mais antigos, pelos ensinamentos e tradição, e às futuras gerações, que continuarão perpetuando o maracatu.

As percussões de todas as nações fizeram o público que decidiu ir ao Bairro do Recife, na última noite que antecedeu o carnaval oficial da cidade, dançar durante todas as apresentações.

E se os grupos de afoxé levaram os jasmins, que regaram com ervas o chão do Marco Zero do Recife, para atrair boas energias para a folia de Momo da capital do estado, o maracatu mostrou o batuque marcante dos tambores para espalhar vibrações positivas.

Mestre Chacón, que comanda as batidas do Maracatu Nação Porto Rico, e é um dos maiores defensores do ritmo e da cultura negra no estado. Ele comemorou o sucesso da noite voltada para homenagear a cultura negra no carnaval do Recife.

"O Tumaraca é a persistência do povo negro, o povo que grita cada vez mais por representatividade. Esta noite linda só mostra que o maracatu, assim como o afoxé, pode fazer uma festa maravilhosa durante uma noite inteira", afirmou Chacón.

A rainha do Maracatu Nação Raízes do Pai Adão, Luciana Trindade, de 45 anos, destacou também que a noite de celebração também é um momento de enaltecimento à religião africana, em especial o candomblé, que é o alicerce das nações de Maracatu.

"É um privilégio para mim, como pernambucana e defensora da cultura de matriz africana, fazer parte dessa festa. É o momento que temos para defendermos candomblé, que ainda é visto com muito preconceito", comentou Luciana.

O casal integrante do Maracatu Nação Encanto da Alegria, Rosimery José de Barros, de 56 anos, e José Amaro da Silva, de 65, participa todos os anos do cortejo que antes abria e hoje antecede a abertura do carnaval do Recife e conta que a cada ano a celebração fica mais bonita.

“É muito gostoso ver tantas nações juntas, cada uma com suas cores. Esse é o colorido que o carnaval daqui tem. É bom demais fazer parte disso”, falou alegremente a auxiliar de serviços gerais que foi substituindo a filha como rainha da sua nação de maracatu.

“Ela está trabalhando e a gente não podia deixar o Encanto da Alegria sem rainha. Como mãe, eu vim substituí-la”, contou.

Impressionado com a beleza do espetáculo no Marco Zero do Recife, o italiano Giovanni Rondi, de 65 anos, acompanhado da mulher pernambucana Simone da Silva, de 42, e do filho do casal, Bruno Rondi, de seis, ele falou que nunca viu nada igual.

“É a primeira vez que venho ao Brasil durante o carnaval e estou encantado com a beleza da festa no Recife. Lá fora, a gente só fica conhecendo o samba e chega aqui e encontra uma maravilha dessas”, ressaltou o turista.

Na parte final da celebração, o cantor e compositor Marrom Brasileiro, também mestre de maracatu, subiu ao palco para se juntar aos mestres na noite do Tumaraca e homenagear o percussionista Naná Vasconcelos, grande representante e idealizador da celebração.

“É um imenso prazer fazer parte de um momento como esse. Ver e ouvir tantas nações juntas e poder fazer som junto com elas é algo que a gente leva para a vida”, comentou Marrom Brasileiro.


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Abreu e Lima

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04/04


2020

Brasil: 445 mortes e mais de 10,3 mil casos de Covid-19

Por G1

As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até as 20h30 deste sábado (4), 10.361 casos confirmados do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil, com 445 mortes pela Covid-19. Apenas dois estados ainda não registraram mortes: Acre e Tocantins.

No início da tarde, um homem de 60 anos morreu de coronavírus no Hospital de Emergência de Macapá; ele estava internado com pneumonia. Foi a primeira morte do Amapá. Na manhã deste sábado, a Bahia registrou a 7ª morte por Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A paciente era uma mulher de 28 anos, que tinha ido a Itapetininga realizar uma cesárea. Rio Grande do Sul também confirmou a sétima morte. O Amazonas confirmou mais 5 mortes, somando 12. O Distrito Federal também confirmou a sétima morte.

Pernambuco registrou mais quatro mortes de pacientes com coronavírus (Sars-Cov-2), neste sábado (4). Com isso, subiu para 14 o número de óbitos de pessoas com a Covid-19, doença causada pelo novo vírus. Além disso, houve 40 novos casos confirmados, totalizando 176.

Um boletim epidemiológico feito pelo Ministério da Saúde nesta sexta (3), diz que Distrito Federal, São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro e Amazonas podem estar na transição para uma fase de aceleração descontrolada da pandemia.

O último balanço do Ministério da Saúde, divulgado na tarde de sábado (4), aponta 10.278 casos confirmados e 432 mortes.

O avanço da doença está acelerado: foram 25 dias desde o primeiro contágio confirmado até os primeiros 1.000 casos (de 26 de fevereiro a 21 de março). Outros 2.000 casos foram confirmados em apenas seis dias (de 21 a 27 de março) e quase 4.000 casos de 27 de março a 2 de abril, quando a contagem bateu os 8.000 infectados.

Casos no mundo

O Ministério da Saúde da Espanha informou neste sábado (4), que o país atingiu a marca de 124.736 casos da doença, sendo 11.744 mortes. Nas últimas 24 horas, foram registrados 7.026 novos casos.

De acordo com números divulgados por Mark McGowan, primeiro-ministro da Austrália, neste sábado (4), o país soma 5.548 casos confirmados da doença, sendo 198 nas últimas 24 horas. O premiê autorizou Coelho da Páscoa a quebrar quarentena.

Os Estados Unidos registraram 1.480 mortes por coronavírus em um dia (entre quinta e sexta-feira às 20h30 locais), marcando um novo recorde no mundo, segundo uma contagem realizada pela Universidade Johns Hopkins. Com isso, o número total de mortos no país desde o início da pandemia chega a 7.406, de acordo com o balanço da universidade.


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04/04


2020

Toffoli: Brasil precisa se unir no combate ao Covid-19

Por Estadão Conteúdo

O Brasil precisa se unir no combate ao novo coronavírus, avaliou neste sábado, 4, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, durante live do BTG Pactual digital. “Temos de nos concentrar na união nacional para continuidade de funcionamentos essenciais das instituições – Congresso, Legislativo, Judiciário… E todas as funções essenciais de manutenção dos serviços, como de alimentação, farmácias”, afirmou.

De acordo com o ministro, essa união é importante para que o País saia da atual situação de maneira segura. Ainda criticou as agências reguladoras que, conforme Toffoli, estão alheias neste momento da pandemia. “As agências reguladoras continuam assim. Cadê as propostas para a questão aérea, para a questão elétrica? Todo mundo cobra o Judiciário, o Congresso, mas e as agências reguladoras?. Fica aqui um desabafo”, disse.

O presidente do STF afirmou também que é preciso evitar que aventureiros queiram mudar códigos de leis nessa pandemia.

Orçamento de Guerra

Toffoli disse que a aprovação da PEC orçamentária, chamada PEC do Orçamento de guerra, na sexta, pela Câmara, e que deve ser aprovada pelo Senado, dará maior segurança jurídica para que não se crie oportunismo neste momento de crise por conta da pandemia de coronavírus. “Provavelmente, o Senado aprovará na semana que vem”, afirmou.

De acordo com o ministro, o Judiciário já havia atuado na questão da liberação dos R$ 600 para trabalhadores informais, mas que é preciso que o dinheiro chegue à ponta final, pois muitas pessoas ficarão sem condições de se sustentar. “Poderão ir para a rua sair do isolamento, como já está acontecendo na periferia. Esse dinheiro precisa chegar. O Judiciário tem feito o seu trabalho”, afirmou, insistindo que é preciso reforçar o diálogo entre as instituições.

Na visão do ministro, o Judiciário está funcionando muito bem, ‘obrigado’, e que o Brasil ainda ficará orgulhoso do sistema de saúde que possui, apesar de reconhecer que o País ainda passará por um colapso em razão da covid-19. “Existe conflito aqui, acolá, e nesse iceberg, a maior parte está funcionando…o SUS está funcionando. O País vai passar por isso e a realidade irá mostrar que temos um sistema de saúde privado, público, filantrópico, de que vamos nos orgulhar. As coisas estão sendo resolvidas. Temos uma máquina administrativa que funciona muito bem”, avaliou.

Também presente à teleconferência, o ex-ministro do STF Nelson Jobim, e sócio do Banco BTG Pactual, reforçou que é preciso ter gestão neste momento de crise por conta do novo coronavírus. “E não gestão terrorista, mas que assegure a população”, disse. “Vamos deixar os operadores (Judiciário, Legislativo..) atuar”, completou.

Após o anúncio de recursos pelo Banco Central, pelo Tesouro Nacional e pelo governo, agora os bancos é que precisam atuar, disse Jobim, para que o dinheiro chegue à ponta final. “A fome e o desespero. É isso que temos de evitar.”

Democracia solidificada

Toffoli avaliou que o Brasil tem condições de superar a crise deflagrada pelo novo coronavírus e retomar o processo de crescimento econômico. Segundo ele, a democracia brasileira está solidificada. “A democracia está sólida, não há problemas institucionais.”

Questionado se poderia ocorrer alteração na data do pleito eleitoral deste ano por conta da pandemia de covid-19, o ministro preferiu não tecer grandes comentários, apenas dizendo que a eleição deve ser mantida. “Devemos manter o calendário eleitoral, o Judiciário não deve entrar nisso. Quem pode decidir sobre o calendário eleitoral é a classe política”, afirmou.


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Prefeitura de Serra Talhada

04/04


2020

Secretário: Não existe comprovação de reinfecção pelo vírus

Por G1

Em entrevista coletiva neste sábado (4) no Palácio do Planalto para apresentar o mais recente balanço sobre o avanço da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil, o Secretário-Executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, afirmou que as pessoas que pegam Covid-19 desenvolvem imunidade à doença.

Ele também defendeu a aplicação de testagem maciça no país para, no futuro, liberar a circulação de quem não tiver mais a possibilidade de se infectar novamente.

Na apresentação – na qual não esteve presente o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta –, o secretário disse que "vamos ter uma parte da população que já vai estar com anticorpos e pode circular livremente pela sociedade"

"Essa parte da população já não vai ter mais possibilidade de transmitir a doença – e não existe, até o momento, nenhuma comprovação de que possa ter uma reinfecção. Somos favoráveis a isso. Eu não sabia desse termo ['passaporte imunológico'], mas é o que estamos esperando. Elas [as pessoas] não vão nem adquirir nem transmitir a doença."
O termo "passaporte imunológico" havia sido mencionado na pergunta que motivou o comentário de Gabbardo. Era uma referência a uma ideia citada mais cedo neste sábado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em videconferência com empresários do setor varejista organizada pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).

Na ocasião, Guedes afirmou: "Hoje de manhã conversávamos com um amigo na Inglaterra que criou o passaporte de imunidade. Ele faz 40 milhões de teste. Ele coloca disponíveis para nós, brasileiros, 40 milhões de testes por mês".

Segundo Guedes, a proposta já foi encaminhada ao presidente Jair Bolsonaro e aos ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil) e Mandetta.

Gabbaro disse ser "totalmente favorável" à proposta do ministro da Economia. "Os testes rápidos vão servir para isso. Queremos que o profissional de saúde, se ele estiver doente, se ele estiver com sintomas, ele pode sair do isolamento um pouco mais cedo, se a gente tiver a confirmação de que ele está com segurança imunológica para sair de casa e voltar para o trabalho", explicou.

O secretário também disse que "86% [dos infectados] não vão ter sintomas, mas todo mundo vai ter contato".

"O vírus vai se transmitir, e a gente imagina que pelo menos 50% das pessoas vão ter tido contato e vão criar imunização. Isso vai diminuir capacidade de transmissão, vai acontecer lentamente. O fluxo só reduz quando tem 50% das pessoas já imunizadas. Imaginar que, se ficar numa bolha sem contato com ninguém, não teríamos o vírus... Mas, no dia em que sairmos da bolha, vamos ter o vírus", afirmou Gabbardo.

"86% nem vai saber que teve. Isso deixa de existir quando a gente tiver vacina, com imunidade natural adquirida e imunidade por vacina. Hoje queremos transmissão com velocidade baixa para que equipamentos de saúde possam dar conta. Tem outra variável aí que é o tratamento."

O mundo corre atrás de testes

"O mundo todo corre atrás de testes, e tem testes com qualidade diferentes. Não adianta adquirir um que não tenhamos condição de ter segurança sobre os resultados. Recebemos doação grande, mas os testes têm que ser aprovados pelo nosso instituto de qualidade antes de ser colocado à disposição", afirmou Gabbardo.

Importância do isolamento social

O secretário disse que o Ministério da Saúde quer "iniciar embate com coronavírus diferente dos outros países".

"Nenhum se preparou tanto quanto o Brasil, tivemos sorte pra nos preparar da melhor forma possível, outros países não tiveram esse tempo. A grande maioria dos hospitais hoje estão vazios", afirmou Gabbardo.

"Isolamento [é] importante porque queremos estar o mais fortes possível. Vai acontecer contaminação, evolução. Se ficarmos em casa um ano sem contato com casos, quando sairmos vamos ter contato. Redução só acontece quando estivermos imunizados. Hoje, a única maneira é ter tido contato", disse o secretário.
"Idosos não ficarão imunes a vida inteira. Quando saírem de casa, vão ter contato e ficarão doentes. O que não queremos é todo mundo doente ao mesmo tempo."

Aceleração descontrolada

Um relatório do Ministério da Saúde divulgado nesta sexta-feira (3), informou que quatro estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas) e o Distrito Federal podem estar em transição de fase epidêmica do novo coronavírus, passando de transmissão localizada para aceleração descontrolada da pandemia.

Na apresentação deste sábado, Gabbardo comentou essa mudança. "Estamos adotando medidas, reduzindo cirurgias eletivas. Os cinco em que nós estamos percebendo que essa transição para aumento maior de casos nas próximas semanas", afirmou.

"Já prevíamos desde o início, são estados em que há uma relação de viagens internacionais maior. A gente espera que não continue sendo assim. A gente sabe que, quando começar o inverno, a tendência é uma migração [da epidemia] para a região Sul. Quando começar o frio, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina vã começar a apresentar maior número de casos e vão nos preocupar mais."

Taxa de letalidade deve cair no Brasil

Gabbardo afirmou que a curva de expansão dos casos de coronavírus no Brasil está "tranquila, abaixo das curvas de crescimento da Espanha, Itália, Estados Unidos nesse período do caso 100 até hoje".

O secretário comentou ainda o aumento recente da taxa de letalidade da Covid-19 no país.

"A letalidade ter aumentado tem muito a ver com a quantidade de testes que a gente vai fazer. Possivelmente, nas próximas semanas com acréscimo na testagem, há uma tendência de reduzir taxa de letalidade. A partir da próxima semana, vamos aumentar testagem, e a letalidade vai reduzir."
Contaminação maior em jovens no Brasil
"O percentual [de mortes] no Brasil é um pouco maior que em outros países entre os jovens. Não sabemos explicar por que isso acontece, mas não é número relevante, que nos surpreenda", explicou o secretário.

Ausência de Mandetta

De acordo com Gabbardo, a ausência de Mandetta da coletiva se deveu ao fato de não haver outros ministros na apresentação.

"Nesta semana, a mudança para Planalto teve intenção superpositiva, em função disso o ministro esteve em todas", explicou o secretário, referindo-se à alteração de procedimento adotada pela pasta. Antes divulgados no próprio Ministério da Saúde, os balanços sobre coronavírus passaram a ser anunciados no Palácio do Planalto a partir de segunda-feira (30).

Já neste sábado, Gabbardo disse: "Hoje, como não havia essa necessidade, porque não haveria outros ministros, e também para que ele [Mandetta] possa descansar um pouco mais. Deve estar aproveitando esse tempo para ler".


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04/04


2020

Um jornal que fecha leva muito da nossa história

Por Tatiana Learth Junqueira*

O lamento pelo fechamento de um jornal impresso, como se deu, hoje, com o Correio da Paraíba, por nós, jornalistas, é a manifestação da saudade de um tempo que não volta mais.

Não voltaremos a ter um ambiente de trabalho caótico, barulhento, cheio de pessoas produzindo textos, outras diagramando, outras entrevistando e ainda outras batendo papo e dando altas risadas. 

Entrei no Correio da Paraíba como foca (iniciante) em 1997 pelas mãos carinhosas da, naquela época, chefe de reportagem, Sony Lacerda. Ela foi a última Diretora de Jornalismo do Jornal.

Na Redação, claro que entrei em Cidades (cobrindo o cotidiano), meu chefe era João Costa, importante editor que me emprestou muitos livros maravilhosos, devidamente devolvidos. Hoje, João Costa é um grande radialista e dramaturgo. Como é também meu grande amigo até hoje  Wellington Farias, editor de Páginas Especiais e depois "subiu" (as escadas) para o rádio. No prédio do Sistema Correio de Comunicação, o jornal ficava no subsolo.

Lembro demais das pautas científicas que Walter Galvão nos passava, e das pitorescas de José Carlos dos Anjos, editor e mestre de todos nós. O repórterJosé Alves adorava esses desafios e ríamos enlouquecidos com o que apurávamos. Era tudo verdade, mas parecia mentira. Por que a realidade é meio inacreditável mesmo. 

Lembro de cada um e cada detalhe da redação naquele período. Andréa Viegas,  Ana Rogéria, Jamarri Nogueira e eu formávamos a turma da manhã. Depois, veio Janaína Araújo, que trocou de turno com Deinha. 

Aprendemos tanto com as pautas, com as entrevistas, amadurecemos enquanto pessoas, cometemos erros, acertamos muito mais, graças a Deus. Foram anos inesquecíveis. 

Um ano depois, o editor de Política, Adelson Barbosa, me chamou para trabalhar com ele. Anos depois me tornei subeditora e em seguida editora de Política.

Devo muito a Adelson Barbosa. Com ele, entendi muita coisa da vida prática do jornalismo. Me fez voltar e não desistir de cobrir matéria sobre um interventor do TRT da Paraíba, que me destratou publicamente. Walter Galvão dizia "engrosse a pele". 

Ganhei o prêmio de jornalista do ano em 1999 e fui finalista outras vezes. Realmente, me doava demais ao jornal, que é uma grande cachaça. 

Conheci todos os políticos regionais e nacionais daquela época que ainda estão aí, mas tudo isso era novo pra mim. Tive a oportunidade de pegar o tempo em que Rubens Nóbrega, o Rubão, era ombdsman na redação do Correio. Eita que honra.

Lena Guimarães era a editora do jornal com mão de ferro, uma excelente tituleira. Ela e Adelson. Eles levantavam uma matéria e mostravam para gente o que tinha que ser feito - despertar os dispersos. Lena era temida e respeitada pela sua competência.

Tempos em que eu, como editora de Política, "descia" as minhas páginas com algumas das matérias mais importantes da Agência Nordeste, dirigida por Magno Martins, de Brasília, com quem encontrei várias vezes no Correio, embora ele, que agora é editor deste blog, não lembre de mim desse período. 

Memórias que nos trazem nostalgia, até lágrimas aos olhos. Mas como disse o poeta, "o tempo não pára" e nós precisamos estar melhores agora. A pluralidade das falas, as tecnologias da comunicação, as possibilidades que se abrem para todos nós são enormes. Sim, ficamos tristes, mas não vamos nos entregar ao luto. 

Porque a vida de jornalista é sempre de muita luta. As grandes empresas perderam o comando da narrativa jornalística. Isso nos leva a uma perda de identidade num determinado momento, mas empodera muito os jornalistas que se apropriarem de outras formas de levar a sua mensagem e visão ao público.

Somos, nós jornalistas, cada vez mais necessários. Precisam de nós, e nós precisamos dos leitores/espectadores 

Conversei com Sony Lacerda e, embora triste, evidentemente, ela está de cabeça erguida. Sim, todos temos que estar. 

Vamos, cada vez mais, lutar para abrir as portas que sempre quiseram fechar para nós. Resiliência, criatividade e coragem para o futuro de espaços quase robóticos, diferentes do passado. Não encontraremos mais as redações de antigamente.

Mas podemos fazer melhor do que já fizemos até agora.

* Jornalista, atualmente gerente de Imprensa na Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).


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O Jornal do Poder

04/04


2020

O exemplo que o presidente de Portugal dá a Bolsonaro

O Globo - Por Ancelmo Gois

Não é só Bolsonaro, naturalmente, que alimenta neste mundo de Deus esse falso dilema (para usar uma expressão dos filmes antigos de faroeste) “O bolso ou a vida” em relação à Covid-19.

Em Portugal, que já registrou 246 mortes e 9.886 contaminados, o “dilema” foi abordado ontem pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa, um dos políticos mais populares do país. “A vida e a saúde exigem que a economia não pare. Mas sem vida e sem saúde o combate econômico não pode ser travado com sucesso”.

O presidente agradeceu a todos os portugueses que mantêm o país funcionando, dos médicos aos camionistas, passando por cientistas e agricultores.

Mas, ao anunciar a renovação do estado de emergência, Marcelo mostrou que, nesta fase, sua prioridade é outra: salvar vidas e conter a epidemia. “Não podemos parar”.


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Banner de Arcoverde

04/04


2020

Líder dos Metalúrgicos quer ser vereador

Uma notícia que certamente vai mexer com o movimento sindical nas eleições municipais em outubro: o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Henrique Nascimento, no último dia para filiação partidária trocou hoje o PT pelo PCdoB para disputar um mandato de vereador em Jaboatão dos Guararapes. A entidade que dirige tem cerca de cinco mil associados. O PCdoB irá disputar a Prefeitura com o advogado Arnaldo Delmondes.


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Prefeitura de Limoeiro

04/04


2020

IML de Pernambuco adota perícia não invasiva

Do Diario de Pernambuco - Por: Silvia Bessa

Em uma decisão inédita, o Instituto de Medicina Legal (IML) de Pernambuco adotou a necropsia não invasiva em cadáveres para perícia de mortes violentas com causas visíveis. A medida foi adotada desde o dia 21 de março, é amparada pelo artigo 162 do Código do Processo Penal e visa proteger do contágio com o coronavírus os profissionais que lidam com o corpo. Considera-se que alguns mortos poderiam eventualmente estar infectados pela Covid-19, ainda que sem sintomas relatados pelas famílias.

Passou-se a usar esta técnica não invasiva para casos de ferimentos visíveis de armas de fogo ou armas brancas, por exemplo. “É uma situação bem atípica por conta da Covid-19, mas temos amparo no Código Penal e a perícia não deixa de ser feita. Estamos funcionando bem”, informa a gerente-geral da Polícia Científica, Sandra Santos. “Procedimentos semelhantes estão sendo adotados em outros estados”, diz. Exames como o traumatológico de mulheres agredidas e sexológico no caso de mulheres vítimas de estupro continuam sendo realizados como antes.

No caso de qualquer exame em vivos, a orientação é que, caso chegue alguém com sintomas de gripe, não seja periciado de imediato. Primeiro, o cidadão precisa procurar o serviço de saúde e só depois que o IML pode atendê-lo para evitar contaminação dos profissionais. Hoje, o IML tem cerca de trezentos profissionais entre médicos legistas, auxiliares de legistas e auxiliares de necropsias.

Outras medidas de segurança foram adotadas no IML, informa Sandra Santos. Uma delas, que começou a valer desde o dia 16 de março, foi no sentido de reduzir o trânsito de pessoas no IML - uma orientação que segue o padrão de outras unidades de saúde. “Às vezes, chegavam famílias inteiras no IML para receber um corpo. Hoje, só deixamos entrar uma pessoa para tratar de procedimentos legais. O restante da família fica fora”, explica ela.

Com as novas normas do IML, fica determinado ainda que não se recebe na unidade de forma presencial o cidadão interessado em cópia de um laudo. Todos os que buscam este serviço são orientados a fazer o pedido agora por e-mail ou via ligação telefônica. Perícias eletivas, as que não dizem respeito a flagrante e que podem aguardar por parecer técnico, estão sendo remarcadas. Cartazes foram fixados para informar sobre as novas orientações. E servidores com idade superior a 60 anos, grávidas e lactantes passaram a desempenhar teletrabalho.


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Shopping Aragão

04/04


2020

Países acusam EUA de desviar equipamento médico

Por BBC

Os EUA foram acusados de redirecionar para si mesmos um conjunto de 200 mil máscaras que tinha como destino original a Alemanha, em um ato descrito como "pirataria moderna".

Autoridades em Berlim disseram que o embarque das máscaras, produzidas nos EUA, teria sido "confiscado" em Bangcoc, na Tailândia.

s máscaras modelo FFP2, que haviam sido encomendadas pela polícia de Berlim, não teriam chegado a seu destino final. Andreas Geisel, ministro do interior da Alemanha, disse que as máscaras foram "desviadas" para os EUA.

Casos semelhantes, incluindo o que vem sendo descrito como "roubo" de contratos pelos norte-americanos, que estariam fazendo propostas financeiras mais altas do que as já assinadas entre países e fornecedores, também foram reportados pela França e pelo Brasil.

A 3M, empresa americana que produz as máscaras, foi proibida de exportar seus produtos médicos para outros países após o presidente Donald Trump recorrer a uma lei da época da Guerra da Coreia, que aconteceu nos anos 1950.

Na sexta-feira, Trump disse que havia recorrido à regra para fazer com que empresas norte-americanas garantissem mais produtos médicos para a demanda interna dos EUA.

"Precisamos destes itens imediatamente para uso doméstico. Precisamos tê-los", disse Trump em sua conversa diária sobre o coronavírus com a imprensa na Casa Branca.

Ele disse também que autoridades americanas estocaram aproximadamente 200 mil máscaras modelo N95, 130 mil máscaras cirúrgicas e 600 mil luvas. Trump não informou em que locais ou países elas foram postas à disposição dos EUA.

O ministro alemão disse que o desvio de máscaras foi um "ato de pirataria moderna", em um gesto de pressão para que o governo Trump cumpra regras comerciais internacionais.

"Não é assim que se lida com parceiros transatlânticos", disse o ministro. "Mesmo em momentos de crise global, não é correto usar métodos do velho oeste."

Caça ao tesouro em busca de máscaras

Os comentários do ministro Geisel ecoaram reclamações de outras autoridades que também reclamaram sobre as práticas de compras e desvios adotadas pelos EUA.

Na última sexta-feira, uma carga de 600 respiradores artificiais encomendada por estados do nordeste de um fornecedor chinês não pode embarcar do aeroporto de Miami, onde fazia escala, para o Brasil.
Em nota enviada à imprensa brasileira, a Casa Civil da Bahia informou que "a operação de compra dos respiradores foi cancelada unilateralmente pelo vendedor"

O valor final da compra, de R$ 42 milhões, ainda não havia sido pago pelo governo baiano. A suspeita é de que os EUA tenham oferecido um valor mais alto pelos produtos - uma prática apontada, por exemplo, pelo governo francês.

Naquele país, líderes regionais dizem que estão tendo muita dificuldade para garantir equipamentos médicos, já compradores dos EUA têm "furado a fila" ao oferecer valores de compra mais altos que os já assinados.

A presidente da região da Île-de-France, Valérie Pécresse, comparou a disputa por máscaras com uma "caça ao tesouro".

"Encontrei um estoque de máscaras disponíveis e os americanos - não estou falando do governo americano - ofereceram o triplo do preço e se propuseram a pagar adiantado", disse Pécresse.

À medida que a pandemia de coronavírus piora, a demanda por suprimentos médicos fundamentais, como máscaras e respiradores, aumenta em todo o mundo.

No início desta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que considera mudar sua orientação sobre o uso de máscaras em público pela população em geral.

Atualmente, a OMS diz que as máscaras não oferecem proteção suficiente para justificar seu uso em massa contra infecções. Mas alguns países adotaram uma visão diferente, incluindo os EUA.

Na sexta-feira, Trump anunciou que o Centros de Controle de Doenças (CDC) do país passou a recomendar que os norte-americanos usem proteção faciais não-médica para ajudar a impedir a propagação do vírus.

Os EUA registraram 273.880 casos de Covid-19, disparado o número mais alto do planeta.

Doença causada pelo coronavírus, o Covid-19 já atingiu mais de um milhão de pessoas e matou quase 60 mil em todo o mundo, segundo dados recentes

Consequências humanitárias significativas

Por sua vez, a 3M informou que o governo Trump pediu que a empresa pare de exportar para o Canadá e a América Latina máscaras do tipo N95 fabricadas nos EUA .

A solicitação tem "consequências humanitárias significativas", alertou a empresa, e poderia levar outros países a agir da mesma forma.

A empresa diz que fabrica cerca de 100 milhões de máscaras N95 por mês - cerca de um terço são fabricados nos EUA e o restante é produzido no exterior.

O presidente Trump disse que usou a Defence Production Act (Lei de Produção de Defesa, em tradução livre) para "atingir pesadamente a 3M", sem oferecer mais detalhes.

A lei foi criada nos anos 1950 e permite que presidentes forcem companhias a produzirem ítens para defesa nacional.

O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau disse a jornalistas na sexta-feira que "seria um erro criar bloqueios ou reduzir o comércio".


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04/04


2020

Facada de 50% no sistema S causa indignação

O Globo - Por Lauro Jardim

Dos presidentes confederações do Sistema S, o da CNC, José Roberto Tadros, foi o único que estrilou em público com o corte de 50% dos repasses à essas entidades por um período de três meses.

Tadros enviou uma carta a Jair Bolsonaro protestando contra medida baixada pela equipe de Paulo Guedes. Nela, classificou de "decisão unilateral" que poderia causar "um colapso em todo o sistema". Escreveu Tadros:

— Com o corte, estamos colocando em risco todo um sistema estruturado, sem que isso traga benefícios que o justifique.

O Planalto não pretende responder à carta.


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04/04


2020

Neto de Lapenda disputa em São Lourenço

O PP, presidido e liderado no Estado pelo deputado federal Eduardo da Fonte, terá candidato próprio em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana do Recife. É o administrador de empresas José Lapenda, neto do ex-prefeito José Lapenda. Ele assinou hoje a ficha do partido na presença de Da Fonte,  ao lado do médico cardiologista Rubens Alencar, ex-vereador, que deve ser o seu vice.


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04/04


2020

Papa pede para fiéis não lucrarem com pandemia

Ansa

 Durante a missa na Casa Santa Marta, que foi transmitida online neste sábado (4), o papa Francisco pediu para que ninguém se aproveite deste momento de dor provocado pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) para obter lucro.   

“Rezemos hoje para que o Senhor dê a todos uma consciência reta, uma consciência transparente, que possa mostrar-se a Deus sem envergonhar-se”, disse Francisco.   

O Pontífice explicou que durante momentos “de desconforto, de dificuldades, de dor”, principalmente como o originado pela pandemia da Covid-19, “muitas vezes as pessoas veem a possibilidade de fazer muitas coisas boas. Mas também não deixa de vir a alguém a ideia não muito boa de aproveitar a situação para si e obter lucro”. Durante a homilia, o líder religioso usou o Evangelho de São João que relata a decisão de Sinédrio de matar Jesus após o sinal de ressurreição de Lázaro para explicar que “já há muito que os doutores da Lei, também os sumos-sacerdotes, estavam inquietos porque ocorriam coisas estanhas na região”.   

“Foi um processo que começou com pequenas inquietações no tempo de João Batista e depois acabou nesta reunião dos doutores da Lei e dos sacerdotes. Um processo que crescia, um processo que era mais seguro da decisão que deviam tomar, mas ninguém a tinha dito assim de forma clara: ‘Este deve ser eliminado'”, acrescentou. Jorge Bergoglio disse que “o modo de fazer dos doutores da Lei é uma figura”, como a tentação age e “por trás dela evidentemente estava o diabo que queria destruir Jesus”.   

“A tentação geralmente age deste modo em nós, começa com pouca coisa, com um desejo, uma ideia, cresce, contagia e no final se justifica. Esses são os três passos da tentação”, afirmou Francisco, ressaltando que todos quando “vencidos pela tentação” ficam “tranquilos”, porque encontram “uma justificação para este pecado, para esta vida não segundo a Lei de Deus”. 


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04/04


2020

Está na hora de começarmos a falar sobre Mourão

Por Marcos Strecker, da ISTOÉ

Jair Bolsonaro continua resistindo a combater a epidemia do coronavírus, na contramão do mundo. Mais que isso, aproveita para radicalizar seu discurso contra os outros Poderes. Está cada vez mais isolado e perde as condições políticas de liderar o País. Com isso, cresce a percepção de que é necessária uma alternativa para driblar a paralisia e recolocar o País nos trilhos após a crise — que é ao mesmo tempo econômica, sanitária, institucional e social. Ao se colocar como um obstáculo para a condução do País, a alternativa constitucional que se impõe é a ascensão do vice Hamilton Mourão. De uma mera hipótese, a tese do afastamento já é tratada em Brasília como uma possibilidade concreta.

O isolamento do presidente atingiu seu ápice no início da última semana, depois que foi confrontado pelo núcleo militar do Palácio do Planalto e pelos principais ministros — Sergio Moro (Justiça), Paulo Guedes (Economia) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde). Todos são a favor do isolamento social, um consenso internacional. O titular da Saúde se recusou a voltar atrás nas suas recomendações técnicas, mesmo confrontado pelo mandatário. No sábado, 28, disse que o presidente precisaria demiti-lo se quisesse mudar a orientação do ministério. Bolsonaro recuou. Na terça-feira, 31, em seu quarto pronunciamento na TV sobre a pandemia, falou em um tom mais conciliador. Mas, como havia feito antes, voltou a distorcer a mensagem do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, que citou o risco que as medidas de isolamento trariam para os mais pobres. Ao contrário do que o presidente insinuou, a menção pregava a assistência financeira, e não o fim das medidas de isolamento. O pronunciamento gerou uma nova onda de panelaços pelo país. O novo tom durou pouco. Na manhã seguinte, divulgou no Twitter um novo ataque aos governadores, com uma notícia falsa sobre desabastecimento na Ceasa de Belo Horizonte.

Essa nova mensagem em cadeia nacional foi o resultado de uma semana de crises dentro do Palácio do Planalto. No dia 24, o presidente havia decidido radicalizar seu discurso. Além de temer as consequências da recessão para o seu mandato, queria contra-atacar os governadores que lideravam a mobilização. Fez nesse dia um pronunciamento raivoso pregando o fim do confinamento em massa. Pretendia mobilizar os militares, mas o movimento não foi acompanhado, inclusive pelos da ativa. Um dos militares com gabinete no Palácio do Planalto se recusou a endossar o discurso e deixou o Planalto. O general Edson Leal Pujol, comandante do Exército, divulgou horas antes desse pronunciamento um vídeo dizendo que a corporação estava integrada ao esforço contra o coronavírus. Disse que essa “talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. O tuíte teve enorme visibilidade.

O presidente tem mostrado cada vez mais instabilidade emocional. No início do ano, havia tentado dar mais protagonismo ao núcleo militar do governo, em detrimento do grupo ideológico. Com o agravamento da crise, voltou-se para os filhos. Para tentar recuperar o controle da crise, escalou o general Walter Braga Netto, chefe da Casa Civil. Ele passou a liderar o Comitê de Crise com o objetivo de tirar a visibilidade do ministro da Saúde, mas a manobra deixou ainda mais estampada a fragilidade na condução do processo. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, o secretário de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e Braga Netto têm buscado conter o ímpeto do presidente contra as medidas de isolamento, mas sem sucesso. Isso provocou em Brasília reuniões entre militares para discutir os possíveis cenários. Os militares estão apoiando Bolsonaro menos por convicção e mais porque temem a crise institucional. Além disso, consideram que a emergência pode derivar para distúrbios, com a falta de comida e a perda de empregos. Os militares também não desejam ser instrumentalizados em uma disputa política do presidente com outros Poderes, ou com os governadores. O medo é que o presidente, acuado, radicalize e seja tentado a gestos autoritários — afinal, já chegou a dizer que não pensava no Estado de Sítio “nesse momento”. “Quem quer dar o golpe jamais vai falar que quer dar”, respondeu em outra ocasião. As Forças Armadas não desejam ser envolvidas em uma aventura. Há a delicadeza também de que a imagem da corporação hoje está associada ao governo. Esse é mais fator que leva os militares a tentar conter o isolamento do chefe, apesar de sua atitude errática e cada vez mais agressiva. Por isso, as mensagens emitidas têm sido ambíguas, destacando a preocupação, mas ao mesmo tempo dando suporte ao presidente. Na véspera do último pronunciamento, Bolsonaro pediu a ajuda do ex-comandante do Exército, o general Eduardo Villas-Bôas, após uma desastrada visita que fez ao comércio popular em Brasília. O militar, que tem ascendência entre os seus pares, aquiesceu. Divulgou um tuíte em defesa do presidente, alertando que “ações extremadas podem acarretar consequências imprevisíveis”.

Sem o apoio do Congresso

No caso da crise se agravar, é possível que o governo seja informalmente dirigido por um comitê de ministros, ou por meio de uma maior participação dos militares. Isso não seria inédito na história política brasileira. Quando o governo Collor derretia, a condução também passou a ser de um grupo de “notáveis” do ministério. Como há a sensação de Bolsonaro já não governa, discutem-se em Brasília alternativas. Uma saída seria a renúncia, mas o presidente não dá nenhum sinal de considerar essa possibilidade. Lideranças no Congresso relutam em colocar o impeachment em marcha, pois temem que o mandatário utilize a iniciativa para posar de vítima dos políticos e do “establishment”. Mas a perda de sustentação parece irreversível. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, declarou na última quarta-feira que o governo Bolsonaro não tem mais apoio no Congresso e terá de estabelecer nova relação com o parlamentares após a crise. Nesse momento, o Parlamento está empenhado em buscar soluções para a pandemia, mas, depois, “a situação tende a se complicar para o governo”, afirmou. Outro caminho para o afastamento é a notícia-crime por crimes contra a saúde pública. Uma ação nesse sentido foi encaminhada na segunda-feira, 30, pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello, para a Procuradoria-Geral da República, em resposta a um pedido feito pelo deputado Reginaldo Lopes, do PT mineiro. No mesmo dia, sete partidos de esquerda também decidiram ingressar com uma notícia-crime contra o presidente, pedindo o seu enquadramento por incitação à prática de crime. Outra possibilidade constitucional é a interdição. Um grupo de advogados solicitou no último dia 21 ao Ministério Público do Distrito Federal que o presidente seja considerado incapaz para os atos da vida civil. Eles pedem que seja feita uma avaliação psiquiátrica de Bolsonaro, pois suas atitudes na crise teriam configurado “um considerável grau de desorientação e confusão psíquica”.

O jurista Miguel Reale Jr., que foi um dos responsáveis pelo pedido de impeachment de Dilma Rousseff, não vê oportunidade nesse momento para o impeachment. Mas acha que já há embasamento técnico, pois está caracterizada a contínua falta de respeito às leis e à dignidade da função. “Ele é o inimigo da saúde pública, não tem limite ético, é amoral.” Mas ele considera que não é o momento de politizar, pois um eventual processo de impeachment, além de lento, poderia servir ao próprio presidente. “É o instante da classe política e entidades médicas atuarem na luta pela saúde pública.” Após o pronunciamento de Bolsonaro no dia 24, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu. “O presidente repetiu opiniões desastradas sobre a pandemia. O momento é grave, não cabe politizar, mas opor-se aos infectologistas passa dos limites. Se não calar estará preparando o fim. E é melhor o dele que de todo o povo. Melhor é que se emende e cale”, divulgou no Twitter. Líderes de esquerda — Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e Flávio Dino (PCdoB) — pediram a renúncia.

Além do freio de arrumação imposto pelos ministros, o Congresso e o Judiciário já deixaram claro que vão impor limites à atuação de Bolsonaro. O presidente do STF, Dias Toffoli, disse que não dá para combater o coronavírus com “achismos” e defendeu a atuação de Mandetta. O ministro Luís Roberto Barroso vetou a campanha “O Brasil não pode parar”, divulgada — e depois suprimida — dos canais oficiais. Gilmar Mendes usou seu Twitter para defender as recomendações da OMS: “A crise não sustenta o luxo da insensatez”. Além de encaminhar a notícia-crime à PGR, o ministro Marco Aurélio Mello decidiu que governadores e prefeitos podem determinar sobre restrições de circulação de transporte.

Foco em Mourão

As atenções em Brasília se voltam para o vice, que tem a simpatia em um amplo espectro político. Formado na Academia Militar das Agulhas Negras, Mourão nunca foi próximo do presidente, apesar de manter uma relação cordial desde os anos 1980. Foi escolhido para ocupar a vaga de vice quando se preparava para concorrer ele mesmo à Presidência, em 2018. É conhecido pela franqueza, o que o indispôs com os ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer. Para compor a chapa com Bolsonaro, teve o cuidado de garantir que a agenda econômica fosse liberal. No início da gestão, Mourão foi bombardeado pelo gabinete do ódio por demonstrar muita autonomia. Diminuiu o número de entrevistas, mas não deixou de mostrar sua personalidade e demarcar diferença em relação a posições das quais discorda. Tem se mantido no fio da navalha para defender Bolsonaro e, ao mesmo tempo, desfazer equívocos e criticar as ações desastradas do governo. Recentemente, desautorizou Eduardo Bolsonaro, quando esse criou um incidente diplomático com a China — ao culpá-la pela disseminação do coronavírus. Mourão afirmou que o filho “03” do presidente não falava em nome do governo: “Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha, não teria problema nenhum. É só por causa do sobrenome. Não é a opinião do governo”. Da mesma forma, em plena crise do coronavírus, quando o presidente desautorizou o ministro da Saúde, ele foi uma voz dissonante. “A orientação do governo é uma só: isolamento e distanciamento entre as pessoas.” Foi o único general de quatro estrelas do Planalto a se contrapor publicamente ao presidente na crise. Isso incomodou Bolsonaro, que revidou publicamente: “Com todo o respeito ao Mourão, mas ele é mais tosco do que eu. Muito mais tosco. Não é porque é gaúcho, não. Alguns falam que eu sou um cara muito cordial perto do Mourão.”

Pragmático

O vice é poliglota e defende uma política externa pragmática. Além de fiador das relações estratégicas com a China, é o responsável pela coordenação do Conselho da Amazônia, que foi criado depois que as queimadas e os ataques de Bolsonaro fragilizaram a relação brasileira com os investidores. Em vários temas se diferencia do presidente, como o aborto (acha que é uma opção da mulher) e a transferência da Embaixada em Israel para Jerusalém (é contra). Como militar, tem uma carreira sólida em vários comandos e experiência internacional, como adido militar na Embaixada na Venezuela — o que o tornou um líder natural para formular a política atual em relação ao país. Ao contrário de Bolsonaro, sempre defendeu o papel da imprensa. Mantém a posição do Exército sobre o regime militar. No aniversário dos 56 anos do golpe de 64, na última terça-feira, divulgou que a intervenção tinha ocorrido para enfrentar “a desordem, a subversão e a corrupção”, e que o movimento pertencia à história.

“O Mourão é extremamente íntegro, inteligente, educado e trabalhador. É mais bem preparado em vários sentidos do que o Bolsonaro. Administraria muito bem o País”, diz o deputado Alexandre Frota, que já protocolou um pedido de impeachment contra o presidente. “É preparado, sabe lidar com conflitos e divergências. É sobretudo um homem de diálogo “, diz a líder do PSL na Câmara, Joice Hasselmann. O senador Major Olímpio, do PSL, diz que “engana-se quem pensa que o Mourão é um troglodita”. Segundo ele, “o centro hoje está confortável porque manda, ignora e afronta Bolsonaro quando quer. Só haveria impeachment se fosse uma situação muito flagrante. Mourão é tão boa alternativa que Bolsonaro o escolheu, mas entendo que o melhor para o País será o presidente seguir governando e dar espaço no governo ao Mourão, a começar pela coordenação política”.

No caso de a crise se agravar, é possível que o governo seja informalmente dirigido por um comitê de ministros, ou por meio de uma maior participação dos militares

Apesar de Bolsonaro ter minado boa parte de seu capital político na pandemia, ele ainda mantém o apoio de seu eleitorado mais fiel. Mas está decepcionando muitos setores que se iludiram com ele. É significativo que até o astrólogo Olavo de Carvalho já esteja se distanciando do pupilo. O presidente também está sendo abandonado pelo centro, que votou nele para afastar a ameaça da volta do PT ao poder. Internacionalmente, sua imagem não poderia ser pior. Foi descrito pela centenária revista americana “The Atlantic” como o “líder mundial do movimento de negação do coronavírus”. O jornal britânico “The Guardian” disse em editorial que ele “era um perigo contra os brasileiros”. Nunca o País teve um mandatário no papel de pária mundial. Está cada vez mais clara a sua incapacidade para liderar o País. Mesmo que nesse momento a melhor saída seja driblar o obstáculo presidencial e lidar com a emergência sanitária, a solução definitiva começa a se impor. Se for afastado, Bolsonaro terá um fim melancólico, processado por crime e indisciplina, como começou a carreira. Será um efeito colateral — benéfico — da Covid-19.

O comandante do Exército, general Edson Pujol, divulgou  um vídeo dizendo que o coronavírus “talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. O presidente repetiu as mesmas palavras  em seu pronunciamento  de recuo na terça-feira, 31


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04/04


2020

Lombardia impõe uso obrigatório de máscaras

Por Ansa

O governador da Lombardia, Attilio Fontana, anunciou que a partir deste domingo (5) o uso de máscaras de proteção será obrigatório quando os cidadãos saírem pelas ruas do norte da Itália.   

A determinação é mais uma medida protetiva contra a propagação do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que já contaminou 49.118 pessoas na região. Segundo Fontana, todos os moradores que precisarem circular pela Lombardia devem utilizar máscaras ou qualquer outra proteção no nariz e boca.   

Questionado sobre a medida, o chefe da Defesa Civil, Angelo Borrelli, disse que a prevenção “é importante”. “Máscaras obrigatórias na Lombardia? Eu não uso porque respeito as distâncias. É importante usá-la se as distâncias não forem respeitadas”, concluiu. 


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04/04


2020

TSE mantém prazo de troca de partido para hoje

Por Consultor Jurídico

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, negou medida liminar em ação direta de inconstitucionalidade, em que o PP pede a suspensão por 30 dias do prazo para filiação partidária, domicílio eleitoral e desincompatibilização para as eleições de 2020, que termina neste sábado (4).

Para a relatora, em análise preliminar, não foi demonstrado que a situação causada pelo combate à pandemia da Covid-19 viola os princípios do Estado Democrático de Direito, da soberania popular e da periodicidade do pleito previstos na Constituição Federal.

Risco para as eleições

A ministra Rosa Weber apontou que a suspensão imediata do prazo teria como consequência “inadmissível” o enfraquecimento das proteções contra o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.

A seu ver, isso incrementaria de modo desproporcional o risco para a normalidade e a legitimidade das eleições e, consequentemente, produziria um estado de coisas com potencial ainda maior de vulneração ao princípio democrático e à soberania popular.

De acordo com a relatora, prazos como o de desincompatibilização não são meras formalidades, pois visam assegurar a prevalência da isonomia na disputa eleitoral, e sua inobservância poderia afetar a legitimidade do pleito. A ministra ressaltou ainda que, recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou a plena possibilidade de os partidos adotarem outros meios para assegurar a filiação partidária, como o recebimento on-line de documentos. Com informações da assessoria de imprensa do STF.


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04/04


2020

PE fornece material para Polo Têxtil produzir EPIs

Por Folha PE

O Governo de Pernambuco encontrou uma alternativa para movimentar a produção do polo de confecções do Agreste, fortemente impactado pela suspensão das atividades para combater o coronavírus. O Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE) produziu e passou a fornecer um caderno técnico com protótipos de equipamentos de proteção, como batas e máscaras, e que podem ser inseridos na linha industrial das fábricas. O documento descreve modelagens e insumos necessários para produzir cada produto. A medida tem como base dois pontos importantes: utilizar a base industrial já instalada e usar matéria-prima existente na região, inclusive com fornecedores locais. Cerca de 50 empresas já vêm cumprindo o protocolo para começar a produzir.

O setor têxtil e de confecções do Agreste movimenta, por ano, quase R$ 6 bilhões, além de ocupar cerca de 250 mil pessoas, entre empregos formais e informais em todo o Estado. Atualmente, é responsável por uma produção anual de mais de 225 milhões de peças. De acordo com o presidente do NTCPE, Wamberto Barbosa, trata-se de um projeto que prevê a reocupação de uma estrutura atualmente ociosa na região, devido ao coronavírus, e que pode aproveitar a demanda de atacadistas e do varejo que não tiveram impedimentos de continuar operando, como supermercados e farmácias. Outro canal de vendas no radar é o das redes sociais.

“O enfrentamento ao coronavírus impactou a economia global, mas a capacidade instalada do polo têxtil tem flexibilidade para atender essa nova demanda. A gente precisou pensar caminhos para reverter a situação e esse é um deles. Muita gente tem se reinventado nessa crise, então estudamos um modelo de produção que tivesse uma demanda que sustentasse a atividade e os empregos, mas que também permitisse aderência massiva do setor produtivo de confecções”, destacou.

O caderno técnico para produção de batas e máscaras pode ser solicitado aos gestores do NTCPE e também está disponível para download no site da instituição (https://www.ntcpe.org.br/). Vale ressaltar: em tempos de crise, a adaptação é uma medida positiva, porque não exige investimentos no ajuste da estrutura das fábricas e utiliza matéria-prima que já está nos estoques das empresas ou de fácil acesso, que são materiais com base no algodão (meia malha e moletinho). Atualmente, esse insumo é utilizado principalmente na produção de roupas de bebês.

Wamberto ressalta que esses produtos não têm os requisitos para atender os profissionais da saúde, mas estão aptos para a população em geral e, também, para serviços essenciais fora da área médica, como segurança pública (policiais e bombeiros), de coleta de lixo e outras atividades que não conseguiram parar totalmente. Segundo ele, as empresas já estão se sensibilizando para essa necessidade.

Selo de Qualidade

Apesar da alteração na produção e de ser uma novidade para boa parte das empresas, o padrão de qualidade seguirá sendo monitorado, reforça Maíra Fischer, secretária executiva de Políticas de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco. “São manuais de produtos novos, de protótipos analisados e estudados para atender a população. Vamos acompanhar e, na medida em que as empresas forem se interessando, deverão passar os protótipos fabricados para o NTCPE, que vai emitir um selo de qualidade e liberar a produção em escala.” O governo também estuda uma linha de crédito para o setor, que será ofertada via Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE).

Em paralelo, o NTCPE vai buscar os canais de venda para movimentar essa produção nova, seja compras do governo ou o próprio atacado e o varejo que não foi impactado com a suspensão das atividades, que é o caso de supermercados e farmácias. “As empresas também devem reforçar a divulgação em seus canais próprios”, detalha Wamberto Barbosa.


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