Os bastidores do poder e da
política em primeira mão

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11.02.2020 05:59

O míssil chamado Tonca I

Por Magno Martins, edição de Ítala Alves compartilhamentos

A política de Pernambuco pode entrar numa importante fase histórica de explosões e implosões. Trata-se do que batizei de “O Míssil Chamado Tonca”. Irmão único de Eduardo Campos, o advogado e escritor Antônio Ricardo Accioly Campos, conhecido como Tonca, chegou ao limite do suportável e decidiu abrir todas as informações para o Ministério Público Federal sobre os esquemas montados pelo grupo político originalmente formado por seu irmão, mas que hoje é liderado, nas sombras, pela viúva Renata de Andrade Lima Campos.

De acordo com diversas fontes ouvidas pelo blog, a gota d’água deve ter sido a matéria da revista Época, na qual, claramente, o grupo de Renata manobrou para desmoralizar Tonca, forçando a barra ao apresentar o seu cunhado como um completo desequilibrado, que só faz loucuras, até do tipo de dar tiro em bar. Além do mais, construíram o quadro de um político fracassado, que pretende ser líder, mas não conseguiu nem se eleger prefeito de uma cidade de porte médio como Olinda, tendo tão míseros votos para deputado estadual que sequer vereador recifense se elegeria.

O que membros desse grupo falam de Tonca nos bastidores, inclusive, é impublicável. Tem os mais macabros requintes de crueldade. O difamam não só como “oportunista”, “mercenário” e “psicopata”, mas, sobretudo, uma pessoa sem moral e até depravado. Apontam as piores armas sujas quanto a pecaminosas manias sobre aspectos sexuais. Falam de horrores que Tonca fez contra Eduardo, indicando que este, nos últimos dias de vida, tinha verdadeiro ódio mortal pelo irmão único. São histórias que não cabem nem nos mais terríveis livros de horror. Por isso que não iremos, em nenhuma hipótese, mencionar vários detalhes aqui.

Frente a tantas maldades contra Tonca, resolvemos fazer uma investigação a fundo, de forma livre e destemida. Passamos horas sem fim conversando, sob completo sigilo, com mais de 40 pessoas testemunhas oculares de muitos episódios, colhendo alguns depoimentos de amigos e colaboradores de Eduardo e de Tonca ao longo de décadas, bem como outros de relações mais recentes, porém operando dentro da máquina eduardista ou do circuito tonquiano. Registro que o próprio Tonca não nos atendeu por conta do sigilo do seu depoimento ao Ministério Público Federal.

O apurado é muito diferente do que o grupo de Renata e seus principais seguidores e executores de decisões, Paulo Câmara e Geraldo Júlio, tentam difamar contra Tonca. Detectamos, de maneira crítica e independente, que Eduardo e Tonca tinham uma relação bipolar, de amor e ódio. Verdadeira narrativa para um drama quase tragédia, podendo servir ao teatro, cinema ou novela de TV.

Na parte do amor, Tonca, inclusive, era muito mais afetuoso, generoso, atencioso e presente do que o irmão em relação a ele. Sempre socorria Eduardo, entrando em ação direta para todo e qualquer assunto ou momento quando o irmão estava em apuros ou necessitava de apoio. Ouvimos muitos relatos no sentido de Tonca ter nutrido uma verdadeira adoração por Eduardo. Amor que nem sempre era correspondido pelo irmão à altura da intensidade tonquiana.

A verdade é reconhecida por aqueles que não entraram no jogo do ódio venenoso: toda a vez que Eduardo tinha um problema, de qualquer tipo, mas, sobretudo, de natureza jurídica, era Tonca quem ajudava de forma desmedida, fazendo realmente de tudo e muito mais para resolver o que quer que fosse. O próprio Eduardo algumas vezes reconhecia isso quando falava sobre o irmão e em diferentes oportunidades chegou até a se emocionar contando o quanto Tonca era solidário com ele.

Ocorre aí um problema, até natural: Tonca de forma legítima esperava contrapartidas do irmão. Só que quando Eduardo estava por cima existia uma barreira intransponível contra Tonca: Renata. Ela desenvolveu uma animosidade que chegou à aversão crescente e extrema contra o cunhado, procurando de todas as formas afastarem os dois irmãos, que inclusive eram também compadres, pois Tonca é padrinho da única filha de Eduardo, a arquiteta Maria Eduarda.

FONTE DE VENENO

Pelo que investigamos, conclui-se, claramente, que Renata sempre foi a maior fonte do veneno da relação entre Tonca e Eduardo. A opinião de muitos é porque ela tinha máxima insegurança e queria a qualquer custo deter o monopólio total e absoluto de todos os tempos e espaços de Eduardo. Renata carregava uma obsessão quase doentia para controlar tudo da vida do marido. Algo que muitos consideram ser mesmo patológico, pois tinha ciúme doentio até do cunhado e da própria sogra. Isso para não falar de outras pessoas, sobretudo, aí com razão, de incontáveis mulheres das mais variadas idades e estado civil que se apaixonaram loucamente por Eduardo.

Segundo as informações obtidas, por conta dessa insegurança patológica quanto ao marido, sempre existiu a mais completa ação por parte de Renata de colocar os membros da sua família Andrade Lima cercando Eduardo. Adicionalmente, fazia de tudo para cooptar novos quadros emergentes como seus agentes de poder, detendo assim o máximo possível de instrumentos para exercer o mais integral controle sobre o marido.

Aquele realmente importante e acima de todos foi Aldo Guedes Álvaro, casado com Patrícia Andrade Lima, uma das primas mais queridas de Renata. Eduardo foi então levado por Renata a colocar Aldo como o único a cuidar de todos os assuntos financeiros do marido, em quaisquer aspectos, pessoais, familiares, políticos e empresariais. Por exemplo, quando Eduardo foi nomeado ministro, Aldo foi trabalhar oficialmente com ele, colocado como coordenador de captação de recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Mas era, sobretudo, na parte de captação de recursos ilegais para a política que Renata conseguiu colocar Aldo com ainda maior força, como o único e exclusivo operador do marido (vide esse link que mostra inclusive que Renata participava de reuniões que tratavam dos temas financeiros https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/533773/noticia.html?sequence=1).

Todos que fizeram política com Eduardo, bem como os empresários que tiveram negócios com o governo dele, sabiam que só Aldo tinha autoridade para receber e era obviamente também o caixa-único de pagamentos.

A HISTÓRIA DO AVIÃO

Não por acaso, o avião que tragicamente encurtou a vida de Eduardo foi comprado por manobras ilegais de Aldo, sendo a articulação desastrosa com os laranjas João Carlos Lyra e Apolo Santana Vieira, conduzida pessoal e diretamente por ele. Toda e qualquer coisa que se relacionasse com Eduardo e dinheiro, era Aldo quem só e somente tinha poderes para executar, gozando da mais completa e irrestrita confiança de Renata, sempre acompanhando e controlando tudo.

Além do mais, Renata também levou Eduardo a ter Aldo como seu sócio numa estranha suposta produção de café no município de Brejão, no Agreste Meridional, juntamente com a prima e sócia Patrícia, na Fazenda Esperança, propriedade da empresa dos dois casais, a Agropecuária Nossa Senhora de Nazaré Ltda. O que se comenta é que, através de Aldo, seu parente, Renata controlava toda a vida financeira de Eduardo e assim podendo exercer o máximo poder.

Apurou-se por pessoas ligadas tanto a Tonca quanto aos Andrade Lima, que logo ao surgir o escândalo, Renata procurou aparentar distância de Aldo e da prima Patrícia. Porém recentemente já estão mais livres, leves e soltos se socializando, sem tentar construir falsas aparências. Isso deve, inclusive, estar sendo monitorado pela própria Polícia Federal, segundo o que escutamos em fontes policiais.

Muitas pessoas confirmaram o que pode ser uma das origens do conflito de Renata com Tonca: fechar o cerco contra o cunhado e não permitir acesso a nada que tinha a ver com influência no Governo ou alguma forma de relação com a vida do marido. Tudo se exponencializava por ela considerar Tonca mulherengo e farrista, o que poderia ser uma influência inaceitável junto ao irmão charmoso, fogoso, com olhos verdes azulados de galã conquistador. Tonca, portanto, era uma ameaça geral e irrestrita ao domínio absoluto que Renata tinha com relação a Eduardo.

Ou seja, tudo era bloqueado para o cunhado, pois através de Aldo existia o mais absoluto controle de qualquer assunto relevante de negócios junto a Eduardo. E Tonca, como advogado, tentou várias vezes viabilizar projetos que foram terminantemente barrados por Renata, tanto diretamente junto ao próprio Eduardo quanto via Aldo. Além disso, tinha também o bloqueio puramente no plano pessoal, pelas mais diversas vias de controle severo exercido por Renata e seu esquema de vigilância policialesca quanto a todos os movimentos do marido.

APOIO SÓ PARA FLIPORTO

Esse jogo de poder só foi se agravando ao longo do tempo, pois Tonca ficou crescentemente marginalizado durante os governos de Eduardo. O máximo que conseguia era algum apoio para o evento literário idealizado por ele, a Fliporto, grande sucesso nacional e mesmo internacional, algo que orgulhava Eduardo e irritava Renata. Em todo caso, a ordem de Renata e de Aldo era de não se fazer nada em favor de Tonca, com exceção deste “apoio cultural”.

Isso, naturalmente, deixava Tonca furioso, levando-o a vários embates diretamente com o irmão poderoso. Um pouco antes da morte de Eduardo, existiu, inclusive, um conflito extremamente feroz entre os dois. E, pelo que fomos informados, Renata só fazia inflamar mais o marido, estimulando inclusive a ruptura definitiva. Membros da equipe de Eduardo nos contaram que ele estava extremamente angustiado e sofrendo com essa situação. Chegou até mesmo a chorar relatando o que estava se passando. Ele mesmo falou coisas contra Tonca que são impublicáveis de tão agressivas.

Fontes internas nos informaram que em alguns episódios Eduardo ficava hiper irritado também com Renata, pedia para ela não se meter na relação entre ele e o irmão, chegando algumas vezes até ao limite da explosão. Confirmamos que Eduardo, ao seu modo, gostava muito do irmão. E não era nada ingênuo, pois sabia que esses tipos de conflitos são parte do jogo dentro de famílias ambiciosas. Só que Renata estava ali colada no marido e o cercava de todas as formas. Enfim, o ambiente era mais que complexo, paradoxal, extremamente neurótico, doentio.

AS DIFERENÇAS DOS IRMÃOS

Todos que o conheceram sempre percebiam que Eduardo era uma pessoa superdotada de inteligência e humor, hiper perceptivo e astuto, incontrolável sedutor para tudo o que ele decidisse fazer. Ele naturalmente sabia das qualidades e dos defeitos do irmão. Admirava o quanto Tonca era erudito, o que ele próprio não era. Enquanto o irmão sempre foi um leitor voraz, Eduardo aprendia de ouvido, observando, capturando o que estava no ar, pois raramente lia. Em grande medida, Eduardo sabia que Tonca era complementar a ele.

Também sempre soubemos que Eduardo podia ser uma pessoa explosiva, raivosa, perseguidora. E isso parece que ele fez com o próprio irmão, incentivado por Renata. Lógico, ele também conhecia Renata como ninguém, sabendo de suas qualidades e seus defeitos. Com a imensa habilidade, buscava se concentrar no que Renata tinha de bom, que era um ambiente familiar forte, que Eduardo não tinha. Mas sempre dormia com um olho aberto por conta da ânsia enlouquecida por poder e controle que ele sentia na esposa em relação a ele.

Ou seja, apuramos que Eduardo sofreu muito com essa guerra anunciada da mulher contra o irmão único. Oscilava de um extremo a outro, ora demonstrando amor por Tonca, mas em outros momentos revelando fúrias de ódio. Essa bipolaridade quanto ao que sentia em relação ao irmão doía demais nele, de acordo com pessoas que conviveram trabalhando na intimidade do ex-governador. Era realmente dilacerante para Dudu ou “o galego”, como muitos o chamavam carinhosamente.

Leia amanhã o capítulo 2

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