No programa de Ratinho

Passei a vida inteira ouvindo dos políticos, raça que convivo desde que ingressei no jornalismo na década de 80, que gesto é tudo. Uma das maiores fortunas do Brasil hoje no segmento da comunicação, o apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, mostrou, ontem, ao me enviar uma mensagem tão simpática e emocionante, tocado pela impressionante repercussão da entrevista que me concedeu, que além de ser um homem de gesto, é humilde, extremamente simples.

Reafirmou o velho provérbio de que o dinheiro faz homens ricos; o conhecimento, homens sábios; a humildade, grandes homens. Desde que tomei a iniciativa de ouvi-lo sobre o mega investimento que iniciou no polo de confecções, em Santa Cruz do Capibaribe, a reação positiva dos que me seguem foi quase unânime, mas sempre aparecem os invejosos e negativistas. Gente que vive roendo as unhas por não se dobrar ao sucesso dos outros.

Essa mesma gente acha que Ratinho é estúpido, que cresceu explorando o jornalismo sensacionalista e que faz um programa de TV sem repercussão na classe média e formadora de opinião, voltado apenas para o povão. Todo pensamento se deve respeitar, mas alguém que fala para 30 milhões de brasileiros merece ser tirado o chapéu. Ratinho é uma personalidade que se relaciona com gente importante no seu dia a dia, vive na grande mídia e poderia muito bem ter encarado o bate-papo comigo como algo rotineiro. 

Mas não. Ficou tão impressionado com as mensagens carinhosas que continua recebendo, desde aquele dia que o entrevistei, que me mandou um áudio informando que, só agora, depois de ver sua caixa postal congestionada, teve a exata noção da minha importância no jornalismo brasileiro.

Que maravilha receber um reconhecimento de alguém da sua dimensão no meu segmento! Fiquei ancho da vida, como diz o jornalista José Adalberto Ribeiro, exercitando o seu linguajar próprio de bicho grilo. Nossa profissão é, muitas vezes, ingrata, mas ao mesmo tempo nos proporciona momentos inesquecíveis. Nunca esqueço da grande emoção de entrevistar Tancredo Neves, de estar frente a frente com Fidel Castro, em Cuba, no seu palacete.

Foi a mim que o ex-presidente Collor revelou pela primeira vez que iria votar em Lula depois de cassado. Nunca esqueço também de Barbosa Lima Sobrinho ter me recebido em sua casa, no bairro de Botafogo, no Rio, quando completou 90 anos, para uma entrevista sensacional e memorável. 

Era a mim que Lula recorria, ainda líder do PT na Câmara dos Deputados, para falar ao Nordeste, já de olho na Presidência da República. Nunca esqueço, igualmente, de ter sido recebido para entrevistas exclusivas por Ulysses Guimarães, o Doutor Diretas. Como esquecer igualmente ter sido recebido pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes em seu concorrido gabinete de trabalho em São Paulo para uma entrevista reveladora!

Vivi momentos inesquecíveis, como o de ser recebido em seu gabinete, no Rio, por Doutor Roberto Marinho, o então poderoso dono das Organizações Globo. Ratinho não sabia nada disso sobre minha trajetória, mas aceitou dar entrevista como se fosse a um anônimo. 

Menino pobre, que teve que engraxar sapato para ajudar no sustento da casa dos seus pais, Ratinho aprendeu que na vida o que vale, acima de qualquer coisa, é o valor da simplicidade. E simplicidade é saber arrancar um sorriso de alguém que nunca viu.

Ratinho compreendeu que só sobem na vida aqueles que têm a humildade de descer quantas vezes forem necessárias. Ser humilde não é ser menos que alguém. É saber que não somos mais que ninguém. A vida requer simplicidade e não teorias e complicações.

Ratinho foi mais além comigo. Convidou-me para ir ao seu programa em São Paulo, ao vivo. Que honra para um pobre plebeu! Ratinho reacendeu em mim a certeza de que a vida pode ser muito mais leve do que imaginamos quando percebemos que precisamos de muito pouco para vivê-la, como o seu carinhoso gesto.

Publicado em: 26/09/2020