A soberba é má conselheira

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Tempos idos aconteceu a onda vermelha. O Titanic vermelho naufragou, deixou uma tragédia de 12 milhões de desempregados, recessão feroz e degradação em todos os cantos onde canta o carcará e onde cantava o sabiá. Alvíssaras! O capitão havia sido aclamado para fazer a travessia do mar vermelho. Como uma onda no mar, azuis, brancas, multicores, furta-cores, sucedem-se novas ondas a cada temporada.

Todo poder é efêmero, ensina a proverbial sabedoria. E a soberba é má conselheira.

O capitão foi eleito para evitar que a seita vermelha criptocomunista levasse o Brazil a mergulhar nas trevas de um regime tipo a Venezuela ou Cuba, o que já estava a caminho, um perigo real e não apenas imaginário, e para fazer a travessia do mar vermelho. Sempre convém lembrar que o comunismo é um vírus mutante e continua vivo.

Não se vislumbra no messias a essência das virtudes humanas.

A popularidade de hoje é nuvem passageiro por conta dos 600 papagaios. Amanhã a conta vai chegar. A sangria no orçamento da União é imprevisível.

Desde quando aconteceu com o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar, e outros mais ou menos votados, sucedem-se as marolas de hostilidades e desagregações nas hostes governistas. Que onda é essa? São as ondas da soberba. Alguns tripulantes das caravelas esquecem, ou fingem esquecer, a sentença proverbial de que todo poder é efêmero.

Bolsonaristas-raiz e bolsonaristas-nutela farão o teste da boca das urnas nas eleições deste ano. Vejamos se irão testar positivo ou testar negativo. Até agora o partido Aliança testou ausente na Justiça Eleitoral. Certamente é inédito na história da República o presidente não ter um partido para chamar de seu. Significa também nota zero em termos de eficiência e articulação política.

Decorridos 1 ano e oito meses de governo, até agora os aliados das bases municipais contam com zero deferência das esferas federais. A nova desculpa é a pandemia.

Os bolsonaristas-raiz beijam as quatro estrelas do vice-presidente general Hamilton Mourão. Os bolsonaristas-nutela tocam os acordes do sanfoneiro da Embratur, Gilson Neto. Os deputados Marco Aurelio e Alberto Feitosa estão na área e se digladiam para conduzir a tocha olímpica do bolsonarismo.

A turma da sanfona declara, alto e bom som, que o comandante em chefe da Embratur não tem tempo para atender os aliados porque está compondo uma partitura para ser ministro do Turismo, quem manda no governo são os caras do Centrão e a caneta do próprio sanfoneiro está sem tinta. E mais, quem continua mandando na  comunicação do governo são as esquerdas, e o capitão sabe disto, priu.

De um lado prefeitos e governadores corruptos do Covidão torturam os cofres públicos através de contratos milionários com e sem licitação. Do lado direito o governo revela-se capaz de empenhar a última joia da coroa em favor do Centrão para tentar a reeleição. Em matéria de barganhas espúrias muda tudo para continuar como antes. Assim não dá para ser feliz.

Publicado em: 17/08/2020