Coluna do sabadão

Influência e ilusão das pesquisas

Logo no start deste blog, hoje com 14 anos, firmei uma parceria com o Instituto Método, do Recife, e em seguida com o Opinião, de Campina Grande, para pesquisas eleitorais. O contrato com o Método durou apenas um ano e logo selei um casamento mais duradouro com a empresa paraibana, que resultou em oito eleições com acertos da ordem de 98%, tanto nos pleitos municipais quanto nos estaduais. Embora já no mercado há 30 anos, o Opinião não trabalha com pesquisa por telefone, apenas presencial, domiciliar.

Diante da pandemia, que mudou hábitos e abriu paradigmas, o instituto paraibano rompeu o laço com este blog. “Não temos a técnica da pesquisa por telefone”, me contou Joaquim Braga, diretor do Opinião. Diante deste cenário, buscamos uma nova parceria experiente e especializada nas sondagens por telefone com a empresa Potencial, de Salvador, que já nos entregou duas pesquisas de intenção de voto, a primeira em Jaboatão e a segunda em Olinda, postada na última quarta-feira. A próxima etapa será Recife, com divulgação marcada para a próxima quarta.

Trabalho com divulgação de pesquisas e entendo razoavelmente da técnica e metodologia desde quando produzia os textos do Datafolha para o Diário de Pernambuco numa primeira etapa, depois a Exata e até o Ipespe, além do Opine, este em parceria com a Folha de Pernambuco. Por isso mesmo, posso afirmar que pesquisa nenhuma decide eleição, pode até influenciar, mas nada capaz de ser fator fundamental para levar um candidato à vitória.

Eleição se define por vários fatores, como a escolha de uma boa equipe de marketing, logística, alianças amplas e sólidas, com tempo de TV para propaganda eleitoral, estrutura de comitê, adesões, apoios importantes e, sobretudo, uma plataforma administrativa que convença o eleitor a votar. Eleição se decide também ao longo da campanha, depende dos votos, dos problemas surgidos e até de uma onda que embale o nome colocado em julgamento pela população.

Nem sempre quem larga na frente ganha eleição, o mesmo pode ser dito também a quem de início sequer pontua, mas acaba saindo vitorioso por um fato significante ao longo da campanha. Em 2000, o então prefeito Roberto Magalhães estava com 17 pontos à frente de João Paulo faltando apenas uma semana para a eleição. Caiu na casca de banana das provocações de militantes adversários numa carreata em Boa Viagem, deu uma banana aos que o insultavam e perdeu a eleição.

Collor largou com 3% nas pesquisas, era um nanico e disputava por um partido sem a menor estrutura, ganhou fama de caçador de marajás e chegou à Presidência da República. Portanto, cada eleição tem sua história. Por isso, volto a insistir, pesquisa dá manchetes favoráveis, enche balão de candidatos desconhecidos pela população, mas não garante a eleição de ninguém.

Campanha decide – Pesquisa é um instrumento gerencial, sério e técnico, quando bem executada, e que pode orientar a campanha eleitoral, pode demonstrar tendências, mudar orientações e caminhos para chegar a resultados que serão avaliados nas urnas. Muitos candidatos começam a campanha com um tipo de discurso e mudam durante a campanha por não estarem atingindo os objetivos, ou seja, sensibilizando os eleitores. Acusações de ser de direita ou esquerda não impedem votos. Hoje, a grande preocupação é a geração de empregos. Quem não basear sua plataforma nesse tema vai perder votos. Os eleitores não querem mais discursos, e sim propostas viáveis de solução.

Olavista – Ex-assessor da Casa Civil e atualmente lotado no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Felipe Cruz Pedri, fiel à cartilha do guru Olavo de Carvalho, tem se articulado para voltar ao Palácio do Planalto em um momento em que integrantes do governo tentam neutralizar a influência da ala ideológica. Pedri está cotado para assumir uma função na Secretaria Especial de Comunicação (Secom), comandada por Fabio Wajngarten, apontado como o patrocinador da volta dele ao Planalto.  O ex-assessor da Casa Civil também tem participado de reuniões se apresentando como representante do Ministério das Comunicações.

Versão de Bolsonaro – Em live realizada por Jair Bolsonaro nas redes sociais, na última quinta-feira, o presidente da República negou que tenha procurado o SBT para pedir a demissão de Danilo Gentili, como o humorista afirmou em um comentário nas redes sociais. Gentili também chegou a afirmar que Bolsonaro teria solicitado sua “censura” no programa ‘The Noite’. “Não tenho nada contra ou a favor do senhor Danilo Gentili, mas ele me acusou de ter procurado o SBT para demiti-lo. Jamais procurei órgão de imprensa nenhum para demitir quem quer que seja”, defendeu-se Bolsonaro.

Recorde – O número de pessoas que morreram com a Covid-19 registrados até, ontem, no Estado, ultrapassou a maior marca anual de homicídios registrados, oficialmente, em 2017. O Estado tem, ao todo, 5.482 pacientes que faleceram com a doença, mais que os 5.427 assassinatos registrados ao longo de todo o referido ano. A primeira morte por coronavírus registrada em Pernambuco ocorreu no dia 25 de março. Em um intervalo de 107 dias, o número de óbitos de pacientes que estavam com o novo coronavírus foi para 5.482. O número de homicídios no Estado é contabilizado dentro do Pacto Pela Vida, programa implantado pelo Governo de Pernambuco em maio de 2007 para diminuir os índices de violência.

CURTAS

SEM PAIXÃO – A edição deste ano da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém foi cancelada. A informação foi divulgada, ontem, pela Sociedade Teatral de Fazenda Nova (STFN) por meio de um comunicado. Esta será a primeira vez em 53 anos que o evento não será realizado. As apresentações do espetáculo em 2020 haviam sido reprogramadas para o período de 2 a 7 de setembro, já por causa da pandemia do novo coronavírus. No comunicado, a STFN destacou que a decisão foi tomada devido à "conjuntura socioeconômica gerada pelos cenários de enfrentamento à pandemia e tendo em vista as incertezas, tanto sobre a duração do processo de evolução da Covid-19 como sobre seus efeitos sobre a saúde e a economia".

GENIVAL LACERDA – Um grupo de artistas amigos de Genival Lacerda fará uma live para arrecadar recursos para auxiliar tratamento de saúde do cantor paraibano, que está sendo cuidado em casa após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI). A transmissão ao vivo acontece no próximo dia 24, às 19h, no canal de João Lacerda, filho de Genival. A apresentação acontece em Campina Grande, com apresentação de Cleber Oliveira e Gitana Pimenta. A música fica por conta dos artistas Fabiano Guimarães e Banda Base, Raniery Gomes, Amazan, Almir Roche, Forró D2, Iohannes Imperador, Zé Paraíba, Poeta Ailton Souza, Raphael Moura, Novinho Da Paraíba, Os 3 do Nordeste, Biliu de Campina, Capilé, Flávio Leandro.

LIVE COM KÁTIA ABREU – A senadora Kátia Abreu (PP-TO), ex-ministra da Agricultura, ex-candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes em 2018 e ex-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), participa da live deste blog da próxima segunda-feira, às 18 horas, com transmissão simultânea pela Rede Nordeste de Rádio no horário do programa Frente a Frente. Se você quer acompanhar e ainda não nos segue pelo Instagram, vá lá e nos siga no @blogdomagno.

Perguntar não ofende: Quantos dias o novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, escolhido, ontem, ficará no cargo?

Publicado em: 10/07/2020