Proposta de gestão compartilhada da UNIVASF é rejeitada

Em reunião extraordinária realizada na última terça-feira, o Conselho Universitário da Univasf (CONUNI) rejeitou por 36 votos contrários, 15 a favor e 6 abstenções, a criação de uma Comissão que seria formada integralmente por membros do próprio Conselho para discutir democraticamente os rumos da instituição, apaziguar os ânimos entre a gestão protempore e o CONUNI e trabalhar em conjunto pelo bem da instituição e da região, diante da crise de saúde com a Pandemia do novo coronavírus.

O formato da Comissão seria o segundo ponto da pauta, mas nem sequer chegou a ser discutido, pois já na primeira votação a maioria dos conselheiros recusou a formação da polêmica Comissão. "Estreitar laços, o CONUNI já disse que não gostaria", declarou uma das conselheiras, durante a reunião.

A proposta de formação desta comissão de gestão compartilhada com o CONUNI foi uma iniciativa do Reitor, Professor Paulo César Fagundes, durante a reunião anterior do Conselho Universitário  ocorrida dia 3 de Julho, inclusive com a possibilidade de ocupação de cargos de confiança da gestão, a fim de ampliar os procedimentos democráticos e participativos da Reitoria, otimizar o desempenho da instituição em suas atividades regulares e apaziguar os ânimos durante as sessões do órgão máximo da instituição.

Todavia, durante toda reunião desta terça-feira, vários conselheiros que fazem oposição cerrada à gestão se declararam céticos às iniciativas do Reitor e solicitaram explicitamente do mesmo uma sinalização quais e quantos cargos estaria disposto a ceder, sobretudo durante a Palavra Livre. Ou seja, demonstraram estarem interessados simplesmente na ocupação dos cargos de confiança do Reitor, os quais são discricionários de sua livre nomeação.

Já durante a sessão do dia 3 de Julho, que votou pela admissibilidade do pedido de processo para avaliar o impedimento do vice-reitor, Professor Valdner Ramos, um dos autores do processo e vários outros conselheiros já tinham demonstrado interesse nos cargos; informando inclusive que retiraria o processo, caso o Reitor abrisse mão de seu direito discricionário e cedesse alguns cargos para indicação do CONUNI.

“A gente precisa ter uma sinalização positiva... O senhor tá sinalizando pra gente aqui em público que estaria disposto a trocar alguns pró-reitores pra manter um diálogo aberto com a comunidade”, comentou um conselheiro que representa os técnicos no Conselho, na reunião do dia 3 de Julho, como se o exercício democrático de uma gestão dependesse exclusivamente da negociação e concessão de cargos para o CONUNI.

Nas palavras de um dos denunciantes do processo contra o professor Valdner Ramos, o estudante presidente do DCE, disse durante esta mesma reunião do CONUNI, “Eu me comprometo, como denunciante, ocorrendo esse diálogo e a gente for ouvido, eu posso até, dependendo do momento e da representação discente. Eu posso até retirar a denúncia”, declarou.

Também na mesma reunião, a mesma conselheira declarou que “mediante tal situação acho que poderíamos aprovar e fazer o rito desse cronograma (do processo contra o professor Valdner), que segue o padrão mínimo necessário que a legislação da Univasf tem, sem debate, sem enquete, uma vez que o Reitor fez uma colocação agora que acho que se realmente for cumprida na próxima semana, esse processo nem venha acontecer”. Demonstrando claramente que estão interessados apenas nos cargos e não em investigar e punir infrações administrativas ou de gestão.

Publicado em: 09/07/2020