2020, o ano que não quer acabar

José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – 1968, o ano que não terminou, dizia a crônica política da época por conta do famigerado Ato Institucional 5. Oficialmente, o ano de 1968 acabou em 1979 na onda da anistia e da reabertura democrática ampla, geral e irrestrita. Ainda hoje as esquerdas empedernidas dizem que 1968 não acabou e querem reescrever a história. Aliás, no Brazil a história é sempre escrita e reescrita pelos perdedores.

Na verdade, o ano 1968 acabou em meados dos anos 1970, quando o regime militar autoritário começou a se desmilinguir. A guerrilha do Araguaia, as guerrilhas urbanas e os focos de luta armada realimentaram a repressão e a longevidade do AI-5 e do ano 1968.

Imaginem quanto tempo vai durar este ano 2020 da ditadura AI-Covid19! Já está durando uma eternidade. Os dias não passam. As noites não passam, a quarentena não passa. A quarentena de 40 dias já está durando três meses, quatro meses, cinco meses.

Os cofres públicos estão sendo torturados e respiram com ajuda de aparelhos superfaturados. São centenas de milhares de denários dependurados nos pau-de-arara dos contratos sem licitações.  Existem cofres públicos mortos e desaparecidos pelos efeitos da ditadura do AI-Covid19.

A ditadura do AI-Covid19 promete se prolongar no espaço. O tempo parou no tempo. A curva do decesso das mortes parou na linha do horizonte, enquanto houver verbas federais. O estrago é grande e o ano 2020 vai demorar para acabar.

Haverá castigo para os torturadores dos cofres públicos? Em sendo politicamente corretos de esquerda, reivindicam anistia ampla, geral e irrestrita para seus pecados capitais. Se o vírus existe, tudo é permitido. Não existe pecado abaixo da linha do Equador do Covid.

Disse e repito mil vezes se necessário: o desmantelo das ditaduras, além do ditador-raiz, são os inspetores de quarteirão. Exemplos: as barracas da orla de Boa Viagem estão abandonadas e depredadas. Mesmo assim suas excelências os fiscais geraudinos da ameaçam os barraqueiros que comparecem ao local e tentam sobreviver.

Cena da vida real, sexta-feira pela manhã: fiscais da Secretaria de Mobilidade(Paralisia) Urbana da PCR ameaçaram multar e recolher mercadorias (frutas e legumes) de feirantes/barraqueiros no entorno do Parque da Jaqueira. Disseram que estavam cumprindo ordens do prefeito Geraudo Covid Julho e do secretário João Epaminondas Braga. As pessoas que assistiram à cena ficaram revoltadas e dirigiram impropérios ao prefeito Geraudo Covid, inclusive eu, modéstia à parte. O nome disto é mandonismo, autoritarismo, ditadura de quarteirão.  

Mas, o tempo também voa para quem entrou na casa dos enta... 40, 50, 60. Quanto menos a gente espera, chegou o fim do mês, o fim do ano. O tempo voa. O tempo é um passarinho. O tempo é um sabia, ou é um carcará, depende do freguês. A velocidade do tempo depende da lubrificação do eixo do sol em nossas vidas. Quando a gente é menino, o tempo anda devagar.

*Jornalista

Publicado em: 06/07/2020