Se o vĂ­rus Ching-Ling fosse Made in EUA

Por Jose Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – O que aconteceria, brother e sister, se o maledeto vírus Made in China, um Ching-Ling, fosse emprenhado Made in USA, tipo um inseto imperialista. Se ao invés do Mandariam, falasse o inglês, oh yeah! Se negociasse ações na Bolsa de Valores de Nova York – NYSE New York Stock Exchange, sob os auspícios do Touro de Wall Street! Se transasse no Hyde Parque nova-iorquino, ao invés da Praça da Paz Celestial em Pequim! Se fosse eleitor do republicano Donald Trump ao invés do comunista Xi Jinping!

Acusado de manipular o monstro nos laboratórios da CIA, o pobrezinho Donald Trump seria denunciado como inimigo da humanidade terrestre pela intelligentsia vermelha internacional, sofreria um Impichi e nunca mais pisaria na Casa Branca, nem morto.

No pico do vírus pesquisa do Instituto Gallup informou que Trump irá perder a eleição para síndico do prédio-caixão onde mora. 

Em sua homilia na Praça do colega dele San Pietro, o Papa globalista, ou seja, socialista comunizante, condenaria o vírus capitalista pecaminoso ao fogo dos infernos. Vade retro!  

Breaking news: ao som do hino da Internacional Comunista – “De pé, ó vítimas da fome/ de pé, famélicos da terra” –  Karl Marx ressuscitaria no cemitério capitalista de Highgate em London city, para proclamar a falência do sistema capitalista explorador dos trabalhadores do mundo e  implantar o paraíso comunista neste vale de lágrimas, de luta de classes e da mais valia do dólar.  

A caterva vermelha decretaria a reconstrução do Muro de Berlim e a retomada do programa social de fuzilamento dos burgueses reacionários, pero sem perder la ternura jamais.          

Acusado de ser cúmplice de Donald Trump na manipulação do vírus imperialista, o Capitão será acusado de crime de lesa-pátria, impichado e preso em primeiríssima instância, antes de ser obrigado a pedir desculpas ao inocente Adelio por tê-lo injuriado.

O bode rouco, guia genial dos povos barbudos da seita vermelha, celebraria: “Ainda bem que a natureza criou esse monstro” imperialista para libertar os companheiros das garras do capitalismo reacionário, derrotar os golpistas e reconduzir a mundiça da seita vermelha ao poder.

Contemplada com o Prêmio IgNobel de Física por ser autora da teoria escalafobética de estocar ventos orgânicos, a Mulher da Mandioca Vermelha será entronizada de volta ao poder para completar o mandato que lhe foi usurpado pelos golpistas virulentos durante o Impichi em 2006.

O líder revolucionário Nicolas Maduro acusaria o maldito vírus capitalista de ser responsável pelo fracasso econômico da Venezuela e evocaria o sacrossanto nome do general Simon Bolívar para libertar os povos latino-americanos das malvadezas do imperialismo norte-americano.

Esta é a crônica surrealista de um delírio não anunciado.

*Jornalista

Publicado em: 01/06/2020