As cidades irmãs Tabira e Tavira

Por Pedro Pires*

Tabira, ao contrário do que ensinam nas escolas, que teria assim sido denominada pelo então secretário Mário Melo, com um nome indígena (o índio Tabira), que nomeou outras cidades dos arredores, também com nomes indígenas, é possível que seja nome árabe igualmente Tavira no Algarve (e aí o V se pronuncia B).

Essa é a versão do historiador e professor português Adérito Vaz, pesquisador desse topônimo. Esse historiador em suas pesquisas enviou carta à Prefeitura de Tabira, querendo informações sobre a cidade. O então prefeito à época, Rosalvo Sampaio Brito, enviou o livro Tabira e sua gente, da professora Nevinha Pires. A partir daí, o tavirense e a tabirense passaram a trocar informações sobre suas cidades, através de cartas, o que resultou numa rica amizade à distância.

A professora enviou livros e poesias de tabirenses, incluindo o grande Dedé Monteiro, entre outros. Para o professor Adérito Vaz, não há dúvida da origem árabe do nome Tabira (te lembras do edifício Tabira e da Tabira Filmes, aqui em Recife, de portugueses?) O entusiasmo desse português com o livro Tabira e sua gente, e com uma já idosa senhora, apaixonada pela sua cidade e seu povo, foi tanto que ele resolveu encaminhar à Câmara do Algarve uma homenagem à Tabira na medieval cidade de Tavira.

E assim foi denominada uma pequena praça de Largo Tabira de Pernambuco. Após isso, a escritora Nevinha Pires conseguiu que os vereadores de Tabira aprovassem uma homenagem semelhante, mas até hoje nunca foi realizada essa ação por nenhum prefeito, e já se passaram muitos anos. Por conta da idade e limitações, Nevinha Pires não pode conhecer Tavira e a homenagem.

Mas eu, filho dela, com minha esposa e alguns familiares, estivemos lá. Fomos recebidos gentilmente pelo professor Adérito, assim como o médico Jozete Amaral, então prefeito, a professora e poetisa Dulce Lima e mais,  recentemente, o poeta e cantor Paulo Matricó, que se apresentou em praça pública após contato nosso com o professor Adérito Vaz, que viabilizou a apresentação de Matricó além mar!

À época, saiu uma matéria na revista Movimento. Tenho alguns registros de mais essa história de Tabira. Infelizmente, minha mãe Nevinha Pires faleceu sem ver Tabira retribuir tamanha gentileza.

*Médico, tabirense com orgulho

Publicado em: 27/05/2020