Darth Vader e o vĂ­rus das trevas

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – O Efeito Borboleta é uma realidade. O bater de asas de uma borboleta no Japão produz terremotos nos quadrantes da terra. Faz parte da Teoria do Caos em forma de alegoria. Na versão da bem-aventurança o beijo de beija-flor no luar do sertão ilumina os cientistas na descoberta de vacinas e irradia esperanças nos corações humanos.

Está decretada a Primeira Guerra Cibernética Planetária. Um vírus bateu asas nas cavernas da cidade de Wuhan na China e abalou as placas tectônicas do planeta. Os vírus navegam na velocidade da peste bubônica e na velocidade de Dom Flash, o velocista escarlate.

Desde a Peste Negra na Idade Média, os bichos invisíveis matam mais que as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Só não matam mais que comunistas e nazistas, genocidas de milhões de humanos.     

Com sua mascara de aço e respiração mecânica, o herói Darth Vader combate o vírus Cavaleiro das Trevas em Ameaça Fantasma.

Vade retro, coronavirus maledeto!  

O genial Michael Jackson cantava e dançava na lua – Moonwalk, lindo, emocionante!  Darth Vader, o herói da Guerra nas Estrelas, foi nascido Skywalker, o caminhante do céu.   

A metáfora do Efeito Borboleta me veio à lembrança ao ler artigo do guru tributário Everardo Maciel, em torno de uma preconizada moratória tributária por conta da tragédia do vírus. “Jamais foi tão dolorosa a expressão real de uma alegoria do Efeito Borboleta, extraída da Teoria do Caos: uma borboleta bate as asas em Pequim e produz um terremoto em San Francisco”.   

Falar em moratória, ah inocente! O previsível é que os donos do Fisco irão aproveitar a crise para esfolar ainda mais os pagadores de impostos. Faz parte da natureza do escorpião.    

Criatura de boa fé, Everardo propõe um refrigério nos litígios e cobranças tributárias do governo. Abril é o mês de arrastão do Imposto de Renda. Assim feito os vírus e as bactérias, os vilões da Receita Federal despejam bombinhas atômicas nas cabeças das pessoas físicas, pessoas bioquímicas e pessoas jurídicas.

Figura inoxidável, Everardo sabe tudo sobre o sistema tributário, sabe tudo e mais um delta Y. À moda do filósofo grego Sócrates, deveria desaprender muitas coisas para se tornar mais sábio. Também erra ao digitar a palavra “contribuinte”, uma miragem, quando o nome certo é “pagador”, ou “paciente”.

Um agente do Fisco bate asas a bordo do sistema tributário e estremece o coração do Brazil. Eis a teoria do Efeito Terremoto da descarga tributária.

*Jornalista    

Publicado em: 30/03/2020