Coluna da quarta-feira

Fim de filiação bate à porta

É impossível continuar tratando aqui de coronavírus quando há muita curiosidade em relação ao pleito municipal se de fato ocorrerá mesmo. As dúvidas são as mais dispares possíveis, mas o calendário avança e já no próximo dia 4 vence o prazo de filiação partidária para quem vai entrar na disputa, seja para prefeito ou vereador. Aos que acham que esse prazo será alargado por causa da crise na saúde e na economia, é bom tirar o cavalinho da chuva.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já montou uma estrutura online para o recebimento da documentação dos candidatos, evitando assim a forma presencial. Quem não se ligou, que cuide de acelerar o passo, pois faltam menos de 15 dias. A opção partidária é a decisão mais importante que um candidato pode tomar, especialmente os que entrarão na briga por um mandato de vereador devido ao fim das coligações.

Com isso, será um salve-se quem puder no mundo das siglas. Saem perdendo as pequenas legendas, muitas delas enfrentando dificuldades em montar chapa. Ganham os grandes partidos, principalmente os que estão no poder. O PSB, por exemplo, leva nítida vantagem. Detém o controle da Prefeitura, tem candidato a prefeito e um grande número de vereadores de mandato na chapa, aliás, um chapão, para ser mais preciso.

Sem condições de montar chapa de vereador um partido pequeno como o Podemos, da delegada Patrícia Domingos, desponta pela frente com cenário adverso para a disputa. A tendência é que os poucos candidatos competitivos que ali estejam filiados mudem de legenda até o dia 4, para tentar garantir o mandato parlamentar em outro cenário partidário mais confortável. O DEM, de Mendonça Filho, também não vive situação privilegiada.

Nem tampouco o Cidadania, que aposta na candidatura de Daniel Coelho. Neste caso, o revés sobra para o próprio candidato majoritário, que passa a não contar com um exército de postulantes ao Legislativo trabalhando para ele. Já as convenções, etapa seguinte do calendário eleitoral, só vinga em agosto. Até lá, se houver eleição, o cenário cinzento de hoje estará bem  mais clareado.

Nota fofa – O presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, produziu uma nota sem convencer para agradar à prefeita de Arcoverde, Madalena Brito (PSB), quanto à notícia de que o Palácio e a própria direção socialista haviam perdido a paciência com a demora da aliada na escolha do candidato, optando por uma composição com o PP, do deputado Eduardo da Fonte. O que se diz nos bastidores é que Dudu, como é mais conhecido o presidente estadual do PP, impôs ao Palácio e ao PSB como condição para apoiar João Campos no Recife que em Arcoverde a prefeita apoiasse o delegado Israel Rubis, pré-candidato do PP.

Corte violento – Governadores e prefeitos, que já vinham sofrendo com cortes nas transferências constitucionais, que se cuidem: a crise do coronavírus na economia vai implicar em corte da ordem de R$ 4 bilhões nos repasses do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e FPM (Fundo de Participação dos Municípios) por mês. Na prática, isso vai representar R$ 16 bilhões levando em consideração os quatro meses, prazo que o Governo está planejando para superar a difícil etapa do coronavírus. O corte é oficial, segundo entrevista do secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, ontem, na mídia nacional.

Ao poeta – O programa Frente a Frente de ontem, ancorado por este blogueiro, prestou uma linda homenagem ao poeta Valdir Telles, que morreu domingo passado, de infarto fulminante, aos 64 anos, em Tuparetama, no Sertão do Pajeú. O deputado Bruno Cunha Lima, do PSDB da Paraíba, definiu assim o poeta: “O sangue era do Cariri, o coração do Pajeú. Não tinha não como ser poeta. Deus colocou Valdir nesse roteiro porque tinha um propósito - um propósito poético. Valdir fez a vida e a família no braço da viola. Junto com doma Elsa criou família, rodou o mundo, fez história, formou os filhos e partiu. Diferente da infância, quando bateu as asas e deixou a Paraíba, feito um passarinho que beija os céus sem deixar a terra, dessa vez o poeta voou mais longe, foi pra imensidão, onde o olho não alcança, onde a mão não toca, mas onde o coração sente”.

Redução de salários – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse, ontem, que partidos articulam a elaboração de uma proposta prevendo a redução dos salários de servidores públicos e parlamentares durante o período da crise do coronavírus no país. Maia defendeu que os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário devem dar uma "contribuição" neste momento. “Os partidos estão tratando disso e, certamente, eles vão apresentar uma proposta coletiva, de todos, que acho que represente a posição pelo menos de parte dos partidos políticos”, afirmou.

CURTAS

MAIS CURAS – O Governo de Pernambuco confirmou, ontem, que mais duas pessoas tiveram cura clínica da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Com isso, subiu para cinco a quantidade de pacientes recuperados. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, desde a última segunda-feira, não houve novos casos, mantendo o número do boletim anterior, com 42 confirmações. Ao todo, segundo o secretário de Saúde, André Longo, foram feitos 108 testes para o novo coronavírus, mas, ontem, nenhum deles deu positivo.

FISCALIZAÇÃO – Para conter a disseminação do novo coronavírus, as forças de segurança de Pernambuco deram início, ontem, a uma operação de fiscalização e repressão ao transporte clandestino de passageiros. O Estado tem 42 casos confirmados da Covid-19, de acordo com boletim divulgado na segunda-feira passa pelo governo. A ação conjunta, envolvendo Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV), Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) e a Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), tem como meta coibir a aglomeração de pessoas, limitada a no máximo 10 pessoas, segundo decreto estadual publicado na segunda-feira. No mesmo documento, ficou proibido o uso de mototáxi.

CONTRA PRORROGAÇÃO – O presidente estadual do PTB, Armando Monteiro Neto, é contra prorrogar o mandato dos atuais gestores em dois anos. “Não é razoável de maneira nenhuma. Eu acho que essa discussão tem que ser de forma equilibrada para não ferir alguns princípios do processo democrático, como a questão da temporalidade dos mandatos e, portanto, é preciso que o congresso examine isso tudo de forma muito equilibrada. Pode haver eventualmente a necessidade de se fazer um ajuste no calendário, mas não imaginar que se possa adotar essa tese de estender os mandatos atuais até 2022”, disse.

Perguntar não ofende: De onde a União vai tirar dinheiro para atender a exigência do plano emergencial de R$ 400 bilhões sugerido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia?

Publicado em: 25/03/2020