Coluna do sabadão

Eleições gerais em 2022

Mesmo que o Tribunal Superior Eleitoral finja, é difícil acreditar que a extensão da gravidade do coronavírus não leve ao adiamento das eleições municipais previstas para outubro. Fala-se no pico da moléstia para os próximos 15 dias e um cenário de horror em meados de maio atropelando junho. Até lá, tudo é imprevisível. A partir de hoje, por exemplo, a sociedade está proibida de ir aos shoppings, aos restaurantes e até às feiras para estocar comida em casa.

Amanhã, o que será o amanhã? Cidades desertas, um emaranhado de gente olhando para a vida lá fora da janela do quarto ou da varanda. Famílias inteiras em prisão domiciliar, com medo do contágio com doentes portadores do corona. Crianças, sem entender o que se passa nas ruas, berrando por liberdade, por parques verdes, por passeios ou o simples contato com outras crianças, também proibido.

O corona já riscou do calendário a chamada fase pré-eleitoral. Candidatos a prefeito fogem do vírus como o diabo da cruz, são vistos apenas online pelas redes sociais. Tempos difíceis para um mundo globalizado, em que a comunicação flui na palma da mão pelo celular. Não há mais abraços, apertos de mão, troca de afetos e carinhos. O temor dos políticos é o mesmo da sociedade: o da morte.

Se não há o menor sinal de campanha pela frente, o que se pode dizer da própria eleição? Qualquer pleito está condicionado a um calendário eleitoral que, mesmo sob a insistência de ser mantido pelo TSE, passa a ter etapas atropeladas pelo clima de terror do coronavírus. A justiça eleitoral já não funciona com a exigência presencial do candidato para registrar sua candidatura.

As sedes dos partidos políticos foram fechadas e as filiações de candidatos, com prazo a ser vencido em 4 de abril, mesmo com densidade eleitorais, passaram a ser feitas online, por conferência na internet. Se tudo isso foi arrastado pelo coronavírus, cuja gravidade maior ainda está por vir, parece ser sóbria a proposta do deputado Sebastião Oliveira, do PL a caminho do Avante, adiando as eleições para 2022, quando haveria, pela primeira vez no País, as eleições gerais.

Fim da reeleição – O projeto de Sebastião Oliveira inclui, também, a ampliação do mandato do presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador de quatro para cinco anos, pondo fim, por outro, ao instrumento da reeleição em todos os níveis. “Há o aumento do mandato para cinco anos, mas poremos abaixo um mal muito maior ao País, que é a reeleição”, diz Sebastião. Sua proposta será, oficialmente, encaminhada à mesa diretora na próxima semana, podendo entrar na pauta da Câmara em caráter de urgência devidos aos prazos do calendário eleitoral do pleito deste ano.

Armando com corona – Em tempos de coronavírus, antecipei, ontem, neste blog, que o exame para o coronavírus deu positivo para o presidente estadual do PTB, o ex-ministro Armando Monteiro Neto, mas ele está bem, sem febre, sem qualquer sintoma forte da doença, se recuperando em sua casa. Há suspeitas de que ele tenha sido contagiado em Brasília no contato com políticos e empresários que estiveram recentemente no exterior. “Estou bem e acompanhado pelo meu médico”, confirmou o líder trabalhista, que recebeu o resultado do teste na tarde de ontem.

Evandro disputa – O blog consultou, ontem, o advogado que tranquilizou o eleitorado do ex-prefeito de Camaragibe, Jorge Alexandre, afirmando que ele está apto para disputar as eleições longe de se configurar em inelegibilidade. É o mesmo caso, segundo ele, do ex-prefeito de Serra Talhada, Carlos Evandro. Filiado ao Avante, Evandro lidera todas as pesquisas na terra de Lampião. Quanto ao processo que corre em Brasília, gerado através de um contrato em sua gestão com uma OS – Organização Social – o ex-prefeito tende a reverter. Contratou um craque, o advogado Walber Agra. Mesmo no caso de Agra não conseguir liminar no STF, o processo de Brasília não tira Evandro do páreo, porque todas as suas contas foram aprovadas pela Câmara.

União com delegada – O fato novo na disputa pela Prefeitura do Recife seria a renúncia das pré-candidaturas de Mendonça Filho, do DEM, e Daniel Coelho, do Cidadania, em apoio à delegada Patrícia Domingos, pré-candidata do Podemos. Ocorre que nem Mendonça nem Daniel admitem essa hipótese, até porque Patrícia tem colocado seu projeto como inegociável. Uma pesquisa que o blog teve acesso, entretanto, aponta que com o apoio de Mendonça e de Daniel, a delegada teria amplas chances de chegar ao segundo turno.

CURTAS

CASO DE CURA – Chegou a 31 o número de casos confirmados do novo coronavírus, em Pernambuco. Segundo o boletim divulgado ontem, houve a primeira cura clínica de paciente diagnosticada com a Covid-19, doença causada pelo vírus. O governo também decretou estado de calamidade pública. O caso de cura é o de uma idosa de 66 anos. Ela e o marido, de 71 anos, tiveram os dois primeiros testes confirmados no Estado. "A mulher com cura clínica está internada, mas já tem condições de alta. O esposo dela e os outros oito pacientes estão internados. Três estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas estão todos estáveis”, declarou o secretário de Saúde, André Longo.

CELEBRAÇÃO – O chefe do setor de infectologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife, Demétrius Montenegro, celebrou a cura clínica da paciente e disse que, na maioria dos casos, os pacientes têm registrado boa resposta ao tratamento. “Apesar de ter passado um período na UTI, a mulher não se encontrava em situação de gravidade, foi muito mais para vigilância. Ela desenvolveu uma infecção, que é esperado que aconteça, foi tratada e está em condições clínicas de alta hospitalar", disse.

O JUIZ E O ACIDENTE – O desembargador Cláudio Jean, envolvido num acidente, quinta-feira passada em Afogados da Ingazeira, sem prestar socorro às vítimas, foi juiz de Delitos de Trânsito na capital. Sua escolha para desembargador ocorreu pelo critério de antiguidade. Especializado em Administração Judiciária e Direito Público e Privado, Cláudio Jean Nogueira Virgínio iniciou a carreira jurídica como advogado. Em 1985, ingressou no TJPE como juiz da Comarca de Parnamirim. Em 1989, assumiu a 2ª Vara Criminal de Jaboatão dos Guararapes, indo para o Recife três anos depois, como juiz substituto da 1ª Vara dos Crimes de Delito de Trânsito e Contravenção Penal (atual 19ª Vara Cível). No biênio 2003/05, respondeu cumulativamente pelo Distrito Estadual de Fernando de Noronha.

Perguntar não ofende: Por que o empresário que teve sua loja de equipamentos médicos invadida pelo Governo numa ação policial pediu desculpas ao governador?

Publicado em: 20/03/2020