Coluna do sabadão

Dirceu já vê ambiente para golpe

Na passagem, ontem, por Caruaru, o ex-ministro José Dirceu deu uma longa entrevista à Rádio Cultura do Nordeste, integrante da Rede Nordeste de Rádio, retransmissora do Frente a Frente, programa que ancoro para 35 emissoras, tendo como cabeça a Hits 103,1 FM, no Grande Recife. Nela, disse, categoricamente, que o presidente Bolsonaro, se quiser, tem apoio dos militares para dar um golpe.

“Fatos atuam contra o mandato dele. Agora, se ele vai concluir a gestão é imprescindível. A sociedade está impaciente com ele e até a revista Isto É já pediu o impeachment dele. Ele tem o apoio dos militares para dar um golpe e já tem golpe militar na América Latina”, afirmou. Dirceu fez uma autocritica do seu passado e do PT também. “Nós erramos quando não estivemos onde o povo estava. Lógico que lutamos e fizemos um governo que nos dá essa base social e eleitoral, mas que se perde. Nós estamos a cada dois anos de uma eleição, temos que ter uma estrutura de luta política social”, disse.

O ex-ministro disse que faltou para o PT o povo ao seu lado, para impedir o impeachment da ex-presidente Dilma (Rousseff) e a prisão do Lula. O ex-ministro defendeu a unidade do campo da esquerda para combater o chamado “bolsonarismo”, afirmando, inclusive, que o presidente Jair Bolsonaro, conservador e de extrema direita, pode legalmente dar um golpe de estado. “Bolsonaro atua com luta política, cultural e ideológica, todo dia e toda semana. E com o fortalecimento da base eleitoral dele. Nós temos que correr atrás do prejuízo”, enfatizou.

José Dirceu citou o uso das redes sociais pelo presidente Bolsonaro e sua base aliada. “Nós estamos apanhando de dez a zero das redes, e já são 12 anos. Não é um problema técnico, é um problema de decisão de prioridade e investir pesado. O retorno disso é extraordinário, mas para se ter uma ideia, nossos sindicatos não têm 10% de endereço eletrônico”, afirmou, incentivando o uso das plataformas digitais para dialogar com as pessoas.

“Se tudo mudou, nós temos que mudar. Nós podemos ganhar as eleições de 2022, vai ser complicado, como sempre foi. Do que estamos com medo? O Lula tem 40% de votos, estamos no maior partido que já houve neste País com meio milhão de militantes. Do que estamos com medo? Agora, temos que construir uma frente de esquerda unida”, pontuou.

Bombardeio na economia – O ex-ministro criticou à condução econômica e política do presidente. Ele chamou atenção para o momento vivenciado pela crise internacional com a guerra do petróleo entre a Rússia e Arábia Saudita, somado a epidemia do novo coronavírus, que fizeram as bolsas despencarem. “Todos os governos fazem planos emergenciais e adotam medidas para se anteciparem, menos este”, afirmou. Para ele, o Brasil tem condições de enfrentar uma crise, como Lula pegou em 2008 e 2009. “O certo, agora, seria pegar R$ 100 bilhões das reservas e fazer um fundo para investir na infraestrutura, social e econômica, principalmente com habitação e saneamento”, sugeriu.

Jantar palaciano – Na última terça-feira, quem recebeu o ex-capitão do time de Lula para um jantar em Palácio foi o governador Paulo Câmara, conforme antecipei neste blog. “Foi um jantar muito simples. Nós tivemos uma conversa informal de quem foi ministro e que tem uma história importante no País. Além disso, existe uma parceria com o PSB. Então, estivemos no Palácio para fazer uma visita”, explicou o presidente estadual do PT, o deputado estadual Doriel Barros, que participou do convescote, que em nenhum momento foi confirmado pelo Governo porque era secreto.

Longe do ex-capitão – Em Caruaru, entretanto, os deputados José e Wolney Queiroz, pai e filho, o primeiro estadual e o segundo federal, não recepcionaram, ontem, o ex-ministro na sua ida aos estúdios da Rádio Cultura. Por lá, estava apenas o presidente municipal do PT,  Léo Bulhões. Mas, ao longo da entrevista na Mesa Redonda da Cultura, o ex-ministro informou que esteve antes com Queiroz e o seu filho Wolmer, este empresário, numa conversa sobre o quadro político. Mas o líder do PDT na Câmara, Wolney Queiroz, evitou aparecer em público com o ex-ministro.

Vestiu o pijama – Extremamente desgastado, sendo, provavelmente, o prefeito mais rejeitado do Estado, Hélio dos Terrenos (PTB), de Belo Jardim, jogou a toalha, ontem, e assumiu logo o apoio ao vereador Wilsinho Maciel, que ingressou na legenda trabalhista para entrar na disputa pelo grupo do prefeito. O ato da desistência do prefeito contou com a participação do presidente estadual do PTB, ex-senador Armando Monteiro Neto. O que se diz que é Hélio foi forçado a pendurar as chuteiras depois de receber uma pesquisa encomendada pelo PTB na qual não tinha a menor chance de reeleição.

CURTAS

REAÇÃO AO CORONA – Mais de 30 ações do Plano Municipal de Contingência do Covid-19, realizadas pela Prefeitura do Recife, foram anunciadas, ontem, pelo prefeito Geraldo Julio após a confirmação dos dois primeiros casos da nova doença Covid-19 em Pernambuco. Em reunião com o secretariado no Museu da Cidade, no Forte das Cinco Pontas, apresentou as iniciativas que estão sendo tomadas pelo Comitê Municipal de Resposta Rápida, montado pela Secretaria de Saúde do Recife desde o dia 28 de janeiro e que já realizou 19 ações na cidade até ontem.

GAZETA PARA SESSENTÕES – A deputada Soraya Santos, primeira-secretária da Câmara dos Deputados, enviou ofício à mesa diretora informando novas medidas administrativas para conter o coronavírus. Entre elas, a isenção temporária de sanções administrativas, por motivo de falta, aos parlamentares e servidores com idade acima de 60 anos. A medida também abrange gestantes e aqueles que tenham se submetido a cirurgias recentemente. O uso do ponto eletrônico também foi suspenso para todos os servidores da Câmara pelos próximos 15 dias. A justificativa é de que o coletor biométrico pode ser potencial transmissor do vírus.

DUELO – No enfrentamento com o Congresso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, ontem, que o Governo irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU), para questionar a derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro a um projeto de lei que eleva o limite de renda para a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Com a mudança, terão direito ao benefício idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência com renda familiar per capita inferior a meio salário mínimo – R$ 522,50, pelo salário vigente de R$ 1.045. Atualmente, o limite é um quarto de salário, ou R$ 261,25 por membro da família.

Perguntar não ofende: A revelação do exame positivo para o corona no presidente foi a maior ação até agora na indústria das fake news?

Publicado em: 14/03/2020