O povo vai frevar na sanfona de Luizinho de Serra

O Sertão tem uma usina de produção de sanfoneiros. É a cidade de Carnaiba, berço natal do imortal Zé Dantas, o maior poeta musical das lindas e comoventes canções de Luiz Gonzaga. Bem pertinho dela, Deus botou no mundo Luizinho de Serra, lá das carrancas onde nasceu Lampião, o rei do cangaço.

Serra Talhada é parte tão importante na vida pessoal e profissional de Luizinho que ele inclui um pedaço do nome da sua terra à sua grife artística. Luizinho é  o mais legítimo sucessor de Dominguinhos na sanfona. Faz a bichinha fazer o povo chorar sem sentir dor.

Infelizmente, não conheci Luizinho em nosso torrão do Pajeú, mas já aqui em palcos recifenses tocando em shows de celebridades. 

Dizem que nada vida o talento e a arte não se inventam. Já nascem no ventre materno. Aos seis anos de idade, Luizinho já dava os primeiros acordes com seu pai. Aos 13 anos,  virou artista de verdade. Tocou e gravou em diversos CD´s de artistas diferentes pelo Nordeste. 
 
No final de 2008, aos 21 anos, fez sua primeira direção musical tocando e produzindo o DVD do poeta e cantor Bira Marcolino, gravado na casa de show Sala de Reboco, no Recife. Participou da gravação do DVD Girassol de Desejos, no Teatro da UFPE, da cantora Irah Caldeira, com quem divide o palco numa harmonia perfeita, que sai agora em forma também adaptada ao carnaval.

Luizinho será uma das atrações do frevo pernambucano na concorrida agenda da orquestra de Irah Caldeira no Recife, Paudalho, Bezerros e Vitória de Santo Antão. Forrozeira top de linha, Irah não é sabida da escola mineira por acaso. Quando ela viu Luizinho tocando pela primeira vez, vindo das montanhas de Minas Gerais, se agarrou a ele como visgo para ilustrar sua orquestra e nunca mais largou.
 
Com o tempo, que é o senhor da razão e vai moldando as pessoas, Luizinho de Serra virou produtor e diretor de Irah. A magia de seus rápidos acordes, sonoridade poética e criatividade artística estão presentes em trabalhos de  outros artistas.

Já correram para o abraço musical com Luizinho os famosos Almir Rouche, Alcimar Monteiro, Anchieta Dali, As Severinas, Bia Marinho, Bira Marcolino, Bruno Flor de Lotus, Cajú e Castanha, César Amaral, Cristina Amaral, Delmiro Barros, Duda Ferraz, Em Canto e Poesia, Flávio Leandro,  Jorge de Altinho, Maciel Melo, Paulinho Leito, Paulo Matricó, Kelly Rosa, Vates & Violas, Valdir Teles, Val Patriota, Santanna “O Cantator”, Tribo Cordel, Rui Grudi e Xico Bizerra.

Precisa dizer mais alguma coisa?

O sucessor de Dominguinhos na sanfona já rompeu as fronteiras do Brasil. Fez Berlim dançar no Festival Psiu de Forró.  Ainda na Europa, foi visto no Festival Forró Lille “vamo que vamo” em sua 5ª edição, em 2017. 

Luizinho de Serra é também uma pessoa simples e encantadora, contador de histórias e causos, sedutor e ladrão de afetos. Quem o vê aprumando a sanfona conclui facilmente que ele lembra também   Luiz Gonzaga, Sivuca e Camarão, geração ouro do instrumento.

Tem muita gente boa também do pedaço que não abre mão da companhia de Luizinho nos palcos, como  Genaro Sanfoneiro, Beto Hortis, Cezzinha, Mestrinho, Cicinho do Acordeom e um “mói” de músicos de tão grande excelência. 
 
O monstro sagrado Valdir Teles, pai da mais nova revelação do canto poético do improviso, a advogada Mariana Teles, assim definiu Luizinho de Serra:

“Luizinho ainda é moço     
Mas já é reconhecido        
O gemido do seu fole            
É diferente o gemido
Tem tocador mais famoso
Tocando mais eu duvido”... 

Publicado em: 21/02/2020