Entre os Caretas de Triunfo e o jazz de Gravatá

No fechamento da programação de descanso no período momesco fiquei numa tremenda dúvida entre Gravatá e Triunfo. Acabei optando pela fria, aconchegante e sedutora cidade sertaneja, plantada em cima de uma serra, a mais de 1,3 mil metros acima do nível do mar por um desígnio divino. 

Lá, não é a Pasárgada de Manuel Bandeira, decantada em prosa e versos, mas bato no peito e berro aos quatro cantos do seu sítio histórico que sou amigo do rei, rei sem fidalguias dos imperadores romanos. 

O nome do rei triufense atende por dom João Batista, que construiu seu império entre engenhos de rapadura e alambique com gosto de garapa que passarinho não bebe.

O rei sertanejo, que reina entre as caboclas de saias rosadas e encantos mil, faz um excelente  reinado. Vai entrar para a história de Triunfo como o prefeito que mais atrativos abriu no turismo. O museu dos Caretas é um deles. Ficou lindo.

O rei João Batista vai abrir seu templo profano  para apresentar aos meus filhos Magno Martins Filho e João Pedro o belo desfile dos Caretas, papangus que escondem seus rostos, fantasias e mistérios da vida por trás de máscaras que metem medo em crianças  de almas puras, ingênuas e sem maldade como meu João Pedro, ponta de rama de apenas 6 aninhos.

João Batista, que não é o meu João, o Pedro, ambos apóstolos de Cristo, tirou também do papel projetos de infraestrutura urbana, repaginou o calçadão da orla em torno do açude, abriu estradas e veredas para o turismo ecológico, deu regra e compasso a programas sociais para amenizar a fome do seu povo.

Não sei lá as razões, mas o rei João Batista, que vai se fantasiar no momo de Dom João VI, não será candidato à reeleição. Perderá a cidade um grande gestor público, de elevada sensibilidade social.

Como optei por Triunfo, releguei a segundo plano minha Gravatá. Sim, minha mesmo. Lá, sou cidadão gravataense. Lá, a água benta e gelada da pia batismal da catedral jorrou sobre a cabeça de André Gustavo, um dos meus filhos americanos, abençoando-o para vida, tendo como padrinho meu amigo Joezil Barros.

Gravatá não tem carnaval. Na Suiça pernambucana, o que reina é o som sublime do jazz, da praça central da cidade em apresentações para o grande público ao reinado do Barito, o som das águas, berço das Jams Sessions do Gravatá Jazz festival.

A programação do festival de Jazz 2020 no Barito, o mais requintado restaurante da cidade, de cardápio e bebidas irresistíveis,  como nos anos anteriores, está imperdível.

O Barito será, mais uma vez, por aclamação, a casa Oficial do Jazz em Gravatá durante o festival. "Vamos receber com exclusividade todos os artistas do festival no Barito fondue para as Jams Sessions. Todos os dias, após os shows, os artistas que se apresentarão no palco do festival estarão no Barito para jantar. É lá onde vão rolar as famosas canjas, de noites memoráveis, muita alegria e descontração", diz Manoel, dono do Barito.

É claro, como diz ele, jazz regado da boa gastronomia, música de primeiríssima qualidade. Afinal, o Barito é de longe, hoje, a melhor cozinha de Gravatá, o melhor fondue da cidade, o mais romântico pedaço do céu terrestre para se degustar bons vinhos.

Pena que não estarei por lá.

Publicado em: 19/02/2020