Caso Hans River: mentiras demais

Por Carlos Brickmann

Hans River do Rio Nascimento, um ex-funcionário da Yacows, empresa de marketing digital que trabalhou para Bolsonaro em 2018, tenta se livrar de problemas na Comissão Parlamentar Mista de Inquéritos sobre Fake News inventando histórias sobre a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. Depois de passar informações sobre a empresa (confirmados por processo que tramitava na Justiça do Trabalho), para a jornalista, a Folha publicou reportagem mostrando que muitas firmas, entre elas a Yacows, usavam irregularmente nome e CPF de idosos para registrar chips de celular a partir dos quais disparavam mais mensagens em favor de seus candidatos. Logo depois de chegar a um acordo com a Yacows, River do Rio enviou mensagem de texto a Patrícia Campos Mello, dizendo: “Pensei melhor, estou pedindo pra você retirar tudo que falei até agora, não contem mais comigo”.

Até aí, tudo bem: mas, na CPMI, acusou Patrícia de ter “se insinuado sexualmente em troca de informações”. Só que as conversas foram gravadas. E mentir à CPMI pode render-lhe um indiciamento O deputado Eduardo Bolsonaro disse que não duvida que a jornalista tenha “se insinuado sexualmente em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Bolsonaro”. Talvez acredite que mulheres não tenham capacidade para apurar uma reportagem. Só que não havia como: em dezembro, quando a história do assédio surgiu, as eleições já tinham se realizado.

Publicado em: 16/02/2020