Ministra da Agricultura diz que UE faz campanha contra o Brasil

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Por Deutsche Welle

Tereza Cristina disse que União Europeia quer evitar expansão do agronegócio brasileiro. No auge da crise na Amazônia, bloco europeu criticou aumento do desmatamento na Amazônia e ameaçou suspender acordo com Mercosul.A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, acusou ontem a União Europeia (UE) de fazer uma "campanha clara" contra o Brasil devido ao potencial de expansão dos produtos agropecuários brasileiros nos mercados globais.

"Eles estão nos olhando com lupa, mas é protecionismo. Temos que ter todo o cuidado para que eles não achem motivo para punir o Brasil", disse a ministra em Brasília, durante um evento que reuniu exportadores. "Existe uma campanha clara contra o Brasil por causa do nosso tamanho e das nossas possibilidades de expandir", acrescentou.

A declaração foi feita em relação às críticas que país recebeu de muitos governos e empresas europeias no ano passado devido ao aumento dos incêndios na Amazônia. O recente aumento no desmatamento da região foi atribuído por ambientalistas às políticas do governo de Jair Bolsonaro, que cortou recursos para proteção do meio ambiente e pretende autorizar a exploração econômica de terras indígenas.

A recente aceleração da devastação fez com que os governos de Alemanha e Noruega suspendessem repasses de verba ao Brasil para financiar projetos de desenvolvimento sustentável.

Devido ao desmatamento e às queimadas na região, Bolsonaro se tornou alvo de pesadas críticas de políticos europeus, que ameaçaram suspender o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Alguns políticos alemães chegaram a pedir sanções ao Brasil em razão da maneira como o governo Bolsonaro lida com o meio ambiente. A Finlândia propôs ainda a suspensão geral da importação de carne bovina brasileira.

Durante o evento, a ministra disse que o Brasil era a "maior potência agroambiental do mundo" e que uma das principais características do agronegócio era "a sustentabilidade".

Publicado em: 15/02/2020