Coluna da terça-feira

Pacto virou letra morta

O Pacto pela Vida é página virada pelo avesso em Pernambuco. Só existe de fato na propaganda do Governo. A violência campeia em todas as regiões do Estado, provocando horror e aflição, mas só chega com mais evidência ao conhecimento do público quando a vítima (ou vítimas) tem ramificação na classe média ou alguma ligação política, como foi o assassinato do motorista de aplicativo Ercílio Freire, 52 anos, irmão do deputado federal Gonzaga Patriota, ontem, em Petrolina.

Na mesma manhã de ontem, mais três vidas foram ceifadas pela violência na própria Petrolina, hoje uma das cidades com maior ocorrência de homicídios do Estado. Só que ninguém tomou conhecimento. A maioria dos crimes, aliás, fica no anonimato, porque quem perde o estágio terrestre, infelizmente, não tem apadrinhados nem costas quentes. “Petrolina virou um horror, centro do crime e da bandidagem”, diz um radialista de projeção no berço de Ana das Carrancas.

Segundo ele, pode ser que, a partir de agora, com o assassinato de alguém com parentesco político o Governo desperte para aumentar a segurança no munícipio, dando mais condições de trabalho às polícias Militar e Civil, que trabalham harmonicamente. Irmão apenas por parte de pai do deputado Gonzaga Patriota, Ercílio era da paz, aparentemente sem inimigos na cidade, mas entrou para bombar as estatísticas do crime em Petrolina.

O Governo parece ter perdido de vez a guerra contra o crime organizado no Estado. Os homicídios têm crescido em todas as regiões, seja na Mata, no Agreste e no Sertão. A bandidagem mão escolhe as vítimas. Caruaru assistiu, recentemente, a morte de um filho jovem de um ex-vereador, com apenas 28 anos, num restaurante localizado em torno do corredor da BR-104.

Já na semana passada, em Gameleira, Mata Sul do Estado, tombou morto o vereador José Ednaldo Marinho (PRB), de 45 anos. O crime aconteceu à luz do dia, no centro da cidade. Casos assim rebobinam o noticiário, incham as estatísticas oficiais e vão mostrando, na prática, que o Estado está impotente, perdendo a batalha contra o crime organizado, voltando a liderar o ranking entre os mais violentos do País.

Chocado e abalado – O deputado Gonzaga Patriota (PSB) estava em Brasília, ontem, se preparando para a sessão oficial de reabertura do Congresso quando foi informado do assassinato do seu irmão Ercílio Freire, por parte de pai. Abalado, se manifestou por intermédio de uma nota oficial na qual disse que tinha perdido não apenas um irmão, mas um grande amigo e confidente. Imediatamente, cuidou de arranjar uma vaga em avião com conexão no Rio de Janeiro, para chegar a Petrolina em tempo de participar dos funerais.

O segundo – Ercílio Freire é o segundo irmão que Gonzaga Patriota perde para o mundo do crime. Acilon, irmão legítimo de pai e mãe, também foi assassinado há 15 anos, em Sertânia, cravado de balas. Na época, a polícia desvendou o crime. O assassinato de ontem, porém, pode entrar nas estatísticas dos passionais, caminho da investigação que a polícia de Petrolina enveredou depois de descartar roubo. Na hora em que foi atingido por tiros, Ercilio, que tinha uma gráfica e estava se virando também como motorista de aplicativo em Petrolina, visitava um parente no bairro Mandacaru, zona norte da capital do Vale do São Francisco.

Jogou a toalha – O ex-senador Armando Monteiro Neto, principal liderança do PTB no Estado, costura a unidade das oposições em silêncio. Foi visto, ontem, num restaurante da Zona Sul do Recife, numa conversa prolongada com o grupo Ferreira – os irmãos Anderson, prefeito de Jaboatão, e André, deputado federal. No mesmo dia, o deputado Silvio Costa Filho (Republicanos), extremamente ligado a Armando, liberou uma nota à Imprensa comunicando que não será candidato a prefeito do Recife. O ex-senador apostava no nome de Silvinho, como o deputado é mais conhecido, como alternativa com ingredientes para unir a oposição.

Tábata silencia – Com entrevista confirmada ao meu blog para hoje, em Brasília, a deputada Tábata Amaral (PDT-SP), namorada do deputado João Campos, pré-candidato a prefeito do Recife pelo PSB, mandou cancelar, ontem, através de mensagem enviada pela sua assessoria. “Não há como a deputada falar sobre a política de Pernambuco. Qualquer coisa que ela venha a dizer terá impacto na eleição e também nas principais famílias envolvidas”, diz o texto encaminhado, numa referência à briga que os Arraes trava no Estado, acentuada depois da agressão de João ao tio Antônio Campos, na Comissão de Educação da Câmara, e pela entrevista da ministra Ana Arraes, ao meu blog.

CURTAS

SEM PECADO – A Polícia Federal deve entregar, nos próximos dias, o relatório final sobre o inquérito eleitoral que investiga o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). A PF já concluiu que não há indícios de que o parlamentar tenha cometido os crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O inquérito apura as negociações de imóveis feitas pelo filho mais velho do presidente da República e também a declaração de bens do atual senador na eleição de 2018. As conclusões são diferentes das de outro inquérito realizado pelo Ministério Público do Rio, que apura a prática de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa.

MANDA-CHUVA – Pelo tom da fala do deputado Augusto Coutinho, líder do Solidariedade na Câmara dos Deputados, ontem, no start da recauchutagem da Avenida Presidente Kennedy, em Olinda, ficou patente que ele canta de galo na Prefeitura, teoricamente, gerida pelo prefeito Lupércio (SD). No mundo da política em Olinda, a bola gira em torno do nariz de Guga, como é conhecido. Até nas negociações para o SD apoiar João Campos no Recife, o entendimento passa pelo apoio do PSB à reeleição de Lupércio. A vice-governadora Luciana Santos e o deputado Renildo Calheiros, ambos do PCdoB, querem que o Palácio e o PSB se curvem à candidatura de João Paulo, deputado estadual e ex-prefeito do Recife.

KAIO NO INCRA – Só depende agora da canetada do presidente Bolsonaro para o ex-deputado federal Kaio Maniçoba virar superintendente do Incra em Pernambuco. A bancada federal já encaminhou a indicação dele, com o respaldo de todos os governistas, mas, há dois meses, está em banho-maria. Filho da ex-prefeita de Floresta, Rorró Maniçoba, que lidera todas as pesquisas no município para voltar ao poder municipal, Kaio não se reelegeu federal por uma peinha de votos e o Governo, da mesma forma que agiu com Milton Coelho, não se interessou em convocar deputados com mandato em Brasília para o secretariado e com isso abrigar os dois suplentes na bancada.

Perguntar não ofende: Governadores, Congresso e Governo afinam a viola na reforma tributária, prioritária na pauta do semestre?

Publicado em: 04/02/2020