Coluna desta segunda na Folha

Pernambuco já viveu o boom baiano

O boom que a Bahia vive, hoje, revelado numa série de postagens no meu blog, Pernambuco já viveu também com Eduardo Campos (PSB). Seus dois mandatos abriram um novo paradigma em gestão pública. Aproveitando o momento político e econômico que o País vivia, o apoio de Lula e a alta das commoditeis, o ex-governador investiu R$ 18 bilhões em obras no Estado, com recursos azul e branco, operações de crédito nacionais e internacionais e repasses da União.

Com ele, o Estado pulou para o quarto do País a receber mais investimentos e sua economia subiu para a 10ª posição no ranking nacional. Abriu quatro novos grandes hospitais, três na RMR e um em Caruaru, 25 UPAS e UPAES. Fez o Estado a ter a melhor educação pública do País abrindo escolas em tempo integral e escolas técnicas. Levou estudantes para aprender línguas no Exterior, abriu cursos de Medicina na UPE em Garanhuns e Serra Talhada e criou o Pacto pela Vida, premiado pela ONU.

Mais água – Na era Eduardo, Pernambuco foi destaque pela maior obra hídrica do País, à frente o competente ex-presidente da Compesa, Roberto Tavares. Construiu a rede de distribuição de água de Pirapama, reduzindo o racionamento de água no Grande Recife. Tirou do papel a Adutora do Pajeú e fez o maior conjunto de adutoras do País. Em Suape, investiu R$ 2 bilhões em sua infraestrutura.

Estrada da Batalha – No trânsito, o Governo Eduardo transformou a vergonhosa saída do Recife para o litoral Sul com a Estrada da Batalha e abriu uma via pedagiada para Porto de Galinhas e Suape, a chamada Rota do Atlântico. Em sua gestão, Suape foi a China brasileira, atraindo bilhões de reais em investimentos, como refinaria, polo petroquímico, estaleiro e empresas de energia eólica.

Industrialização – No pico das obras em Suape, 60 mil trabalhadores se deslocavam diariamente no Grande Recife para trabalhar em Suape. A interiorização da indústria virou realidade. Vitória de Santo Antão atraiu a Sadia, hoje BRF, a Metalfrio, a Rocca, dentre outras. Goiana virou centro cosmopolita com a Fiat/Jeep, hoje maior item de exportação do Estado, gerando 12 mil empregos.

Novo polo – Goiana também recebeu um investimento bilionário: a fábrica de vidros Vivix. Igarassu e Itapissuma viraram polos cervejeiros com a instalação da Ambev e a ampliação da Heineken, à época Brasil Kirin. Eduardo abriu o Gasoduto e outras cidades ganharam investimentos, como Limoeiro, Glória e São Lourenço.

Lado ruim – Eduardo duplicou as estradas de Caruaru a Toritama e de Recife a Carpina, mas cometeu erros também. O presídio de Itaquitinga virou assombração, o BRT, ao contrário da Bahia, não obteve resultado, o pólo farmoquímico se resumiu a Hemobrás e a Arena virou um problemão.

QUADROS – Mas como Moura Cavalcanti, Eduardo sabia montar equipe e revelar quadros. Quem eram Geraldo e Paulo? Danilo, Tadeu e Carreras entraram na política pelas mãos dele. Eduardo teve a capacidade de descobrir Fred Amâncio, Roberto Tavares, Ricardo Dantas, Milton Coelho e Márcio Stefanni, coringas dele.

Perguntar não ofende: Quando Pernambuco voltará a ter um novo Eduardo Campos?

Publicado em: 19/01/2020