Coluna desta terça na Folha

Aliança para barrar a Lava Jato

Ao chegar, ontem, a Brasília, fui informado da existência de uma aliança surpreendente que junta Jair Bolsonaro ao presidente do STF, Dias Toffoli, em torno da decisão que limitou o acesso do Ministério Público a informações do Coaf e da Receita Federal, beneficiando Flavio Bolsonaro, filho do presidente da República.

Com isso, mudou-se o eixo do discurso anticorrupção do Governo – que foi fundamental para a eleição de Bolsonaro e deu ao ex-juiz Sérgio Moro o status de “superministro”. Para muita gente em Brasília, a contrapartida a essa união seria a concordância presidencial ao freio de arrumação na Lava Jato, algo que parte do Supremo e do Congresso sempre quis e nunca conseguiu.

Nos próximos capítulos, poderão vir a aprovação, no Legislativo, do projeto que pune o abuso de autoridade e, no STF, decisões coibindo abusos que vieram à luz na chamada Vaza-Jato – quem sabe até a liberdade do ex-presidente Lula.

Simples mortal – O poder de Moro empalideceu a partir do desgaste com a revelação das conversas obtidas pelo site The Intercept e de uma série de revezes – o último deles, a decisão quase unânime do STF de suspender a transferência do ex-presidente Lula de Curitiba para Tremembé, na semana passada. Fica claro que Moro voltou a ser mais um simples mortal de carne e osso no território do poder.

Arapongagem – Em Brasília, políticos experientes têm observado um crescimento do número de parlamentares que se queixam, alegando suspeitas de espionagem por parte do Governo. Essa foi a rotina na capital durante o período de governos militares. Desde a criação, em 1999, a Abin, sucessora do SNI, nega de forma veemente que faça espionagem política no País.

Bom nome – Da mesma forma como agiu na indicação de Carlos Neves para o TCE, o governador Paulo Câmara (PSB) surpreendeu, ontem, com a escolha de um nome técnico para suceder a Roberto Tavares na presidência da Compesa. Primeira mulher a assumir a estatal, a engenheira Manuela Marinho tem todas as credenciais para dar continuidade à obra de Tavares.

Nem na marra – Uma pergunta oportuna que se faz em Caruaru: se a prefeita Raquel Lyra (PSDB) não consegue tocar as obras do Camelódromo, como vai viabilizar a construção de 53 prédios para abrigar as oito mil vagas em creches municipais, objeto de promessa em sua campanha.

Reação – Pelas redes sociais, o cantor Flávio Leandro, autor da música Chuvas de honestidade, citada pelo presidente, mandou um recado a Bolsonaro: “Se ele quer melhorar a sua imagem no Nordeste, comece por governar sem ranço, e para todos. Minha música é do povo, não de políticos”.

CORRIGINDO – Na nota de ontem, sobre a postura oportunista da vice-prefeita de Cumaru, Nadjane Peixoto (PCdoB), manobrando o Sindicato dos Trabalhadores, informei que Antônio Américo era o presidente do órgão sindicalista. Na verdade, Américo é o presidente da Câmara de Vereadores.

Perguntar não ofende: Bolsonaro abre a cancela das nomeações no segundo escalão logo ou vai esperar a Previdência ser aprovada no Senado?

Publicado em: 12/08/2019