Conselho de Ética instaura processo contra André Vargas



























Estadão Conteúdo.

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal, Ricardo Izar (PSD-SP), rejeitou, nesta quarta-feira (9), a questão de ordem apresentada por integrantes do Partido dos Trabalhadores para tentar impedir a instauração de processo disciplinar contra o deputado André Vargas (PT-PR). Na sequência, Izar determinou a abertura da ação contra o petista.

Integrantes da bancada petista podem, no entanto, recorrer da decisão junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

De acordo com o autor do pedido de ordem, deputado José Geraldo (PT-PA), não poderia ser aberto o processo por ele se basear em reportagens jornalísticas relativas à investigações da Polícia Federal que culminaram com a deflagração da Operação Lava Jato. "Note-se que são matérias jornalísticas que dão a versão daqueles meios de comunicação aos fatos e expõem supostas provas que teriam origem em fontes daqueles noticiosos", afirmou.

Durante a leitura do documento, o petista defendeu que as investigações contra André Vargas sejam feitas na Corregedoria da Câmara Federal, assim como propôs o PSOL. "Em sua representação, o PSOL, por intermédio do seu líder, deputado Ivan Valente (SP), enfatizou que a corregedoria corresponde à instância apropriada para a investigação das acusações".

O vice-líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), criticou, no entanto, a iniciativa de integrantes do PT. "Espero que esse conselho não se demita vergonhosamente de suas funções", afirmou o carioca.

A manobra dos petistas é feita de olho na possibilidade de Vargas ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Caso ele seja condenado no Conselho de Ética, pode perder o mandato em votação aberta no plenário e passaria a ficar inelegível. Caso se inicie uma investigação na corregedoria, somente após concluído e votado o relatório, ele seria enviado ao Conselho de Ética. "Não existem provas, além de notícias jornalísticas baseadas em fontes anônimas ou obtidas ilegalmente de um inquérito policial sigiloso", disse Geraldo.

Publicado em: 09/04/2014