Caruaru - Jan 2022


23/12


2021

Coluna da quinta-feira

Fundão “bomba” Miguel

Uma das maiores excrescências do Congresso, o novo fundo partidário, chamado de Fundão, aprovado pelo Congresso na semana passada garantiu às legendas brasileiras um montante inédito de recursos públicos no ano eleitoral de 2022. Um total de R$ 4,96 bilhões ficará à disposição dos partidos para o financiamento das campanhas e o custeio das agremiações. Este valor é a soma das duas reservas financeiras e representa um aumento de 92,5% em relação a 2018, em valores corrigidos pela inflação.

A distribuição dos recursos públicos entre os partidos é baseada, principalmente, no tamanho das bancadas eleitas na Câmara. Com isso, PSL e PT ficarão com as maiores fatias dos recursos públicos: R$ 604 milhões e R$ 594 milhões, respectivamente. Somando-se o montante do PSL com o destinado ao DEM (R$ 341,7 milhões), o União Brasil – legenda que nascerá da fusão dos dois partidos – contará com um quase R$ 1 bilhão em dinheiro público no ano que vem.

Articulada por Luciano Bivar (PSL) e ACM Neto (DEM), a nova legenda aguarda referendo da Justiça Eleitoral e se tornou um dos mais valiosos na eleição do próximo ano. É nela que o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, faz todas as apostas para turbinar sua campanha para o Governo do Estado, ao mesmo tempo atraindo para a sua aliança o maior número de candidatos na disputa proporcional, tanto para a Alepe quanto para a Câmara Federal.

Pelo placar de 358 a 97 votos, a Câmara aprovou, na terça-feira passada, o relatório final do Orçamento de 2022, apresentado pelo relator, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), que destinou R$ 4,9 bilhões para campanhas eleitorais no ano que vem e R$ 1,06 bilhão para o Fundo Partidário.

Voto da maioria – Com críticas ao valor do fundo eleitoral e do montante reservado às emendas do orçamento secreto, quatro partidos orientaram suas bancadas pela rejeição do Orçamento: PCdoB, PSOL, Novo e Podemos, do pré-candidato à Presidência da República Sérgio Moro. Os demais orientaram voto “sim”. No Senado, o texto enviado pela Câmara foi aprovado integralmente, sem destaques. Podemos, Rede e Cidadania orientaram pela não aprovação do texto. PDT, PSDB e PROS liberaram as bancadas. Os demais partidos orientaram pela aprovação do texto.

Paga até mídia social – O fundo eleitoral de R$ 4,9 bilhões para 2022 representa o maior volume de dinheiro público despejado em campanhas políticas na história. A cifra foi definida após negociações com líderes do Centrão, base do governo Bolsonaro, que resistiram em reduzir mais o valor, inicialmente previsto em R$ 5,1 bilhões pelo relator do Orçamento. O dinheiro poderá ser usado para pagar, por exemplo, viagens de candidatos, contratação de cabos eleitorais e publicidade nas redes sociais.

Distribuição por partidos – Além do PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outras legendas que abrigam os principais presidenciáveis serão turbinadas com dinheiro público no ano eleitoral: O PSDB do governador paulista João Doria terá um total de R$ 378,9 milhões; o PDT, de Ciro Gomes, R$ 299,3 milhões; o Podemos, de Sérgio Moro, R$ 228,9 milhões. MDB, que lançou a senadora Simone Tebet (MS), e PSD, que ensaia uma possível candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), terão, respectivamente, R$ 416,9 milhões e R$ 397,6 milhões.

Reação dos contra – Representantes de partidos que orientaram contra a votação do Orçamento criticaram a destinação bilionária de dinheiro público para os partidos. “Estamos mais uma vez condenando milhões de brasileiros à pobreza e à miséria em virtude do Orçamento de 2022 aprovado pelo Congresso que, lamentavelmente, não foi debatido suficientemente”, disse o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS). O fundo eleitoral é um valor retirado inteiramente da verba pública (Tesouro Nacional) e destinado aos partidos em anos eleitorais para bancar as campanhas. A utilização de recursos públicos foi aprovada em 2017 pela Câmara após o Supremo Tribunal Federal proibir o financiamento empresarial de campanhas políticas.

Sem carnaval – Uma comissão especial formada por vereadores da Câmara Municipal do Recife, para discutir grandes eventos na Capital, concluiu um relatório preliminar sobre o Carnaval 2022, o qual pede o adiamento dos eventos promovidos e patrocinados pela Prefeitura nas datas em que originalmente se comemoraria a festa e a transferência do feriado para um período posterior à sazonalidade das doenças respiratórias. De acordo com o relatório, Recife ainda está longe dos indicadores ideais para se produzir a festa carnavalesca do modo tradicional.

CURTAS

CANCELADO – A Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos, que completa 75 anos no próximo ano, uma das mais tradicionais de Olinda, anunciou, ontem, que não vai desfilar no carnaval devido à pandemia de Covid-19. Nas redes sociais, a diretoria da agremiação informou que deve realizar eventos fechados, mas que, para a folia de rua, "o momento não apresenta segurança suficiente".

O FUJÃO – Integrante da Rede Nordeste de Rádio na transmissão do Frente a Frente, a Rádio Cultura de Caruaru promove, ao longo do dia, das oito da manhã às 18 horas, um paredão de fim de ano com as principais lideranças políticas da capital do Agreste. Único cadeira vazia, o deputado Tony Gel pegou mania de fujão de debates.

Perguntar não ofende: Quando o governador anunciará, enfim, quem será o candidato da Frente Popular à sua sucessão?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

ALEPE - Ações Sociais - Janeiro 2022


22/12


2021

Coluna da quarta-feira

Miguel vai se firmando 

Depois de uma nova peregrinação pelo Estado, arregimentando forças políticas dos mais amplos espectros para reforçar seu projeto de disputar o Governo do Estado pelo União Brasil, Miguel Coelho teve uma longa conversa, ontem, no Recife, com jornalistas, blogueiros e radialistas. Raciocínio lógico e inteligente nas respostas, o prefeito de Petrolina mostrou que está preparado para tamanha empreitada.

Entre um café e outro, contou que, desde setembro, quando assinou, num grande ato no Recife, a ficha de filiação ao DEM, partido está sendo fundido ao PSL para criação da União Brasil, já visitou 35 municípios, participou de mais de 10 reuniões na capital envolvendo, de um lado, formadores de opinião, e de outro, grupos representativos da área econômica social e cultural da capital pernambucana.

Mostrando que tem a melhor proposta para o Estado, tino gerencial e uma obra magnífica, a vitrine do seu Governo no maior colégio eleitoral do Sertão, Miguel consolidou o apoio de 30 prefeitos, dos quais três remanescentes do PSB, partido que está no poder. Com o apoio dos deputados Luciano Bivar e Fernando Filho, candidatos à reeleição para a Câmara Federal, passou a construir uma competitiva chapa para as eleições proporcionais.

“Hoje, já é possível ter a certeza da eleição de três deputados federais e seis estaduais”, disse um aliado que já pertenceu ao PSB e que agora torce fortemente pelo avanço da candidatura de Miguel. No balanço que fez durante o encontro com a Imprensa, o jovem político disse que a junção dos partidos União Brasil e Podemos sua candidatura passa a ter o segundo maior tempo de televisão ao longo da campanha.

Com a aprovação do novo fundo eleitoral, segundo ele, sua aliança hoje já passa a ter os recursos necessários para o financiamento das campanhas majoritária e proporcional dos candidatos que estarão em seu palanque em busca de uma mudança radical no Estado, arrebatando das mãos do PSB o controle do poder.

As notícias boas que sopram a favor de Miguel não param por aí. Em pesquisa interna recebida recentemente, ele já cola em Raquel, dentro da margem de erro, na liderança pela disputa do Governo do Estado. Pelo levantamento, comemorado pelos que torcem e apostam no potencial de Miguel, apresenta o menor índice de rejeição e a maior taxa de desconhecimento. “Em outras palavras, Miguel deve virar o ano com pista pronta para decolar”, arrisca um deputado. Segundo esse mesmo parlamentar, é importante observar que Miguel tem apoio expressivo para deixar a Prefeitura de Petrolina e enfrentar a campanha para governador. Nas pesquisas, vale a ressalva, tem 82% das intenções de votos em Petrolina, enquanto Raquel tem apenas 30% em Caruaru, município que governa, e Geraldo Júlio apenas 24% no Recife.

Sinalizações – Integrante da corrente petista defensora de candidatura própria a governador, o ex-prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, abriu espaço na sua agenda para receber Miguel Coelho e dele passou a ter a melhor impressão, assim como a prefeita Márcia Conrado, eleita por Duque. Não se constituirá surpresa se o PT contrariar Duque que possa subir no palanque de Miguel, até pelas origens sertanejas e por ter convicção, segundo disse, que o prefeito de Petrolina está preparado para fazer as mudanças que Pernambuco tanto anseia.

Desafios do Estado – Em discurso na sessão de ontem que marcou o encerramento dos trabalhos legislativos no Estado, o deputado Antônio Coelho, líder da bancada de oposição, destacou a importância de a Casa ficar atenta aos temas de interesse do Estado e do povo pernambucano e não apenas se deixar dominar pelos temas nacionais. Segundo o parlamentar, o debate sobre o País é necessário, mas não pode sufocar ou estrangular a discussão sobre os rumos de Pernambuco. “Se vamos debater o Brasil, também devemos debater os desafios de Pernambuco”, destacou.

Estratégias – Aos jornalistas, Miguel comentou que tem nutrido um bom relacionamento com outros nomes da oposição, como a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), e sobre apoio a candidatos à presidência, frisou: "Não queremos ter um palanque de exclusividade". Na avaliação de Miguel Coelho, essa será uma eleição atípica que trará "mudanças à qualidade do debate". "Quando que teve uma eleição estadual com prefeitos protagonizando?", questionou o prefeito referindo-se aos nomes da oposição que encabeçam a disputa, como a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL) e ele próprio. Esse cenário "traz uma percepção diferente para gente definir as estratégias de primeiro e segundo turno", disse.

Sem agressões – O pré-candidato à Presidência pelo Podemos, Sergio Moro, disse que irá debater com Ciro Gomes (PDT) somente se o pedetista abandonar “postura agressiva”. A declaração foi dada durante entrevista ao canal do YouTube, MyNews. “O Ciro, primeiro, tem que largar essa postura dele ofensiva e agressiva para dialogar. Eu me disponho a apresentar o meu projeto como tenho feito”, afirmou. Moro também declarou que não se abstém de discutir, embora seu programa ainda esteja em construção. “Dialogar pressupõe que não haja ofensas e agressões”, destacou.

Ilusão de ótica – O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, abriu o verbo, ontem, contra o ex-presidente Lula. Disse se o petista for eleito em 2022, terá comportamento diferente da campanha eleitoral. “O Lula que estamos vendo hoje é uma ilusão de óptica. Não é esse Lula que vai para campanha, bonzinho, longe da Gleisi Hoffmann, do Zé Dirceu, do Vaccari [João Vaccari Neto]. Ele vai ter que fazer campanha com Lindinho [como Lindbergh Farias foi identificado nas planilhas de delatores da Odebrecht], com a Gleisi. São pessoas que têm rejeição muito grande no País”, afirmou.

CURTAS

DEMISSÃO – "Ele comprometeu a função policial e, assim, seguindo inclusive uma linha de outros agentes públicos que prestem serviço privado de forma ilegal, o posicionamento foi pela demissão", disse o secretário de Defesa Social, Humberto Freire, explicando a exoneração do perito criminal Diego Henrique Leonel de Oliveira Costa, que atuou no Caso Beatriz, menina morta com 42 facadas em 2015, em Petrolina.

AUDIÊNCIA – No dia 5 de dezembro, os pais de Beatriz, Lucinha Mota e Sandro Romilton, começaram uma caminhada de Petrolina, cidade em que ocorreu o crime, no Sertão, para o Recife, para pedir providências sobre o caso. São mais de 700 quilômetros. Ontem, o governador informou que irá receber a família da menina junto com o secretário de Defesa Social e o chefe de Polícia Civil, Nehemias Falcão.

Perguntar não ofende: Na audiência, o que o governador irá oferecer aos pais de Beatriz?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Joao

Como perguntar não ofende: o Ciro Nogueira tem condições ética e moral para falar de alguém? Que canalha!


Cabo - Pavimentação e Drenagem


21/12


2021

Coluna da terça-feira

PSB não abre para Humberto 

Na passagem por São Paulo, para o beija-mão em Lula e Geraldo Alckmin, que se “uniram” no jantar do escárnio, o governador Paulo Câmara se reuniu, ontem, com o ex-presidente para discutir a aliança em Pernambuco. Câmara foi picado pela mosca azul. Quer ser candidato a senador e abrir a vaga do candidato a governador para o PT.

O nome petista da sua preferência é o senador Humberto Costa, que, coincidentemente, recebeu, no sábado passado, o aval do diretório estadual da legenda para concorrer ao Governo do Estado. Não tenho a menor dúvida de que, a esta altura, a oposição está fazendo figa para Humberto ser o candidato da Frente Popular.

A torcida tem uma explicação que remete ao óbvio ululante: embora senador da República e aliado de primeira hora, da confiança absoluta de Lula, Humberto é candidato fraco, fácil de bater. Tem um histórico de derrotas em disputas majoritárias só comparável a João Cleofas, batizado de João três quedas, nos anos 70, por ter perdido três eleições para governador.

Independente disso, um capítulo à parte, Câmara não vai conseguir tamanha pirotecnia. Sua tese, de passar o poder ao PT, esbarra no próprio PSB, que não aceita, em hipótese alguma, abrir mão da cabeça de chapa. O Governo de Pernambuco, para o PSB, está acima das ambições de Paulo Câmara e dos seus projetos pessoais, para chegar ao Senado. Partido nenhum abre mão de estar com a chibata do poder para ninguém.

O PSB não seria o primeiro, só na cabeça oca do governador, que tudo leva a crer, as desconfianças são generalizadas de que não terá autonomia para decidir o seu sucessor. Tadeu Alencar e Danilo Cabral passaram a disputar a indicação do partido com uma disposição de fazer inveja. Se tivesse força, Câmara faria Zé Neto, o preferido dos deputados, prefeitos e lideranças interioranas.

Nessa batalha silenciosa, só uma certeza: Humberto Costa é carta fora de baralho. E chegar ao Senado, para Paulo Câmara, é uma viagem na maionese.

Restaurante de rico – O jantar em que Lula e Alckmin passaram a borracha nas suas indiferenças e agressões teve como cenário o luxuoso e caríssimo restaurante A Figueira Rubayat, em São Paulo. O cardápio teve como opções de entrada couvert da casa e salada Rubaiyat. Como prato principal, os convidados puderam optar entre picanha com batatas soufflé e espaguete Mediterrâneo. Para a sobremesa, serviram-se torta nêmeses com sorvete de gengibre, mil folhas de doce de leite ou frutas da estação, além de café com seleção de petit four. As opções de bebidas foram vinhos, caipirinhas, caipiroscas e chope.

Fura regras de voos – Corajosa a deputada federal Marília Arraes: com praticamente nove meses de gestação da segunda herdeira, pegou um avião e foi para São Paulo, domingo passado, beijar Lula e Alckmin, dando o seu aval para aliança com o ex-tucano que o PT dizia que era ladrão. O incrível disso tudo é a companhia aérea passar por cima das regras. Não é de hoje que está proibido o embarque de grávidas a partir do sétimo mês. Mas estamos no País do jeitinho brasileiro. Paciência!

Longe dos holofotes – Presente ao jantar, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que Lula “vai precisar de habilidade” para negociar o apoio de siglas de centro. “Tem que caminhar para o centro. Procurar alguém com esse perfil mesmo (de Alckmin). Vai precisar de pessoas com esse perfil”, afirmou ele, que ficou pouco tempo no jantar e se esquivou de aparecer na foto em que Lula posou ao lado de outros dirigentes partidários. O ex-ministro dos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer lançou o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ao Palácio do Planalto.

Com Doria, mas presente – Adversário do PT durante o governo Lula, o ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, disse ter participado do encontro pela boa relação que mantém com advogados do grupo Prerrogativas. Após concorrer nas prévias que definiu Doria como o candidato do PSDB ao Planalto, ressaltou que sua presença não simboliza qualquer apoio ao petista. “Da minha parte não tem nada a ver com meu voto, com o que vou fazer (nas eleições). Estou com Doria em qualquer circunstância, o que não impede relações razoáveis com as pessoas possíveis”, disse.

Até Renan ficha suja – O jantar do escárnio foi organizado pelo Prerrogativas, grupo de advogados “antilavajatistas”, e batizado como “Jantar pela Democracia”. O evento reuniu em São Paulo cerca de 500 convidados, incluindo governadores e outros políticos, como os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (sem partido-RJ). Após o encontro, Renan destacou a gama de partidos que foram ao jantar. “Uma representação enorme de todo o País, com partidos variados. Clima de que as coisas (alianças) estão andando muito bem”.

CURTAS

DE FORA – O presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), disse que o clima do jantar era de “muita empolgação”. “Eu tenho brincado que o meu negócio é levar o Lula para a direita, para poder ganhar no 1º turno”, afirmou. Além de Lula, outros pré-candidatos ao Planalto foram convidados para o jantar de ontem, mas não participaram: o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

ACREDITE SE QUISER – Presente ao jantar, o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), disse que não conversou com Lula sobre alianças durante o encontro. “Fui porque tenho boa relação com o pessoal do Prerrogativas. O evento foi apartidário e não eleitoral. Nós estamos na campanha da Simone”.

Perguntar não ofende: Lula vai conseguir indicar Marília Arraes para o Senado contrariando Humberto Costa?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Petrolina Dezembro 2021


20/12


2021

Coluna da segunda-feira

Par perfeito de excrescência

“A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”, proclamou o pensador francês Charles-Louis de Secondat, o Barão de Montesquieu, título herdado de um tio. No livro “Cartas Persas” (1721), o Barão denunciou os abusos do poder autoritário e os excessos cometidos no reinado de Luís XIV. O que ele disse fez história, mudou princípios, corrigiu injustiças. Suas palavras tinham o poder da destruição só comparáveis a uma bomba atômica.

Reportando-se ao Brasil das incoerências e dos oportunismos políticos, o que diria o Barão de Montesquieu ao ver Lula e Alckmin abraçados, ontem, em São Paulo, num jantar, 15 anos depois de se enfrentarem na disputa pela Presidência da República com acusações como essa, partindo do ex-governador paulista? “Os brasileiros não são tolos e estão vacinados contra o modelo lulopetista de confundir para dividir, de iludir para reinar. Mas vejam a audácia dessa turma. Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder, ou seja, quer voltar à cena do crime”.

Cena do crime é roubo. O que Lula roubou? É protagonista de dois baitas escândalos no País: o mensalão e a Lava Jato. Em 2006, no período de campanha, Alckmin disse que, diferentemente de Lula, ele não “convivia com o crime” e acusou o ex-presidente petista de “chefe de quadrilha” em relação ao escândalo do mensalão.

E assim está escrito no seu livro da vida, que borracha nenhuma consegue apagar: “Que tempos são esses em que um procurador-geral da República denuncia uma quadrilha de 40 criminosos que tem na lista ministros, auxiliares e amigos do presidente? Que tempos são esses em que cada vez que ouvem uma notícia sobre a quadrilha dos 40, os brasileiros pensam automaticamente em silêncio: E o chefe, onde está o chefe, o líder dos 40 ladrões’”.

O ex-governador de São Paulo disse, também naquele ano, que o PT tinha associação com o PCC em São Paulo e chamou Lula de “fujão” e “covarde” por não aparecer em um debate após as primeiras reportagens sobre o mensalão e por uma suposta negociação, por petistas, de um dossiê contra ele e José Serra. E o que Lula disse de Alckmin? “O Brasil sabe muito bem quem deixou São Paulo refém do crime organizado. E os paulistas sabem quem mandou engavetar mais de 60 CPIs para que seu governo não fosse investigado”, acusou Lula no horário eleitoral, para derrotar o hoje, para ele, “Santo Alckmin”.

Montesquieu passou um tempo entre os salões literários em Paris, os estudos e o cargo na Câmara, além da atividade de escritor, mas deixou tudo isso para se dedicar exclusivamente aos livros. A fim de estudar o sistema político inglês, foi morar na Inglaterra por dois anos. Em seu retorno escreveu “O Espírito das Leis”, considerado a sua obra-prima. Um livro de grande sucesso.

Nesse livro, Montesquieu explicou as leis humanas e as instituições sociais. Definiu três tipos de governos: os republicanos, os monárquicos e os despóticos. Além disso, organizou um sistema de governo contra o absolutismo e idealizou o Estado regido por três poderes separados, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Montesquieu não ensinou a roubar, como Lula e Alckmin, segundo eles próprios se acusaram a vida inteira em busca do poder. Dá nojo retratar o jantar deles ontem: uma imoralidade triunfante. Almas rijamente temperadas pelo zelo da coisa pública devem tremular em seus túmulos. Lula e Alckmin formam um par perfeito da excrescência.

Comida sem sal – O PT também já atacou Alckmin, que pode ser o vice na chapa de Lula. Em 2016, a bancada petista da Assembleia Legislativa de São Paulo chamou Alckmin e o PSDB de “hereges dissimulados”, em uma nota sobre denúncias de propina levantadas na Operação Lava-Jato. Já em 2014, durante um comício do PT em São Paulo, Lula chamou Alckmin de “picolé de chuchu” e “insosso” por, segundo ele, ser omisso aos problemas dos paulistas. “Não é à toa que esse governador tem apelido de picolé de chuchu. É insosso, como se fosse comida sem sal. Nunca fala de nenhum problema do Estado, nunca responde por nada”, disse o ex-presidiário.

Irrigada pelos túneis do Metrô – O PT e Lula foram cruéis com Alckmin. Quando estourou as denúncias de propina na operação Lava Jato envolvendo o ex-governador de São Paulo, tenazmente combatido pelos petistas na Assembleia Legislativas, uma nota da bancada, com o crivo de Lula deu o que falar: “Todo Santo do pau oco como Alckmin adora um buraco. Há 30 anos a dinastia do PSDB em São Paulo vem sendo irrigada pelos túneis do Metrô. É herege dissimulado, discursa como paladino da moralidade, ludibria a opinião pública, sustentado na blindagem construída ao longo do tempo”.

Repertório imenso – Além da troca de ataques mútuos entre os dois personagens, que disputaram a Presidência da República em 2006, Lula e Alckmin também terão que deixar no passado as investidas de aliados do ex-presidente, hoje divididos em relação às conversas — afinal, o repertório de ataques é extenso. Em um passado não tão longínquo, denúncias de fraudes em obras viárias, relatadas por empreiteiras em acordo de leniência, abasteceram as declarações de parlamentares que faziam oposição ao governo do tucano.

A voz operária – O Partido da Causa Operária, que está com Lula, soltou uma nota, ontem, contra Alckmin na vice do petista: “Geraldo Alckmin é o candidato que a burguesia quer impor na chapa de Lula. Um suposto vice para ser igual a Michel Temer (MDB). Um vice que apoiou o golpe contra Dilma, apoiou o festival de injustiça e corrupção da justiça brasileira, não teve nenhuma solidariedade ao Lula quando este foi atacado em sua Caravana e preso em 2018. Geraldo Alckmin apoiou os ataques do governo golpista de Temer à classe trabalhadora e seu partido aprovou a maioria dos projetos de Bolsonaro no Congresso”.

Na jugular – Depois de 33 anos militando no PSDB, que lhe deu quatro mandatos de governador de São Paulo, maior contraponto às políticas do lulupetismo, Geraldo Alckmin se despediu da legenda na semana passada. Presidente nacional tucano, o ex-deputado pernambucano Bruno Araújo não fez o menor esforço para mantê-lo nos quadros do partido, até porque sabia das suas intenções de sujar as mãos com o PT e Lula. E, numa tirada irônica, inteligente, assim reagiu: "Torço muito para que Alckmin não use seu nome para tentar limpar a história do PT".

CURTAS

Indigestão – Para atenuar os efeitos negativos, o jantar do escárnio, reunindo Lula e Alckmin, ontem, em São Paulo, num restaurante da elite, se agarrou no conceito de obra social e arrecadou doações para a campanha Tem Gente com Fome, liderada pela Coalizão Negra por Direitos. O ex-prefeito Fernando Haddad (PT), a deputada federal Margarete Coelho (PP-PI), o vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM) e o próprio Alckmin estão entre os doadores.

Doações – Outro doador de peso para a campanha foi o banco BTG Pactual que repassou R$ 50 mil, um grupo de cartórios de registradores civis, protestadores de título e tabelião de notas, também doou a mesma quantia. Os restaurantes Fuego e ‘A Mano doaram R$ 5 mil para a ação social. De Pernambuco, estiveram por lá o governador Paulo Câmara, o prefeito João Campos e o senador Humberto, mas não revelaram se fizeram alguma doação.

Perguntar não ofende: Lula e Alckmin são unha e carne?

 


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Sérgio Ricardo Claudino Patriota

Tudo querendo volta a cena do crime. vão tudo pro inferno!!!!

Sérgio Ricardo Claudino Patriota

Se gritar \"pega ladrão\", não fica nem os eleitores dessa corja. até eleitor desses lixos são ladrões finos!!!

Joao

Excrescência é ler todos os dias as viúvas e os desiludidos bolsoidiotas postarem tantas idiotices, neste quesito o blogueiro se supera. Como perguntar não ofende: o blogueiro e os lambe-botas de PE são unha e carne?

Wellington Antunes

E sobre a vergonha nacional da perseguição aos servidores da Anvisa? Nenhuma nota nesse blog? Esconda não, Magno,! Isso é feio.

Wellington Antunes

Pelo visto o blogueiro defende um vice para Lula vindo do Partido da Causa Operária, ataca a chapa LulAlckmin, .quer ser puro e lembra aquele tiozão isentão, mas nunca escreveu um monossílabo criticando Bolsonaro junto com o Centrão.




18/12


2021

Coluna do sabadão

Fundão do escárnio

Por Houldine Nascimento, repórter do Blog

A última sessão do Congresso em 2021 foi tristemente marcada pela derrubada do veto aos R$ 5,7 bilhões para o fundo de financiamento de campanhas eleitorais em 2022. A quantia vultosa está prevista no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Em um país com milhões de famintos e desempregados, o Parlamento se uniu para manter os recursos do que promete ser a campanha mais cara de todos os tempos. A análise foi feita primeiro na Câmara, que deu 317 votos contrários ao veto, enquanto 146 deputados se posicionaram pela manutenção. No Senado, 53 parlamentares votaram pela derrubada e apenas 21 contra.

Os partidos do centrão – PP, Republicanos e PL, ao qual o presidente Jair Bolsonaro se filiou recentemente – defenderam a queda do veto. Principal sigla de oposição ao Governo, o PT também votou pela derrubada, assim como DEM, MDB, PCdoB, PDT, PSB, PSDB e Solidariedade. Ou seja, da esquerda à direita houve apoio ao fundão.

Apenas Novo, Podemos, PSL e PSOL orientaram suas bancadas para que mantivessem o veto. Quando comparado às eleições de 2020 (R$ 2 bilhões), o valor do fundo eleitoral do ano que vem será quase o triplo. A proposta do Ministério da Economia era de que R$ 2,128 bi fossem destinados para as campanhas, o que não foi aceito pelo Parlamento.

Dos deputados pernambucanos, apenas quatro foram favoráveis ao veto: Daniel Coelho (Cidadania), Pastor Eurico (Patriota), Raul Henry (MDB) e Túlio Gadêlha (PDT). Já André Ferreira (PSC), Felipe Carreras, Gonzaga Patriota (ambos do PSB) e Ricardo Teobaldo (Podemos) se abstiveram. A maioria da bancada (17 parlamentares) referendou o fundão.

Entre os senadores que representam o Estado, somente Humberto Costa (PT) votou contra o fundo eleitoral, contrariando a orientação do próprio partido. Em contrapartida, Fernando Bezerra Coelho (MDB) registrou voto em prol do fundão. Jarbas Vasconcelos (MDB) não votou.

Novo aciona STF – O Partido Novo prometeu acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o fundo eleitoral de R$ 5,7 bi. "Entendemos que há vícios na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) no que diz respeito à fórmula de cálculo do Fundo Eleitoral e, principalmente, quanto à competência do Legislativo em definir arbitrariamente esse valor, por isso decidimos recorrer ao STF contra mais esse 'presente de Natal' imoral que os parlamentares se deram", destacou a sigla em nota.

Absorventes vetados – No Congresso, houve tempo e dinheiro para confirmar o fundão eleitoral, mas não para analisar o veto ao projeto de distribuição gratuita de absorventes. Autora da proposição, a deputada federal Marília Arraes (PT-PE) lamentou a retirada de pauta. “Notícia triste e grave. Mas nós jamais iremos desanimar. Só vamos parar quando derrubarmos o veto 59! Queremos as mulheres do Brasil vivendo com dignidade”, publicou nas redes sociais.

Pela anulação ­– O ex-ministro e pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, ingressou no STF ontem com um pedido de habeas corpus para anular os efeitos da operação Colosseum, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (15). A defesa do pedetista é liderada pelo advogado pernambucano Walber Agra. A peça robusta alega que a decisão judicial autorizando a busca e apreensão “foi soerguida apenas com base nos termos de delação premiada”. Além disso, traz uma nota de juristas em desagravo a Ciro e ao ex-governador Cid Gomes, que também foi alvo.

Descaso – O vereador Fabiano Paz (PSB) foi às redes sociais denunciar a dificuldade que moradores de Paulista (PE) estão enfrentando para marcar consultas na rede pública. Um aviso em frente a uma unidade de saúde alertava que todas as vagas de dezembro foram preenchidas e que as marcações serão retomadas apenas em fevereiro de 2022. O legislador teceu críticas à atual gestão: “É isso que esse desgoverno vem tendo com o povo de nossa cidade. Perto de completar um ano de gestão, o prefeito Yves Ribeiro (MDB) e sua equipe vêm provando que não têm capacidade de gerir nosso município.”

Homenagem – O Partido Liberal reverenciou o presidente estadual da sigla e prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, pelo fato de a cidade ter sido premiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) devido ao Jaboatão Prepara, um programa que oferta aulas a estudantes do 9º ano visando à aprovação nos vestibulares das escolas técnicas estaduais e federais. A sigla homenageou o gestor com outdoors em referência ao prêmio, o segundo consecutivo que o município pernambucano recebe da ONU.

CURTAS

Cobrança – O vereador Alcides Cardoso (DEM) cobrou da Prefeitura do Recife a divulgação do cronograma de entrega de tablets a alunos da rede municipal de ensino: “A Prefeitura precisa informar o quanto antes quando os tablets estarão nas mãos dos estudantes recifenses depois de tanta espera, datas anunciadas e não cumpridas.”

Prestação – Pré-candidata a uma vaga na Câmara Federal, a deputada estadual Teresa Leitão (PT) realiza hoje, às 15h, a prestação de contas do seu mandato. O evento ocorre no auditório do Senac, na Av. Visconde de Suassuna, nº 500, em Santo Amaro, área central do Recife.

Perguntar não ofende: Até quando o Congresso vai legislar de costas para o povo?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Arcoverde janeiro 2022 - 2


17/12


2021

Coluna da sexta-feira

PT cai na real das federações

Alternativa da volta das coligações camufladas na eleição proporcional em 2022, em razão da proibição formal das alianças, as federações partidárias estão na mesa de negociações. Trata-se de um escape para salvar o mandato de muitos deputados federais e estaduais que se encontram filiados a partidos com dificuldades de formar uma chapa competitiva.

O Diretório Nacional do PT deu autorização formal para sua Executiva discutir uma federação partidária com PSB, PC do B, Psol e PV. O resultado não garante que a federação será consumada. Pode não haver acordo com as demais legendas, por exemplo. Caso os dirigentes petistas e das demais siglas interessadas se acertem, os termos precisarão ser analisados novamente pelo Diretório Nacional para que o PT efetivamente integre a aliança. Processo semelhante se dará nos outros eventuais federados.

As federações foram instituídas neste ano. Essas entidades servem para os partidos integrantes unirem seus desempenhos para eleger deputados e vereadores e superar a cláusula que regula acesso ao Fundo Partidário. Também unificam a atuação das legendas em instâncias como a Câmara dos Deputados. Além disso, uma federação pode ter apenas um candidato por vaga a cargo majoritário.

Ou seja: só um postulante a presidente para todos os partidos aliados, assim como apenas um candidato a governador por Estado. Ainda há resistência no PT em relação a se federar. Uma parte da sigla avalia que, com a aliança, a associação com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorrerá ao Planalto, elegeria muitos deputados de outras legendas. O atrelamento é nacional e dura no mínimo 4 anos.

O blog apurou que mesmo nos grupos resistentes houve votos a favor da resolução. Assim, seria possível ao menos ganhar tempo para avaliar a conjuntura enquanto as conversas se desenlaçam. O Tribunal Superior Eleitoral, na regulamentação, decidiu que é necessário registrar o estatuto da federação até 1º de março para que a entidade a ser formada dispute as eleições de 2022.

Os principais apoiadores de uma federação dentro do PT são figuras importantes da legenda. Por exemplo: a presidente, Gleisi Hoffmann, e o secretário-geral, Paulo Teixeira. Ambos são muito próximos de Lula. A prioridade do PT é a candidatura do ex-presidente. No fim, decidirá se federar ou não dependendo da avaliação que fizer sobre o efeito que isso teria na disputa pelo Palácio do Planalto.

Pragmatismo eleitoral – Ainda em relação às federações, o PT divulgou a seguinte nota: “O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores: Resolve iniciar conversações sobre Federação Partidária com PSB, PC do B, PSOL e PV, cabendo à Comissão Executiva Nacional do Partido conduzir este processo de diálogo para posterior decisão do DN, sobre eventual participação, a partir de um debate programático, esgotando o debate interno a partir da escuta às direções estaduais, municipais, observando os prazos definidos pela Justiça Eleitoral”.

Dinheirama do fundo – O novo dispositivo das federações não permite que as siglas integrantes tenham estruturas separadas de liderança no Legislativo, por exemplo. Mas possibilita que a burocracia partidária seja mantida com recursos do Fundo Partidário que seriam negados para algumas das legendas. PT e PSB não correm esse risco, mas PSol, PC do B e PV estão ameaçados pela cláusula de desempenho. Dificilmente atingiriam sozinhos o mínimo de votos em 2022 (2% dos votos para deputado federal). Com uma federação, podem manter acesso a esse dinheiro.

Equipe econômica – O governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República, João Doria (PSDB), apresentou, ontem, a equipe econômica que o acompanhará em sua campanha. O grupo é formado pelos economistas Henrique Meirelles, Ana Carla Abrão, Vanessa Rahal Canado e Zeina Latif. Para Doria, consertar o Brasil é criar empregos e acabar com a fome. Além disso, ele disse ser necessário tirar a “incompetência e substituir pela eficiência, colocando planejamento e gestão, ao invés de desmandos e corrupção”.

Caiu fora – O deputado Túlio Gadelha, da bancada do PDT na Câmara dos Deputados, anunciou, ontem, por meio de um vídeo postado em suas redes sociais, que deixará o partido para se filiar à Rede Solidariedade. “Nosso grupo político se movimenta com autonomia a partir da leitura que fazem do cenário político. A Rede é um partido fundamental para o Brasil, pelo programa, pela coerência, pelos quadros. Mas para continuar existindo, precisa ultrapassar a cláusula de barreiras em 2022. Em Pernambuco mais de mil pessoas estão se filiando. Essa é uma sinalização que iremos considerar em 2022”, afirmou.

Ratinho e a metralhadora – O apresentador Ratinho fez uma declaração polêmica na última quinta-feira, durante o programa Turma do Ratinho, na rádio Massa FM. Ele sugeriu que a deputada Natália Bonavides fosse "eliminada" com uma "metralhadora". A declaração foi feita ao comentar um projeto de lei que pretende tirar a expressão "marido e mulher" de certidões de casamentos civis. "Natália, você não tem o que fazer, não? Você não tem o que fazer, minha filha? Vá lavar roupa do teu marido, a cueca dele, porque isso é uma imbecilidade querer mudar esse tipo de coisa. Tinha que eliminar esses loucos? Não dá para pegar uma metralhadora, não?", disse o apresentador.

CURTAS

CORRUPÇÃO – O governador do Acre, Gladson Camelli (PP), foi alvo, ontem, de operação da Polícia Federal (PF). Ele é suspeito de operar um esquema de corrupção na cúpula do governo estadual. Segundo a investigação, os valores movimentados por ele e outros envolvidos ultrapassam R$ 800 milhões. O STJ determinou o bloqueio de R$ 7 milhões nas contas dos investigados e o sequestro de veículos de luxo. Todos os suspeitos tiveram o afastamento decretado pela Justiça.

PROIBIÇÃO – A Prefeitura de Olinda decidiu, ontem, proibir festas de réveillon na orla da cidade, na passagem de 2021 para 2022. O prefeito divulgou uma série de regras para as festividades e informou que haverá queima de fogos descentralizada, com dois pontos na praia, um no Sítio Histórico e outro no Alto Nova Olinda. O decreto proíbe a instalação de camarotes e toldos, bem como a utilização de mesas, cadeiras, caixas térmicas e caixas de som, ao longo da faixa de areia, do calçadão e da Avenida Ministro Marcos Freire/Beira Mar, da orla de Olinda.

Perguntar não ofende: Bolsonaro inicia o ano promovendo reforma ministerial por causa das eleições?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Serra Talhada 2021


16/12


2021

Coluna da quinta-feira

Zé Neto demonstra prestígio

Um dos auxiliares mais elogiados da equipe do governador Paulo Câmara, o secretário da Casa Civil, Zé Neto, reuniu toda a base governista, ontem, em Palácio, num beija-mão pela passagem do seu aniversário. Com forte DNA político, sendo sobrinho do ex-governador Joaquim Francisco, Zé Neto é um dos nomes cotados do PSB para entrar na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.

Conheço Zé Neto desde que ingressou na vida pública, nos anos 90, eu secretário de Imprensa de Joaquim, ele oficial de gabinete do governador. Ao longo desse tempo, não mudou nada. O poder nunca subiu à cabeça, embora seja poderoso. Continua simples, atencioso, trata da mesma forma todos os deputados, prefeitos e lideranças políticas que a ele recorrem para encaminhar demandas relacionadas aos municípios.

É, de longe, o mais educado e jeitoso do meio de campo da política governamental. Por isso mesmo, conquistou a simpatia de todos os deputados, até mesmo da oposição, assim como prefeitos que militam no campo contrário à cartilha socialista. Neto teve seu nome lançado a governador pelo líder do Avante na Câmara dos Deputados, Sebastião Oliveira, tão logo Geraldo Júlio sinalizou estar fora do páreo.

“Se depender dos deputados, o candidato é ele”, reafirmou Sebá, como é mais conhecido. O PSB só deve definir o seu candidato em janeiro, mas enquanto isso o que se observa nos bastidores é uma forte torcida pelo nome de Zé Neto. Ele deve disputar a indicação com os deputados federais Tadeu Alencar e Danilo Cabral.

Se o critério a voz das bases prevalecer, sobretudo a opinião dos deputados e prefeitos do PSB, Zé Neto levará uma nítida vantagem. Além de experiente gestor – antes da Casa Civil passou em outras pastas, como Administração, Fazenda e Planejamento – tem envergadura política e couro de elefante para o enfrentamento com a oposição.

Pressão sem volta – Senadores próximos a Fernando Bezerra tentaram, ontem, convencê-lo a desistir da entrega do cargo de líder do Governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Tiveram conversas com ele ao longo do dia argumentando que a derrota pela vaga do Senado no Tribunal de Contas da União não interferia na imagem do senador como articulador do Planalto. Mas FBC não recuou da decisão, passando Carlos Viana (PSD-MG) e Marcos Rogério (DEM-RO) a serem os nomes mais especulados para substituir o senador pernambucano.

Mostrando as provas – A economista aposentada Maria Eduarda Marques de Carvalho prestou um novo depoimento à Polícia Civil, sete dias após o inquérito que investiga as denúncias de agressão, ameaças e estupro contra o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, ser concluído e remetido ao Ministério Público. O depoimento a respeito das denúncias contra o ex-marido foi realizado na Delegacia da Mulher de Paulista. Foi lá que as delegadas Jéssica Ramos e Fabiana Ferreira instauraram o inquérito para apurar a violência doméstica de que Maria Eduarda relatou ter sido vítima.

Duelo 1 – O pré-candidato à presidência Sérgio Moro (Podemos) chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “mentiroso” e disse que a Lava Jato “salvou” a Petrobras. Segundo o ex-juiz, o que prejudicou a empresa e o País foi a “roubalheira durante o governo do PT”. As declarações foram feitas, ontem, em vídeo publicado nas redes sociais.  Moro rebateu a afirmação do petista de que ele e o ex-procurador Deltan Dallagnol são “chefes de quadrilha”, responsáveis pelos prejuízos econômicos ao Brasil.

Duelo 2 – “O objetivo [de Moro e Deltan], além de me tirar das eleições de 2018 como aconteceu, era também o de desmontar toda a estrutura da Petrobras, que era a empresa que mais fazia investimentos do Brasil. Tentaram acabar com a indústria de óleo e gás. Tentaram acabar com a regulamentação envolvendo o petróleo para o povo brasileiro e acabaram com a indústria de engenharia do país. Esse processo que me levou à prisão gerou 4 milhões e 400.000 desempregos no Brasil. Esse processo que me levou à prisão efetivamente gerou um prejuízo de investimentos de 272 bilhões de reais e fez com que os estados deixassem de arrecadar 58 bilhões de reais. Tudo isso já está provado e denunciado”, disse Lula.

Abraço da morte – Depois de mais de 30 anos atuando no PSDB, sendo uma das mais expressivas lideranças da legenda, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, dá adeus aos tucanos e no próximo domingo, numa boca livre com Lula em um dos restaurantes mais caros da capital, se abraça ao ex-presidente. É candidato a vice. Pode ser o abraço da morte. Quatro vezes governador do maior Estado brasileiro, Alckmin lidera toda as pesquisas de intenção de voto para voltar a governar São Paulo, mas prefere se abraçar ao líder da era que o País mais teve escândalos, do mensalão ao Lava Jato.

CURTAS

TRAÍRA – Se o presidente Bolsonaro tivesse agido de forma correta com o seu líder no Senado, Fernando Bezerra Coelho, teria o aconselhado a desistir da disputa pela vaga no TCU, percebendo que não teria chances. Mas fez ao contrário. O apunhalou pelas costas, deveria e mandou os senadores da sua base votarem maciçamente no senador mineiro Antônio Anastasia (PSD), eleito com 52 votos.

REAGE, JOEZIL! – Depois da perda do meu amigo Samir Abou Hana, sexta-feira passada, antecipei, ontem, com profunda tristeza, neste blog, o quadro grave do jornalista Joezil Barros, que está entubado numa UTI no Recife em razão de uma embolia pulmonar. Devo meu ingresso no jornalismo a Joezil. Foi ele que me acolheu na redação do Diário de Pernambuco quando ali aterrissei na condição de estagiário nos anos 80. Oremos pelo restabelecimento da sua saúde.

Perguntar não ofende: Fernando Bezerra rompe com o Governo depois de entregar a liderança no Senado?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Joao

O abraço da morte é dado no hoje no cínico Moro, não apenas pelos menos instruídos que se enganaram com o acéfalo, mas também pelas viúvas e desiludidos deste, aqui incluídos jornalistas, blogs e blogueiros!


SESC - Férias de Janeiro


15/12


2021

Coluna da quarta-feira

Bolsonaristas elegeram Anastasia

Na disputa, ontem, pela vaga no Tribunal de Contas da União, o senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho (MDB) não teve o apoio da própria bancada governista que liderou na Casa. A esmagadora maioria dos senadores governistas no Senado votou no senador mineiro Antônio Anastasia (PSD), eleito com 52 votos dos colegas da Casa. FBC teve apenas sete votos quando a mídia nacional contabilizava entre 35 a 36.

Sofreu uma derrota acachapante para o próprio Governo. Sabendo antecipadamente das chances mínimas do aliado, o presidente Bolsonaro deu ordens à sua bancada para descarregar os votos em Anastasia. Foi a saída que encontrou de última hora para evitar a vitória de Kátia Abreu (PP-TO), apoiada ostensivamente pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que já cantava de galo, blefando que elegeria Kátia.

Fernando só não desistiu porque seria pior. Além disso, acreditou na palavra empenhada de grande parte. Mas em eleição secreta, para trair basta coçar. E foi o que ocorreu. Ficou claro, ao longo da campanha, que não houve um mínimo de esforço de Bolsonaro para eleger FBC. Uma só declaração saiu de sua boca nem tampouco do filho, o senador Flávio Bolsonaro, que deve ter votado em Anastasia.

Desde o início, Fernando sabia das dificuldades da sua eleição em razão do noticiário adverso de que se tratava de um candidato respondendo a processos. Como estratégia, chegou a apresentar certidões negativas para dar a volta por cima, mas já era tarde. Anastasia, além de ter sido governador de Minas, o segundo maior colégio eleitoral do País, é muito querido entre os colegas de parlamento.

Por fim, foi o que fez o melhor discurso antes da votação, o que deve ter influenciado o voto de senadores indecisos. Com mandato a vencer em 31 de dezembro de 2022, Fernando Bezerra, ao ter o sonho arquivado para o TCU, pode rever, a partir de agora, a estratégia de se dedicar apenas à campanha do filho Miguel a governador.

Para não ficar sem mandato, é possível que saia candidato a deputado federal, mesmo já tendo priorizado a reeleição do filho, o deputado Fernando Filho (DEM).  Político experiente e sabido, FBC pode ter encontrado, também, o caminho para o filho, na corrida ao Palácio das Princesas, se vincular a um candidato de terceira via para presidente, provavelmente o ex-juiz Sérgio Moro, que desponta como o mais forte entre os eleitores que não querem nem Lula nem Bolsonaro.

Sem votos na bancada – Na bancada de Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos votou em Anastasia declarando sua posição em público. Já Humberto Costa (PT), para derrotar Bolsonaro, se aliou a Renan Calheiros, votando em Kátia Abreu. No caso de uma eventual vitória de FBC, o que passou longe, quem assumiria sua vaga era o ex-presidente do PV, Carlos Augusto, que já foi genro de Jarbas e com ele ainda tem uma relação muito próxima.

Duplamente premiado – O prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), está ancho da vida. Recebeu em Dubai, um prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) na condição de único município brasileiro. Foi em reconhecimento ao trabalho na área de Educação, sendo a segunda vez seguida. Em 2019, a premiação se deu pela United Nations Public Service Awards, dirigida a iniciativas públicas que promovam ações de destaque nas áreas de direitos humanos e erradicação da pobreza. O programa eleito como o melhor do mundo na categoria “Emprego Digno e Crescimento Econômico” foi o Coleta Seletiva, desenvolvido pela Prefeitura em sua gestão.

Casoy na CNN – A CNN Brasil assinou contrato com o jornalista Boris Casoy, de 80 anos. Ele atuará como comentarista no canal de notícias a partir do dia 10 de janeiro no quadro Liberdade de Opinião, do programa CNN Novo Dia, informa a coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo. Antes, o quadro era apresentado por Alexandre Garcia, demitido após defender o chamado 'tratamento precoce' contra a covid-19. Ainda de acordo com a coluna, a CNN Brasil nega que Casoy será o substituto de Garcia, embora o jornalista vá assumir o mesmo posto de comentarista ocupado pelo ex-funcionário.

Saindo do preju – As organizações Globo reverteram o prejuízo de R$ 114 milhões registrado no primeiro semestre deste ano e obteve lucro de R$ 142 milhões no terceiro trimestre.  A receita líquida da empresa de mídia saltou 19% na comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a R$ 3,7 bilhões - o melhor resultado da companhia para o trimestre nos últimos quatro anos. O site Poder360 mostrou que a TV Globo voltou em 2021 a ser contemplada com a maior fatia do investimento de publicidade estatal federal da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto: R$ 19,5 milhões investidos em 2021, o que corresponde a 10% do total de R$ 191,3 milhões investidos neste ano.

Clodoaldo no PT – Com cartão vermelho no PSB, o deputado estadual Clodoaldo Magalhães, primeiro-secretário da Alepe, já recebeu vários convites de partidos para disputar um mandato para Câmara dos Deputados, como pretendia na atual legenda e lhe foi negado esse direito. Tranquilo e sem pressa, está avaliando seu futuro, mas parece o que o PT tende a ser o caminho natural até pelas condições favoráveis na competição para arrebatar o mandato federal.

CURTAS

BOA NOTÍCIA – Com aprovação de 70%, segundo pesquisa do Opinião, a prefeita de Surubim, Ana Célia (PSB), foi ontem a Brasília reforçar a mobilização da Confederação Nacional dos Municípios com vistas a realização de uma nova marcha na corte e de lá voltou com uma boa notícia: uma emenda de R$ 2 milhões para investir em saúde, ação do deputado Danilo Cabral.

HOMENAGEM – O ex-senador Armando Monteiro (PSDB) recebeu, ontem, em Brasília, homenagem do Sebrae por sua contribuição para a criação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que completou 15 anos. A cerimônia reuniu, entre outras autoridades, deputados, senadores e empresários de vários setores. À frente da CNI, Armando teve atuação de destaque na implementação da lei que criou o Simples Nacional.

Perguntar não ofende: Cadê a retomada das obras da ferrovia Transnordestina anunciada pelo ministro Tarcísio Freitas?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Joao

Realmente o blog é o blogueiro está no time dos lambe-botas. Até na hora que o candidato do acéfalo perde, ele enaltece os bozolóides. A imparcialidade foi jogada no LIXO!


Bandeirantes novembro 2021


13/12


2021

Coluna da segunda-feira

Samir se eterniza

Ao chegar ao Recife nos anos 80, tangido pela seca do Pajeú no último pau de arara da canção de Luiz Gonzaga, uma voz na então Rádio Globo, em tom grave e profundamente encantadora, me despertou atenção. Dava conselhos aos jovens, batia nos maus políticos, reclamava dos gestores malfeitores e encerrava o programa com um quadro bem meloso para agradar as vovozinhas, um dos universos de ouvintes mais fiéis.

Seu nome era esquisito, mas com o tempo aprendi: Samir Abou Hana. Quando o conheci, tomei um susto: nariz de tucano, traços de turco e uma peruca super esquisita. Não imaginava que, dez anos depois, o libanês entrava na minha vida e o sertanejo na vida dele. O que nos uniu e criou um elo até a sua morte foi a campanha vitoriosa de Joaquim Francisco a governador - eu na coordenação da Imprensa, ele no guia eleitoral do rádio.

Na edição e produção do guia, Samir quebrou um paradigma: assessorado por pai e filho – os cabelos brancos do publicitário Antônio Carlos Vieira e a juventude aguerrida e criativa de André Gustavo Vieira. Em vida, o inquieto comunicador de massas foi responsável por uma geração de ouro do rádio, de gente que bota a boca no trombone e de talentos que produzem no anonimato. Eu fui conquistar Brasília; Samir ficou preso às raízes, fiel ao seu público incontável de ouvintes e admiradores.

O que nos uniu, mais uma vez, bem mais na frente, foi o rádio. Sequestrei Samir para comentar no Frente a Frente, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio há 14 anos. Ao longo desse tempo todo, sua voz foi a mais frequente, a mais ouvida, a mais comentada, a mais esperada, a mais aplaudida e mais cobrada pelos ouvintes. Falava de tudo, dos problemas da cidade às questões da politica nacional.

Falava também de música no quadro Sextou, que traz celebridades da MPB às sextas-feiras. Perfeccionista inveterado, Samir se prendia a detalhes da sua fala. Quando não gostava, pedia para gravar novamente. Já sem programa diário produzido e conduzido por ele, como fez a vida inteira, se deleitava no Frente a Frente, sua última tribuna em defesa do povo injustiçado na sua longa, rica e bem sucedida carreira.

Samir Abou Hana não está mais entre nós. Na última sexta-feira, já no cair da tarde, quando o sol se despede no horizonte sob o silêncio da mata e chama a lua para iluminar a noite, Deus o convocou para dar ternurinhas no céu. Foi a segunda voz que Deus deixa ouvintes órfãos no Frente a Frente. Antes dele, o criador do universo convocou Edvaldo Moraes, o maior bocão da cidade. Dá duro neles, Edvaldo Moraes, era o seu jargão. O jargão de Samir se perpetuou em ternuras.

Era a ternurinha que mandava para ouvintes ao final dos seus programas. Ternura é carinho, meiguice, a forma de Samir dizer que gostava ou admirava alguém. Samir era também, na radiofonia brasileira, o secretário da cidade, cargo vitalício dado pelo povo em retribuição a sua voz firme e corajosa em defesa dos problemas da gente humilde, dos que não têm voz, dos desamparados, dos humildes de coração, dos esquecidos pelos poderes públicos.

O que o homem vira quando vai embora daqui para a eternidade? Uns viram pó. Outros caem igual estrela do céu. Outros só viram a esquina. E tem aqueles que nunca vão embora. Ficam na nossa eterna lembrança. Samir é uma dessas criaturas. Samir não morreu. Quem é bom, generoso, alma limpa, nunca morre. O aperfeiçoamento prossegue em toda parte. A vida renova e eleva os seus quadros múltiplos, conduzindo-o, vitorioso e belo, à União suprema com a Divindade.

Vinicius de Moraes, o poetinha, disse que poderia suportar, sem dor, que morressem todos os seus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os seus amigos. Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração, assim falava a canção da América, assim cantou Milton Nascimento. Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes.

Samir era assim, uma dessas figuras abençoadas que Deus colocou no mundo só para fazer o bem. Pensador e filósofo chinês, Confúcio nos ensinou: Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo. Samir é um exemplo para todos nós de boa imitação da vida, um homem perto da virtude: firme, paciente, simples, natural e tranquilo.

O adeus mais difícil – O prazer dos grandes homens consiste em poder tornar os outros felizes. Samir fez muita gente feliz: sua esposa Edvilma, seus filhos Paulo, Romero, Cristina e Verônica, seus oito netos e uma legião de gente que teve o privilégio da sua convivência, como eu. Difícil dizer adeus a Samir, mas fica o conforto de que a vida me ensinou a dizer adeus as pessoas que amo sem tirá-las do meu coração. Adeus, Samir! Fica comigo a certeza de que a cada chamado da vida, o coração deve estar pronto para a despedida e para novo começo, com ânimo e sem lamúrias. Aberto sempre para novos compromissos. Dentro de cada começar mora um encanto que nos dá forças e nos ajuda a viver.

A queda fatal – Nos últimos dias, Samir não estava muito ligado ao celular. Quando não atendia, o que era muito frequente, o encontrava pelo fone da esposa Edvilma, sua alma gêmea, doce e encantadora. Foi com ela que falei, no último dia 2, dia da queda que acabou roubando a sua vida de Samir uma semana depois. “Samir não pode atender agora, Magno. Estou levando-o ao hospital”, me contou, sem entrar em detalhes. Imediatamente, liguei para Paulo Abou Hana, meu amigo, filho do comunicador, que contou, extremamente preocupado, o que havia de fato ocorrido.

A morte – A partir daí, foram dias de angústia e aflição. Por cinco dias seguidos, Paulo Abou Hana trazia um boletim no Frente a Frente com o quadro do pai. Na queda, Samir caiu com a cabeça no chão, teve traumatismo craniano e ainda saiu com uma forte lesão na bacia e no fêmur. Foi intubado no hospital Hapvida, muito bem cuidado por sinal, segundo a família testemunha. Paulo chegou a dar boas notícias de reação do estado clínico do pai, mas sexta-feira passada veio o pior: Samir sofreu três paradas cardíacas seguidas, vindo a falecer. A notícia, dolorosa, com um filho chorando ao telefone, foi dada a mim pelo próprio Paulo.

O último Frente a Frente – A despedida de Samir no Frente a Frente foi no último dia 2, uma terça-feira. De Brasília, liguei para ele comentar o ingresso do presidente Bolsonaro no PL, o Partido Liberal. Depois, falou de carnaval – falava de todos os assuntos, era plural. Foi quando chamou de ideia de jerico a dos gestores estaduais e municipais que insistiam em promover o Carnaval em meio a uma nova cepa na pandemia. Sua última ternurinha, que mandava todos os dias ao final do programa, foi, segundo definiu, para os cabeças pensantes que já haviam cancelado o Carnaval.

Na telinha da Globo – Samir morreu profundamente desapontado ao seu “arquivamento” profissional imposto pela grande mídia estadual. A TV Globo ainda chegou a fazer um especial com a chamada de “Secretário da Cidade”, produzido, conduzido e editado pela competente Mônica Silveira. Lindo e emocionante, retratou as benfeitorias que o comunicador conseguiu para o Recife e sua paixão pela cidade. Que tal, Jô Mazzarolo, diretora-geral da Globo, a reapresentação do especial? Fica a sugestão.

CURTAS

Avenida – Extremamente abalado com a morte de Samir, o empresário José Carlos Pinga, responsável pelo recorde de shows de Roberto Carlos no Brasil, me ligou, ontem, de Salvador, para cobrar dos vereadores do Recife a proposição de um logradouro na cidade com o nome do comunicador. “A Avenida Norte poderia ser Avenida Samir Abou Hana”, sugeriu.

Homenagem – O Frente a Frente de hoje, com brilhante sonoplastia de Aldir Júnior, será dedicado a Samir Abou Hana. Gravado ontem, traz depoimentos de artistas nacionais, jornalistas que com ele trabalharam, amigos mais próximos e uma linda declaração sobre o legado do pai pelo advogado Paulo Abou Hana. Formado por 44 emissoras em Pernambuco, Alagoas e Bahia, o programa tem como cabeça de rede a Nova FM 98.7, no Recife. Mas pode ser ouvido pelo Blog clicando no botão Rádio, a partir das 18 horas. Imperdível!

Perguntar não ofende: Qual é o maior legado de Samir Abou Hana?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Pousada da Paixão


11/12


2021

Coluna do sabadão

Educação nas páginas policiais

Por Houldine Nascimento, repórter do Blog

A Polícia Federal (PF) bateu à porta do Governo de Pernambuco e de três prefeituras da Região Metropolitana, ontem, para investigar contratos suspeitos fechados com um grupo empresarial na Educação, uma área primordial para o progresso de qualquer cidade, estado ou país. Feita em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF), a operação Literatus apura crimes como contratação direta indevida, peculato (desvio de recursos públicos), corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 47 anos de prisão.

A análise dos órgãos sinaliza que os recursos utilizados para as transações vieram do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – cerca de R$ 44 milhões – e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) – R$ 32 mi. As investigações também apontam que o montante dos valores movimentados em contas das pessoas físicas e jurídicas do grupo empresarial beneficiado chegou a R$ 2,4 bilhões entre 2018 e 2020.

Segundo o MPF, as apurações indicam “possível superfaturamento na venda de livros e kits escolares a órgãos estaduais e municipais de Pernambuco, sobretudo em contratos firmados com a Prefeitura do Recife e com a Secretaria de Educação do Estado”. Conforme dados do portal Tome Conta, do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), uma das maiores negociações entre a empresa favorecida no esquema e a Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco foi firmada em 2019, quando Fred Amancio era o titular da pasta: o contrato nº 110/2019, de R$ 15,48 milhões, para aquisição de material bibliográfico.

Coincidência ou não, este ano, a Secretaria de Educação do Recife ­– sob o comando de Amancio – pagou notas de venda de R$ 6,88 milhões para a empresa que pertence ao grupo familiar investigado na operação. Segundo o próprio sistema financeiro da Prefeitura, a gestão João Campos (PSB) comprou à empresa materiais escolares. A pasta foi um dos alvos de busca e apreensão e o próprio secretário teve o celular apreendido, de acordo com informações extraoficiais obtidas por este Blog.

Também houve cumprimento de mandados nas Secretarias de Educação de Jaboatão e Paulista e em mais dois órgãos do Estado, incluindo o Detran. Quase R$ 100 mil em espécie foram apreendidos, segundo a PF. Ao todo, 75 policiais federais e oito auditores da CGU estiveram mobilizados na operação Literatus, cumprindo 19 mandados de busca e apreensão em dois Estados: além de Pernambuco, Rio Grande do Sul.

Além disso, a Justiça Federal atendeu ao pedido do MPF e proibiu que o Poder Público contrate ou renove contratos com quaisquer das pessoas jurídicas do núcleo empresarial e seus sócios por um prazo de 120 dias.

Respostas – A Secretaria de Educação de Pernambuco informou que “atendeu à solicitação para apresentação de documentos” e que “se coloca à disposição dos órgãos para contribuir com as investigações prestando todos os esclarecimentos necessários”. Nota semelhante emitiu a Secretaria de Educação de Jaboatão ao dizer que “está atendendo à solicitação para apresentação de documentos e, desde pronto, se mantém à disposição dos órgãos para realizar todos os esclarecimentos”. Já a Prefeitura de Paulista justificou que a operação “tem como objetivo a realização de buscas de empenhos e contratos relacionados à gestão anterior”.

Sem resposta – O Blog entrou em contato com a Secretaria de Educação do Recife para obter uma posição oficial da pasta acerca da operação Literatus. Além disso, solicitou uma resposta sobre o celular apreendido do secretário Fred Amancio (foto), mas não obteve retorno. O Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) também foi procurado, e não respondeu.

“Castelo de cartas” – A deputada estadual Priscila Krause (DEM) definiu a gestão de Educação dos governos do PSB como “castelo de cartas prestes a ruir”. Ela realçou que a Literatus é um desdobramento da operação Casa de Papel. “Não é de hoje que temos levantado que a área da Educação, assim como a da Saúde, é alvo da má gestão e da corrupção nas administrações sob o comando do PSB. A compra secreta de instrumentos musicais, o galpão de R$ 12,8 milhões no Cabo e os tablets da gestão João Campos são exemplos de que a educação das crianças e dos jovens tem na verdade servido para outros fins, contrários ao interesse público”, completou.

Perda – A morte do comunicador Samir Abou Hana, 79 anos, em decorrência de parada cardiorrespiratória, deixa uma lacuna na imprensa pernambucana. Ele estava internado em um hospital particular do Recife desde o último dia 3 devido a um acidente doméstico. O “secretário da cidade” – como era conhecido no meio – também deixou triste seus inúmeros fãs em razão de seu carisma. Nos últimos anos, Samir fazia comentários no programa de rádio Frente a Frente, ancorado pelo jornalista Magno Martins, titular desta coluna.

Lamento – Vários políticos lamentaram o falecimento de Samir Abou Hana. O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), chegou a destacar que o comunicador sempre defendeu os interesses da população e “construiu uma carreira exitosa”. Prefeitos também se manifestaram, a exemplo de João Campos (Recife), Miguel Coelho (Petrolina), Lupércio Nascimento (Olinda) e Anderson Ferreira (Jaboatão), além de parlamentares.

CURTAS

Despedida – A Câmara de Vereadores do Recife é o local do velório de Samir Abou Hana, previsto para ocorrer hoje. O horário ainda não foi definido. Já o enterro vai acontecer no Cemitério de Santo Amaro, área central da cidade. Samir deixou esposa, Edvilma, quatro filhos e oito netos.

Volta – A Jurandir Pires deve voltar em breve com um modelo híbrido (físico e digital). Há três fundos estrangeiros interessados na operação, conforme apuração do Blog. A empresa fechou as portas em julho deste ano e foi alvo de protesto de ex-funcionários por indenizações.  

Perguntar não ofende: O PSB vai fingir novamente que nada ocorreu diante de outra operação da PF?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha



10/12


2021

Coluna da sexta-feira

Governo não é para amadores

Próximo da virada do ano, o Governo Bolsonaro continua em baixa, com elevada rejeição e índices de aprovação medíocres. Nova rodada de pesquisa do instituto Poder Data, postada ontem no Poder360, do jornalista Fernando Rodrigues, aponta apenas 22% de aprovação contra 54% de rejeição. A mostra foi feita por telefone entre segunda e quarta-feira.

O PoderData separa os recortes da avaliação do trabalho de Bolsonaro por sexo, idade, região e escolaridade. Eis os destaques: sexo – 29% dos homens acham Bolsonaro “ótimo” ou “bom”; entre as mulheres, taxa é de 17%; idade – 35% dos que têm de 16 a 24 anos consideram o presidente “regular”; região – 64% do Nordeste dizem que Bolsonaro é “ruim” ou “péssimo”; no Sul, 28% o acham “ótimo” ou “bom”; escolaridade – 27% dos que cursaram até o ensino médio consideram o presidente “ótimo” ou “bom”.

Estratificando a pesquisa, nos recortes por idade, 44% dos que têm de 45 a 59 anos afirmam que a vida piorou; 40% daqueles com 60 anos ou mais acham que não mudou. Em relação à escolaridade, 43% dos que cursaram até o fundamental dizem que a vida não mudou, e 51% dos que têm ensino superior afirmam que piorou. Na região Sul, 47% dizem que a vida piorou depois de Bolsonaro.

No Centro-Oeste, a taxa dos que relatam melhora é mais alta: 33%. No Nordeste, 39% dos entrevistados disseram que a vida piorou com Bolsonaro, enquanto 25% afirmaram que melhorou. O Governo não reage porque a comunicação continua muito ruim. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, gere com mão de ferro uma área que não entende patavinas, nunca entrou numa redação de jornal e não entende que o mundo globalizado forçou a criação de um novo modelo de expressão na divulgação de ações governamentais.

Não se sabe absolutamente nada deste Governo, extremamente amador até na forma de vender o seu peixe. Quer um exemplo mais recente de uma grande trapalhada? O Governo assumiu a condição de coveiro do Bolsa Família, informando que o programa estava sendo extinto. A boa comunicação seria diferente: o governo diria que o Bolsa Família estava sendo revigorado em quantidade no atendimento de beneficiários e no aumento da ajuda, passando de uma média de R$ 230 para R$ 400.

Mas, não. O grande público contemplado entendeu que o Governo acabou com o Bolsa Família, o maior programa de distribuição de renda do País. Política e Governo são para profissionais, não para amadores.

OAB vergonhosa – Depois de um silêncio inadmissível, a OAB-PE se manifestou, ontem, com uma nota insossa, sem conteúdo e fajuta sobre o triste e lamentável episódio da agressão física e mental do ex-secretário de Direitos Humanos, Pedro Eurico, a sua ex-mulher Maria Eduarda Marques. Causa estranheza que a OAB ainda não tenha se manifestado sobre a instauração de processo ético disciplinar e a suspensão preventiva da carteira do advogado Pedro Eurico. Aliás, Eurico não é o primeiro advogado agressor de mulheres para a qual a OAB faz vista grossa. Um advogado que está indo a júri por feminicídio circula muito à vontade na instituição, onde faz parte de uma importante comissão. 

O fogo amigo – Quem está criando dificuldades para o deputado Clodoaldo Magalhães, primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, na tentativa de dar um voo federal é o fogo amigo na bancada federal. Danilo Cabral, por exemplo, alega que perdeu o apoio da família Hacker para Clodoaldo, subtraindo 20 mil votos para sua reeleição. Já Gonzaga Patriota alega que perdeu Bonito, município importante do Agreste. Menos oito mil votos no seu balaio da reeleição.

Prescrição – Na última terça-feira, o Ministério Público Federal reconheceu que o caso envolvendo o ex-presidente Lula e o triplex do Guarujá prescreveu. O processo com relação aos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro foi extinto. “No caso de prescrição, o Estado não pode mais questionar se foi crime ou não”, diz a professora de Direito e Processo Penal da FGV, Raquel Scalcon. Essa decisão serviu para acirrar o debate político de olho nas eleições de 2022. Lulistas e bolsonaristas estão do mesmo lado, no momento o alvo é um dos responsáveis pelo processo da Lava Jato, o ex-juiz, Sergio Moro.

O affair Pedro Eurico – A Polícia Civil concluiu um inquérito que apura denúncias de agressão e ameaças feitas pela economista Maria Eduarda Marques de Carvalho contra o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico. No entanto, o resultado das investigações não foi informado seguindo uma série de leis. Segundo a defesa da ex-mulher, o político foi indiciado por cinco crimes. O Ministério Público, por meio de nota, afirmou que recebeu o inquérito e que começou a analisar o caso. "O inquérito policial chegou, nesta quinta-feira (9), à Central de Inquéritos de Paulista e foi distribuído para a 7ª Promotoria de Justiça Criminal de Paulista, que já recebeu os autos e está sendo analisado", diz a nota.

A primeira mulher – O MDB lançou a senadora Simone Tebet (MS) como primeira pré-candidatura feminina para as eleições presidenciais de 2022. Até agora única mulher na corrida, Simone tem como desafio desvincular-se da imagem de “vice”, destinada a compor chapa com outro nome mais competitivo de acordo com as pesquisas de intenção de voto. Simone é filha do político Ramez Tebet (1936 - 2006), também senador, tendo inclusive presidido a Casa entre 2001 e 2003. Ela tem 51 anos e já foi deputada estadual, prefeita e vice-governadora em seu Estado, o Mato Grosso do Sul. É casada com o deputado estadual Eduardo Rocha (MDB), com quem tem duas filhas.

CURTAS

DESCASO – Uma parte do forro da entrada da recepção da emergência pediátrica do Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife, desabou na manhã de ontem. Duas placas de gesso, que eram sustentadas por arrames, caíram em uma das entradas do local. Ninguém ficou ferido. O Hospital da Restauração é a maior emergência das regiões Norte e Nordeste, referência em casos de queimaduras graves, intoxicação, ataques por animais peçonhentos, vítimas de violência e acidentes de trânsito.

A RAZÃO– A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu nota técnica, ontem, confirmando a hipótese de que uma espécie de mariposa causou o surto de lesões que causam coceira, registradas em ao menos 21 cidades pernambucanas. Esta também é a hipótese considerada pela Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde do Recife. No documento, eles afirmam que "o mistério está resolvido", já que foi comprovada a existência de cerdas liberadas pelas mariposas do gênero Hylesia nos exames feitos.

Perguntar não ofende: O governador Paulo Câmara vai manter o sócio de Pedro Eurico na Secretaria de Direitos Humanos?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Joao

Um ser humano falar que a vida melhorou com Bolsonaro, só pode ser: igualmente acéfalo, lambe-botas, seguidor de pastores imabcis ou empresário, estes sim, com ajuda de Paulo Guedes estão destruindo a CLT e os direitos dos trabalhadores, com isso lucrando mais. Os demais, são apenas gado!




09/12


2021

Coluna da quinta-feira

Prisão preventiva para Eurico!

Diante das agressões covardes do ex-secretário estadual de Direitos Humanos, Pedro Eurico, fui reler a Lei Maria da Penha. Em 2006, por 3 votos a 2, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que qualquer tipo de violência contra a mulher, prevista na Lei Maria da Penha, constitui crime de ação pública incondicionada.

Sendo assim, o ofensor que desrespeitar a mencionada alteração na legislação comete crime tipificado no Artigo 24-A da Leia Maria da Penha, podendo pegar entre três meses a dois anos de pena recolhido ao xadrez. Ouvido pelo blog, o advogado criminalista Cláudio Soares afirmou que tem sido uma rotina a prisão de pessoas humildes que violam a Lei Maria da Penha. Mas o agressor é uma pessoa pública bastante popular, atuando na política há mais de 40 anos.

Em seu disfarce, escondendo a sua verdadeira face violenta, Pedro Eurico chegou até a escrever um livro sobre Dom Hélder Câmara. Logo quem? O Dom da Paz! Que capacidade incrível de enganar esse senhor! Em seu depoimento para a TV Globo, a economista Maria Eduarda diz que procurou a delegacia para registrar dez queixas contra o ex-marido agressor, pedindo que a aplicação da chamada Lei Protetiva.

Incrivelmente, suas queixas não tiveram desdobramentos nem tampouco reação do Estado, do Judiciário, da OAB ou da Polícia Civil. Pedro Eurico, segundo ainda o depoimento da ex, estava obrigado, pela Lei Maria da Penha, em decisão judicial, a manter uma distância da residência dela de, no mínimo, 500 metros, mas lá esteve em várias ocasiões. Cometeu, segundo o advogado Cláudio Soares, um crime, desrespeitando ordem judicial.

Quando isso ocorre com pessoas comuns, a Justiça decreta de imediato a prisão preventiva, mas Eurico está solto. Maria Eduarda foi abusada várias vezes, segundo revelou. A delegacia que ela procurou não tomou nenhuma providência, mesmo diante de declarações chocantes envolvendo um secretário desequilibrado, sem postura, que agrediu uma mulher com chutes, pontapés e até com um instrumento contundente, que pode ser uma arma.

Dá para inferir, diante de tamanha omissão da Delegacia e da Polícia Civil, além do Ministério Público, que em Pernambuco só vai para a cadeia, numa violação à Lei Maria da Penha, pobre e preto. Sem o cargo de secretário, Pedro Eurico, é bom que se faça a ressalva, perdeu imunidade, virou cidadão comum e terá que responder ao crime que é acusado pela ex-mulher na Polícia Civil, sob investigação paralela do MP estadual. Isso acabará nas mãos de um juiz de Primeira Instância.

Pedro Eurico é advogado e neste caso, se a OAB resolver entrar no caso e não se omitir, como fez até agora, poderá sofrer um processo disciplinar culminando com a suspensão da sua carteira da instituição ou seu cancelamento definitivo. A OAB está diante de um episódio em que um associado agrediu uma mulher, violou a Lei Maria da Penha. No mínimo, se fosse séria, abriria uma ação pública incondicionada. Agredir mulher também tipifica crime inafiançável.

Oxalá as instituições reajam e mostrem para a sociedade que não têm medo da cara feia dos poderosos, para que o autor desse crime de violação da Lei Maria da Penha não fique impune.

Mulheres omissas – Neste affair Pedro Eurico o que chama atenção, igualmente, é o silêncio e a omissão das mulheres públicas, especialmente as deputadas. O Estado tem uma vice-governadora mulher, deputadas estaduais e uma mulher deputada federal, Marília Arraes, uma das mais votadas nas eleições de 2018. Tem, inclusive, uma parlamentar que se elegeu fazendo proselitismo em cima das bandeiras do mundo feminino, a estadual Gleide Ângelo. Omissão é um ato repugnante!

Psicopata – Enquanto as mulheres se omitem, o consultor Geraldo Cisneiros, que foi casado com Maria Eduarda e com ela teve dois filhos, bota a boca no trombone. Em entrevista, ontem, ao Frente a Frente, só não chamou Pedro Eurico de arroz doce. “É covarde, salafrário, um psicopata, uma pessoa sem dimensão, sem caráter, sem escrúpulos, um covarde. Ele que não encontre comigo no meio da rua e que não passe na porta da calçada do prédio da minha ex-mulher porque eu estou lá. Ele sempre viveu na sombra do poder sem ter poder", afirmou. 

Pau mandado –Segundo Geraldo Cisneiros, o sucessor de Pedro Eurico na Secretaria de Direitos Humanos, Eduardo Figueiredo, é sócio do ex-secretário num escritório de advocacia na capital pernambucana. "Isso é um desrespeito do governador com o povo. Esse Figueiredo é pau mandado de Pedro Eurico, que vai continuar mandando e desmandando na Secretaria de Direitos Humanos”, afirmou o consultor, para quem a estrutura da pasta poderá ser usada de forma abusiva por Eurico até durante a fase em que estiver respondendo pelo crime.

Sem festas – Em Pernambuco, mais de 100 cidades cancelaram as festividades de réveillon por causa da Covid-19. Além disso, ao menos 70 municípios decidiram não realizar festas de carnaval em 2022, também devido à pandemia. A lista foi divulgada, ontem, pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe). A instituição fez o levantamento junto aos 184 municípios do Estado, sem contar o distrito de Fernando de Noronha, administrado pelo Governo do Estado. No entanto, somente 116 prefeituras responderam aos questionamentos da associação.

Impeachment – O ex-ministro da Justiça, Miguel Reale Jr, e a cúpula da CPI da Covid protocolaram, ontem, um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (PL). “Não houve uma imprudência, não houve uma negligência, o que houve foi um caso pensado. Era um caso pensado, no sentido de não seguir o que a ciência determinava, o que a caridade determinava, mas sim o objetivo único de culpar os demais órgãos da administração”, disse o magistrado. Durante entrevista coletiva, Reale citou a defesa da cloroquina por parte de Bolsonaro e sobre como o presidente “agiu sempre em conspiração contra a vacina”. Ele destacou ainda a crise de oxigênio no Amazonas e o “morticínio da população indígena”.

CURTAS

Federações – O ministro Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, confirmou a validade das federações partidárias em decisão liminar (provisória) proferida ontem. A discussão será levada ao plenário virtual da Corte, que avalia incluir o caso na pauta do julgamento amanhã ou abrir uma sessão extraordinária. Barroso também fixou que as federações devem obter registro de estatuto até seis meses antes da eleição.

Promulgação – Após acordo entre a Câmara e o Senado, o Congresso promulgou, ontem, a Emenda Constitucional 113/2021, que muda as regras para pagamento de precatórios — dívidas do setor público reconhecidas pela Justiça. O novo dispositivo é fundamental para o governo viabilizar o Auxílio Brasil de R$ 400, em substituição ao Bolsa Família.

Perguntar não ofende: O governador Paulo Câmara nunca tomou conhecimento de que seu ex-secretário de Direitos Humanos batia na mulher?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha



08/12


2021

Coluna da quarta-feira

Sob o açoite da bajulação

Um secretário de Justiça e Direitos Humanos que bate em mulher não pode continuar no cargo. Honrando ao mandato que recebeu dos pernambucanos, o governador Paulo Câmara (PSB) aceitou, ontem, o pedido de exoneração de Pedro Eurico depois que a sua ex-mulher Maria Eduarda Marques fez denúncias de agressões físicas e mentais, por parte dele, ao NE-TV, da Globo. Foram revelações gravíssimas, que chocaram a sociedade e expôs o Governo. Não tinha como proceder diferente.

“Ele me batia, dava murro, dava chute. A vida inteira. Ele sempre me bateu”, revelou Maria Eduarda, adiantando que, apesar de ter tentado se separar, acabava retomando o relacionamento. Agora, resolveu falar com a imprensa, segundo ela, “com medo de morrer”. “Eu não tinha mais condições de continuar vivendo do jeito que eu estava vivendo, sendo ameaçada, sendo perseguida”, destacou.

No depoimento, chega a dizer que sentiu estar muito próxima da morte. “Por conta disso, resolvi falar para que não apareça depois apenas a notícia: ela morreu. Eu gostaria apenas de viver. Muita vontade de viver ainda”, declarou. Maria Eduarda contou, ainda, que Pedro Eurico vinha fazendo mais ameaças nos últimos tempos, com insinuações sobre o que poderia fazer com ela.

“Ele me acordava de madrugada dizendo que eu saísse de casa naquela hora porque ele tinha acabado de sonhar que me matava. Outro dia, ele dizia que ia acontecer um acidente, ia aparecer um acidente e ninguém ia desconfiar que era ele que tinha mandado fazer alguma coisa”, afirmou. Procurado pela TV Globo, o secretário preferiu não gravar entrevista.

Disse, em nota, que as "denúncias improcedentes de agressão datam de mais de 10 anos e muitas destas foram retiradas pela suposta vítima". E depois pediu demissão do cargo. Pedro Eurico de Barros e Silva é uma dessas figuras públicas que viveu a vida inteira à sombra do poder sem que se tenha explicações. Isso vem desde o Governo Arraes.

Antes de virar gestor, foi vereador do Recife e deputado estadual, chegando, pasmem, à presidência da Assembleia Legislativa no biênio 1995-1996. No segundo governo Miguel Arraes (1987 a 1990), comandou a Secretaria de Habitação. Na era Jarbas, comandou a Secretaria Estadual da Criança e da Juventude e já com Eduardo Campos foi para a pasta de Justiça e Direitos Humanos, onde estava até então. Um currículo rico, alcançado sob o açoite da subserviência e da bajulação, agora destruído com a rapidez de um castelo de areia.

A primeira surra – O relacionamento de Pedro Eurico com Maria Eduarda começou entre os anos de 1995 e 1996. Em março de 2000, antes do casamento, foi a primeira vez em que Maria Eduarda procurou a delegacia. “Foi quando ele me deu a primeira surra”, disse. No primeiro boletim de ocorrência, registrado na Delegacia da Mulher, em Santo Amaro, no Centro do Recife, a economista aposentada disse à polícia que Pedro Eurico tinha invadido a casa com outras pessoas com uma arma na mão, fazendo ameaças de morte. Ela fez exames no Instituto de Medicina Legal, que apontaram lesão provocada por instrumento contundente.

Na cola – Tão logo tomou conhecimento das denúncias de Maria Eduarda, o consultor Geraldo Cisneiros, que trabalhou por muito tempo com Sérgio Guerra e é amigo de Jarbas Vasconcelos, enviou ao blog declarações ameaçadoras a Pedro Eurico. Antes de conhecer o secretário, Eduarda foi casada com Cisneiros, com quem teve dois filhos que moram em São Paulo. Bufando de raiva, Cisneiros mandou o seguinte recado a Eurico: "Pedro, covarde! Estou na tua cola. Vou te procurar e tomar medidas drásticas. Minha proteção a Maria Eduarda será por 24 horas. Para tanto, estou me transferindo para casa dela. Caso você toque em pelo menos um fio de cabelo de Maria Eduarda saberás o que serei capaz de fazer".

Defesa 1 – Em nota, na qual pediu o afastamento do cargo, Pedro Eurico fez a seguinte defesa: “Com referência às acusações apresentadas por minha ex-esposa Maria Eduarda Marques de Carvalho, é importante esclarecer: As denúncias improcedentes de agressão datam de mais de 10 anos e muitas destas foram retiradas pela suposta vítima perante a Justiça. Estivemos casados inicialmente, no período de 27 de setembro de 2003 e nos divorciamos em 30 de abril de abril de 2008.  Ao longo dos últimos anos de convivência e de um novo casamento, realizado em 2012, cujo divórcio aconteceu em 08 de novembro deste ano, inexistem denúncias apresentadas pela senhora Maria Eduarda, causando estranheza o requerimento de medida protetiva justamente no período em que se discutia a possibilidade de uma dissolução consensual”.

Defesa 2 – E acrescenta: “Foge à realidade a acusação de tentativa de invasão do imóvel recentemente adquirido, haja vista que fui o responsável pelo pagamento da reforma do imóvel concluída exatos três dias antes da apresentação da denúncia perante a Polícia Civil do Estado e compareci ao apartamento inabitado para verificar a conclusão dos serviços. Nesta data, fui impedido de entrar no apartamento por minha ex-esposa devido a troca das fechaduras numa patente manobra patrimonial. Lamentamos as inverdades envolvendo minha vida pessoal, e exposição na imprensa em uma sórdida trama de interesse patrimonial”.

Jogou a toalha – Por fim, no final da defesa, o ex-secretário conclui que não há a mínima condição de continuar no Governo e entrega o cargo: “Diante desses fatos, decido me afastar do comando da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos buscando preservar a instituição e me dedicar à minha defesa e ao devido esclarecimento dos fatos, junto às autoridades competentes." Para o seu lugar, o governador Paulo Câmara nomeou, ontem mesmo, o secretário-executivo de coordenação e gestão da Secretaria de Direitos Humanos, Eduardo Figueiredo.

CURTAS

DEZ QUEIXAS – A economista Maria Eduarda Marques de Carvalho contou à TV Globo sobre a convivência com Pedro Eurico, iniciada entre 1995 e 1996. Ela relatou ter registado, ao longo dos anos, dez boletins de ocorrência devido a agressões físicas, perseguição e ameaças. A queixa mais recente foi feita, segundo ela, no dia 1º de novembro, quando o então secretário teria invadido o prédio em que ela está morando.

SEQUESTRO – Num dos depoimentos exibidos pela TV-Globo, a economista desabafa: “De 2000, desse momento [em que esteve na delegacia], até 2003, foi uma perseguição na minha vida, Infernal. Na minha e dos meus filhos. Ele ia mais cedo no colégio dos meus filhos, sequestrava meus filhos, levava para passear, ligava para mim dizendo que só devolvia quando eu ficasse com ele”.

Perguntar não ofende: Pedro Eurico não vai ser preso?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha



07/12


2021

Coluna da terça-feira

A nova UDN com Moro

Nome mais competitivo na viabilização da chamada terceira via presidencial em 2022, o ex-ministro Sérgio Moro, pré-candidato do Podemos ao Palácio do Planalto, pode se transformar como condutor da reedição no Brasil, 80 anos depois, da chamada UDN – União Democrática Nacional, movimento que teve seu início entre 1937 e 1945, contribuindo para o fim do Estado Novo.

Teve atuação destacada no Governo de Getúlio Vargas entre os anos de 1950-1954, ao qual fez uma contundente oposição. Além do antigetulismo, foram características marcantes da UDN a defesa do liberalismo e intervencionismo. Embora a frente política que formava a UDN fosse diversificada, era restrita basicamente à elite.

Faziam dela parte oligarquias que perderam poder e influência com a Revolução de 1930; antigos aliados de Getúlio que tinham sido alijados do poder; participantes do Estado Novo que se afastaram antes do fim desse período; grupos liberais com identificação regional e grupos de esquerda que buscavam oposição ao Governo de Vargas.

“Tem um cheiro forte de UDN no ar”, reproduziu, ontem, para este colunista, de Brasília, um conhecido marqueteiro que acompanha a cena nacional há muito tempo. Segundo ele, encabeçando a chapa pelo Podemos, Moro poderia atrair para uma aliança o PSDB, o União Brasil, resultado da fusão PSL-DEM, o Cidadania e, provavelmente, também o MDB.

A reedição da velha UDN para os dias atuais, juntando tantos partidos importantes de centro-direita e esquerda moderada, pode resultar numa chapa bastante competitiva. Fala-se, já, em alguns nomes que poderiam ser o candidato a vice na chapa de Moro, dentre eles o governador de São Paulo, João Doria, representante do PSDB, e os pernambucanos Luciano Bivar e Mendonça Filho, do União Brasil.

A UDN fez história. Um dos principais líderes foi Carlos Lacerda, fundando em 1949 o jornal Tribuna da Imprensa que se tornou símbolo da oposição a Vargas e plataforma para propostas udenistas. Neste periódico tinha repercussão os discursos veementes de Lacerda, marcando o debate crítico ao governo nacional. Esta rivalidade chegou ao ápice quando, na madrugada do dia 5 de agosto de 1954, Lacerda foi alvejado em Copacabana, no incidente conhecido como “Atentado da Rua Tonelero”, resultando na morte do major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, responsável pela proteção do jornalista.

Lacerda afirmou que o então presidente teria ligação com o ocorrido, resultando em um grande golpe no governo de Vargas, que se suicidaria 19 dias depois. A morte de Getúlio reverteu a opinião pública que responsabilizou Lacerda, e consequentemente a UDN, pelo ocorrido.

O petróleo é nosso – Ao assumir o cargo de presidente após as eleições de 1950, Vargas sofreu uma forte campanha oposicionista patrocinada, sobretudo, pela UDN, principalmente no que diz respeito às políticas nacionalistas e trabalhistas. A rivalidade entre o grupo nacionalista - liderado por Vargas - e o grupo liberal – encabeçado pela UDN - se intensificou ainda mais devido à questão do petróleo. O primeiro grupo, com o slogan “O petróleo é nosso”, defendia que a exploração e também o refino do petróleo fossem feitos pela indústria brasileira.

O encanto de Garanhuns – A magia do Natal de Garanhuns está atraindo um grande número de turistas. O último fim de semana foi de hotéis lotados. Da sacada do Palácio Celso Galvão, sede do poder municipal, a artista Zhara Lins emocionou o público cantando Ave Maria. Pedro Henrique, de apenas 12 anos, fez o público se emocionar com a interpretação do Pai Nosso. O prefeito Sivaldo Albino (PSB) já recebeu uma saraivada de turistas em seu gabinete encantados com o brilho da cidade. “Pela primeira vez que vejo uma magia mesmo, vou incentivar meus filhos e amigos a vir pra Garanhuns”, disse Ivonete Sales, visitante do Recife.

Gravatá derrotada – Por falar em Garanhuns, já é dada como certa a volta, durante o período do Carnaval, quando a cidade fica, mais uma vez sem frevo, do Festival de Jazz, evento que a cidade perdeu para Gravatá durante a gestão passada. Tudo porque o prefeito de Gravatá ainda não teve o menor interesse em lutar pela permanência do atrativo, que mexe profundamente com a economia, atraindo milhares de turistas. “Estamos trazendo de volta”, disse o prefeito, numa conversa com o blog.

Filiação de Dallagnol – O ex-procurador da Lava-Jato Deltan Dallagnol se filia ao Podemos próxima sexta-feira durante evento em hotel de Curitiba. O ex-procurador deve se candidatar a deputado federal pelo Paraná nas eleições do ano que vem. Do mesmo partido, o pré-candidato à Presidência e ex-juiz da Lava-Jato, Sergio Moro também vai à filiação. Dallagnol deixou o Ministério Público Federal no começo do mês passado, dias antes de Moro se filiar à legenda. Segundo o partido, outras “importantes lideranças do Paraná” também assinarão suas fichas de filiação.

No Morro – Pré-candidato ao Palácio do Campo das Princesas, o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), cumpre agenda no Recife desde ontem e amanhã estará subindo o Morro da Conceição, uma tradição também da classe política do Estado. Durante a segunda das Invasões holandesas do Brasil, o conde de Bagnuolo idealizou uma fortificação, próxima ao local do antigo Arraial Velho do Bom Jesus, que não chegou a ser construída. Após a derrota dos holandeses, o local passou a ser chamado Outeiro de Bagnuolo, em lembrança ao seu nome. Em 1900 recebeu a denominação de Outeiro da Bela Vista. Seu nome atual data de 1904, quando o bispo do Recife, Dom Luís Raimundo da Silva Brito, mandou erigir no seu alto um monumento a Nossa Senhora da Conceição, que foi construído na França e ali erguido, em comemoração ao cinquentenário do dogma da Imaculada Conceição.

CURTAS

COCEIRA – A cidade de Aliança, na Zona da Mata, registrou, ontem, oito casos de pacientes com lesões de pele com coceira e vermelhidão. Com isso, subiu para 20 o número de municípios em que houve notificação da doença, ainda sem diagnóstico. Em Aliança foram três pacientes do sexo feminino e cinco do sexo masculino com idades que variam entre um ano e nove meses e 65 anos.

NO CALOR – O ar-condicionado que atende a Unidade de Cuidados Intermediários Neo Natal da maternidade do Hospital Agamenon Magalhães, uma das principais referências no Estado, quebrou na última sexta-feira e até ontem mães e parentes de bebês recém-nascidos afirmaram estar sofrendo com o calor. O hospital fica localizado no bairro de Casa Amarela e recebe pacientes de todo o Estado.

Perguntar não ofende: Caruaru vai cancelar o São João?


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Joao

Assim como Carlos Lacerda, dois picaretas!




06/12


2021

Coluna da segunda-feira

Anderson e Gilson medem forças

O ingresso do presidente Bolsonaro no Partido Liberal já serviu para abrir um clarão nas disputas estaduais. Na Bahia, a tendência é que o ministro da Cidadania, o pernambucano-baiano João Roma Neto, troque o Republicanos pelo PL para disputar a sucessão de Rui Costa (PT), enfrentando ACM Neto (DEM), pelas mãos de quem fez seu debu na politica baiana elegendo-se deputado federal.

No Ceará, o Capitão Wagner está deixando o Pros para se filiar ao PL e disputar o Governo do Estado com apoio de Bolsonaro. Líder dos trabalhadores em segurança pública do Ceará, ganhou fama depois de liderar um motim da Polícia Militar do Ceará em 2011, no qual gerou insegurança na população e trouxe caos para Fortaleza com uma quarentena forçada. Na ocasião, trocou insultos com o então governador Cid Gomes e seu irmão Ciro Gomes.

Foi, também, o vereador mais votado de Fortaleza em 2012 e o deputado estadual mais votado do Ceará em 2014. Candidato a prefeito de Fortaleza em 2016, levou a disputa para o segundo turno, mas perdeu para Roberto Cláudio. Em 2020, foi candidato, mais uma vez a prefeito, mas perdeu para José Sarto (PDT), candidato de Roberto Cláudio.

Em Pernambuco, Bolsonaro cogita em armar uma chapa com Anderson Ferreira, prefeito de Jaboatão, candidato a governador, mas com o candidato a senador previamente escolhido por ele: o ministro do Turismo, Gilson Machado. Filiado ao PL, Machado dividirá o controle do partido com Anderson, que perde assim as condições de mandante partidário com mão de ferro na legenda liberal no Estado.

Anderson terá que se entender, igualmente, com a deputada Clarissa Tércio, atualmente no PSC, bolsonarista de carteirinha. Ela vinha negociando sua transferência para o Podemos, onde já milita o marido Júnior Tércio, candidato a deputado federal, mas com a pré-candidatura de Sérgio Moro ao Planalto pelo partido mudou seus planos. Quer estar no palanque brigando pela reeleição do presidente da República.

Sendo assim, o caminho mais natural seria abrigar-se no PL, mas sua família é atritada com o grupo de Anderson. Se chegar a se filiar será por obra de Bolsonaro, mediante articulação de Gilson Machado. Gilson, Clarissa, Coronel Meira e o deputado Alberto Feitosa estão na linha de frente no Estado pela reeleição de Bolsonaro e é com esse grupo que Anderson terá que se entender, se quiser de fato ser candidato a governador.

Castelo de areia – Com a chegada de Gilson Machado Neto ao PL, o partido em Pernambuco fica, naturalmente, proibido de se coligar na majoritária com o PSDB, transformando num castelo de areia o projeto da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, em contar com os liberais como parceiros, mesmo numa aliança branca, para disputar o Governo do Estado. Ao invés do PSDB, o PL se abraçará em Pernambuco com o PTB, de Coronel Meira, e o PSC, do deputado federal André Ferreira.

Disputa o Senado – Tão logo chegou de Madri, onde participou da plenária anual da Organização Mundial do Trabalho (OMT), o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, teve uma conversa com Bolsonaro sobre o PL em Pernambuco. É o candidato natural do presidente da República para disputar o Senado na chapa de Anderson. Embora até então no PSC por uma acomodação partidária, Machado se filia no partido que Bolsonaro achar mais acertado. É aliado da mais absoluta confiança do presidente, leal feito cão de guarda.

PSDB já era – Do cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getúlio Vargas, ao traçar um cenário dos dias de funerais que vive o PSDB hoje. “O PSDB vive uma crise de identidade muito grande, não consegue se encontrar neste cenário nacional. Aconteceu a mesma coisa com o [antigo] PFL, com o MDB também. Esses três partidos, que eram âncoras da política brasileira durante muito tempo, foram devastados pelo bolsonarismo. Uma parte deles aderiu ao bolsonarismo, outra parte rompeu com Bolsonaro, mas eles não têm mais lugar. Essas forças de centro, centro-direita, centro-esquerda, de 2018 para cá foram perdendo muito espaço na política brasileira com a ascensão do bolsonarismo”.

Bolsonaro traidor – Ao ser questionado na entrevista que concedeu ao jornal Folha de São Paulo sobre a afirmação de Bolsonaro ser Moro “traidor”, o general da reserva Alberto Santos Cruz, filiado ao Podemos com a chegada de Moro na disputa presidencial, foi enfático: “O grande traidor deste país se chama Jair Messias Bolsonaro. Ele traiu todas as promessas de campanha. Traiu um país inteiro”. Como exemplo, declarou que o presidente dizia ser contra a reeleição, mas que governa “desde o 1º momento pela reeleição”.

Cena constrangedora – Sem saber que Raffiê Dellon (PSD), que disputou a Prefeitura de Caruaru na eleição passada, estava promovendo uma confra com jornalistas no café Alquimia da Fazenda, sábado passado, o deputado José Queiroz (PDT) marcou um encontro com um aliado no mesmo local e horário. Constrangido, depois de ser obrigado a recepcionar grande parte dos convidados da Imprensa local, o parlamentar, que milita no campo adversário de Raffiê, ficou de cara pálida, teve que fechar sua conta rapidinho e sair correndo para outro restaurante. Antes, porém, passou pelo constrangimento de posar ao lado do desafeto e de jornalistas também.

CURTAS

Protesto – Manifestantes protestaram, no último sábado, contra o presidente Jair Bolsonaro, na Praça da República. O ato, chamado "Bolsonaro Nunca Mais", foi convocado por mulheres de movimentos e coletivos feministas, centrais sindicais e partidos políticos e começou por volta das 14 horas. Protestos também foram registrados em São Paulo e Belo Horizonte.

Sem aulas – A Secretaria de Educação e Esportes suspendeu as aulas presenciais na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, em Casa Amarela, após a confirmação de três casos de Covid-19, em três salas diferentes. A suspensão começou sexta-feira passada e deve durar ao menos 10 dias, de acordo com o Governo.

Perguntar não ofende: Anderson vai aceitar dividir os poderes do PL com Gilson ou cai fora? 


Faça Login para comentar


Email
Cadastre-se
Esqueci minha senha

Comentários

Joao

Agora temos o quinteto de lambe-botas, fazem o que o acéfalo mandar!


Coluna do Blog
Publicidade

Publicidade

Publicidade

TV - Blog do Magno
Programa Frente a Frente

Aplicativo

Destaques

Opinião

Publicidade
Apoiadores
Parceiros