FMO janeiro 2020


24/08


2021

Coluna de terça-feira

Corrupção com rosto

Depois de mais uma absolvição, desta feita no caso do sítio Atibaia, pelo andar da carruagem só falta a justiça brasileira declarar, com ofício passado em cartório, que o ex-presidente Lula é santo e que os pecadores somos todos nós, a sofrida Nação brasileira, que teve surrupiada dos seus cofres R$ 40 bilhões somente num dos escândalos da era petista, a operação Lava Jato. Juízas, como Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Lins, da 12ª Vara Criminal de Brasília, acham que Lula é inocente.

Eu perguntaria a mesma juíza, que acha que Lula não é pecador, de onde saíram os R$ 100 milhões que Palloci, seu ex-ministro Fazenda, ex-ministro também da Casa Civil de Dilma, devolveu no acordo da delação premiada? Do mesmo assalto aos cofres públicos não apenas do esquema Lava Jato, mas de outras investidas ao meu, seu e nosso dinheiro suado e surrado que pagamos de impostos, desviados das estatais.

Não tenho a menor dúvida de que há um complô entre o Judiciário, o Ministério Público, os órgãos de controle, parte do Congresso e da mídia, para sacramentar a inocência de Lula, porque, segundo as pesquisas, ele se apresenta como o nome mais competitivo na disputa contra o presidente Bolsonaro. É verdade que Bolsonaro, com um estilo todo próprio e pelo mau assessoramento, se desincompatibilizou com as instituições, fere de morte ferida quem o desafia.

Mas se Bolsonaro está sendo massacrado por isso, como passar a mão na cabeça de um político, com as qualificações de Lula, que se não roubou, como ele diz em sua defesa, deixou roubar. Sua gestão, mais do que a de Dilma, foi marcada por verdadeiros assaltos ao dinheiro da Nação. Deixou quebrar estatais, como os Correios, a primeira vítima, pivô do escândalo do Mensalão, que quase acabou no impeachment de Lula.

Maus políticos, como Lula, carregam consigo uma aparência de humildade fingida, e na prática abusiva de uma linguagem serena, assume a liderança de mais um hipócrita. A corrupção de governantes, como ele, ao contrário do que julga a justiça brasileira, começou com a corrupção dos seus princípios. Dizem que corrupção é um crime sem rosto. Com Lula, teve rosto, mãos, cabeça e tronco.

A condenação – Segundo a tese da acusação do sítio Atibaia, agora negada pela juíza, o ex-presidente teria recebido vantagens em contratos da Petrobrás, utilizadas para a realização de reformas no sítio, de propriedade de Fernando Bittar. Como resultado, por prescrição ou inexistência de provas, o ex-presidente está livre do processo, pelo qual havia sido condenado a 12 anos e 11 meses de prisão e multa pela juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, em sentença confirmada em prazo recorde, por unanimidade, e ampliada para 17 anos e mês e 10 dias de prisão, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região.

Freio da decolagem – O ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou, ontem, tranquilizar participantes de um seminário sobre a possibilidade de quebra institucional entre os Poderes. Na avaliação dele, o Brasil estava “decolando”, mas a antecipação das eleições atrapalha a retomada econômica. Até algumas semanas, o ministro dizia que o Brasil estava em uma “recuperação em V”, com retomada tão forte quanto a queda registrada na pandemia. Agora, diz que o “barulho” em torno do pleito de 2022 impacta o mercado financeiro e afeta o andamento de reformas estruturantes no Congresso.

Culpa na eleição – “Essa antecipação das eleições, naturalmente, prejudica. Causa muito barulho. Mas eu reafirmo a confiança nas nossas instituições, na Presidência da República, no Supremo, no Senado, na Câmara dos Deputados”, disse Guedes, acrescentando: “Nós confiamos que a ação ou excessos eventuais de alguns atores não se transformem em desvirtuamento das instituições. Essas palavras são muito para tranquilizar”, afirmou. As declarações foram durante participação on-line do 41º Congresso Internacional da Propriedade Intelectual. “Com confiança na democracia brasileira e principalmente nas instituições, esperamos que os excessos que sejam moderados”.

Bolsonaro recua – Após reconhecer que as emendas de relator-geral atrapalham a política fiscal e podem prejudicar a condução de políticas públicas, o presidente Jair Bolsonaro recuou e sancionou a previsão de pagamento dessas emendas, identificadas no Orçamento sob o código RP-9, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022. Com isso, os parlamentares poderão indicar esses recursos no Orçamento do ano que vem, em pleno período eleitoral.

O modelo vem sendo usado pelo governo para cortejar deputados e senadores aliados com repasses do Orçamento da União a municípios e Estados de seus redutos eleitorais, sem que seus nomes sejam divulgados, diminuindo a possibilidade de controle social.

Pacificação – Sem consenso em torno da divulgação de uma nota contra as ameaças feitas por Jair Bolsonaro à democracia, governadores de 24 Estados e do Distrito Federal decidiram, ontem, propor ao presidente e aos outros chefes de Poderes uma espécie de reunião de pacificação e de normalização institucional do País. No encontro do Fórum dos Governadores, realizado em Brasília – com a maioria dos presentes participando de forma virtual –, não faltaram críticas ao comportamento de Bolsonaro e foi unânime a tese de que o atual clima de instabilidade política é prejudicial para todos. A ideia de divulgar um manifesto formal contra o presidente, no entanto, dividiu opiniões, especialmente porque poderia apenas ampliar o clima de instabilidade, sem resolver a situação.

CURTAS

PDV municipal – A Prefeitura do Recife publicou a regulamentação para o Programa de Desligamento Voluntário (PDV) para funcionários de cinco empresas municipais, contratados sob o regime da Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT). Mais de 2,5 mil servidores se enquadram nas regras do plano, segundo a gestão. A medida faz parte de um pacote econômico proposto pelo prefeito João Campos (PSB), enviado em caráter de urgência, que inclui a reforma da Previdência municipal e aumento da taxa de contribuição previdenciária para servidores.

Sem pagamento – Com a ampliação do Bolsa Família e aumentos dívidas judiciais, a equipe econômica pressiona o Congresso Nacional para a aprovação da PEC dos Precatórios. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, sem aprovação da PEC pode faltar dinheiro para o pagamento dos salários dos funcionários públicos.

Perguntar não ofende: Quando o processo da Lava Jato, suspenso em Curitiba, será reaberto em Brasília para julgar Lula? 


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Comentários

Joao

Lula a tara dos Augustos, Garcias, Fiuzas, Magnos, Antônios.....esse povo só esquece do acéfalo. Creio que seja melhor ser canonizado pelo papa, do que por Malafaia, RR Soares, Edir Macedo e o vendedor de feijão, não esquecendo do mártir bolsonarista Roberto Jeferson!

Joao

O blogueiro parece que sente uma comichão nos dedos para falar mal do Lula, porém não toca nas rachadinhas , nos gastos dos passeios idiotas do acéfalo bancados com dinheiro público, bem como na casinha de 14 milhões do 02, de onde vem tanta grana?

Rafael C.Soares Quintas

O Papa Francisco devia cononizar o Santo Lula da Silva ????????????

R.Soares

Falar mal de Lula é facil, por acaso o bozo é santo


Cabo - Pavimentação e Drenagem


23/08


2021

Coluna da segunda-feira

O candidato de Bolsonaro 

No campo da oposição, quando se trata de sucessão estadual, analistas e até institutos de opinião têm incluído apenas três nomes: os dos prefeitos Anderson Ferreira (Jaboatão), Raquel Lyra (Caruaru) e Miguel Coelho (Petrolina). Nenhum deles se insere no perfil bolsonarista nem faz questão do apoio da corrente, muito menos tem algum tipo de relação com o presidente Jair Bolsonaro, que terá palanque em todos os Estados.

No universo bolsonarista em Pernambuco, nem a deputada-pastora Clarissa Tércio, do PSC, nem o presidente estadual do PTB, Coronel Meira, goza da simpatia e da confiança do presidente da República. O nome da preferência de Bolsonaro é o do ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, auxiliar do primeiro time que goza da confiança e tem, na verdade, não apenas relação de trabalho, mas sobretudo de amizade e pessoal. São amigos há mais de 20 anos, desde quando se conheceram no aeroporto de Brasília.

À espera do avião para Tocantins, Estado em que exerce a atividade de fazendeiro, Gilson lia notícias na sala de embarque quando o então deputado federal Jair Bolsonaro, rumo ao Rio, pediu o jornal emprestado. A partir dali, uma amizade foi selada, mais adiante Bolsonaro foi conhecer a fazenda de Gilson e este começou a usar suas duas rádios, uma em Gravatá e outra em Maragogi, em Alagoas, Estado que planta coco e tem um hotel, para defender o projeto presidencial do hoje chefe da Nação.

Na campanha de 2018, Gilson cruzou o País com Bolsonaro. Eleito, Bolsonaro fez Gilson presidente da Embratur. Conhecedor da área, o pernambucano deu conta do recado, fez muito mais do que se esperava. Em pouco tempo, virou ministro do Turismo e deixou seu sucessor na Embratur, Carlos Brito, o que revela sua força com o chefe. Afinal, são dois cargos extremamente visados pela base de apoio do Governo no Congresso e Gilson não tem mandato eletivo. Seu mandato é a confiança cega que o chefe tem nele.

Se Bolsonaro não lançou ainda o nome de Gilson para o Governo de Pernambuco é porque, naturalmente, o timing não é o ideal. As apostas em Brasília, entretanto, se dão na direção de que o candidato do bolsonarismo no Estado para entrar na briga da sucessão de Paulo Câmara atende pelo nome de Gilson Machado Neto. E aconselho os institutos de opinião a incluir o seu nome em todas as pesquisas a partir de agora. 

Senado - Na entrevista exclusiva que deu a este editor do blog, há 30 dias, Bolsonaro chegou a falar no nome de Gilson Machado Neto para o Senado, quando provocado a comentar a possibilidade de oito ministros renunciarem em abril para disputar as eleições de 2022. Um bolsonarista convicto entendeu que naquela ocasião o presidente não se referiu ao Governo do Estado para não antecipar o processo de discussão do candidato da sua base partidária em Pernambuco. É bom observar que Gilson tem tido uma presença muito mais constante no Estado e entrado na mídia quando há tiroteio em defesa do presidente e do Governo.

Memorial Agamenon - Repercutiu intensamente a ideia da construção do Memorial Agamenon Magalhães, em Serra Talhada, lançada em discurso que fiz, sexta-feira passada, em agradecimento ao título de Cidadão Honorário, na Câmara de Vereadores. Em contato com o blog, a prefeita Márcia Conrado (PT) disse que vai elaborar o projeto, já abraçado em nível federal pelos deputados Sebastião Oliveira (Avante), Fernando Monteiro (PP) e Marília Arraes (PT). Em nome da família e na condição de neto, o ex-senador Armando Monteiro disse que recebeu a sugestão com muita emoção e que se depender da família todo o arquivo do estadista será doado ao Memorial.

Longe do PSB - Candidato a deputado estadual pelo PT, o ex-prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, não quer nem ouvir falar na hipótese de uma aliança do PT com o PSB nas eleições para governador. Defensor da tese de candidatura própria, vai insistir no nome de Marília Arraes. "Se o partido tem Lula disparado na preferência popular para presidente e Marília na mesma situação em Pernambuco, conforme todas as pesquisas, chegou a hora de pôr abaixo a supremacia do PSB no Estado", prega Duque.

Triunfo em alta - Embora junho e julho, período da estação mais fria em Triunfo já tenham passado, a cidade vive um agosto com a mesma intensidade no fluxo de turistas. No fim de semana que passei por lá, vi hotéis lotados, restaurantes e bares apinhados de visitantes, o que comprova que o pior da pandemia já passou, a vida está voltando ao seu curso natural e o turismo, fundamental para cidades com o perfil de Triunfo, retomou num ritmo promissor.

O verdadeiro forasteiro - Ao chamar o deputado federal Fernando Rodolfo de forasteiro, o também deputado federal e líder do PDT na Câmara, Wolney Queiroz, antecipou um processo natural da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em 22: a polarização na disputa pelo voto na briga do pleito proporcional entre ele e Rodolfo como verdadeiros representantes da terra. Quem, como Rodolfo, colocou R$ 20 milhões em emendas para Caruaru está longe de ser forasteiro. Wolney deveria ter apontado o dedo para Daniel Coelho, este sim não tem nada a ver com Caruaru, é o forasteiro importado por Mainha Raquel Lyra, como é conhecida a prefeita.

CURTAS 

Jungmann ressuscitado - O ministro da Defesa e da Segurança Pública no Governo de Michel Temer, Raul Jungmann, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro determinou que jatos Gripen sobrevoassem o STF acima da velocidade do som para estourar os vidros do prédio. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja. Questionado sobre a demissão dos três comandantes das Forças Armadas, em março, Jungmann afirmou que a ordem sobre os jatos estava por trás das motivações.

Recessão em 22 - O ex-secretário de Política Econômica do governo de FHC, José Roberto Mendonça de Barros, não tem uma boa notícia aos brasileiros sobre o início de 2022. Ele prevê uma “pequena recessão” no período. Para todo o ano eleitoral, ele projeta crescimento de apenas 1,4%, enquanto a média das estimativas do mercado continua em 2,0%. “O cenário desenhado é de situação fiscal complicada, juros mais altos, inflação elevada, risco de apagão. Nada de revolução liberal”, afirmou. 

Perguntar não ofende: O ministro Alexandre de Moraes, do STF, merece sofrer impeachment?


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Comentários

Wellington Antunes

Um lembrete: para governador ou senador de PE o blogueiro faltou citar o nome do bolsonarista Coronel 1,18% Feitosa (só teve 1,18% de votos para prefeito do Recife). Como se vê, ele é um nome muito forte e não pode ficar de fora.

Wellington Antunes

Se esse Gilson Machado for candidato ao senado ou a governador de PE só vai ter dois votos: o dele mesmo e o do blogueiro. E outra, o blogueiro não sabe que Bolsonaro nem partido tem pra chamar de seu? Como é que vai lançar candidatos em todos os Estados? Dá tempo?


Petrolina outubro 2021


21/08


2021

Coluna do sabadão

Uma crise sem fim

Por Houldine Nascimento – interino

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levou adiante a promessa que havia feito no último sábado e apresentou ao Senado um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação tomada ontem é inédita na história republicana. 

O documento destinado para apreciação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), faz críticas diretas ao Judiciário, chegando a afirmar que é “um verdadeiro ator político” e que "deve estar pronto para tolerar o escrutínio público e a crítica política, ainda que severa e dura”. Bolsonaro também acusa Moraes de “atuar como um verdadeiro censor da liberdade de expressão” e de estar "ruindo com os pilares do Estado Democrático de Direito”.

Na peça, o presidente questiona o inquérito das fake news, conduzido por Alexandre de Moraes e que incluiu o próprio Bolsonaro entre os investigados. O procedimento foi aberto de ofício, ou seja, sem a participação da Procuradoria Geral da República (PGR) por decisão do então presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Contudo, o artigo 43 do regimento do STF prevê a abertura de inquérito nesses moldes e o plenário validou a investigação em junho de 2020 por 10 votos a 1.

Pouco tempo depois de o pedido ser protocolado por um funcionário do Planalto no Senado, o STF emitiu uma nota em repúdio à medida do chefe do Executivo: “O Estado Democrático de Direito não tolera que um magistrado seja acusado por suas decisões, uma vez que devem ser questionadas nas vias recursais próprias, obedecido o devido processo legal.”

“O STF, ao mesmo tempo em que manifesta total confiança na independência e imparcialidade do Ministro Alexandre de Moraes, aguardará de forma republicana a deliberação do Senado Federal”, prossegue o comunicado. Um aditivo para a já explosiva crise entre os poderes.

Sem fundamentos – De São Paulo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, se pronunciou ainda ontem sobre o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Ela afirmou que vai analisar a peça, mas que não antevê fundamentos: “Sinceramente não antevejo fundamentos técnicos, jurídicos e políticos para impeachment de ministro do Supremo, como também não antevejo em relação a impeachment de presidente da República. O impeachment é algo grave, algo excepcional, de exceção, e que não pode ser banalizado. Mas cumprirei o meu dever de, no momento certo, fazer as decisões que cabem ao presidente do Senado.”

Trava – O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vai manter suspensa a sabatina do ex-advogado-geral da União, André Mendonça, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A medida é uma reação ao pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes feito pelo presidente Bolsonaro. Alcolumbre disse que não será possível avaliar alguma indicação do presidente caso a relação entre os poderes da República se mantenha tensa.

Reações no Parlamento – Vários congressistas se manifestaram contra a atitude do presidente. “Bolsonaro, vá procurar o que fazer! Nós estamos com mais de 14 milhões de desempregados, 19 milhões de famintos, inflação descontrolada! Cuide dos problemas reais do país”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); “Vergonha! Um presidente da República que ameaça a independência entre os poderes, desrespeita a Constituição e atenta contra o Estado de Direito”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE); “O destino provável e justo do pedido de Bolsonaro será o arquivo”, explanou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE); “A fragilidade técnica da peça do pedido de impeachment deixa claro que nessa atitude está apenas o desejo de criar uma nova bandeira mobilizadora para sua militância”, declarou o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM).

“Forasteiro” – O deputado federal Wolney Queiroz (PDT-PE) reagiu de forma ríspida a uma colocação atribuída ao colega de Câmara Fernando Rodolfo (PL-PE) sobre ter sido o parlamentar que destinou mais emendas para Caruaru, cidade natal do pedetista. “Isso é mentira e conversa pra boi dormir. Primeiro que Fernando Rodolfo é de Garanhuns, não é daqui. É um forasteiro que está se apropriando do voto de Caruaru. Não tem nada que se assemelhe, que chegue perto dos recursos que eu boto em Caruaru”, disse em entrevista ao comunicador Cesar Lucena, na Rádio Cultura do Nordeste.

Resposta – O deputado Fernando Rodolfo rebateu a declaração de Wolney: “Eu não sabia que ele faz esse tipo de política baixa. Tinha outra impressão. Caruaru não merece isso. Caruaru merece trabalho e esse recado ele ainda não entendeu, por isso penaliza a gestão municipal simplesmente porque não simpatiza com a prefeita. Até agora já destinei para a cidade cerca de R$ 20 milhões em apenas dois anos e meio de mandato. Me chamar de forasteiro é uma agressão barata, desnecessária e covarde. Quero debater Caruaru com ações, com ideias, com trabalho e não com politicagem rasteira.”

CURTAS

NÚMERO ESPERANÇOSO – O Ministério da Saúde repassou para Pernambuco mais de 9 milhões de vacinas contra a Covid-19. O Estado recebeu 401.330 novas doses ontem: 215.300 da Coronavac/Butantan e 186.030 da Pfizer/BioNTech.

COMEMORAÇÃO – O governador Paulo Câmara (PSB) celebrou a quantidade de doses enviadas ao Estado até o momento. “Esse é um número que nos estimula a continuar firmes no enfrentamento à doença”, declarou.

Perguntar não ofende: Quando o Brasil vai sair dessa grave crise institucional?


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Sindicontas


20/08


2021

Coluna da sexta-feira

Interior lidera transparência

Por Houldine Nascimento – interino

Cinco cidades do interior ocupam as primeiras posições no Índice de Transparência dos Municípios Pernambucanos (ITMPE), que avalia os sites oficiais e os portais da transparência de prefeituras e câmaras. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) é o responsável pelo levantamento, que busca estimular a melhoria da transparência pública.

O balanço avaliou o período de agosto de 2020 a fevereiro de 2021. O top 3 é formado por municípios do Agreste Central: Gravatá lidera, com índice de 0,98 (389 pontos), seguida por São Bento do Una (384) e Cupira (381), ambas com 0,96. Triunfo (377 pontos ou 0,95), no Sertão do Pajeú, e Caruaru (0,94 ou 375), também no Agreste Central, completam o pelotão da frente.

Outros municípios com boa colocação: Bom Conselho, Flores, João Alfredo e Toritama (0,93); Petrolina e São Benedito do Sul (0,90); São José do Belmonte e Surubim (0,89), além de Garanhuns (0,88). Duas cidades da Região Metropolitana aparecem na 15ª posição (0,87): Ipojuca e São Lourenço da Mata, ladeadas por Arcoverde, no Sertão, e Belo Jardim, no Agreste.

Chama atenção Recife no 19º lugar, com 0,86, empatado com o município de Cortês, na Mata Sul. Jaboatão dos Guararapes (0,84) e Olinda (0,75) surgem mais atrás. Todas as citadas estão no nível de transparência “desejado”. Setenta e quatro municípios ostentam essa condição.

Cem estão no nível “moderado”, seis figuram com o patamar “insuficiente” e quatro no nível “crítico”. Nenhuma prefeitura ficou no nível de transparência “inexistente”. O TCE utilizou como critérios de avaliação: informações gerais, receita, despesa, licitações, contratos, instrumentos de transparência da gestão fiscal, informações de agentes políticos e servidores, entre outros.

Num comparativo com 2018, houve uma redução de 37,5% das prefeituras que estavam nos níveis mais baixos de avaliação (crítico e insuficiente). No entanto, houve redução de 28,2% no total de prefeituras que estavam no nível de transparência desejado e elevação de 53,8% entre as prefeituras que foram enquadradas no nível moderado.

Piores índices – As cidades que estão em nível crítico são Mirandiba (0,01), Águas Belas (0,04), Tracunhaém (0,05) e Palmeirina (0,08). Em relação a 2018, Mirandiba deixou de estar entre os municípios com patamar desejado, enquanto Águas Belas e Palmeirina caíram de moderado para crítico. A única que permaneceu com baixíssima transparência foi Tracunhaém. Quixaba (0,27), Palmares (0,40), Limoeiro (0,41), Jaqueira (0,47), Cumaru e Maraial (ambas com 0,49) atingiram nível insuficiente.

Avaliação das Câmaras – O TCE-PE também analisou a situação das câmaras municipais: 49 foram enquadradas no nível de transparência desejado, 112 em moderado, 18 como insuficiente e cinco em estado crítico. Assim como as prefeituras, nenhuma Câmara ficou com nível de transparência inexistente. Em relação a dois anos atrás, o levantamento mostra que houve uma redução de 39,5% no número de câmaras que se encontravam enquadradas nos níveis mais baixos de avaliação (crítico, insuficiente ou inexistente). No nível desejado, houve uma redução de 12,5% e um aumento de 24,4% entre as que atingiram o patamar moderado este ano.

Convocação – O deputado federal Danilo Cabral (PE), que é líder do PSB na Câmara, protocolou um pedido de convocação do ministro Milton Ribeiro na Comissão de Educação da Casa Legislativa para que ele preste esclarecimentos a respeito de declarações recentes sobre crianças com deficiência nas escolas. Em visita ao Recife, ontem, Ribeiro disse que há crianças com “um alto grau de deficiência que é impossível a convivência”. Antes, em entrevista à TV Brasil, o ministro da Educação havia dito que a inclusão de alunos com deficiência em sala “atrapalha o aprendizado dos outros”.

Cobrança – Líder da Oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o deputado estadual Antonio Coelho (DEM) ocupou a tribuna para cobrar ao governador Paulo Câmara (PSB) a regulamentação imediata da Lei Complementar 427/2020. De autoria do Executivo estadual, a legislação prevê o pagamento de pensão integral aos dependentes de servidores públicos estaduais efetivos, que tenham falecido no exercício de atividade essencial e presencial, durante a pandemia da Covid-19.

Cidadão itapetinense – O jornalista e titular desta coluna, Magno Martins, recebeu o título de cidadão de Itapetim na noite de ontem, em sessão solene na Câmara Municipal. A cerimônia foi prestigiada por algumas autoridades, entre as quais: os prefeitos Adelmo Moura (Itapetim-PE) e Augusto Valadares (Ouro Velho-PB), vereadores e secretários. A presidente da Câmara, Jordânia Siqueira (PSB), abriu as portas da Casa Legislativa para a homenagem, que tem o vereador Júnior de Diógenes (PSB) como autor. Nos agradecimentos, Magno enfatizou: “o Reino Encantado da Poesia é Itapetim”. Hoje, o jornalista receberá o título de cidadão de Serra Talhada, completando a agenda de honrarias no Sertão do Pajeú.

CURTAS

SEM DESPEJO – A Alepe aprovou, ontem, o Projeto de Lei 1010/20, conhecido como “Despejo Zero”. Com autoria das codeputadas Juntas (PSOL), a matéria suspende o cumprimento de mandados de reintegração de posse, despejos e remoções judiciais ou mesmo extrajudiciais no Estado enquanto durar a pandemia. O PL agora segue para sanção do governador Paulo Câmara.

VACINAÇÃO – A Prefeitura de Olinda promove, hoje, uma virada da vacinação contra a Covid-19. A iniciativa é para quem tem 18 anos ou mais e precisa tomar a primeira ou segunda dose do imunizante. A maratona vai das 9h desta sexta-feira (20) até as 20h de amanhã, na Vila Olímpica, em Rio Doce. Não é necessário agendamento. Basta levar um documento de identificação com foto e comprovante de residência.

Perguntar não ofende: Geraldo Julio esconde o jogo sobre a candidatura ao Governo em 2022?


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19/08


2021

Coluna da quinta-feira

Foto: Marcello Patriota

Nasce um egipciense

Por Houldine Nascimento – interino

A Câmara Municipal de São José do Egito, no Sertão do Pajeú, promoveu uma sessão solene, ontem, para a entrega do título de cidadão ao jornalista Magno Martins, titular deste blog. A proposição do vereador Albérico Tiago (PP), aprovada por unanimidade, garantiu um novo momento de honraria para Magno, que acumula uma série delas nos últimos anos.

Não é casual: são mais de 40 anos de carreira (e 15 dedicados a este blog). O presidente da Câmara, Leônidas Campos (PSB), deu as boas-vindas ao jornalista, filho do Pajeú: “De minha parte, seria um erro injustificável não exaltar aqui a ética jornalística pela qual se norteia o profissional Magno Martins quanto ao compromisso fundamental com a veracidade dos fatos, onde é notória a responsabilidade presente em tudo o que diz respeito à qualidade da informação apurada e a imparcialidade e correção com que deve chegar às pessoas, o que o torna uma referência para nós todos.”

A homenagem ocorreu com a presença de parlamentares, amigos, da namorada, Nayla Valença; do irmão Augusto Martins, secretário de Cultura de Afogados da Ingazeira; e da cunhada Socorro Martins. Na terra conhecida como Berço Imortal da Poesia, coube ao novo filho tecer as palavras mais sensiveis da noite, fazendo referência ao jornalista egipciense Inaldo Sampaio, já falecido, e ao ofício jornalístico.

“Como disse Gabriel García Márquez, a ética deve sempre acompanhar o jornalismo, da mesma forma que o zumbido acompanha o besouro. Saio daqui mais energizado, estimulado e animado para continuar essa jornada que é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência, o exercício cotidiano do caráter.”

“Não sou poeta, mas como Carlos Drummond de Andrade, que disse ter duas mãos e o sentimento do mundo, meu mundo do Pajeú, nossa nação pajeuzeira, do canto fácil e doce, me inspira. Faz meus textos terem a suavidade das confissões amorosas de José de Alencar à sua Iracema dos lábios do mel.”

Mais honrarias – As homenagens a Magno Martins seguem hoje e amanhã no Pajeú. Logo mais, às 20h, recebe o título de cidadão itapetinense. A proposição é do vereador Júnior de Diógenes (PSB). No dia seguinte, vai a Serra Talhada receber a mesma honraria, que será concedida a partir de uma proposta do vereador China Menezes (PP). As sessões solenes organizadas nas Câmaras Municipais seguem os protocolos sanitários de combate à Covid-19.

Ministro excludente – Repercute negativamente a fala do ministro da Educação, Milton Ribeiro, sobre crianças com deficiência em sala de aula. “A criança com deficiência era colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia. Ela atrapalhava, entre aspas, essa palavra falo com muito cuidado, ela atrapalhava o aprendizado dos outros porque a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para dar a ela atenção especial”, declarou em entrevista à TV Brasil no último dia 9.

Reações – A declaração capacitista gerou reações. A filha do senador Romário (PL-RJ), Ivy Faria, que tem síndrome de Down, respondeu em carta publicada nas redes sociais: “A fala do senhor revela muita falta de educação. Como pode achar que a deficiência torna alguém incapaz de estudar? A deficiência não nos torna incapaz de nada, basta que tenhamos oportunidade”, escreveu. A fala preconceituosa de Ribeiro se soma a outra afirmação catastrófica na mesma entrevista: ele chegou a dizer que a “universidade deveria ser para poucos”. 

Corpo a corpo – A deputada federal Marília Arraes (PT-PE) retomou as reuniões presenciais com apoiadores de diversos bairros do Recife e de cidades vizinhas. A parlamentar se encontra hoje com um grupo na Várzea, Zona Oeste da capital pernambucana. Ela informa que está atendendo a convites de lideranças comunitárias e sindicais, mas “sempre respeitando os cuidados e regras de segurança sanitária e de combate à Covid-19”. Com pedidos na fila de espera, a agenda de encontros teve início na quinta-feira passada, em Jardim São Paulo, também na Zona Oeste recifense.

Segregação – Pegou muito mal a tentativa de implantar um sistema de pagamento em Fernando de Noronha (PE) a partir de pulseiras coloridas que distinguem o usuário de acordo com o poder aquisitivo. O projeto “Um novo jeito de viver Noronha” previa a distribuição dos acessórios em cinco cores para ilhéus, turistas, artistas e influenciadores. Entre elas: a cinza, sem necessidade de recarga, seria destinada a moradores, enquanto a ‘black’ para recargas acima de R$ 10 mil. Já a roxa teria as benesses da preta e seria distribuída para celebridades. Pelas críticas na internet, o grupo Meep – responsável pelo projeto – e a Administração de Noronha abortaram a ideia.

CURTAS

REPRESENTAÇÃO – O vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), anunciou que vai entrar com uma representação contra a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, no Conselho Nacional do Ministério Público.

MOTIVO – Lindôra rejeitou dois pedidos, do PT e do PSOL, para investigar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por não utilizar máscara em atos com apoiadores, contrariando leis estaduais e federal. Para justificar sua posição, a subprocuradora pôs em xeque o uso de máscara como medida de proteção contra a Covid-19.

Perguntar não ofende: Passou da hora de exonerar o ministro da Educação?


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Comentários

Cícero Ramos de Souza

A fala do ministro retrata somente a realidade. Ou se prioriza o atendimento da criança deficiente ou dos demais alunos. Isso é ciência. Não há como atender as duas situações. Uma ou outra vai ser prejudicada. Não há como atender as duas situações em uma mesma sala se aula.

Joao

Não apenas o ministro da educação, mas todo essa corja que está no poder, lambendo e se lambuzando do mesmo juntamente com acéfalos, não esquecendo de Aras e Lindôra que ratificam aos devaneios e absurdos cometidos pelo Bozo!


Ipojuca - Novembro


18/08


2021

Coluna da quarta-feira

Reforma eleitoral avança

A Câmara dos Deputados aprovou, ontem, em segundo turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma eleitoral. O texto traz de volta as coligações entre partidos nas disputas proporcionais e restringe o alcance de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as eleições. O texto segue agora para o Senado, onde também precisará ser aprovado em dois turnos e deve encontrar resistências.

A PEC foi aprovada em segundo turno por 347 votos contra 135. Foram três abstenções. Não houve até o momento mudanças no texto em relação ao que foi aprovado na semana passada, e neste momento os deputados votam os 11 destaques feitos ao texto. As coligações proporcionais foram extintas pelo Congresso em 2017, e as eleições de vereadores em 2020 foram as únicas realizadas sob a vigência da regra.

A volta das coligações é fruto de um acordo entre deputados governistas e os principais partidos de oposição, principalmente o PT, ainda no primeiro turno. No acordo, o “distritão”, que até então era o mote da proposta, foi excluído do texto em troca do retorno das coligações.

A reforma aprovada pela Câmara atende aos interesses dos pequenos partidos e deverá frear a queda na fragmentação do sistema político -- o fim das coligações proporcionais tinha por objetivo diminuir o número de siglas. Com a volta das coligações, a tendência é que o país continue tendo um grande número de legendas com representação no Congresso, inclusive aquelas sem linha ideológica clara.

"A volta das coligações é legítima, é o direito que você tem de coligar com outro partido da mesma ideologia. E quem tem que resolver (...) o modelo eleitoral do Brasil é o Congresso Nacional brasileiro, não é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Eu já ouvi falar que o ministro (Luís Roberto) Barroso (presidente do TSE) não aceita as coligações. O ministro Barroso não manda no Parlamento brasileiro. O TSE tem que acatar a decisão do Congresso Nacional brasileiro, que quer a volta das coligações", disse o deputado José Nelto (Podemos-GO), vice-líder do partido.

"Eu sempre fui contra as coligações proporcionais. Sempre fui e continuo sendo. Não acho que é o melhor caminho. Mas eu participei de uma negociação política efetiva, onde aqueles que queriam apoiar o 'Distritão' abriram mão deste embate, para manter o sistema proporcional. E neste acordo nós assumimos (...) a ética do mal menor, que é a volta das coligações", disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS), que foi o relator de uma reforma política anterior aprovada pelo Congresso.

Imposto de renda – Sobre a votação do projeto que altera as regras do Imposto de Renda, o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse, ontem, que tentará votar o projeto novamente, mas sabe que pode haver resistências. Na semana passada, ele chegou a pautá-lo em plenário, mas até mesmo aliados pediram o adiamento. “Tema desse nunca vai dar acordo. Em um país que quer quebrar o paradigma de tachar dividendos e com R$ 330 bilhões que nunca pagaram um centavo de imposto, não vão querer pagar agora sem reagir. É normal que haja empurra-empurra de textos”, disse.

Reflexos na economia – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou, ontem, que, discutir pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), como os que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quer apresentar, “não é recomendável” e prejudicaria a recuperação econômica e o combate à pobreza no país. “Essa pauta propositiva do Brasil ficaria realmente muito prejudicada com o esgarçamento das instituições e é isso que nós temos que evitar e encontrar as ações que sejam realmente salutares, sejam positivas para esse ambiente de pacificação”, declarou.

Impeachment – O ex-prefeito e candidato ao Planalto em 2018, Fernando Haddad (PT-SP), e o deputado Rui Falcão (PT-SP), recorreram da decisão da ministra Cármen Lúcia, do STF, de rejeitar mandado de segurança que pedia que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), fosse obrigado a analisar pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro. O agravo pede que seja determinado o imediato processamento da denúncia por crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República Jair Bolsonaro por parte de Arthur Lira, e a leitura no expediente da primeira sessão plenária subsequente ao recebimento da notificação da decisão da Corte.

Mudou o tom – Em audiência pública, ontem, na Câmara, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, adotou tom cauteloso diante da escalada de tensão dos últimos dias entre o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal e procurou amenizar declarações do presidente Jair Bolsonaro de que as Forças Armadas têm papel de “poder moderador” numa eventual crise. Após o Estadão revelar que o Braga Netto ameaçou, em julho, a realização das eleições de 2022 ao voto impresso no País, o general tentou desvincular os militares de qualquer plano de ruptura institucional. Negou que tenha feito ameaça à democracia e, diante de uma plateia de deputados, disse que nunca houve ditadura militar no Brasil.

Foi só um susto – Fátima Bernardes vai continuar afastada do comando do Encontro nos próximos dias por decisão da Globo. Após mal-estar, ontem, quando foi substituída por Fernanda Gentil, a apresentadora ficará em isolamento. Isso porque, mesmo testando negativo para a covid-19 após exame, Fátima terá que seguir os protocolos da Globo. Assim, ela vai continuar afastada até segunda ordem. Quando vi a notícia, ontem, pensei que ela iria se afastar para se dedicar à campanha do seu love em Pernambuco, o deputado Túlio Gadelha, eleito por causa da popularidade dela.

CURTAS

PE ACOLHE – Uma iniciativa para conceder meio salário mínimo para crianças e adolescentes que perderam pai e mãe para a Covid-19 foi anunciada, ontem, pelo Governo do Estado. O projeto de lei prevê o benefício de R$ 550 para quem tem até 18 anos e será enviado na próxima semana para a Assembleia Legislativa. Para começar a valer, o Pernambuco Acolhe depende da aprovação dos deputados estaduais e, depois, da assinatura do governador Paulo Câmara (PSB).

ADOLESCENTES – O Governo do Estado liberou, ontem, a vacinação contra Covid-19 para adolescentes com deficiências permanentes, doenças pré-existentes e jovens que estão em instituições para infratores. Também serão contempladas grávidas e mulheres no período de um ano após o parto. O público beneficiado tem entre 12 e 17 anos

Perguntar não ofende: O Senado mantém a volta das coligações na reforma aprovada ontem pela Câmara em segundo turno?


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Caruaru - Feira da Sulanca


17/08


2021

Coluna da terça-feira

Senador sai do MDB ou PT

Na montagem da aliança que passa pela cabeça de Lula, o PSB, que paparicou por dois dias no Recife, abrindo a maratona pelo Nordeste, terá papel de ator principal, não de figurante. Dos socialistas, nos planos para voltar ao poder, o ex-presidiário abocanha tempo na TV, sua coligação amplia o território da esquerda e em contrapartida em Pernambuco seus aliados acham que criam as condições para emplacar o sucessor de Paulo Câmara, pegando carona na popularidade de Lula.

Lula fez uma agenda em Pernambuco para atrair também outros partidos, como o Republicanos e o PSD, abrindo espaço para o centro direita. Conversou com André de Paula, presidente estadual do PSD, e Silvio Costa Filho, presidente dos Republicanos. Ambos sonham em disputar o Senado e por isso mesmo aceitaram posar para fotos com um ex-presidiário, mesmo ocupando cargos no Governo Bolsonaro, a quem Lula combate tenazmente.

A política é feita de jogo e definida por estratégias, mas são mínimas as chances do Republicanos ou do PSD emplacarem uma vaga na chapa majoritária do PSB. O raciocínio é muito lógico e elementar: PSB e PT, juntos, decidirão o que acharem mais conveniente. Cabeça de chapa, os socialistas oferecerão ao PT o Senado ou a vice na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.

Nesta aliança com Lula, que o PT acha que vai lavar a burra, os interesses locais não prevalecerão. Com Lula na disputa, o PT, frágil hoje no Congresso, irá exigir de Paulo Câmara a vaga para o Senado. Isso se o MDB não atrapalhar. O que se ouve nos bastidores é que o senador Fernando Bezerra Coelho seria o nome preferido de Geraldo Júlio, o Covidão, na disputa para o Senado, caso o ex-prefeito seja o candidato a governador indicado pelo PSB.

Concretizada esse regresso de FBC à base governista, André e Silvio Filho, sonhadores acordados com a vaga ao Senado, serão obrigados a tirarem o cavalinho da chuva, porque, pela ordem de grandeza e importância, o MDB, na aliança estadual, não abrirá mão da vaga para o Senado. 

Resumo da ópera: o candidato a senador na chapa governista sairá do MDB ou do PT, nunca do PSD ou Republicanos.

FHC fez história – Lula, o ex-presidiário da Lava Jato, já está cantando de galo antes do tempo. Arrotando beicinho de eleito sem o teste das urnas, disse, ontem, na coletiva no Recife, que vai pegar em 2023, ano da posse do novo chefe da Nação, um Brasil pior do que deixou em 2012. “Tenho clareza de que pegaremos o Brasil em 2022 muito pior do que eu peguei em 2003”, afirmou. Em política, cantar vitória antes da hora dá um azar terrível. Que diga FHC, que chegou a sentar na cadeira de prefeito e o escolhido pelo povo foi Jânio Quadros.

Segurei o vômito– Ao ver, ontem, a foto do deputado André de Paula, de DNA macielista, de extrema direita conservadora, agarrado com Lula e Humberto Costa, me deu náuseas. No túmulo, os restos mortais de Marco Maciel devem ter sido revirados. De volta à cena nacional, o chefe da quadrilha do mensalão está exercitando a sua maior virtude, a de enganar. Quanto a André, antes de beijar a mão do ex-presidiário, deveria entregar os cargos federais que aliados ocupam no Estado. A fraqueza política é apenas uma consequência das escolhas do povo.

Folha seca – Além de provocar repugnância, a imagem de André de Paula agarrado a um ex-presidiário revoltou profundamente os macielistas de raiz. Um deles assim reagiu: “Só quem não aprendeu a ser gente com Marco Maciel procura Lula”. Roberto Magalhães disse, certa vez, que a política é diabólica. Tem razão, porque assim se comportam os políticos oportunistas, que mudam de lado como folha seca.

Tudo mentira – Os bolsonaristas espalharam vídeos em grupos, entre domingo e ontem, com hostilidades da população a Lula, mas nenhum deles é verdadeiro. O primeiro, ele num ônibus, em Boa Viagem, é muito antigo e o segundo, uma ida do ex-presidiário a um restaurante, sendo recebido com o coro “Lula ladrão”, também é velho e se passou num restaurante em Natal, a charmosa capital do Rio Grande do Norte. Até onde vai parar essa indústria maluca e neurótica das fake news?

Terceira via a caminho – Na passagem vapt-vupt pelo Recife e com mais tempo para Caruaru, na sexta-feira passada, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, pré-candidato ao Planalto, agradou em cheio. Simpático, educado e gentil, arriscou até uns passos de forró na apresentação de um grupo tradicional no Pátio do Forró organizado pela prefeita anfitriã Raquel Lyra. Leite tem carisma e preparo, mas precisa, antes, ganhar as prévias tucanas para viabilizar seu voo ao Planalto, com chances de virar a terceira via na corrida presidencial.

CURTAS

Mentiroso – Duas usinas para produção de energia solar com capacidade para abastecer 50 veículos elétricos vão ser construídas em Fernando de Noronha. Segundo a Celpe, os equipamentos estão na ilha e a primeira usina vai ser instalada na região da Vacaria até dezembro de 2021. A informação foi divulgada por Mario Ruiz-Tagle, diretor da Neoenergia, grupo ao qual a Celpe pertence.

Isso é o Zeca – O sambista Zeca Pagodinho resolveu presentear os médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem da Casa de Saúde São José, no Humaitá, durante a noite de domingo passado com uma “canja”. Internado com Covid-19, o músico cantou trechos de sambas-canção gravados por Lupicínio Rodrigues e Silvio Caldas.

Perguntar não ofende: Por que Lula não anda de avião de carreira nem vai às ruas?


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Joao

Perguntar não ofende: por que o blogueiro puxa-sacos do acéfalo, dos Feitosa, dos Ferreira e dos Coelhos, acho que não mais dos últimos, não fala das rachadinhas doa ZEROS, bem como da casinha de Flavinho chocolate? Será que aprendeu com cloroquina!


Arcoverde novembro 2021


16/08


2021

Coluna da segunda-feira

O banquete e Santo Agostinho

O PSB de Pernambuco tem todo o direito de abraçar-se com Lula, ex-presidiário da Lava Jato, esquema que desviou dos cofres públicos da Nação a bagatela de R$ 40 bilhões. Tem direito também de renovar o namoro que redundará, certamente, em casamento para as eleições presidenciais do ano que vem, recebendo em troca o apoio do PT para se manter no Governo do Estado.

Só não tem o direito de gastar o meu, o seu, o dinheiro do contribuinte, num banquete para Lula no Palácio do Campo das Princesas em pleno domingo. Lula não é mais chefe de Estado nem autoridade pública. Não goza, portanto, dessa regalia, aberração do governador Paulo Câmara, o impostor. Num Estado nordestino, em que a fome mata e assola milhares de miseráveis, servir lagosta, caviar e camarão, com vinhos finos e uísque, a um presidiário, com o dinheiro dos nossos impostos, é um acinte.

Com a chibata do poder nas mãos no Estado e na Prefeitura do Recife desde que Eduardo Campos se elegeu em 2006, o PSB governa de costas para o povo. E quando isso acontece, a prosperidade ou a ruína de um estado depende da moralidade de seus governantes. Na gestão pública, não sabe o PSB, o que conta é o mínimo de respeito ao cidadão, não a permissividade passiva, fruto de uma administração provinciana e irresponsável.

A moralidade está além da legalidade. Torrar dinheiro público com ex-presidiário, para se discutir uma aliança politica na cozinha e no salão do prazer palaciano, é má administração. E a má administração do dinheiro público, associada à corrupção, gangrenam a sociedade brasileira. Para ser um grande governante não precisa ser um nacionalista ou estadista. Basta respeitar o que é alheio, não premiar corruptos em jantares com o nosso dinheiro.

A sociedade não tem medo nem nojo apenas de governos tiranos, mas de governantes que se lambuzam em banquetes pagos pelo povo. O exemplo da boa governabilidade do Estado não é em si o caráter e o bom empenho do governante, mas, sobretudo, a dignidade e o afinco dos que compõem o quadro de posições firmes em defesa dos mais frágeis, carentes e dependentes do poder.

Para governar um Estado há de se ter, no mínimo, decência. Sem isso, a tendência é o abismo. Não sabe o governador que a força mais poderosa da liderança de um chefe de Estado é o exemplo e o que ele fez ontem foi um péssimo exemplo. Não sabe que a maior força de uma liderança está na causa que ela serve, não em agradar homens maus, que fazem maldades. Lula fez um grande mal à Nação. É loucura imaginar diferente. Já ouvi que o mal dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.

Ao ler essa coluna, hoje, o governador poderia fazer uma reflexão sobre os ensinamentos de Santo Agostinho, que dizia preferir os que o criticavam, porque o corrigiam, enquanto os que o elogiavam, tentavam corrompê-lo.

PT nada em dinheiro – O imponente jatinho que deixou Lula e sua comitiva, ontem, no Recife, é digno de chefes de Estado, não de ex-presidiário. Chamou tanto atenção ao taxiar no hangar da Weston que o PT foi rápido no gatilho. Antes que aparece insinuações de que algum empreiteiro estava bancando a festa, o partido emitiu um comunicado que a dinheirama do aluguel da aeronave estava saindo dos cofres do partido. O PT é um partido rico. Segundo nota do TSE de junho de 2020, o PT embolsou R$ 200,9 milhões do chamado Fundo Partidário, o Fundão.

A ira de Tábata – O prefeito do Recife, João Campos, não queria ir ao banquete de ontem, em Palácio, para o ex-presidiário Lula, temendo desagradar a futura primeira-dama Tábata Amaral, que não morre de amores pelo PT nem tampouco pela figura de Lula. Ainda está engasgada com a baixaria que o PT pernambucano, com a anuência de Lula, promoveu na eleição passada no Recife, onde o grande amor de sua vida foi chamado de corrupto.

O mundo dá voltas – Depois de trair Ciro Gomes e abandonar o PDT, o deputado Túlio Gadelha, que ganhou notabilidade nacional apenas por ser namorado da apresentadora global Fátima Bernardes – ninguém, na verdade, de bom senso, sabe o que ele faz em Brasília – foi flertar com o ex-presidiário Lula, ontem, num hotel do Recife, e saiu de lá fazendo rasgados elogios ao chefe da quadrilha da Lava Jato. Quem te viu, quem te vê, hein?

Passou a tristeza – Líder do PCdoB na Câmara, o deputado Renildo Calheiros também foi paparicar o ex-presidiário. "Ele não se coloca como candidato a presidente, mas como um brasileiro interessando que o brasileiro não tenha tantos problemas, alguém interessado que as coisas melhorem", disse. Lembrou que, da última vez que esteve com Lula, após sair da prisão, encontrou um Lula bastante abatido, diferente do astral apresentado ontem. "Ele está muito contente, a gente vê isso no olhar dele", observou.

Oposição altiva – Liderança de oposição em ascensão no Estado, o deputado Alberto Feitosa (PSC), que disputou a Prefeitura do Recife na eleição passada, gravou, ontem, um importante e oportuno vídeo em frente ao Palácio das Princesas, para condenar o que classificou de “banquete do escárnio”, oferecido pelo governador Paulo Câmara ao ex-presidiário do PT na sede do poder estadual. Hoje, ele deve encaminhar um pedido de explicações ao Governo do Estado sobre os custos da farra, com um prazo de 48 horas.

CURTAS

Mentiroso – No encontro que teve, ontem, com lideranças politicas no Recife, o ex-presidiário Lula caprichou no populismo. Disse que ia colocar “os pobres no orçamento e os ricos no imposto de renda”. Não mudou em absolutamente nada. Omitiu que no seu Governo nunca os banqueiros lucraram tanto.

Caindo fora – Líderes caminhoneiros afirmaram, ontem, em Brasília, que a classe rejeita a convocação de manifestações feitas pelo cantor e ex-deputado Sérgio Reis para que presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), “aprove” o voto impresso e derrube os 11 ministros do STF em até 72 horas. Segundo Chorão, presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), os caminhoneiros não vão se envolver em discussões políticas".

Perguntar não ofende: Quanto custou aos cofres públicos o banquete do escárnio?


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Leticia Medeiros

PT deve ter muito dinheiro, em espécie, escondido em algum lugar do mundo, pois passou 16 anos captando grana de obras de estatais e empreiteiras. E o povo pernambucano ainda paga a conta destes bacanais imorais realizados com verba pública!

Joao

Perguntar não ofende: e aí blogueiro, sabe dizer quanto já custou aos cofres públicos as motociatas idiotas do acéfalo? Sei que quase 600 mil brasileiros já morreram, boa parte por incompetência do governo, de covid-19. Sabe dizer quanto custou verdadeiramente a casa 01?


Serra Talhada 2021


14/08


2021

Coluna do sabadão

Presidenciáveis buscam Pernambuco

Por Houldine Nascimento – interino

A pouco mais de um ano para as eleições, dois presidenciáveis decidiram vir a Pernambuco numa tentativa de costurar alianças para 2022. Um deles, o governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB), desembarcou na capital ontem para uma série de compromissos no Recife e no interior. No Aeroporto Internacional Gilberto Freyre, foi recepcionado pela prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, que é presidente do PSDB no Estado.

No caminho de Leite ainda estão as prévias do partido para definir o nome que representará os tucanos na disputa pela Presidência. A missão do gestor gaúcho não é das mais fáceis, já que o governador de São Paulo, João Doria, está bastante empenhado em ser o candidato do PSDB na corrida ao Planalto.

Discreto, Eduardo Leite tem transitado por estados diversos e adotado um tom conciliatório onde vai, como se estivesse guardando distância do correligionário paulista, que enfrenta resistência dentro do partido. Presidente nacional do PSDB, o pernambucano Bruno Araújo também esteve em Caruaru com Leite e outras lideranças tucanas no Estado, ontem, quando apresentaram um manifesto intitulado “Pacto pelo Nordeste”. O gaúcho arriscou alguns passos de forró na visita ao Alto do Moura, um dos cartões-postais da cidade.

A boa receptividade a Eduardo Leite conta a favor nessa disputa interna com João Doria, ainda mais se considerar os movimentos em falso do gestor paulista dentro do PSDB. Em fevereiro, Doria tentou remover Bruno do comando do partido e expulsar o deputado federal Aécio Neves (MG). Em vão. Foi justamente isso que proporcionou ao governador gaúcho colocar seu nome para jogo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também virá a Pernambuco neste fim de semana. Na tarde de domingo (15), o líder petista tem uma agenda com prefeitos e deputados do partido, além de movimentos sociais. À noite, há a previsão de um jantar com o governador Paulo Câmara (PSB) no Palácio do Campo das Princesas e com a presença de integrantes da Frente Popular e do prefeito do Recife, João Campos (PSB), segundo informou o jornal O Globo.

A expectativa é de que Lula sele nova aliança entre petistas e socialistas, visando ao pleito majoritário de 2022, mesmo com a defesa pública de João por um nome próprio do PSB à Presidência. A prioridade do PT é a candidatura à Presidência, cedendo a arranjos nos estados.

Distante – Alguns nomes do PT não estarão na agenda com o ex-presidente Lula em Pernambuco. É o caso do ex-prefeito de Serra Talhada e pré-candidato a deputado estadual Luciano Duque, à frente de uma nova etapa da Caravana “Pernambuco Mais Forte: Do Sertão ao Cais”. Antes defensor de uma candidatura própria do PT ao Governo de Pernambuco, ele tem peregrinado por diversas regiões e, neste fim de semana, está no Sertão do Araripe, onde seguirá até domingo (15), quando Lula estará reunido com demais petistas, incluindo a prefeita de Serra, Márcia Conrado, apadrinhada de Duque.

Recuperação do HCP – O governador Paulo Câmara visita, hoje, as obras de recuperação do prédio desativado do Hospital de Câncer de Pernambuco. Em julho, o gestor sancionou a lei que autorizou a concessão de subvenção social, na ordem de R$ 2,4 milhões, para a realização dos serviços. Com os recursos, será possível abrir o novo Centro de Transplante de Medula Óssea, além de 24 leitos para hematologia, 20 leitos de UTI, um novo centro cirúrgico com 12 salas, a central de material de esterilização e 13 leitos da sala de repouso.

Presa – Dois dias depois de ser cassada, a ex-deputada federal Flordelis (RJ) foi presa no início da noite de ontem, em sua residência, em Niterói. Ela foi conduzida à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, fez exames no Instituto Médico-Legal da cidade e depois seguiu Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Uma audiência de custódia está marcada para hoje. Sua prisão foi requisitada pelo Ministério Público estadual e pelo advogado Angelo Máximo, que representa o pai de Anderson do Carmo no processo criminal em que Flordelis responde pela morte do marido.

Preso – O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, também foi detido ontem. A ordem de prisão partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que atendeu a um pedido da Polícia Federal. Na decisão, Moraes citou publicações em que Jefferson fez ameaça às instituições e à realização das eleições, além de incitar a violência. Em uma dessas postagens, o líder petebista falou em invadir o Senado e expulsar membros da CPI da Pandemia. Também pregou a destituição de ministros do Supremo. Roberto Jefferson foi levado para o presídio de Bangu 8, no Rio.

PGR contra prisão – A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra a prisão de Roberto Jefferson. O posicionamento foi da subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, braço-direito de Augusto Aras, que lidera o órgão. No parecer enviado ontem ao STF, argumentou que Jefferson não possui foro privilegiado e que não era a instância correta para essa investigação contra o ex-deputado. Já o gabinete do ministro Alexandre de Moraes emitiu uma nota dizendo que a PF requereu a prisão preventiva em 5 de agosto e que havia estipulado um prazo de 24h para que a PGR se pronunciasse, mas não havia recebido a manifestação da Procuradoria até a data da prisão.

CURTAS

PELA REJEIÇÃO – A Câmara Municipal de Igarassu tem até o próximo dia 25 para comunicar ao Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) o resultado da votação sobre as contas do exercício financeiro de 2014 do então prefeito Mário Ricardo (PTB). Em dezembro de 2020, a Primeira Câmara do TCE emitiu um parecer prévio, recomendando que os vereadores rejeitem as contas.

MOTIVOS – Os conselheiros listaram irregularidades: a ausência de repasses das contribuições previdenciárias ao Regime Próprio de Previdência Social no montante de R$ 1.395.513,68; a falta de repasses das contribuições ao Regime Geral de Previdência Social no total de R$ 4.133.548,51; e gastos com pessoal de R$ 99.845.174,35 no último quadrimestre do exercício em 2014, representando 67,85% em relação à Receita Corrente Líquida do Município.

 Perguntar não ofende: Quem vence a queda de braço no PSDB: Doria ou Leite?


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SESC - Férias de Janeiro


13/08


2021

Coluna da sexta-feira

Só pensam neles

Conforme adiantei na coluna da última quarta-feira, os deputados aprovaram, na sessão da última quarta-feira, já quase pela madrugada, a volta das coligações partidárias já valendo para as eleições de renovação dos mandatos deles, no ano que vem. Dentro da proposta de reforma política, fecharam um acordo para aprovar a volta das coligações em vez do distritão, já que este modelo não havia consenso. Foi um tremendo casuísmo. Conforme já havia comentado aqui, deputado só legisla olhando do seu umbigo para baixo.

Foi uma reviravolta costurada com a sessão já em andamento. Até o início da sessão, a proposta com mais força era adotar o distritão. Os apoiadores do distritão, em sua maior parte integrantes do chamado Centrão, achavam que tinham votos suficientes para aprová-lo – como se trata de uma mudança constitucional, seriam necessários ao menos 308 apoios em 2 turnos, no universo de 513 deputados, mas erraram os cálculos.

A relatora, deputada Renata Abreu (Podemos-SP), havia feito uma proposta com distritão, coligações e até mudança na forma de eleição do presidente da República. O texto-base foi aprovado com 339 votos a 123, e cinco abstenções. Depois, nas votações separadas, o distritão caiu por 423 votos a 35. As coligações tiveram 333 a favor e 149 contra e 4 abstenções. A alteração na eleição para o Executivo ainda não foi analisada separadamente, mas deve cair.

A volta das coligações favorece a fragmentação partidária e poderá reverter a tendência de enxugamento das siglas que vinha sendo observada nos últimos anos. O distritão também favoreceria a fragmentação e enfraqueceria os partidos. Nesse sistema são eleitos os mais votados independentemente do desempenho das legendas. Atualmente, as cadeiras de deputados e vereadores são divididas de acordo com as votações dos partidos –e assumem as vagas os candidatos mais votados de cada sigla.

Os partidos podem lançar número de candidatos equivalente a até uma vez e meia a quantidade de vagas em disputa. Não alcançar o número máximo significa menos gente fazendo campanha e provavelmente conseguir menos votos e obter menos vagas. Com as coligações, os partidos podem se unir para alcançar o número máximo, o que facilita a formação de chapas. Mantidas as regras que valiam na última eleição nacional, uma coligação pode ter número de candidatos equivalente ao dobro de cadeiras em disputa.

Acesso ao Fundão – Os deputados também devem votar projeto que institui as coligações partidárias. São semelhantes a coligações, mas valem por mais tempo que as eleições e para cálculo da cláusula de desempenho, que retira de partidos com mau desempenho acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV. Na prática, não bater a cláusula ameaça a existência do partido. Em 2022, estarão acima da nota de corte as legendas que conseguirem mais de 2% dos votos para deputado federal ou que elegerem pelo menos 11.

Eduardo em Caruaru – Na disputa pela preferência do PSDB ao Planalto, nas prévias com mais dois candidatos – João Doria e Tasso Jereissati – o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, desembarca em Pernambuco, hoje, pela primeira vez na condição de pré-candidato ao Planalto, para cumprir agenda com predominância do seu tempo em Caruaru, terra da presidente estadual da legenda, a prefeita Raquel Lyra. Lá, visita o Alto do Moura e depois concede uma entrevista coletiva. Por enquanto, o candidato mais forte para ganhar as prévias tucanas continua sendo Doria, o calcinha apertada governador de São Paulo, segundo carimbou Bolsonaro.

Ameaça de expulsão – Para punir os seus 14 deputados que votaram a favor da PEC do voto impresso, o PSDB planeja pagar um valor extra do fundo eleitoral aos 17 congressistas que seguiram a orientação da Executiva do partido e votaram contra, segundo o jornal O Estado de São Paulo. Antes da votação, os comandantes do partido se reuniram e decidiram não apoiar a proposta da deputada Bia Kicis (PSL-DF). Os deputados que não respeitaram as orientações da direção deverão ser expulsos. “Se a Executiva não tomar providências, o partido vai ser desmoralizado. Esses deputados descumpriram uma cláusula estatutária. O PSDB deve expulsá-los imediatamente e pedir o mandato”, disse o presidente do PSDB paulistano, Fernando Alfredo.

Privatização da Eletrobras – O Governo Federal deve enviar os estudos da privatização da Eletrobras ao Tribunal de Contas da União no final deste mês, segundo Diogo Mac Cord, secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia. O prazo máximo, segundo ele, é no início de setembro. O Governo, conforme adiantou, mantém contato com os técnicos do TCU para que o projeto não seja uma “surpresa” quando chegar no Tribunal. A comunicação com a área técnica, de acordo com Mac Cord, diminui a chance de atraso no cronograma por causa de pedidos de ajustes no projeto.

Rifado pelos bolsonaristas – Presidente estadual do PTB e bolsonarista convicto, o Coronel Meira acha que o voto do deputado Fernando Bezerra Filho, do DEM (foto), contra o voto impresso, na última terça-feira, inviabilizou de vez a candidatura do seu irmão Miguel Coelho (MDB), prefeito de Petrolina, a governador. “Já era, não terá jamais o apoio do presidente Bolsonaro nem dos partidos aliados ao Governo em Pernambuco. O voto do seu irmão foi uma sentença de morte na corrida ao Palácio das Princesas”, disse. Miguel e Fernando são filhos do senador Fernando Bezerra Coelho, líder do Governo no Senado, que, no mesmo dia da votação da PEC do voto impresso, fez um discurso com criticas ao Governo e ao presidente na sessão da CPI da Covid, surpreendendo a todos.

CURTAS

Briga pelo 5G – A disputa pelo uso do símbolo 5G chegou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Secretaria Nacional do Consumidor abriu investigação contra TIM, Claro e Vivo para apurar o uso do símbolo da nova tecnologia em propagandas e nos aparelhos. Em jogo, uma suposta propaganda enganosa. A multa pode chegar a R$ 11 milhões. O ministro das Comunicações, Fabio Faria, quer que o termo seja usado só depois do leilão do 5G puro, também conhecido como standalone.

Fim do racionamento – A partir da próxima segunda-feira, 250 mil pessoas que moram em localidades do Grande Recife terão mais água nas torneiras. O fim do racionamento e a redução do rodízio em bairros de Olinda, Paulista, Igarassu e Abreu e Lima foram confirmados pela Compesa. Segundo a empresa, a medida foi tomada depois da avaliação da situação da Barragem Botafogo, em Igarassu, que abastece essas áreas. O reservatório acumulou água com as chuvas registradas no inverno.

Perguntar não ofende: Qual o jogo, afinal, do senador Fernando Bezerra Coelho para as eleições de 2022?


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Bandeirantes novembro 2021


12/08


2021

Coluna de quinta-feira

Bolsonaro já fez muito pelo NE

Na entrevista que concedeu, na última terça-feira, à Rede Nordeste de Rádio, direto do seu gabinete, em Brasília, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, traçou um cenário de realizações da sua pasta no Nordeste amplamente desconhecido da população brasileira. Só em obras hídricas, disse que os investimentos superam a casa dos R$ 3,5 bilhões. Segundo ele, até meados do segundo semestre do ano que vem, 100% das obras da Transposição do São Francisco estarão concluídas.

Se tudo isso está acontecendo e ninguém sabe, das duas uma: ou o Governo é muito ruim e amador na comunicação ou alguém está blefando. Mas o ministro não é de blefe. É um gestor sério e competente, forjado no serviço público em seu Estado natal, o Rio Grande do Norte, que representou em Brasília em três mandatos de deputado federal. E tudo que falou foi com base numa planilha que estava ao seu lado, com todos os números, e que não precisou nem consultar.

“Nós temos seis mil obras hídricas. Aí a gente leva em consideração perfuração de poços, dessalinização, pequenas adutoras médias e grandes. Trabalho ligado a tratamento de água e esgoto. É um portifólio muito extenso, que vão de questões ligadas à saúde e saneamento”, disse. Sobre a Transposição, afirmou: “Na verdade, chegaremos ao Rio Grande do Norte, que é o último Estado setentrional, receptor, com as águas do São Francisco, até dezembro”.

E acrescentou: “A partir da chegada ao RN, são obras de customização, de repaginação do que já foi feito em tempos pretéritos. Eventualmente, há a necessidade de se comprar novas bombas para ampliar a capacidade de bombeamento dessa água. Em sua integralidade, a capacidade vai chegar a mais de 120 m³. Nós temos um conjunto de bomba, cada uma custa R$ 30 milhões. Nós vamos precisar de 30 a 35 bombas.”

Segundo ele, a prioridade do Governo é concluir a obra física dos canais. Os recursos alocados devem permitir que os canais sejam terminados na altura do Eixo Norte, chegando em Caiçara (PB). De lá, vai a São Gonçalo, que é o maior reservatório da Paraíba. Em seguida, vai a uma barragem de Engenheiro Ávidos (PB). “Estamos fazendo uma restauração dessa barragem a partir da tomada d’água. De lá, são mais de 115 km de rio até a altura de Jardim de Piranhas, no Rio Grande do Norte. Isso vai permitir comemorar a conclusão das obras do eixo norte e o beneficiamento do quarto Estado, que seria o RN”, afirmou.

Perguntado por que o Governo não dava prioridade à divulgação dessas obras, Marinho “Esse governo tem alguns defeitos, a comunicação é o mais nítido. Não publicizar os seus feitos tem sido um grande pecado. Eu diria que o que está sendo feito nesses últimos três anos é mais impactante do que nos últimos 20 anos. Nós temos obras de infraestrutura hídrica e segurança hídrica desde o Norte de Minas até o Maranhão. Os estados do Nordeste estão tendo uma atenção muito forte do Governo Federal e o presidente foi muito claro quando me convidou: ‘Abrace o Nordeste’.

Jornada das Águas – Em outubro, segundo Rogério Marinho, o Governo lançará a ‘Jornada das Águas’, para dar visibilidade a essas obras. “Nós devemos noticiar o início do projeto executivo do Canal do Sertão Baiano, com mais de 15 km de extensão. Também deveremos dar ordem de serviço para a obra física do Canal de Xingó, em Sergipe. É uma obra esperada há mais de 50 anos. A gente espera fazer isso em outubro. Em Alagoas, nós vamos lançar vários programas contra desertificação, com mais de 1 milhão de árvores de umbu-cajá. São mais de R$ 90 milhões de investimentos. Também a conclusão da Barragem de Oiticica, no Rio Grande do Norte. Uma obra parada desde 1952”, disse.

Integração de bacias – Ainda na entrevista, o ministro do Desenvolvimento Regional disse que o Governo vai anunciar uma ação que considera uma das mais importantes do Estado brasileiro, que é a integração das bacias que vão desde o Rio Tocantins até as bacias dos rios Balseira, Mandu, Parnaíba e São Francisco. “Isso para termos, num horizonte de 15 a 20 anos, um quadro completamente diferente para a segurança hídrica da região, tanto do semiárido nordestino como de parte do Centro-oeste e da região Amazônica”, assinalou.

Salve o São Francisco – Sobre as notícias de que o Rio São Francisco estava carente de um projeto de revitalização, afirmou: “Há um fundo com recursos assegurados para esse trabalho de revitalização e já antes lançamos um programa chamado Águas Brasileiras. Conseguimos captar em torno de R$ 70 milhões na primeira edição. Com quatro bacias principais (Taquari/MS, Tocantins-Araguaia, Parnaíba e o São Francisco). São programas que tratam de plantio de árvores, matas ciliares, para preservar as fontes, nascentes e de trazer de forma sustentável a população ribeirinha para esse desenvolvimento de forma responsável.”

Ferrovia Transnordestina – Embora não seja de responsabilidade da sua pasta, a ferrovia Transnordestina também teve uma explicação do ministro quanto à polêmica de que Pernambuco ficaria sem o seu ramal. “A ferrovia tem uma participação do nosso Ministério na alocação de recursos, dos fundos constitucionais geridos pelo Banco do Nordeste e interveniência da Sudene. Então, a gente termina tendo uma ingerência na questão do financiamento, mas não da gestão da obra. Há uma discussão entre a operadora, que é a CSN. A velocidade da obra está sendo questionada por Tarcísio (Freitas, ministro da Infraestrutura). E nas tratativas, há a possibilidade de se distratar esse ramal de Pernambuco para permitir que seja relicitado por uma outra empresa, preservando o ramal que vai para Pecém por estar mais adiantado. Mas isso não é definitivo. É uma obra importante, ligaria os dois portos mais importantes do Nordeste setentrional, do Ceará e de Pernambuco, e permitiria um desenvolvimento muito forte dos dois estados”, explicou.

Papel da Sudene – O ministro também foi provocado a tratar de Sudene. “A autarquia ainda é um importante referencial na definição das políticas de investimento na nossa região. Nós temos uma reunião de governadores, que é a maior, com os nove governadores do Nordeste, o de Minas Gerais e o do Espírito Santo. As empresas que se instalam nessa região têm a possibilidade de isenção fiscal. A Sudene também define o planejamento em relação ao Nordeste. Evidentemente que a pujança de 30 anos atrás se debilitou.”

CURTAS

Energias alternativas – Quanto as energias alternativas, disse que o mundo inteiro está caminhando na direção de trocar as suas matrizes. “Cada vez mais está substituindo a energia fóssil por solar, eólica, hidrogênio verde. No Nordeste, o que não falta é sol e vento. Somos a região do Brasil mais propícia a esse modal de energia. Os estados nordestinos estão produzindo 11GW. Mais ou menos a Itaipu, que são 14GW”, disse.

Saneamento – Sobre o Marco do Saneamento, também na sua pasta, disse que após a sua aprovação, em junho do ano passado, leilões propiciaram quase R$ 70 bilhões em investimentos, fruto de esforço coletivo dos Estados, Municípios e Governo Federal. “Nós temos 12 anos para chegarmos à universalização do tratamento de água e esgoto no país. De esgoto, com 90%, e água com 99%”, destacou.

Perguntar não ofende: Dá para acreditar em tantas ações no Nordeste?


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Comentários

Joao

Claro que não. Esse é o mais novo puxa-saco garoto propaganda do blog, juntamente com o sanfoneiro de péssima qualidade. Esse acéfalo não fez pelo Nordeste, assim como pelo Brasil. Parece que o FBC caiu fora do barco furado!


Pousada da Paixão


11/08


2021

Coluna de quarta-feira

Coligações salvam deputados 

As mudanças nas regras eleitorais para o pleito de 2022, aprovadas na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, com a adoção do Distritão e a volta das coligações partidárias, tendem a serem aprovadas também pelo plenário da Câmara. Deputados não costumam dar tiro no pé. Como se trata de uma eleição no escuro, mantido o modelo da eleição passada, algo terá que ser refeito ou remendado.

O que ouvi ontem em Brasília é que o Distritão não passa no Senado, mesmo aprovado por larga margem de votos na Câmara. Os senadores não deixarão os deputados nas mãos. Aprovam a volta das coligações e aí estará criada uma saída no chamado jeitinho brasileiro para salvar quem está hoje na marca do pênalti, ou seja, com dificuldades de emplacar uma nova reeleição por falta de chapas competitivas, comum hoje a todos os partidos de uma forma em geral.

Proibidas nas eleições passadas para vereador, o que deixou muita gente perdurada no chapéu, as coligações permitem alianças com o maior número de partidos, independentemente de cor partidária ou ideologia. Tudo que os pequenos partidos, especialmente, precisam para montar chapas com chances de eleger um maior número de deputados nas coligações que virem a ser fechadas.

Na prática, trocando em miúdos, deputados e senadores agem de acordo com as suas conveniências. Quando foi para sacrificar a eleição municipal, jogando os vereadores como cobaias, o Congresso foi ágil e eficaz, mas quando a cabeça deles passa a entrar na guilhotina, o jogo é outro, o do interesse deles. Nunca conheci um Congresso suicida. Esse não seria o primeiro.

Repercussão na CPI – O presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), leu discurso contra o desfile de carros blindados militares, ontem, no plenário da Casa. O senador chamou o ato de “patético” e “arroubo golpista” do presidente Jair Bolsonaro. “Em apenas dois anos e meio de mandato, Bolsonaro colocou o país nessa situação vexatória, degradou as instituições e rebaixou as Forças Armadas, formada em sua grande maioria por homens sérios e honrados, como pude presenciar de perto no meu Amazonas”, declarou.

Interdição – O PDT, representado pelo presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, e pelo vice-presidente, Ciro Gomes, entrou com uma ação na Procuradoria Geral da República a favor da interdição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A ação afirma que Bolsonaro “ostenta caráter patológico” e “condutas que jamais seriam praticadas por pessoas em plenitude comportamental”. O partido afirma que se imaginava os “arroubos autoritários” do presidente Jair Bolsonaro eram apenas “cenas erráticas para angariar o apoio da população.

Barrado no baile – O vice-presidente Hamilton Mourão não recebeu convite para participar do desfile de veículos militares na Esplanada dos Ministérios. O presidente Jair Bolsonaro, ministros, comandantes das Forças Armadas, além de parlamentares aliados do governo, assistiram à exibição miliar da rampa do Palácio do Planalto. A equipe de assessoria do vice-presidente também confirmou que Mourão não foi chamado para reunião ministerial que ocorreu depois da parada militar. No ato de Bolsonaro recebeu convite para participar de um treinamento militar que ocorrerá em Formosa, na próxima sexta-feira. O desfile durou cerca de 10 minutos e exibiu 44 veículos militares, entre tanques, blindados e caminhões.

Cena patética - O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) disse, ontem, em entrevista à rádio ABC de Porto Alegre, que o desfile militar na Esplanada dos Ministérios foi uma “cena patética “. O evento foi organizado para que Bolsonaro (sem partido) recebesse um convite para comparecer a uma Demonstração Operativa em Formosa, Goiás. “A cena patética de hoje de receber um convite com um pequeno desfile militar na frente do Palácio. Acho que nem Sarney, nem FHC, nem eu, nem Dilma e nem Temer nunca precisamos disso”, afirmou o petista. Ainda de acordo com o ex-presidente, Bolsonaro utiliza as Forças Armadas como “marionete política “. Lula afirmou que não é contra militares na política, desde que estes tirem a farda para governar.

Efeito na base – O desfile bélico na Praça dos Três Poderes, na manhã de ontem, serviu para aumentar o racha no Centrão sobre a proposta de emenda constitucional que institui o voto impresso nas eleições de 2022. Se na comissão especial da Câmara que derrubou a proposta, há cinco dias, já se podia verificar a divisão da base governista, depois que blindados se exibiram nos arredores do Congresso o quadro só piorou. Até mesmo o Progressistas, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL) e do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, apresentou divisões.

CURTAS

Caos no Recife – As fortes chuvas registradas no Grande Recife entre a segunda-feira e ontem provocaram alagamentos e deslizamentos de terra. Na Rua Cabo Hermito Sá, no Brejo da Guabiraba, na Zona Norte, uma barreira deslizou e atingiu seis casas, das quais três ficaram destruídas. rês pessoas ficaram feridas e foram retiradas do local do deslizamento. Uma mulher não identificada foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros e disse que o deslocamento dessa vítima foi feito pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Segunda dose – O governador Paulo Câmara (PSB) tomou, ontem, a segunda dose da vacina contra a Covid-19. O gestor, de 49 anos, antecipou para 60 dias a aplicação da segunda dose, já que foi vacinado no dia 11 de junho. O imunizante recebido por ele foi o da AstraZeneca/Fiocruz, cujo reforço deve ser aplicado após um período de 60 a 90 dias.

Perguntar não ofende: Como vai se comportar o Senado na votação do projeto de reforma política?


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10/08


2021

Coluna da terça-feira

O tempo é o senhor da razão

A politica é, verdadeiramente, algo que exala um odor terrível, difícil de ser compreendida pelas pessoas distantes do seu mundo. Na eleição passada, PT e PSB se digladiaram na disputa pela Prefeitura do Recife com bombardeios que mais pareciam mísseis. Desapontado com os ataques, tão logo viu as urnas favoráveis na guerra do segundo turno contra Marília Arraes, o então prefeito eleito João Campos (PSB) declarou que as chances de o PT vir a ocupar espaços em sua gestão e se aliar, formalmente, chegariam quase a zero.

O tempo se encarregou de mostrar o contrário e em 22 João deve se abraçar no palanque com os vermelhos que em 20 disseram que não tinha a menor condição de governar Recife, que era uma invenção da mãe Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos. O carimbaram de “Príncipe” para convencer o eleitorado do Recife que era o mais fiel depositário da dinastia socialista implantada no Estado desde a eleição do seu pai governador, em 2006.

O PT foi mais além. Apontou João, Geraldo Júlio e o governador Paulo Câmara como herdeiros de um ciclo, implantado por Eduardo, maculado pela corrupção. O tempo, que Collor dizia ser o senhor da razão, se encarregou de passar uma borracha nas idiossincrasias envolvendo PT e PSB. Bastou o ex-presidente Lula ter todos os seus crimes perdoados pelo ministro petista Edson Fachin, nomeado para o STF pela ex-presidente Lula, e retomar seus direitos políticos.

Falando, ontem, no Frente a Frente, a então deputada petista raiz Teresa Leitão, que não morria de amores pelo PSB, nem torcia o nariz para os pecados do reinado socialista, disse que, em nome da eleição de Lula, será capaz de subir no palanque de qualquer candidato do PSB a governador, desde que o partido vista a camisa do ex-presidente e contribua para derrotar o projeto de reeleição de Bolsonaro.

Teresa só faltou dizer, com todas as letras, que aceita até Geraldo Covidão, envolvido em sete operações da Polícia Federal quando governou o Recife, todas elas apontando desvios de recursos federais para salvar gente inocente agonizando nas UTIs dos hospitais públicos com contágio em último grau da covid-19. Físico e humanista alemão, Albert Einstein morreu sonhador. Dizia que gostaria de uma sociedade mais justa, menos corrupta, com menos hipocrisia e mais digna.

Certamente, não é o mesmo pensamento que Teresa teve lá atrás. Conforme ela própria declarou, para eleger Lula, um corrupto que jamais Einstein passaria a mão na cabeça, será capaz de tudo, inclusive de aceitar a perpetuação do PSB no poder, que tanto mal vem fazendo ao Estado. Ainda em relação a Lula e ao PSB, Teresa está certa: não existe defeito que, com o tempo, numa sociedade corrupta, não se torne um mérito, nem vício que a convenção não consiga elevar à virtude.

Auxilio Brasil- O programa social que irá incorporar o Bolsa Família terá aumento de pelo menos 10% no número de famílias atendidas, de acordo com o ministro João Roma (Cidadania). Segundo ele, a iniciativa, que passará a ser chamada de Auxílio Brasil, terá ao menos 16 milhões de famílias contempladas ante os 14,6 milhões de hoje. Roma foi ao Congresso, ontem, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, entregar a Medida Provisória com as novas regras. O texto não estipula valores. Mas tudo deve ser definido pelo Legislativo até o final de setembro, avalia o ministro. O Governo corre para aprovar a proposta com o objetivo de contemplar a população de baixa renda que ficará sem o auxílio emergencial em novembro, quando acaba de ser paga a última parcela do benefício – criado para conter os efeitos econômicos da pandemia.

Entrega foi pessoal – O presidente Jair Bolsonaro entregou, ontem, ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), a Medida Provisória do novo Bolsa Família. O chefe do Executivo foi a pé do Palácio do Planalto até o Congresso Nacional. Estava ao lado dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Flávia Arruda (Secretaria de Governo), João Roma (Cidadania), Luiz Eduardo (Secretaria Geral) e Augusto Heleno (GSI). Os textos da medida provisória e da PEC ainda não foram publicados no Diário Oficial da União e não igualmente não divulgados pelo Executivo.

Valor reajustado – Na caminhada para a Câmara, Bolsonaro afirmou a jornalistas que o Auxílio Brasil — novo nome do programa que englobará o Bolsa Família — deve ter reajuste de no mínimo 50%. “Um pouquinho mais”, disse. O presidente insistiu inicialmente para que o valor do benefício chegasse a R$ 400, mas a equipe econômica já o tinha informado sobre a impossibilidade de se atingir o montante e trabalhava com a perspectiva de R$ 300. Um valor mais alto tem sido considerado como crucial para a reeleição de Bolsonaro no ano que vem.

Planeta saudável – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu, ontem, em seu perfil no Twitter, em defesa do desenvolvimento econômico integrado ao desenvolvimento ambiental. “Muita gente já entendeu que hoje você não pode discutir desenvolvimento econômico, sem discutir desenvolvimento ambiental. A consciência ambiental cresce a cada dia na sociedade. Não é possível desassociar. O planeta é uma casa, e todo mundo que mora nela tem que estar bem”, afirmou. O ex-presidente ainda alfinetou os empresários Jeff Bezos e Richard Branson que fizeram viagem turística ao espaço em foguetes. “Não adianta os ricos quererem alugar foguete e subirem pro céu pra tentar evitar de viver aqui na terra. Não, nós temos que construir um planeta saudável”, afirmou.

CURTAS

Cassados em bloco – Cinco dos 15 vereadores de Goiana, na Zona da Mata, tiveram seus mandatos cassados, ontem, pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco após denúncias de candidaturas laranjas de mulheres em suas chapas, para atingir a cota de gênero exigida. Além deles, 57 suplentes foram impugnados devido à fraude constatada pela Justiça Eleitoral.

A lista da degola – Os vereadores que tiveram seus mandatos cassados são: André Ferreira de Souza (PL), conhecido como André Rabicó; Ana Cristina de Melo Freire Gouveia Silveira (PL), votada como Ana de Marcílio; Ibson Gouveia de Santana (Podemos); Marcos Alexandre Soares de Almeida (PSD), conhecido como Xande da Praia; e Sidney Paulo dos Santos (Podemos), cujo nome eleitoral é Sid do Caranguejo.

Perguntar não ofende: E Luciano Duque, o último dos Moicanos do PT, vai se render, como Teresa Leitão, à aliança estadual com o PSB?


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Comentários

Wellington Antunes

Realmente, \"politica é, verdadeiramente, algo que exala um odor terrível, difícil de ser compreendida pelas pessoas distantes do seu mundo\". Lembra do General Heleno quando disse se GRITAR PEGA CENTRÃO parodiando o SE LIGAR PEGA LADRÃO?




09/08


2021

Coluna da segunda-feira

Dia “D” do voto impresso  

A Proposta de Emenda à Constituição que institui um sistema de impressão de votos acoplado às urnas eletrônicas deve ser votada, amanhã, pelo plenário da Câmara dos Deputados. Líderes dos mais diversos partidos afirmam que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sinalizou que colocará o tema em pauta rapidamente. Líderes da base aliada do governo e do Centrão se reunirão em um almoço, hoje, para bater o martelo sobre a votação.

O almoço com o grupo é normalmente realizado às terças-feiras, mas foi antecipado para se discutir o voto impresso. No fim da tarde de sexta-feira, Lira anunciou que levaria a proposta ao plenário mesmo ela tendo sido rejeitada pela comissão especial que a analisou. Lira pretende, com a votação em plenário, enterrar de uma vez a ideia de mudar a Constituição para criar um sistema de impressão de votos acoplado às urnas eletrônicas. Não há apoio suficiente à proposta entre os 513 deputados.

A derrota do projeto é quase certa. Em tese, isso deixaria Jair Bolsonaro sem argumentos para contestar a Justiça Eleitoral sobre o tema. Segundo Lira, a deliberação da proposta por todos os deputados resultará em uma decisão “inquestionável e suprema”. Na prática, há duas possibilidades de um texto não aprovado pela comissão especial avançar para a análise em plenário, onde os 513 deputados podem votar. Uma delas ocorre quando o número de até 40 sessões realizadas pela comissão é ultrapassado.

Os defensores do voto impresso trabalham em cima do fato de que a comissão especial, que rejeitou a proposta, quinta-feira passada, não tem poderes para tal, apenas opinativo. Desta forma, o plenário vai ser chamado a deliberar, conforme já decidiu Arthur Lira. “Comissão Especial de PEC não é terminativa. Logo, a palavra final é do plenário”, explica o analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz.

Força da mobilização - Do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, ao comentar as recentes manifestações de ruas pelo voto impresso: “Eu acho que todas as modificações, as mudanças que têm havido no Brasil têm acontecido a partir do povo nas ruas, a partir de uma confiança de que o impossível pode acontecer.  Está muito frequente agora essa coisa de que a política é a arte do possível. Na verdade, eu acho que só o povo pode transformar o impossível em possível, só o povo pode transformar aquilo que é mais uma barreira imposta pelo sistema”.

A nova polêmica – O escritor Paulo Coelho alfinetou na manhã de ontem o presidente Jair Bolsonaro e sugeriu o uso de maconha ao Palácio do Planalto. Segundo ele, o uso da planta “acalma”. “Eu não uso desde 1982, mas acho que acalma o Planalto e seu rei nu se beneficiaria muito”, disse no Twitter. Ao fazer a publicação, Paulo Coelho ainda postou foto de embalagens da loja suíça DrgGreen.ch, que vende produtos feitos com cannabis legalmente, como flores secas de maconha, também conhecida como “buds”. “À venda em qualquer supermercado suíço”, afirmou.

Pela privatização – Cinco partidos (Novo, Republicanos, Cidadania, Patriota e PP) deram mais de 80% de seus votos a favor da privatização dos Correios. O Poder360, site do jornalista Fernando Rodrigues, fez o levantamento considerando a decisão sobre o texto-base a principal votação. PT, Psol, PCdoB e Rede não deram nenhum voto a favor. Nos outros dois partidos de esquerda houve votos a favor da proposta: três no PSB e cinco no PDT. O placar total foi de 286 pela privatização, contra 173 e duas abstenções – além de três deputados que presidiram a sessão e não votaram. A privatização dos Correios é um projeto prioritário para o governo de Jair Bolsonaro.

Covidão tomou Doril – Nos bastidores do Palácio das Princesas. o que mais se comenta é a ausência do secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Júlio, o popular “Geraldo Covidão”, nas viagens do governador Paulo Câmara pelo interior para inaugurar obras e assinar novas ordens de serviço. Na semana passada, no Sertão do Pajeú, quem roubou a cena, na ausência de Covidão, ainda cotado para disputar a sucessão estadual, foi a secretária de Infraestrutura, Fernandha Batista. Daí, as especulações de que seria uma alternativa, caso o ex-prefeito não consiga se viabilizar em razão dos processos de corrupção na Prefeitura do Recife.

CURTAS

ALIANÇA CEARENSE 1 – Ao receber os irmãos Cid e Ciro Gomes no Palácio Abolição, na última sexta-feira, e dar ampla publicidade à visita, o governador do Ceará, Camilo Santana, sinaliza ao seu partido, o PT, – e ao entorno – que não pretende romper a aliança com o PDT no Estado e que segue próximo dos dois. Camilo recebeu Ciro antes de Lula, que deverá ir ao Ceará no próximo dia 20.

ALIANÇA CEARENSE 2 – Na última semana, membros do PT no Ceará trataram com o comando nacional do partido a agenda do ex-presidente Lula no Estado. Ele deve ir ao Ceará numa sexta-feira e almoçar com Camilo. Antes, porém, o governador já recebeu Ciro. Lula reserva espaço na agenda para encontro com partidos aliados no Ceará. Não é este o caso do PDT, tendo em vista as trocas de farpas entre o ex-presidente e o ex-ministro Ciro Gomes. A campanha de Ciro trata Lula como adversário.

Perguntar não ofende: Haverá manifestações contra Lula no desembarque dele no Recife?


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Comentários

Joao

Como perguntar não ofende, quando este blog vai deixar de puxar o saco de bozolóides? E ainda um blog que abre espaço para comentários de Ernesto Araújo merece ser lido?




07/08


2021

Coluna do sabadão

Uma desnecessária crise

Por Houldine Nascimento – interino

A sociedade assiste a uma crise entre os poderes em um nível nunca antes visto desde a redemocratização. A fervura aumentou ontem após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) direcionar novamente sua artilharia contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso. Na sua passagem por Joinville (SC), cercado por apoiadores, o chefe do Executivo xingou o magistrado.

O flagrante ocorreu durante uma transmissão feita pela conta oficial de Bolsonaro no Facebook. Mais cedo, ao almoçar com empresários, o presidente já havia desferido ataques ao dizer que Barroso é favorável “à redução da idade para estupro de vulnerável”. “Ele quer que nossas filhas e netas, com 12 anos, tenham relações sexuais”, continuou.

A escalada de Jair Bolsonaro ocorre no dia seguinte ao pronunciamento do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, que repudiou declarações recentes do presidente da República contra dois integrantes da Corte – além de Barroso, o ministro Alexandre de Moraes foi alvo de ataques. “Quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro”, disse.

Fux também anunciou o cancelamento de um encontro que reuniria os chefes dos três poderes, numa nota dura, em que destacou “ofensas e inverdades” por parte de Bolsonaro e que o presidente “insiste em colocar sob suspeição a rigidez do processo eleitoral brasileiro”. É justamente o sistema eleitoral que tem sido posto em xeque pelo presidente, que segue dia sim, outro também falando em “fraude”.

Quando instado pelo TSE a responder sobre as acusações de irregularidades nas urnas eletrônicas, Bolsonaro falhou. Não apresentou provas. Limitou-se a repetir sua defesa do voto impresso. “Reitera-se, não se está a atacar propriamente a segurança das urnas eletrônicas, mas, sim, a necessidade de se viabilizar uma efetiva auditagem”, afirmou o presidente.

A Justiça Eleitoral, contudo, assegura que as urnas são auditáveis. Fato é que essa discussão sobre a impressão do voto está longe de ser o principal problema do Brasil, com quase 15 milhões de desempregados e cerca de 20 milhões de pessoas passando fome, segundo dados oficiais. Os entraves do país são mais profundos, especialmente quando a baixaria toma conta da cena política, prejudicando a busca por soluções.

“Além do cercadinho” – O ministro Luís Roberto Barroso comentou os insultos proferidos por Bolsonaro: “Eu gosto de repetir que sou um ator institucional. Eu não sou um ator político. Eu não tenho interesse nem cultivo polêmicas pessoais. A conquista e a preservação da democracia foram as grandes causas da minha geração. E é a isso que eu dedico a minha vida pública. Eu não paro para bater boca, não me distraio com miudezas. Meu universo vai bem além do cercadinho”, disse, sem citar o presidente, durante debate no Insper, em São Paulo. Os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes também participaram do evento.

Motociata – O presidente Jair Bolsonaro participa, na manhã de hoje, de uma motociata em Florianópolis (SC). Entre os apoiadores que participam do ato, está o empresário Luciano Hang, que convocou seus seguidores para o evento. “Eu e a moto patriota estamos aquecidos para a motociata! Será neste sábado, dia 7, em Florianópolis (SC). Reúna seu grupo e venha acelerar pelas ruas da capital catarinense comigo e com o presidente Jair Bolsonaro. Espero você lá, vem junto?”, escreveu. O passeio de moto promove alterações no tráfego da cidade, com alertas emitidos pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv) aos condutores.

Comissão contra PEC – Na Câmara, a Comissão Especial designada para analisar a PEC 135/19, conhecida como “PEC do voto impresso” – de autoria da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) –, aprovou o relatório vencedor, que recomenda o arquivamento da proposta. Por 22 votos a 11, os membros do colegiado endossaram o parecer do deputado pernambucano Raul Henry (MDB), novo relator da proposição. Ele foi escolhido após a desistência do deputado Junior Mano (PL-CE). Antes, a Comissão tinha o deputado Filipe Barros (PSL-PR) na relatoria, mas o seu parecer foi rejeitado na última quinta-feira (5) por 23 votos a 11. Quando isso ocorre, outro nome é indicado para elaborar um parecer em sentido contrário.

PEC no plenário – Mesmo com a rejeição da PEC do voto impresso na Comissão Especial, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anunciou que vai pautar a proposta no plenário. A expectativa é de que o parlamentar leve o assunto para que todos os deputados decidam na próxima terça-feira (10). No dia anterior (9), deve haver uma reunião com os líderes partidários. Lira entende que toda a Casa precisa se posicionar sobre o tema, pivô de uma crise institucional nos últimos dias, provocando um pronunciamento do presidente da Câmara.

Tendência de derrota – Lira teria enviado um recado ao TSE sobre sua decisão de levar a PEC do voto impresso ao plenário. O objetivo seria o de derrotar a proposta, segundo informou a colunista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo. Na avaliação do deputado, a medida encerraria a discussão sobre o tema, pondo uma pedra na crise entre Executivo e Judiciário. Ainda de acordo com a jornalista, o presidente da Câmara está dialogando com ministros do Tribunal para adotar mais medidas que ampliem a divulgação e a transparência da auditagem das urnas eletrônicas.

CURTAS

CONDENAÇÃO – Por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) negou provimento a um recurso impetrado pelo prefeito Luiz Aroldo (PT), de Águas Belas, no Agreste Meridional. O processo nº 0600333.24.2020.6.17.0064 versa sobre a prestação de contas eleitorais.

PAGAMENTO – A decisão mantém a sentença proferida no último dia 10 de fevereiro pelo juiz da 64ª Zona eleitoral, Enéas Oliveira da Rocha, que desaprovou as contas e determinou o pagamento de R$ 30.700,00 por irregularidades encontradas na prestação.

Perguntar não ofende: Qual é a real posição da Câmara sobre o voto impresso?


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