FMO janeiro 2020


18/09


2021

Coluna do sabadão

O exercício legislativo na plenitude

Por Houldine Nascimento – interino

De espectros políticos distintos, duas parlamentares pernambucanas fazem com firmeza o que a sociedade mais espera do Legislativo, que é fiscalizar e propor medidas que contribuam para a melhoria da população. Uma delas é a deputada estadual Priscila Krause (DEM), que está em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Jornalista de formação, associada à centro-direita, a democrata foi responsável pelas denúncias mais contundentes quanto à suspeita de malversação de recursos para combate à Covid-19 no Recife, durante a gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB). Entre os prejuízos apontados pela parlamentar estavam gastos com a compra vultosa de materiais médicos que dariam para atender a uma demanda de até 45 anos. Um exemplo foi a descoberta de 471 mil ampolas de propofol em estoque e que perderiam a validade em 30 de abril deste ano.

Boa parte desta medicação foi repassada ao Governo do Estado, que destinou a outros sete estados 215,4 mil ampolas. Pelos cálculos de Priscila, até julho deste ano, a Prefeitura do Recife já doou ou emprestou o equivalente a R$ 18,1 milhões em medicamentos, EPIs e insumos hospitalares.

Priscila protocolou diversas representações em órgãos de fiscalização, resultando em abertura de investigação no Ministério Público Federal (MPF) e tendo como consequência a operação Antídoto, da Polícia Federal, devido a suspeitas em contratos da empresa FBS Saúde Brasil e a Secretaria de Saúde da Prefeitura do Recife.

Em campo político oposto está a única deputada federal por Pernambuco nesta legislatura, a advogada Marília Arraes (PT), que recentemente viu o Congresso aprovar o Projeto de Lei 4968/2019, de sua autoria, que institui Programa Nacional de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, visando à garantia de cuidados básicos de saúde para cerca de 5,6 milhões de mulheres em todo o Brasil, em situação de vulnerabilidade social.

A petista apresentou o PL que deu início a este programa, pensado antes para distribuir gratuitamente absorventes para estudantes de escolas públicas no país. Na área de fiscalização, Marília apresentou, dias atrás, um requerimento de informação na Câmara endereçado ao Ministério da Saúde sobre estoque de vacinas, medicamentos, testes de diagnósticos e outros itens que perderam a validade sem terem sido distribuídos, estimados em R$ 243 milhões.

Coincidência ou não, Priscila chegou a dizer sobre a parlamentar de esquerda no último mês de julho, em entrevista ao apresentador Hugo Esteves: “Tenho um carinho enorme por ela (Marília), mas a gente chegou a um ponto que as pessoas não entendem, elas querem que a gente odeie o outro. Desculpa, não sou assim e sei separar as coisas.” Uma lição de civilidade na política, como deve ser.

Defesa – O deputado estadual Alberto Feitosa (PSC) rebateu o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Em entrevista ao jornalista Pedro Bial, ontem, o gestor disse que o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seria “um bom caminho para o Brasil”. “Vá se preocupar com o pernambucano. Se você quer um Pernambuco melhor, você deveria pedir o impeachment do governador Paulo Câmara. Esse sim está muito ruim”, disparou Feitosa.

Vices desconhecidas – Uma pesquisa da Travessia Estratégia e Marketing testou o conhecimento da população recifense sobre os gestores da cidade e do Estado, além de senadores. Pernambuco e Recife foram incluídos no levantamento feito em quatro capitais. Apenas 27% sabem o nome da vice-governadora, Luciana Santos (PCdoB). No caso da vice-prefeita do Recife, Isabella de Roldão (PDT), somente 11% demonstraram ter ciência.

Gestores lembrados – Os dados diferem quando a pergunta é sobre governador e prefeito. Entre os consultados, 94% mostraram saber o nome do governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), enquanto 97% mencionaram João Campos como prefeito do Recife. Quando a pergunta é sobre o presidente da Alepe, apenas 20% lembraram do nome de Eriberto Medeiros (PP). Em um comparativo com os outros estados (RS, SP e RJ), ele foi o mais lembrado no posto.

E os senadores? – Quanto aos senadores, 37% acertaram os três nomes que representam Pernambuco. Entre os que não sabem de todos os representantes, Jarbas Vasconcelos (MDB) foi o mais lembrado, com 55%, seguido por Humberto Costa (PT), 48%, e Fernando Bezerra Coelho (MDB), 39%. Ao todo, foram realizadas 300 entrevistas por telefone no Recife entre os dias 3 e 4 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais e o índice de confiança de 95%.

Convite – O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, convidou o apresentador José Luiz Datena (foto) para se filiar à sigla. Entre as opções ofertadas ao comunicador, estão a candidatura de vice em chapa encabeçada pelo ex-ministro Ciro Gomes, a disputa ao Governo de São Paulo ou se lançar ao Senado em 2022. Datena foi colocado pelo PSL como pré-candidato à Presidência, mas o partido está tratando de uma fusão com o DEM, o que pode inviabilizar o apresentador na corrida ao Planalto.

CURTAS

FILIAÇÃO – O Democratas vai promover, no próximo dia 25, às 10h, o ato de filiação do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. O evento ocorrerá no Armazém 14, no Bairro do Recife, e terá a presença de lideranças do DEM, incluindo o presidente nacional, ACM Neto, e o ex-ministro Mendonça Filho, que preside a legenda em Pernambuco.

ALÍVIO – Em Tuparetama, o vereador Joel Gomes (PSB) comemora a manutenção da comarca judicial na cidade. Antes, a circunscrição estava listada entre as 43 que seriam desinstaladas, mas houve um entendimento entre a Procuradoria-Geral do Estado e o TJPE, reduzindo a quantidade de comarcas desativadas para 20.

Perguntar não ofende: O Brasil vencerá esse radicalismo na política?


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Jaboatão - Família Acolhedora


17/09


2021

Coluna da sexta-feira

Câmara censura pesquisas

No bojo do projeto do Código Eleitoral, os deputados federais manifestaram claramente uma tremenda censura na divulgação de pesquisas eleitorais. Por eles, nenhum levantamento trazendo intenção de voto pode ser divulgado na véspera e no dia da eleição. A Câmara dos Deputados aprovou, em votação separada, essa mudança nas regras para pesquisas com o voto de 355 “nobres representantes do povo”.

O dispositivo já estava no texto-base da proposta, aprovado na semana passada. Na votação separada, foram 355 votos a favor da censura, 92 contra e três abstenções. A restrição às pesquisas preserva as mesmas regras que vão ser aplicadas à propaganda eleitoral, segundo a relatora, Margarete Coelho (PP-PI). Alex Manente (Cidadania-SP), ao defender a divulgação de pesquisas sem essa restrição de data, argumentou que as pesquisas próximas do pleito farão falta para confrontar informações falsas.

“Vamos ter uma grande fábrica de fake news”. “A pesquisa não é uma propaganda”, disse Manente. O projeto impede que os levantamentos sejam divulgados a partir da véspera da eleição. Atualmente, esses estudos podem ser publicados até horário de início da votação. Também há outras exigências para pesquisas eleitorais na proposta, mas que não estavam em jogo nesta votação.

O projeto determina que as empresas que fazem os levantamentos informem o “percentual de acerto” de seus estudos nas cinco eleições anteriores. Caso não tenham feito levantamentos no período, devem informar na divulgação o percentual dos levantamentos que fizeram, ou comunicarem que nunca produziram esse tipo de estudo.

Atualmente, não há exigência do cálculo de um percentual de acerto. Especialistas na área dizem que se trata de uma requisição inviável. Pesquisas são retratos do momento. Isso significa que não é possível comparar um levantamento feito há três semanas da eleição, por exemplo, com o resultado do pleito.

O novo Código Eleitoral exige que as empresas informem as áreas físicas de realização do trabalho. Ou seja, bairro ou região. O projeto ainda proíbe a divulgação de pesquisas realizadas com recursos da própria empresa que realiza os levantamentos. Com exceção de empresas ligadas a organizações jornalísticas.

Senado não deve manter – Tentativas de censurar pesquisas eleitorais são comuns no Congresso. Deputados, principalmente, afirmam que elas interferem no resultado das votações. Os deputados, que já cumpriram o papel de censor, têm pressa para o Senado aprovar a matéria, porque, para as alterações valerem nas eleições de 2022, é necessário que estejam em vigor até dia 1º de outubro. Isso implica em aprovação do Senado e sanção presidencial no prazo. Os senadores, porém, demonstram pouca propensão a votar o Código Eleitoral rapidamente –o texto tem cerca de 900 artigos.

Dinheirama sem uso – Os cofres das prefeituras municipais continuam abarrotados de dinheiro federal enviado em 2020 pelo Governo Bolsonaro para o enfrentamento da pandemia. Como se trata de uma rubrica especifica para aplicação apenas em ações na salvação de pacientes com covid, os prefeitos não podem destinar os recursos para outra finalidade porque se configura crime. Um gestor disse ao blog que tem ainda um valor da ordem de R$ 3,5 milhões, mas sem uso em razão das exclusividades impostas.

Pagamento de pessoal – Embora em alguns casos o dinheiro não carimbado também tenha sido destinado ao combate direto à covid-19, a maior fatia do socorro federal teve finalidades alheias à pandemia. Conforme relataram as secretarias estaduais de Fazenda ouvidas pelo Estadão, o recurso serviu para pagamento de servidores de diversas áreas, garantir o 13.º salário e até para gastos de custeio da máquina pública. O presidente Jair Bolsonaro usou o fato de os Estados aplicarem recursos federais para pagar salários e outras despesas como argumento para pressionar a favor da inclusão de Estados e municípios na CPI aberta no Senado.

Desvios – “Dinheiro foi para Estados e municípios. Muito dinheiro, bilhões de reais, mas nós sabemos que muitos governadores e prefeitos usaram esse recurso para pagar folha atrasada, botar suas contas em dia, e não deram a devida atenção para a saúde”, disse Bolsonaro, em transmissão ao vivo pelas redes sociais. Os bolsonaristas aproveitam os números do presidente para acusar os governadores não alinhados com o governo federal de desvio de recursos da covid-19.

Ferrovia do gesso – Presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o ex-deputado federal pernambucano Guilherme Coelho entende que o gesso agrícola, apontado ontem em postagem neste blog como uma alternativa econômica aos calcinadores do Araripe, da forma como está sendo negociado, hoje, não compensa, por ser vendido barato com custo de entrega caro. Para ele, a conclusão do ramal da Ferrovia Transnordestina alavancaria definitivamente a atividade na maior região produtora de gesso do País. “Isso sim, porque iria reduzir consideravelmente os custos do escoamento da produção”, observa.

CURTAS

BOA NOTÍCIA – Em três meses, Pernambuco teve redução de 74% no número de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para a Covid-19. Segundo boletim da Secretaria de Saúde, o avanço da vacinação é o principal responsável pelo novo quadro. As duas doses ou o imunizante de dose única foram aplicados em 30% do público.

CALAMIDADE – O governador Paulo Câmara prorrogou por mais três meses o estado de calamidade pública em todos os municípios e em Fernando de Noronha devido à pandemia da Covid-19. A medida vale por 90 dias e estenderá até 11 de dezembro. O primeiro decreto ocorreu em 20 de março de 2020, poucos dias depois da confirmação dos primeiros casos de Covid-19 no Estado.

Perguntar não ofende: Por que tanto interesse dos deputados em censurar pesquisas eleitorais?


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ALEPE - Ações Sociais


16/09


2021

Coluna da quinta-feira

Miguel é quase unanimidade

Com praticamente nove meses da segunda gestão, o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (DEM), se de fato for mesmo candidato a governador nas eleições do ano que vem, terá uma grande vitrine para apresentar ao Estado: um novo recorde de aprovação. Segundo pesquisa do Instituto Opinião, postada ontem neste blog, o agora democrata, ex-MDB, tem a marca de 90% de aprovação popular.

Em alguns cenários, essa popularidade assusta. Na consulta por área, Miguel atinge 100% de aprovação na zona urbana em cinco bairros: Alto do Cocar, Atrás da Banca, Pedra Linda, Pedro Raimundo e São José. Na zona rural, o democrata alcança 100% de aprovação nos distritos de Tapera e Vila 12. Nunca na história de qualquer cidade brasileira há conhecimento de igual fenômeno.

Os maiores percentuais de aprovação dele estão entre os eleitores dos 35 aos 44 anos (96%), entre os que têm grau de instrução superior (92,2%) e entre os que possuem renda familiar de dois a cinco salários mínimos (95,2%). Por sexo, 91,7% dos que aprovam são mulheres e 89,6% são homens. Quando é avaliado o desempenho da gestão, Miguel tem 85,6% de avaliação positiva, somando os índices ótimo (40,2%) e bom (45,4%). Entre os que consideram regular, o percentual é de 10,2%, já os que julgam ruim (1,4%) e péssimo (1%) chegam a apenas 2,4%.

O percentual dos que não sabem ou não responderam é de 1,8%. Para os entrevistados que aprovam, 21,9% consideram o prefeito um bom administrador, 19% avaliam que a cidade está progredindo, 10,2% julgam que ele trabalha melhor que os prefeitos anteriores, 7,7% o enxergam como trabalhador.

Já 7,3% consideram que Miguel ajuda a população e outros 7,3% que o gestor é uma boa pessoa. Quanto à percepção sobre o município, 75% dizem que a cidade está progredindo, enquanto 15,2% dizem estar parada e 4% apontaram que está regredindo. Entre os que não sabem, estão 5,8%. Sobre os itens que a população aponta entre os problemas mais urgentes, estão saúde pública (25,2%), desemprego (18,4%), saneamento básico (11,2%) e segurança pública (9,4%). Com relação à pandemia da Covid-19, 49,6% disseram que o prefeito está fazendo um bom trabalho, enquanto 29,8% avaliaram que é excelente e 16% como regular. O trabalho de combate ao novo coronavírus é ruim para apenas 1,4% e péssimo para 0,8%, já 2,4% não responderam.

O Instituto Opinião levantou o cenário eleitoral para 22. Entre os candidatos a governador, Miguel Coelho lidera no município com enorme vantagem, com 75%. Bem atrás, empatados tecnicamente, estão a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), com 1,4%; o prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), com 0,8%; e o ex-prefeito do Recife Geraldo Júlio (PSB) – também com 0,8%. O ministro Gilson Machado Neto estava entre os nomes listados, mas não pontuou. Brancos e nulos atingem 9% e indecisos chegam a 13%.

Ameaça de apagão – O Brasil registrou em julho a menor produção de energia por hidrelétricas para o mês desde 2002, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O resultado é reflexo da pior crise energética brasileira dos últimos 91 anos. No mês, as hidrelétricas produziram 34.489 megawatts-médios (MWmed), menor nível desde fevereiro de 2002, quando o Brasil registrou 33.775 MWmed. Fevereiro foi o último mês de racionamento de energia iniciado em 2001. Para evitar um apagão no Brasil, sem sobrecarregar as hidrelétricas que vivenciam uma escassez de água por falta de chuvas, o Governo Federal tem utilizado como alternativa a energia produzida pelas termelétricas.

Em sintonia – No Sertão, não é apenas o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (DEM), que está em sintonia com a população. Araripina, a capital do Araripe, também tem um gestor bem avaliado. Ex-deputado estadual, prefeito reeleito em 2020, Raimundo Pimentel (PSL) chega a quase 80% de aprovação. Um dos donos do hotel em que estou hospedado em Araripina disse, ontem, ao blog, que votou em Tião do Gesso, adversário de Pimentel, mas que tirava o chapéu para ele. “Faz uma excelente administração”, afirmou.

Ficha limpa – O Senado aprovou o projeto que impede que seja declarado inelegível quem tiver contas rejeitadas, em casos que a punição seja apenas multa. A aprovação foi por 49 votos a 24, sob protesto de alguns senadores, que consideraram um ataque à Lei da Ficha Limpa. Os senadores rejeitaram ainda um trecho destacado para votação separada de autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). A ideia era deixar mais explícito que só quem tivesse as contas julgadas irregulares “sem imputação de débito, e sancionados exclusivamente com o pagamento de multa” fosse beneficiado.

Quase 70% – O Brasil chegou a 67,5% da população vacinada com ao menos uma dose de um imunizante contra a covid-19. O número representa 144.093.540 pessoas vacinadas com 1ª dose ou dose única até 21h30 de terça-feira passada. O número de habitantes totalmente vacinados passou de 75 milhões. São 75.801.367, o equivalente a 35,5% da população. Ao todo, 215.336.297 doses foram administradas no País. Dessas, 128.764 correspondem à 3ª dose, que já começou a ser aplicada em alguns municípios. Os dados são da plataforma coronavirusbra1, que compila registros das secretarias estaduais de Saúde. As vacinas aplicadas no Brasil com 2 doses são a CoronaVac, o imunizante da AstraZeneca e o da Pfizer. Também está em uso a vacina da Janssen, que requer só uma dose.

Desmonte do Estado – Os deputados do PSB na Câmara decidiram fechar questão para votar contra o projeto da Reforma Administrativa. O texto tramita na Casa como PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 32/2020, e trata de regras para os servidores e a administração pública. Está em discussão em uma comissão especial. A bancada do PSB na Câmara tem 31 deputados. A decisão obriga todos eles a seguir a posição. O partido considera como pontos mais críticos da proposta a possibilidade de o Estado firmar contratos de cooperação com entidades privadas para a execução de serviços públicos, “inclusive com a utilização compartilhada de estruturas físicas e o emprego de recursos humanos privados”, diz o líder socialista na Casa, o pernambucano Danilo Cabral. Num vídeo no Twitter, Danilo disse que o projeto “aprofunda o desmonte do Estado brasileiro”.

CURTAS

A CULPA – Com o preço médio da gasolina em alta nas últimas seis semanas, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, afastou a responsabilidade da empresa pelo valor de mais de R$ 6 que vem sendo cobrado dos consumidores. Na esteira do que tem dito o presidente Jair Bolsonaro, o comandante da estatal culpou o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), arrecadado pelos estados, pelo combustível mais caro. “A Petrobras não tem controle de preço sobre a bomba”, disse.

RIR OU CHORAR – Do humorista André Marinho ao responder os ataques de bolsonaristas a um vídeo que fez imitando o presidente depois do encontro com Temer: "Alguns bobos da rede estão me chamando de bobo da corte, só porque imitei o seu mito no jantar com Temer. Agradeço a audiência e aproveito para deixar um recado. Com a política do jeito que está, só podemos rir ou chorar. Eu optei por rir. Venham comigo antes que acabem os lenços”.

Perguntar não ofende: Quando o Senado vai votar a reforma eleitoral que a Câmara aprovou ressuscitando as coligações?


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Cabo - Pavimentação e Drenagem


15/09


2021

Coluna da quarta-feira

O sapo e a venta torta de Pernambuco

Joaquim Francisco, que Deus levou há um mês, era frasista dos bons. Quando me convidou para o desafio de coordenar a área de Imprensa da sua campanha em 1990, olhou em minha direção com aquela fisionomia de índio e incentivou: "A vida é um sutiã, meta os peitos". Foi a primeira vez que ouvi algo tão inusitado, criativo e engraçado, principalmente saindo do seu vozeirão com caprichado sotaque de matuto.

Joaquim, na verdade, não tinha nada de matuto. Era um intelectual refinado, provocador de mão cheia. Outra pérola dele que adotei como filosofia de vida profissional: cobra que não anda, não engole sapo. Por isso, sou andarilho da notícia e entendo que repórter que não usa bota de sete léguas, não faz notícia. Nas minhas andanças ao longo desta semana me deparei ontem com uma situação cômica, se não fosse trágica: uma estrada que o Ceará pavimentou até a divisa com Pernambuco e o Governo do Estado esqueceu de fazer a sua parte.

Trata-se do trecho entre Araripina, em Pernambuco, e Salitre, no Ceará, no coração do Sertão do Araripe. O Ceará pavimentou toda sua extensão, enquanto Pernambuco nunca sequer fez o projeto de asfaltar apenas 16 km. É uma estrada extremamente importante para a economia da região. Por ela, não apenas o gesso é escoado para o Ceará, mas também grande parte da produção de mandioca. Araripina é um dos municípios de maior produção de farinha do País. E farinha de qualidade, vale a ressalva, que sai dos vastos campos de mandioca.

Mas o Governo de Pernambuco dá pouca importância a isso, diferente do Ceará. Não tem sensibilidade para compreender que a estrada, pavimentada, iria triplicar a exportação de mandioca e de gesso. Mais do que isso, reduzir o sofrimento dos estudantes universitários que saem todos os dias de Salitre em direção às faculdades de Araripina. Depois dos cursos de Direito e Medicina, Araripina está virando um belo e promissor centro universitário.

Mas só o Governo de Pernambuco não sabe disso.

Multados – O governo de São Paulo multou 10 pessoas por não usar máscara na manifestação realizada no último domingo na Avenida Paulista. Entre os autuados estão Ciro Gomes (PDT), o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP). O uso de máscara em locais públicos é obrigatório no Estado de São Paulo. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já foi autuado 7 vezes pelo mesmo motivo. A última, pela participação em ato no 7 de setembro.

Caiu na galhofa – Em um jantar com empresários, o ex-presidente Michel Temer (MDB) foi flagrado gargalhando de uma imitação que satirizava o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no episódio da nota, divulgada na quinta-feira passada, que o emedebista ajudou o chefe do Executivo a escrever para acalmar os ânimos entre os Três Poderes. O encontro foi organizado por Temer e realizado no apartamento do investidor Naji Nahas, em São Paulo. No vídeo que circula pelas redes sociais, é possível ver o humorista André Marinho – filho do político e empresário Paulo Marinho e apresentador do programa “Pânico”, da rádio Jovem Pan – imitando Bolsonaro.

Boa notícia – A pressão da pandemia no sistema de saúde brasileiro, que teve seu auge em março de 2021, caiu em agosto deste ano. Despencaram os casos, internações, intubações e mortes por covid-19. Há receio entre médicos em dizer algo que desestimule a população a seguir medidas protetivas. Contudo, todos os especialistas consultados pela coluna são unânimes: é indiscutível a grande redução de pressão sobre os hospitais. A média móvel de diagnósticos está em 15.571 casos diários, menor patamar desde 21 de maio de 2020.

União das esquerdas – Dez partidos de oposição, do Novo ao PT, vão se reunir, hoje, para tentar organizar manifestações conjuntas e amplas pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Um dos desafios será encher a rua - objetivo não atingido pelo ato de domingo, liderado majoritariamente por ativistas que defendem uma "terceira via", com apoio de parte da esquerda. O outro é vencer resistências de grupos de direita, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua. Eles resistem a participar de eventos que também recebam o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Efeito da energia eólica – As energias alternativas, entre elas a solar, estão mudando o perfil do Sertão do Araripe e fazendo a alegria dos donos de hotéis em Araripina, a capital do gesso. Grande parte dos técnicos e engenheiros que atuam na região ocupa 70% da rede hoteleira, restando apenas 30% da demanda do dia a dia. Tive dificuldades de encontrar hospedagem na cidade quando cheguei ontem, mas o hotel foi uma bela opção. Localiza-se na principal via de acesso à cidade e dispõe de boas acomodações.

CURTAS

DENUNCIADOS – Oito suspeitos de envolvimento em irregularidades em obras na BR-101, no contorno viário do Grande Recife, foram denunciados à Justiça Federal pelo Ministério Público Federal (MPF). Eles teriam praticado peculato (crime cometido por servidor público), corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados estão ex-integrantes da diretoria do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER) e sócio e funcionários da construtora contratada para executar e fiscalizar os serviços.

BELO JARDIM – Na festa dos 93 anos de emancipação política, sábado passado, o prefeito de Belo Jardim, Gilvandro Estrela (DEM), cumpriu uma extensa agenda, começando às oito da manhã, com o hasteamento da bandeira, até às 17 horas. Entregou um posto satélite no povoado de Gravatá, calçamento na Vila Nova, uma Unidade Básica de Saúde na Cohab III e assinou, por fim, as ordens de serviço de uma escola, uma quadra e uma praça no bairro Viana & Moura, nas proximidades da BR-232.

NEM SE TOCOU – Quando deputado estadual, o tucano Emanuel Bringel, que governou Araripina também, fez uma homenagem a dona Benigna Arraes, mãe do ex-governador Miguel Arraes, dando seu nome à estrada que liga o município até Salitre, no Ceará. Arraes ignorou. Segundo Bringel, reagiu dizendo que o deputado queria dar prejuízo aos cofres do Estado. Acredite se quiser!

Perguntar não ofende: A reforma administrativa mexe com direitos adquiridos dos servidores federais?


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Comentários

Arnaldo Rodrigues Freitas

Jamais o Ex-Governador, Eduardo Campos faria um comentário deste. Apesar de Bringel merecer a total indiferença em razão das várias traições cometidas a Miguel Arraes, Eduardo e a Frente Popular. Eduardo tinha um sentimento forte de amor a Pernambuco, em especial ao Sertão do Araripe.

Diego da Silva Araújo

Uma correção: Benigna era mãe de Miguel Arraes, não de Eduardo, que era filho de Ana Arraes




14/09


2021

Coluna da terça-feira

Depois do MBL, a vez do PT 

Tão logo viu nas ruas, domingo passado, o fiasco das manifestações contra Bolsonaro promovidas pelo Movimento Brasil Libre, o MBL, o PT começou a convocação para um ato em 2 de outubro pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O vice-presidente nacional do partido e deputado federal José Guimarães (CE) publicou um vídeo em seu perfil no Twitter com um chamado para o protesto poucas horas depois da realização de manifestações em ao menos 15 capitais brasileiras com o mesmo lema, que acabaram caracterizadas como atos da chamada 3ª via da eleição presidencial de 2022.

Os eventos do MBL tiveram baixa adesão, na verdade uns gatos pingados, inclusive em São Paulo. Na Avenida Paulista, em São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública informou ter contabilizado a presença de seis mil pessoas. Em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, havia menos de 500 manifestantes. Por trás do comparecimento modesto, o que se diz é que existe um racha entre os opositores de Bolsonaro.

Da mesma forma que grupos de direita não aderiram aos atos contra o presidente no 7 de setembro, partidos de esquerda boicotaram os convocados por MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua, domingo passado. Na tentativa de atrair os petistas, o MBL aboliu o lema “Nem Lula nem Bolsonaro”, considerado inaceitável por petistas e psolistas.

Mas em praticamente todos os atos foram vistas faixas com esses dizerem. “O PT não foi [aos atos] por conta da forma e do conteúdo como os atos foram inicialmente organizados”. “A luta pela democracia, pelo estado democrático de direito não pode ser confundida com a luta nem a disputa eleitoral. A manifestação que o MBL programou tinha um conteúdo claro: era um ato pela 3ª via”, disse José Guimarães.

O protesto do MBL na avenida Paulista teve a participação de cinco presidenciáveis –o ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PDT); o governador de São Paulo, João Doria (PSDB); o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), e os senadores Simone Tebet (MDB-MS) e Alessandro Vieira (Cidadania-MA). “Temos que dar amplitude, envolver todos. Não é ato de candidatura A, B ou C, é um ato pela democracia. Temos que fazer uma manifestação ampla, grandiosa, maior do que as do Bolsonaro. É assim que nós vamos fazer, com todos os movimentos sociais, centrais sindicais. Vamos chamar todos os partidos do centro e mostrar que a luta pela democracia tem que ter essa amplitude, se não vai dar certo. Sem isso, nós não teremos força para tirar Bolsonaro”, disse Guimarães.

Gozação pelas redes – Integrantes do Governo e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro usaram as redes sociais para ironizar as manifestações organizadas pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e VPR (Vem Pra Rua). O ministro Fábio Faria (Comunicações) ironizou em seu perfil oficial no Twitter o tamanho dos atos realizados. Ele fez referência ao ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao dizer que o “distanciamento social está sendo totalmente respeitado” nas manifestações. A ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) compartilhou a publicação de Fábio Faria e acrescentou: “CHORA ESQUERDA!

Gargalhadas – Já o ministro do Turismo, o pernambucano Gilson Machado Neto, em sua conta oficial no Twitter, além de rir da cara dos organizadores dos atos contra Bolsonaro, fez uma provocação: "O principal mantra do Jornalismo! “NUNCA DISCUTA COM UMA IMAGEM". Ele comparou imagens dos protestos a favor de Bolsonaro no dia 7 de setembro com algumas que ele atribui às manifestações de domingo passado convocadas por movimentos como MBL e Vem Pra Rua. E, no final, deu várias gargalhadas em tom de verdadeiro deboche.

Volta das cirurgias – Mutirões e pagamentos extras estão entre as estratégias adotadas por Estados e municípios para tentar reduzir as filas que se formaram diante do adiamento ou interrupção das cirurgias eletivas durante os períodos mais críticos da crise da covid-19. O Ministério da Saúde informou, em nota, que a definição dos critérios para a realização de procedimentos eletivos compete aos Estados e municípios e que tem oferecido apoio aos gestores do SUS.

Já surtiu efeitos – No curto prazo, segundo o Estadão, ao menos, a carta Bolsonaro/Temer cumpriu objetivos, avaliam governistas: 1) acalmou Rodrigo Pacheco (DEM-MG); 2) ajudou a esvaziar os protestos contra o Jair Bolsonaro do domingo, 12. O primeiro item foi muito comemorado em privado porque o presidente do Senado é visto hoje como a tábua de salvação para André Mendonça, que precisa do aval da Casa para chegar ao STF. Se o engenhoso plano montado por Davi Alcolumbre (DEM-AP) para barrar Mendonça atrair o apoio de Pacheco, será o fim da linha para o ex-AGU.

Cara de pau – Suplente de deputado estadual, no exercício do mandato em razão da convocação de Claudiano Martins, titular da cadeira, Marcantonio Dourado Filho (PP) foi às redes sociais comemorar a retomada das obras da PE-170, que liga Lajedo a Canhotinho, no Agreste Meridional. Só esqueceu de dizer que seu pai, que teve sete mandatos na Alepe e seu tio Antônio João Dourado, agora na condição de diretor-presidente do DER, nunca deram uma palavra em favor das estradas malconservadas na região. É muita cara de pau, não?

CURTAS

PROTESTO – Bolsonaristas do primeiro time em Pernambuco, o deputado Alberto Feitosa (PSC) e o presidente estadual do PTB, Coronel Meira, prestigiaram, ontem, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, um ato em favor da liberdade do presidente nacional da legenda trabalhista, Roberto Jefferson, preso, segundo Meira, de forma arbitrária e ilegal pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

DESPESAS – O Governo deve elevar em R$ 18 bilhões a previsão de despesas em 2022. Segundo o jornal Valor Econômico, o motivo é a alta do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Ao elaborar o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), a área econômica do governo projetou alta de 6,2% no INPC. Projeções do mercado, no entanto, calculam que haja crescimento de 8,5%.

Perguntar não ofende: Lula vai botar a cara nas ruas sem ser em atos do PT?


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Comentários

Wellington Antunes

O PT apóia todas as manifestações Fora Bolsonaro, e informou que não participou da organização nem da convocação de ato que já estava marcado para este domingo, 12.

Wellington Antunes

Deixa de mentir para teus leitores, Magno. É feio começar o dia mentindo. Vc diz que o PT convocou protestos para o dia 2/10 logo depois do fiasco dos protestos do último dia 12, quando se sabe que o PT e outras forças populares divulgaram nota antes dizendo que não iam.


Petrolina outubro 2021


13/09


2021

Coluna da segunda-feira

Pacheco, a terceira via  

Há muito se discute o surgimento da terceira via presidencial. O debate acentuou-se, sobretudo, depois das pesquisas que apontam Lula na dianteira, Bolsonaro em baixa, mas ainda um percentual grande de eleitores dos que não quer a volta do ex-presidiário nem tampouco a manutenção do atual mandatário no poder.

Numa entrevista, ontem, à Folha de São Paulo, o economista Edmar Bacha, um dos responsáveis pela formulação do Plano Real, disse estar envolvido 100% na busca de uma alternativa aos nomes de Bolsonaro e Lula. O primeiro, por representar um risco para a democracia. O segundo, à economia. Os discursos de Bolsonaro no 7 de setembro ampliaram o temor de que a recuperação econômica possa ser mais fraca do que se esperava.

Mais do que isso, que o País caia numa nova recessão. O recuo de Bolsonaro, em carta na quinta-feira passada na qual diz que não teve a intenção de agredir Poderes, trouxe alivio momentâneo ao mercado. Entre economistas, o ceticismo quanto às promessas do presidente é expressivo. A antecipação do cenário eleitoral de 22, embutida nos movimentos de Bolsonaro, limita o avanço na discussão de reformas profundas.

A expectativa de desaceleração de crescimento, já esperada devido à inflação, se agrava com a tensão política. Segundo a Folha de São Paulo, o Banco Central revisou suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem para 1,93%. Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, parece ser unânime entre analistas que o crescimento ficará abaixo de 2%, podendo até mesmo ser menor do que 1%.

Diante disso, há risco de recessão. Em entrevista, ontem, à mesma Folha de São Paulo, o senador Antônio Anastasia (PSD), ex-governador de Minas Gerais, representante do Congresso na Comissão de Transparência das Eleições, defendeu a candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), seu correligionário das Alterosas, à sucessão do presidente Bolsonaro. “Pacheco seria um grande presidente”, bradou Anastasia.

Para ele, o presidente do Senado tem um perfil muito adequado para o momento que o País vive, sendo sereno, preparado, correto, muita energia e discernimento. “Claro que ele próprio ainda tem que decidir, ainda é tudo uma construção a ser feita, mas acho que, em nível nacional, ninguém quer esse extremo Lula x Bolsonaro. E vou trabalhar para evitar essa opção extremada. Acho que a terceira via é a solução mais adequada”, disse.

Efeito Temer – A conversa do ex-presidente Temer, o pacificador, com Bolsonaro parece ter sido bem assimilada. Na primeira fala em público, sábado passado, em Esteio (RS), o presidente mostrou que está desarmado para o diálogo. “Não é hora de dizer se esse ou aquele Poder saiu vitorioso”, pregou, acrescentando: “A vitória tem que ser do povo brasileiro”. Afirmou em seguida que os três Poderes precisam ser “respeitados” e que acima deles está o “destino da Nação “. E completou: “Vivemos ainda momentos um pouco conturbados, mas tenho certeza que as coisas já começaram e se ajustar. Não é hora de dizer se esse ou aquele Poder saiu vitorioso. A vitória tem que ser do povo brasileiro”.

Palanque tucano – Tucano histórico, o prefeito de Vertentes, Romero Leal, deu palanque para a pré-candidata do PSDB ao Palácio das Princesas, mostrar a sua cara no município durante a inauguração do novo hospital, sábado passado, na presença de uma penca de prefeitos, deputados, vereadores e lideranças do Agreste. Também presente ao ato, o prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), igualmente usou da palavra, mas quem de fato roubou a cena, foi paparicada e atraiu o público para selfies foi a tucana, que tomou gosto com a ideia de entrar na disputa pelo Governo do Estado nas eleições do próximo ano.

Fechado com Raquel – “Raquel é minha candidata e vou trabalhar pela unidade das oposições”, disse Romero Leal minutos antes da tucana falar na entrega do hospital. Construído com recursos próprios, a unidade hospitalar funcionará com atendimento regionalizado, atendendo Vertentes e municípios do Agreste e Mata Norte. São 50 leitos de internação, um bloco com três salas cirúrgicas, capacidade máxima de execução de 75 procedimentos por semana (300/mês) e um centro ambulatorial especializado multidisciplinar com capacidade mais de dois mil atendimentos por mês.

Provocação – Em visita à feira agropecuária de Esteio (RS), o presidente Jair Bolsonaro apontou para um salame e disse que seria “do governador” do Estado, Eduardo Leite (PSDB), que assumiu ser gay num programa de TV. Os expositores da feira apresentaram peças de salame ao chefe do Executivo e à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que mostrou ao presidente um dos pedaços que recebeu, quando Bolsonaro apontou e disse: “Esse salame é do governador aqui do Rio Grande do Sul”. Em seguida, Bolsonaro abaixou e encostou a cabeça em Tereza Cristina. Na sexta-feira passada, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, foi condenado a pagar indenização de R$ 300 mil por ofensas homofóbicas em ação movida pelo governador gaúcho.

Uns cascudos – Indicado pelo deputado federal André de Paula na cota do PSD de Olinda, o secretário-executivo de Controle Urbano, Rodrigo Cardoso, só faz gol contra a administração, agindo muitas vezes com posturas não republicanas. A última trapalhada – se o prefeito não sabe que cuide de agir – está se negando a assinar o habite-se de uma moderna e bem equipada escola de tiro ao alvo no município, projeto gerador de emprego e renda. Merece uns cascudos, Professor Lupércio!

CURTAS

Indefinição – Ex-prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, o empresário Edson Vieira (PSDB) aguarda apenas o desfecho da votação das regras eleitorais de 22 pelo Senado, especialmente no tocante a volta das coligações partidárias, para decidir se entra na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, no lugar da esposa Alessandra, ou se faz um voo mais alto – a Câmara dos Deputados.

Belo Jardim – Na festa dos 93 anos de emancipação política, sábado passado, o prefeito de Belo Jardim, Gilvandro Estrela (DEM), cumpriu uma extensa agenda, começando às oito da manhã, com o hasteamento da bandeira, até às 17 horas. Entregou um posto satélite no povoado de Gravatá, calçamento na Vila Nova, uma Unidade Básica de Saúde na Cohab III e assinou, por fim, as ordens de serviço de uma escola, uma quadra e uma praça no bairro Viana & Moura, nas proximidades da BR-232.

Perguntar não ofende: Temer se credenciou para ser o vice de Bolsonaro?


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Joao

Deus nos livre dessa desgraça. Um genocida e um vampiro, um país ideal para ambos: Afeganistão.

Jose Roberto Correia de Jesus

Pede pra pachecuzinho sair as ruas... pra gente ver uma coisa....


Sindicontas


11/09


2021

Coluna do sabadão

Os 20 anos dos atentados nos EUA

Por Houldine Nascimento – interino

Há 20 anos, o mundo acompanhava apreensivo os atentados nos Estados Unidos. Foi um momento em que as TVs pararam para mostrar o trágico acontecimento que mudou o curso da História. O sequestro de quatro aviões comerciais visando a atacar edifícios que tinham uma representatividade do poderio estadunidense.

Entre os envolvidos, 19 terroristas vinculados à Al-Qaeda. As imagens mais emblemáticas foram das colisões no World Trade Center, no coração de Nova York. A primeira aeronave, AA11, se chocou contra a torre norte às 8h46. Já a segunda, UA175, colidiu com a torre sul às 9h03, num intervalo de 17 minutos. Em tempo real, foi possível assistir ao ataque.

Outro avião (AA77) atingiu o prédio do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, às 9h37. Já o voo UA93 tinha como alvo o coração político, Washington D.C., onde fica a Casa Branca, moradia Presidencial. Antes que isso acontecesse, passageiros se rebelaram contra os sequestradores, impedindo uma tragédia maior.

Ao todo, 2.996 pessoas morreram no que é considerado o maior atentado em território estadunidense. O então presidente, George W. Bush, recebe o primeiro aviso às 8h47, enquanto fazia uma visita a uma escola na Flórida. Os ataques ainda estavam em curso.

Os atentados serviram de justificativa para a invasão dos Estados Unidos ao Afeganistão, em 2001, e ao Iraque, em 2003. Uma "guerra ao terror" danosa ao Oriente Médio e aos próprios estadunidenses. As consequências dessas ações são vistas até hoje. Entre elas, a saída atabalhoada dos militares norte-americanos do solo afegão, no último mês de agosto.

Diálogo – No dia seguinte à Declaração à Nação feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública) se reuniu com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por mais de quatro horas. Torres foi à casa do magistrado em São Paulo e disse ter saído “otimista da conversa”, descrita por ele como “cordial e respeitosa”, segundo a colunista Bela Megale, de O Globo. Até pouco tempo, Moraes foi alvo de ataques do chefe do Executivo.

Perseverança ­– A deputada federal Marília Arraes (PT-PE) demonstra que não desistiu da pré-candidatura ao Governo de Pernambuco. Em entrevista à Rádio Clube, disse que o cenário é “favorável” para o PT se lançar em faixa própria ao Palácio do Campo das Princesas: “As chances de a gente ter essa candidatura em 2022 são maiores do que em 2018. Fiquem atentos. Muitos dizem que a aliança com o PSB já está certa, mas não está. Eu estou na estrada e a gente tem um cenário nacional e local que favorece muito mais o PT ter uma candidatura própria.”

Comarcas desativadas ­– O Tribunal de Justiça de Pernambuco definiu o cronograma de desinstalação de 24 comarcas no Estado. O presidente do TJPE, desembargador Fernando Cerqueira, assinou a portaria n° 28/2021, que estabelece todo o processo. A medida foi publicada no Diário Oficial da Justiça ontem e começa a ser implantada no próximo dia 20. Na lista de cidades que terão comarcas desativadas: Belém de Maria, Poção, Pedra, Gameleira, Orobó, Palmeirina, Betânia e Terra Nova; Iati, Ibirajuba, Calçado, Jataúba, Lagoa do Ouro, Primavera, São Joaquim do Monte e Angelim; Jurema, Tacaratu, São Vicente Férrer, Ferreiros, Cachoeirinha, Cortês, Moreilândia e Riacho das Almas.

Queda no prazo – A Prefeitura do Recife vai reduzir de 90 para 60 dias o tempo para tomar a segunda dose da vacina Pfizer/BioNTech. A medida já está valendo para quem recebeu a primeira dose do imunizante nesse prazo. O agendamento está disponível no Conecta Recife. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, 44.151 pessoas estão aptas a receber a dose nesse período mais curto. Para isso, é preciso agendar no conectarecife.recife.pe.gov.br ou pelo aplicativo disponível na App e na Play Store.

Desembarque – A vereadora Perpétua Dantas anunciou a saída da base da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (ambas do PSDB). A legisladora justificou o desembarque por haver “pouquíssimo diálogo” com a gestão e por rejeição a emendas que apresentou, uma delas para incluir músicos instrumentistas no BEm São João, auxílio financeiro para artistas. “Todas as emendas que tratavam das pautas trabalhadas no meu plano de vereança, para trabalhar com a população excluída, foram asfixiadas sumariamente”, disse.

CURTAS

NOVA SOCIALISTA – Após litígio com o PDT, a deputada federal Tabata Amaral (SP) se filiará ao PSB no próximo dia 21. O partido programa uma festa de gala, segundo informações da revista Veja. O prefeito do Recife e seu namorado, João Campos (PSB), deve participar do evento.

MAIS ÁGUA – O secretário nacional de Segurança Hídrica do MDR, Sérgio Costa, visitou ontem a Estação de Bombeamento EBI-1, em Cabrobó (PE), para acompanhar o andamento da operação que elevou a capacidade de transporte das águas no Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco.

Perguntar não ofende: Até quando dura a paz entre Bolsonaro e STF?


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Ipojuca - Novembro


10/09


2021

Coluna da sexta-feira

Temer, o pacificador

Nas gigantescas crises de Governo, especialmente as que abalam a República, os bombeiros são muito bem-vindos. Na era Fernando Henrique, Marco Maciel apagou muitos incêndios. Até então, Bolsonaro e Supremo Tribunal travaram uma batalha que parecia sem fim. Era preciso alguém ceder, mas não aparecia um Marco Maciel.

Finalmente, Michel Temer, ex-presidente da República, político talhado pela sabedoria, discernimento, inteligência e bom senso, deu uma de Maciel, foi ao Palácio do Planalto e convenceu Bolsonaro a estender a bandeira branca. Na nota que emitiu à Imprensa, no final da tarde de ontem, logo após ser aconselhado por Temer, Bolsonaro deu um tom mais conciliador do que se esperava dele, autêntico pavio curto.

Na chamada "Declaração à Nação", sua nota foi entendida como um "manifesto de pacificação". No texto, o presidente credita a crise institucional a "discordâncias" em relação a decisões de Alexandre de Moraes e afirma que essas questões "devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art. 5º da Constituição Federal".

Integrante da corte máxima da justiça do País, o ministro Luis Roberto Barroso, ainda na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, antes de tomar conhecimento da nota do presidente, jogou lenha na fogueira da crise institucional. Em pronunciamento, disse que o presidente Jair Bolsonaro descumpre a palavra dada ao manter o que chamou de "campanha insidiosa" contra o sistema eletrônico de votação após a derrota da proposta do voto impresso no Congresso.

Barroso rebateu os ataques feitos por Bolsonaro nas manifestações do 7 de setembro e disse que o presidente "com o vocabulário e a sintaxe que consegue manejar" fez imputações infundadas à Justiça Eleitoral. Barroso afirmou ainda que a democracia vive um momento delicado em várias partes do mundo e que o Brasil não quer entrar no clube de países que vivem uma erosão democrática, citando como exemplos Turquia, Hungria, Venezuela, Polônia, Nicarágua e El Salvador.

No quartel – O presidente Jair Bolsonaro intensificou os compromissos públicos com militares nos dias que antecederam as manifestações pró-governo de 7 de setembro. Levantamento feito pelo Poder360, site do jornalista Fernando Rodrigues, baseado na agenda pública divulgada pelo Palácio do Planalto, mostra que o chefe do Executivo foi a nove cerimônias militares em agosto, maior número num mês até agora. E mais dois eventos em setembro. A intensificação dos compromissos militares na agenda do presidente acontece depois de um período de afastamento. Em 2020, Bolsonaro havia reduzido suas participações nessas solenidades: 21 no ano inteiro. Até o começo de setembro de 2021, já são 30.

Tensão pelo celular – Em plena turbulência de Brasília, o líder do PSB na Câmara, Danilo Cabral, foi obrigado a se ausentar esta semana para atender compromissos em bases políticas, de sua Surubim, que vive as festividades da sua emancipação política, ao Sertão do Pajeú. Pelo celular, entretanto, em vídeos conferências, teve presença assídua em vários encontros dos líderes no Congresso de avaliação da crise institucional reinante no País, sem a menor previsão de ter uma luz no final do túnel.

Fora do protesto – A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), disse que o partido não foi convidado para se unir às manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro programadas para o próximo domingo e por isso não participará dos protestos. Os atos foram convocados pelo MBL (Movimento Brasil Livre). Segundo Gleisi, só será possível realizar uma grande mobilização contra o governo quando houver uma união de siglas de um chamado “campo democrático”, que engloba partidos de esquerda, centro-esquerda, direita e centro-direita. A deputada diz que essa união é uma das sugestões.

Vacinação avança – O Brasil chegou a 66% da população vacinada com ao menos uma dose de um imunizante contra a covid. O número representa 140.813.041 pessoas vacinadas com a 1ª dose ou dose única até ontem. O número de habitantes totalmente vacinados já ultrapassa 69 milhões, chegando a 69.118.352, ou 31,9%. É o total de pessoas que completaram o ciclo da imunização. Ao todo, 205.248.008 doses foram administradas no País. Os dados são da plataforma coronavirusbra1, que compila registros das secretarias estaduais de Saúde. As vacinas aplicadas no Brasil com duas doses são a CoronaVac, o imunizante da AstraZeneca e o da Pfizer. Também está em uso a vacina da Janssen.

Rands de volta? – Soube que o ex-deputado Maurício Rands está inclinado a voltar a disputar uma vaga na Câmara Federal. Sondado, ele confirmou que existem convites de vários partidos, mas não está convencido ainda, porque está muito bem e obrigado no exercício da advocacia. Se resolver e for eleito, certamente tende a fazer um belíssimo mandato. Conhece a Casa e seus meandros como ninguém, tendo sido incluído no tempo que passou por lá entre as 100 cabeças mais influentes, segundo o Diap.

CURTAS

SENADOR CARIOCA – Soube, igualmente, que o ex-ministro Raul Jungmann está propenso a disputar uma vaga de senador nas eleições do ano que vem, mas não por Pernambuco. Como seu slogan no passado era “Pense alto”, quer ser eleito senador pelo Rio de Janeiro. Agamenon Magalhães já dizia que a ilusão da política é pior do que a do amor. 

BR-104 – O prefeito de Toritama, Edilson Tavares, está liderando um movimento no Agreste Setentrional pela conclusão da duplicação da BR-104, que vai de Caruaru a Santa Cruz do Capibaribe. Há 13 ano a obra está parada. Falta apenas um trecho de apenas 4 km e a construção de uma ponte. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, já acenou que fará, mas ninguém está acreditando.

Perguntar não ofende: Para onde, afinal, o Brasil caminha?


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R.Soares

conversa para boi dormir, bozo não tem palavra

Joao

Acordo recheado de obscurantismo. O vampirão não ia sair de sua casa apenas para redigir uma carta, nesse poleiro tem muita titica de galinha, vamos esperar os próximos capítulos!

Joao

Caminha para o abismo: doação do patrimônio público, hiperinflação, desemprego, carestia, fome, precarização do trabalho, falta de segurança, falta de saúde aos mais pobres......tudo de ruim. Um governo de ineptos, a começar pelo coiso. O Leão virou rato!

Wellington Antunes

O usurpador Michel Temer, golpista que se juntou a Eduardo Cunha e tudo, para golpear a democracia e derrubar a ex-presidente Dilma, é agora, no entendimento do blogueiro lambe-botas, um político talhado pela sabedoria, discernimento, inteligência e bom senso. Entendi.

Wellington Antunes

Gilson Machado para senador por Pernambuco. Como dizia Agamenon Magalhães: a ilusão da política é pior do que a do amor.


Caruaru - Feira da Sulanca


09/09


2021

Coluna da quinta-feira

Lula quer a sangria 

Se o impeachment do presidente Bolsonaro já estava na ordem do dia da oposição, especialmente na CPI da Covid no Senado, com o argumento de que o chefe da Nação passou dos limites nos ataques ao STF nos discursos das manifestações de 7 de setembro em Brasília e São Paulo, deve partir para o tudo ou nada na tentativa de abrir o processo de afastamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Num eventual impeachment de Bolsonaro, o que não vai ocorrer, sobretudo pela força que demonstrou ter no seio da população com as gigantescas manifestações de terça-feira passada, quem herdaria os votos do bolsonarismo? Supostamente um candidato de centro, indicado pelo próprio Bolsonaro, nunca da esquerda, o que não interessaria ao principal adversário do presidente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Teoricamente, o PT acha que Bolsonaro está morto, politicamente e eleitoralmente. Deixá-lo sangrar seria mais inteligente e estrategicamente correto, daí não interessa a Lula um adversário de cara nova, despontado no vácuo do atual presidente, que julga muito fácil de ser derrotado num pleito polarizado. Impeachment, para o PT, soa como discurso sem consistência, apenas para fazer coro aos demais partidos de oposição.

Estes, por sua vez, ganham com o impedimento de Bolsonaro, diferente do PT, quer faz planos de retomar o poder, com Lula, em cima do sangramento político do presidente. Ganham, supostamente, o PSDB e Ciro Gomes, que tenderiam a se fortalecer. A suposição se sustenta até o momento em que não surja o candidato de Bolsonaro, caso viesse a ser deletado da disputa da sua reeleição.

Pela demonstração de força nos atos de 7 de setembro, Bolsonaro nunca será afastado nem tampouco entrará na reeleição como presa fácil de ser batida. Nuances eleitorais à parte, o fato é que a crise institucional está longe de ser superada. Numa briga de dois, quando um não quer entrar, não existe ringue, mas os dois querem – Bolsonaro e parte do Supremo Tribunal Federal. Assim, só com bola de cristal para saber o que de fato ocorrerá no País enquanto perdurar o conflito institucional.

Tom elevado – No 7 de setembro nas ruas, estimulado pela multidão chamando-o de mito, Bolsonaro voltou a elevar o tom contra o Supremo. Em Brasília, disse que os ministros do STF não têm “mais condições mínimas de continuar dentro daquele Tribunal”. Depois, o presidente foi para São Paulo e desferiu ofensas contra Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que miram grupos bolsonaristas. O ministro foi chamado de “canalha” pelo presidente. “Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas, turve a nossa democracia e ameace nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Ou melhor, acabou o tempo dele”, disse o presidente.

Apareceu a Margarida! – Na surdina, até porque seu tempo já passou como fato novo na cena nacional, Marina Silva, que disputou e perdeu a eleição presidencial em duas tentativas, ressurgiu pegando carona na crise. “Bolsonaro sempre demonstrou não ter limites, mas o Brasil o limitará. Não vamos abrir mão da democracia por um delírio ditatorial”, disse, ao comentar os discursos do presidente jogando mais lenha ainda na fogueira da crise institucional.

No muro – Na ação política, quando a opção é o muro cria-se uma comissão. Foi o que fez o PSD, para tentar encontrar um caminho em resposta às manifestações do presidente nos atos do Dia da Independência, após ser pressionado a apoiar um pedido de impeachment. O grupo será composto pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab, e os líderes do partido na Câmara, Antonio Brito (BA), e no Senado, Nelsinho Trad (MS). A comissão surge depois de o presidente Jair Bolsonaro declarar que não cumprirá decisões tomadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Reação negativa – A avaliação de economistas tarimbados em mercado é de que o 7 de setembro deu um saldo pior para o cenário político, devido à tensão criada com o acirramento da crise institucional. As manifestações elevaram ainda mais a tensão entre os Três Poderes e afetarão os preços dos ativos financeiros. O mercado depende do STF e do Congresso para destravar as reformas econômicas e achar uma saída para o “meteoro” de precatórios que pressiona o Orçamento de 2022 e inviabiliza a ampliação de programas sociais como o Bolsa Família no ano que vem. Por isso, está na expectativa das reações do Judiciário e do Legislativo às declarações de Bolsonaro.

Coisas da Globo – Além de um editorial contundente contra as manifestações pró-Bolsonaro, as organizações Globo mostraram a cara de oposição ao Governo. Repórteres e apresentadores da Globonews cobriram o 7 de setembro com uma tarja preta. Em Pernambuco, o G1, portal de notícias da poderosa, ignorou a grande manifestação em Boa Viagem. Deu apenas uma postagem discreta, mas quando o governador se manifestou pelas redes abriu um manchetão. Aprendi na faculdade que o fato é sagrado, a versão livre.

CURTAS

EM CAMPANHA – "Infelizmente, ele está em campanha permanente e não governa o país", reagiu o governador Paulo Câmara em publicações no Twitter ao se manifestar sobre as declarações do presidente Bolsonaro nos atos de 7 de setembro em Brasília e São Paulo, quando disse que não ia mais acatar decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

VOZ DA JUSTIÇA – O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, o juiz federal Eduardo André Brandão, declarou que o presidente Jair Bolsonaro “agiu de forma irresponsável e deu um péssimo exemplo ao pregar desobediência às determinações judiciais e, mais uma vez, lançar ataques pessoais” a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Perguntar não ofende: E se fosse a oposição que tivesse feito a maior manifestação de rua dos últimos anos no Brasil, como seria o tratamento da Globo?


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Rafael C.Soares Quintas

Parabéns Magno, tudo que seu blog disse é a mais pura verdade, só não vê quem não quer, os adeptos do Lulaladrão.

Joao

É vergonhoso, para não dizer outra palavra mais forte, como este blog e blogueiro viraram militante bolsotonto. Será que o tico e o teco do sanfoneiro lambe-botas é o responsável por isso?


Arcoverde novembro 2021


08/09


2021

Coluna da quarta-feira

Bolsonaro mostra força

Os atos pró-Bolsonaro do 7 de setembro, ontem, especialmente em Brasília, São Paulo, Rio e Recife lembraram em participação, vibração, emoção e civilidade os grandes atos das diretas já, em 1984. Como nos grandes comícios pela redemocratização, apesar das multidões não houve quebradeiras, brigas ou provocações. Vestidos de verde e amarelo, os que foram às ruas, ontem, mostraram que é possível protestar sem baderna.

Essa é a marca dos bolsonaristas em contraste com os que vestem vermelho em manifestações que poderiam ser iguais, não derivando para violência. O último ato contra o Governo em São Paulo, convocado por partidos de esquerda e entidades, terminou com o registro de depredação contra patrimônio público e agências bancárias, além de violência contra policiais que davam segurança ao evento.

Alguns manifestantes atearam fogo em pontos de ônibus e quebraram vidros de agências com caixas eletrônicos em funcionamento. Eles entraram em confronto com soldados da Polícia Militar de São Paulo e agentes de segurança de uma estação de metrô. Segundo a PM, foram atirados coquetéis ‘molotov’ contra os seguranças e os policiais.

Ontem, em qualquer parte do País, o que se viu foi obediência às determinações dos organizadores. No lugar das quebradeiras, paz, sorrisos, beijos e abraços, gente enrolada na bandeira do Brasil, homens, mulheres e crianças unidas por uma causa só. As multidões, por si só, levam a outra leitura. Se o presidente está tão desgastado e reprovado, conforme atestam as pesquisas, as manifestações não teriam sido um fiasco?

A repercussão foi internacional. O portal norte-americano New York Times atribuiu a convocação das manifestações por parte do presidente à diminuição da aprovação nas pesquisas de opinião, à economia e às investigações judiciais em curso. O Times referiu-se aos atos como “uma demonstração de força que os críticos temem ser um prelúdio para uma tomada de poder”. Além disso, traçou paralelos entre Bolsonaro e o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Interpretadas com vários vieses pela mídia nacional, as manifestações de ontem, entretanto, ficarão na história como uma das maiores já vistas no País, no momento em que há uma divisão latente na sociedade entre direita x esquerda, com debate histérico pelas redes sociais que só contribuem para tensionar ainda mais a crise institucional, cada vez mais radicalizada entre as ambas as partes.

Troca de nomes – O presidente Jair Bolsonaro vai reunir, hoje, pela manhã, o Conselho de Governo. O grupo é composto pelo presidente, vice-presidente, ministros e eventuais convidados. O tema serão as manifestações a favor do governo realizadas no 7 de setembro. Bolsonaro disse durante o ato de Brasília, ao lado de apoiadores, que convocaria reunião do Conselho da República, órgão responsável por planejar eventuais intervenções ou estado de sítio, além de lidar com turbulências institucionais. De acordo com assessores do presidente, houve confusão quanto ao nome.

Data Povo – Em entrevista, ontem, ao Frente a Frente, o ministro Gilson Machado Neto (Turismo) disse que as gigantescas manifestações no Brasil revelaram a verdadeira pesquisa popular. “É o Data Povo”, brincou. Em seguida, acrescentou que o presidente Bolsonaro não está preocupado com pesquisas eleitorais e quis saber: “Em qual instituto o presidente liderava em 2018? E não foi eleito? O que importa é o sentimento das ruas, como vimos ontem em todos os cantos do País”.

Aos canalhas – Em discurso rápido na Avenida Paulista, no ao de 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o Poder Judiciário, como já havia feito pela manhã, e a criticar prefeitos e governadores pela condução durante a pandemia de covid-19. Aos milhares de apoiadores que lotaram a via, no entanto, o recado foi eleitoral. "Quero dizer aqueles que querem me tornar inelegível em Brasília que só Deus me tira de lá", disse. E completou na sequência: "Quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso."

Pisada de bola – A transmissão ao vivo do discurso de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista foi interrompida diversas vezes para quem a acompanhou em canais de notícias. Com problemas técnicos, a GloboNews passou a usar imagens da Folha Política no Youtube, um dos canais bolsonaristas acusados de transmitir desinformação e punidos pelo TSE com a desmonetização. O presidente iniciou o seu discurso às 15h42. Por volta das 15h45, as transmissões da CNN começaram da ter o áudio picotado. Primeiro a emissora afirmou que o microfone do presidente apresentava problemas. Depois, que havia problemas na “transmissão do áudio” e que “havia dificuldade na internet” e que o sinal estava ruim. A emissora, no entanto, continuou tentando transmitir a fala, com idas e vindas.

Ato gigante – Tão ampla quanto a de Brasília e São Paulo, a manifestação pró-Bolsonaro, ontem, pela Avenida Boa Viagem, impressionou não apenas pelo entusiasmo e organização, mas pela forma como as pessoas se manifestaram saindo da praia em direção ao calçadão. Uma multidão. Kildare Jonhson, um dos organizadores do evento, chegou em falar em mais de cem mil manifestantes, número que a Polícia Militar não confirmou, alegando que não fez cálculos.

CURTAS

Visão de cientista – Cientistas políticos veem os atos do 7 de setembro de ontem como parte de uma estratégia de sobrevivência de Bolsonaro, diante da falta de agenda e de propostas para reverter o contexto negativo. "Sem poder agir da maneira que ele gostaria, ele radicaliza", avalia Carolina Botelho, pesquisadora do Laboratório de Neurociência Cognitiva e Social/Mackenzie.

Democracia – José Alvaro Moisés, da USP, afirmou que não foram episódios, como a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson e a rejeição do impeachment do ministro Alexandre de Moraes que construíram o contexto dos atos, mas sim, uma forma de fazer política que combina atos, gestos e proclamações públicas que "corroem a democracia por dentro".

Perguntar não ofende: Como é possível reunir tanta gente em desvantagem nas pesquisas?


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R.Soares

Desde qd fechar STF e o Congresso diminui a inflaçao e o desemprego, ontem não era protesto era bagunça

Rodrigo

Infelizmente magno , você deixou de ser um jornalista isento ! Acompanho você desde 2012 e a partir de hoje estou deixando , visto que você cada vez mais está sendo um militante do que jornalista

Joao

É impressionante como o blogueiro é puxa saco, não apenas do bozolóide presidente, bem como do lambe-botas mor, Gilson Machado. Assume de vez o caráter militante de um fascista, que em discursos medíocres e repetivos fala a uma boiada . Vergonhoso Magno Martins, o novo cloroquina!

gilson

O Sr. Magno Martins nunca foi um jornalista, é sim UM MILITANTE POLÍTICO.


Serra Talhada 2021


07/09


2021

Coluna de terça-feira

Enfim, o 7 de setembro

Cantadas em verso e em prosa pelos bolsonaristas, vistas como um divisor de águas na medição de forças entre Executivo e Judiciário, temidas até como um recado de ruptura institucional, as manifestações previstas para hoje no 7 de setembro em todo o País tendem a ser gigantescas. As atenções se voltam especialmente para Brasília e São Paulo, que serão as maiores e contarão com a presença do presidente Bolsonaro.

No Distrito Federal, a concentração ocorrerá pela manhã, na Esplanada dos Ministérios, sob grande foco da Segurança, que vai impedir o acesso à Praça dos Três Poderes, incluindo a preservação física do Congresso Nacional, STF e Palácio do Planalto. Centenas de caminhões adesivados estão concentrados na periferia de Brasília, além de grande quantidade de ônibus vindos de diversos estados.

Manifestação de esquerda também está programada para Brasília, em outra área reservada pelo Governo do DF. Em São Paulo, o encontro de grande número de partidários do Presidente Bolsonaro ocorrerá à tarde, na Avenida Paulista, com o mesmo teor: demonstração de solidariedade ao presidente Bolsonaro no seu confronto público com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Os atos têm tirado o sono dos que cuidam da segurança. As secretarias estaduais de Segurança Pública e o Congresso pediram reforço na segurança diante do risco de vandalismo e até invasão de prédios públicos. Na capital paulista, os atos já viraram caso judicial. O Tribunal de Justiça do Estado decidiu que o governador João Doria (PSDB) não pode proibir manifestações contra o Governo, desde que ocorram em locais distintos dos protestos a favor do Planalto convocados para a Avenida Paulista.

Doria havia dito que, para evitar risco de confrontos, atos contra o governo federal não seriam permitidos no dia 7. Líderes da oposição na Câmara assinaram requerimento para convocar o ministro da Justiça, Anderson Torres, para explicar as medidas tomadas pela pasta para evitar ataques contra instituições no feriado. Senado, Câmara e o Supremo Tribunal Federal (STF) pediram ao governo do Distrito Federal reforço na segurança da Esplanada dos Ministérios.

A principal preocupação é com a presença de radicais bolsonaristas, incluindo policiais militares. O governador Ibaneis Rocha (MDB) decretou ponto facultativo às vésperas do feriado para evitar aglomerações. Ele afirmou que “manterá a segurança da população e dos manifestantes pacíficos”, e que o plano de contingência está sendo elaborado pela Secretaria de Segurança.

Solavancos – Questionado sobre as manifestações, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou: "A gente tem que se esforçar para que os movimentos de rua aconteçam e sejam pacíficos. Grandes ou pequenos, isso é irrelevante. A gente tem trabalhado em Brasília para distensionar, diminuir, dirimir e exterminar com as versões". Segundo ele, o Brasil é "acostumado a solavancos" e que a antecipação do processo eleitoral "machuca o País". "Não cabe a qualquer político deixar de ser otimista ou tentar diminuir versões que são impostas", afirmou.

O recado de Bolsonaro – Na véspera do grande e esperado dia, o presidente Bolsonaro disse que o Brasil vive momentos não muito tranquilos. “Mas a certeza da resistência daqueles que têm acima de tudo a sua pátria conforta toda a nossa nação. Nos momentos mais difíceis da história, os sensatos se destacaram. O que está acima de tudo é o destino da nossa Nação. Não temos vaidades, ambições ou sede do poder. Mas temos uma inabalável vontade e disposição para que a nossa Constituição, a nossa democracia, e a nossa liberdade sejam mantidos a qualquer preço", afirmou.

Marco Civil – O presidente Jair Bolsonaro assinou, ontem, uma Medida Provisória que altera o Marco Civil da Internet a menos de 24 horas das manifestações pró-governo convocadas por apoiadores no 7 de setembro. Segundo publicação da Secretaria Especial de Comunicação Social, a medida visa assegurar a “liberdade de expressão “. A alteração beneficiará aliados do presidente, já que alguns – incluindo o próprio chefe do Executivo – são alvos de inquérito do Supremo Tribunal Federal por divulgar fake news. Nos últimos dias, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão de influenciadores bolsonaristas, entre eles o ex-deputado Roberto Jefferson.

Bloqueio – O ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou o bloqueio das contas nas redes sociais do bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A decisão foi tomada no inquérito que apura a realização de supostos atos antidemocráticos no 7 de setembro. Eustáquio estava usando seu perfil no Twitter para divulgar declarações do caminhoneiro Marco Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, alvo de mandado de prisão preventiva e que atualmente está foragido. Oswaldo Eustáquio é formado em comunicação e autointitula-se “jornalista de alta performance”. Ele já foi preso duas vezes por ordem de Moraes. As suspeitas são a de que ele organizou atos antidemocráticos. A decisão do ministro está sob sigilo.

Grito dos excluídos – Neste 7 de setembro, no Recife, também está programada a 27ª edição da manifestação popular do Grito dos excluídos. Começa a partir das 10h, na Praça do Derby, e percorrerá a Avenida Conde da Boa Vista até a Praça do Carmo, no bairro de Santo Antônio. Este ano, o lema da manifestação será: “Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!”. A manifestação também realiza uma campanha de doação de alimentos para ajudar entidades que fazem apoio a pessoas em situação de rua. Para doar, é só levar 1 kg de feijão e entregar no coreto da praça, durante a concentração.

CURTAS

Bem de longe – Ao longo da última semana, o primeiro escalão do Governo procurou se desvencilhar das manifestações de 7 de setembro promovidas pelo presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, ministros demonstraram desacordo com o acirramento institucional e constrangimento com a moldura autoritária dos protestos e a convocação feita por Bolsonaro para aderirem aos atos.

Incômodo – Boa parte dos ministros evitou até mesmo comentários em pronunciamentos e nas redes sociais sobre o convite público feito pelo presidente para eventos cuja pauta inclui a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal e a adoção do voto impresso, ambos assuntos superados no Congresso. Muitos podem aceitar o convite, mas não escondem incômodo.

Perguntar não ofende: Brasília ou São Paulo: quem fará o maior ato hoje?


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SESC - Férias de Janeiro


06/09


2021

Coluna da segunda-feira

O exército bolsonarista

A tropa de choque de Bolsonaro renovou a forma de fazer campanha de rua no País faltando ainda 13 meses para as eleições. Trata-se de um desfile diferente de uma gente em defesa de uma causa: a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Eles chegam de todos os cantos do País. Fecham estradas desfilando em motos possantes, usam as cores verde e amarela. Na largada, lembram uma nuvem de morcegos em revoada. Considerado santuário eleitoral de Lula, o Nordeste se rendeu às motociatas bolsonaristas.

A do último sábado, no trecho entre Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, que durante a semana é usada predominantemente por feirantes do maior polo de confecções do Nordeste, foi fenomenal, superou as demais realizadas em outras regiões do País. Segundo levantamento da Polícia, 50 mil aderiram ao evento, tendo como estrela o próprio presidente da República, candidato à reeleição, e apenas um ministro, o pernambucano Gilson Machado Neto, de Turismo, transportado por Bolsonaro em sua garupa.

Os organizadores, por sua vez, dão um plus. Calculam em mais 70 mil motociclistas. Se estiverem certos, superou a de Santa Catarina, a maior delas até então. Um evento desta magnitude assusta, dá calafrios até olhando na tela da TV. Mas há uma disciplina impressionante. Lembra eventos militares nos quais ninguém pode quebrar preceitos. Em quase três horas, 70 mil motociclistas não provocaram nenhum tipo de incidente na versão pernambucana.

Não houve, por exemplo, nenhuma agência bancária depredada, nenhum monumento queimado, nenhum patrimônio público pichado. Também não foi disparada nenhuma bala de borracha, muito menos jogado spray de pimenta na cara de ninguém. Homens, mulheres e crianças eram vistos em grupos dos mais diferentes municípios do Estado e até de outras regiões. Até do Sul foram vistos bolsonaristas fanáticos com sua bandeira verde e amarela.

Nunca algo aconteceu na história republicana. Em eleições que levaram milhares de pessoas às praças públicas, nada igual. Eis o fato novo. No processo de redemocratização do País, a campanha das diretas contaminou o coração dos brasileiros, encheu praças e avenidas, fez a juventude pintar seus rostos de verde e amarelo, mas nada que já não tivesse ocorrido antes no País. Comícios, carreatas e passeatas sempre existiram.

A página ainda inédita e aberta era a das motociatas, preenchida agora com o DNA bolsonarista. A campanha presidencial de 22 terá essa marca inovadora. Polarizando com Bolsonaro, Lula fará o quer em termos de inovação? Ninguém vai mais a comícios, antes só havia gente por causa das atrações musicais e não pelos candidatos. De agora em diante, os grandes atos da campanha de reeleição do presidente terão o controle absoluto dos idealizadores das motociatas. Longe, ocupando as estradas, o que se verá será o grande e assombrador “exército bolsonarista” pelas estradas do País.

Quem viver, verá!

Improcedente – Em alguns veículos de imprensa, circulou a versão de que três parlamentares pernambucanos que apoiam Bolsonaro foram barrados na solenidade da troca do comandante militar do Nordeste, na última sexta-feira (3). Entre os citados no suposto veto, os deputados estaduais Coronel Alberto Feitosa, Clarissa Tércio (ambos do PSC) e Joel da Harpa (PP). "Essa informação não procede. Estive presente com os demais colegas no evento. Há fotos e vídeos nas redes sociais que comprovam nossa presença no local. Lamento este grande erro de alguns jornalistas pernambucanos. Todos sabem que é papel da própria imprensa checar a veracidade das informações e ouvir os dois lados antes de publicar qualquer notícia", rebateu Feitosa.

Não vai sair – No encontro com empresários e apoiadores, sexta-feira passada, no Recife, o presidente Bolsonaro fez questão de fazer uma ligação para o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Em viva voz, encostou o seu celular no microfone para o público ouvir. Freitas, o chamado tocador de obras do Governo, esqueceu de falar da principal obra que a bancada federal, aliás, faz uma grande mobilização: o ramal da ferrovia Transnordestina até Suape. Mas não foi lapso de memória. Na verdade, o Governo não vai tocar a obra. É conversa para inglês ver. Originalmente, a concepção do projeto foi errada e não há segurança que, se concluída, a ferrovia venha de fato a servir para alguma coisa.  

Chegou 7 de setembro – Esperado com grande expectativa, até mesmo como uma espécie de divisor de águas, o 7 de setembro, amanhã, vai pipocar de manifestações em todo o País. Os olhos da Nação, entretanto, estarão voltados para Brasília. Lá, todos os hotéis estão empilhados de bolsonaristas para o ato em defesa do Governo e em protesto contra as intervenções do Supremo, marcado para a Esplanada dos Ministérios. No Recife, as concentrações estão marcadas para Imbiribeira e o calçadão de Boa Viagem. Também haverá protestos de esquerda pelo centro da cidade.

Ameaça de morte – Às vésperas das manifestações do 7 de setembro e um consequente aumento da tensão entre o Judiciário e o Executivo, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro têm manifestado nas redes sociais ameaças ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e à sua família. Em uma live no TikTok, um homem afirma que um empresário oferece dinheiro “pela cabeça de Moraes”. Em post no Twitter, um ex-PM diz que vai assassinar o magistrado e toda sua família. “A partir de hoje, nós temos um grupamento no Brasil que vai caçar ministros [do STF] aonde (sic) quer que eles estejam”, diz um homem identificado como Márcio Giovani Nique ou “professor Marcinho” no TikTok.

Três alternativas – Há quem diga que o presidente Bolsonaro, ao levar o ministro Gilson Machado Neto (Turismo) na garupa da sua moto na motociata de sábado passado, tenha sinalizado pela candidatura do aliado a governador de Pernambuco. Aos que não conhecem Gilson, ele tem também inserção politica em outros dois Estados em que está sendo convidado a disputar o Senado: Alagoas, onde tem emissora de rádio, fazenda de coco e hotel, e Tocantins, Estado que investe na pecuária. “Farei o que for melhor para o projeto do presidente”, diz Machado, ao confirmar a versão.

CURTAS

Queixa – O caminhoneiro bolsonarista Marcos Antônio Pereira Gomes, o “Zé Trovão”, postou, ontem, um vídeo pedindo que seus seguidores não ataquem o ministro Alexandre de Moraes. A fala vem depois de uma série de vídeos em que o bolsonarista desafia a ordem de prisão contra ele dada por Moraes. Ontem, o ministro prestou queixas por ofensas ouvidas em um clube em São Paulo. No sábado passado, Zé Trovão disse que Moraes deveria prendê-lo na Avenida Paulista, amanhã, no ato pró-governo de 7 de setembro.

Terceira via – Pesquisa PoderData realizada entre 31 de agosto e 1 de setembro mostra que 15% dos brasileiros não votariam em Bolsonaro nem em Lula nas eleições de 2022. O percentual subiu seis pontos em dois meses. Retomou patamar próximo ao do início do levantamento (12%), em março. Os que rejeitam Bolsonaro e Lula se dividem entre Ciro Gomes (PDT), Luiz Mandetta (DEM) ou João Doria (PSDB), que empatam na margem de erro.

Perguntar não ofende: O que será do Brasil amanhã? 


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Comentários

Joao

Será o mesmo: desemprego, preço de gás nas alturas, gasolina o litro a quase 7 reais, energia elétrica aumentando todos os dias....pior, muitos blogueiros puxa sacos e a boiada lambendo botas!


Bandeirantes novembro 2021


04/09


2021

Coluna do sabadão

Foto: Ed Machado / Folha de Pernambuco
Bolsonaro procura Pernambuco

Por Houldine Nascimento – interino

Na passagem por Pernambuco, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem evitado dar declarações polêmicas. O chefe do Executivo dará sequência à agenda logo mais, a partir das 8h, quando participa de uma motociata no Agreste do Estado. O Moda Center, em Santa Cruz do Capibaribe, é o ponto de concentração.

A escolha pela cidade faz todo sentido: foi o único município pernambucano em que Bolsonaro venceu os dois turnos das eleições em 2018. Mesmo sendo uma “ilha bolsonarista”, o prefeito Fábio Aragão (PP) já externou que não receberá o presidente, sob a justificativa de que é adventista, ou seja, seus sábados são reservados para atividades religiosas.

Outros dois municípios que estão na rota do passeio de moto são Toritama e Caruaru, onde ocorre a dispersão. O único prefeito que se dispôs a encontrar Bolsonaro foi o toritamense Edilson Tavares (MDB), que estará a postos no Parque das Feiras. Já a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), deixou claro que não se reunirá com o presidente e que nenhum integrante de sua gestão estará no ato.

A expectativa é de que ministros e aliados locais acompanhem Bolsonaro nesse passeio pelo Agreste. Ao desembarcar na Base Aérea do Recife, ontem, alguns parlamentares prestigiaram o presidente. A lista incluiu os deputados federais Fernando Rodolfo (PL) e André Ferreira (PSC) e os deputados estaduais Alberto Feitosa, Clarissa Tércio (ambos do PSC), Cleiton Collins (PP) e Romero Sales Filho (PTB). Além deles, o presidente estadual do PTB, Coronel Meira, esteve presente. 

Na comitiva, o presidente Bolsonaro esteve acompanhado dos ministros Carlos França (Relações Exteriores), Gilson Machado Neto (Turismo), João Roma (Cidadania) e Tarcísio Freitas (Infraestrutura), do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e do presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Frevou – A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também veio ao Recife. Na área externa da Base Aérea, um grupo de apoiadores esperava a comitiva, com direito a uma orquestra de frevo e bonecos gigantes – dois deles representavam o casal presidencial. Houve aglomeração e várias pessoas estavam sem máscara. Em um momento de descontração, Michelle pegou uma sombrinha e arriscou alguns passos de frevo. À coluna, o deputado Alberto Feitosa informou que a orquestra foi chamada por ele.

Inauguração – O primeiro compromisso da comitiva presidencial em Pernambuco foi a inauguração da nova Escola de Formação de Luthier e Archetier da Orquestra Criança Cidadã, no Recife. Este foi o único evento em que Michelle esteve. Autoridades civis e militares participaram da solenidade, que contou com uma apresentação musical e com o ministro Gilson Neto tocando sanfona. O projeto sociomusical é patrocinado pela Caixa Econômica.

Reivindicações – Ainda no Recife, representantes da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e a Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (Acic) entregaram ao presidente Bolsonaro um documento com algumas reivindicações, demonstrando preocupação com a infraestrutura local. Entre os pleitos, a construção do Ramal de Suape na ferrovia Transnordestina, a vinda da Escola de Sargentos do Exército e a conclusão do segundo trem da Refinaria Abreu e Lima, bem como um Refis nacional.

Promessa – Por telefone, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, disse a estes empresários que está nos planos do Governo Federal retomar o controle da BR-232 e abrir leilão para proporcionar a recuperação da via. Segundo ele, uma consulta pública será feita a partir de novembro e a concessão deve ocorrer em agosto de 2022. Tarcísio também falou sobre a viabilidade do Arco Metropolitano e a recuperação da BR-104. Ao final, foi aplaudido por quem estava na plateia, sob a vigilância de Bolsonaro.

Climão – O presidente Bolsonaro e o governador Paulo Câmara (PSB) voltaram a se encontrar na noite de ontem, durante a cerimônia que oficializou o general Richard Fernandez Nunes como novo comandante militar do Nordeste, no Recife. Os dois ficaram lado a lado durante quase toda a solenidade, embora praticamente não tenham dialogado. Horas antes, nas páginas amarelas da revista Veja, Câmara definiu o Governo Bolsonaro como “absoluto retrocesso” e “desastre”. Alguns ministros também foram ao evento.

CURTAS

RACHADINHA – Um ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) afirmou ao portal Metrópoles que era obrigado a entregar 80% do salário de R$ 7.326 na época em que o parlamentar era deputado estadual no Rio. Segundo a denúncia, a quantia era repassada para a advogada Ana Cristina Valle, mãe de Jair Renan e então casada com o presidente Bolsonaro

PRISÃO – A Polícia Federal prendeu, ontem, o blogueiro bolsonarista Wellington Macedo e está à procura do caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, o Zé Trovão. Os dois estão entre os suspeitos de articular um ato antidemocrático no próximo dia 7. A Procuradoria-Geral da República solicitou a prisão e o ministro do STF Alexandre de Moraes expediu os mandados.

Perguntar não ofende: O que esperar das manifestações no Dia da Independência?


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Pousada da Paixão


03/09


2021

Coluna da sexta-feira

Um crime inacreditável

Na era PT, de Lula a Dilma, especialmente Lula, que alguns desinformados ainda acham que é o pai dos pobres, o dinheiro do contribuinte não chegou na ponta apenas para financiar o Bolsa Família, reduzindo as desigualdades sociais. Chegou também – e muito – para os ricos. Líder do Podemos no Senador, o senador Álvaro Dias trouxe ao plenário da Casa um assunto que, se não tivesse documentação, seria inacreditável.

Dias, na verdade, levantou informações do caso JBS, especialmente no Governo Temer, interpretadas no Congresso como uma verdadeira exumação nos empréstimos do BNDES, entre 2008 e 2014, quando o banco injetou dinheiro barato em empresas selecionadas pelos governos Lula e Dilma (os “campeões nacionais”) para que pudessem comprar outras empresas no exterior.

O senador apresentou, em discurso no plenário, resultados de uma análise preliminar que, sem dúvida, é para deixar qualquer brasileiro de bom senso, que paga seus impostos em dia, de queixo caído. Segundo ele, em um período de seis anos, a União emprestou ao BNDES um total de R$ 716 bilhões. Como o Tesouro Nacional não dispunha do dinheiro, o Governo foi ao mercado privado.

Tomou recursos pagando juros de mercado a 14,25% ao ano pela taxa Selic, e repassou à JBS, Odebrecht e outras empresas ao custo entre 5% e 6%, pela TJLP. Negócio de mãe para filho. O resultado, lembrou, é um subsídio sem precedentes, de R$184 bilhões. “A sociedade vai pagar por isso até o ano de 2060”, disse Dias.

Essa farra do PT é um apenas uma gota do oceano de falcatruas da era PT no Brasil. Lula e Dilma nunca tocaram nesse assunto e precisam explicar como pegar dinheiro no mercado a juros exorbitantes e repassar para empresas cheias de rolos com juros 50% menores. Quem vai pagar essa conta? Eu, você, todos nós, contribuintes. Só para deixar bem claro o tamanho desse golpe aos cofres públicos: faltam 42 anos para liquidar a conta.

Inconstitucional – O senador Álvaro Dias está no pé do BNDES por essa e outras operações suspeitas. Ele considera inconstitucionais empréstimos feitos pelo banco, de maneira sigilosa, a países como Cuba e Venezuela. Por isso, impetrou mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para obter acesso aos contratos celebrados pela instituição financeira. Segundo ele, os empréstimos deveriam ter passado pela avaliação do Senado, e, além disso, a recusa em fornecer informações desrespeita a Lei de Acesso a Informação.

Os dois bicudos – A relação entre os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), piorou. A divergência foi exposta depois de os senadores rejeitarem uma medida provisória que havia sido aprovada pelos deputados na sessão da última quarta-feira. “A gente fica muito triste quando vê uma medida provisória como a 1.045 ser rejeitada no Senado”, disse Lira. Na Casa Alta, a MP teve apenas 27 votos, contra 47. “Nós chegamos a fazer um acordo com o líder do Governo, Fernando Bezerra Coelho. O Senado suprimiria toda a parte da CLT, que foi pedido aqui pelo governo para ser incluído na MP na Câmara”, acrescentou.

Tom mais ríspido – Foi perguntado ao presidente da Câmara se a rejeição da medida provisória pelo Senado havia causado tensão entre as duas Casas. “Não tem tensão. Se tivesse tensão eu estaria falando de maneira mais ríspida. Estou aqui lamentando a falta de sensibilidade”, respondeu Lira. “Nós cumprimos os nossos acordos. Nós não temos acordo nenhum que não seja respeitado com a oposição, com o centro ou com base nessa Casa. Nós respeitamos os regimentos tanto da Câmara quanto do Senado. Respeitamos os acordos e cumprimos com nossas palavras”, disse o deputado.

Vacinação avança – Em agosto passado, o Brasil bateu recorde do total de doses aplicadas em 1 mês: foram 51,9 milhões. Houve alta de 26% frente a julho, maior marca anterior. Os números são da plataforma coronavirusbra1, que compila os dados das secretarias estaduais de Saúde. Também foi o recorde de só primeiras doses e de só segundas doses administradas em 1 mês. Só as aplicações de doses únicas (Janssen) caíram. O número de segundas doses, administradas em agosto, cresceu 87% em relação a julho. Passou de 11,2 milhões para 20,8 milhões. As aplicações de 1ª dose cresceram 17%.

Pegou mal – De olho no Senado, por achar que tem chances no complicado tabuleiro da montagem da chapa majoritária governista, o jovem deputado Sílvio Costa Filho, do Republicanos, irritou aliados do senador Jarbas Vasconcelos (MDB), quando afirmou que o Senado não poderia continuar sendo uma Casa para fomentar e acolher aposentadorias de políticos. A declaração, numa coluna de jornal, foi entendida como um recado a Jarbas, sobretudo, porque os eventuais e naturais possíveis concorrentes de Silvio Filho estão longe de engrossar a fila dos que irão vestir o pijama.

 

CURTAS

Desembarque – Os manifestos assinados nas últimas semanas por empresários, figuras do agronegócio e do mercado financeiro são o lado visível de um "desembarque silencioso" de parte da elite econômica da base de apoio do governo Bolsonaro. A avaliação é do economista José Roberto Mendonça de Barros, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998, fundador da consultoria MB Associados, em funcionamento desde 1978, e membro do conselho de diferentes empresas.

Selo internacional – Fernando de Noronha recebeu, na última quarta-feira, o selo internacional Safe Travels, certificação de que a ilha tem um turismo seguro. O principal motivo para o destino receber o certificado foi o trabalho desenvolvido no combate à pandemia da Covid-19. O selo Safe Travels foi criado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo para reconhecer municípios e empresas que seguem todos os protocolos sanitários estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Perguntar não ofende: Rodrigo Pacheco foi picado pela mosca azul da corrida presidencial?


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Comentários

Joao

E os crimes inacreditáveis, praticados contra a democracia, as finanças públicas e principalmente a VIDA, que este senador não menciona no atual governo, e que também o blogueiro bolsonarista não fala?




01/09


2021

Coluna da quinta-feira

Engenheiro desacredita Ferrovia

Um dos temas que abordarei na entrevista exclusiva que farei, hoje, aqui em Brasília, com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, será a paralisação do eixo da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco. A bancada federal já esteve com o ministro, mas tudo ainda está muito nebuloso, até porque o Governo Federal desconfia da eficácia do projeto.

As desconfianças se dão a partir do erro de engenharia na obra até a capacidade exportadora de Pernambuco. Num brilhante artigo, ontem, neste blog, o engenheiro Edson Félix Costa questionou a eficácia econômica da Ferrovia no trecho pernambucano. “Fala-se que o ramal de Suape servirá para exportar o gesso do Araripe, mas parece que essa produção de gesso não tem volume que a credencie a acessar o mercado internacional e, mesmo que tivesse volume, faz alguma diferença para o consumidor internacional que o produto saia de Suape ou de Pecém?”

A pergunta dele vem com a resposta a seguir: “Falava-se que o ramal de Suape seria viabilizado com a exportação do minério de ferro vindo do Piauí. Aí o buraco é muito mais em baixo. O Piauí tem duas jazidas de minério de ferro (São Raimundo Nonato e Paulistana). A primeira, com 6 bilhões de toneladas, fica bem próximo da ferrovia Norte-Sul, que acessa a ferrovia da Vale, indo até o porto de Itaqui, no Maranhão, por onde escoará a produção, já que a logística do projeto Carajás está pronta e operando”.

Edson acrescenta: “A jazida de Paulistana é pequena: são 800 milhões de toneladas. Não tem perfil para acessar o mercado internacional e, muito provavelmente, será absorvida pela Companhia Siderúrgica do Pecém, pertencente a um grupo coreano que já está em operação. A concessão da ferrovia é da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma gigante do setor de aço. Alguém duvida que a CSN terá facilidades em negociar com os coreanos ou, fomentar a implantação e um polo Siderúrgico em Pecém?

Segundo o engenheiro, é preciso perceber, ainda, que a exportação de minério de ferro se dá com emprego de enormes navios, de calado muito profundo que, no Brasil, praticamente, só o porto de Itaqui (MA) tem canal de navegação com essa profundidade.

Dono de TV na CPI – Na lista de próximos depoentes da CPI da Covid há o nome do empresário Marcos Tolentino, considerado por alguns senadores como sócio oculto do Fib Bank. O Fib Bank participou, como garantidor, das negociações da vacina Covaxin com o Ministério da Saúde”, segundo o site do Senado. Advogado e jornalista, Tolentino consta como dono e presidente da Rede Brasil de Televisão, canal instalado no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo. Teve como sócio no negócio o apresentador e deputado federal Celso Russomano (Republicanos-SP).

Uso ilegal do dinheiro – No Ceará, o Tribunal de Contas do Estado aprovou as contas do governador Camilo Santana (PT) referente a 2020, o ano da pandemia da Covid-19. Um dos pontos alvos de debates entre conselheiros e membros da gestão estadual foi o uso de recursos federais na pandemia da Covid-19 para pagar pessoal. O debate gerou polêmica nas redes sociais após o presidente Jair Bolsonaro acusar governadores de usarem os recursos enviados pelo Governo Federal para quitar débitos da folha de pagamento.

Novo candidato – Projetado nacionalmente pela atuação na CPI da Covid, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) decidiu apresentar sua candidatura à Presidência por não aceitar a polarização da disputa entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como defensor da construção de uma candidatura de terceira via, o senador, que é delegado da Polícia Civil, reconhece que resolveu entrar na corrida eleitoral por não ver no centro do debate político a defesa do combate à corrupção e ações para a redução da miséria no País.

Contra Moro – O Ministério Público Federal em Mossoró abriu uma ação civil pública (ACP) contra a União por danos morais coletivos causados pela Operação Lava Jato, especialmente pela atuação do então juiz Sergio Moro, considerada pelo documento como antidemocrática. Na ação, o MPF argumenta que Moro influenciou indevidamente as eleições presidenciais de 2018, das quais se beneficiou posteriormente ao ser nomeado para o Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro. O documento reitera ainda que o ex-juiz agiu de forma parcial na condução da Operação Lava Jato.

Racionamento – O vice-presidente Hamilton Mourão disse, ontem, que existe a possibilidade de ocorrer um “algum racionamento” de energia no País. Segundo ele, o Governo acompanha a situação para evitar que ocorra um apagão. Devido à crise hídrica, a Agência Nacional de Energia Elétrica anunciou uma nova bandeira tarifária no valor de R$ 14,20 por 100 kWh, que ficará em vigor até 30 de abril de 2022. “O Governo tomou as medidas necessárias, criou uma comissão para acompanhar e tomar as decisões a tempo e a hora no sentido de impedir que ocorra isso, que haja apagão. Agora, pode ser que tenha que ocorrer algum racionamento. O próprio ministro [Bento Albuquerque, de Minas e Energia] falou isso, né? Vamos torcer […]”, disse em conversa com jornalistas.

CURTAS

Repercussão – A crise hídrica no País tem levado ao aumento do preço da conta de luz e se transformou em mais uma pressão inflacionária para a população – que já sofre com a alta de combustíveis e alimentos. A indústria também enfrenta um reajuste no custo de produção num cenário em que a há pouca margem de manobra para absorver novos choques.

Viva o Galo! – As festas de carnaval em 2022 ainda não foram liberadas oficialmente, mas o avanço da vacinação contra a Covid-19 deixou quem trabalha com a folia otimista. O Galo da Madrugada está entre os que começaram a planejar o desfile e anunciou, ontem, seus homenageados e o tema da sua 44º edição: "Viva a Vida, Viva o Frevo!”. O cantor Claudionor Germano será o grande homenageado.

Perguntar não ofende: O Senado arquiva o projeto do Código Eleitoral ou rejeita em plenário?


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