Ipojuca 2021 IPTU

10/04


2021

Vitória reforça frota da Guarda Municipal

A Prefeitura da Vitória de Santo Antão realizou a entrega, na noite de ontem, de duas viaturas para reforçar a frota da Guarda Municipal. Os veículos serão utilizados pelos agentes da ROMU (Ronda Ostensiva Municipal), que é um núcleo apto para atuar em ocorrências que requerem o empenho da força e na manutenção da garantia da lei e da ordem. 

A entrega das viaturas foi realizada em frente ao Palácio José Joaquim da Silva, por meio da Secretaria de Defesa Social e Segurança Cidadã e com a presença do prefeito Paulo Roberto. Trata-se de uma demanda requerida há muito tempo pela Guarda Municipal, que vem sendo ouvida pela atual gestão, e deve contribuir na motivação e na condição adequada de trabalho dos profissionais que atuam no referido núcleo.  A recuperação das motocicletas e demais viaturas também serão finalizadas nos próximos dias. 

“A nossa guarda está sendo valorizada nessa gestão, pois buscamos dialogar com os seus representantes e nos reunir com a tropa para ouvir os anseios coletivo desses trabalhadores da segurança pública. Estamos entregando esses veículos que devem ajudar em operações e fiscalizações, tendo em vista que a guarda é uma força auxiliar que só contribuirá com uma cidade tranquila e longe da criminalidade”, destacou o prefeito.


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Petrolina abril 2021

10/04


2021

Oposição repudia ataque de Bolsonaro a Barroso

NOTA DOS LÍDERES DA OPOSIÇÃO SOBRE OS ATAQUES DE BOLSONARO AO STF

Nós, líderes de partidos políticos e blocos parlamentares comprometidos com a defesa da Constituição de nossa República, vimos a público para declarar:

1. No Estado Democrático de Direito em que se constitui nossa República (art. 1º CF), ataques e ameaças à independência do Poder Judiciário são inadmissíveis. Tal conduta é, a tal ponto grave, que foi tipificada como crime de responsabilidade pela lei 1.079/1950, em seu artigo 6º, VI: “usar de violência ou ameaça, para constranger juiz, ou jurado, a proferir ou deixar de proferir despacho, sentença ou voto, ou a fazer ou deixar de fazer ato do seu ofício”.

2. Eventuais inconformismos com decisões judiciais podem ser manifestados através de críticas, jamais de ameaças ou ações que tenham por objetivo constranger ou intimidar um juiz.

3. A decisão do Ministro Barroso, do Supremo Tribunal Federal, consistiu na aplicação de uma jurisprudência muito consolidada naquela Corte, como vários precedentes podem atestar. Não houve qualquer inovação ou casuísmo.

4. Em um momento gravíssimo como esse que nosso país atravessa, com milhares de brasileiros morrendo diariamente vítimas de Covid, é inacreditável que o governo federal se dedique a atacar outro Poder, em vez de investir todo o seu tempo e energia na busca de vacinas, leitos, medicamentos e oxigênio para nosso povo.

5. Quando tomamos posse de nossos mandatos parlamentares, juramos defender a Constituição. Isso significa, entre outras tarefas, garantir a independência dos Poderes constituídos. Permaneceremos vigilantes e unidos, de modo a cumprir plenamente o juramento que fizemos.

Assinam:

Dep Alessandro Molon (PSB/RJ) – Líder da Oposição na Câmara
Dep. Marcelo Freixo (PSOL/RJ) – Líder da Minoria na Câmara
Dep. Arlindo Chinaglia (PT/SP) – Líder da Minoria no Congresso
Sen. Randolfe Rodrigues (Rede/AP) – Líder da Oposição no Senado
Sen. Jean Paul Prates (PT/RN) – Líder da Minoria no Senado
Dep. Elvino Bohn Gass (PT/RS) – Líder do PT
Dep. Isnaldo Bulhões (MDB/AL) – Líder do MDB
Dep. Danilo Cabral (PSB/PE) – Líder do PSB
Dep. Wolney Queiroz (PDT/PE) – Líder do PDT
Dep. Talíria Petrone (PSOL/RJ) – Líder do PSOL
Dep. Renildo Calheiros (PCdoB) – Líder do PCdoB
Dep. Alex Manente (CID/SP) – Líder do Cidadania
Dep. Joenia Wapichana (Rede/RR) – Líder da Rede


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Comentários

Fernandes

Razões para apoiar a CPI do Covid Milhões de reais gastos em cloroquina — Recusa em comprar vacinas — Colapso nos hospitais — Propaganda de remédios sem eficácia — Baixa testagem — 345 000 mortes.

Fernandes

Bolsonaro sabe que, na CPI da Covid-19, todas as suas inações e omissões serão analisadas e podem resultar em uma punição.

Rafael C.Soares Quintas

Eu não sabia que o Partido Comunista do Brasil, PC do B, prega democracia, pelo que sei, comunista não defende democracia kk?kkk

Rafael C.Soares Quintas

Esses deputados esquerdopatas não se manifestaram quando o STF rasgou a constituição no impeachment de Dilma Rousseff, não retirando seus direitos políticos por oito anos, ainda bem que ela se candidatou ao Senado em MG e perdeu.

Arlindo Vilar Rodriguee

Acrescento que, chamar esses caras de oposição é estragar o sentido da palavra. Essas lideranças, na verdade, formam um valhacouto de bandidos , querendo de derrubar o Presidente e esconder o roubo que andaram praticando com o dinheiro enviado para combater a Covid. Ja que Deputados por Pernambuco assinaram a nota de protestos, comecem a CPI apurando os desmandos do seu próprio estado, pedindo a PF que apresentem os 21 inquéritos em andamento na Superintendência local.


ALEPE

10/04


2021

Quem diria, Gravatá não produz mais morango!

Quando passo em Gravatá, em época de safra, compro seus morangos, encontrados em barraquinhas às margens da BR-232. Dei a paradinha costumeira, há pouco, peguei essas quatro caixas feliz da vida, achando que iria matar a saudade da fruta saída das fazendas de Gravatá e eis a confissão do vendedor que me entristeceu.

"Estamos trazendo de São Paulo. Gravatá não produz mais morango." Que pena! Além de grandes, as espécies nativas da Suíça pernambucana eram saborosas, com preços competitivos. Essas quatro caixinhas que estou levando para meus filhos custaram R$ 28.

O PSB pôs fim até à produção de morango em Pernambuco.


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Bandeirantes 2021

10/04


2021

O insubordinado e o elevado custo da insubordinação

Por Arnaldo Santos*

Insubordinado, segundo o conhecimento geral, é aquele que possui ou demonstra um comportamento desobediente, não acatando regras, normas ou preceitos, expressos para toda a sociedade, agindo com insubordinação e grosseria. Move uma pessoa com esse mau predicado um sentimento autoritário e de intimidação sobre aqueles que, para ele, representam ameaça a sua vontade, bem como um incontido desejo de não respeitar quaisquer regramentos civilizatórios, mesmo que tal comportamento custe a vida de mais de quatro mil pessoas por dia, 350 mil até aqui, o que equivale a um terço dos mortos em todo mundo.

É verdadeira, pois, a semelhança com o que ocorre nessa vastidão de terras férteis, ricas em minerais de alto valor industrial e comercial, de clima temperado e densas florestas tropicais, diversificados biomas e sua múltipla biodiversidade, banhadas por extensos rios caudalosos que abastecem e formam a maior reserva subterrânea de água doce do Planeta, onde impera no momento a insubordinação.

A jovem população que povoa essa extensa faixa territorial sonha, em um futuro próximo, libertar-se do obscurantismo a que está sendo submetida, e conquistar a terra prometida que, por um estelionato eleitoral, fora inventada por um Messias miseravelmente ao reverso, e sua “nova política”.

Situadas na América do Sul, nessas terras – a maioria das quais abaixo da linha equatorial – um povo agoniza vitimado pela pandemia, tateando, desorientado, na escuridão da mentira. Ele está submetido a uma prática de negação de todas as modalidades do conhecimento científico que, embora milenarmente validado pelos inúmeros avanços obtidos nas diversas áreas da saúde e da tecnologia, por exemplo, e aceito em todo o mundo civilizado, por essas bandas não vale um derréis de mel coado. Isto porque seu desgovernante, por insubordinação, se recusa ao cumprimento de qualquer norma, preferindo a prática do charlatanismo, prescrevendo um tal tratamento precoce, em detrimento da ciência.

Esses fatos não encontram precedentes na história recente do País, visto que, até pouco tempo, essa população era uma sociedade Pátria, e hoje é pária diante do mundo civilizado (esse foi o legado deixado pelo embaixador Ernesto Araújo), ante a indisciplina daquele que, por escassos recursos mentais e múltipla ignorância, descumpre todos os protocolos sanitários preconizados pela comunidade científica mundial, assim como a totalidade das regras de convivência e civilidade exigidas a todos os cidadãos, especialmente de quem recebeu a sublime responsabilidade de governá-la.

Ante tão inusitada e vergonhosa realidade, é imperioso perguntar: - qual a gênese, e por que essa insubordinação do ex-capitão?

Para tentar responder a essa pergunta, primeiro, é preciso dizer que, embora, para o senso comum, o insubordinado seja aquele que apenas se rebela contra os seus superiores, é também subversão, desmando, e, nesse caso, os superiores são os cidadãos detentores do poder originário (o que denota falta gravíssima com fulcro na Constituição) de quem recebeu democraticamente o legítimo direito de agir em seu nome e em seu favor, e não o contrário, como vem ocorrendo, inclusive deixando parte significativa agonizar até a morte.

Para melhor entender a gênese dessa desobediência compulsiva do mencionado saltimbanco, vale uma passagem rápida pela hierarquia militar, tendo como referência o exército, de onde aliás foi expurgado por semelhante comportamento que adota na realidade em curso, de não respeitar qualquer norma, nem mesmo a Constituição, por se julgar superior a tudo; aqui, é preciso enfatizar o fato de que nem esta respeitável corporação escapou as suas injunções políticas, com o objetivo de ter um exército para chamar de seu.

Nessa perspectiva, será necessário recorrer a alguns estudos realizados nessa área, dentre os quais tem ressalto a “teoria das baionetas cegas”, versus “teoria das baionetas inteligentes”, amplamente conhecidas dos estudiosos do tema, onde é discutido se ordem ilegal militar deve ou não ser obedecida.

No episódio das demissões do Ministro da Defesa e dos três dirigentes militares maiores (Exército, Marinha e Aeronáutica), por não aceitarem a ilegal politização das Forças Armadas, verificou-se, a um só tempo, mais um exemplo de insubordinação e tentativa de subversão, por parte do comandante-em-chefe, que, se prevalecendo da “autoridade”, tentou desrespeitar e desconhecer as três forças como instituições de Estado, pretendendo utilizá-las de maneira a satisfazer suas pretensões autoritárias, como já o fizera com a Polícia Federal e o COAF, para tentar esconder os crimes de “rachadinhas” praticados pelos filhos, segundo noticiário da imprensa e denúncia do Ministério Público.

Outra referência muito elucidativa que ajuda a se entender a raiz desse estado de permanente subversão da ordem pela insubordinação, por parte daquele que jurou cumprir e fazer cumprir as leis e a Constituição, é encontrada no trabalho da pesquisadora Fernanda de Santos Nascimento, doutoranda em História pela PUC-RS, intitulado Indisciplina e Insubordinação no Exército Brasileiro, na década de 1920: O Caso da Coluna da Província, na revista Defesa Nacional.

No mencionado ensaio, a pesquisadora disserta com riqueza histórica sobre um movimento para a criação do referido periódico, inspirado numa publicação da Militaer Wochenblatt, alemã, cujos textos escancaravam o atrevimento de alguns jovens militares brasileiros, em sua maioria, escritos por tenentes, capitães e alguns majores, causando muita agitação e rebeldia dentro do exército nos anos de 1920.

Vale registrar o fato de que alguns dos artigos, dependendo do seu conteúdo, não traziam assinatura dos seus autores, pelo que se infere corresponderem às tão famosas fake-news da atualidade, bem ao gosto do clã bolsonarista e seus seguidores. Será coincidência? Sem nenhuma comparação, visto que o indisciplinado e manipulador em referência não sabe falar, muito menos escrever. Os fatos expressos pela Historiadora permitem que se identifique, pelo menos em parte, a origem desse errático comportamento.

Esse movimento de indisciplina nas fileiras dos exército, externado pela mencionada publicação, de algum modo, ajuda a se entender em qual forja teve origem o comportamento desobediente e indisciplinado observado nesses tempos obscuros, exercitado no limite por quem devia dar o exemplo de respeito e submissão à Carta Magna, às leis e ao povo que o elegeu.

Com a palavra o Congresso Nacional, que detém poderes constitucionais para pôr fim a esse estado permanente de insubordinação e subversão da ordem democrática, desprezo pela vida e pelo meio ambiente, negação da ciência e do direito à informação correta e segura, assim como em relação à indiferença a valores civilizatórios e de convivência harmoniosa do Estado Brasileiro.

A situação, lamentavelmente, é revelada semelhante ao que exprimiu o jornalista e intelectual pernambucano Nelson (Falcão) Rodrigues, “[…] Criou-se uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota ‘nos’ extermina”. 

*Jornalista, sociólogo e doutor em Ciências Políticas. Comentários e críticas para: [email protected]


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10/04


2021

Humberto admite que perderia eleição em 2000

Vindo de uma eleição majoritária em 1998, na qual perdeu a disputa para o Senado, Humberto Costa, a principal liderança do PT no Estado, aparecia como alternativa natural à Prefeitura do Recife na eleição seguinte, em 2000. Nesta entrevista inédita para o livro "A derrota não anunciada", de minha autoria, que vem sendo reproduzido nos últimos dias, na exata sequência dos capítulos originais, Humberto confessa que se tivesse disputado no lugar de João Paulo, prefeito eleito, teria perdido e levado o PT à derrocada.

Confessa que sofreu pressão de Lula e da cúpula nacional do PT para ser o candidato e admite que tinha mais capacidade de unir a oposição do que João. Isso, porém, não era vantagem, segundo ele, porque não levaria a disputa no Recife para o segundo turno. "Aí, a gente perderia", diz Humberto, que, candidato a vereador, saiu das urnas como o mais votado para a Câmara do Recife. Confira sua entrevista!

"Eu não seria eleito”

Capítulo 14 

Embora derrotado para o Senado, na campanha anterior, de 1998, Humberto Costa era o nome preferido da cúpula nacional do PT para disputar a Prefeitura do Recife, em 2000. Tinha mais envergadura, era considerado mais preparado e assimilável pela classe média, além de poder agregar em torno de si todos os partidos de esquerda.

Mas, foi justamente isso – a capacidade de unir o bloco oposicionista – que atrapalhou Humberto. A união das esquerdas levava a eleição para uma decisão em primeiro turno, estratégia considerada suicida por João Paulo, que trabalhou para que cada partido tivesse candidato próprio.

Em nenhum momento, João Paulo se interessou pelo apoio do PSB. Achava que Arraes, vindo de uma derrota em 98, marcada pelo episódio dos precatórios, tirava mais votos do que acrescentava. Era um fardo. Inteligentemente, nunca fez esse discurso de público, mas, nos bastidores, junto aos candidatos a vereador do PSB, estimulava o discurso contrário à aliança.

De Brasília, Lula e o presidente do PT, José Dirceu, incentivavam a candidatura de Humberto Costa, que confessa, neste depoimento, que nunca teve tesão para entrar na disputa, porque temia uma nova derrota. “Eu tinha enorme capacidade de unir as esquerdas, mas isso não seria a estratégia mais adequada para aquela eleição, onde só teríamos alguma chance se houvesse um segundo turno”, diz.

Humberto foi o último personagem importante daquela eleição a gravar seu depoimento. Atritado comigo, em consequência de conflitos gerados por notas que contrariavam seus interesses na minha coluna, na Folha, o ministro só resolveu me receber no dia 13 de março, um sábado pela manhã, no seu escritório político, no Recife.

O senhor esperava ser o mais votado vereador do Recife?

Não. Achava que poderia ter uma votação expressiva por algumas razões. Entre elas porque consegui, como parlamentar, vindo de duas eleições – uma de deputado estadual e outra de federal – construir uma boa imagem no Estado. Também vinha de uma eleição majoritária – a disputa pelo Senado – em que, embora tenha perdido, só no Recife tive mais de 230 mil votos. A eleição de vereador é mais difícil, porque é muito pulverizada.

Houve alguém na história do Recife com tamanha votação?

Em termos absolutos, sim. Em termos relativos, não. Alcides Teixeira, não lembro em que eleição, teve 9% dos votos válidos, enquanto eu tive 4%. A conjuntura nacional e a própria animação da campanha de João Paulo ajudaram bastante.

Os vereadores tinham mais estrutura de campanha do que o próprio candidato majoritário, segundo ele próprio declarou no seu depoimento. Dos vereadores, a maior estrutura foi a sua?

Não sei se eu tinha uma estrutura maior do que a de João Paulo, mas sei que a estrutura da majoritária era muito precária. Ela teve que se socorrer, de fato, naquilo que os vereadores montaram, como os eventos, onde o candidato a vereador bancava a bandinha. João Paulo tinha deficiência de propaganda, de carros de som. Boa parte dos eventos era mesmo bancada pelos vereadores.

Esse dinheiro era enviado pelo PT nacional?

Não. Cada um arrumava a sua parte, mas não era nada expressivo também. Eu não consegui contribuição do PT nacional, mas de empresários locais, de amigos locais.

A campanha do senhor foi desatrelada da de João Paulo?

Não, pelo contrário. Uma das razões, inclusive, de ter sido bem votado foi ter colado com João Paulo, andado muito com ele.

Eu pergunto isso porque os candidatos proporcionais não acreditavam na viabilidade eleitoral de João Paulo e cada qual estava cuidando de si.

Eu não diria assim. Acho que a campanha teve um grau de unidade bem maior do que as outras. Havia um sentimento de que era, realmente, muito difícil chegar ao segundo turno, mas não uma coisa impossível. Não era assim cada um por si, no salve-se quem puder, até porque João Paulo foi dando muito volume à sua campanha e os candidatos proporcionais tinham interesse de estarem juntos do candidato majoritário.

É verdade que o senhor impôs algumas dificuldades para viabilizar a candidatura de João Paulo?

Na verdade, havia uma expectativa de que teríamos uma disputa e isso foi cogitado no início, mas, no final de 1999, tivemos uma conversa e eu deixei patente para ele que não seria candidato nem impedimento para ele viabilizar. Na época, lembro, a opinião da cúpula nacional, inclusive de Lula, era diferente, de que o candidato deveria ser eu. Mas, o partido, para ganhar aquela eleição, teria que ter unidade política. Isso valia mais do que o candidato propriamente dito e uma boa parte do partido tinha resistência ao meu nome.

Vamos dar “nome aos bois”. Quem não queria o senhor candidato?

Alguns grupos, como o de Sérgio Leite e Oscar, e o grupo de Articulação da Esquerda. Não era que eu não teria o apoio desses grupos, mas isso iria representar um processo que demandaria um tempo. E João Paulo era um nome que unia mais o partido naquele momento.

Mas, João Paulo vinha de uma derrota, também, em 96?

Sim, mas de uma derrota onde ele se saiu muito bem.

Bem como, se ele foi derrotado?

Mas, se você lembra a diferença do segundo para ele, no caso João Braga, foi muito pequena. Veja que João Paulo enfrentou muitas dificuldades para entrar na disputa. Eu venci as prévias, tive que me retirar da disputa, porque não consegui implantar a política de alianças que achava necessária, e ele entrou numa situação muito adversa. Ele ter chegado em terceiro lugar, com a votação expressiva que teve, foi um feito histórico.

Então, nunca houve disputa entre o senhor e João Paulo?

Nas vezes em que conversamos, João Paulo deixou claro que, se eu quisesse disputar, teria o seu apoio e ele sequer iria para as prévias dentro do PT. Lembro que fechamos esse acordo num restaurante em que também estavam presentes Dilson Peixoto, Múcio Magalhães e João da Costa, que são testemunhas de que não houve disputa e de que não impus nenhuma condição para João Paulo. Isso foi no começo de 2000.

O senhor não propôs indicar nem o vice?

A única coisa que a gente queria e não deu certo era colocar um vice da nossa corrente. Chegamos, inclusive, a propor o nome de Beatriz Gomes. Só que, quando a gente levantou essa hipótese, já havia uma sinalização muito grande, inclusive por parte de Dilson Peixoto, que pertence à minha corrente, para o nome de Luciano Siqueira.

Teve alguma outra razão para o senhor abrir?

Sim. Todos os partidos no campo da esquerda se dispunham a apoiar minha candidatura, como PC do B, PSB e PDT e até o próprio PPS. Mas, o grande problema é que, sendo o candidato da unidade das esquerdas, a eleição seria decidida logo no primeiro turno. Sendo candidato, não poderia ter feito essa aliança.

Mas, o senhor, em algum momento, chegou a pensar em sair candidato a prefeito no lugar de João Paulo?

Eu não tinha vontade de ser candidato. Depois que perdi aquela eleição de senador e fiquei sem mandato, passei a estudar, fiz mestrado em Ciência Política, me envolvi muito com estudos, e avaliei que melhor seria esperar a eleição de 2002 para ser candidato a deputado federal. Mas, começou a haver uma cobrança dentro do partido para sair candidato a vereador e acabei aceitando. Além de estar muito marcado pela derrota ao Senado, não estava disposto a entrar numa eleição para perder de novo, embora, nas pesquisas, eu aparecesse bem situado, um pouco acima de João Paulo.

Não houve pressão também da direção nacional do PT?

Houve, sim. Lula veio aqui, conversou comigo e disse que a direção nacional tinha esse desejo.

O senhor se arrependeu?

Nunca, porque a minha avaliação continua sendo a mesma. Acho que se tivesse sido candidato, teria tido uma boa votação, mas a eleição iria ser decidida no primeiro turno.

Por que Lula insistiu com a sua candidatura e não com a de João Paulo?

Lula achava apenas que eu seria o melhor nome. Em 2000, Lula já estava trabalhando 2002. Para ser Presidente da República, além das alianças, ele precisava ter nomes fortes no Estado, especialmente nas grandes cidades. E a avaliação dele era que, eleitoralmente, eu era mais forte do que João Paulo. E também, politicamente, mais ligado ao núcleo central.

Existe uma disputa interna no PT entre o senhor e João Paulo ou isso é folclore?

Esse negócio foi construído em cima de umas coisas completamente sem sentido. Em 86, saiu no jornal que a gente se indispôs porque alguém que apoiava ele veio me apoiar, mas isso nunca existiu. É óbvio que, em qualquer partido político, há sempre uma certa disputa entre aqueles que mais se destacam, mas isso no sentido mais saudável. Em 96, quando retirei minha candidatura, a direção nacional só bateu o martelo no apoio a João Paulo depois da minha manifestação.

Como surgiu o convite para o senhor coordenar a campanha de João Paulo no segundo turno?

Ele me convidou pelo rádio. Eu estava em um debate no programa de Samir Abou Hana, quando ele entrou no ar para comentar o resultado do primeiro turno e ali fez o convite para coordenar a campanha.

O que, na avaliação do senhor, influenciou na derrota de Magalhães?

Ele estava preparado para ganhar a eleição com muita facilidade, porque seu objetivo era deslanchar o segundo mandato. Ele achava que a vitória era tão certa que se deu ao luxo de cometer erros que não poderia cometer. Erros, que numa campanha eleitoral, são fatais, como aquela invasão ao JC, aquele gesto em Boa Viagem e a postura arrogante em vários e vários momentos. Depois, a própria ideologização, no segundo turno. No primeiro momento, aquilo, aliás, foi positivo para ele, porque introduziu alguns fantasmas, mas num estilo completamente diferente do primeiro turno. No primeiro turno, seu estilo, na televisão e no rádio, era do candidato que pairava acima dos demais. Enquanto os outros batiam, ele só mostrava o que fez e que iria fazer, além de dizer que os outros só sabiam bater. Já no segundo turno, ele entra na linha justamente oposta, com uma campanha baixa. A questão não era votar em Magalhães, mas impedir que comunistas perigosos e a baderna fossem tomar conta do Recife. Acho que isso, também, foi vital para a derrota dele, porque Recife é uma cidade muito politizada.

Mas, foi justamente ali que cresceu e reverteu os 17 pontos.

Acho que a gente cometeu um erro grave ali, porque deveríamos ter reagido. Demoramos muito tempo para reagir. A nossa pesquisa qualitativa na televisão apontava que, ao invés de ganhar, Roberto Magalhães estava perdendo com aquilo. Mas, na verdade, nós assumimos o modelo de campanha de Magalhães do primeiro turno. Passamos mais de uma semana só levando pau sem reagir no mesmo nível, pesado. Ainda bem que reagimos em tempo.

Como coordenador, o senhor não sabia disso?

Sim, mas o problema é que a gente se rendia aos argumentos do nosso guia, comandado por Cláudio Barroso. Toda vez que a gente tentava reagir, ele nos mostrava uma pesquisa qualitativa mostrando que poderíamos enveredar por um caminho muito arriscado. Nossa intuição não era essa, mas a gente tinha que, tecnicamente, se render aos argumentos de Barroso. Mas, felizmente, tivemos que entrar no jogo, ir para o pau, mesmo a contragosto de Barroso, que, depois, se convenceu.

Quando João Paulo foi eleito, o senhor não olhou assim para ele e concluiu poderia ter sido eu?

Não, como lhe disse, estava absolutamente convencido de que eu não chegaria ao segundo turno. O grande desejo da minha vida, não posso negar, é um dia ser prefeito do Recife, porque é uma cidade boa de administrar. Mas, nunca tive qualquer dúvida de que tomei a posição mais adequada, mais sensata. Das coisas que fiz até hoje em política, a única que, num determinado momento, me arrependi, foi aquela disputa eleitoral de 98, quando fui candidato a senador. Ali, eu deveria ter sido candidato a deputado federal com uma grande votação. Mas, assumi o Senado, primeiro porque achava que ganhava; segundo, era fundamental para a questão nacional, Lula me pediu, insistentemente, que eu fosse candidato a vice de Arraes, mas isso eu não aceitava de jeito nenhum. Teve um momento ali que me arrependi, mas foi uma coisa momentânea. Mas, se eu não tivesse entrado naquela disputa, dificilmente passaria a ser uma pessoa conhecida no Estado todo, como fui. Dificilmente poderia ter contribuído, como contribuí, para a campanha de João Paulo. Diante do fato de estarmos unidos, funcionei como uma espécie de fiador para uma parcela do eleitorado.

Algo mais de arrependimento?

Sabe uma coisa que, realmente, me deixou preocupado e depois pensei que havia entrado numa fria? Foi aquela ovação que recebi do povo, na praça do Marco Zero, me lançando já para governador, em meio à comemoração da vitória de João Paulo. Isso estava completamente fora dos meus planos, da minha vontade. Eu queria voltar a ser Deputado Federal, ter uma bela votação e, Lula ganhando a eleição em 2002, como ganhou, eu teria um papel relevante no Congresso. Quando vi aquela galera gritando meu nome para governador, no Marco Zero, eu esfriei. Foi a única coisa que concluí ali, na hora:  “vou me dar mal”.


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Serra Talhada 2021

10/04


2021

Coluna do sabadão

Criminalização injusta

A criminalização da política no Brasil, especialmente após os mega escândalos na República gerados na era petista, entre os governos Lula e Dilma, se espalhou de forma tão contagiosa no seio da sociedade que assusta, provoca calafrios e horror. Mas tem que haver por parte da mesma sociedade, entretanto, uma permanente vigilância contra o discurso prejudicial a quem venha a ser atingido de morte ferida injustamente, sem culpa no cartório, sem dolo ou pecado.

Um caso simbólico, lembro bem, se deu com o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro. Investigado pela CPI dos Anões do Orçamento, teve seu mandato cassado em 1994. Quatro anos após, em 1999, o Supremo Tribunal Federal arquivou a denúncia e a considerou insatisfatória, sem consistência em nenhuma prova. Dois anos antes, em 1992, Ibsen havia presidido a sessão que autorizou a abertura do processo de impeachment contra o então presidente Fernando Collor de Melo.

Em 2003, Ibsen voltou à política como secretário de Comunicação do governo Germano Rigotto, no Rio Grande do Sul, depois de trabalhar como professor, diretor de clube de futebol, jornalista e comentarista esportivo. Em 2004, foi o vereador mais votado em Porto Alegre. "Foi um resultado de lavar a alma", comemorou à época. Na eleição de 2006, Ibsen recebeu 76.165 votos e voltou à Câmara dos Deputados consagrado.

Por isso, a criminalização da classe política sem provas provoca danos irreparáveis. Em Pernambuco, o deputado federal Sebastião Oliveira, atual líder do Avante na Câmara, que o diga. Sofreu um ataque covarde e injusto há um ano, resultado de uma ação da Polícia Federal de investigação de uma obra na BR-101 quando secretário dos Transportes. Teve suas contas devassadas, seu celular recolhido, sua vida privada invadida.

Quarta-feira passada, porém, praticamente com um ano do ocorrido, a própria PF comprovou que Sebá, como o parlamentar é conhecido, não teve nenhum envolvimento. E agora, não cabia ao deputado entrar com uma ação por perdas e danos contra a Polícia Federal, que o constrangeu em cima de uma denúncia do “ouvi dizer”?

Deputado estadual por três mandatos, secretário de Transportes de Pernambuco em duas ocasiões e, atualmente, no exercício do segundo mandato na Câmara Federal, Sebá disse, ontem, ao blog, que não esperava outro resultado do relatório final da Polícia Federal, que não fosse o que aponta a total ausência de provas em relação à sua pessoa - que de fato aconteceu. A investigação minuciosa realizada pela Polícia Federal, que durou mais de um ano e culminou com a conclusão da sua inocência, fez uma varredura na vida do parlamentar, que foi exaustivamente exposta à opinião pública pela mídia.

Sigilos bancário, fiscal e telefônico foram quebrados.  E, na medida que a investigação avançava, ficava mais claro que o parlamentar, que sempre colaborou com o trabalho investigativo, era inocente. “Momentos difíceis foram enfrentados, mas a consciência tranquila, a serenidade e a confiança foram minhas aliadas”, desabafa. Por sua vez, em investigação paralela, o Tribunal de Contas da União (TCU) não imputou qualquer tipo de irregularidade ligada ao nome dele.

No relatório do principal órgão de controle da esfera Federal, apenas a constatação apenas de erros formais e, que, em nenhum momento, representaram sobrepreço na obra da BR-101. “Tal conclusão comprova a lisura do processo. A prova disso é que a intervenção jamais foi paralisada, pois o TCU entendeu que os problemas encontrados não justificavam uma decisão desta natureza. Sendo assim, os serviços prosseguiram normalmente”, destacou.

Ciente de sua responsabilidade com a cidadania pernambucana, o parlamentar reforça os compromissos com a probidade e a luta incansável pelos interesses do Estado. A sua inocência, apesar de esperada, renova as suas energias para continuar atuando em prol da melhoria de vida do povo pernambucano, sobretudo, dos sertanejos e dos mais necessitados. “Homem devoto de Nossa Senhora, Oliveira acredito piamente que “Conhecendo a verdade, ela vos libertará”, afirmou.

Obra mais barata – Ainda sobre o Tribunal de Contas da União, ao tomar conhecimento da Medida Cautelar emitida pelo órgão, Sebastião Oliveira, imediatamente, montou uma equipe de monitoramento, que tinha como prioridade atender às demandas que, por ventura, surgissem do TCU. O que sempre foi feito. “É importante destacar que a obra viária da BR-101, orçada inicialmente pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes em R$ 250 milhões, foi licitada pela Secretaria de Transportes de Pernambuco, sob a gestão de Sebastião Oliveira, por R$ 192 milhões, o que resultou na economia de R$ 58 milhões aos cofres públicos.

Injustiçado – Em quase 20 anos dedicados à vida pública – Executivo e Legislativo –, Sebastião Oliveira nunca respondeu a qualquer tipo de processo, seja penal ou civil, assim como, nunca teve uma conta rejeitada. Zelar pelo patrimônio público sempre norteou a sua conduta, cuja trajetória é marcada pela cooperação com as atividades investigativas da Polícia e do Ministério Público, pois considera e trabalha para que a corrupção seja combatida com vigor, desde que não haja a penetração de injustiças.

Bolsonaro ataca – O presidente Jair Bolsonaro afirmou que “falta coragem” ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF, e sobra a ele “ativismo judicial”. O comentário foi feito na manhã de ontem a apoiadores. Bolsonaro comentava a decisão do ministro que obriga o Senado a instalar a CPI da Covid para investigar as ações do governo federal no combate à pandemia. “Pelo que me parece, falta coragem moral para o Barroso e sobra ativismo judicial “, disse o presidente. E completou: “Não é disso que o Brasil precisa. Vivendo um momento crítico de pandemia, pessoas morrem. E o ministro do Supremo Tribunal Federal faz politicalha junto ao Senado Federal “.

Supremo rebate – O Supremo Tribunal Federal cobrou “espírito republicano” depois de o presidente Jair Bolsonaro ter acusado o ministro Luís Roberto Barroso de praticar “politicalha” e “ativismo judicial”. Em nota, o Supremo disse que questionamentos a decisões da Corte “devem ser feitos nas vias recursais próprias”. “O Supremo Tribunal Federal reitera que os ministros que compõem a Corte tomam decisões conforme a Constituição e as leis e que, dentro do Estado democrático de Direito, questionamentos a elas devem ser feitos nas vias recursais próprias, contribuindo para que o espírito republicano prevaleça em nosso país”, diz o texto.

João gotinha – O ritmo de vacinação contra a Covid-19 está bastante avançado no Recife e tem chamado atenção e despertado ciúme. Acabou levantando suspeitas em prefeitos, especialmente dos que estão situados no campo da oposição. Em reserva, alguns deles falam em benefício do Governo à gestão de João Campos (PSB). O incômodo tem sido tão grande a ponto de uma montagem com o gestor recifense, em tom sarcástico, passar a circular em grupos de WhatsApp. Um prefeito chegou a apelidá-lo de "João Gotinha", uma associação jocosa ao Zé Gotinha, histórico mascote utilizado pelo Governo Federal em campanhas de vacinação.

CURTAS

PARA 62 ANOS – O prefeito João Campos, aliás, anunciou, ontem, a ampliação da campanha de vacinação contra a Covid-19 para idosos com idades entre 62 e 63 anos. O agendamento, feito pela internet ou por meio da ferramenta Conecta Recife, começou às 12h e a aplicação das doses poderá ser feita a partir de hoje. As doses serão aplicadas nos centros de vacinação da prefeitura, incluindo os do modelo drive-thru, sem a necessidade de sair do carro.

MAIS VACINAS – O Banco Mundial vai destinar US$ 2 bilhões em financiamento para a compra, o desenvolvimento e a fabricação de vacinas até o final de abril, segundo anunciou, ontem, o diretor-gerente de operações da instituição, Axel Van Trotsenburg, acrescentando que mais de 40 países estão envolvidos nesse esforço. Já o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu vontade política para intensificar a produção de vacinas contra Covid-19 e compartilhar suprimentos.

Perguntar não ofende: O governador Paulo Câmara está privilegiando João Campos nos lotes da vacina anti Covid?


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Comentários

Fernandes

Bolsonaro é Ladrão e Genocida

Fernandes

marcos de camaragibe, quero exterminar o seu orifício ruguso, com meus 23 C. Viado cabra safado.

marcos

Lula é Ladrão.

marcos

Se fosse por Nehemias Fernandes (Nazista) o Brasil já teria Exterminado 57 Milhões de pessoas e o Presidente.

marcos

Nesta quarta feira o STF julga em plenário se Lulla o Ladrão pode ser candidato ou não. Os idiotas úteis já compraram todas as velas e as galinhas pretas do Brasil. SEGURUUUUUUUUUUUUUUUURA Corrupção.


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09/04


2021

De onde veio o Mané?

Por José Nivaldo Junior

Quem já era adulto na época, não esquece. As novas gerações não sabem do que se trata. O episódio transcorreu na campanha de 2.000 para prefeito do Recife. Naquele pleito, Roberto Magalhães concorria à reeleição, com uma gestão aprovada e largo favoritismo nas pesquisas divulgadas. Além disso, era apoiado por um governador forte, Jarbas Vasconcelos, e pelo presidente FHC. Uma aliança que parecia indestrutível. Mesmo assim, Roberto acabou derrotado por menos de 1% pelo metalúrgico João Paulo.

ENTROU PARA A POSTERIDADE

O assunto ficou bem registrado graças a Magno Martins, que escreveu sobre aquela campanha surpreendente um livro minucioso e gostoso de ler, intitulado A DERROTA NÃO ANUNCIADA.  Nas últimas semanas, Magno está republicado, no seu blog campeão de acessos, os capítulos do livro, como aperitivo para a edição digital, que está a caminho.

A iniciativa, que vem fazendo um tremendo sucesso, está refrescando a memória sobre muitos episódios marcantes daquela jornada cheia de ineditismos. Como por exemplo a "invasão" do Jornal do Commercio por um Roberto Magalhães exibindo revólver na cintura para acertar contas com o colunista social Orismar Rodrigues; ou as "bananas" que o mesmo Roberto distribuiu na Avenida Boa Viagem durante uma carreata; ainda a greve da PM em cima do segundo turno... ingredientes que apimentaram os fatos e o relato.

COMO ENTREI NO IMBRÓGLIO

Sou personagem do livro graças à criação de um personagem que, sem modéstia propiciou o mais engraçado momento de todos os tempos nas campanhas eleitorais na televisão: o Mané da China. Irrepetivel, inclusive porque novas regras impedem participação de atores no chamado Guia Eleitoral. O Mané foi representado pelo extraordinário ator Walmir Chagas, contracenando com o não menos talentoso Aramis Trindade. Uma dupla do barulho.

CADA TURNO, UM PERFIL

Só para situar os leitores:  naquele ano, atuei como marqueteiro de Carlos Wilson (uma figura maravilhosa, fico devendo mais elogios em outra ocasião), no primeiro turno. No segundo me incorporei à campanha vitoriosa de João Paulo. O Mané atuou no primeiro turno, ajudando, através do humor, a desconstruir a imagem da gestão de Roberto Magalhães.

TE VIRA

Um belo dia, Carlos Wilson, que para os amigos era simplesmente Cali, entra na Makplan com uma novidade. Registre-se que atuei na agência   do final dos anos 80 até o ano passado, quando surgiu O PODER. Então, na boa, decidimos pelo meu afastamento das atividades publicitárias, para evitar conflito de interesses.

Pois bem: o então pré-candidato, que assessoramos nos vitoriosos 11 meses de governo, em 1990, e também na eleição surpreendente para o Senado, em 1994, comunicou que tinha contratado os atores Walmir e Aramis. Os dois tinham atuado na campanha anterior de Roberto Magalhães. Fiquei perplexo. E soltei: " Cali, o que danado eu vou fazer com essa dupla? Eles são a cara da campanha de Roberto". Fazendo redemoinho com o indicador no topete, ele disse algo como:  "Bota a cabeça para trabalhar e te vira". Fiquei com o problema na mão.

FIAT LUX

Uma bela tarde entra Marcelo Teixeira na minha sala com um calhamaço, joga na mesa com força e diz: olha o programa de governo que Roberto Magalhães apresentou na campanha. Te distrai aí..."

Mal comecei a folhear e ver as centenas de promessas estrambóticas, a grande maioria longe de serem cumpridas, deu o estalo.

Walmir seria um fervoroso adepto de Roberto que, após a eleição, viajou para a China, onde ninguém tem notícia do Recife. Voltou desinformado, cheio de expectativas com a gestão. Aramis, que tinha ficado aqui, já estava desencantado. Mané andava com um chapéu de chinês e uma mala cheia de etiquetas, de onde tirava o programa de governo e escolhia uma obra prometida para visitar.  Os dois representavam em situações que faziam os espectadores caírem em gargalhadas.

NINGUEM FAZ NADA SÓ

Não vou ser modesto logo agora. Criei os personagens e o contexto geral. Contudo, no acabamento, nos desdobramentos, várias mãos foram fundamentais. Meu filho João Henrique, na época diretor de criação da Makplan (Hoje, dedica-se integralmente, com os parceiros da Mr. Plot, ao fantástico Mundo Bita). O diretor de vídeo Alexandre Alencar. Os próprios Walmir e Aramis, cujo talento vai muito além de representar. E vários   outros companheiros da agência e da produtora. Todos deram contribuições fundamentais para o sucesso.

EM CENA

O PTB, partido de Cali, na época, tinha um programa de 10 minutos no rádio e na televisão, em junho ou julho, por aí. Apresentei a ideia, André Campos, então presidente da sigla, topou. O programa foi todo com os dois personagens.

Para não alongar a conversa que já está comprida: o Mané entrou em cena no centro da cidade:  "Voltei da China para ver as maravilhas do Recife 2.000 que Roberto Magalhães prometeu" Aramis, no papel de adepto desencantado, com uma cara cética, só respondia: " Tem isso aqui não, Mané".

O Mané era tão confiante que correu de olhos fechados para atravessar uma ponte prometida. Que ponte que nada.  Caiu no Capibaribe e foi resgatado de barco pelo parceiro. Enquanto elogiava as ruas bem conservadas, caiu num buraaaaaaaacooooo. Levou a esposa de bicicleta para dar à luz numa maternidade que Roberto prometeu concluir e, ao encontrar a obra mais degradada ainda, sentou choramingando na calçada, com aquele jeito de palhaço de circo que Walmir representa com perfeição. A cada frustração, o Mané se lamentava:" Mai Robethu, rapai... eu vou voltar pra China". Quando repetia o bordão, repuxava os cantos dos olhos. Caiu nas graças do povo. Virou meme, crianças e mesmo adultos, viviam repetindo a frase e o gesto. Era uma gréia, como se diz em pernambuquês.

NOVAS CENAS HILARIANTES

Na campanha, além do programa e de animar comícios e passeatas, o Mané protagoniza a inserções na TV. Vou destacar duas, sensacionais: ele escalando as paredes da prefeitura para simbolizar a dificuldade do povo falar com o prefeito. E jogando bola com crianças em pleno meio dia na ponte inaugurada no bairro dos Coelhos, para mostrar que a obra não tinha nenhuma utilidade.

E ASSIM...

O Mané tirou Roberto Magalhães do sério.

A candidatura de Carlos Wilson estava crescendo em disparada. Temendo um segundo turno com ele, a campanha de Roberto usou de, digamos, uma bem articulada baixaria que abateu Cali em pleno voo. João Paulo, que era considerado pato morto, ocupou o espaço, foi para o segundo turno, ganhou. Confirmou-se a lição de que em eleição não se deve escolher adversário.

Entre um turno e outro, o Mané saiu de cena para entrar na História. Tinha cumprido com louvor o seu papel.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

09/04


2021

Alvaro Dias defende CPI da Covid ampla

O senador Alvaro Dias (Podemos-PR) foi às redes sociais, hoje, para falar sobre a liminar concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, para que seja aberta a CPI da Covid. O parlamentar lembra que a decisão de Barroso "consagra uma jurisprudência, já firmada pelo Supremo, quando em governos do PT a oposição recorreu à Corte para garantir o direito da minoria de fiscalizar atos do Poder Executivo, por meio da instalação da CPI".

Além das ações do Governo Federal durante a pandemia, Dias também defende que o Congresso investigue denúncias de desvios em estados e municípios. “É dever do Congresso investigar as denúncias de desvios de recursos destinados a estados e municípios para o combate à pandemia”, afirmou o líder do Podemos.


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09/04


2021

A versão da deputada sobre o aeroporto de Araripina

Nota oficial

Atendendo solicitação da família de Espedito Arraes, que doou o terreno para a construção do Aeroporto de Araripina, enviei um PLO que denominava o referido aeroporto de Espedito Granja Arraes.

Porém, já existiam duas leis aprovadas que denominavam o mesmo bem público, uma datada do ano de 1996 e outra do ano de 2013, a primeira denominava o aeroporto de Antônio Batista de Souza e a segunda, de Mairson Rodrigues Bezerra.

Para efeitos legais apenas a primeira tem vigor, a segunda, pela existência da primeira, é inconstitucional, ou seja, o aeroporto leva o nome de Antonio Batista de Souza, pai do ex-deputado Valdeir Batista.

Entendendo a situação e buscando sanar o problema, pedi a retirada de pauta do projeto de sua autoria, e, sabendo da importância em registrar o nome de Mairson Rodrigues Bezerra naquele bem, especialmente pela sua história de vida, enquanto piloto, pretende tornar legal essa denominação.

Considerando que hoje, existem duas leis com denominação para o mesmo bem, pretendo elaborar um novo projeto que venha a regularizar essa denominação, atendendo tanto a família do doador do terreno, quanto a do piloto Mairson.

Esclareço, ainda, que jamais busquei legislar em causa própria, o fato ocorrido é situação corriqueira nas casas legislativas, sanáveis a partir do uso do bom senso.

Sempre pautei meu trabalho no compromisso com o povo e, especialmente, no respeito às famílias, jamais teve intenção de prejudicar ou desmerecer os nomes escolhidos para denominação do aeroporto de Araripina, especialmente uma família na qual tem profundo respeito, admiração e amizade.

Por fim, lamento que esse fato tenha sido usado como plataforma política pelo prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel, que não aceita a chegada de obras, através de mim. O que realmente está em jogo é a luta pelo desenvolvimento e pela viabilização do Aeroporto Regional, que está sendo uma busca incansável. Destinei R$ 500.000,00 em emenda para esse fim, enquanto o atual prefeito como deputado e a ex-deputada Socorro Pimentel, foram inertes, pois além de homenagens justas como essas, deveriam ter trazido obras estruturadoras, perdendo seu mandato e da esposa pela sua incompetência, ineficiência e arrogância.

Deputada estadual Roberta Arraes (PP)


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09/04


2021

FBC pedirá a senadores retirada de assinaturas da CPI

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), afirmou, hoje, que pedirá a senadores que retirem as assinaturas de apoio à abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito conhecida como CPI da Pandemia.

Ontem, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido de dois parlamentares e mandou o Senado instalar a CPI. A decisão foi criticada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Pelo requerimento, a CPI deverá apurar ações e omissões do governo federal na pandemia. Atualmente, segundo o autor do requerimento, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o pedido de abertura da CPI conta com 32 assinaturas. Para se instalar uma comissão desse tipo, é necessário o apoio de pelo menos 27 parlamentares.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tem dito que cumprirá a decisão de Barroso e fará a leitura do pedido de criação do colegiado na próxima sessão deliberativa da Casa, o que deve ocorrer na terça-feira (13). Senadores têm até a meia-noite do dia da leitura do requerimento em plenário para retirarem as assinaturas.

Na avaliação de alguns senadores, no entanto, Bezerra terá dificuldades para conseguir evitar a instalação da CPI. O líder do governo no Senado tem se posicionado contra a abertura da CPI neste momento. Ele diz avaliar que não há condições sanitárias para atividades presenciais no Senado e, na mesma linha de Rodrigo Pacheco, acredita que a comissão servirá de "palanque político" para as próximas eleições.

"Nós vamos conversar com os que subscreveram, para aqueles que eventualmente possam estar dispostos a rever a sua posição, para que a gente possa evitar a instalação da CPI", afirmou Fernando Bezerra à TV Globo.

Ele também disse que esse movimento já era estudado pela base do governo e seria feito quando o Senado retornasse às atividades presenciais, mas que a decisão de Barroso pegou os governistas "de surpresa".


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