Ipojuca 2021

09/04


2021

Bolsonaro participa de transmissão de comando da Marinha

O presidente Jair Bolsonaro participou, hoje, em Brasília, da cerimônia de transmissão do comando da Marinha do Brasil. O almirante Almir Garnier Santos assumiu a Força após a saída do também almirante Ilques Barbosa.

A cerimônia foi realizada no Grupamento de Fuzileiros Navais e não teve a presença da imprensa em razão de protocolos sanitários adotados contra a Covid-19.

A Marinha foi a primeira das três Forças a realizar a passagem de comando após Bolsonaro demitir a cúpula das Forças Armadas, na semana passada.

O presidente exonerou o então ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e decidiu também trocar os chefes do Exército, Marinha e Aeronáutica, nomeados em 2019, no início do governo. Por tradição, as mudanças de comandos costumem ser feitas no início de cada mandato presidencial.

Desta vez, as mudanças foram motivadas por discordâncias de Bolsonaro com Azevedo e Silva e com o general Edson Pujol, comandante do Exército. A antiga cúpula militar defende a atuação das Forças como instituições de estado, afastadas da política.

O presidente desejava um apoio mais enfático ao seu governo pelas Forças Armadas. Bolsonaro mantém em seus discursos o uso da expressão "meu Exército", o que tem provocado desconfortos entre militares.

Bolsonaro escolheu como ministro da Defesa o general Walter Braga Netto, que estava na Casa Civil. O novo ministro declarou ao assumir que as Forças Armadas seguirão com ações dentro dos limites da Constituição.


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Petrolina abril 2021

09/04


2021

Bolsonaro pede à PF para resgatar caso Adélio

Antes de empossar o novo ministro da Justiça e de oficializar a troca de comando na Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) esteve com o novo diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, em Brasília, na semana passada. Anderson Torres, titular da pasta da Justiça e Segurança Pública, também foi ao encontro. Segundo reportagem da CNN, Bolsonaro pediu a Maiurino que "descobrisse quem quis matá-lo".

O chefe do Executivo se referiu à tentativa de assassinato que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018, quando Adélio Bispo (foto) o esfaqueou. O crime ocorreu em Juiz de Fora (MG) no dia 6 de setembro.

A Polícia Federal instaurou dois inquéritos para investigar o caso e chegou à conclusão de que Adélio planejou e executou o crime sozinho. Agora, a PF aguarda uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ter acesso aos celulares dos advogados que defenderam Bispo.


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ALEPE

09/04


2021

Garrincha: família de Águas Belas

Poucos sabem mas o gênio do futebol, Mané Garrincha, o Manoel Francisco dos Santos é descendente da tribo Fulni-ô, de Águas Belas. Seu pai, Amaro Francisco dos Santos, e sua mãe, Maria Carolina dos Santos, eram índios de origem alagoana-pernambucana.

Em homenagem ao nosso grande ídolo, o blog chama a atenção das autoridades para esse momento pandemia. A tribo de Garrincha sempre viveu sob ameaças constantes de vírus. Em 1856, por exemplo, um surto de cólera quase acabou com a população da aldeia. Sobreviveram só 382 pessoas após.

Atualmente, a população da tribo atinge cerca de 4.300. Apelamos para darmos atenção especial aos ancestrais não apenas de Garrincha mas também representantes da memória primeva de Pernambuco.


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Comentários

Ailson Zeferino dos Santos

Boa tarde Caro Magno Martins, Sou índio Fulni-o e Presidente do Conselho Local de Saúde Indígena Fulni-o, venho informar que o Distrito Sanitário Especial Indígena \"Dsei Pernambuco\" vem fazendo um trabalho constante em nossa comunidade Fulni-o em relação a Covid-19, nos últimos dados atualizados no dia 1 de abril, conforme o Vacinometro foi aplicada a vacina na comunidade contra Covid-19: 1° dose em 93,87% e 2° Dose 93,84%. Resumindo os trabalhos vem sendo feito constantemente.


Bandeirantes 2021

09/04


2021

Poder360 bate recorde de visitantes em março

O Portal Poder360, do meu amigo Fernando Rodrigues, atingiu em março de 2021 audiência mensal recorde de 9.363.76 visitantes únicos – aumento de 80% em relação ao mês anterior. O número de páginas visualizadas saltou de 13,2 milhões em fevereiro para 32,3 milhões em março (alta de 144%).

O Poder360 teve 17.537.816 visitantes únicos nos 3 primeiros meses de 2021. Trata-se de aumento de 46,1% em relação ao 1º trimestre de 2020, de 78% frente ao mesmo período 2019, e de 371% ante 2018.

Os resultados mostram a consolidação do Poder360 como fonte confiável de notícias sobre o poder e a política. Os 2 últimos recordes foram registrados em momentos de coberturas especiais, diferentemente do que acontece agora. Em outubro de 2018, o jornal digital havia registrado 6,4 milhões de visitantes por causa da cobertura das eleições gerais no Brasil. Em março de 2020, também o recorde de 7,9 milhões coincidiu com um pico de interesse da população por informações no início da pandemia do novo coronavírus.

O Poder360 começou a operar no atual formato em janeiro de 2017. Mas, na realidade, este jornal digital é a continuação do antigo Blog do Fernando Rodrigues, que entrou no ar em 18 de abril de 2000. Trata-se da publicação jornalística digital sobre poder e política mais antiga em operação contínua no Brasil: completa 21 anos neste mês.

AUDIÊNCIA QUALIFICADA

A maior parte da audiência do Poder360 é direta ou orgânica, como se diz no jargão da internet: 89,4%. A audiência direta ocorre quando um leitor digita em seu navegador o endereço do Poder360 ou de algum texto publicado por este jornal digital. Ou seja, são pessoas que realmente pretendem buscar algo produzido pelo Poder360.

A audiência orgânica é a que chega por meio de uma busca específica em ferramentas como o Google. Por exemplo, o leitor busca algo sobre o presidente Jair Bolsonaro ou sobre o governador de São Paulo, João Doria, e escolhe ler os posts identificados como sendo do Poder360.

Apenas 7,9% dos leitores chegam a este jornal digital por intermédio de links de redes sociais. Muitos jornais da mídia tradicional analógica migraram para o meio on-line e têm alta dependência de leitores que vêm por meio do Facebook, Twitter e Instagram, por exemplo. Isso não acontece com o Poder360.

No mercado publicitário, a audiência direta e/ou orgânica é mais valorizada do que a que vem por meio de redes sociais, considerada menos qualificada. “É um privilégio ter tantos leitores que chegam ao Poder de maneira direta e orgânica. Isso significa que a qualidade e a credibilidade deste jornal digital são cada vez maiores e mais estabelecidas. Esse é o resultado de um trabalho incessante de uma equipe qualificada de profissionais, o maior patrimônio do Poder. Todos buscam entregar o melhor produto jornalístico possível. Há muita isenção, correção de erros, obsessão pela busca de todos os ângulos de cada notícia e uma tentativa constante de evitar que o clima de alta polarização política contamine os textos. O leitor percebe esse esforço e acho que a recompensa é essa audiência muito qualificada e crescente”, diz Mateus Netzel, diretor-executivo do Poder360.

Outro aspecto relevante da audiência do Poder360 é o fato de este jornal digital concentrar suas reportagens e análises exclusivamente em assuntos que interessam ao “topo da cadeia alimentar” na sociedade: política, economia, negócios, indústria de tecnologia e mídia.

A audiência de março de 2021 do Poder360 e a de 2 jornais centenários –Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo– mostram os seguintes dados, em visitantes únicos (segundo o Google Analytics):

  • Estadão – 47,8 milhões
  • Folha – 43,5 milhões
  • Poder360 – 9,3 milhões

É importante considerar essas informações sob a ótica de quais são os conteúdos publicados por esses 3 veículos.

No caso de Estadão e Folha, esses jornais são generalistas. Publicam reportagens sobre futebol, entretenimento, novelas, BBB, sexo, crime, notícias locais, comportamento e outros temas que atraem enorme audiência na internet. Não se sabe quanto dos leitores de Estadão e Folha são exclusivamente de assuntos relacionados ao poder e à política.

No caso do Poder360, sabe-se com 100% de certeza que a audiência não buscou notícias sobre “fait divers”, mas apenas sobre temas de interesse direto do “establishment”. Ou seja, o público do Poder360 tende a ser altamente qualificado.

Quando se analisa o perfil do leitor do Poder360 nota-se que 43,4% estão na faixa de 25 a 44 anos, justamente os que têm o maior poder aquisitivo e alto nível de escolaridade. Esse é outro aspecto (como mostra o gráfico a seguir) relevante para este jornal digital, pois comprova que sua audiência ocupa uma faixa de grande importância na sociedade brasileira.


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09/04


2021

Afogados vai inaugurar 1° arquivo público do Pajeú

A Prefeitura de Afogados da Ingazeira vai inaugurar o seu Arquivo Público Municipal na próxima semana. A iniciativa é pioneira no Sertão do Pajeú. 

O acervo está sendo digitalizado por uma equipe de historiadores voluntários, através de convênio firmado entre a Prefeitura, o Centro de Pesquisa e Documentação do Pajeú e Instituto Histórico e Geográfico do Pajeú. O Arquivo Público Municipal é uma das ações do plano de 100 dias.

“Essa é uma ação importantíssima, de preservação de nossa memória histórica. Há muitos documentos e livros raros, que contam não só a história de Afogados mas também da região, que precisam ser preservados,” destacou o prefeito Alessandro Palmeira (PSB).

Segundo ele, haverá parcerias também com a Fasp para que o arquivo público possa dialogar com o curso de História da faculdade. Dentre as raridades, documentos e livros das primeiras décadas do século 20.

O arquivo público, que terá o nome do escritor afogadense Manoel Aarão, ficará sob a coordenação da Secretaria de Cultura e Esportes. Sua sede está localizada na Vila da Estação, nas imediações do futuro pátio da feira livre de Afogados.

“No Arquivo Público Municipal Manoel Arão estão guardados de forma física e digital a produção documental, histórica e administrativa de nossa cidade, de nossa região, como fonte de pesquisa para alunos, professores, e população em geral. O arquivo também vai assegurar a conservação dos documentos e a preservação de parte de nossa memória histórica e cultural,” afirmou o secretário de Cultura de Afogados, Augusto Martins, que é historiador e já presidiu o Instituto Histórico e Geográfico do Pajeú.


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Serra Talhada 2021

09/04


2021

Sem o Big Brother

Da coluna de João Alberto

O senador Jarbas Vasconcelos (MDB) nunca escondeu que gosta do Big Brother Brasil e sempre acompanhou suas edições. Atualmente, entretanto, não tem tido tempo, porque participa diariamente das reuniões remotas do Senado, muitas vezes se estendendo até tarde da noite. Somente em dias especiais, segundo confessou, consegue assistir aos jogos do Sport, outro grande escape de relaxe.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

09/04


2021

Araripina se rebela contra politica em causa própria

Passando por cima das memórias de pessoas queridas de Araripina, a deputada estadual Roberta Arraes (PP) deu entrada em um Projeto de Lei que denomina o Aeroporto de Araripina com o nome do seu sogro – pai do ex-prefeito Alexandre Arraes – Espedito Granja Arraes.

A deselegância que deputada comete deve-se ao fato de que o equipamento já tem nome datado desde 1996, quando o governador na época, Miguel Arraes, por indicação do então deputado estadual Valdeir Batista, denominou o aeroporto com o nome de seu pai, Antônio Batista de Souza. Ocorre que anos depois – em dezembro de 2002 – após um trágico acidente aéreo neste mesmo aeroporto, o sobrinho de Valdeir, o comandante Mairson Rodrigues Bezerra, acabou falecendo.

Em 2013, Raimundo Pimentel, que na época era deputado estadual, com a anuência da própria família do ex-prefeito e ex-deputado Valdeir Batista, apresentou um Projeto de Lei denominando o equipamento com o nome do primeiro piloto de avião de Araripina, morto no trágico acidente e desde então a família sente-se honrada com a justa homenagem que, agora, Roberta Arraes deseja cancelar ao apresentar um projeto rasgando a memória de Mairson para prestar homenagens ao seu sogro que nada tem a ver com a aviação.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

09/04


2021

FBC propõe incluir responsáveis por órfãos na vacinação

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) apresentou sugestão ao Ministério da Saúde para que sejam incluídos nos grupos prioritários da vacinação os responsáveis por crianças que perderam os pais para a Covid-19. O objetivo é priorizar a imunização do genitor ou do responsável pela criança cujos pais tenham falecido em decorrência da doença. 

“Um dos mais trágicos efeitos da pandemia que se abateu sobre o Brasil são os órfãos da Covid-19, fenômeno agravado por existirem, no País, grande número de famílias monoparentais, ou seja, formadas apenas por um dos pais e seus filhos”, explica Fernando Bezerra na Indicação 19, de 2021, protocolada ontem no Senado.

Ele acrescenta que uma estratégia de vacinação que priorize os responsáveis pelos órfãos da Covid-19 pode resguardar as crianças de mais perdas. “Os impactos sociais da doença na infância e na juventude são intensos. Isso acontece porque, entre outros problemas, ainda não se sabe quem ficará responsável por cuidar dos órfãos da Covid-19, que terão que suportar o impacto psicológico e econômico dessas perdas. Nesse sentido, precisamos resguardar essa população de crianças de mais perdas, e isso pode ser feito por meio de uma estratégia de vacinação”.

“Assim, consideramos importante priorizar, no Plano Nacional de Vacinação, as pessoas que ficaram responsáveis por manter os órfãos da Covid-19, para que eles não corram o risco de ficar ainda mais abandonados”, conclui o senador.


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09/04


2021

Nem o PCdoB apostava em João Paulo

Dando sequência à série de entrevistas inéditas, o capítulo de hoje do livro A derrota não anunciada, de minha autoria, traz o então vice-prefeito eleito na chapa de João Paulo na corrida pela Prefeitura do Recife em 2000, o comunista Luciano Siqueira (PCdoB). Revela bastidores da campanha e reafirma que só João e ele acreditavam nas chances de derrotar o favorito Roberto Magalhães.

"Quando ninguém acreditava num milagre – a vitória de João Paulo – o próprio João chegou a prever que, se houvesse segundo turno, este se travaria entre Roberto Magalhães e ele, porque Carlos Wilson era um candidato cujo eleitorado se identificava e se confundia com Magalhães. Só João e eu acreditávamos no impossível, na ida ao segundo turno e na vitória", atesta Siqueira. Confira!

"Só João Paulo e eu acreditávamos"

Quando Luciano Siqueira foi buscar o respaldo do seu partido, o PCdoB, em São Paulo, para fechar a chapa de João Paulo como candidato a vice-prefeito, recebeu uma ducha fria da direção nacional. Dirigente quase eterno da legenda comunista, João Amazonas olhou para Siqueira e disse, textualmente: "É, vamos atender ao seu apelo. Sua entrada na campanha vai servir pelo menos para reforçar a estratégia que poderá levar Carlos Wilson ao segundo turno".

Não só em Pernambuco, mas no resto do País, havia uma crença de que o adversário de Roberto Magalhães seria Carlos Wilson e não João Paulo. O sentimento da direção nacional do PCdoB também estava latente em diversos segmentos da sociedade. Na montagem dos 13 pontos do projeto de Governo, João Paulo só conseguiu contribuições na área de saúde, porque ninguém queria queimar cartuchos com um candidato que, àquela altura, não tinha menor chance de crescer.

Siqueira voltou ao Recife com o aval do partido e deu tudo de si para reverter uma expectativa em que nem o seu próprio líder nacional acreditava. E teve um papel importantíssimo, vale ressaltar. Coordenou a campanha, cuidou da estratégia política do guia eleitoral, redigiu textos importantes, ao longo da campanha, e ficou responsável pelas respostas, nos programas eleitorais, aos ataques mais contundentes disparados pelo comando da campanha de Roberto Magalhães.

Comunista de carteirinha, cassado pela Revolução de 64 quando ainda militava no movimento estudantil, Luciano Siqueira é um político que tem eloquência, bagagem intelectual e capacidade de diálogo. Nos momentos mais difíceis da campanha, era a ele a quem João Paulo recorria, para se aconselhar, buscar os caminhos para superar as adversidades.

Paciente, numa primeira etapa da campanha, Siqueira respondia a todos os e-mails que os eleitores e militares petistas encaminhavam, dando sugestões para melhorar o programa eleitoral, os eventos de rua, ao lado de João Paulo. "No início, sem dinheiro algum, nós utilizávamos uma kombi velha, com um som precaríssimo, para comércios relâmpagos", lembra.

Emotivo, Siqueira chegou a chorar quando participava de uma carreata com o hoje presidente Lula. Ele me viu de cabeça baixa e disse: "Olha para o povo, porra". "Mas, na verdade, eu não estava olhando para o chão, estava chorando, recordando as grandes passeatas que fazíamos contra a ditadura", confessa. O vice-prefeito viveu como ninguém os bastidores da campanha.

Quando ninguém acreditava num milagre – a vitória de João Paulo – ele chegou a prever que, se houvesse segundo turno, este se travaria entre Roberto Magalhães e o candidato do PT, porque Carlos Wilson era um candidato cujo eleitorado se identificava e se confundia com Magalhães. "Só João e eu acreditávamos no impossível, na ida ao segundo turno e na vitória".

Ouvi Luciano antes de João Paulo. Seu depoimento, que durou exatamente 2h50m, foi dado no seu gabinete, na Prefeitura do Recife, quando estava no exercício do cargo e um dia após retornar de Brasília. Tomando apenas café e água, o vice-prefeito, que tem uma memória aguçada, foi rememorando os fatos e os contava com uma animação que esquecia o relógio. Franco, Siqueira é daquele tipo de político reciclado, que lê muito e que, embora ainda esteja fiel aos preceitos e à doutrina comunista, não é inflexível. Daí a razão de João Paulo não querer abrir mão da sua presença na chapa da reeleição.

Que papel o senhor exerceu na campanha?

      Fui o coordenador geral da campanha, enquanto Múcio Magalhães ficou com a coordenação de mobilização. Eu acompanhava, pessoalmente, o programa de televisão, com a ajuda do atual secretário do Orçamento Participativo, João da Costa. Esse era o meu papel. Em função disso, já no inicio dos preparativos para a campanha, redigi um texto que serviu de base para uma espécie de orientação geral da estratégia da campanha.

Uma espécie de tática de campanha?

    Era a orientação política da campanha. O esboço de uma tática da campanha. Na verdade, nós ganhamos as eleições sem um programa. Aliás, o que se chama de 'programa de candidato', eu sempre gosto de botar aspas, porque mesmo o Lula e Serra, eles não tinham, propriamente um programa de governo. Eles tinham propostas, um conjunto de propostas. Por mais bem fundamentadas que sejam, elas funcionam como diretrizes gerais para o futuro governo. Programa propriamente dito, se faz no governo.

Mas, não houve o lançamento dos 13 pontos do programa?

   No nosso caso, o que nós tivemos no primeiro turno? No dia 13 de julho, aproveitando a data, o número 13, do PT, fizemos um ato político simples, até pouco concorrido, no plenarinho da Câmara, para apresentar os 13 pontos, 'Por uma Vida Melhor no Recife'. Foi um texto, digamos assim, feito nas coxas. Embora ele não esteja errado. Foi feito a várias mãos. Eu, João Costa, João Paulo e Múcio submetemos aos representantes dos partidos e ele foi apresentado.

Quem fez seu texto final?

     A redação final foi autoria de Marcelo Mário Melo, que deu uma arrumada final, porque era um texto muito simples, uma lauda e meia. Nossa intenção era sinalizar o conteúdo geral da campanha e aproveitar a data 13 para praticar um gesto político. Nessa ocasião, eu e João Paulo, no período preparatório da campanha, batemos em muitas portas, tentando arregimentar técnicos, militares, ativistas e intelectuais que se dispusessem a participar de um processo de elaboração de um esboço de programa. A não ser na área de saúde, um grupo muito pequeno de pessoas, um ou outro responderam positivamente. As pessoas votavam na gente, mas sequer acreditavam que pudéssemos passar ao segundo turno.

Mas vocês próprios, que estavam à frente da campanha, também não acreditavam.

       Tinham dois que acreditavam, por incrível que pareça: João Paulo e eu. Nos baseávamos em que? Não que nós fôssemos ao segundo turno. Nós não podíamos dizer isso, seria uma insanidade. Mas nós dizíamos o seguinte: É possível ir ao segundo turno. Embora reconhecêssemos que era muito difícil. E em que é que nós nos apoiávamos? Nos apoiávamos na história do Recife, e disso eu conheço razoavelmente, porque sou apaixonado pela história, e acho que, há fenômenos, numa determinada formação social, que se repetem de formas distintas, mas por incrível que pareça, eles terminam configurando uma espécie bem objetiva das relações sociais, econômicas e políticas daquele lugar. No caso de Pernambuco, teve um império. Desde a República Velha, quando Dantas Barreto e Carlos de Lima Cavalcanti trocavam tiros... Chegaram a trocar tiros em frente ao Palácio, em disputa do poder local. Passando pela Revolução de 30 e os anos que se seguiram nos diversos períodos da história do Brasil e de Pernambuco, toda eleição em Pernambuco tende a ser polarizada. Toda eleição no Recife é polarizada. As vezes, quando se inicia uma campanha, você não tem claro quem vai polarizar com quem. Então, havia um sentimento generalizado de que a eleição iria para o segundo turno, e no segundo turno daria Carlos Wilson e Roberto Magalhães.

Carlos Wilson chegou, a um determinado momento da campanha, a passar João Paulo nas pesquisas internas do PT?

        As pesquisas mostravam essa possibilidade como uma tendência. Nós nos remetemos à História, porque Carlos Wilson era candidato de centro e Roberto Magalhães, digamos assim, expressava uma coligação de centro direita. Então nós achávamos que Carlos Wilson tinha, teoricamente, mais chances.

Mas achavam, também, que Carlos Wilson disputava o mesmo segmento eleitoral de Roberto Magalhães?

       Nós nos perguntávamos assim: como é que um candidato de centro vai polarizar com um de centro direita numa cidade como o Recife? Ainda que se considere que nos últimos 30 anos a cidade se tornou um pouco mais conservadora, que era a mudança no perfil social dos seus habitantes. Segundo elemento que nos animava: o vento que soprava no país. Nós achávamos que existia uma tendência mudancista. E nós imaginávamos que nós é que poderíamos encarnar essa possibilidade de mudança. Nisso, nós acreditávamos. É sintomático. Sintomático, porque às vezes a gente faz as coisas de maneira pouco pensada, e só depois que passa, olhando pelo retrovisor, é que a gente percebe, que, às vezes, um gesto impulsivo reflete numa determinada compreensão das coisas.

Como vocês começaram a campanha na rua? Como era a reação do eleitor?

    Nossa primeira atividade de rua foi uma caminhada, saindo da Praça Maciel Pinheiro até o Pátio de São Pedro. Lembro que fomos acompanhados por, no máximo, 250 militares. Era só militante do nosso partido, principalmente PT e PCdoB. Com bandeiras e tudo. Os comerciários, as pessoas olhavam para a gente assim, um pouco curiosas... Acompanhados de um carro de som que era uma kombi velha, com duas cornetas falando fanhosas, era o carro de som de João Paulo. Quando nós chegamos no Pátio de São Pedro o som pifou. O som que não prestava, pifou. E o combinado era encerrar no Pátio de São Pedro. Tinha lá um tablado de uma atividade da Prefeitura, e os guardas municipais, inclusive, tentaram impedir que eu e João Paulo subíssemos. Não é ironia das coisas? Falaria eu e João Paulo. Eu me lembrei, na hora, da época do movimento estudantil na década de 60, que nós fazíamos comício relâmpago, no centro da cidade, sem microfone, no grito. E eu disse: João, você fala primeiro. Na hora que eu ia falar, eu me recordei que era aniversário da Revolução Praieira, e ali, no Pátio de São Pedro foi importante num episódio importante para Insurreição Praieira, que é a chamada Batalha do Recife. Narrada por Edson Carneiro, no livro Insurreição Praieira, em que camponeses trazidos de Água Preta, por Pedro Ivo, sem conhecer a topografia da Cidade, resistiram, debaixo de bala, quatro horas, até cederem o espaço do Pátio de São Pedro. Eu me lembrei disso para tentar contrapor aquela aparência de fragilidade da nossa primeira atividade de rua – tão frágil que éramos poucos e sequer tínhamos som em condições de funcionar. Tentei apelar para a história, para despertar o espírito combativo na militância, tentando dizer que João Pedro e nós todos ali éramos herdeiros e seguidores de Pedro Ivo, e que deveríamos fazer tanto quanto os camponeses de Água Preta, enfrentar a luta ali, de maneira corajosa, em condições difíceis, e que as dificuldades materiais, as desigualdades de força não deveriam nos abater. Quando você conta os nossos episódios da história, você desperta um orgulho, um sentimento pertencente a um povo, a uma nação que se forjou por aqui, e isso não é um trunfo, mas é um apelo importante. Então havia essa descrença, e eu me lembrei agora que eu não era disponível para disputar as eleições.

Como assim?

        Eu sou da direção nacional do PCdoB, e todo o projeto do partido, para mim, era continuar exercendo meu papel em Pernambuco e aqui na Região Nordeste. E eu me tornei candidato a vice-prefeito por insistência do PT. O PT propunha que o PCdoB indicasse um vice, nós ainda ponderávamos, porque precisava agregar outras forças, seria o caso de esperar mais, e esperamos até o limite, e a partir de um certo instante, os companheiros do PT diziam que queriam que eu fosse o candidato a vice, com o argumento de que, mesmo sendo comunista, do partido comunista, portanto, mais esquerda à do que PT, pelo estilo do PCdoB, pela relação com os demais, era o vice ideal. As forças políticas e até os adversários, e particularmente o meu caso, que tenho relações muito cordiais com todos os atores políticos, com o meio acadêmico, universidades, ajudariam a ampliaria e até a compensar um certo distanciamento de João Paulo de setores formadores de opinião, junto aos quais ele sempre teve muito voto, mas nunca estabeleceu relações mais diretas. A liberação minha para ser candidato por parte PCdoB se consumou numa conversa em São Paulo, com nosso falecido João Manolo e atual presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, em que eu narrava o quadro daqui, a insistência do PT em me querer como vice. Como vice eu devia mudar minha rotina, pelo menos durante a campanha, minhas funções dentro do partido.

Como foi a reação da direção nacional do partido?

         Eu me recordo que o Amazonas disse mais ou menos o seguinte: "É, vamos atender a esse apelo. É uma eleição muito difícil, mas pelo menos, você como candidato a vice-prefeito, poderá contribuir de maneira mais ativa para unir todas as forças em torno de Carlos Wilson, se Carlos Wilson for para o segundo turno". O próprio Amazonas imaginava, à distância, que não tínhamos a menor chance de chegar no segundo turno. "Está certo, vou liberar, mas pode dar zebra..." (risos) ".... Pode dar outra coisa". Eu saí satisfeito e lembrei a eles que João Paulo era muito bom de urna. Eu acho que aqui tem dois políticos que, no contato direto com o povo são insuperáveis: João Paulo e Luciana Santos (prefeita de Olinda). É uma empatia com o povo na rua de causar inveja. Começa com as crianças. Eu dizia: "Não vamos subestimar, o João Paulo é uma pessoa que sempre tem muitos votos." E ele então ficou pensativo e... "Quem sabe? Pode ser..." E fomos para a campanha sem a menor estrutura. Não sei se João Paulo tem essa conta de cabeça, mas parece que, no primeiro turno, só conseguimos confeccionar e distribuir 270mil panfletos.

Muito pouco não?

        Isso é um número irrisório, não dá nem pra cobrir uma campanha de candidato a vereador de porte mediano. Por que isso? Porque o PT concentrou todos os seus quadros e seus militantes nas campanhas dos candidatos a vereador. Foi uma campanha muito difícil no primeiro turno. O Múcio se desdobrou, foi um gigante na campanha.

O PT nacional não ajudou no primeiro turno?

           A gente não podia ficar esperando do PT, ficar pensando nisso, dependendo disso. Geralmente se conta com as próprias forças no Estado.  

Como vocês conseguiram, então, custear as despesas do guia eleitoral, por exemplo, que é muito caro?

         Precário. Tudo isso foi muito precário. Pingando. Se você verificar a prestação de contas da nossa campanha vera que foi paupérrima para uma campanha de capital e da importância de uma cidade como o Recife.

Quando começou a aparecer dinheiro para a campanha?

         Eu acho que nunca apareceu. Nunca apareceu, mas não posso falar com muita certeza porque não cuidava desse setor. Ficava apenas informado das nossas dificuldades e vivia dificuldades no dia-a-dia.

E como vocês conseguiram fazer a campanha?

           Não sei. No primeiro turno nós não tínhamos, sequer, uma produtora de TV. O que é que nós tivemos? Utilizamos uma casa onde funcionava a produtora Espia Vídeo, que fez a nossa campanha e juntamos um grupo pequeníssimo de profissionais. Contratamos um diretor de TV, que é um gênio, o Cláudio Barroso. Cláudio Barroso é um cara extraordinário. Era Cláudio Barroso e o Vilar que cuidavam das instalações, da parte técnica. Só havia uma câmara e uma câmara. Quando chovia e ela se molhava, tinha que esperar secar. Só tínhamos também uma repórter. E, se eu não me engano, um ou dois redatores. Funcionamos numa casa precária, num estúdio precaríssimo. Aí, também, a precariedade de recursos, de certa forma, nos ajudou. Porque nós tivemos uma orientação geral do Guido Bianchi, que é um publicitário, dirigente estadual do PCdoB e um homem muito experimentado nessa área. O Guido ajudou a formatar o programa, como contribuição espontânea, sem nenhuma remuneração, e o Claudio Barroso, num dialogo frequente com o Guido, construiu uma linguagem própria e diferenciada, tentando resolver um desafio em que eles se colocaram.

Mas, como vocês, todos os candidatos da oposição penaram para arranjar dinheiro.

         Provavelmente não somos os mais pobres. Soubemos depois que o candidato do PDT, Vicente André Gomes, tinha uma estrutura bem mais precária que a nossa, do ponto de vista de recursos. Mas se nós não temos recursos técnicos, podemos fazer da nossa simplicidade um trunfo. Da nossa pobreza, um trunfo. Vamos tentar fazer um programa com uma linguagem que diferencie de todos os outros. O padrão de linguagem em televisão é o padrão global. E aí nisso todos ficam parecidos. E o sujeito tira o som, e não aparece sigla, e ele não conhece exatamente as pessoas que estão aparecendo no programa, é tudo parecido. Formato, roteiro, tudo. Então, esse pessoal criou uma forma própria. Nós só tínhamos quatro minutos, tínhamos uma pauta básica de programa, e assim mesmo, aqui, acolá nós saíamos da pauta para dar vazão à criatividade.

Qual foi o primeiro programa na TV que teve impacto?

        Cláudio Barroso propôs fazer um programa fora da pauta, só sobre a violência. E o roteiro que propôs tomaria os quatro minutos. Era uma reportagem sobre violência na cidade. Isso criou uma certa ansiedade na campanha. A ponto de, num final de manhã, quase meio dia, na casa onde se fazia o programa, termos uma longa discussão sobre o risco que corríamos. João Paulo e várias pessoas que sempre trabalharam com ele no PT davam opiniões cautelosas. E ali travou-se uma certa discussão na presença de João Paulo. Polêmica! Ao final, João Paulo disse: "Luciano, você decide". Ficou um silêncio, aí eu disse: "Será como Cláudio Barroso quer". Aí nos dispersamos, peguei meu carro, parei na primeira esquina e liguei para Cláudio Barroso e disse: "Cláudio, quero lhe dizer que eu não estou plenamente convencido desse programa, mas estou honrando um compromisso que eu assumi com você. Na dúvida, prevalece a sua opção, porque você é que é do ramo. Eu confio no seu taco". Isso foi, ainda no começo da campanha, fundamental, porque consolidou a relação com ele, de confiança. Resultado: foi um programa em preto e branco, com depoimentos de vítimas de sequestro e assalto. Uma trilha sonora perfeita, sem sensacionalismo, um programa comedido, e que foi, talvez, o programa de maior repercussão de todos os que nós fizemos na campanha.

E a partir desse programa vocês começaram a crescer nas pesquisas?

        Eu não tenho certeza se já aí, mas a cada pesquisa nós crescíamos um pouco. Esse programa concorreu muito para um elemento que nós considerávamos fundamental: a linha do nosso programa. E nosso programa era o seguinte: nós partimos do pressuposto de que essa discussão entre municipalização ou nacionalização da campanha seria bizantina, sem sentido, sobretudo numa cidade como Recife, que é uma das oito capitais mais importantes do País. Como você pensar a cidade como se fosse uma ilha, distante do centro do País? Não é possível. Recife é parte do País. Não é possível, nem correto discutir nenhum problema da cidade sem nem perceber, também, os vínculos com o poder central. Então nós iríamos tratar o equilíbrio do aspecto municipal e nacional.

Vocês queriam a vinculação nacional em função do desgaste de FHC?

        Qual era o aspecto nacional? Fernando Henrique já vinha numa tendencia de queda e o PT, captando as manifestações anti-Fernando Henrique, representava o desejo de mudança. Então, nós queríamos cravar, para o eleitor, que o candidato de Fernando Henrique era doutor Roberto Magalhães. Isso nos ajudava. E fazíamos a relação entre a chamada 'política neoliberal" com alguns problemas da cidade. E na questão da cidade, nós criticávamos a Prefeitura, criticávamos aspectos negativos da gestão do doutor Roberto, associando à crítica, imediatamente, uma proposta alternativa. Esse era, digamos assim, o roteiro de conteúdo. Permeando isso, nós teríamos uma linguagem simples, diferente das globalizadas, botar o povo no vídeo, a população no vídeo para se reconhecer e emocionar. Nós tínhamos que trazer emoção, o depoimento vivo.

O senhor lembra de alguma improvisação que foi difícil fazer?

        Recordo de uma fala sobre a hemodiálise, em que o programa do doutor Roberto cometeu o equívoco de fazer uma longa história sobre o caso de Caruaru, e associar a João Paulo, porque o secretário de saúde, na época, Jarbas Barbosa, era do PT. Um equívoco, um erro deles. E a fala, mais ou menos de um minuto, era justamente assim, serena, porém firme, argumentando o absurdo que era responsabilizar o PT, a candidatura de João Paulo, por aquele fato. E já 1h da manhã. A gente via o programa deles, o nosso programa, planejava o nosso, víamos as pesquisas, e é horrível você gravar cansado. Molhar o rosto... Aí o Cláudio Barroso, que era o diretor, dizia o seguinte: "Você agora vai gravar". Eu digo: "Eu vou gravar". "Vai para o estúdio. Deixa eu te olhar. Você ainda não está no ponto. Vamos ver, na ilha de edição, o que é que eles botaram no programa deles, para você se indignar. Porque, para mim, você é o velhinho indignado da campanha de João Paulo" (risos). Aí ele passava, passava, passava... Passava comigo. Ele é um autêntico diretor de cinema. Ele dizia: "Você já está indignado?" Eu digo: "Estou indignado, vamos para o estúdio". "Diga agora, diante da câmera, o que você está pensando". Era uma coisa assim, espontânea, viva. E eu me recordo que essa fala terminava assim: "Doutor Roberto, deixe os familiares das vítimas em paz". Soube, não sei se é verdade, que ele viu esse programa e deu chute numa cadeira, profundamente irritado e afirmou: "Quem foi que teve a má idéia de botar esse assunto na televisão?"

É verdade que alguns candidatos a vereador tinham mais dinheiro do que a campanha majoritária?

        Não, não era dinheiro, era porque os vereadores tinham mais recursos que nós. Cada um a seu modo. Aí, eles botavam a fala de João Paulo na propaganda.

Vocês não tinham pesquisas internas de acompanhamento?

        Nesse período, não. A pesquisa que a gente tinha era indireta. A gente tinha um bom diálogo, porque fez parte do nosso plano de campanha, ter uma relação fraternal com todos os demais candidatos. Uma espécie de tratado tácito de não agressão mútua, de modo que todos fizessem da candidatura de doutor Roberto o alvo. E nós tínhamos acesso a informações de pesquisas através de Carlos Wilson, pelas boas relações que tínhamos com ele.

Qual a avaliação do senhor a respeito daquela denúncia de calote contra a candidatura de Carlos Wilson. Acha que ela permitiu a João Paulo ocupar o lugar de Wilson para o segundo turno?

        Olha, eu posso estar cometendo um equívoco, mas tenho impressão que passamos para o segundo turno, passamos Carlos Wilson, menos por aquele combate agressivo que foi feito a ele, embora as pesquisas indicassem na ocasião que ele caía, e mais pelo plano de campanha que ele adotou. Ele era mais forte do que João Paulo, mas adotou uma estratégia de campanha que o transformou, gradativamente, num coadjuvante da campanha de João Paulo. Passada a campanha, hoje eu vejo assim. Por que? Porque ele forçava a barra, digamos aqui, para elevar o tom da polarização com Roberto Magalhães. Para elevar o tom não havia, digamos assim, uma diferença de conteúdo programática, entre aspas, que permitisse uma demarcação mais clara de campos. A própria campanha de Carlos Wilson era agressiva com doutor Roberto, ou tentava ridicularizá-lo com a figura do "Mané Chinês"

Mas foi por aí que ele cresceu?

      Não. Eu acho que ele não cresceu por aí.

 Ele chegou a passar João Paulo justamente por ser mais agressivo, não?

       Chegou, mas isso é temporário. Você tem que ver a campanha como um todo. E foi por isso que nós corremos por fora. Ora, se ele tivesse numa polarização, digamos assim, se ficasse claro para o eleitor que são duas propostas distintas, a polarização Carlos Wilson e Roberto Magalhães poderia se aprofundar e ele ir disparado para o segundo turno. Mas a polarização que ele tentou nem fazia essa demarcação de conteúdo. Por exemplo, ele não associava Roberto Magalhães a Fernando Henrique Cardoso. Só no final é que ele começou a fazer, no final do primeiro turno. Foi quando ele começou a cair. Ele não politizava, no bom sentido, a campanha dele. Era uma campanha mais localizada, mais municipalizada, certo? Embora o tom, o formato fosse agressivo, pela crítica com poder, ou pelo ridículo que ele tentava levar. Enquanto isso, nós íamos, por fora, conquistando fatia do eleitorado que rejeitava aquele tipo de polarização. O que, para nós foi excelente, porque então veio ao encontro daqueles dois fatores que eu dizia: nós representávamos o novo, a mudança, e fomos aparecendo como sendo o pólo oposto a Roberto Magalhães. Tanto que, nas pesquisas disponíveis, o 'Mané Chinês' desgastava Roberto Magalhães, mas não conquistava votos.

E aí foi onde Carlos Wilson errou, ao se vincular muito ao Chinês

     Provavelmente, provavelmente. Na medida em que ele não demarcava campos de maneira mais clara, e o prestígio do 'Mané chinês' crescia, eu tenho a impressão que, num certo momento, a expectativa de Carlos Wilson era de que o 'Mané Chinês' arrastasse votos para ele. Até porque a eleição de Marconi Perilo (governador de Goiás), que havia sido vitoriosa em cima do humor, explorando a figura do "Nerson da Capitinga", talvez servisse de exemplo. Mas, Pernambuco tem uma diferença cultural, é um Estado mais politizado.

 Aqui, essas coisas não pegam, não é?

         É outra cultura, outra situação. Eu acho que isso gerou uma expectativa exagerada. Ao mesmo tempo, gradativamente, nós fomos colocando na rua um elemento que pesa, a nossa militância. Hoje, as eleições do país, sobretudo nas grandes cidades, são cada vez mais eletrônicas, campanhas eletrônicas. No entanto, nada substitui a presença da militância. João Paulo, que tem essa empatia extraordinária com povão, danava a subir e descer ladeiras, a fazer pequenas caminhadas, o contato direto com a população nos bairros, e eu fiz reuniões em condomínios, em residências, em escolas, em diversos ambientes, em clubes, com os formadores de opinião. A gente se dividia. Poucas foram as ações de bairros em que eu estava com ele, embora tivesse até o início da madrugada discutindo com formadores de opinião. Vamos ao final do primeiro turno, já tínhamos uma grande militância articulada, que foi decisiva para o segundo turno.

Até que ponto os erros da campanha do doutor Roberto ajudaram a levar João Paulo para o segundo turno?

           Olha, eu não sou militar. Eu sou é viciado em leitura, e uma das obras que mais me impressionaram na vida foi "Da Guerra", ou "Sobre a Guerra", dependendo da tradução. É um autor clássico, um estudo de mais de mil batalhas, onde ele ensina coisas simples. Ele diz que toda a guerra se decidir pelos méritos do vencedor, mas também pelos erros do adversário. Eu acho que a campanha do Dr. Roberto Magalhães cometeu erros importantes, no primeiro e segundo turnos.

Aquele "banana", que fator teve?

         Aquele gesto de doutor Roberto Magalhães, provavelmente deve ter tido influência muito grande, porque pegou mal. O eleitorado, seja ele inclinado à esquerda ou direita, quer tudo de um governante, ou de um postulante ao cargo executivo, menos que se revele, digamos assim, autoritário ou emocionalmente instável. Eu estou procurando as palavras certas, porque eu não quero dizer nada que possa ofender doutor Roberto, que é uma pessoa que eu respeito muito, e com a qual tenho uma relação muito cordial. Mas aquele gesto teve um impacto muito importante. Porque arranhou muito a imagem dele. Acho também que eles escolheram a pauta errada. A pauta errada na campanha. Eles tinham todo tempo do mundo na televisão. Todo tempo do mundo. Uma vez Guel Arraes disse aqui: "Tempo exagerado, tempo demais não é bom. Tempo de menos é ruim, mas demais você termina… É difícil aproveitar bem". Eles fizeram, no começo da campanha, uma festa. Parecia campanha de Jarbas contra Arraes. Qualidade técnica perfeita, maracatus, aquela coisa toda. Eu acho que exageraram na dosagem.

Houve uma acomodação, também, em função da enorme distância que separava doutor Roberto dos demais candidatos nas pesquisas?

             Acomodação, como se estivesse numa partida de futebol já vitoriosa. Eles usaram o salto alto, porque nunca imaginaram que seríamos capazes de representar uma ameaça. Ele se deram ao luxo de cometer erros como o da banana. Quando Carlos Wilson começou a crescer e ameaçar o segundo turno, o modo eles derrotaram Carlos Wilson foi uma faca de dois Gomes. Se eles puderam, com aquela faca, ferir de morte o adversário, o sangue respingou e pingou deles. Quanto mais eles desmoralizavam, ou tentavam desmoralizar Carlos Wilson, com a denúncia daquele dono da produtora, o apelo àquele ativista, àquele tipo de expediente, desgastou muito também a campanha de doutor Roberto.

Mas o guia, como um todo, foi muito baixo, de agressões.

          O nosso, não. O nosso, não.

Como não?

          Diga um exemplo.

Aquela líder comunitária que se apresentava como vítima de uma agressão sofrida pelo doutor Roberto.

           Mas ali era um fato real, concreto.

Ela dizendo que ele tinha batido nela?

        Não, batido não, não. O fato concreto é que ela se apresentou para reclamar de um terreno que era impróprio para a construção de uma escola, e era empurrada por ele. Era um fato. E você veja como é que foi editado. Foi editado num depoimento emocionado dela. Era um fato. Mas, por exemplo, no segundo turno, quando a frente nossa se ampliou, eram todos contra doutor Roberto, nós fomos pressionadíssimos, pelos nossos aliados, a baixar o nível. Principalmente quando mudou o conteúdo da campanha de doutor Roberto. Mudou completamente. Segundo turno foi pior. "Mudança sim, baderna não". Aí vieram aqueles programas contra Cristóvam Buarque, em Brasília, e o prefeito de Belém. Queriam que nós falássemos da vida pessoal de doutor Roberto. Nós não falamos. Eu quero dizer a você que, até hoje, eu não escutei, até o fim, essa história que queriam criar. Teve momento de alguém dizer para a gente assim: "Vocês querem perder a eleição?" Nós dissemos: "Mas não queremos ganhar desse jeito". Porque nós achávamos o seguinte: se atacássemos, pessoalmente, o doutor Roberto Magalhães, o caminho para a derrota seria mais curto.

Mas vocês chegaram a produzir algum programa pesado, no campo pessoal, para um uso oportuno, se fosse o caso?

           Não, porque era uma decisão de João Paulo, minha, do comando da campanha, de não entrar pelo campo pessoal. A tal ponto que a campanha do segundo turno já foi feita na Vídeo Tape, que é uma produtora com outras condições. Não sei se ainda é no lugar onde era, mas tinha um primeiro andar, que se subia por uma escada, como se fosse assim... Um sótão, onde era redação. As ilhas de edição era embaixo, e lá em cima a gente produzia os programas. Chegou um momento em que chegava lá tanta gente querendo dar palpites nessa linha, que se ergueu uma parede de madeira, e ficou decidido do que ninguém teria a ter acesso. Somente eu, João Costa e a equipe do programa e o candidato a prefeito. Para evitar esse tumulto e essa pressão, para que nós baixássemos o nível.

Quando o senhor sentiu que havia chances reais de um segundo turno?

        Sabe quando eu percebi que a gente ia para o segundo turno? Quando nós fizemos uma fila indiana, saindo da Praça Oswaldo Cruz até a Pracinha do Diário – ou Pátio Nossa Senhora do Carmo, não lembro bem – eu não sei a data, porque eu sou péssimo para gravar as datas, mas nos jornais a gente acha. Fizemos a fila indiana, e nós fazíamos uma fila indiana porque era mais simples e mais barato, pelo canteiro central de gelo baiano. Aí, nós sentimos uma reação fora do comum, das pessoas que estavam nos edifícios, nas lojas. E de dentro do ônibus as pessoas se penduravam nas janelas. Aí a gente sentiu que tinha uma coisa nova. Uma tendência nova no eleitorado.

E quando foi o grande estouro?

           O estouro foi no segundo turno, com uma grande passeata que fizemos com Lula. Isso, para mim, é muito vivo, porque eu sou uma pessoa que se eu não sonho com muita facilidade. E na passeata estavam Lula, João Paulo, Luciana e outras lideranças. Aí teve um momento que eu estava olhando para o céu, eu não conseguia olhar para a multidão, e Lula me deu um tapa nas costas: "Olha para o povo, porra!". Aí foi que eu baixei a vista e ele viu porque é que eu estava... É porque eu estava chorando (risos).

Chorando?

          Sim, porque estava lindo, emocionante. Eu não via tanta gente conhecida nas ruas desde a década de 60, desde o movimento estudantil da década de 60, quando fui cassado, preso, e desaparecido aqui. Gente gorda, careca, mulheres de cabelos grisalhos, me chamavam de "magro" quando eu era gurizinho. "Mago, olha eu aqui de novo, olha eu aqui de novo!!". Eu me emocionei de tal maneira, que quando chegou ali perto do Cinema São Luís, a gente vindo devagarinho pela Boa Vista, eu estava absolutamente descontrolado de emoção. Tanto que o meu discurso lá no palanque, no Pátio Nossa Senhora do Carmo, quando termina passeata, foi exatamente sobre isso. Eu contei da emoção. As lágrimas desciam sem controle. Por quê? Porque eu vi ali, ali na rua, gente que dizia que sentia que nós estamos devolvendo a esperança ao povo da nossa cidade. Que nós estávamos restituindo o ânimo para lutar, e tantas pessoas que eu sequer avistara desde a década de 60.

Confirmado João Paulo no segundo turno, o dia seguinte foi de fartura em termos de oferecimento de ajuda para campanha?

           Vou lhe contar um fato que poucas pessoas sabem. Nós entramos pela madrugada, no acanha disse no comitê da rua do Progresso – que hoje é a sede do comitê do diretório municipal do PT - assim, como quem precisando beliscar o braço para ter a certeza de que nós havíamos passado para o segundo turno. E no dia seguinte, de manhã, bem cedo, nós encontramos na salinha, onde João Paulo despachada, eu e ele. Nós trancamos, e a conversa era a seguinte: E agora? Aí, não sei se ele se lembra, exatamente, como as coisas aconteceram. Eu disse: "João, é o seguinte vamos procurar agregar todas as forças". Ele disse: "Vamos reunir o pessoal…". Eu disse: "Não. Minha sugestão é que a gente não reúna o comando da campanha agora. Eu proponho que a gente telefone, agora, e procure todos os nossos possíveis aliados do segundo turno. Depois a gente reúne o pessoal". E em cinco dias, nós tínhamos completado todo o círculo. Nós temos recebido apoio de Carlos Wilson – que foi o primeiro -, de Fred Brant e Vicente André Gomes. Recebemos o apoio de Miguel Arraes. Fomos até pessoas, fomos ao escritório de Arraes. Braga manifestou apoio. Queria conversar. Então, com cinco dias nós tínhamos nos transformado em uma frente ampla, heterogênea, a mais plural que você poderia imaginar, que é do PCdoB à Igreja Universal.

Mas, na própria frente de esquerda, lembro que o PDT, através de Vicente André Gomes, impôs condições para apoiar e ameaçou até se a Magalhães.

      Não, ele diz que eu fui muito duro com ele, na época. Porque a gente sempre teve uma boa relação. Ele disse que não foi bem assim.

Está nos jornais.

         Está nos jornais da época, mas não foi bem assim. Hoje, a história que ele nos conta é que Raul Henry tinha dado um telefonema para ele, querendo uma conversa. E que ele cometeu erro de tê-lo convidado para o escritório do pai dele - numa conversa aberta, com a imprensa presente, e ele iniciou a conversa mencionando contato com o Raul e dizendo que deveria oferecer o apoio ao PT, sinalizando que queria participar do governo. Aí ele ensaiou um discurso de que o PDT apoiaria, e se sentiria muito útil se fosse cuidar da saúde, não sei o que mais… Do transporte… Não me lembro mais do que era… E anunciou algumas ideias soltas, improvisadas sobre os morros do Recife. Aí, o que saiu nos jornais foi que ele estava entre Roberto Magalhães - porque ele mencionou na frente de todo mundo que tinha sido abordado pro Raul - e João Paulo, que condicionava aquele gesto de doutor Roberto Magalhães, o apoio a duas secretarias isso que sai os jornais.

Conversei com presidente do PDT, José Queiroz, e ele confirmar que Vicente jogou para os dois lados.

       Essa era a opinião de Zé Queiroz, porque o PDT nunca foi um uno. Zé Queiroz não participou da nossa campanha, a bem da verdade, nem da de Vicente. No dia seguinte, Vicente nos telefonou e comunicou o seguinte: "Com essa notícia que está nos jornais, eu não quero nem discutir. Eu quero saber onde é que eu posso manifestar o apoio a vocês". Indignado com a notícia. Agora, Queiroz nos procurou depois para dizer isso, e dizer que o interlocutor do PDT na montagem do governo deveria ser ele, Queiroz, e não Vicente, mencionando isso. Agora, a bem da verdade, e eu sou testemunha – porque ele ligou para mim – ao sair a notícia nos jornais, incontinente, Vicente, então, disse "olhe, não tem mais nem conversa nem discussão. Eu quero saber onde é que eu dou o apoio."

 José Queiroz foi omisso na campanha de vocês?

         Eu não diria que ele foi omisso, porque ele era candidato em Caruaru.

Não, ele não era candidato.

        Era não?

O candidato era Jorge Gomes.

        Era Jorge Gomes. Não, eu não entro nesse mérito, nem quero criticar Queiroz. Eu acho que Queiroz cumpriu o seu papel.

Mas, não teve importância de Vicente?

       Quem tinha os votos no Recife era Vicente. Queiroz não participou da nossa campanha aqui. Os votos eram de Vicente e ele teve uma força tremenda, ao transferir, no segundo turno, praticamente toda sua votação para João Paulo. Com todo respeito a Queiroz, mas ele não tinha volto aqui. Agora, era importante ter o apoio de Queiroz, como hoje é ruim que Queiroz esteja apoiando Joaquim Francisco, e não João Paulo. Agora, veja só o seguinte: depois que a coisa vai para a imprensa, ficar na história e, é difícil passar a verdadeira versão. A leitura que as pessoas têm é que Arraes, em 90, fez uma chapinha proporcional, em separado, com o PCdoB, para prejudicar Egídio, Fernando Lyra, Maurílio Ferreira Lima, é que cetro. Sou testemunha dos acontecimentos: não saiu a coligação PCdoB, PDT e PT, porque o PDT não permitiu.

Vocês conseguiram dormir na noite em que foi confirmado o segundo turno?

      Eu consegui, mas dormi pouco, abalado emocionalmente, por que, confesso foi uma emoção muito grande. Já João Paulo é feito Frei Damião. Quando eu vivia na clandestinidade, como vendedor ambulante pelos sertões do Nordeste, tive dois contatos com ele. E rezava a lenda que Frei Damião não dormia, porque três e meia da manhã já estava na rua com a procissão. E o povo dizia, o povo simples do interior dizia assim: "Esse homem é um santo, ele não dorme". Lá em Santana do Ipanema, quando ele passou alguns dias numa dessas missões, fui vê-lo confessando na igreja. O confessionário tinha porta de pano. Quando o vento bateu, ele estava dormindo no momento em que um fiel contava seus pecados. Nosso prefeito diz o seguinte: "Eu durmo três horas, medito, e fico inteiro". Aí, quando começa a trabalhar, dá um cochilo. Aí, eu digo, em tom de brincadeira: "Você está fazendo feito Frei Damião".

No segundo turno, João Braga se destacou como principal orientador de João Paulo para os debates na televisão?

      Não, não era só o João Braga. Era João Costa, Luciana Azevedo, João Braga, o Alexandre Rands e eu. Claro que a colaboração de Braga foi importante, mas era uma equipe.

 Como o senhor avalia o desempenho de João Paulo nos debates?

       Eu conheço livros de colegas seus que se tornaram marqueteiros, especialistas no assunto, que são unânimes em dizer que "o que vale do debate é a impressão que fica". Então, se João Paulo se confundia um pouco nos debates, Roberto Magalhães se confundia mais ainda. Eu me recordo, por exemplo, de diversas situações. Talvez João Paulo levasse desvantagem se o adversário fosse alguém que tivesse uma certa intimidade com a televisão, e também, intimidade com o debate, uma troca de opiniões, o que o doutor Roberto não tinha. Ele era muito tenso na televisão, Enquanto João Paulo, não, passava tranquilidade. Nós achávamos que João Paulo deveria ser natural. Aí, eu dizia até o seguinte: "Não importa se você comete algum erro de concordância, pronuncia uma palavra atravessada, você é isto. Se você quiser falar bonito, e revelar o conhecimento técnico que você não tem, você corre o risco de se descaracterizar".

Como telespectador, a gente percebia que os dois candidatos, nos debates, ficavam extremamente tensas, não lembro dessa tranquilidade de João Paulo.

       Todos os dois, é verdade, passavam isso. No último debate, na Globo, aconteceu um fato engraçadíssimo. Chegando lá, as regras que imaginávamos que iam funcionar não eram bem assim, como havíamos entendido. Houve algum problema de comunicação com a Globo, ou deficiência nossa, nós preparamos as perguntas que João Paulo faria Roberto Magalhães. Provavelmente, a equipe dele também fez o mesmo. Quando nós chegamos lá, ambas as equipes, ficamos sabendo que, no bloco das perguntas de um ao outro, eles teriam que improvisar na hora, e os temas eram livres. Aí, ficamos tensos, porque João teria que inventar na hora. Então, tem um momento que é engraçadíssimo, em que João Paulo lembra-se que nós tínhamos preparado uma pergunta sobre a Conferência Municipal de Educação, que o doutor Roberto não havia feito no seu governo e isso revelava o método autoritário de conduzir o governo. Essa era a tese. Aí, João Paulo anuncia: "Vou perguntar sobre educação". Aí, João destaca a necessidade de uma gestão democrática e arremata dizendo que o prefeito não realizou Conferência Municipal de Saúde. Era de educação, e ele falou de saúde. Aí, nós botamos a mão na cabeça. Aí Roberto vai para resposta e diz, assim: "Ele disse que vai me perguntar sobre educação, e me pergunta sobre saúde". Aí, quando ele responde, fala sobre transporte (risos). Foi um alívio para a gente, mas aquilo virou uma confusão. Quer dizer, ambos estavam muito nervosos. É muito difícil aquilo ali, porque o sujeito sabe que não é o conhecimento dele que vai ser posto em prática, impressão que ele fica. Não é fácil não.

Como foi o dia D para vocês?

        Terminamos de votar, nós nos separamos. Eu fui de casa para tomar um banho. Só que a velocidade da apuração é muito grande uma hora e pouco depois, o rádio mostrava que o resultado estava pau a pau. Eu cheguei primeiro do que João Paulo e já encontrei a rua Gervásio Pires tomada. Quando desci, já fui carregado nos braços, com povo gritando: "Vamos ganhar". E me despejam dentro do comitê, na garagem do comitê. Nesse último momento, uma repórter, acho que do SBT, liga a câmera e diz: "O senhor vai entrar agora no ar, em cadeia nacional, para falar sobre a vitória. E eu disse: "Eu não falo. Não vai ligar isso aí, não. Não bote no ar, não. E fiquei ouvindo o programa de Geraldo Freire, apuração a Rádio Jornal do Commercio: "Faltam 'tantos' por cento, está terminando, está terminando..." E a repórter fale, agora, fale. Eu digo: "Não falo não!" Quando Geraldo Freire disse: "Concluída apuração", aí entra imediatamente aquela vinheta do programa dele, e já uma gravação: "Amanhã, 11h00 da manhã, debate do prefeito eleito João Paulo". Eu me emociono porque, nessa hora… Rapaz… Puta que pariu… Um negócio assim… Mas, aí a reporte ainda estava insistindo. Eu disse: "Me solta aqui". E disse: "Eu falo.". Aí, falei naquela confusão, que aumentou muito mais com a chegada de João Paulo.

O senhor lembra do que disse, textualmente?

           Não me lembro não. Realmente, não me lembro. Agora, me recordo bem que nós fomos para o primeiro andar, e diante de vocês todos, jornalistas, João deu a primeira entrevista coletiva. Eu não sei as palavras, mas ele diz que foi vitória do povo do Recife, uma vitória de todas as forças que contribuíram para a campanha e tal, e foi logo se comprometendo em fazer um Governo amplo, plural, essa coisa toda, e tal.

Luciano, esse Governo amplo, plural, na prática não chegou de fato porque os partidos aliados no segundo turno estão, hoje, praticamente fora da prefeitura e do palanque da reeleição. O que foi que aconteceu?

          Eu acho que o layout está mais estreito do que na prática. Vou traduzir isso… Uma ressalva: eu tenho maior respeito por todos os partidos. E vou, aqui, fazer umas observações, mas não tenho intenção nenhuma de menosprezar os partidos. Mas o que é que acontece? O PL não nos apoiou, nem no primeiro, nem no segundo turno, certo? Então o PL conta como sendo um partido que rescindiu. Onde está o PTB da época? Seria importante que o PDT estivesse conosco, mas o PDT que está com Joaquim, não é o PDT que nos apoiou na eleição, na prática. O PDT que nos apoiou na eleição, que concorreu com a votação que foi decisiva para nossa eleição, é o PCdoB, pedindo, sem nenhum menosprezo pelo PDT, e que está representado por Vicente André Gomes. O que ficou do PDT no Recife é residual. Pode até ser que o PDT, hoje, venha se fortalecido com ingresso de outras pessoas que não estiveram conosco. Já o PSB em se afastou do nosso Governo de livre e espontânea vontade, não é questão de habilidade, porque o argumento que o PSB utilizou para se afastar do Governo é a discordância em relação a boa relação que existe entre a prefeitura e o Governo do Estado. Em relação a isso, não tinha como contemplar o PSB. Com todo respeito, toda sinceridade e o apreço que a gente tem para com os companheiros do PSB. A boa relação com o governo do estado é um dever constitucional. Segundo, é um compromisso que todo governante deve ter. Relações institucionais proveitosas, produtivas. Não cabe misturar embate eleitoral com governo, diferenças políticas com ideológicas com desencontros administrativos. As coisas são distintas. E o PPS, quando Waldemar Borges se afastou do Governo, não retornou ao Governo porque assim não quis. Agora, eu receio, não tenho opinião precisa de quem tenha faltado, talvez, um maior empenho da parte de nós todos - não é só do prefeito - No sentido de contornar dificuldades que possam ter surgido, no sentido de, não só assegurar que todos os que estiveram conosco permanecessem no Governo, como também de agregar mais outros ainda.

O senhor acha que a história se repete, ou seja, João Paulo une todos os partidos no segundo turno, novamente?

           O processo político fosse dá segundo a vontade subjetiva dos homens até certo ponto. Porque há fatores objetivos, na realidade concreta, que conduzem a aproximação de uns com os outros, ou a separação de uns e outros, e numa certa medida extrapola a vontade subjetiva dos atores ali na cena. A outra, é que a história não se repete, a não ser como farsa. Imaginar que as eleições deste ano reproduzam as eleições de quatro anos atrás no Recife em impensável.

Daí a preocupação de vocês de fazer esse esforço, de agregar mais…

 Eu acho que o quadro é muito diferente, não só do nosso lado. Nós derrotamos doutor Roberto Magalhães com toda a aliança governista junta. O fato político mais importante até agora, nessa eleição, se deu do lado de lá. É o surgimento de dois pré-candidatos potencialmente muito fortes. Expressão de uma divisão, que é o que dizem, é irreversível, entre dois blocos da base de sustentação anterior do governador Jarbas Vasconcelos. Esse é o primeiro fator novo, que já deve conduzir as eleições, quase que inevitavelmente, para o segundo turno. E pouco provável que sejam os dois. Porque um dos dois vai se afirmar como expressão desse polo. Por mais limitações que existam. Do lado de cá, eu acho que se alguém imaginar que nós podemos fazer algo parecido, iniciar a batalha no primeiro turno com a coligação estreita, pequena, e que isso já nos garante, antecipadamente, o segundo turno, está equivocado. Nós temos necessidade política de juntar o máximo de forças que seja possível juntar, não só partidárias, mas também sociais.


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09/04


2021

Príncipe Philip morre aos 99 anos

O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, do Reino Unido, morreu aos 99 anos, disse hoje o Palácio de Buckingham. Ele iria completar 100 anos em junho deste ano.

A causa da morte ainda não foi revelada. Em fevereiro, ele passou mal e foi internado como "medida de precaução". No entanto, o príncipe precisou ser submetido a uma cirurgia cardíaca. Ele recebeu alta depois de um mês.

"É com profunda tristeza que Sua Majestade a Rainha anuncia a morte de seu amado marido, Sua Alteza Real, o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo", disse o palácio em um comunicado.

O príncipe "faleceu pacificamente esta manhã no Castelo de Windsor", diz a nota. "Novos anúncios serão feitos no devido tempo. A Família Real se une às pessoas ao redor do mundo em luto por sua perda."

Seu nome oficial era de Duque de Edimburgo. Ele esteve ao lado do reinado de sua mulher, o mais longo da história do Reino Unido, durante 69 anos. Nesse período, ele construiu uma reputação de ser sério, mas propenso a cometer gafes.

Ele se casou com Elizabeth em 1947 e teve um papel fundamental na modernização da monarquia no período pós-Segunda Guerra Mundial. Por trás das paredes do Palácio de Buckingham, era a única figura chave a quem a rainha podia recorrer e em quem confiar.

Em um discurso que marcou seu 50º aniversário de casamento em 1997, Elizabeth fez uma rara homenagem pessoal a Philip: "Ele tem, simplesmente, sido minha força e permanência todos esses anos".

Apesar do protocolo, que o obrigou a estar sempre atrás da rainha e só cumprimentar as pessoas depois dela, em privado ele era considerado o chefe da família.

Philip não acompanhava sempre Elizabeth II – ele fez mais de 22 mil eventos só. Em agosto de 2017, ele se retirou da vida pública, apesar de, eventualmente, ainda aparecer em compromissos oficiais.

A última aparição foi em julho do ano passado, em uma cerimônia militar no castelo de Windsor, o palácio onde ele e a rainha decidiram permanecer durante o período de Covid-19.

O casal teve quatro filhos, o príncipe Charles, a princesa Anne, e os príncipes Andrew e Edward.


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