Jaboatão

15/05


2021

A vergonha é verde

Por Weiller Diniz*

Nas paletas coloridas do cinema pelo mundo a liberdade é azul, a igualdade é branca, a fraternidade é vermelha e há 50 tons de cinza. No documentário Brasil a vergonha é verde, verde-oliva. Pelos dados do Tribunal de Contas da União perto de 6 mil quepes rebaixaram suas patentes, desprezaram a Nação e expuseram as Forças Armadas ao enxovalho em nome de uns trocados a mais no soldo daqueles que se engajaram no caos generalizado e mortal da atrapalhada gestão do capitão.

Os expoentes máximos da inépcia, sinônimos do morticínio na pandemia e símbolos do desprezo pela vida têm as mesmas origens nas tropas verdejantes: o capitão Bolsonaro, expulso do Exército, o general de divisão Eduardo Pazuello e um perfilamento de outros generais igualmente despreparados. Pela incompetência verificada nunca deveriam ter passado de recrutas.

Depois da condução genocida no Ministério da Saúde, o número de casos e mortes explodiu no colo adiposo de Pazuello. Quando se alistou por lá em 15 de maio de 2020 eram 14,8 mil mortes e 218 mil casos de infecção. Ao passar o bastão, 10 meses depois, em 24 de março de 2021, eram 301 mil óbitos e 12,2 milhões de casos. Na chacina sem precedentes o caos foi generalizado. Em Manaus, o desabastecimento de oxigênio matou brasileiros asfixiados, enquanto isso 70 milhões de doses do imunizante da Pfeizer foram desprezadas pelo governo federal, que nem sequer houve deu respostas à empresa farmacêutica. O general também recuou, por subserviência acrítica, na compra de 46 milhões da vacina do Butantan. O general Pazuello foi rebaixado e humilhado pelo capitão para desfazer a compra. Saiu-se com um vexatório “um manda, outro obedece”. Se tivesse um mínimo de dignidade, deveria ter pedido baixa imediatamente.

Pazuello também passou por outras desonras ao ser sitiado pelo STF e obrigado a divulgar um plano nacional de vacinação, inexistente no auge da pandemia. O improviso da cavalaria se deu depois do adestramento judicial. Na solenidade do anúncio de um arremedo do tal plano, ao tentar escamotear o atraso brasileiro, novamente brilhou a estrela da parvalhice. “O povo brasileiro tem capacidade de ter o maior sistema único de saúde do mundo, de ter o maior programa nacional de imunização do mundo, somos os maiores fabricantes de vacinas da América Latina. Para que essa ansiedade, essa angústia?”. A triste verdade, que chora “no céu da pátria neste instante” é que o Brasil está na retaguarda da imunização com doses insuficientes e descontínuas. Somos um pelotão abandonado à própria sorte por alguns generais obtusos.

Em outra forma da desonra, o mago da logística ilógica desperdiçou uma fortuna para estocar cloroquina para anos. O medicamento é inútil para o tratamento da Covid 19 e tem graves efeitos colaterais. Além disso quase perdeu cerca de 7 milhões de testes em um país marcado pelo déficit de testagem. Os argumentos para justificar o entupimento dos paióis do Exército com a cloroquina são de soldado raso: “Nesse sentido, e dentro do que revela a experiência humana, não poderia ser exigível comportamento diverso do Laboratório Químico Farmacêutico do Exército, senão a busca dos insumos necessários e pronto atendimento às prementes necessidades de produção da Cloroquina que, por seu baixíssimo custo, seria o equivalente a produzir esperança a milhões de corações aflitos com o avanço e os impactos da doença no Brasil e no mundo.” São milhares de comprimidos estocados por falta de demanda e com suspeitas de superfaturamento.

Alegando respeito às recomendações de distanciamento social, que sempre ignorou, adiou o depoimento à CPI. Se cerca de advogados para procrastinar ou silenciar durante o depoimento. Ao ser convidado como testemunha, Pazuello, que é investigado em um inquérito aberto pela Procuradoria Geral da República, pode ficar sitiado a ponto de não conseguir preservar o capitão, responsável pessoal pela indicação de medicamentes ineficazes e atraso na aquisição de vacinas. Além de desprezar vacinas, Bolsonaro deu uma ordem para cancelar a compra dos imunizantes do instituto Butantan. ” Já mandei cancelar se ele [Pazuello] assinou. Já mandei cancelar. O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade”, disse em 21 de outubro de 2020 assumindo a autoria de uma ordem irresponsável que custou milhares de vidas e pelas quais ele pode pagar muito caro.

A estratégia de Pazuello ao ingressar na fortificação da Saúde foi a camuflagem total. Desativou as entrevistas diárias, retardou a divulgação dos dados de mortes e contaminados e até mesmo tentou esconder nossas vergonhosas estatísticas. Como seus preceptores no golpe de 1964, quis ocultar os cadáveres. O STF enquadrou o general e mandou dar publicidade diária do balanço da Covid 19. Em uma das primeiras marchas públicas, na Câmara dos Deputados, derrapou feito sobre o clima, embaralhando o inverno das regiões brasileiras com o hemisfério norte. Depois se desinibiu em novos disparates. Disse ignorar o que era SUS e também o que foi o AI-5. As continências vassalas ao obscurantismo desabonaram a imagem do Exército, desmoralizaram a formação de seus oficiais e envergonharam as Forças Armadas. O céu da pátria não é mais risonho e límpido.

O então secretário de Atenção Especializada à Saúde, coronel Luiz Otávio Franco Duarte, despachou uma ordem unida para uso da cloroquina, remédio sem eficácia comprovada, rechaçado pela ciência e autoridades mundiais de saúde. Charlatanismo, curandeirismo e exercício ilegal da medicina estão no Código Penal. Élcio Franco, coronel aposentado, ex-número 2 da Saúde e agora na Casa Civil, desdenhava das vacinas e defendia o uso de cloroquina. Em um grupo de conversas, revelado pelo jornal “O Globo” chegou a dizer em 12/6/2020 que as mortes estavam caindo drasticamente devido do “protocolo Bolsonaro. É mesmo coronel, segundo testemunhou o CEO da Pfeizer, Carlos Murillo, que comandava as negociações da vacina, atrasadas em mais de 6 meses. Élcio Franco é presença certa nos desdobramentos da CPI.

Outro exemplo valoroso das nossas Forças Armadas é o ministro general Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil. Gravado em uma reunião que pensava ser reservada, o general disse que tomou a vacina contra a Covid-19 “escondido” e que tentaria convencer Jair Bolsonaro a se imunizar também: “Tomei escondido, né, porque a orientação era para todo mundo ir pra casa, mas vazou. Não tenho vergonha, não. Eu tomei e vou ser sincero. Como qualquer ser humano, eu quero viver, pô. Se a ciência e a medicina tá (sic) dizendo que é a vacina, né, Guedes, quem sou eu para me contrapor? Estou envolvido pessoalmente, tentando convencer o nosso presidente. Nós não podemos perder o presidente para um vírus desses. A vida dele, no momento, corre risco”. Difícil compreender a lógica da amarelada. Sabe que a vacina, renegada pelo capitão, é proteção da vida, mas ainda assim serve ao obscurantismo com subserviência. Fica a pergunta do general: quem é Bolsonaro para se contrapor à ciência e à vacina?

Ao fazer considerações sobre os expedicionários brasileiros na segunda guerra, o ministro da Defesa, General Braga Neto expediu uma nota que soou como ameaça: “A “cobra fumou” e, se necessário, fumará novamente”. Mesmo padrão do general Augusto Heleno na nota golpista de 22/5/2020: “O pedido de apreensão do celular do Presidente da República é inconcebível e, até certo ponto, inacreditável. Caso se efetivasse, seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência inadmissível de outro Poder na privacidade do Presidente da República e na segurança institucional do País. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República alerta as autoridades constituídas que tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. Vergonha maior foi o avião presidencial servir para tráfico de cocaína nas barbas do general. Braga Neto também convocou a reunião para alterar a bula da cloroquina, segundo testemunhou o chefe da Anvisa à CPI.

A vergonha verde-oliva precisa ser pública e historiada. Ela extrapolou no depoimento biográfico do general Villas Bôas, que assumiu uma pressão ilegítima sobre STF. O ex-comandante do Exército narrou uma versão, segundo a qual, em abril de 2018, o Alto Comando teria tramado postagens com ameaças a Suprema Corte para não conceder um habeas corpus que poderia ter impedido a farsa da prisão do ex-Presidente Lula. A prisão se consumou por 6×5 votos e Lula foi riscado da cédula eleitoral, abrindo a trincheira do fascismo. O presidente do STF, Luiz Fux, disse ter uma mensagem do ex-ministro da Defesa desautorizando Villas Bôas: “foi declaração isolada do ministro Villas Bôas no momento de fazer sua biografia, não há nenhuma concordância das Forcas Armadas em relação a pressão sobre o Supremo”.

As Forças Armadas também passam vexame nos desperdícios do dinheiro público. Apenas em gastos supérfluos em 2020, o governo mastigou R$ 2,2 milhões com chicletes, torrou R$ 32 milhões com pizzas e refrigerantes e entornou R$ 15, 6 milhões em leite condensado para suas tropas. Um levantamento feito por deputados do PSB no orçamento mostrou que as Forças Armadas adquiriram 80 mil unidades de cerveja e 700 mil quilos de picanha. O estudo aponta um superfaturamento superior a 60%. No cardápio do rancho foram incluídos ainda bacalhau, uísque 12 anos e conhaque para o alto comando. Esses dados engrossam a farra de R$ 1,8 bilhões gastos para a ração da tropa. Os militares de pijama com função gratificada no governo ainda vão ganhar mais rompendo o teto constitucional (R$ 39,2 mil), como Braga Neto e Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno. A autorização é de Paulo Guedes, que quer mais impostos, pobres fora da universidade e taxar livros.

A farda é uma farra também no nepotismo. A Casa Civil, ainda quando tocada pelo general Braga Neto, autorizou a nomeação da filha dele para uma gerência na Agência Nacional de Saúde. O recuo veio depois da granada nepotista explodir. A filha de Pazuello emplacou no governo do Rio. A filha de Eduardo Villas Bôas ganhou um posto na pasta de Damares. O filho do vice Mourão teve 2 promoções em 6 meses no Banco do Brasil. Carlos Bolsonaro comentou: “Nova promoção! Parabéns”. O comando é do próprio capitão: “Se eu puder dar um filé para meu filho, eu dou”. O erário é público, não doméstico.

As patentes no Brasil quase sempre foram sinônimo da morte. O “braço forte, mão amiga” armou os fortes na ditadura para disparar contra o próprio povo, maculando a história com sangue e infâmia. Entre os facínoras mais impiedosos estavam torturadores, os heróis de Bolsonaro: coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (chefe do DOI-CODI) e o major Sebastião Curió (responsável pela morte de 41 pessoas na guerrilha do Araguaia). Carniceiros que usaram suas divisas para patentear no Brasil os crimes contra a humanidade, transformando “o sonho intenso e o raio vívido de amor e esperança” em um funesto pesadelo.

O “braço forte” segue cultuando o pretérito macabro ao servir a um celerado que faz apologia à tortura e à morte. Hoje, a vergonha brasileira é de um verde-oliva, que vem mudando de tom e amarelando. Exceção ao depoimento do contra-almirante Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa, que confrontou Bolsonaro na CPI, sem a subserviência de outros colegas fardados.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no site Os divergentes.


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Comentários

Fernandes

Weiller, certíssimo, esse marco de camaragibe é fresco

marcos

Weiller, depois que tu perdeste a boquinha no senado só escreve Merdané?


Olinda

15/05


2021

Em ato, Bolsonaro volta a falar em fraude nas eleições

UOL

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje (15) que "sem voto auditável" o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencerá as eleições de 2022 "pela fraude". Mais uma vez, Bolsonaro participou de um evento com aglomeração sem usar máscara e voltou a criticar as medidas de isolamento social para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

"Se tiraram da cadeia o maior canalha da história do Brasil, se para esse canalha foi dado o direito de concorrer, o que me parece é que, se não tivermos o voto auditável, esse canalha, pela fraude, ganha as eleições do ano que vem. Não podemos admitir um sistema eleitoral que é passivo de fraude", disse Bolsonaro.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o processo de voto eletrônico já passa por auditoria. O tribunal afirma que, desde 2002, quando a auditoria passou a ser feita em todos os estados, o processo nunca apontou falhas que pudessem alterar os resultados das eleições.

Milhares de apoiadores do presidente acompanharam o discurso, em frente ao carro de som, aglomerados e grande parte deles sem máscara de proteção contra a covid-19. Bolsonaro chegou ao ato montado em um cavalo junto a alguns ministros.

Pesquisa Datafolha divulgada esta semana mostrou que Lula lidera a corrida eleitoral de 2022. Em um possível segundo turno contra Bolsonaro, o ex-presidente tem 55% de intenção de voto, contra 32% do atual chefe do Executivo.

A fala de Bolsonaro ocorreu em um carro de som que integra uma manifestação de apoio ao presidente, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. No veículo, estava escrito: "Faça o que for preciso, eu autorizo, presidente".

Em cima do carro de som, antes das principais falas ao microfone, Bolsonaro disse que o local estava muito cheio e uma bagunça. "Ou desce a metade desse povo ou eu desço."

Ministros sem máscara

Ministros do governo Bolsonaro também fizeram falas no carro de som — assim como o presidente, nenhum deles usava máscara de proteção contra a covid-19. Em mensagem breve, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, exaltou a importância do agronegócio.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, defendeu o trabalho do governo no desenvolvimento de rodovias e ferrovias que beneficiam os ruralistas. "O agro é o maior amigo do meio ambiente, essa é a verdade. As cidades é que poluem. O agro brasileiro é exemplo para todo o mundo", falou Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

O ministro do Turismo, Gilson Machado, tocou sanfona, como costuma fazer em lives e até em eventos com Bolsonaro, e também proferiu palavras de apoio ao governo. O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e o tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet eram outros presentes no carro de som.

Em determinado momento, os apoiadores de Bolsonaro gritaram "Renan, vagabundo", em referência ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, no Senado. Além do Hino Nacional e oração, o ato contou com uma música de um artista gaúcho.

Na canção, ele elogiou o governo e criticou o comunismo. Também declarou que a "desgraça do país é um tal de STF". Em resposta, o público se exaltou mais ainda em apoio a Bolsonaro.

Ao lado do músico, o presidente da República não fez menção para que parasse com as críticas ao Supremo. Em outro momento, enquanto Bolsonaro cumprimentava os apoiadores, o carro de som puxou o grito de "voto impresso auditável".

No ato, Bolsonaro defendeu a aprovação de projeto no Congresso que trata da obrigatoriedade de votos impressos, sem a extinção da urna eletrônica. O texto é de autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e tem o apoio da bancada bolsonarista.

Em 2020, Bolsonaro disse haver provas de fraudes no primeiro turno das eleições de 2018, pleito em que se elegeu à Presidência. Mas, Bolsonaro nunca apresentou as supostas provas.


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Ipojuca 2021

15/05


2021

Morre fundador do Balé Popular do Recife

O coreógrafo André Madureira faleceu, hoje, aos 69 anos, na capital pernambucana. Ele foi o responsável por fundar o Balé Popular do Recife, que também tinha sua direção.

Madureira se tornou patrimônio vivo de Pernambuco em 2017. Ele estava internado há duas semanas no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Boa Viagem, Zona Sul recifense, devido a uma infecção pulmonar.

O artista também enfrentava há 20 anos o Mal de Parkinson. André Madureira deixa esposa, cinco filhos e 12 netos.

Prefeito do Recife emite nota de pesar

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), lamentou a morte do fundador do Balé Popular da cidade por meio de nota:

"Criador do Balé Popular do Recife e Patrimônio Vivo de Pernambuco, André Madureira fará uma falta imensa à nossa cultura, à nossa cidade. Era puro talento, criação e, sobretudo, paixão pela dança. Lutou para manter as tradições do nosso povo de maneira firme e encantando gerações. Minha solidariedade e o meu desejo de força aos familiares, amigos e a todos que sentem a perda desse multiartista."


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CABO

15/05


2021

Jornalista fala sobre convívio com Fernando Santos

"Meu caro Magno,

Leitor e admirador do Blog e do teu trabalho, venho acompanhando a série de matérias sobre o Grupo João Santos e os familiares do fundador. Não tenho procuração para defender o sr. Fernando João Pereira dos Santos. Mas, crente que o exercício do Jornalismo é, como você vem fazendo “a busca permanente da verdade”, permita-me prestar o depoimento a seguir.

Convivi por cerca de uma década, entre meados de 1980 e 1990, com Fernando Santos. Primeiro, socialmente, como frequentador, colega de diretoria e do Conselho Deliberativo, do Cabanga Iate Clube. Era uma extensão das nossas casas e a residência de Fernando, em Maria Farinha, uma espécie de continuação do clube náutico. Ficamos amigos. Convivíamos, incluindo nossas famílias. 

Com a participação de outros amigos, jogávamos pôquer e éramos parceiros de uisquinhos, as melhores formas, acredito, de se conhecer o caráter das pessoas. A casa de praia não tinha luxos e Fernando Santos nunca foi de ostentar riquezas. Se identificava muito com as coisas do oceanos - barco, o comandante 'Jararaca', que parecia saber tudo do mar, as comidinhas simples de beira de praia.

A convite dele,  Fernando Santos, trabalhei na área de Comunicação do Grupo. Viajamos muito por grande parte do País, onde o Grupo mantinha negócios. Fernando era o líder inconteste e um chefe habilidoso, respeitado e tolerante. Em Vitória (ES), reformulamos o jornal A Tribuna. Para a gerência da Redação, levei nosso colega, já falecido, Gilberto Prado e o consagrado Clodomir Bezerra, ex-diretor de fotografias da revista Veja. Montamos a TV Tribuna-PE. Da logomarca aos quadros da Redação. Era uma grande equipe. 

Por divergências profissionais, pedi para sair. A partir dali, em 1995, não tive mais contacto ou qualquer convivência com ele. Nem pessoal, nem profissional. Mas eu sabia que Fernando Santos vivia amargas experiências pessoais. A morte do filho adolescente, em trágico acidente; uma separação litigiosa e outro casamento. Na área empresarial, as várias crises que pautaram a economia brasileira, afetaram diretamente o Grupo. E a situação tornou-se incontrolável.

Claro que também sou solidário aos trabalhadores, especialmente nossos colegas jornalistas, que não recebem seus salários. É injustificável. Já as sonegações fiscais, embora não sendo inéditas na história tributária do Brasil, também não justificam a espetaculosa ação da Polícia Federal, que deu margem a todo esse escândalo e que vem sendo rotina. 

Faço votos, sinceros, de que Fernando Santos possa soerguer o Grupo, dos poucos pernambucanos de raiz, que subsistem na economia nordestina.    

Aldo Paes Barreto, jornalista"


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15/05


2021

Bolsonaro, Lula e as circunstâncias

Por Marcelo Tognozzi*

frase do filósofo espanhol José Ortega y Gasset –“Eu sou eu e minhas circunstâncias”– cabe como uma luva na disputa eleitoral que se inicia. Bolsonaro é ele, Lula e as circunstâncias e vice-versa. Filhos de gente humilde, tanto os imigrantes italianos da família de Bolsonaro quanto os nordestinos da família de Lula fugiam da fome e da pobreza. Mergulharam na luta de pela vida.

Fico imaginando como deve ter sido dura a vida dos meus bisavôs espanhóis Antônio Barroso e Carmen Moreno, um casalzinho de moços recém-casados saindo do porto de Málaga, na Andaluzia, naquele início do século 20, dias a fio amontoados na barriga de um navio até desembarcar num país desconhecido, língua estranha, apostando tudo no grande sonho de poder comer, criar seus filhos, progredir.

Lula e Bolsonaro trazem este traço da sobrevivência impresso no seus DNAs. Embora tenham 10 anos de diferença um do outro, ambos viveram no mesmo Estado de São Paulo e viraram o que são hoje debaixo do governo militar. Saíram da pobreza para a classe média baixa, ingressando no Exército e no movimento sindical. Bolsonaro nos anos 1980 era uma espécie de líder sindical dos jovens oficiais da Vila Militar do Rio, com suas reivindicações por melhores salários e boas relações com a imprensa. Lula, na sua Vila Eurípedes, não foi diferente, embora mais popular e líder de massas. Ambos acabaram presos e processados. E saíram da prisão para entrar na política de corpo e alma.

Cada um viveu sua circunstância particular até o momento em que o destino os levou a compartilhar circunstâncias. E de todas, a mais importante é a de um país dividido entre o ex-capitão e o ex-sindicalista. As últimas pesquisas espontâneas mostram isso com clareza, embora a mídia costume torcer o nariz para este tipo de aferição simples e direta: “Se a eleição fosse hoje em quem o senhor(a) votaria para presidente?”.

Eles estão rigorosamente empatados, cada um com 20% das preferencias (na pesquisa espontânea da XP Bolsonaro tem 25% e Lula 21%; no Datafolha, Lula tem 21% e Bolsonaro 17%). Há um mar de gente, uns 60%, que não sabem em quem votar ou que desejam votar em branco ou anular. A maioria não está preocupada com eleição. São uns 100 milhões de eleitores pobres que ganham até 3 salários-mínimos, cuja prioridade é melhorar de vida, como era a prioridade dos ancestrais de Bolsonaro e de Lula.

Os que declaram apoiar Lula ou Bolsonaro são aqueles dispostos a tudo para ver seu candidato vencedor. Há ainda os nem-nem, que não querem votar em nenhum dos dois. Estes estão órfãos faz tempo, porque até agora as chamadas forças de centro –se é que podemos chamar de “forças”– não foram capazes de construir uma opção eleitoralmente viável.

É terrível quando os principais veículos de comunicação estão mais preocupados com o 2º turno do que com o 1º. É questionável a opção de transformar em principal destaque de uma pesquisa os resultados das simulações do 2º turno, mostrando que a maioria dos nomes venceria Bolsonaro, quando a simulação do 1º turno não indica que serão capazes de derrotar os 2 líderes. Acaba contribuindo para tumultuar ao invés de esclarecer.

Bolsonaro tem mostrado claramente que sua estratégia até outubro de 2022 será cair nos braços do povão, especialmente os trabalhadores que empobreceram durante a pandemia. O presidente tem dito que a volta da fome e do desemprego é culpa de quem quis fechar tudo e obrigar as pessoas a ficar em casa. Num país onde as classes B2, C e D concentram a maioria dos eleitores, será épico o duelo entre o discurso de Bolsonaro e o de Lula, pregando a volta do consumo e do estado provedor.

Onde está o espaço para o centro, 3ª via ou seja lá o nome que queiram dar? Se perde um tempo enorme com os adoradores de Onã fazendo projetos e medições, certos de que irão viabilizar o inviável.

Ciro Gomes, que aparece com 3% nas espontâneas, tem sido nosso Juarez Távora do século 21 –Juarez foi tenente em 1922, interventor no Ceará, conhecido como Leão do Norte; era forte, assertivo, mas sempre no 2º pelotão de todos os páreos presidenciais que disputou; Ciro tenta a presidência desde 1998, mas tem um caso de amor mal resolvido com as urnas. Mandetta não foi capaz de furar a bolha do onanismo e Sergio Moro, desmoralizado pelo Supremo, caiu nos braços do american way of life. Sobra Luciano Huck, filho da fina flor da pauliceia, competente, inteligente, mas sem o couro duro tão necessário para enfrentar petistas e bolsonaristas, cuja prática tem sido deixar corpos esquartejados pelo caminho. Que o diga a experiente Marina Silva, massacrada em 2014 os alguns ex-aliados do atual governo.

A tendência é que a polarização entre Lula e Bolsonaro seja cada vez mais forte, unindo-os cada vez mais pelas circunstâncias de um país dividido numa disputa de tudo ou nada. As pesquisas espontâneas, embora tratadas como de 2ª linha pelos editores, são valiosas para mostrar a realidade tal como ela é; não como imaginamos que possa ser nos exercícios de simulações.

Mostram a conexão da qual falou o psicólogo e sociólogo francês Gabriel Tarde em seu clássico “A Opinião e as Massas”, publicado em 1901. Tarde fala do público como uma coletividade puramente espiritual, na qual há coesão de indivíduos fisicamente separados.

Há, segundo ele, um vínculo criado a partir da simultaneidade das suas convicções e paixões, dando às pessoas a certeza de que aquilo que acreditam é compartilhado por milhões. Se isso corria feito rastilho de pólvora há 120 anos, hoje viaja na velocidade da fibra ótica. Muita coisa pode acontecer, inclusive nada, mas até aqui as eleições de 2022 caminham para ser o Brasil, Bolsonaro, Lula e nossas circunstâncias.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no site Poder360.


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Fernandes

Pelo andar da carruagem, o Lula será o presidente do Brasil em 2022, o bozoloide tá com um medo arretado, sabe que o bozonaro vai perder, e ai fica tergiversando.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Pelo andar da carruagem, o Lula não sei candidato. O medo de perder e sair desmoralizado faz dele um político que não quer perder seu prestígio eleitoral. Basta ver na eleição do segundo mandato da Dilma, ele era o candidato certo e bastou o Aécio Neves subir nas pesquisas para ele desistir e deixar a Dilma na reeleição. Justamente por ser uma disputa acirrada, o Lula deverá indicar novamente o Haddad.


Petrolina abril 2021

15/05


2021

Donos de confecções repudiam novas restrições

O anúncio de que o governador Paulo Câmara (PSB) preparou novo decreto com medidas restritivas para 53 municípios do Agreste pernambucano já causou reação de comerciantes de cidades como Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. Isso porque o Polo de Confecções terá de fechar aos finais de semana e segundas, bem como o comércio de roupas em geral.

A determinação passa a valer a partir da próxima terça-feira (18) e segue até 31 de maio. O Blog recebeu mensagens de donos de confecções repudiando as novas ações do Governo do Estado.

"As feiras de roupas das cidades de Toritama e Santa Cruz do Capibaribe começam hoje. Esse governador quer quebrar o Polo de Confecções", disse um leitor, que optou por preservar a identidade.

"A partir de amanhã (16), as feiras vão acontecer aos domingos. Essas feiras mudam para os domingos apenas nos meses de alta temporada, que são maio e junho e novembro e dezembro", explicou uma proprietária de uma confecção. Com as novas medidas, estas feiras estarão suspensas.


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Bandeirantes 2021

15/05


2021

Bolsonaro e ministros almoçam com ruralistas

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou, hoje, de um almoço no Centro de Tradições Gaúchas Caetano Braun em Brasília. Sem máscara, ele tirou fotos e cumprimentou apoiadores, que se aglomeraram ao seu redor. O comportamento é criticado por aumentar as chances de transmissão da Covid-19. As informações são do Poder360.

O deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) publicou um vídeo do evento no Facebook. Pelo menos três ministros estavam presentes, de acordo com as imagens: Braga Netto (Defesa), Gilson Machado (Turismo) e Tereza Cristina (Agricultura).

Apenas a ministra Cristina aparece no vídeo de máscara. Os demais membros do governo, bem como a maioria dos presentes, não usavam o equipamento de proteção.

Fotos compartilhadas nas redes sociais mostram os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) no evento. O deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) também estava presente.

Bolsonaro foi cercado por dezenas de apoiadores que gritaram expressões como “mito!” e “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão!”. Segundo convidados, o almoço foi organizado por representantes do agronegócio.

O mesmo grupo coordena atos favoráveis ao governo, hoje, na Esplanada. Bolsonaro já confirmou presença na manifestação em seu Facebook.


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Joao

Neste curral só anti-rábica!


Serra Talhada 2021

15/05


2021

Pimentel recebe Fernando Filho e vistoria pavimentação

O prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel (PSL), recebeu, ontem, o deputado federal Fernando Filho (DEM). Eles visitaram as obras de calçamento no bairro Universitário e também as ruas que estão sendo asfaltadas na segunda etapa do programa de pavimentação da cidade.

Segundo a Prefeitura, serão 24 ruas asfaltadas em mais de 50 mil metros quadrados de asfalto nesta fase. Outras dezenas de ruas estão recebendo calçamento em paralelepípedo em bairros como Vila Mendes, Alto da Boa Vista e nos distritos de Nascente e Morais.

De acordo com prefeito Raimundo Pimentel, essa parceria política com Fernando Filho está possibilitando a execução de grandes obras e a população vê o benefício chegar à porta da sua casa. “Cada rua que é calçada ou asfaltada representa a alegria de seus moradores que podem ver as ações da nossa parceria política batendo na porta. Araripina deixou para trás aquele passado de obras inacabadas e superfaturadas e agora nossa gente merece, cada vez mais, ações de verdade e que melhoram a vida”, afirmou.

O deputado Fernando Filho destacou que Araripina terá outras fases do programa de pavimentação em asfalto, além de apoio em todos os projetos que forem levados pelo grupo político do prefeito Raimundo Pimentel: “Estamos prontos para ajudar Araripina a continuar em desenvolvimento com uma gestão que trabalha em prol do nosso povo. Na próxima etapa do asfalto é nosso desejo levar este benefício para os distritos e povoados.”

O vice-prefeito Evilásio Mateus e o deputado estadual Antônio Coelho (ambos do DEM), a ex-deputada estadual Socorro Pimentel e vereadores de Araripina também participaram da inauguração de duas quadras poliesportivas na cidade de Trindade juntamente com a prefeita Helbinha Rodrigues (PSL).


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15/05


2021

Paulo Câmara anuncia novas restrições para o Agreste

Depois de uma reunião do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, o Governo de Pernambuco anunciou, há pouco, novas medidas restritivas para a 2ª Macrorregião de Saúde, que engloba a IV e V Geres, com sedes em Caruaru e Garanhuns, respectivamente. O novo decreto voltado para a região do Agreste, que será publicado na próxima segunda-feira (17), começa a valer a partir da próxima terça (18) e segue até o dia 31 de maio. 

Durante a semana, as atividades econômicas deverão ser encerradas às 18h. Nos finais de semana, apenas supermercados, feiras livres de produtos alimentícios, farmácias, padarias e postos de gasolina poderão abrir as portas. O Polo de Confecções deverá ficar fechado aos sábados, domingos e segundas. 

“Nos reunimos hoje com os secretários estaduais, após o encontro que tivemos com todos os prefeitos e prefeitas do Agreste, na tarde da última sexta-feira, e verificamos um aumento na velocidade do número de internações e de procura pelas instituições de saúde naquela região. Isso tem nos preocupado, pois todos nós sabemos que enquanto a vacinação não chegar a todos os pernambucanos, é necessário tomar medidas restritivas para diminuir a circulação do vírus. Precisamos cada vez mais trabalhar para salvar a vida dos pernambucanos”, afirmou Paulo Câmara. “Serão 14 dias com essas novas medidas e vamos observar, ao longo desse período, as próximas etapas necessárias”, acrescentou. 

De acordo com o secretário estadual de Saúde, André Longo, foi observado um comportamento da pandemia, no Agreste, diferente de outras partes do Estado. “O que nós detectamos, nessas últimas duas semanas, foi uma aceleração maior naquela região, destoando do restante do Estado, onde temos um platô ainda em níveis elevados. Os patamares de crescimento de demandas lá superaram os 44%, enquanto no resto do Estado ficou na casa dos 9%”, comparou.

“É muito importante que seja feito um esforço por todos esses 53 municípios, reforçando o cuidado, com o uso correto da máscara, cobrindo a boca e o nariz, sempre que precisar sair de casa. O ideal é que as pessoas possam ficar em casa, além de manter o distanciamento social possível e sempre higienizar as mãos com água e sabão, ou utilizando o álcool em gel”, reforçou Longo. 


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

15/05


2021

Marília quer reza?

O que tem levado a deputada Marília Arraes (PT) a pôr, literalmente, o pé na estrada faltando ainda um ano e seis meses para as eleições de 2022? Apesar de não se colocar na disputa para o Governo do Estado, sua passagem, hoje, por Garanhuns, por exemplo, é vista por aliados e não aliados como parte de uma estratégia para fortalecer seu nome ao Palácio das Princesas.

Saindo de uma disputa desigual no Recife, na qual o que prevaleceu, na verdade, foi o poder econômico do PSB, chama atenção na movimentação de Marília a sua disposição de calçar uma bota de sete léguas para varrer o mapa geográfico do Estado.

No PSB, partido que volta a cogitar uma aliança com o PT em nível nacional, com reflexos estaduais, o que tem pesado em favor de Marília é a realidade incontestável de que é o único quadro, hoje, dentro do partido, que tem um caldeirão de votos, do litoral ao Sertão. 

Alguém já observou, nas incursões de Marília e sua turma pelo Interior, o layout que traz o coração usado na eleição do Recife junto com as cores do Estado e o sol, símbolo de energia, ao centro.

Essa alma quer reza!


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Comentários

Fernandes

Marília governadora com apoio de Lula presidente.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Magno, sei que você morre de amores por Marília. Entretanto, para eleição de Governador, precisa ter carisma, ser agregador e ter uma base política forte, principalmente nos municípios de maior densidade eleitoral como Caruaru, Petrolina, Garanhuns, Arcoverde e, claro, a Região Metropolitana. Não dá. Caso ela saia candidata, vai perder feio e ficar sem mandato de deputada.