Ipojuca 2021

20/04


2021

Coluna da terça

CPI já mapeou convocados

O plano de trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 prevê chamar ao menos seis ministros ou ex-ministros do governo Jair Bolsonaro para dar explicações sobre o enfrentamento da pandemia no País. Uma versão preliminar do roteiro, elaborado por integrantes do colegiado, também cita a necessidade de ouvir secretários do Ministério da Saúde, autoridades responsáveis pela área de comunicação e governadores.

O único prefeito citado no documento é David Almeida (Avante/foto), de Manaus, cidade em que a rede de saúde entrou em colapso no início do ano, com pacientes morrendo asfixiados após o fim do estoque de oxigênio em hospitais. Como mostrou o jornal o Estado de São Paulo, a CPI deve colocar em foco a gestão dos militares na área da Saúde.

Além do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a lista inicial das autoridades que devem ser ouvidas inclui o ex-número dois da pasta, coronel Élcio Franco, além do ex-comandante do Exército Edson Pujol, que será chamado para explicar a produção de cloroquina pelo laboratório ligado às Forças Armadas. O medicamento, sem eficácia comprovada contra a covid-19, passou a ser produzido em maior escala.

O jornal informa ainda que Walter Braga Netto, atual ministro da Defesa, que comandou um comitê de crise quando estava na chefia da Casa Civil, entre outros oficiais, também devem ir a um incômodo "banco dos réus" da comissão no Senado. A CPI deve começar a funcionar na próxima quinta-feira ou na próxima semana. Um acordo entre a maior parte dos participantes prevê que Omar Aziz (PSD-AM) seja o presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) seja o vice e Renan Calheiros (MDB-AL) atue como relator.

Pau em Bolsonaro – O documento elaborado pelos senadores traz críticas à condução do governo Bolsonaro na crise sanitária. "No início da pandemia, o governo federal tentou impedir que os entes federados pudessem tomar medidas para diminuir o ritmo de propagação do vírus, a exemplo de isolamento social, uso de máscaras e álcool em gel", diz trecho do plano. Os congressistas também mencionam a disputa travada por Bolsonaro com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

CPI presencial – O Planalto, por meio do líder do Governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), tem cobrado que a CPI funcione de forma totalmente presencial e que só comece quando os participantes estiverem vacinados. O pedido é visto como uma forma de retardar o início do colegiado que vai investigar o Poder Executivo. A presença de Pazuello é sugerida em três oitivas de testemunhas. Os depoimentos têm o objetivo de apurar a omissão do governo na falta do fornecimento de equipamentos de oxigênio para o Amazonas, o uso do aplicativo Tratecov, que estimula o tratamento precoce da Covid-19 com medicamentos de eficácia não comprovada e o emprego de verbas públicas federais para combater a crise de coronavírus no Amazonas.

Lista ampla – Além de Pazuello, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), também foi incluído no rol de testemunhas desejadas da sessão da CPI que quer apurar a falta de oxigênio na cidade. Foram sugeridos ainda os nomes de Marcellus Campelo, secretário de Saúde do Amazonas; Francisco Ferreira Filho, coordenador do comitê de crise do Amazonas; Mayra Isabel Correia, Luiz Otávio Franco e Hélio Angotti Neto, secretários do Ministério da Saúde; e um representante da White Martins, fabricante de oxigênio.

Mandeta também – Para falar sobre medidas de isolamento social foram sugeridos todos que comandaram o Ministério da Saúde do Governo de Jair Bolsonaro - Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Pazuello e o atual ministro Marcelo Queiroga. Especialistas também foram colocados no plano de trabalho, como o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino, e os médicos David Uip, Roberto Kalil e Ludhmila Hajjar, que foi cotada para assumir o Ministério da Saúde antes de Queiroga e chegou a conversar com Bolsonaro.

Na mira de Guedes – O ministro da Economia, Paulo Guedes, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, e o deputado Daniel Freitas (PSL-SC), relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) que permitiu a volta do auxílio emergencial em 2021, também estão entre aqueles que os senadores querem ouvir. Eles foram mencionados no tópico que pretende apurar o funcionamento do auxílio e outras medidas de socorro financeiro durante a pandemia.

CURTAS

VOLTA AO PSL 1 – Em negociação para retornar ao PSL, partido pelo qual se elegeu em 2018, o presidente Jair Bolsonaro colocou o fim de abril como prazo para definir seu futuro político. "Já estou atrasado. Não tenho outro partido, espero que esse mês eu resolva", afirmou o presidente na manhã de ontem, em conversa com apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada.

VOLTA AO PSL 2 – Bolsonaro deixou o PSL em novembro de 2019 após desavenças com o presidente da sigla, o deputado pernambucano Luciano Bivar. O principal motivo foi o controle do cofre da legenda, que se tornou uma superpotência partidária ao eleger 54 deputados, quatro senadores e três governadores na esteira do bolsonarismo. Com isso, a ex-sigla do presidente deve ter a maior fatia dos recursos públicos destinados a partidos políticos neste ano, de R$ 103,2 milhões.

Perguntar não ofende: Qual primeiro governador deveria ser convocado para depor na CPI?


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Petrolina abril 2021

19/04


2021

Instituto JCPM realiza novas doações de cestas básicas

A fome ainda é uma das consequências mais cruéis da pandemia. Com a necessidade de isolamento social, iniciativas públicas e da sociedade em geral são os únicos caminhos para amenizar essa problemática. Nesta terça-feira, dia 20, o Instituto JCPM inicia nova rodada de distribuição de cestas básicas, com a entrega de 3.392 unidades. Entre os beneficiados estão todos os 1.367 jovens matriculados nos cursos de qualificação oferecidos nas unidades, além do repasse para 15 instituições parceiras com atuação social nas comunidades.

Do total, 2.260 serão distribuídas no Recife nas comunidades do Pina e de Brasília Teimosa. Moradores da Ilha de Deus também foram inseridos nas doações. “É visível que a fome vem aumentando nas cidades. É extremamente duro ver pessoas que não têm absolutamente nada para comer. É preciso aumentar essa corrente de solidariedade. Sabemos que toda a sociedade está sendo impactada, mas a fome é o mais urgente dos problemas. A retomada da economia ainda é cercada de incerteza, prolongando o sofrimento de quem não tem renda”, pontua a diretora de Desenvolvimento Social do Grupo JCPM, Lucia Pontes.

Foram levados em consideração os bolsões com maior vulnerabilidade social, identificados, também, a partir de uma sondagem realizada pelo IJCPM, considerando a precariedade de estrutura das residências, além de maior quantidade de pessoas morando na mesma unidade. Outro indicador de apoio foi uma sondagem sobre os impactos da pandemia na população da região e o cadastro dos inscritos no Fundo Social – programa criado pelo Instituto em 2020 para apoiar os pequenos empreendedores informais que foram impactados com a perda de mercado consumidor.

Este é segundo mês de doação de alimentos por parte da instituição em 2021. Em março, foram doadas outras 2.955 cestas. Considerando desde o início da pandemia, chega-se à entrega de 43.215 famílias beneficiadas com a doação de alimentos.


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ALEPE

19/04


2021

Emendas vão proporcionar obras de abastecimento em Caruaru

Duas emendas parlamentares destinadas pelo deputado estadual Tony Gel (MDB), para o IPA e a Compesa, vão proporcionar investimentos na ordem de R$ 506 mil em obras de ampliação no abastecimento de água, limpeza e construção de barreiros em várias vilas da Zona Rural de Caruaru.

O parlamentar encaminhou as emendas para o IPA realizar a limpeza e construção de barreiros a fim de facilitar o acúmulo de água proveniente das chuvas e para a Compesa garantir a ampliação no fornecimento de água para famílias da zona rural do município.

Tony Gel destacou que as emendas parlamentares destinadas por ele têm como objetivo melhorarem a oferta de água para os moradores da zona rural de Caruaru. Pois, trabalhar para diminuir as dificuldades enfrentadas por aqueles que residem nas comunidades rurais tem sido a sua luta na Alepe.


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Bandeirantes 2021

19/04


2021

Confira o especial do rei

O Frente a Frente de hoje, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, que tem como cabeça de rede a Hits 103,1 FM, no Grande Recife, foi todo em homenagem ao rei Roberto Carlos, pela passagem dos seus 80 anos. Se você perdeu o programa confira agora na íntegra.


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19/04


2021

Diretor da CNI morre em decorrência da Covid-19

Morreu, hoje, em decorrência da Covid-19, o diretor de Desenvolvimento Industrial e Economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Abijaodi.

Abijaodi tinha 75 anos e estava internado desde o dia 13 de março no hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, sua cidade Natal. Deixa a esposa Zuleide, os filhos, Gustavo e Juliana, e os netos Bernardo, Matheus e Sophia.

Diretor da CNI há mais de dez anos, era tido como um dos maiores especialistas do país em política industrial e comércio exterior. “Além do amigo, perdemos também um profissional de visão e com espírito inovador, cuja trajetória foi marcada pela defesa incansável de políticas públicas pela inserção internacional da indústria brasileira”, declarou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.


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Serra Talhada 2021

19/04


2021

Live do Lançamento de livro em instantes

A dor da pandemia, meu sétimo livro, o primeiro 100% digital imposto pela crise sanitária que o mundo passa, será lançado daqui a pouco, às 19h30, por meio de uma live pelo Instagram deste blog.

Participam os jornalistas José Nêumanne, do Estadão em São Paulo, e Paulo André Leitão, do Recife. O primeiro fez a apresentação da obra e o segundo, a edição. Prefaciador, o ex-ministro José Múcio Monteiro não poderá participar. A dor da pandemia reúne um conjunto de crônicas que produzi em um ano de dor e aflição em função do rastro de mortes pela covid-19.

Durante a live, com interação dos que estiverem acompanhando, ficará disponível o pix para compra do livro a um preço simbólico de apenas R$ 10. Se você já quiser comprar o seu, basta usar o pix 187870704-30. Tão logo chegue a mim o comprovante, remeterei a obra em PDF.

Se você quiser ajudar o blog, fique à vontade em relação ao valor. Como disse, os R$ 10 são simbólicos.


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Anuncie Aqui - Blog do Magno

19/04


2021

Crimes virtuais crescem durante a pandemia

Enquanto segue como um tsunami que já matou quase 400 mil pessoas no Brasil, a pandemia da Covid-19 tem sido explorada como uma grande aliada para a prática de crimes virtuais, aproveitando-se da vulnerabilidade das pessoas em meio à crise sanitária global. Levantamento da revista Política Democrática Online de abril, produzida e editada pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), sediada em Brasília e vinculada ao Cidadania, mostra que, no ano passado, os relatos de crimes virtuais mais que dobraram, em relação a 2019.

A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, uma parceria da ONG Safernet Brasil com o Ministério Público Federal (MPF), recebeu 156.692 denúncias anônimas de crimes cometidos pela internet, em 2020. No ano anterior, foram 75.428.

A Polícia Federal investiga centenas de golpes envolvendo o auxílio emergencial. Nessa modalidade, os criminosos usam aplicativos falsos para simular o app da Caixa Econômica Federal e capturam informações pessoais dos usuários.

“Após obter esses dados, o criminoso consegue a carta coringa, literalmente, pois consegue dar vários golpes no nome da vítima e pedir o próprio auxílio emergencial”, explica o delegado Warley Ribeiro, em entrevista.

Fraudes e links falsos

De acordo com a reportagem da revista Política Democrática Online, além de golpes de auxílio emergencial e pesquisas fraudulentas sobre o coronavírus, os criminosos enviam links falsos.

Os links falsos são de supostas cervejarias com oferta fictícia de bebida gratuita a quem adere ao isolamento social e de lives de shows clonadas para desviar doações. Tudo para furtar dados do celular da vítima.

Os crimes virtuais, especialmente os estelionatos, dispararam desde o início da pandemia de Covid-19. No início da crise sanitária no país, pesquisa da Apura Cybersecurity Intelligence, empresa especializada em ameaças digitais, identificou salto de 41.000% de sites suspeitos sobre coronavírus e Covid com domínio no Brasil. Passaram de 2.236, em março de 2020, para 920.866, dois meses depois.

Ransomware

Em fevereiro deste ano, ataques cibernéticos causaram a suspensão do funcionamento de empresas do setor elétrico como a Copel e a Eletronuclear e levantaram alerta para demais companhias. Os crimes foram ransomware, cada vez mais sofisticados e que se caracterizam pelo sequestro de dados de dispositivos e liberação só com o pagamento de “resgate”

Alguns ataques causaram a suspensão do funcionamento de empresas do setor elétrico como a Copel e a Eletronuclear. Tal situação já acendeu um sinal de alerta para demais companhias do segmento.

Os crimes foram do tipo ransomware, que estão cada vez mais sofisticados, e se caracterizam pelo sequestro de dados de dispositivos e liberação apenas com o pagamento de um “resgate”.

Há ainda ataques por meio do envio de arquivos por email, muitas vezes clonados e capazes de driblar os antivírus. Mensagens em SMS com links falsos que apontam para sites falsos também são utilizados.

Orientação

O consenso entre os especialistas, conforme alerta a reportagem, é de que, apesar de serem praticados de diversas formas, os crimes cibernéticos podem diminuir caso as pessoas, como a empresária de Brasília, adotem, principalmente, dois parâmetros essenciais: desconfiar, sempre; compartilhar dados sigilosos virtualmente ou por telefone, jamais.

A edição de abril da Revista Política Democrática Online também tem entrevista exclusiva com o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, análises de política nacional, política externa, cultura, entre outras, além da reportagem especial.


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Blog do Magno 15 Milhões de Acessos 2

19/04


2021

Randolfe prepara lista com 18 alvos para apurações da CPI

Possível vice-presidente da CPI da Pandemia, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) já preparou uma lista de sugestões de requerimentos com 18 temas para, segundo ele, "encontrar o caminho que nos leve à verdade sobre quem são os responsáveis pelo genocídio no Brasil causado pela pandemia do coronavírus". As informações são do Blog do Valdo Cruz.

Entre os temas, estão: investigar a produção e a distribuição de cloroquina e defesa do tratamento precoce contra a Covid-19; a crise de oxigênio em Manaus e no país; o atraso na compra de vacinas e falta de medicamentos do kit intubação.

A seguir, os temas de requerimentos que serão sugeridos pelo senador para serem investigados quando a CPI da Pandemia começar os seus trabalhos, o que deve acontecer na próxima semana:

  • Tema 1: estratégia de comunicação do Ministério (da Saúde) acerca das ações referentes ao combate da pandemia;
  • Tema 2: ações de vigilância no mapeamento da pandemia;
  • Tema 3: produção e distribuição de cloroquina e tratamento precoce;
  • Tema 4: fechamento de mais de 4 mil leitos por não renovação de contratos nos hospitais federais do RJ;
  • Tema 5: cancelamento de leitos de UTI em 31 de dezembro de 2020;
  • Tema 6: crise de oxigênio em Manaus e no país;
  • Tema 7: atraso na compra de vacinas;
  • Tema 8: falta de medicamentos do kit intubação;
  • Tema 9: fornecimento de insumos (máscaras) sem registro para uso em estabelecimentos de saúde;
  • Tema 10: falta de testes;
  • Tema 11: falta de respiradores;
  • Tema 12: falta de estoque de seringas e agulhas;
  • Tema 13: testes vencidos em Guarulhos;
  • Tema 14: visita de comitiva oficial a Israel para conhecer spray contra Covid;
  • Tema 15: transferência de recursos do Fundo Nacional de Saúde para estados e municípios;
  • Tema 16: portaria SVS nº 28, de 3 de setembro de 2020;
  • Tema 17: portaria nº 3.190, de 26 de novembro de 2020;
  • Tema 18: Orçamento de 2021 e as verbas para saúde.


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19/04


2021

Não perca o especial do rei! É daqui a pouco

Se você é fã do rei Roberto Carlos, não perca o especial do Frente a Frente, exatamente às 18 horas, em homenagem aos seus 80 anos de vida e 70 de carreira. Majestade do romantismo, Roberto Carlos vira oitentão como celebridade da música brasileira. O programa traz depoimentos de Erasmo Carlos, da musa Vanderléia, de Martinha, Sílvio Brito e de uma grande amiga Helô Pinheiro, além de José Carlos Mendonça, o Pinga, o maior promotor de shows do rei em território nacional. 

Para ouvir o programa, gerado pela Rede Nordeste de Rádio para 44 emissoras em quatro Estados do Nordeste, tendo como cabeça de rede a Hits 103,1 FM, clique no botão Rádio acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store. 

Imperdível! 


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19/04


2021

O exemplo alemão

Por Maurício Rands*

É triste constatar o fracasso do país que amamos. E que até hoje não se realizaram as esperanças de tantas gerações. Fracassamos no crescimento, na inclusão social, na erradicação da pobreza, na consolidação de instituições democráticas eficazes, no meio ambiente, na educação. Um país de insegurança jurídica. Fracassado até mesmo na garantia das liberdades do estado de direito. Como se viu no aplauso de nossos liberais a um juiz parcial como Moro. Mesmo ele tendo violentado liberdades fundamentais e o devido processo legal. E tendo usado a toga para interferir na eleição presidencial. Tudo isso levou nossa imagem internacional à situação de pária.

Esse fracasso acentuou-se com o atual governo, dados o seu negacionismo e a péssima gestão da pandemia. Mas não se pode atribuir apenas a Bolsonaro e à extrema-direita o fracasso brasileiro. Nossas instituições e nossa sociedade estão doentes há muito. O atual presidente e seu governo-desastre são mais sintomas do que causas dos nossos males.

Um fracasso tão rotundo reclama o repensar do país. Porque é possível sair do fundo do poço. Se redesenharmos nossas instituições e mudarmos nossa cultura política. E se formularmos consensos parciais sobre um novo projeto nacional de reconstrução do país dilacerado.

Necessitamos de uma frente ampla para em pouco mais de um ano darmos fim ao triste episódio iniciado com o voto puramente ressentido de 2018. Mas uma frente ampla, fique claro, que vá além dos partidos e suas burocracias que só pensam nos espaços de poder para se auto reproduzir. O país reclama alianças de forças sociais sobre os grandes temas. A começar pelo combate ao vírus, a recuperação da economia, a reforma do estado e um plano para revolucionar a educação e os serviços básicos. Impossível? Se alguns países conseguiram, por que o Brasil não poderia se reinventar?

Uma das nações que operaram o milagre com o qual sonhamos foi a Alemanha. O país devastado que emergiu da derrota na II Guerra alcançou a estabilidade e a maturidade num espaço de tempo mais curto que qualquer outro. Soube se reunificar, com uma injeção de 2 trilhões de euros em infraestrutura na antiga Alemanha do Leste nos últimos 30 anos. Graças à taxa de solidariedade de 5,5% adicionais ao imposto de renda. Uma eficiente estrutura econômica em que centenas de milhares de pequenas e médias empresas empregam ¾ da força de trabalho (80% do PIB proveniente de negócios familiares), espalhadas em todo o território nacional.

Um exemplo de desenvolvimento industrial e tecnológico que oferta ao mundo, por exemplo, automóveis e produtos industriais da mais alta qualidade (ThyssenKrupp, Basf, Bayer, BMW, Mercedes-Benz). Um regime social de mercado, com governança corporativa em codeterminação que assegura assento aos trabalhadores nos conselhos de administração. Uma consciência ambiental que já fez chegar a 40% a proporção das energias renováveis na produção de energia elétrica (com subsídios de 25 bilhões de euros anuais). E que fez do Partido Verde uma força política com grandes expectativas para as eleições marcadas para 26 de setembro deste ano. Uma imprensa livre e comprometida com o fact-checking e o debate plural. Universidades poderosas como a de Heidelberg, berço de 56 prêmios Nobel. Um sistema político maduro, capaz até de absorver e conter o fenômeno hoje universal dos partidos de extrema-direita e xenófobos como o AfD. Um sistema político, ademais, capaz de formar coalisões entre forças políticas de origens tão distintas como o social democrata SPD e o liberal CDU/CSU, sob a liderança de Ângela Merkel. Um exemplo de estadista

 Uma sociedade madura que teve a generosidade de absorver mais de um milhão de imigrantes no único ano de 2015 em que a crise de refugiados chegara ao pico. E que hoje tem 25% de sua população com background de imigrante. Uma cultura de austeridade, avessa à ostentação consumista. O senso de responsabilidade para com os demais e para os esforços coletivos. O compromisso com a produtividade e a eficiência que libera o tempo das pessoas para o lazer, o estudo e o convívio familiar e social. 

Essa trajetória tão inspiradora está retratada no excelente livro do inglês John Kampfner (Why the Germans Do it Better, 2020). Escrito a partir de sua experiência como correspondente do Financial Times e da BBC, além de editor da New Statesman. Longe da pretensão de que o Brasil se torne uma Alemanha. Mas, no momento em que constatamos o nosso fracasso e precisamos de imaginação para reinventar nosso projeto de país, não custa olhar paradigmas de sucesso que nos possam inspirar. Esse livro conta a história de uma nação que, tendo ido ao fundo do poço do Nazismo, soube se reconstruir e consolidar uma cultura de respeito à lei e às instituições (um dos grandes orgulhos nacionais é a Constituição, a Lei Básica de 1949). E que foi capaz de combinar a busca pelo desenvolvimento com a sustentabilidade socioambiental. Pela via da democracia e do espírito comunitário. Ah como poderíamos aprender com o exemplo alemão!

*Advogado formado pela FDR da UFPE, PhD pela Universidade Oxford


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