Lavareda

28/11


2020

Datafolha: João e Marília têm 50% dos votos válidos cada

Do G1 PE

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (28) aponta os seguintes percentuais de intenção de votos válidos para a prefeitura do Recife, no 2º turno das Eleições 2020:

  • João Campos (PSB): 50%
  • Marília Arraes (PT): 50%

Em relação aos levantamentos anteriores do Datafolha, divulgados em 19 de novembro e em 26 de novembro:

  • João Campos (PSB): tinha 45%, subiu para 48% e, agora, tem 50%
  • Marília Arraes (PT): tinha 55%, desceu para 52% e, agora, tem 50%

O percentual de votos válidos de cada candidato corresponde à proporção de votos do candidato sobre o total de votos, excluídos os votos brancos, nulos e indecisos.

Votos totais

Nos votos totais, que incluem os eleitores indecisos e os que pretendem votar em branco ou nulo, os resultados foram os seguintes:

  • João Campos (PSB): 42%
  • Marília Arraes (PT): 42%
  • Branco/nulo/nenhum: 12%
  • Não sabe: 4%

Em relação aos levantamentos anteriores do Datafolha, divulgados em 19 de novembro e em 26 de novembro:

  • Marília Arraes (PT): tinha 41%, subiu para 43% e, agora, tem 42%
  • João Campos (PSB): tinha 34%, subiu para 40% e, agora, tem 42%
  • Branco/nulo/nenhum: tinha 21%, desceu para 13% e, agora, 12%
  • Não sabe: tinha 3%, subiu para 4% e se manteve em 4%

Número do candidato

A pesquisa também perguntou aos eleitores o número que eles pretendem digitar na urna eletrônica para confirmar ou anular o voto para prefeito do Recife. Confira os números:

Total de entrevistados

  • Menções corretas: 93%
  • Incorretas: 1%
  • Não sabe o número: 4%
  • Não sabe anular: 2%

Marília Arraes

  • Menções corretas: 96%
  • Incorretas: 1%
  • Não sabe: 3%

João Campos

  • Menções corretas: 93%
  • Incorretas: 1%
  • Não sabe: 6%

As perguntas cujas somas das porcentagens não totalizam 100% são decorrentes de arredondamentos ou de múltiplas respostas.

Sobre a pesquisa

  • Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos
  • Entrevistados: 1.803 eleitores do Recife
  • Quando a pesquisa foi feita: entre 27 a 28 de novembro
  • Registro no TRE: PE-08731/2020
  • Contratantes da pesquisa: TV Globo e jornal "Folha de S.Paulo"
  • O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.


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Comentários

Rafael C.Soares Quintas

Eu não estou entendendo esse ódio de Magno Martins pelo PSB, e apoiar de forma vergonhosa a candidata do PT, partido do presidente mais corrupto da história do Brasil, o Lulaladrão, condenado em 2a.instância, só tá em liberdade por conta dos amigos ministros do STF que ele nomeou, não tenho simpatia pelo PSB, mas apoiar o PT jamais, é querer a volta da corrupção e da bandidagem.

MARCOS MORAIS

E agora Magno? A pesquisa do IBOPE está errada novamente? João cresceu e sua candidata caiu, mesmo resultado do DATA FOLHA e do IPESP em todas as pesquisas João cresceu e sua candidata caiu. Vai chamar a FEDERAL??


ALEPE

28/11


2020

RealTime Big Data e Ipespe: João 50%, Marília 50%

Houldine Nascimento, da equipe do blog

Dois institutos de pesquisa trouxeram novos dados sobre a corrida eleitoral no Recife, hoje. Pela manhã, a Folha de Pernambuco publicou o levantamento encomendado ao Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), em que aponta empate numérico entre os candidatos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) na disputa pela Prefeitura. Ambos possuem 50% dos votos válidos cada. Os números desconsideram os votos brancos e nulos.

A margem de erro máximo estimada da consulta é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com a utilização de um intervalo de confiança de 95,45%. Na pesquisa estimulada, os dois candidatos aparecem com 42% das menções. Os eleitores que afirmaram votar branco, nenhum ou ainda anular o voto são 13%. Os que não sabem ou não responderam são 3%.

Numa comparação com a primeira rodada do Ipespe, Marília Arraes teve uma redução no seu percentual, que era 54% dos votos válidos e 44% da pesquisa estimulada. Enquanto isso, João Campos teve uma recuperação: ele tinha 46% dos votos válidos e 38% na pesquisa estimulada.

O levantamento da Folha de Pernambuco encomendado ao Ipespe foi feito entre os dias 26 e 27 de novembro está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo PE-01539/2020. Ao todo, 800 eleitores foram entrevistados. Outros dados podem ser conferidos no portal da Folha.

CNN também aponta empate numérico

Na tarde de hoje, foi a vez de a CNN Brasil divulgar os números do levantamento encomendado ao RealTime Big Data sobre a eleição do Recife. Marília e João também aparecem empatados numericamente com 50% dos votos para cada um. O levantamento 

A pesquisa tem o número de registro PE-03134/2020 e a coleta foi feita nos dias 26 e 27 de novembro. Foram entrevistadas 1.050 pessoas, por telefone, com entrevistadores humanos. A margem de erro é de 3 pontos, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Mais informações no site da CNN Brasil.


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O Jornal do Poder

28/11


2020

Marcos Freire já venceu o medo e o ódio

Esta imagem, numa das pontes sobre o Cão sem plumas, como João Cabral de Melo Neto batizou, poeticamente, o Rio Capibaribe, expressa, contextualmente e filosoficamente, o transcurso de uma das campanhas mais desonestas, agressivas e imorais da história do Recife.

O amor vai vencer o ódio, prega Marília Arraes, adversária do odiento João Campos, do PSB dos ataques eivados de mentiras, de viés terrorista, para assombrar eleitores adormecidos políticamente. Marcos Freire, num tempo muito distante, já contagiou corações e mentes com o slogan "Sem ódio e sem medo". 

Foi no longínquo ano de 1974. Candidato ao Senado no enfrentamento a João Cleofas, apoiado pelo regime militar, Marcos Freire, legenda da histórica e saudosa esquerda, bateu nas urnas quem o agredia com as mesmas mentiras que agridem Marília hoje. Ganhou por uma diferença de mais de 120 mil votos. Embalado pelo seu sem medo e sem ódio, Pernambuco deu cartão vermelho ao candidato oficial do regime ao Senado.

Os tempos, hoje, são outros, mas o medo da mudança, a sede de poder de um PSB que tanto mal faz a Pernambuco e a sua gente, reedita com a mesma cor o terror que Marcos Freire venceu com a ajuda do povo, por encarnar o mesmo sentimento que se observa nas ruas do Recife tão abandonado e de uma gente ferida. O Recife de João Cabral de Melo não é o Recife do ódio, é o Recife da ternura e do amor. Um Recife que sonha, não um Recife que agride.

Feito Marcos Freire, Marília pode escrever uma nova página na história da irredenta Recife. Pode, com a força do voto popular, mostrar que o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença e que não adianta odiar, pois o ódio é uma mistura de decepção e amor. Raiva, ódio, violência, tudo isso é só medo."


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Abreu no Zap

28/11


2020

Paulista: PF investiga barganha na gestão de Carreiro

Na reta final, a disputa pela Prefeitura de Paulista, no Grande Recife, ganha novos elementos com a confirmação de que a operação da Polícia Federal realizada ontem na Secretaria Municipal de Educação se deu graças a uma suspeita de barganha eleitoral envolvendo o vice-prefeito Jorge Carreiro (PV) enquanto esteve provisoriamente administrando a cidade. O blog teve acesso a um documento que mostra que o Ministério Público instaurou, na última terça-feira (24), um procedimento preparatório eleitoral para apurar suposta prática de captação ilícita de sufrágio, abuso de poder e conduta vedada de contratação de servidores.

A denúncia partiu do atual secretário de Educação, Carlos Júnior, que disse ter encontrado uma lista de nomeações em mais de 120 cargos com indicações políticas que teriam sido feitas por vereadores e pelo candidato a prefeito Yves Ribeiro (MDB), aliado de Carreiro, para que votassem no emedebista no primeiro turno. A lista e as portarias que envolvem a prática do crime eleitoral foram entregues ao MPE. 

A Polícia Federal cumpriu, ontem, um mandado de busca e apreensão para dar prosseguimento às investigações, chegando a ficar de posse do computador indicado pelo secretário, contendo os arquivos que atestam o uso da máquina e o abuso de poder.


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28/11


2020

Prefeito de Paulista coopta garis em troca de votos

EXCLUSIVO 

O blog está de posse de uma gravação do prefeito de Paulista pressionando os garis terceirizados a votarem em Francisco Padilha (PSB), seu candidato à sucessão. Na conversa,  aparentemente para uma grande plateia, Júnior Matuto diz que se o seu candidato perder, todos estarão desempregados.

Matuto pede o empenho de todos para garantir o voto da família, dos vizinhos, dos amigos usando o argumento de que precisa desse votos para garantir o emprego e o sustento da família. Em um trecho, o prefeito chega a dizer ao ver um celular: "Baixa esse telefone senão a turma passa o cerol em mim. Eu não posso ser afastado mais não", falou em referência aos afastamentos que sofreu no cargo por denúncias de corrupção em sua gestão.

DINHEIRO A RODO

O blog também recebeu um vídeo com um suposto cabo eleitoral de Padilha com maços de dinheiro oferecendo em troca de votos. "Daqui até domingo quem quer dinheiro para votar no 40? 15 Já era", diz ele.

O vídeo, no entanto, não identifica o autor da proposta e por isso não será publicado.


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Banco de Alimentos

28/11


2020

Desculpas pelo atraso

Por Cristovam Buarque*

No dia seguinte ao pleito de 15 de novembro, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, pediu desculpas pelo atraso de algumas horas na divulgação dos resultados eleitorais. Surpreende que ninguém antes tenha pedido desculpas pelo atraso educacional de cem anos. Nem temos a quem responsabilizar: não há TSE da educação nacional.

Presidentes e ministros cuidam de universidades e escolas técnicas, enquanto a educação de base é responsabilidade de quase 6 mil prefeitos e alguns governadores. A população com renda não culpa o governo, porque utiliza escolas particulares; os pobres acostumaram-se a ver a escola como restaurante para os filhos receberem merenda. O eleitor não dá à educação a mesma atenção que ao resultado rápido da eleição.

Todos os presidentes e políticos, desde 1889, especialmente depois de 1985, devem pedir desculpas pelo atraso e pela desigualdade educacional no Brasil.

Fui ministro por 12 meses e devo pedir desculpas por não ter construído força política para me manter no cargo pelo tempo necessário para implementar as ferramentas que defendo, e iniciei, como a Escola Ideal, embrião de um sistema nacional de educação de base. Como governador, implantei a Bolsa Escola e diversos programas na educação de base no Distrito Federal. Como senador, criei duas dezenas de leis, como a do Piso Salarial Nacional dos Professores, a obrigatoriedade de vaga desde os 4 até os 17 anos de idade. Mas nada disso mudou a realidade. Como candidato a presidente só consegui 2,5% dos votos.

Reitero as desculpas por não ter convencido a opinião pública de que educação é o vetor do progresso e a estratégia para isso passa pela nacionalização do sistema municipal. A educação não será de máxima qualidade, nem será igual nas 200 mil escolas do Brasil, enquanto a responsabilidade pela educação das crianças brasileiras não for do governo federal.

Para isso cinco passos são necessários: 1) transformação do MEC em ministério com a responsabilidade exclusiva de cuidar da educação de base; 2) criação de uma carreira nacional do magistério, todos os professores com muito boa formação, avaliados permanentemente, com dedicação exclusiva e, para isso, muito bem remunerados; 3) prédios escolares com a máxima qualidade e instalações culturais e esportivas; 4) escolas com os mais modernos equipamentos da pedagogia, que permitam saltar das tradicionais aulas teatrais para as aulas cinematográficas com recursos da teleinformática, adotando métodos que desenvolvam a criatividade; 5) todas as escolas em horário integral.

Raríssimas cidades são capazes de financiar a execução dessa estratégia. Ela requer processo de nacionalização da educação de base ao longo de alguns anos, com adesão voluntária de cidades que queiram substituir seus frágeis sistemas educacionais por um robusto sistema nacional.

O custo para ter essa “escola ideal” é de R$ 15 mil/ano por aluno. Valor que permitiria financiar todos os gastos e investimentos e pagar salário de R$ 15 mil ao professor por mês, em salas com 30 alunos. Esse salário faria do magistério uma profissão atraente, permitindo que o selecionado aceitasse ir para a cidade que lhe fosse determinada, com dedicação exclusiva à sua escola e submetido a avaliações periódicas. Num ritmo de 300 cidades por ano, o novo sistema chegaria a todo Brasil em 20 anos. Se o PIB crescesse a um ritmo médio de 2% ao ano, o sistema nacional custaria cerca de 7% do PIB, para atender 50 milhões de alunos.

Considerando que o número de alunos deverá ser menor e que as novas técnicas permitirão diminuir o custo por aluno, a dificuldade dessa estratégia é política: convencer os ricos de que a escola com qualidade apenas para seus filhos amarra o progresso do País e limita o bem-estar e o futuro de todos; e os pobres, de que seus filhos têm direito a uma escola que ofereça muito mais do que merenda e seja tão boa quanto as melhores do país. Convencer também os políticos de que terão de enfrentar eleitores mais conscientes; e mostrar aos sindicatos que os interesses dos professores devem ser associados aos interesses das crianças, da educação e do futuro do país.

Não será fácil atrair a população para a ideia de que as escolas brasileiras poderão ser tão boas quanto as de países com educação de qualidade. E que crianças pobres devem ter escolas com a mesma qualidade das dos ricos.

No final do século 19 tivemos dificuldade para convencer que era possível o Brasil ser um país industrial e para isso era preciso abolir a escravidão. Agora o desafio é convencer que sem escola com a máxima qualidade para todos não completaremos a Abolição, nem avançaremos para o progresso com eficiência econômica, justiça social e sustentabilidade ecológica no mundo global da civilização que caracteriza o século 21. Antes não tínhamos futuro com a escravidão, agora não teremos futuro sem escola com máxima e igual qualidade para todos. E que nenhum cérebro seja deixado para trás. Enquanto isso não for feito, precisamos pedir desculpas pelo atraso a que condenamos o Brasil.

*Ex-ministro, ex-senador e ex-governador do DF. Pofessor Emérito da Universidade de Brasília.


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Comentários

Jose Ribamar de Souza Agra

Quando analisamos o projeto do Presidente Lula em prol da educação brasileira, vemos o que a escolha do nobre ex-Ministro seria a pessoa ideal para implantar um sistema educacional que o País precisa na época. Infelizmente, o demiurgo do agreste resolver demiti-lo por telefone. Mostrando que a quantidade, não quer dizer qualidade.



28/11


2020

Chefe de gabinete da PCR é flagrado em coação por votos para João

O blog teve acesso a uma conversa vazada entre Rodrigo Farias, chefe de gabinete do prefeito do Recife, e uma ex-candidata a vereadora do Solidariedade, partido que compõe a coligação Frente Popular, do prefeiturável João Campos (PSB). O áudio traz um diálogo de quase três minutos e meio entre o assessor da Prefeitura e Charmainne Almeida (SD), em uma cobrança ostensiva por votos para João. Ouça no player.

No áudio, Rodrigo Farias, que comanda o gabinete do prefeito Geraldo Julio, chega a dizer que "deu a militância e uma ajudinha" à candidata, com a promessa de que ela voltaria ao emprego. Ele também afirma que coordena a campanha do prefeiturável socialista e chega a cobrar a devolução de repasses feitos à ex-candidata a vereadora. "Então devolva", diz em dado momento.

"Eu fiz compromisso e compromisso se faz para cumprir. Você acertou comigo, sua conversa foi comigo. O coordenador da zonal sou eu. O coordenador da campanha sou eu", prossegue Farias, que chega a falar que vai enviar "uma pessoa" à casa da aliada.

Charmainne Almeida responde: "Vem que eu chamo a polícia. A pessoa passou o tempo todo trabalhando. Vocês estão achando que podem fazer o que quiser e ficar por isso mesmo?". Na conversa, ela chega a mencionar uma terceira pessoa, chamada apenas de "Vítor".

Mais adiante, Rodrigo reitera que Charmainne firmou um compromisso com ele: "Você sentou comigo na mesa".

"Deixa eu te dizer uma coisa: eu vou ganhar uma eleição e tu não 'vai' pisar mais na Prefeitura", conclui a fala e desliga o telefone.


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28/11


2020

O balaio da política

Por Marcelo Tognozzi*

No fim dos anos 1930 dois políticos trabalhavam diuturnamente para pavimentar o caminho até a Presidência da República. O paulista Armando de Sales Oliveira fora interventor em São Paulo, nomeado pelo presidente Getúlio Vargas. Engenheiro formado pela tradicional escola Politécnica era um homem refinado, filho de senador e membro nato da oligarquia paulista certificado pelas cotas de sócio do jornal O Estado de S. Paulo, fundado e comandado pela família Mesquita. Sales apoiara a Revolução de 1930 contra o então presidente Washington Luís e seu candidato paulista Júlio Prestes, na esperança de que a força da nova economia e da nova elite industrial paulista se impusesse mais cedo ou mais tarde.

A 2.800 quilômetros de São Paulo, outro político refinado também apoiou a Revolução como governador da Paraíba eleito pela Aliança Liberal, o partido de Getúlio. Era José Américo de Almeida, que mais tarde seria ministro da Viação e embaixador. Diferentemente de Armando, homem da matemática e da engenharia, Zé Américo era poeta e escritor, autor do clássico A Bagaceira. Cada um ao seu estilo, Armando era pragmático, desenvolvimentista, pioneiro da geração de energia elétrica, autoritário e acreditava em progresso e dinheiro. Metia o dedo na tomada com gosto.

Zé Américo era o oposto: matreiro, sutil, capaz de conversar horas a fio sem sair lugar. Aquele tipo que conseguia tirar as meias sem tirar os sapatos. Mas não menos autoritário: comandou a repressão aos revoltosos de Princesa como secretário de Segurança do governador João Pessoa. Era uma espécie de coronel de fino trato, envernizado, perfumado e elegante. Em 1934 tentou seduzir o então tenente Ernesto Geisel, secretário de Fazenda da Paraíba, acenando com uma cadeira de deputado, mas o gaúcho, reto e direto, disse que preferia a farda. A bordo dela Geisel desembarcou na Presidência da República 40 anos depois.

Em 1936, Armando Sales saíra da condição de interventor para a de governador eleito. Zé Américo dava expediente como ministro do Tribunal de Contas da União. Estavam agora a 400 quilômetros de distância um do outro, mas o paraibano julgava ter certa vantagem porque trabalhava na Praça da República, a 3 quilômetros do Palácio do Catete, onde Getúlio despachava.

Ambos comemoraram o Réveillon de 1937 em grande estilo. Tinham uma campanha pela frente, com a eleição marcada para janeiro do ano seguinte. Sales deixara o governo de São Paulo para mergulhar de cabeça no seu projeto de candidato de oposição ao governo. Zé Américo conseguiu articular apoio entre os principais membros do governo, embora Getúlio nunca o tenha chamado de “meu candidato”. O champanhe do Réveillon virou vinagre em novembro, 3 meses antes do pleito, quando Getúlio anunciou o Estado Novo, um golpe que endureceu o regime e mandou para o cemitério as candidaturas de Armando e Zé Américo.

Sales recebera um sinal de Getúlio quando foi até o presidente informar da sua candidatura irreversível e ouviu dele que o Brasil vivia um clima de guerra e as eleições poderiam ser inoportunas naquele momento. Ofereceu a Sales o Ministério da Fazendo ou o Banco do Brasil, que o paulista recusou polidamente.

O golpe de Getúlio tinha até Constituição pronta, escrita e revisada por Francisco Campos, o famoso Chico Ciência que 30 anos mais tarde também deixaria suas digitais na Constituição de 1967 formatada pelos militares. Getúlio não queria Zé Américo e nem muito menos Armando. Para ele faltava ao paulista um certo jogo de cintura, que sobrava no paraibano. E ainda havia a ameaça de um golpe integralista, que Getúlio registra em detalhes em seu diário numa anotação de 1º de dezembro de 1937.

O Estado Novo veio depois de intensa propaganda anticomunista e uma fake news chamada Plano Cohen. Fechou o Congresso, acabou com os partidos políticos, censurou a imprensa e encheu as cadeias de adversários políticos. Zé Américo ficou no TCU até 1947, votou a ser ministro da Viação no segundo governo de Getúlio e morreu em 1980 aos 93 anos. Sales foi exilado, morou nos Estados Unidos e Argentina, voltou ao Brasil em abril de 1945, fundou a UDN e morreu em 17 de maio aos 57 anos.

De fato, 5 meses depois daquela anotação no diário, em 11 de maio de 1938, os integralistas tentaram invadir o Palácio Guanabara, residência oficial do presidente, com objetivo de matá-lo. O intenso tiroteio durou horas e terminou com um saldo de 8 mortos e Getúlio guardando seu parabélum na cintura e fumando um charuto enquanto se refazia da refrega.

O Brasil nunca foi para amadores. Getúlio inaugurou uma nova era dos profissionais com a Revolução de 1930. Não havia outra opção: era ele ou ele. A tentativa de renovação política feita por Armando Sales e Zé Américo tinha um perfil de centro, com Armando um pouco mais à direita e Américo mais à esquerda, sendo que no caso deste último muito mais por oportunismo que por convicção.

Nas últimas décadas nossos políticos resistiram o quanto puderam à renovação. Ela veio pela força em 1964, mas envelheceu e caducou em 20 anos, deixando que os adversários dos idos de 1950 voltassem ao protagonismo. O PT foi algo novo, mas Lula seguiu ao pé da letra a cartilha getulista e manteve as duas opções: ele ou ele.

O sistema moeu os inocentes, politizou o serviço público, a Justiça e as forças de segurança, a ponto de nos últimos anos juízes e procuradores ocuparem mais espaço na mídia falando de política que aqueles eleitos para isso. Tudo que um dia foi novo envelheceu rápido.

Bolsonaro, Lula, João Doria, Rodrigo Maia, ACM Neto, Gilberto Kassab, Guilherme Boulos, Davi Alcolumbre, Ratinho Junior, Fabio Faria, Flavio Dino e outros políticos chegaram lá pela legitimidade do voto. Os ministros do Supremo, delegados, procuradores da República, sindicalistas e tantos outros ganharam seu naco de poder pela influência, amizade e também, claro, pelo concurso público. Todos trabalham dioturnamente pela conquista e manutenção do seu lote de poder. Uns com mais competência, outros menos.

A diferença entre o Brasil de hoje e o de 90 anos atrás é que a política virou um balaio superpopuloso, com todo tipo de gatos, muitos deles gatinhos herdeiros. Temos um poder cada vez mais dividido, cada um cuidando de segurar seu espaço naquilo que vulgarmente chamamos instituições, mas que no fundo são ilhas onde cada um foca nos seus próprios interesses e a renovação virou pura demagogia. Aquela habilidade de tirar a meia sem tirar o sapato, já faz tempo entrou para o folclore do século passado.

*Jornalista. Texto publicado originalmente no site Poder360.


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28/11


2020

Eleição em Brejinho na mira da Justiça

Por Cláudio Soares*

O resultado nas urnas foi possível saber, independente quem foi o vencedor, mas a Justiça Eleitoral deve realizar uma investigação sobre o uso de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder econômico por parte do grupo que 'venceu' a eleição.

Não tenho dúvidas que a disputa agora, sobre as eleições na cidade de Brejinho, vai ser na Justiça.

1- Um ano antes das eleições, o candidato eleito e seu grupo já realizavam comícios, carreatas pelas ruas da cidade de Brejinho com carros de som e fogos de artifícios; 

2- Os crimes cometidos pela coligação do prefeito eleito estão registrados na Justiça Eleitoral local como a entrega de três ambulâncias para povoados com a nítida intenção de angariar votos. Nesta ação criminosa, o pré-candidato e seu grupo agitavam a cidade de Brejinho com carreatas, carros de som e comícios com fogos de artifícios, uma violação à legislação eleitoral diante de atitudes criminosas de abuso econômico; 

3- O grupo do candidato vencedor nas urnas, ainda esse ano, precisamente na semana santa, distribuiu uma carreta de cestas básicas no valor aproximado de 100 mil reais. Neste evento ocorreu de tudo, carreatas pelas ruas de Brejinho, discursos e fogos de artifícios.

Nestes eventos, ocorreram sempre aglomerações de pessoas violando as regras da vigilância sanitária e, o pior, os pré-candidatos gesticulando o número 10 que viria ser o número oficial  do candidato.

A Justiça já sabe de tudo isso mediante um farto conjunto de provas probatórios. O setor jurídico da campanha de José Vanderlei (PSB) prepara um conjunto de ações para nos próximos dias ingressar na justiça eleitoral (TRE) para pedir a impugnação da diplomação dos eleitos que abusaram economicamente e transgrediram as regras eleitorais.                                                                       

"Recurso Contra Diplomação (art. 262, I, do Código Eleitoral):

Cabe somente nos casos de inelegibilidade superveniente ou de natureza constitucional e de falta de condição de elegibilidade. Deve ser ajuizado no prazo de 3 (três) dias da diplomação no intuito de cassar o diploma do candidato."                                                 

A eleição em Brejinho foi escandalosa e esperamos que a Justiça Eleitoral não feche os olhos para as aberrações como a compra de votos com provas robustas e o abuso econômico violento que ocorreram naquela cidade. Os crimes eleitorais que anteciparam o processo eleitoral constam sobre a batuta da justiça eleitoral local na comarca de Itapetim, uma vez que Brejinho é termo de Justiça em instância na cidade vizinha.

Nos encontros, movidos à propaganda eleitoral antecipada, estava sempre presente o senhor Gilsomar Bento de Souza com gestos do número 10 de seu partido político Republicanos,  incentivando seus cabos eleitorais - e se dizendo candidato a prefeito. As filmagens e fotos são provas consistentes do abuso econômico e propaganda política eleitoral antecipada.   

É notório que nos quatro cantos de Brejinho: o que não faltaram foram os pré-candidatos republicanos solidários, numa vergonhosa política antecipada, algo até intrínseco a eles, mas que deve ser observado pela Justiça com rigor.

A solidariedade é sempre bem-vinda, contudo, se utilizar dela para fazer promoção pessoal ou até mesmo campanha antecipada não deve ser permitida ou admissível.

Além de moralmente reprovável, pelo Direito Eleitoral esse tipo de vantagem também é coibida através das condutas vedadas aos agentes políticos em tempo eleitoral, além de ser um indicativo de farta prova de abuso de poder econômico. 

O juiz Carlos Henrique Rossi, da 99ª Zona de Brejinho, e o Ministério Público já estão com todas as denúncias contra mais de 10 pessoas e agora aguardamos a punição contra as aberrações dos crimes eleitorais acontecidos naquela cidade.

*Advogado e jornalista.


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