FMO janeiro 2020

02/06


2020

O chute ideológico da direita chula

Por José Nêumanne*

Parece que o presidente Jair Bolsonaro ainda não percebeu. Mas conseguiu um feito pelo avesso, que antes era impossível de ser imaginado: ao estrebuchar (e não apenas espernear) contra Celso de Mello e Alexandre de Moraes, ele uniu o Supremo Tribunal Federal (STF), que até agora parecia fadado a uma eterna divisão em seis a cinco. Espectadores atentos de entrevista do ministro Gilmar Mendes à GloboNews, domingo, notaram o tom respeitoso e prudente dele ao se referir ao desafeto jurado Luís Roberto Barroso. E, fora do convívio no “pretório excelso”, tratou o alvo favorito de seus vitupérios, o ex-ministro Sergio Moro, usando palavras e modos educados em tom cordial, imaginem.

No sábado, o “capitão cloroquina” foi alvo de uma saraivada de pitos jurídicos do normalmente polido decano do STF, que dias antes fora execrado em nota estúpida do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Augusto Heleno Ribeiro. O procurador egresso de Tatuí, cidade paulista conhecida pelos pendores musicais de seus filhos, normalmente autor de votos longos e barrocos, usou uma linguagem direta (e até desabrida) contra o dito magistrado número um da República, chegando a abusar de letras capitais, que em internet, correspondem a gritos. Na mensagem, dirigida a amigos pelo WhatsApp, comparou os disparates verbais de seu recente oponente ao comportamento do maior vilão do século 20, o michê austríaco Adolf Hitler, responsável pelo maior malogro da reputação de bons soldados dos alemães, ao mergulhar numa aventura insana declarando guerra ao mundo.

Mello, relator do inquérito pedido pelo procurador-geral da República, o chapinha Augusto Aras, para investigar acusações que Moro fez a Bolsonaro, afirmou que, guardadas as proporções, “parece estar a eclodir no Brasil” o “ovo da serpente, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933) … É PRECISO RESISTIR À DESTRUIÇÃO DA ORDEM DEMOCRÁTICA, PARA EVITAR O QUE OCORREU NA REPÚBLICA DE WEIMAR”, lembrando que, eleito chanceler, o nazista rompeu com a democracia, rasgando a Constituição de Weimar e “impondo ao país um sistema totalitário de poder”. Antes, Sua Insolência decretara “acabou, porra!”, referindo-se a outro ministro do STF, Alexandre de Moraes, que mandara fazer buscas e apreensões em gabinetes, escritórios e residências de bolsonaristas suspeitos de executarem assassinatos de reputações de ex-aliados e inimigos do chefão. Aos berros, como costuma se dirigir a interlocutores reais e imaginários, havia dito que ordens absurdas da Justiça não devem ser cumpridas.

De fato, há semelhanças entre o autogolpe do primeiro-ministro da República de Weimar e o projeto de poder total de Bolsonaro. Derrotada numa guerra que iniciara para realizar um projeto de conquista territorial, humilhada pelo Tratado de Versalhes e empobrecida, a antes próspera e orgulhosa Alemanha achou no artista frustrado a oportunidade para a revanche contra os tradicionais inimigos franceses e britânicos. À saída da crise, provocada pela roubalheira das lideranças políticas, o Brasil elegeu um presidente para afastar o PT do poder e dar continuidade ao combate à corrupção. Como Hitler, Bolsonaro teve a ascensão facilitada pela covardia das elites civis, pela ganância de um empresariado viciado em boa vida e pela oportunidade dada aos militares de recuperarem o orgulho ferido pela imagem destroçada por práticas abomináveis contra civis indefesos.

Parlamentar do baixíssimo clero por 30 anos, com desempenho para o qual a definição de medíocre equivale a uma medalha de demérito, cujo ponto alto foi a aprovação da maior picaretagem da medicina no País, a “pílula do câncer”, o negacionista, terraplanista e armamentista é produto e objeto de vários enganos. Um deles é sua falsa veneração pela ditadura militar, retratada na parede de seu gabinete na Câmara dos Deputados com as fotos oficiais dos cinco generais que ocuparam o poder nos 21 anos de tirania. Não é segredo para ninguém que sua saída do Exército foi negociada para evitar um escândalo. Pilhado na realização malsucedida de um atentado à bomba em quartéis e na adutora do Rio Guandu pela pouco altruísta causa do aumento do próprio soldo, foi corretamente definido por Geisel como “mau militar”, em documento histórico de valor inegável.

O general tinha motivos razoáveis para dar a definição, pois sabia do pendor terrorista e do comportamento indisciplinado do oficial. “Revolucionário” em 1930 e 1964, o quarto presidente da ditadura tinha também um desconfiômetro aguçado. O herói militar do capitão era o coronel Brilhante Ustra, torturador e assassino que homenageou ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff. Outro altar em seu panteão era de  Sebastião Rodrigues de Moura, vulgo Major Curió, recentemente celebrado em seu gabinete e que sempre se jactou de ter executado com a própria pistola cinco guerrilheiros presos, manietados e desarmados do PCdoB, na insana aventura da revolução comunista que seria deflagrada dos confins do vale do Rio Araguaia, no Centro-Oeste do Brasil. A dupla participou de uma das tentativas de golpe mais ridículas da História do Brasil. Eram fiéis discípulos do general Sylvio Frota, ministro do Exército de Geisel e que tentou impor o próprio nome à sucessão presidencial, mas foi preterido em benefício de João Figueiredo. Ustra e Curió eram dois dos 12 oficiais mandados por Frota ao aeroporto de Brasília para esperar os comandantes dos Exércitos, mas não conseguiram, porque foram ludibriados pelo general Fernando Bethlem, que também era frotista, mas aceitou substituir o malogrado sedicioso no Ministério do Exército.

Também fazia parte do golpe malogrado o capitão Augusto Heleno Ribeiro de Almeida, que era ajudante de ordens de Frota e fez parte dos apóstolos enganados pelo ex-parceiro na recepção aos comandantes. Esse, contudo, não é o único momento polêmico da vida do oficial. Ele foi condenado pelo Tribunal de Contas da União por irregularidades na compra de equipamentos para um torneio esportivo do Exército. Foi também substituído no comando da tropa da ONU no Haiti por ter comandado um massacre num bairro miserável de Porto Príncipe. Desde então, tem o então presidente Lula na pior conta. O que não o impediu de aceitar fazer parte da equipe do Comitê Olímpico Brasileiro, que, presidido por Arthur Nuzman, participou da escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016. E só deixou o emprego no dia em que o chefe foi preso, ao ser flagrado no escândalo de corrupção de que resultou tal decisão.

O signatário da nota grosseira ameaçando com “consequências imprevisíveis” o fato de Celso de Mello ter mandado apreender o celular do amado chefe (o que é falso), completa, então, a constatação de que a nostalgia de Bolsonaro pela “gloriosa revolução de 1964” não passa de uma farsa. Faltou uma fotografia na parede do gabinete do deputado multipartidário na Câmara: do golpista fracassado Sylvio Frota.

É louvável a bravura com que Mello tem defendido a democracia do autogolpe que Bolsonaro pretende dar, mas nega, alegando que não teria sentido fazer a ruptura (como anunciou seu filho Eduardo, o 03) por já estar no poder. Há, é claro, inúmeros exemplos disso na História, tais como Hitler, Mussolini e Getúlio Vargas. Pois a própria palavra que indica golpe em si mesmo não teria sentido se alguém não recorresse a esse extremo em busca do poder absoluto, como Jânio Quadros tentou, e fracassou, em 1961.

Mas o empregador de parentes de milicianos, defensor de mentiras fascistoides e de armar o povo para se defender da “ditadura” de seus inimigos se inspira em ídolo mais próximo. Em entrevista a este Estadão em 1999, disse que o bolivariano Hugo Chávez era uma “esperança para a América Latina” e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil, “Acho ele (sic) ímpar. Pretendo ir à Venezuela e tentar conhecê-lo. (…) Chávez não é anticomunista e eu também não sou. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar”. Para ele, o venezuelano o “remetia ao marechal Castelo Branco, primeiro presidente da ditadura militar. “Acho que ele vai fazer o que os militares fizeram no Brasil em 1964, com muito mais força. Só espero que a oposição não descambe para a guerrilha, como fez aqui”, completou.

Em 2002, confessou ter votado em Lula. E indicou para ministro da Defesa José Genoíno e Aldo Rebelo, ambos do PCdoB e que sobreviveram ao Major Curió. Esse é o típico chute ideológico de nossa direita chula, com tochas e máscaras como seus inspiradores da Ku Klux Klan cabocla, os 30 que se dizem 300 de Esparta e marcharam sábado, em Brasília.

*Jornalista, poeta e escritor


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Comentários

Fernandes

Com medo de antifas, Eduardo Bolsonaro se vitimiza nas redes. Filho 03 de Bolsonaro tentou usar de ironia e afirmou que está vendo muito ódio na internet, muita imprensofobia.


Detra maio 2020 CRLV

02/06


2020

Novo superintendente do Incra é indicação de FBC

O blog apurou, há pouco, que Thiago Angelus Conceição, substituto de Kaio Maniçoba na superintendência do Incra, foi indicação do líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB). O novo superintendente já trabalhou com o senador. Quando Fernando foi secretário de Desenvolvimento Estadual, Thiago ocupou um cargo na AD Diper. Ele também coordenou Fenearte e trabalhou no gabinete do filho de FBC, o deputado estadual Antônio Coelho (DEM).


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Abreu e Lima - Maio

02/06


2020

O alívio dos clubes de futebol

Hoje, primeira terça de junho, pode ser um dia de muito alívio para os clubes brasileiros, sufocados pelo novo coronavírus. Todos aguardam com expectativa a votação de logo mais, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que prevê a suspensão dos pagamentos de dívidas durante o período de recesso prolongado do futebol.

Se for aprovado, estarão suspensos os parcelamentos de débitos dos clubes à Receita Federal, à Procuradoria-Geral da Fazenda e ao Banco do Brasil, todos previstos no Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut).

O deputado autor da proposta argumentará, antes que a matéria seja submetida à votação, que os clubes ficaram muito prejudicados com a suspensão dos jogos e tiveram a grande fonte de receita diminuída, em virtude das medidas de isolamento social, que, entre outras coisas, impedem torcedor no estádio. A decisão pode ter efeito favorável, um dia depois de o Brasil registrar mais 623 mortes nas últimas 24 horas, elevando para 526.447 os casos confirmados e as mortes para 29.937.  Desde 28 de abril, o Brasil está entre os países que mais registram casos diários.


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Prefeitura do Ipojuca

02/06


2020

Grupo hacker expõe dados de Bolsonaro, filhos e aliados

O grupo de hackers Anonymous Brasil expôs, na noite de ontem, dados pessoais do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A publicação das informações ocorreu no Twitter por meio de links para páginas com os documentos.

Foram compartilhados os CPFs de Bolsonaro e de seus filhos, além de telefones, endereços e dados sobre imóveis da família do presidente. Parte dos dados, como as declarações de bens imobiliários, já era pública e estava disponível na plataforma de divulgação da Justiça Eleitoral destinada a informações sobre patrimônios de candidatos. Os números de telefone, no entanto, eram dados privados. Outros alvos foram os ministros da Educação, Abraham Weintraub, e da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

Poucos minutos após a publicação das informações, as postagens foram retiradas do ar.

"Apagamos os documentos com as informações pessoais do Carlos Bolsonaro e do Jair, todos conseguiram salvar? O Twitter é automático, ele tira do ar esse tipo de arquivo, por isso retiramos. Vocês podem compartilhar o link pela DM. Quem tiver comenta, quem quiser também", afirmou o perfil.

Também foram divulgadas informações pessoais do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP). O deputado confirmou pelo Twitter a veracidade dos dados compartilhados pelo grupo hacker e informou que fará um boletim de ocorrência.


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02/06


2020

Kaio Maniçoba é afastado do Incra

Superintendente do Incra em Pernambuco, Kaio Maniçoba foi surpreendido, hoje, com uma portaria no Diário Oficial contendo a sua exoneração do cargo. O blog apurou junto a bancada Federal no Estado e nenhum parlamentar sabe o motivo para sua demissão, nem mesmo o deputado Augusto Coutinho (SD), que foi quem o indicou para o cargo.

Há quem suspeite de que esteja havendo algum erro, porque não houve comunicado prévio a Maniçoba e nem ao seu padrinho. A nomeação do seu substituto também está no Diário Oficial de hoje, trata-se de Thiago Angelus Conceição, que é ligado ao presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Eriberto Medeiros.


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Banco de Alimentos

02/06


2020

O coreto que levou ao rompimento político

Na sequência da série historinhas do tronco familiar, mais uma do fundo do baú do meu pai Gastão Cerquinha, 98 luas, que não se cansa de contemplar o luar do Sertão no galope do avançar do tempo que Deus nos dá e guarda. Zeloso pela coisa pública, sempre soube ao longo da sua trajetória, seja como vereador ou vice-prefeito de Afogados da Ingazeira, se posicionar ao lado da maioria pelas grandes causas sociais e humanitárias. Postura que o distinguiu e por pouco não o fez chegar ao posto de prefeito, sonho que embalou por muitos anos.

Vereador por quatro legislaturas consecutivas, papai integrou o grupo político do ex-deputado Josesito Padilha, cassado depois de atirar num juiz sob a alegação de ter sido vítima de fraude eleitoral. A fatalidade levou Josesito, agitado, temperamental e brizolista convicto, a se refugiar no Uruguai ao longo de todo o período em que os banidos pelo regime militar foram levados a um exílio forçado fora do País.

De Montevideo, Josesito recebia notícias da sua província pajeuzeira através de cartas remetidas por papai, a quem só se referia como o bombeiro do seu grupo. De fato, diferente do chefe, meu pai primava pelo tom moderador. Nasceu talhado e vocacionado para promover o bem, unir contrários, somar nas convergências, subtrair nas divergências.

Foi de Josesito, a quem ajudou a apagar muitos incêndios, que papai recebeu o aval para fechar a chapa do ex-prefeito João Alves Filho, da antiga Arena, como vice, mesmo sendo velho militante do MDB. Não foi fácil a convivência. De bem e íntegro, daqueles que prestavam contas do último vintém do erário, João Alves era, entretanto, um homem bruto, uma pedra incapaz de ser lapidada.

O bruto muitas vezes não tem ciência do mundo que o cerca. Por isso mesmo, pratica insanidades. A maior de João Alves levou meu pai ao rompimento definitivo e irreversível: a derrubada do velho e saudoso coreto, praticamente filho da mesma engenharia inicial que pôs em pé a cidade abençoada pelo Bom Jesus dos Remédios. 

Quando viu o trator remover os restos mortais do coreto, não tenho certeza se com a anuência da Câmara de Vereadores ou não, meu pai virou uma fera incontida. Antes, fez de tudo para o prefeito evitar tal atrocidade.

Afinal, o coreto era patrimônio cultural vivo e imortal da cidade. Foi nele que papai dançou a primeira valsa com mamãe ainda namorados apaixonados. Foi do seu pedestal que fez o seu primeiro discurso. O coreto é a alma de uma cidade e da sua gente, palco de festas e serestas, cenário de comícios históricos. O de Afogados era também uma galeria comercial, o minishopping da cidade.

Não sabia o destruidor, que os coretos encontrados no Brasil são uma herança europeia vinda de Portugal no século XIX. Diversas praças passaram a abrigar coretos. No século XX, eram frequentes as apresentações musicais em praças, sendo uma oportunidade de se ver e ouvir pessoalmente os músicos. O coreto representa, na verdade, a encarnação da rua enquanto local de encontro e de festas.

O coreto está para as cidades do interior como a Torre Eiffel para Paris. Foi num coretinho amarelo em Sepetiba, no Rio, que Odorico Paraguaçu, da série global o Bem Amado, de Dias Gomes, fez o hilário  discurso para o povo de Sucupira prometendo se, eleito, construir sua grande obra: um cemitério.

A briga de papai pelo coreto, não sabe ele hoje, o quanto se reveste de beleza e de histórias. Coretos já inspiraram até livros, como A moça do Coreto, de um escritor paraibano, que narra uma linda história de amor em versos de cordel, entre Rosa Maria e Doutor Luiz Ferraz, romance este vivido no Coreto da Praça Manoel Joaquim de Araújo, na cidade de Itabaiana.

O livro é também uma singela homenagem ao centenário do Coreto, que por sua vez é uma das principais obras arquitetônicas da cidade. 
Antonio Costta, o autor, reafirma seu compromisso com a poesia popular nordestina da melhor qualidade, em momento de louvor a um patrimônio histórico, que é o símbolo de nossas tradições culturais.


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Prefeitura de Serra Talhada

02/06


2020

Coluna da terça

Alta patente se dobra a Mourão

O que antecipei, ontem, com exclusividade, sobre o sentimento das Forças Armadas em cima do aprofundamento da crise nacional, tem tudo a ver com um único fator: evitar que o Congresso venha tomar o caminho pela discussão e votação dos processos abertos no Supremo contra o presidente Bolsonaro que impliquem na cassação da chapa presidencial eleita em 2018.

Generais de alta patente, segundo apurei, perderam a paciência com o presidente Bolsonaro e querem uma negociação para o impasse da crise que contemple, por qualquer saída, o vice-presidente Hamilton Mourão. General da reserva com amplo trânsito em quem de fato influencia entre os três poderes armados, Mourão seria a garantia de não ocorrer uma ruptura institucional como chegou a pregar o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República.

Tudo que se pense em outra direção, na prática seria golpe. Dos três inquéritos abertos pelo STF contra Bolsonaro, só um interessa aos poderosos das Forças Armadas: o que acusa o chefe da Nação de crime de responsabilidade com base no vídeo da reunião do dia 22 de abril, no qual, segundo o ex-ministro Sérgio Mouro denunciou, o presidente tenta usar a Polícia Federal para proteger o filho Flávio de processo por rachadinha (a distribuição ilegal de valores que seriam destinados a salário quando deputado estadual.

Os outros dois – a acusação de comandar um esquema criminoso de fakes news e a anulação da chapa presidencial – não interessam aos generais, porque detonam, consequentemente, o vice-presidente. Falando, ontem, para o companheiro Tales Faria, editor do Uol em Brasília, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mostrou claramente o sentimento de quem de fato exerce influência nas Forças Armadas.

"Um ministro que é general da reserva, ou ainda está na ativa e vira ministro de um governo, ele não representa as Forças Armadas. Elas representam o estado brasileiro", disse Maia, para acrescentar: "Esses ministros representam a política do governo Bolsonaro, legítima. Eles não podem misturar o histórico, a carreira deles, uma posição política, com o que representam as Forças Armadas. Não podemos criticar as FAs pelo movimento de um ministro político que foi das FAs".

Questionado se vê, neste momento, movimento de ameaça de ruptura à democracia, o presidente da Câmara respondeu. "Não vejo nas Forças Armadas nenhum movimento de politização ou apoio político ao Governo. Elas têm papel de garantir o estado, a nossa soberania, e assim deve ser de forma permanente", ressaltou. Tudo a ver com o que escrevi ontem sobre o que tinha apurado com fontes na corte que transitam fácil entre os três poderes armados.

Reação de Moro – O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, que saiu do Governo atirando contra o presidente voltou a recorrer, ontem, a recarregar suas baterias. Em nota publicada em seu perfil no Twitter, afirmou que quem recorre a insultos “não tem razão ou argumento” e que a pretensão de Bolsonaro de armar a população visa “promover espécie de rebelião armada”. “Sobre políticas de flexibilização de posse e porte de armas, são medidas que podem ser legitimamente discutidas, mas não se pode pretender, como desejava o presidente, que sejam utilizadas para promover espécie de rebelião armada contra medidas sanitárias impostas por governadores e prefeitos”, escreveu.

Suspeição – Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro debatem uma reação ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que em mensagem reservada a interlocutores, comparou o Brasil à Alemanha de Adolf Hitler e disse que bolsonaristas querem a ditadura. Para o grupo mais próximo do presidente, o texto enviado via WhatsApp é motivo para pedir a suspeição do decano no inquérito que investiga as acusações de interferência na Polícia Federal. A investigação, aberta após acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, pode levar ao afastamento de Bolsonaro do cargo. Assessores jurídicos, no entanto, descartam por ora adotar a estratégia para retirar o decano do caso.

Prorrogação – A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai concordar com o pedido da Polícia Federal para prorrogar por 30 dias as investigações do inquérito sobre a suposta tentativa do presidente Bolsonaro de interferir politicamente na corporação. O procurador-geral da República, Augusto Aras, também vai pedir que Bolsonaro preste depoimento aos investigadores, mas por escrito. O depoimento por escrito é uma das prerrogativas do cargo de presidente da República, apontam procuradores. O então presidente Michel Temer, por exemplo, encaminhou ao Supremo um papel com resposta aos questionamentos feitos pelos investigadores no âmbito do inquérito dos Portos. Temer acabou denunciado no caso por corrupção e lavagem de dinheiro.

Movimentos – As falas recentes do presidente Bolsonaro e de aliados a favor de uma eventual ruptura institucional fizeram surgir novos movimentos democráticos na sociedade civil, que passaram a reunir adversários na política e também no futebol. No domingo, a Avenida Paulista foi palco de um protesto do grupo Somos Democracia, com participação de torcedores de vários times paulistas. Ao mesmo tempo, a internet conheceu dois novos movimentos que já tiverem a adesão de mais de 200 mil pessoas em menos de dois dias. Apesar de compostos por diferentes segmentos da população, esses grupos defendem a mesma bandeira: respeito à Constituição, harmonia entre os Poderes e obediência às decisões judiciais.

CURTAS

ACESSO A INQUÉRITO – Investigadores da PF em Brasília solicitaram cópia dos inquéritos que tramitaram na Superintendência da PF do Rio de Janeiro com interesse direto do presidente, como o inquérito eleitoral contra seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Os investigadores também pediram acesso a um inquérito que teria incluído indevidamente o nome do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ), o Hélio Negão, e à investigação sobre as declarações do porteiro do condomínio de Bolsonaro no Rio, que havia prestado depoimento no caso Marielle afirmando que o acusado de assassinar a vereadora do PSOL pediu para ir à casa de Jair Bolsonaro no dia do crime. O porteiro voltou atrás das suas declarações após ser questionado pela PF.

SIGILO QUEBRADO – A 36ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do secretário de Saúde do Recife, Jaílson Correia. O gestor teve o celular apreendido durante a Operação Apneia, deflagrada pela Polícia Federal (PF), na quinta-feira passada, em meio às investigações sobre a compra de respiradores pulmonares para o tratamento de pacientes com a Covid-19. A determinação atendeu a um pedido do Ministério Público Federal. Também por solicitação do MPF, a Justiça autorizou a quebra de sigilos de outros integrantes da Secretaria municipal envolvidos na compra dos equipamentos, efetuada à Juvanete Freire, de São Paulo. Esse contrato foi rescindido depois que a empresa alegou que “estava preservando a idoneidade”.

LIVE COM JOSÉ MÚCIO – O entrevistado de hoje, às 19 horas, na live do Instagram do blog, será o presidente do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro, que vai tratar da crise da pandemia do coronavírus com reflexos na economia e na política. Discreto, Múcio há muito não dá entrevistas e por isso mesmo sua live está sendo aguardada com grande expectativa no País. Já na próxima quinta-feira, o convidado é o ex-presidente Fernando Collor de Melo, hoje senador de Alagoas pelo Pros. Também no mesmo horário. Se você ainda não segue o Instagram do meu blog, para acompanhar as entrevistas passe a seguir agora. O endereço é @blogdomagno.

Perguntar não ofende: Estimulado pelas Forças Armadas, Mourão seria a solução?


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Comentários

Fernandes

Acabou, porra. Será que vai dizer o mesmo quando chegar a vez da rachadinha da cloroquina?

Fernandes

Empate técnico: LULA COM 36 TÍTULOS DE DOUTOR HONORIS CAUSA E BOZO COM 36 PEDIDOS DE IMPEACHMENT

Fernandes

Pandemia virou programa de governo do Bozovírus destrói a economia dizima os pobres e vitimizado entrega Brasil aos Estado Unidos.

Fernandes

Se houver guerra civil a esquerda ganha por W.O.

Fernandes

Crime é defender o tirano. O cavalo usava máscara o burro não.


O Jornal do Poder

01/06


2020

Gráficos não amparam a flexibilização de atividades

Os gráficos apresentados pelos auxiliares do governador Paulo Câmara na tentativa de justificar a flexibilização da atividade econômica podem trair a própria iniciativa. O Estado se ampara na redução do percentual de casos de Covid-19 em relação aos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Porém, não há qualquer garantia de uma reversão da curva.

Por exemplo, a solicitação de atendimento SRAG (com UTI e enfermaria) caiu de 2.101 casos para 1.866 no intervalo de uma semana, no caso entre a 21ª e a 22ª semanas do ano. Porém, na 20ª semana, esse número era de 1.843, o que significa dizer que voltamos ao patamar de duas semanas, e que não, necessariamente, retrocederemos.

A média diária na solicitação de UTI e enfermaria bateu 298 casos há cinco dias e hoje soma 260. Desde o dia 11, o Estado estava acima desse patamar, o que novamente pode sugerir um piso, ao invés de um princípio de redução.

Um quadro assim nos mostra que a flexibilização tende a ser um erro que o governador está prestes a cometer, mas a pressão da última semana pode ter sido decisiva. Afinal, enquanto ele se recuperava da Covid-19 em casa, a Polícia Federal bateu à porta da Prefeitura do Recife e apreendeu o celular do secretário de saúde, com suspeitas gravíssimas de irregularidades em dispensas de licitação.

Além disso, o fato de outros governadores já terem anunciado desde a semana passada seus planos de retomada da economia jogou mais pressão em Paulo. Além, claro, do próprio interesse de alguns auxiliares, como o assessor especial Antônio Figueira, cuja família é ligada à área hospitalar, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Bruno Schwambach, ligadíssimo ao ramo de concessionárias.


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Shopping Aragão

01/06


2020

O mico de Silvio Costa

O pré-candidato do Republicanos à Prefeitura de Jaboatão, Silvio Costa, meteu a mão pelos pés e caiu numa fria ao promover pesquisas de intenção de voto pelas redes sociais com um detalhe que se não fosse trágico seria cômico: monitorada por ele próprio e aliados. Em áudio que chegou ao blog, vazado em grupos de WhatsApp, ele chega a se descontrolar ao perceber que a estratégia tornou-se pública.

Aos berros, pede para que todos apaguem as mensagens e chama os aliados de “burros” pela falta de cuidado. O destempero, segundo o blog apurou, teria relação com o fato de ter empancado na casa dos 6%.


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01/06


2020

Validade do inquérito das fake news será julgado dia 10

O Supremo Tribunal Federal informou, hoje, que o presidente da Corte, Dias Toffoli, marcou para o próximo dia 10 o julgamento de uma ação que questiona a validade do inquérito das fake news.

A investigação foi aberta em 2019 para apurar ameaças a ministros do tribunal e a disseminação de conteúdo falso na internet. A ação em julgamento foi apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade em 2019, mas, na última semana, a legenda pediu ao STF que o caso não seja analisado.

No julgamento, os ministros devem decidir:

  • se o inquérito tem validade;
  • até que ponto exige a participação do Ministério Público.

Na semana passada, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a suspensão do inquérito. Aras argumentou que foi surpreendido pela operação da Polícia Federal, no dia 27, que cumpriu mandados de busca e apreensão no inquérito. Foram alvos da operação aliados do presidente Jair Bolsonaro. Todos negam irregularidade.

Ontem, o ministro do STF Gilmar Mendes disse esperar que a Corte valide o procedimento "para que então não haja nenhuma discussão sobre o trabalho que vem se realizando”.


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