Lavareda

11/08


2020

Gestão da Covid: Câmara e Geraldo reprovados, diz Armando

Escravo do silêncio imposto pela era da pandemia, o ex-senador Armando Monteiro Neto, presidente estadual do PTB e uma das principais lideranças no campo da oposição, sai da toca e afirma, nesta entrevista ao Frente e a Frente e ao blog, que o PSB faz a pior gestão da pandemia do País. “Somos o segundo Estado em óbitos no País. Se Pernambuco fosse um País, seriamos o segundo maior do mundo em número de mortes. Isso, na prática, aponta que o governador se mostra incompetente e o prefeito do Recife despreparado para administrar rios de dinheiro que a União liberou para cá”, desabafa. Para ele, ao invés de usar o dinheiro federal da Covid-19 para salvar vidas, Paulo Câmara e Geraldo Júlio promoveram ilegalidades que já resultaram em cinco operações da Polícia Federal.

“Recife é a segunda capital do Nordeste que tem mais óbitos por milhão de habitantes. E seguramente, foi a que mais gastou. Foi a que mais recebeu recursos federais. Os gastos em termos proporcionais não produziram resultados esperados. Uma Prefeitura como a de Salvador gastou muito menos do que Recife. No entanto, Salvador foi muito menos afetada do que Recife. Então, Recife se saiu muito mal, péssimo”, diz Armando. Confira abaixo a íntegra da sua entrevista, que vai ar durante o horário do Frente a Frente, que começa às 18 horas pela Rede Nordeste de Rádio, que tem como cabeça de rede a Hits 103,1 FM, no Grande Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no Botão Rádio deste blog acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio pelo play store.

Como o senhor avalia o cenário político consequência da pandemia?

Um período atípico, mas a gente procura se conectar, usar ferramentas novas para não ficar fora do processo. As eleições municipais começam a ganhar uma atenção prioritária e nós estamos, tanto em nível do PTB, quanto em nível dos partidos que formam as oposições em Pernambuco, se movimentado intensamente. No PTB, fizemos um grande encontro nesta plataforma virtual, reunindo mais de 100 lideranças. Foi muito interessante, com a participação de lideranças da Metropolitana, das Matas, Agrestes e Sertões. Tivemos uma resposta muito boa, o pessoal está animado, o partido tem 35 pré-candidaturas a prefeito e esse número pode crescer até as convenções. Tem situações no plano municipal que estão pra ser definidas. E ao mesmo tempo, o PTB tem espírito de aliança. Nós temos compromissos com várias candidaturas de outros partidos. E são municípios estratégicos. E tem a questão do Recife, que tem muita centralidade. A eleição do Recife é muito importante para definir o futuro político de Pernambuco. E nós estamos muito animados com as pesquisas e pelos índices que são dados aos pré-candidatos da oposição. Achamos que essa é uma eleição das oposições no Recife.

O que se fala muito é na tese da unidade das oposições. O senhor está confiante num entendimento de candidatura única? Quem abre para quem?

Nós defendíamos a tese da unidade, até de candidatura única das oposições, mas como o campo governista se fragmentou e hoje se admite até a possibilidade de ter três candidaturas no campo governista, duas já confirmadas, eu acho que passa a ser possível se admitir a possibilidade de duas candidaturas de oposição no Recife. A esta altura, já tem uma candidatura posta, da delegada Patrícia Domingos, foi uma decisão do partido dela em nível nacional e agora estamos com outros pré-candidatos, esperando que a gente possa construir essa unidade. Tem nomes muito credenciados, como o ex-governador Mendonça Filho, uma pessoa que tem um lastro diferenciado. E é importante salientar que vai ser um cenário de pós-pandemia. E Pernambuco não se saiu bem. Nem Pernambuco, nem Recife. Se Pernambuco fosse um País, seria o segundo pior do mundo em mortes por milhões de habitantes. É um dado muito ruim.

E no Brasil, Pernambuco já é o segundo em número de mortes...

Em termos de mortes e números absolutos, Pernambuco está entre os cinco Estados com mais mortes. Mas há Estados muito pequenos, tipo Roraima, que tem um surto, mas aí são números distorcidos. Mas em números absolutos, é sempre bom lembrar, Pernambuco está em segundo lugar em número de óbitos, atrás apenas do Rio. E tem mais: Recife é a segunda capital do Nordeste que tem mais óbitos por milhão de habitantes. E seguramente, foi a que mais gastou, a que mais recebeu recursos federais. Os gastos em termos proporcionais não produziram resultados esperados. Uma Prefeitura como Salvador gastou muito menos do que Recife. No entanto, Salvador foi muito menos afetada do que Recife. Então, Recife se saiu muito mal, péssimo.  Lamentavelmente, denúncias gravíssimas de mau uso de recursos públicos, contratos mal feitos, estranhos. E tanto isso é verdade que as denúncias foram surgindo de várias origens e imediatamente os contratos foram desfeitos, o que significa dizer que eram frágeis. Em alguns casos, se apressaram a devolver os recursos. Um gestor que tenha convicção da lisura dos seus contratos, não recua, se sustenta. Ele tem que mostrar à população que os contratos se justificaram. Mas aqui em Pernambuco, não. Qualquer denúncia, os contratos eram desfeitos.

Quando o senhor fala em mau uso do dinheiro público, será que o PSB estava preocupado em fazer caixa de campanha com o dinheiro da Covid?

Eu não posso fazer essa ilação, pois a gente precisa ter elementos que vinculem os fatos. Mas quero dizer que há duas indicações graves: Recife é uma capital que gastou muito e houve uma série de denúncias. Eu fico nisso, pois é um juízo factual. Mas ilações podem ser feitas, mas eu não faço.

O senhor disse que Pernambuco seria o segundo no mundo em mortes. Isso se daria pela irresponsabilidade em receber tanto dinheiro e não saber investir?

Toda luta num processo como esse se traduz em salvar vidas. Essa campanha só tem essa medida: o número de vidas salvas. Mas, infelizmente, os resultados medidos são muito ruins. Em Pernambuco e no Recife. E ao mesmo tempo, é verificado que há Estados na região que tiveram resultado melhor. A Bahia tem hoje menos da metade do número de mortes em relação a Pernambuco.

Bolsonaro vai ter algum peso da eleição municipal?

Certamente. Eu acho que Bolsonaro é, hoje, num país polarizado, é um eleitor importante. Não há dúvida que o auxílio emergencial, pela dimensão, tem um impacto muito grande na vida das pessoas carentes, principalmente. Você, que é um homem que anda pelo interior, sabe o que isso significa. Eu escuto depoimentos de pessoas do pequeno comércio do interior que em plena pandemia, seus negócios aumentaram por causa da renda que foi proporcionada pelo auxílio. Eu fiz até o cálculo. Quando for paga a quinta parcela, Pernambuco terá recebido R$ 13 bilhões. No Brasil, já foram R$ 250 bilhões, 5% em Pernambuco. Então, é evidente que isso tem reflexo político.

Mas ainda pouco se observando nas pesquisas...

Já tem algum reflexo na avaliação do Governo Bolsonaro. Agora, as eleições municipais não são condicionadas por isso, embora isso tenha um peso relativo não é algo definidor. A eleição municipal se dá pelo debate de questões locais. A avaliação das gestões existentes e as propostas dos candidatos. Quem tiver credenciais, quem for ficha limpa, vai levar uma vantagem no processo. Agora, influência nacional vai existir, mas em qual magnitude não sabemos.

Quais os grandes desafios para o futuro prefeito do Recife?

Acho que o Recife precisa de um projeto novo, uma visão nova. E que possa se traduzir numa ideia de quais são os fenômenos urbanos do mundo. As cidades se reinventam, e aqui no Recife vivemos a era da mesmice. Tem áreas degradadas, o bairro de São José, várias áreas deprimidas e que a Prefeitura nada fez.

Jaboatão, por exemplo, está construindo um grande e moderno parque, dando inveja a nós, recifenses...

Aqui, tivemos os problemas de mobilidade urbana agravados. Há equipamentos mal conservados, obras que se arrastam há muito tempo. A reforma do Geraldão já vai mais de 10 anos. Que gestão é essa? Agora, Geraldo tem algo que ele faz bem:  propaganda na televisão. A mistificação. Gasta muito dinheiro em propaganda, instalou o chamado marketing da pandemia. Aproveitou esse momento de grande angústia, para apresentar um quadro de muitas ações, providências, que, na realidade, se traduz em mera espuma. Por exemplo, quantos hospitais de campanha implantou? Que serventia esses hospitais tiveram? E aquelas camas, podem se considerar leitos clínicos? O que todo esse investimento resultou? Enquanto isso, muitos profissionais de saúde nem equipamento de proteção individual tiveram. Esse segmento, sim, deveria ter sido mais bem cuidado. Essas administrações gostam de mostrar prédios, de fotografar unidades de campanha, em suma, a gente fica com a impressão que serve só aos programas eleitorais, lamentavelmente.

Há saturação de PSB?

Nós vemos as estradas degradadas e eu já tive a oportunidade de dizer que o Estado de Pernambuco é o que menos investe no Nordeste. Temos o segundo maior orçamento público, mas somos o quinto ou sexto em investimentos. Ceará e Bahia já investiam mais, e nos últimos anos, Alagoas, Maranhão e até Paraíba investem mais. É por isso que os equipamentos não têm manutenção.

É legal meter a mão no dinheiro da COVID para pagar dívida externa?

Trata-se de uma discussão polêmica. Se o recurso que foi destinado não poderia ser de forma direta, mas se são dois fundos, poderia.  Eu não tenho todas as informações. Mas o que eu quero dizer é que em relação ao PSB, há um sentimento que está esgotado. A gente está à mercê do interesse de um grupo que quer manter se manter no poder, apenas. Esse grupo não oferece futuro a Pernambuco.

O fim desse grupo seria com a perda da eleição no Recife?

Não posso fazer prognósticos, mas acho que a eleição do Recife representará um marco importante para moldar o futuro político de Pernambuco. Eu tenho muita confiança que essa hegemonia do PSB vai ser quebrada a partir da eleição do Recife. Acho que o primeiro ponto é "Viva a alternância, pois Pernambuco sempre foi pluralidade. Pernambuco não é propriedade de um grupo político, muito menos de uma família. Eu tenho a sentimento que as oposições vão ganhar no Recife.


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Comentários

Fernandes

Pega o beco Armando, votasse contra os trabalhadores brasileiros quando tu era deputado federal. Disse Sérgio Guerra.


O Jornal do Poder

Confira os últimos posts

23/10


2020

“Fux fez justiça”, diz Carreiro sobre saída de Matuto

Por Houldine Nascimento, da equipe do blog

Em entrevista concedida ao titular deste blog, na noite de hoje, no programa Frente a Frente, da Rede Nordeste de Rádio, o prefeito em exercício de Paulista, Jorge Carreiro (PV), falou sobre seu retorno ao comando da Prefeitura. Pela manhã, o vice-prefeito foi empossado novamente como chefe do Executivo.

Para ele, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, “fez justiça”. “A Justiça está sendo colocada no devido lugar. Ela havia se posicionado e depois, numa medida monocrática do então presidente (do STF) Toffoli, fez com que Junior retornasse. Agora, o Supremo, através do presidente Fux, acolheu um agravo regimental nosso, bem fundamentado, decidindo pelo afastamento. Isso é Justiça”, declarou Carreiro ao jornalista Magno Martins.

Fux cassou uma decisão do ministro Dias Toffoli, que autorizou em agosto o retorno do prefeito Junior Matuto (PSB), afastado do cargo pela primeira vez no último mês de julho. A Justiça determinou sua saída da Prefeitura em decorrência das operações Chorume e Locatário, deflagradas pela Polícia Civil para investigar crimes de fraude em licitação, peculato e organização criminosa na administração pública e entre empresários.  

À época, Jorge Carreiro reclamou da medida, uma vez que Junior Matuto havia ingressado com uma ação no Superior Tribunal de Justiça, instância inferior ao STF que não chegou a apreciar a matéria. O prefeito em exercício chamou a decisão de Toffoli de “anomalia”. Eleito duas vezes vice-prefeito na chapa encabeçada por Junior Matuto, em 2012 e 2016, tornou-se um desafeto do gestor afastado.

Ainda na entrevista concedida ao Frente a Frente, ele comentou a declaração dada pelo antigo aliado ao titular deste blog sobre a corrida eleitoral em Paulista: Matuto afirmou que o candidato Francisco Padilha (PSB) derrotará o ex-prefeito Yves Ribeiro (MDB), apoiado por Jorge Carreiro, no pleito majoritário de Paulista. “É uma fantasia. O candidato Padilha, em que pese ter certas qualidades, carrega sob suas costas um governo reprovadíssimo, desarrumado. O melhor índice de intenção de voto que ele conseguiu até agora não chega a 9%. Ele está na terceira fila. Então isso não tinha chance alguma e muito menos agora”, disse.


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Abreu no Zap

23/10


2020

Moneta se reúne com todas as representações religiosas

Dando continuidade à agenda de reuniões com os segmentos sociais, a candidata a prefeita de Abreu e Lima pelo PSB, Cristiane Moneta, se reuniu, na noite da última quarta-feira (22), com o segmento de religiosos. Intitulado de "Religiosos com Moneta", o encontro ocorreu na quadra do Colégio São José e reuniu líderes religiosos de diversas denominações da cidade.

Entre os presentes, os pastores Isaac Luiz (Assembleia de Deus Harmonia), Hugo Ribeiro (Ministério Elshady), Joas Clementino (Convenção Matinha), Marcelo Pereira (1ª Igreja Batista Abreu e Lima), Genesio Araújo (Comunidade Evangélica Crescendo em Vida) e Adilson Alves (Ministério Deus Faz), além do presbítero Venâncio Silva (IEADALPE), o evangelista Júnior Monteiro (IEADPE), o missionário Cleyton Vinícios (Igreja do Amor), o diácono Jaime (Matriz de São José), o Irmão João Prior (Comunidade Monástica) e o sacerdote de religião de matriz africana, Phellyppe Shanthyago.

Durante o evento, a candidata afirmou que pretende governar a cidade com o apoio dos movimentos sociais. "A gente não tá aqui pra discutir religião, a gente tá aqui pra somar esforços. Independente das nossas denominações religiosas, temos em comum querer o bem da cidade de Abreu e Lima", comentou.

O candidato a vice-prefeito na chapa de Moneta, o pastor Marcos Leite, do Republicanos, liderança do movimento religioso no município, também esteve no evento. “A cidade é das pessoas, e não de um grupo religioso. Vamos governar para o povo”, falou.


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Banco de Alimentos

23/10


2020

MDB do Cabo fecha apoio a Keko do Armazém

EXCLUSIVO

Por Houldine Nascimento, da equipe do blog

Há pouco, o presidente do diretório municipal do MDB no Cabo de Santo Agostinho, José Arnaldo, confirmou que a legenda vai apoiar o vice-prefeito Keko do Armazém (foto), do PL, na corrida eleitoral pela Prefeitura. A decisão foi tomada após deliberações internas e entra em consonância com o que o ex-prefeito Elias Gomes, até então candidato emedebista, queria.

“Avançamos bastante na conversa com Keko e vamos marchar com ele. Cheguei a conversar com o PT e o PCdoB, mas seguimos em bloco, atendendo também o que Vado [vice da chapa de Elias] queria. Teremos uma reunião com Raul Henry [presidente estadual do MDB] na segunda-feira para reforçar a decisão”, disse Arnaldo.


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23/10


2020

Bolsonaro, Doria e a guerra das vacinas

Por Arnaldo Santos*

Machado de Assis, um dos gênios da literatura brasileira, cunhou a seguinte frase: “[…] os adjetivos passam e os substantivos ficam”. Apesar de simples e direta, de tão repleta de significados, não só para a língua, essa frase não abre espaço para contestação ao pensamento machadiano. Monteiro Lobato nos ensinou que “[…] o adjetivo é escasso e sóbrio”, “deve ser usado com pão-durismo”. Sob o ponto de vista da escrita em linguagem culta, sobra claro que, na árdua tarefa da produção textual, mesmo em um simples artigo para jornal, há que se evitar os exageros no emprego dos adjetivos.

Com todas as vênias de duas das nossas maiores referências literárias, cada um a seu tempo e estilo, esse esforço de ser “pão-duro” no uso do adjetivo torna-se nulo, em vão, quando a personagem sobre a qual se escreve é um certo Presidente, de estilo “macunaímico”, dessas bandas dos trópicos, cercado de malfeitores por todos os lados, se o leitor me permite o uso desse eufemismo para designação de corruptos, adjetivo que foi corrompido; que sofreu corrupção, cujo conceito foi relativizado nesses tempos de “Brasil acima de tudo; meus filhos a cima de todos”.

Agindo como menino birrento, o que não constitui novidade, o presidente Jair Bolsonaro, respondendo indiretamente ao governador de São Paulo, João Doria (ambos sofrem da escassez de recursos mentais), no início da semana, surpreendeu o Brasil, e ao mundo (ele ainda consegue), com outra de suas declarações genocidas, quando afirmou que “[…] nenhum brasileiro será obrigado a tomar qualquer vacina contra o coronavírus”; e, com um sorriso irônico de canto de boca e em tom ameaçador, para o aplauso dos áulicos que compunham a audiência, arrematou: “[…] mesmo porque quem autoriza campanha de vacinação é o Ministério da Saúde, e quem aprova vacina é a ANVISA”. Disse o óbvio, e seria preocupante se não fosse assim! Depois da cloroquina, a guerra das vacinas.

Quando se examina o histórico do comportamento do Presidente, durante a pandemia, especialmente na fase mais aguda do processo de transmissibilidade da doença, suas últimas declarações não apenas ratificam sua atitude errática em relação à covid-19, como sugerem, se não a proibição do uso das vacinas, no mínimo desestimula a população, a se vacinar, e dar  indicações de que pode retardar propositadamente a aprovação das vacinas em fase de testes, pouco se importando com o agravamento da pandemia.

Imaginar que a motivação dessa atitude que adentra a irresponsabilidade, é por birra contra o governador João Dória, seu desafeto político, porque esse havia anunciado para janeiro o início da vacinação contra o coronavírus em seu Estado. Isto, além de muito trágico, é a prova de que o ocupante do Palácio do Planalto sofre de atrofia político-mental.

Registre-se o fato de que essa declaração de caráter eugenista representa uma grave ameaça à saúde de milhões de brasileiros e confirma, mais uma vez, seu desprezo pela vida humana, evidenciando que pode estar em curso um boicote aos esforços e estudos científicos, bem como aos bilionários investimentos financeiros que o mundo inteiro está fazendo, inclusive o Brasil, para produzir uma vacina, pois, a julgar pelas afirmações do Presidente, pelo menos no curto prazo, poderão ter sido em vão para o nosso País, se prevalecer essa sua mórbida vontade.

Tal atitude não surpreende só pela ignorância, pois de há muito se sabe que o Presidente ignora que é ignorante, mas, também pela ratificação do negacionismo à ciência, mesmo depois de todas as consequências produzidas pela pandemia, com centenas de milhares de mortes, e a pauperização, econômica e social, de significativo contingente da população.

Para provar que não estava blefando como de outras vezes, em menos de 24 horas, após o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciar a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, do laboratório chinês, produzida pelo Instituto Butantã em São Paulo, o Presidente, se dizendo traído, sem citar por quem, determinou a suspensão da compra, desautorizando o seu Ministro, perante a Nação, e mais uma vez ratificou a sua intenção de não realizar qualquer campanha de vacinação em massa como era o esperado.

Ante essa ameaça à saúde pública, a comunidade científica brasileira, os partidos políticos, a CNBB e a sociedade civil, em geral, têm o dever de acionar à justiça contra essa ação do Governo e até  aos tribunais internacionais, para impedir esse boicote que o presidente Bolsonaro está promovendo contra a vacina, que, por extensão, significa sabotar a ciência, desperdiçar os recursos da Nação, e pôr em risco a saúde de todo o povo brasileiro.

Não é sem propósito lembrar que foi, desde a ascensão do mandarinato bolsonarista ao poder, que teve início uma ação criminosa de desacreditação das vacinas, corrompendo a histórica crença da população em sua eficácia, constituída com muito trabalho e pesquisas científicas, iniciada pelo médico Oswaldo Cruz, ainda no século XIX, e consolidada no século XX (saibam os ignorantes do governo que essa atitude é uma das piores modalidades de corrupção), repercutindo na diminuição da cobertura vacinal, fazendo recrudescer algumas doenças, como sarampo e catapora, que já haviam sido erradicadas no País.

 Por insuficiência cognitiva e interesses inconfessados, é como se o Presidente estivesse querendo reeditar a revolta das vacinas, ocorrida de 10 a 16 de agosto de 1904, no Rio de Janeiro, quando a população saiu às ruas para protestar contra a vacinação obrigatória para combater a varíola, durante o governo do Presidente Rodrigues Alves.

A propósito dessa negação à ciência e da tentativa de corromper a cultura de acreditação da população nas vacinas (para eles, corrupção se resume ao pagamento e recebimento de propina), nesse governo, o conceito de corrupção foi relativizado de tal maneira que vale citar alguns exemplos. O coronavírus, com toda sua letalidade, foi considerado apenas uma “gripezinha”, o que fez corromper em grande parcela da população a ideia da gravidade sobre a doença, provocando o descumprimento ainda vigente de não aglomeração e do uso de máscara, o que, com a retomada das atividades econômicas, cria as condições para possível segunda onda, como ocorrente na Europa.

Falam por si a prática das “rachadinhas”, as altas somas em depósito nas contas bancárias do Queiroz, da sua esposa e filhas, em tempos recentes; a produção e disseminação de fake news em massa, para manipulação das pessoas menos informadas - na vã tentativa de construir a falsa imagem de um governo de vestais;  a circulação de dinheiro em espécie sem comprovação de origem, entre pessoas da antessala do Gabinete Presidencial, e de “líderes” no Congresso.

 Para confirmar essas práticas nem um pouco lisonjeiras, a última novidade foi o lançamento, pelo senador Chico Rodrigues, de uma nova tecnologia para contar e guardar dinheiro, popularizada com o sugestivo nome de “nádegas-cofre”. Esses são apenas alguns exemplos contundentes da relativização da corrupção entre pessoas muito próximas do governo, e, como é consabido, algumas de dentro da casa do Presidente. Ainda assim, insistem em atentar contra a inteligência coletiva, quando afirmam combater a corrupção.

Em ditas circunstâncias, vale transcrever a definição genérica de corrupção editada pela Organização da Nações Unidas – ONU, que afirma: “[…] corrupção seria o abuso da função pública para ganho pessoal direto ou indireto – ganho indireto incluiria benefícios que alguém assegura indevidamente para a sua organização”.

E como dito por Machado de Assis, na frase com a qual início esse artigo, a corrupção é o substantivo que fica dessa realidade. Não é preciso dizer mais.

*Jornalista, sociólogo e doutor em Ciências Políticas


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23/10


2020

Mendonça diz que vai liderar retomada da conclusão do BRT

Mendonça Filho, candidato a prefeito do Recife pelo DEM, disse, hoje, ao visitar a estação BRT da Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, que vai liderar a discussão para a conclusão do projeto, que foi abandonado pela gestão do PSB antes mesmo de ter funcionado. “Fizeram um investimento astronômico de mais de R$ 400 milhões e o BRT nunca chegou perto de seu projeto original, que era para ter sido um grande avanço na mobilidade urbana. E agora, a incompetência do PSB, no estado e no Recife, chega ao cúmulo de desativar estações e tirar de circulação os ônibus articulados, um descaso”, disse.

O democrata declarou que o Recife só vai melhorar as condições de locomoção com a conclusão e implementação do Plano de Mobilidade. Ele recordou que as gestões do PT e do PSB, à frente da Prefeitura do Recife há 20 anos, não instituíram um plano desse porte, mesmo a capital apresentando um dos piores tráfegos do mundo e o Brasil tendo instituído a Lei de Mobilidade Urbana em 2102. Segundo ele, na sua gestão haverá a elaboração e conclusão do plano bem como a implementação das ações necessárias para o ordenamento e a melhoria da circulação de pessoas e veículos e cargas.

O projeto do BRT deveria ser um legado da Copa do Mundo de 2014, que teve o Recife como uma das cidades-sede, mas se tornou outra promessa incompleta da gestão socialista. O empreendimento também estava atrelado à Cidade da Copa, no entorno da Arena Pernambuco, obra investigada por superfaturamento, e que nunca saiu do papel prejudicando, também, a população de cidades do Grande Recife. Com a desativação do BRT, todos os dias cerca de 56 mil passageiros são prejudicados em suas locomoções.

Mendonça afirmou que no processo de retomada dos corredores do BRT a prefeitura vai atuar, enquanto parte do Consórcio Grande Recife, para garantir a retomada e plena operação do sistema de transporte. A prioridade é absoluta para o transporte de passageiros – modais, metrô, BRT, ônibus - através de acessibilidade plena aos terminais de integração, estações e paradas exclusivas nos corredores metropolitanos em toda a sua extensão. Haverá a reestruturação dos corredores exclusivos (Linha Azul) de ônibus, elevando sua extensão e priorizando a continuidade e o cuidado na segurança, calçadas e paradas. O projeto Busão Conectado também será implementado com internet gratuita para os passageiros nos ônibus que circulam no Recife.


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23/10


2020

Marília propõe ampliar coleta seletiva no Recife

Durante uma visita ao Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC), no bairro de Apipucos, hoje, a candidata à Prefeitura do Recife pelo PT, Marília Arraes, afirmou que vai ampliar a coleta seletiva no Recife.

Atualmente, cerca de 50% dos bairros da cidade recebem a coleta. "A coleta seletiva no Recife é muito deficiente, já que atinge um pouco mais de 50% dos bairros da cidade. Vamos ampliar essa coleta seletiva e oferecer incentivos para as pessoas, para os condomínios, colaborarem com a Prefeitura nesse sentido", ressaltou.

Marília também afirmou que apoiará projetos como o realizado pelo CRC, que qualifica jovens para o mercado de trabalho, gerando impacto social e ambiental. Como deputada federal, Marília destinou uma emenda parlamentar de R$ 330 mil para o Centro, que atua com reciclagem eletrônica.

“Hoje em dia, somente 3% do lixo eletrônico produzido no Recife é reaproveitado. É um absurdo, porque o lixo eletrônico gera renda, gera desenvolvimento, gera oportunidade para esses jovens que estão aqui se qualificando. Somente aqui no CRC, 250 jovens por ano se qualificam. Imagine se tivesse um incentivo de verdade da prefeitura para esse tipo de ação. E também preserva o meio ambiente", defendeu.


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23/10


2020

Arcoverde: Promotor pede condenação de Welington da LW

Após a justiça se pronunciar sobre os fatos dos drive in, o promotor Eleitoral de Arcoverde, Diógenes Luciano Nogueira Moreira, em parecer emitido hoje, na representação eleitoral n. 0600301-40.2020.6.17.0057, apresentou ao juiz Eleitoral do município as razões para a condenação do candidato a prefeito da Coligação União por Arcoverde (Wellington) e dos candidatos que participaram do tal “drive in” domingo passado, dia 18 de outubro, na Av. José Bonifácio.

Segundo consta do próprio parecer da promotoria eleitoral, o evento que causou grande aglomeração de pessoas ocorreu em desobediência a sentença que havia proibido eventos dessa natureza.

Segundo o promotor, os denunciados realizaram o evento como se fosse drive-in, entretanto, não foi observado pessoas no interior dos automóveis, mas sim do lado de fora e em frente a um palco que foi montado no local.

Dr. Diógenes Moreira destacou ainda que "o descumprimento da decisão é tão acintoso que até mesmo uma espécie de camarote foi improvisado no que aparenta ser uma carroceria de caminhão, promovendo intensa aglomeração de pessoas em reduzido espaço, o que em nada se coaduna com o espírito da decisão ao permitir a realização de evento na modalidade drive-in”.

Com base nesses fatos, a promotoria eleitoral concluiu que está cabalmente comprovado o descumprimento da decisão judicial e recomendou que seja aplicada, em desfavor da Coligação representada, e de cada candidato participante do evento, de forma individualizada, a multa no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) prevista na decisão judicial descumprida.


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23/10


2020

Miguel promete abrigo para pessoas em situação de rua

Os investimentos para a área social seguirão como prioridade para o prefeito de Petrolina e candidato à reeleição, Miguel Coelho. No programa de governo do candidato pelo MDB, duas propostas são estratégicas para a proteção de pessoas em condição de vulnerabilidade. Miguel quer implantar um abrigo para pessoas em situação de rua e dois novos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

As duas ações integram o eixo social do programa de governo para os próximos quatro anos do político sertanejo. As novas unidades do CRAS estão planejadas para atender o público da área irrigada e os residenciais Monsenhor Bernardino e Vivendas.

Já o abrigo público será o primeiro equipamento desse tipo em Petrolina. Atualmente, a população de rua é atendida em um espaço provisório, no Ginásio Osvaldo do Flamengo, e pelo Centro Pop com atendimentos diários, alimentação, banho e outros serviços de acolhimento. O novo abrigo oferecerá um tratamento especializado e com dormitórios permanentes para iniciar o processo de reinserção desse público na sociedade com dignidade.

Petrolina atualmente é a cidade pernambucana com o melhor desempenho no ranking que avalia a qualidade dos Centros de Assistência. O índice ID CRAS do município sertanejo subiu em quatro anos para a nota 4,1 (numa pontuação de 1 a 5), propiciando a liderança em Pernambuco. "Fortalecemos o trabalho social em Petrolina com equipamentos novos e criação de serviços. No nosso segundo governo, criaremos duas unidades do CRAS em locais estratégicos. Além disso, vamos oferecer um abrigo fixo para a população de rua e desenvolver ações para inclusão dessas pessoas na sociedade com respeito e dignidade", assegura Miguel Coelho.


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23/10


2020

Justiça suspende drive-in em Arcoverde

O juiz eleitoral da 57ª Zona, Drauternani Pantaleão, suspendeu, no início da tarde de hoje, a realização do único evento ainda autorizado nas campanhas eleitorais de Arcoverde, os drive in. O principal motivo que levou a suspensão deste tipo de evento foi o realizado pela coligação do candidato Wellington da LW (MDB) domingo passado que provocou enormes aglomerações, contrariando determinação anterior da justiça eleitoral. Com isso, o drive in previsto para a noite desta sexta-feira pela coligação União por Arcoverde não poderá ocorrer.

Com a medida tomada diante das irregularidades cometidas pela coligação União por Arcoverde, todas as demais coligações também ficarão impedidas de realizar tais eventos. Além de Wellington, disputam a prefeitura de Arcoverde os candidatos Zeca Cavalcanti (PTB), Francisco Leite (PSL) e Cybele Roa (Avante). Anteriormente a justiça eleitoral já havia proibido as carreatas, caminhadas, motocadas e bicicletadas, além dos comícios tradicionais devido a pandemia da Covid-19.

Na decisão o juiz diz claramente que serão mantidos “suspensos os eventos de campanha realizados em formato drive-in, uma vez que conforme restou demonstrado no evento dessa natureza realizado no dia 18 de outubro de 2020, ocorreu indevida aglomeração de pessoas, em manifesta desobediência ao que restou determinado por esse juízo na sentença proferida no Pedido de Providências n.º 0600293-63.2020.6.17.0057, bem como às regras sanitárias de distanciamento social”.

Relata o juiz em sua decisão que “após a realização do evento no dia 18 de outubro de 2020, pela Coligação União por Arcoverde, as demais coligações compareceram em juízo, dando ciência do descumprimento da sentença, tendo em vista a ocorrência de aglomeração, e pediram providências ao juízo, bem como a cientificação do Ministério Público para adoção de providências”.

Além da multa de R$ 50.000,00 para cada candidato, a decisão também determina-se a expedição de ofícios ao Comandante do Batalhão de Polícia Militar de Arcoverde e ao Delegado Municipal de Polícia Civil, para que procedam com a devida fiscalização para fins de fiel cumprimento da presente decisão, bem como para adoção das medidas necessárias previstas em lei, em caso de descumprimento.


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23/10


2020

Célia faz caminhada amanhã em Nossa Senhora do Ó

A candidata à reeleição para a Prefeitura de Ipojuca, Célia Sales (PTB), realiza, amanhã, a partir das 17h, no bairro de Nossa Senhora do Ó, a sua primeira caminhada de campanha. O evento contará com a presença da sua vice, Patrícia de Leno; do senador Fernando Bezerra Coelho; do deputado federal Fernando Filho e dos deputados estaduais Romero Sales Filho e Antônio Coelho. O evento ainda terá a presença de todos os candidatos a vereador que apoiam a coligação “Por amor a Ipojuca e ao ipojucano”, que reúne 14 partidos, incluindo o PTB.

Nos últimos dias, Célia tem dedicado suas agendas de campanha a atividades como porta a porta e reuniões com setores específicos. Nesse período, já foram realizadas visitas a comunidades de Camela, Nossa Senhora do Ó, Ipojuca sede, praias e área rural. Em cada um deles, a candidata passa de 3 a 4 horas porque faz questão de conversar com cada morador.

Também foram feitas reuniões com representantes dos bugueiros, garçons, ambulantes, entre outros. “Em todos esses encontros, a população tem deixado claro o apoio a nossa candidatura porque fizemos muito nos últimos três anos e meio. Mas ainda há muita coisa para fazer já que a cidade foi dominada pelo mesmo grupo durante mais de 20 anos”, ressalta Célia Sales, lembrando que ela só assumiu o cargo em maio de 2017, após a realização de eleição suplementar.


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