Faculdade de Medicina de Olinda 2

19/09


2019

Uma causa muito nobre e seus infectos parasitas

Por José Nêumanne*

Quando Samuel Johnson, tido e havido como o intelectual por excelência na História do Reino Unido, cunhou sua mais famosa entre célebres sentenças definitivas, “o patriotismo é o último refúgio de um canalha”, referiu-se especificamente ao próprio partido político, o Patriotas. O sábio sentia-se incomodado com a invasão da sigla por oportunistas, que se aproveitavam para defender não a causa patriótica a que se referia a denominação, mas diversas maneiras de se aproveitarem do nacionalismo para negócios e interesses próprios. Os movimentos anticolonialistas e o espírito bélico das duas guerras mundiais no século 20 transformaram sua frase em libelo contra o nacionalismo, usado com êxito por nazistas e fascistas.

Essa discussão despertada pelo post de Carlos Bolsonaro é o momento de, sem abrir mão das conquistas civilizatórias da democracia (governo do povo), parodiar a sentença do século 18 na “pérfida Albion” no debate político aqui e agora. A primeira reação provocada pela crítica exposta em redes públicas é sobre poder, relevância e respeito que se deve, ou não, ao autor. Ao lê-la, este escriba lembrou-se de uma anedota clássica do século 20. Diz-se que Pierre Laval, primeiro-ministro da França, ansioso para evitar que os alemães invadissem seu país, sugeriu a Josef Stalin que ganhasse apoio dos católicos aproximando-se do papa Pio 12 para fazer frente a Adolf Hitler. Stalin teria respondido: “O papa?! E quantas divisões (militares) tem o papa?”. Ao ouvir a história, Eugenio Pacelli teria respondido: “Diga a meu filho Josef que ele encontrará minhas divisões no céu”. O filho “02” do presidente da República é um general sem bastão de um exército desarmado de seguidores em redes sociais. Um Aedes Aegypt tem poder mais demolidor sobre o regime do que ele.

É mais nociva para nossas instituições democráticas sua falta de representatividade do que arroubos da prole do capitão, esta ou a ameaça de fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) com cabo, soldado e jipe.

A sensação de que a democracia no Brasil é o último refúgio dos corruptos não resulta da impaciência de um vereador nota zero na Câmara do Rio, nem das grosserias do pai dele contra a alta comissária dos Direitos Humanos nas Nações Unidas e Brigitte Macron. Mas da insidiosa mistura que os pseudoarautos do chamado governo do povo, pelo povo e para o povo fazem de seus interesses pessoais e de classe com a vontade popular. A Câmara dos Deputados – composta por um sistema de proporcionalidade que faz o voto de um paulista que mora no Acre 13 vezes mais poderoso do que um acreano eleitor em São Paulo – atua como um clube fechado de líderes de partidos, e não como o poder da cidadania.

Fala-se muito em “democracia representativa” no Brasil, mas a verdade é que, da forma como ela tem funcionado na prática, está mais para uma “cleptocracia partidária”. A distorção matemática, que impede a verdadeira representação do cidadão, relegada ao Executivo de União, Estados e municípios, tem um filhote infame na instituição que exerce o poder de fato no tal “presidencialismo de coalizão”. A Câmara tem 30 bancadas, recorde na História da República. Isso provoca um distanciamento crucial das votações em relação ao cidadão. Ao talante de seu chefão, leis de importância capital para a lisura e a consequente reputação da Casa são submetidas a votações simbólicas pelos líderes das bancadas, que decidem em alinhamento com as direções partidárias, sem prévias audiências públicas.

O texto da lei contra o abuso de autoridade, por exemplo, foi aprovado no Senado e ficou dois anos na Câmara, até passar em rito sumário e votação só de líderes. Deputados presentes tentaram exigir do presidente da sessão, Rodrigo Maia, verificação de quórum para fazer votação nominal, mas ele impôs sua vontade pessoal, jogando a democracia no lixo em nome dela própria.

Outro soit-disant arauto da democracia, Davi Alcolumbre, tentou golpe similar na semana passado para aprovar no Senado projeto ainda mais infame, em teoria, de reorganização dos partidos, mas teve de adiar para esta pela insistência de testemunhas de seu cinismo. Esse projeto autoriza parlamentares acusados de corrupção a usar recursos públicos para remunerarem advogados e dispensa partidos de pagarem multas por infrações à lei eleitoral. Os deputados da esquerda e do Centrão, com ajuda de parte da base governista, lutam para aumentar o fundo eleitoral para absurdos R$ 3,7 bilhões, aprovaram a permissão para os partidos pagarem passagens aéreas para filiados ou não com dinheiro público e retiraram as contas bancárias dos partidos dos controles da Receita Federal de Pessoas Politicamente Expostas. Um execrável descalabro!

Davi Alcolumbre, que, acumpliciado com o relator Roberto Rocha (PSDB-MA), arquivou o inquérito sobre a fraude na eleição que o pôs na presidência do Senado, em que foram computados 82 votos depositados por 81 senadores, e mantém a Casa sem Comissão de Ética, fez veemente defesa da democracia. Rodrigo Maia, eleito com 70 mil votos, no fim da fila da proporcionalidade, e feito presidente da Câmara com apoio do PCdoB ao DEM, também não perdeu a oportunosa ensancha para defender a nobre causa, da qual ele é um dos mais oportunistas parasitas.

O regime dos iguais foi desagravado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que se julga preterida por Bolsonaro, apesar de não ter figurado na lista tríplice dos colegas, e pelo decano do STF, Celso de Mello, que, sem condições de saúde de dar expediente, não cede o alto posto. Na Câmara dos Deputados, Eduardo socorreu o irmão “02” com a frase célebre “a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”, da lavra de Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a 2.ª Guerra Mundial, ou “Wilson Church”, em sua prova rara de amor e erudição.

*Jornalista, poeta e escritor


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Prefeitura de Abreu e Lima

Confira os últimos posts

11/11


2019

Bolsonaro é convidado para assistir a Paixão de Cristo

Durante sua visita ao município de Campina Grande, na Paraíba, hoje, o presidente Jair Bolsonaro foi convidado pelo presidente da Sociedade Teatral de Fazenda Nova, Robson Pacheco, para assistir ao espetáculo da Paixão de Cristo 2020, em Nova Jerusalém. No próximo ano, o espetáculo acontecerá entre os dias 4 e 11 de abril. Este ano, mesmo tendo sido convidado, o presidente não compareceu ao evento.


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Prefeitura de Paulista

11/11


2019

Henry sem Jarbas na filiação de Miguel

O ato de filiação do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, ao MDB, neste momento, conta com a presença do presidente nacional da legenda, Baleia Rossi (SP), do governador de Brasília, Ibaneis Rocha, do presidente estadual Raul Henry, e do senador Fernando Bezerra Coelho, mas a ausência mais sentida é a do senador Jarbas Vasconcelos.


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Prefeitura de Serra Talhada

11/11


2019

Meu editorial no Frente a Frente em homenagem a Inaldo

Se você perdeu o Frente a Frente de hoje, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife, escute agora o meu editorial.


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11/11


2019

“Não vou responder ao Lula”, afirma Bolsonaro

Blog do Camarotti

Em conversas com interlocutores, hoje, o presidente Jair Bolsonaro revelou que gostaria de ter respondido aos ataques disparados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no discurso que o petista fez no sábado, em São Bernardo do Campo, um dia após deixar a prisão.

Mas, a esses interlocutores, o presidente argumentou que não iria bater boca nem contestar as críticas porque isso poderia prejudicar o ambiente econômico. “Não vou responder ao Lula para não afetar a economia”, desabafou Bolsonaro.

Entre outras coisas, Lula disse que Bolsonaro foi eleito para governar para o povo e não para os milicianos do Rio de Janeiro. Também chamou o ministro da Economia, Paulo Guedes, de "demolidor de sonhos" e "destruidor de empregos e de empresas públicas brasileiras".

Antes do discurso de Lula na tarde de sábado, Bolsonaro falou na entrada do Palácio da Alvorada. “A grande maioria do povo brasileiro é honesto, trabalhador e nós não vamos dar espaço nem contemporizar com presidiário. Ele está solto, mas continua com todos os crimes dele nas costas", afirmou o presidente na ocasião.


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Prefeitura de Limoeiro

11/11


2019

Major Olímpio pede prisão preventiva de Lula

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com base na Lei de Segurança Nacional. O argumento do senador é que o petista, livre da prisão desde a última sexta-feira, incitou a violência contra a ordem pública ao pedir para a militância “atacar” como manifestantes no Chile. As informações são do Estadão.

No sábado, em São Bernardo do Campo, Lula chamou militantes para uma reação ao governo do presidente Jair Bolsonaro, declarando ser necessário “atacar” e não apenas se defender. “É uma questão de honra a gente recuperar esse País. A gente tem que seguir o exemplo do povo do Chile, do povo da Bolívia. A gente tem que resistir. Não é resistir. Na verdade, é lutar, é atacar e não apenas se defender. A gente está muito tranquilo”, declarou Lula.

Na representação, Olímpio pede ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para requerer a prisão preventiva de Lula por incitar a subversão da ordem pública e instaurar procedimentos para responsabilização por crimes previstos na Lei de Segurança Nacional e na legislação que tipifica os crimes contra o Estado e a ordem política e social.

“Uma incitação desta natureza ultrapassa qualquer razoabilidade de liberdade de expressão e demonstra um projeto de poder que quer se utilizar da violência e da quebra da ordem pública para a proteção de criminosos”, diz Olímpio no documento encaminhado à PGR.


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Comentários

Alberto Costa Santos

Deveria pedir o enquadramento do filho de Bolsonaro que fala demais.


Capacitação de Candidatos

11/11


2019

Partidos de esquerda e centro resistem a 2ª instância

Além dos partidos de esquerda, também os do centro resistem a aprovar as PECs (Propostas de Emenda Constitucional) que tramitam na Câmara e no Senado para instituir a prisão logo após condenação em segunda instância.

Há duas PECs prontas para serem analisadas tanto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara como na CCJ do Senado.

A PEC do Senado é de autoria do senador Oriovisto Guimarães. Insere um inciso XVI no art. 93 da Constituição Federal para permitir a possibilidade de "execução provisória da pena, após a condenação por órgão colegiado".

As decisões da Justiça em 2ª instância são tomadas por órgãos colegiados, os Tribunais de Justiça. Clique aqui e confira a matéria do jornalista Tales Faria na íntegra.


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Magno coloca pimenta folha

11/11


2019

Vaias para a vice-governadora de Campina Grande

O Antagonista

Na cerimônia de entrega de 4.100 unidades de um conjunto habitacional em Campina Grande (PB), o governador João Azevêdo, do PSB, adversário de Jair Bolsonaro, não compareceu.

Mas ele mandou a vice-governadora, Lígia Feliciano, que teve de enfrentar uma vaia estrondosa ao fazer o seu pronunciamento.

“Não existe povo de oposição e não existe povo de situação. Existe um povo só, o povo paraibano”, afirmou Lígia.

Ela agradeceu a Bolsonaro pela inauguração do conjunto habitacional. “O importante é que não houve diferenças políticas, porque o conjunto começou neste ou naquele governo. Hoje termina aqui uma obra histórica e é preciso, sim, parabenizar”.


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Comentários

gilson

Eita, novidade, nao sabia que Campina Grande foi transformada em Estado.


Shopping Aragão

11/11


2019

Políticos sentem perda de Inaldo Sampaio

“Com consternação e pesar, recebemos a triste notícia do falecimento do jornalista político Inaldo Sampaio, hoje. A morte tirou um dos melhores jornalistas da atualidade, cuja responsabilidade e apuro com os princípios do bom jornalismo eram marcas registradas da sua profícua trajetória profissional. Inaldo era um profundo conhecedor da política pernambucana.

Sua capacidade analítica e seriedade cativaram seus leitores e ouvintes. Seu legado de trabalho, certamente, será lembrado ainda por muitas gerações e merece o nosso respeito e admiração.

Solidarizamo-nos com a família, amigos e colegas de trabalho por esta perda irreparável”. – José Humberto Cavalcanti, presidente estadual do PTB.

“O jornalismo perde, hoje, um grande profissional. Inaldo Sampaio foi exemplo de exercício da profissão com ética e respeito. Nunca deixou de dar suas opiniões, mas sempre respaldado nos princípios do bom jornalismo. Além de mestre na arte de escrever, era talentoso músico e se apresentou várias vezes no São João de Caruaru com a sua banda Pingo Fogo. À família e amigos, deixo meu abraço solidário”. – José Queiroz, deputado estadual pelo PDT.

“O jornalismo pernambucano está de luto com a partida precoce do colunista e músico Inaldo Sampaio, uma referência da imprensa do nosso Estado. Expresso as minhas condolências à família de Inaldo, a Ivanildo Sampaio, seu irmão, e ao povo de São José do Egito que, neste momento, chora a morte do seu filho ilustre”. – Tadeu Alencar, deputado federal e líder do PSB na Câmara.


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11/11


2019

Deputado lamenta falecimento de Inaldo Sampaio

Nota oficial

“O jornalismo pernambucano perdeu, hoje, um dos seus grandes nomes. E eu perdi um grande amigo. Conheci Inaldo Sampaio antes mesmo de eu entrar na vida pública.

Sempre solícito, dava-me sugestões e conselhos. O equilíbrio era uma das grandes virtudes de Inaldo. Era um jornalista de bom-senso, que prezava pela correção constantemente. Quando ele saiu do hospital há poucos dias, liguei para ele. A ligação o surpreendeu, porque fui a primeira pessoa a ligar após sua saída do hospital.

Inaldo Sampaio brilhou no jornalismo e o seu nome servirá de exemplo para futuras gerações.

Que Deus conforte seus familiares e que os abençoe sempre”.

Eduardo da Fonte, deputado federal e presidente estadual do PP


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11/11


2019

O contragolpe do 11/11

Por Ítalo Rocha Leitão*

Henrique Batista Duffles Teixeira Lott é um daqueles personagens da política brasileira que não devem nunca ser esquecidos pelas gerações da sua pós-existência.

Nascido no Interior de Minas Gerais, o general entrou para a história como herói por causa de uma humilhação que sofreu, embutida num “chá de cadeira“, que levou de um presidente da República.

O ano era o de 1955. Juscelino Kubitscheck estava eleito para governar o Brasil pelos próximos 5 anos. Ganhara as eleições pelo PSD. Logo após o pleito, teve início uma campanha ferrenha, comandada pelo deputado federal Carlos Lacerda, contra a posse e pela anulação das eleições. Dono do jornal A Tribuna da Imprensa, Lacerda puxava o cordão com o argumento de que Juscelino se elegera sem a maioria dos votos (36%). Mas, a Constituição não dizia que era necessária essa maioria, bastava ser o mais votado dos candidatos. A regra era clara e tinha sido aplicada para seus antecessores e teria que ser também para ele. Outros jornais também abriram espaço para as intenções dos golpistas. Sorrateiramente, Lacerda pregava que a volta de Juscelino era também o retorno do Getulismo. Nos meios militares, também crescia o movimento contra JK.

No primeiro dia de novembro daquele ano, um sábado de muita chuva no Rio de Janeiro, o ministro da Guerra, o general Henrique Teixeira Lott, saiu de casa para ir ao enterro do general Canrobert Pereira da Costa, vítima de câncer, ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Canrobert estava em evidência por ser, dentro do Exército, uma voz estridente contra a posse do presidente eleito. Ao pé da cova, um coronel do Exército, Jurandir Mamede, quebrou o protocolo e fez um discurso inflamado contra a posse do presidente eleito. O ministro Teixeira Lott fechou a cara. Se retirou sem aceitar os cumprimentos do coronel. Tinha uma visão rígida da disciplina militar. Não havia como aceitar o comportamento do coronel Mamede. As Forças Armadas, na sua opinião, tinham que ser legalistas e garantir a posse do vitorioso nas eleições de 3 de outubro de 1955.

Na memória do ministro da Guerra, outra imagem que o incomodou em todos os segundos que seu relógio marcou naquele fatídico dia foi o abraço efusivo que o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, dera no coronel Mamede, logo após o discurso golpista do militar. Assim como Juscelino, o deputado era mineiro e do mesmo partido do presidente eleito.

O fim de semana foi de muita angústia para o ministro da Guerra. Na segunda-feira, dia 3, os jornais deram destaque ao discurso do coronel. Lott ligou logo cedo para o gabinete da Presidência da República, no Palácio do Catete. Queria uma audiência com Café Filho, o vice que havia assumido a Presidência, no anterior ano anterior, depois do suicídio do presidente Getúlio Vargas. O ministro Lott tinha pressa em levar um relato sobre o coronel Mamede ao Presidente e comunicar que iria punir o militar por indisciplina e afronta à ordem legal. A via-crúcis do general para garantir a posse de JK tava só começando. Do outro lado da linha, veio o primeiro torpedo em direção ao ministro: O presidente Café Filho estava internado, no Hospital dos Servidores do Estado, desde a madrugada, com suspeita de problemas cardíacos.

Sete dias depois, com o Presidente ainda internado, o ministro da Guerra foi chamado para ser recebido pelo presidente em exercício, Carlos Luz, o mesmo que abraçara o coronel Mamede em louvor ao seu discurso golpista. Antes da audiência, o general levou um chá de cadeira de 1 hora e meia. A humilhação foi vista por integrantes do alto escalão do governo. O diálogo foi de potência pra potência. Quando Lott ainda estava descrevendo o episódio, foi interrompido: “Não há o que punir!”. O tiro de Carlos Luz foi certeiro. Mas, o ministro não era de se entregar. Estava disposto a só fazê-lo “na morte e de parabelo na mão!”. E também disparou em direção a Carlos Luz: “A quem devo entregar o cargo?”. O Presidente em exercício não titubeou um segundo em responder: “Para o general Fiúza de Castro”. Lott se sentiu derrotado e se ofereceu a passar o cargo ao sucessor naquela mesma hora. Carlos Luz disse que podia deixar para a tarde do dia seguinte.

Já era noite e o general Lott recebeu, em casa, o general Odílio Denys, comandante da Região Militar do Rio de Janeiro. Contou a ele tudo que aconteceu naquela tarde, no Gabinete da Presidência da República. O comandante chamou o ministro para reagir. Ele não aceitou. Se despediram. Quando chegou a madrugada, Lott, que até então não havia conseguido dormir, levantou da cama, se aprontou e foi para a casa do general.

Estava amanhecendo o 11 de novembro. Seguiram para o Ministério da Guerra, já na companhia de outros generais. Ali, instalaram as bases militares para agir em nome da lei e da ordem.

O dia já tinha clareado quando Lott foi avisado que o presidente Carlos Luz estava ao telefone. Não foi atendê-lo. Estava ocupado. Tanques e outros veículos do Exército já eram vistos pelas ruas do Rio. Carlos Luz percebeu a situação embaraçosa que havia criado para si e para o governo e se refugiou num navio da Marinha, o cruzador Tamandaré.  Com ele, ministros, assessores e o coronel Jurandir Mamede.

No decorrer dos fatos, com o presidente Café Filho hospitalizado e Carlos Luz refugiado, o general Lott conseguiu que o Congresso aprovasse o impedimento do presidente em exercício, que foi substituído pelo senador Nereu Ramos, presidente do Senado. Carlos Lacerda partiu para um exílio voluntário. O presidente Café Filho, depois de receber alta médica, teve seu impedimento também aprovado Congresso. Em 31 de janeiro de 1956, Nereu Ramos passou o governo para o presidente eleito Juscelino Kubitscheck. O general Teixeira Lott chegou a concorrer à Presidência da República contra Jânio Quadros, nas eleições de 1960. Quatro anos depois, se retirou da vida pública por discordar do Golpe Militar de primeiro de abril de 1964. Morreu aos 89 anos, em 1984, no Rio de Janeiro.

*Jornalista


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