FMO janeiro 2020

21/03


2017

Isso sempre foi assim mesmo. E daí?

Por José Nêumanne*

Acusar polícia de idiotice não trará de volta compradores de nossa carne no exterior

Na sexta-feira, o Brasil recebeu a chocante notícia de que muitos frigoríficos nacionais – entre os quais, os maiores – protagonizavam um escândalo que atingia ao mesmo tempo o bolso e o estômago dos brasileiros: a maquiagem de carne podre com ácido ascórbico e a mistura de papelão e outros ingredientes indesejados nos embutidos nossos de cada dia. O País é o maior exportador mundial de carne. Et pour cause, a venda de alimentos contaminados com o beneplácito da fiscalização federal, além de nociva à saúde do consumidor interno, prejudica as receitas de exportação num momento de penúria causada pela maior crise econômica da História.

Numa reação inédita, o presidente Michel Temer, que até hoje não se dignou a visitar os presídios conflagrados no início do ano em Manaus, Boa Vista e Nísia Floresta, na Grande Natal, chefiou uma série de reuniões para anunciar medidas como compor uma força-tarefa para reforçar a fiscalização da pecuária. Além disso, o episódio provocou uma reação indignada do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que, em defesa de seus parceiros da agroindústria, condenou a investigação policial. Numa entrevista em que esquartejou a pobre língua portuguesa com uma sequência atroz de barbarismos inaceitáveis num aluno de grupo escolar, reclamou da ausência dos investigados na avaliação técnica da investigação. E classificou de “idiotice” insana a interpretação do uso de papelão na carne, atribuindo-o à embalagem e esquecendo-se de informar desde quando frigoríficos exportadores embalam carne com o dito material.

O presidente Michel Temer defendeu a Polícia Federal (PF), que, num desvario dos desesperados ante os efeitos maléficos da divulgação da investigação, foi comparada aos responsáveis por um dos maiores erros policiais, com cumplicidade dos meios de comunicação, da História: o caso da Escola Base, em São Paulo. Nenhum dos acusadores, contudo, se lembrou de apontar uma causa lógica para tamanha irresponsabilidade da PF.

Nervoso e confuso, Temer adotou a desculpa usada pelos pecuaristas, que também participaram da reunião dele com a imprensa e 40 diplomatas das embaixadas de 27 países compradores: das 4.837 unidades sujeitas à inspeção federal, apenas 21 foram acusadas de irregularidades. “E dessas 21, seis exportaram nos últimos 60 dias.” Para provar sua convicção, o presidente convidou os presentes no encontro para comer carne de boi, postando em seu Twitter: “Todas as carnes servidas ao presidente Temer e embaixadores na churrascaria Steak Bull eram de origem brasileira”. Mas a Coluna do Estadão foi informada pelo gerente, Rodrigo Carvalho, que tinham corte europeu, uruguaio e australiano. Um papelão!

Vexames do tipo poderiam ser evitados se o governo tratasse o escândalo com a transparência sugerida pelo ministro Maggi, “rei da soja”, citado nas delações premiadas da Odebrecht e tido como responsável por metade da devastação ambiental brasileira entre 2003 e 2004, segundo o Greenpeace. Não será com truques de malandro campainha (que se anuncia antes de assaltar) que os governantes e pecuaristas brasileiros manterão seus mercados, invejados por outros grandes e poderosos produtores de carne. De Genebra, Jamil Chade relatou que, se o Brasil não retirar essas companhias da lista de exportação, a União Europeia vai bloquear a entrada dos produtos. E China, Hong Kong e Chile informaram oficialmente ao Ministério da Agricultura a suspensão de importação de nossa carne.

Não é desprezível a afirmação do delegado Maurício Moscardi Filho de que a propina que a PF diz ter sido paga a fiscais irrigava contas do PMDB e do PP. Esses partidos – antes aliados de Dilma e agora, de Temer – ocupam a pasta há 18 anos. Maggi trocou o PR pelo PP para assumi-la na atual gestão. E esse não é o primeiro dano provocado pelo loteamento do governo federal.

Não faltará quem lembre que se compram fiscais nestes trágicos trópicos desde o desembarque de Cabral em Porto Seguro. Já há também quem lembre que corrupção na política não é uma exclusividade brasileira, uma jabuticaba, como se usa correntemente. Pois sim! E não disse Otto Eduard Leopold von Bismarck-Schönhausen, duque de Lauenburg, unificador da Alemanha sob o punho da Prússia, morto antes da chegada do século 20, que “os cidadãos não dormiriam tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis”? Pois então...

A sábia sentença vale como nunca no Brasil destes nossos idos de março, nos quais não faltam também trágicos avisos, como o que o general romano Júlio César ouviu, nas ruas de sua Roma, de um vidente anônimo sobre os punhais que o esperavam na escadaria do Senado. A não ser que a PF tenha cometido barbaridade similar à da Escola Base, em que um casal de educadores perdeu tudo pela acusação cruel de uma criança que viralizou na imprensa, a onda de lodo que se abateu sobre toda a República não terá poupado a galinha de ovos de ouro da economia nacional: nossa produtiva, próspera e moderna agroindústria. Se a polícia exagerou, o caso merece punição pesada.

Mas se a polícia contou, como parece lógico, a verdade, não dá para cair na lorota do empreiteiro Emílio Odebrecht, que desonrou a memória do pai, Norberto, que construiu e deu nome à maior empreiteira do Brasil, pretendendo conquistar o perdão para o filho, Marcelo, e seus comparsas. E, para tanto, adotou o mantra sórdido de Tavares, o canalha cínico encarnado por Chico Anysio: “Eu sou, mas quem não é?”. Ou seja, “não foi?”.

A Operação Carne Fraca, que deveria chamar-se Carne Podre ou Carniça, precisa abrir a caixa-preta onde se guardam mistérios como o milagre da multiplicação das picanhas, em que uma família de pequenos açougueiros de Anápolis hoje controla a empresa campeã na produção de proteína animal neste mundão todo.

*Jornalista, poeta e escritor


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Dickson Franklin Alves de Lima

Das minhas reflexões que faço sobre o que vi, ouvi e li referente à Operação Carne Fraca, veiculados pela mídia e pelas autoridades governamentais e, principalmente, pela PF, faço as seguintes ponderações: 1) Toda preocupação governamental parece não estar em demonstrar se a mulher se César era honesta, mas dá a impressão que apenas quer dizer que ela era honesta. 2) Em outras palavras, a preocupação não é de se demonstrar que uma organização governamental, contaminados em corrução relativas ao afrouxamento das fiscalizações, podem ter colocado no mercado produtos inadequados ao consumo, implicando desrespeito à dignidade da pessoa humana, desprezo à saúde pública e à segurança alimentar! 3) A ênfase parece em dizer, de pronto, que não existiu produtos irregulares e o que aconteceu foram meras anormalidades sem efeito sobre a produção! 4) O governo deveria se colocar exercendo rigorosa fiscalização nos servidores dissonantes e auditar o trabalho deles para averiguar qual a extensão do que fez e por que o fez, para o funcionamento inadequado do sistema produtivo de carnes! 5) Note-se que, dos 36 presos pela PF, dois deles são da cúpula de alguns dos órgãos de fiscalização agropecuária mais importantes da federação, que foram os titulares da Superintendência do Ministério da Agricultura, no Paraná e em Goiás, que eram os condutores do gerenciamento daquela fiscalização. 6) Assim, na podridão da corrução na fiscalização agropecuária, deixa-se de se PRIVILEGIAR O VALOR DA VIDA DOS BILHÕES DE CONSUMIDORES, que estão com a sua dignidade em exposta para, mesmo com o risco dos danos a estes últimos, se DEFENDER E SACRALIZAR O MERCADO, O LUCRO e, para tanto, joga-se, emocionalmente, A CÍNICA INDIGNAÇÃO NA PREOCUPAÇÃO COM 6 (SEIS) MILHÕES DE DESEMPREGADOS. 7) A referida operação não foi um simplório acontecimento de polícia repressiva, mas a consequência de 2 (dois) anos de investigação, gerando a necessidade de emprego de 1.500 policiais para fazerem diligências com vistas a realizar prisões, apreender documentos e produtos e empregar cerca de 70 (setenta) peritos, tudo com a devida autorização judicial! 8) Países que sabem que onde há fumaça a fogo não serão tolos em acreditar que se trata apenas de uma pequena amostra de fiscais, dentre 4 mil existentes, que cometeram ligeiras irregularidades sem efeito na possibilidade de se distribuir produtos que não deveriam ter sido distribuídos para o mercado. 9) Não foi por acaso que alguns dos maiores importadores de nossas carnes suspenderam a importação totalmente ou parcialmente e exigem que o governo não só diga o que está acontecendo, mas prove o mais rápido possível.

LUIZ MAIA

A corrupção sistêmica no Estado brasileiro não pode ser ignorada por um tipo de imprensa que apenas repete o que dizem aqueles mesmos que estão sendo investigados. Desde que foi deflagrada a Operação Carne Fraca, o governo de Michel Temer corre para tentar minimizar o prejuízo financeiro produzido pelo escândalo, mas fecha os olhos para a dimensão da corrupção investigada na \'Operação\'. Vamos acreditar na PF [...]


Cabo de Santo Agostinho

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11/08


2020

PMB declara apoio à Katiana Gadelha em Abreu e Lima

O presidente estadual do Partido da Mulher Brasileira (PMB), Wedson Alves, reuniu-se, na tarde de hoje, com Katiana Gadelha (PDT) para confirmar o apoio do partido à sua pré-candidatura a prefeita de Abreu e Lima.

De acordo com Wedson, Katiana representa a força da mulher na política e tem as melhores propostas para mudar a realidade da cidade. "Nosso objetivo nas eleições deste ano é ampliar a participação da mulher nos espaços de representação municipal. O projeto político de Katiana tem uma identificação muito forte com os ideais do PMB, por isso estamos juntos e misturados nessa luta", explicou.

A integrante do PDT disse que as alianças políticas são sempre muito importantes e são costuradas em todos os lugares. "Na nossa gestão, vamos desenvolver um trabalho voltado para o empoderamento das mulheres", prometeu ela.


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Prefeitura de Serra Talhada

11/08


2020

Jaboatão: Trabalhadores da cultura se cadastram em auxílio

A Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, está convocando os espaços culturais e trabalhadores do setor para fazer o cadastramento para receber o benefício previsto pela Lei Aldir Blanc. Os profissionais residentes da cidade podem fazer a inscrição pela internet, até o dia 31 de agosto. As informações são do G1/PE

O benefício, em forma de auxílio financeiro de R$ 600, é concedido aos profissionais informais que atuam nas linhas culturais, como cantores, atores, artistas, técnicos, diretores etc.

A lei também prevê o repasse federal de R$ 3 bilhões a estados e municípios para o pagamento do auxílio e para a gestão de espaços culturais e linhas de crédito para micro e pequenas empresas do setor.

O Senado também aprovou, em 22 de julho, o texto que prevê que os recursos que não forem destinados, em até 120 dias pelos estados e municípios ao auxílio dos trabalhadores e espaços, deverão ser revertidos para fundos estaduais e municipais de cultura.


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Abreu e Lima - Prefeitura - Abreunozap

11/08


2020

Fernando Veloso deixa rádio para se dedicar à eleição

O jornalista Fernando Veloso deixou, ontem, de apresentar o programa Fala Goiana, da Rádio Nova FM, em obediência a legislação eleitoral. Fernando vai agora se dedicar à sua pré-campanha para prefeito de Goiana.

O jornalista, pré-candidato pelo Democratas, destacou que vai intensificar a comunicação através das redes sociais, um espaço que crescendo por causa da Covid-19. “As ideias, propostas e sugestões são muito bem vindas. É assim que vamos construir nosso programa de Governo, ouvindo as pessoas e respeitando as opiniões”, afirmou


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11/08


2020

Secretários de Guedes pedem demissão

A equipe econômica do Governo Bolsonaro vai sofrer duas novas baixas nos próximos dias. Os secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar (foto), e o de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, pediram demissão, há pouco, ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

A informação foi confirmada pelo ministro Paulo Guedes em entrevista coletiva no começo da noite.

Segundo a CNN, Uebel pediu exoneração por discordar da estratégia do governo federal de deixar a reforma administrativa para 2021. Salim, por sua vez, pediu para deixar o cargo por discordar da postura do governo em relação às privatizações.

As saídas são a quarta baixa recente na equipe econômica. Nas últimas semanas, Mansueto Almeida já havia deixado o Tesouro Nacional, Caio Megale deixou a diretoria de programas da Secretaria Especial da Fazenda e Rubem Novaes anunciou que deixará a presidência do Banco do Brasil.

Agora, o ministro da Economia avalia fazer uma mudança na estrutura da pasta. Uma das ideias em estudo é fundir a Secretaria de Desestatização e Privatização com a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos, o PPI.


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Banco de Alimentos

11/08


2020

Ipojuca registra 22 dias seguidos sem óbito por Covid-19

A prefeitura do Ipojuca registra 22 dias seguidos sem óbito por COVID-19 no município. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde municipal, desde o dia 19 de julho até a última segunda-feira (10 de agosto) o município não registra nenhuma morte pelo novo Coronavírus.

Para o secretário de Saúde do Ipojuca, Wendel França, a ausência de óbitos durante este período mostra que as ações sanitárias e o rigor do protocolo do município têm dado efeito imediato. “As pessoas em Ipojuca já entenderam que o uso da máscara evita o contágio e pode salvar vidas. Ainda temos dificuldade em relação ao distanciamento nas filas de bancos e lotéricas, mas ampliamos a testagem, o monitoramento dos doentes em domicílio, as ações de conscientização com carro de som e nas redes sociais, a desinfecção nas ruas, praças, instituições bancárias e mercados, além das barreiras sanitárias nos acessos a Porto de Galinhas e Serrambi”, afirmou  Wendel França que também é presidente do Comitê conta o Coronavírus do Ipojuca.

As praias do litoral ipojucano, principais destinos turísticos do estado e do Brasil, como Porto de Galinhas, Muro Alto, Maracaípe, Serrambi foram as primeiras a serem interditadas em Pernambuco em 22 de março. A reabertura aconteceu em 20 de junho com restrições de horário e apenas para práticas esportivas individuais. A prefeita Célia Sales ainda espera uma resposta do governador Paulo Câmara do ofício que protocolou no último dia 15 pedindo autorização para liberar as atividades de comércio nas praias respaldado pelos dados de Saúde municipal. Cerca de 25 mil pessoas vivem do turismo em Ipojuca e a Prefeitura, desde o dia 03 de junho encaminhou ao Governo do Estado o protocolo sanitário de retomada das atividades econômicas com rodízio de barraqueiros, ambulantes, mas segue impedida de executar.


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O Jornal do Poder

11/08


2020

Editorial analisa críticas de Armando ao PSB

No Frente a Frente de hoje, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, o meu editorial foi sobre as críticas que o ex-senador Armando Monteiro fez as gestões do PSB no Estado e no Recife com relação ao gerenciamento da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Vale a pena conferir!

O Frente a Frente tem como cabeça de rede a Rádio Hits 103,1 FM, em Jaboatão dos Guararapes.


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Fernandes

Pega o beco Armando, votasse contra os trabalhadores brasileiros quando tu era deputado federal. Disse Sérgio Guerra.


Potencial Pesquisa & Informação

11/08


2020

Prefeito de município do RJ morre vítima da Covid-19

O prefeito de Duas Barras, na Região Serrana do Rio, morreu, na madrugada de hoje, vítima da Covid-19. Luiz Carlos Botelho Lutterbach (PP) tinha 55 anos, era casado e deixou três filhos.

Lutterbach foi diagnosticado com a Covid-19 no dia 22 de julho e foi transferido, no dia seguinte (23), para o Hospital São José do Avaí, em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, após uma avaliação clínica que revelou complicações em seu quadro de saúde.

Com a internação do prefeito, o vice, Dr. Fabrício Luiz Lima Ayres, foi empossado prefeito em exercício no dia 3 de agosto.

No início da pandemia, o então prefeito decretou quarentena na cidade e instalou pias pelas ruas com água, sabonete e álcool gel para a prevenção contra o novo coronavírus.

De acordo com a assessoria da Prefeitura, o traslado do corpo está sendo providenciado e ainda não há informação sobre o horário do sepultamento. Por se tratar de morte por Covid-19, não haverá velório.

O prefeito em exercício, Dr. Fabrício Luiz, decretou luto de 8 dias na cidade. Duas Barras tem 83 casos confirmados e duas mortes pela doença, segundo a secretaria municipal de Saúde. A população estimada do município é de 11 mil habitantes.


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11/08


2020

Gestão da Covid: Câmara e Geraldo reprovados, diz Armando

Escravo do silêncio imposto pela era da pandemia, o ex-senador Armando Monteiro Neto, presidente estadual do PTB e uma das principais lideranças no campo da oposição, sai da toca e afirma, nesta entrevista ao Frente e a Frente e ao blog, que o PSB faz a pior gestão da pandemia do País. “Somos o segundo Estado em óbitos no País. Se Pernambuco fosse um País, seriamos o segundo maior do mundo em número de mortes. Isso, na prática, aponta que o governador se mostra incompetente e o prefeito do Recife despreparado para administrar rios de dinheiro que a União liberou para cá”, desabafa. Para ele, ao invés de usar o dinheiro federal da Covid-19 para salvar vidas, Paulo Câmara e Geraldo Júlio promoveram ilegalidades que já resultaram em cinco operações da Polícia Federal.

“Recife é a segunda capital do Nordeste que tem mais óbitos por milhão de habitantes. E seguramente, foi a que mais gastou. Foi a que mais recebeu recursos federais. Os gastos em termos proporcionais não produziram resultados esperados. Uma Prefeitura como a de Salvador gastou muito menos do que Recife. No entanto, Salvador foi muito menos afetada do que Recife. Então, Recife se saiu muito mal, péssimo”, diz Armando. Confira abaixo a íntegra da sua entrevista, que vai ar durante o horário do Frente a Frente, que começa às 18 horas pela Rede Nordeste de Rádio, que tem como cabeça de rede a Hits 103,1 FM, no Grande Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no Botão Rádio deste blog acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio pelo play store.

Como o senhor avalia o cenário político consequência da pandemia?

Um período atípico, mas a gente procura se conectar, usar ferramentas novas para não ficar fora do processo. As eleições municipais começam a ganhar uma atenção prioritária e nós estamos, tanto em nível do PTB, quanto em nível dos partidos que formam as oposições em Pernambuco, se movimentado intensamente. No PTB, fizemos um grande encontro nesta plataforma virtual, reunindo mais de 100 lideranças. Foi muito interessante, com a participação de lideranças da Metropolitana, das Matas, Agrestes e Sertões. Tivemos uma resposta muito boa, o pessoal está animado, o partido tem 35 pré-candidaturas a prefeito e esse número pode crescer até as convenções. Tem situações no plano municipal que estão pra ser definidas. E ao mesmo tempo, o PTB tem espírito de aliança. Nós temos compromissos com várias candidaturas de outros partidos. E são municípios estratégicos. E tem a questão do Recife, que tem muita centralidade. A eleição do Recife é muito importante para definir o futuro político de Pernambuco. E nós estamos muito animados com as pesquisas e pelos índices que são dados aos pré-candidatos da oposição. Achamos que essa é uma eleição das oposições no Recife.

O que se fala muito é na tese da unidade das oposições. O senhor está confiante num entendimento de candidatura única? Quem abre para quem?

Nós defendíamos a tese da unidade, até de candidatura única das oposições, mas como o campo governista se fragmentou e hoje se admite até a possibilidade de ter três candidaturas no campo governista, duas já confirmadas, eu acho que passa a ser possível se admitir a possibilidade de duas candidaturas de oposição no Recife. A esta altura, já tem uma candidatura posta, da delegada Patrícia Domingos, foi uma decisão do partido dela em nível nacional e agora estamos com outros pré-candidatos, esperando que a gente possa construir essa unidade. Tem nomes muito credenciados, como o ex-governador Mendonça Filho, uma pessoa que tem um lastro diferenciado. E é importante salientar que vai ser um cenário de pós-pandemia. E Pernambuco não se saiu bem. Nem Pernambuco, nem Recife. Se Pernambuco fosse um País, seria o segundo pior do mundo em mortes por milhões de habitantes. É um dado muito ruim.

E no Brasil, Pernambuco já é o segundo em número de mortes...

Em termos de mortes e números absolutos, Pernambuco está entre os cinco Estados com mais mortes. Mas há Estados muito pequenos, tipo Roraima, que tem um surto, mas aí são números distorcidos. Mas em números absolutos, é sempre bom lembrar, Pernambuco está em segundo lugar em número de óbitos, atrás apenas do Rio. E tem mais: Recife é a segunda capital do Nordeste que tem mais óbitos por milhão de habitantes. E seguramente, foi a que mais gastou, a que mais recebeu recursos federais. Os gastos em termos proporcionais não produziram resultados esperados. Uma Prefeitura como Salvador gastou muito menos do que Recife. No entanto, Salvador foi muito menos afetada do que Recife. Então, Recife se saiu muito mal, péssimo.  Lamentavelmente, denúncias gravíssimas de mau uso de recursos públicos, contratos mal feitos, estranhos. E tanto isso é verdade que as denúncias foram surgindo de várias origens e imediatamente os contratos foram desfeitos, o que significa dizer que eram frágeis. Em alguns casos, se apressaram a devolver os recursos. Um gestor que tenha convicção da lisura dos seus contratos, não recua, se sustenta. Ele tem que mostrar à população que os contratos se justificaram. Mas aqui em Pernambuco, não. Qualquer denúncia, os contratos eram desfeitos.

Quando o senhor fala em mau uso do dinheiro público, será que o PSB estava preocupado em fazer caixa de campanha com o dinheiro da Covid?

Eu não posso fazer essa ilação, pois a gente precisa ter elementos que vinculem os fatos. Mas quero dizer que há duas indicações graves: Recife é uma capital que gastou muito e houve uma série de denúncias. Eu fico nisso, pois é um juízo factual. Mas ilações podem ser feitas, mas eu não faço.

O senhor disse que Pernambuco seria o segundo no mundo em mortes. Isso se daria pela irresponsabilidade em receber tanto dinheiro e não saber investir?

Toda luta num processo como esse se traduz em salvar vidas. Essa campanha só tem essa medida: o número de vidas salvas. Mas, infelizmente, os resultados medidos são muito ruins. Em Pernambuco e no Recife. E ao mesmo tempo, é verificado que há Estados na região que tiveram resultado melhor. A Bahia tem hoje menos da metade do número de mortes em relação a Pernambuco.

Bolsonaro vai ter algum peso da eleição municipal?

Certamente. Eu acho que Bolsonaro é, hoje, num país polarizado, é um eleitor importante. Não há dúvida que o auxílio emergencial, pela dimensão, tem um impacto muito grande na vida das pessoas carentes, principalmente. Você, que é um homem que anda pelo interior, sabe o que isso significa. Eu escuto depoimentos de pessoas do pequeno comércio do interior que em plena pandemia, seus negócios aumentaram por causa da renda que foi proporcionada pelo auxílio. Eu fiz até o cálculo. Quando for paga a quinta parcela, Pernambuco terá recebido R$ 13 bilhões. No Brasil, já foram R$ 250 bilhões, 5% em Pernambuco. Então, é evidente que isso tem reflexo político.

Mas ainda pouco se observando nas pesquisas...

Já tem algum reflexo na avaliação do Governo Bolsonaro. Agora, as eleições municipais não são condicionadas por isso, embora isso tenha um peso relativo não é algo definidor. A eleição municipal se dá pelo debate de questões locais. A avaliação das gestões existentes e as propostas dos candidatos. Quem tiver credenciais, quem for ficha limpa, vai levar uma vantagem no processo. Agora, influência nacional vai existir, mas em qual magnitude não sabemos.

Quais os grandes desafios para o futuro prefeito do Recife?

Acho que o Recife precisa de um projeto novo, uma visão nova. E que possa se traduzir numa ideia de quais são os fenômenos urbanos do mundo. As cidades se reinventam, e aqui no Recife vivemos a era da mesmice. Tem áreas degradadas, o bairro de São José, várias áreas deprimidas e que a Prefeitura nada fez.

Jaboatão, por exemplo, está construindo um grande e moderno parque, dando inveja a nós, recifenses...

Aqui, tivemos os problemas de mobilidade urbana agravados. Há equipamentos mal conservados, obras que se arrastam há muito tempo. A reforma do Geraldão já vai mais de 10 anos. Que gestão é essa? Agora, Geraldo tem algo que ele faz bem:  propaganda na televisão. A mistificação. Gasta muito dinheiro em propaganda, instalou o chamado marketing da pandemia. Aproveitou esse momento de grande angústia, para apresentar um quadro de muitas ações, providências, que, na realidade, se traduz em mera espuma. Por exemplo, quantos hospitais de campanha implantou? Que serventia esses hospitais tiveram? E aquelas camas, podem se considerar leitos clínicos? O que todo esse investimento resultou? Enquanto isso, muitos profissionais de saúde nem equipamento de proteção individual tiveram. Esse segmento, sim, deveria ter sido mais bem cuidado. Essas administrações gostam de mostrar prédios, de fotografar unidades de campanha, em suma, a gente fica com a impressão que serve só aos programas eleitorais, lamentavelmente.

Há saturação de PSB?

Nós vemos as estradas degradadas e eu já tive a oportunidade de dizer que o Estado de Pernambuco é o que menos investe no Nordeste. Temos o segundo maior orçamento público, mas somos o quinto ou sexto em investimentos. Ceará e Bahia já investiam mais, e nos últimos anos, Alagoas, Maranhão e até Paraíba investem mais. É por isso que os equipamentos não têm manutenção.

É legal meter a mão no dinheiro da COVID para pagar dívida externa?

Trata-se de uma discussão polêmica. Se o recurso que foi destinado não poderia ser de forma direta, mas se são dois fundos, poderia.  Eu não tenho todas as informações. Mas o que eu quero dizer é que em relação ao PSB, há um sentimento que está esgotado. A gente está à mercê do interesse de um grupo que quer manter se manter no poder, apenas. Esse grupo não oferece futuro a Pernambuco.

O fim desse grupo seria com a perda da eleição no Recife?

Não posso fazer prognósticos, mas acho que a eleição do Recife representará um marco importante para moldar o futuro político de Pernambuco. Eu tenho muita confiança que essa hegemonia do PSB vai ser quebrada a partir da eleição do Recife. Acho que o primeiro ponto é "Viva a alternância, pois Pernambuco sempre foi pluralidade. Pernambuco não é propriedade de um grupo político, muito menos de uma família. Eu tenho a sentimento que as oposições vão ganhar no Recife.


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Fernandes

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11/08


2020

Gravatá: Armando garante apoio à reeleição de Joaquim

O ex-senador Armando Monteiro Neto, definiu o apoio do diretório Estadual do PTB, à pré-candidatura à reeleição do prefeito Joaquim Neto (PSDB), em Gravatá, no Agreste do Estado. O apoio foi garantido em uma reunião na presença do presidente do diretório municipal, Joeides Pereira que é secretário de Governo do município.

“É indiscutível o exitoso trabalho desenvolvido por Joaquim Neto à frente de Gravatá. Uma administração pautada no desenvolvimento do município e garantida pela experiência do prefeito. E como quem planta, colhe, o prefeito tem como resultado uma excelente aprovação dos moradores de Gravatá e das pessoas que desfrutam dos bem estruturados equipamentos turísticos”, comentou Armando Monteiro Neto.

O diretório municipal foi reestruturado e além de apoiar a reeleição tem atualmente cinco vereadores que vão buscar a reeleição e trabalhar forte no apoio a Joaquim Neto.


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Fernandes

Pega o beco Armando, votasse contra os trabalhadores brasileiros quando tu era deputado federal. Disse Sérgio Guerra.



11/08


2020

Impulsionamento das redes sociais na pré-campanha

Por Diana Câmara*

A campanha eleitoral só começa a partir do dia 27 de setembro e no período de pré-campanha é comum e permitido que os pré-candidatos se apresentem, falem sobre seus projetos, quais bandeiras defendem, além de tecer críticas políticas aos adversários ou a atual administração. Isto faz parte do jogo político e é saudável para a democracia.

Desta forma, o pré-candidato pode expor projetos políticos e enaltecer suas qualidades de modo a credenciá-lo como o mais preparado para representar o eleitor, desde que não haja pedido explícito de votos e não se faça uso de ferramentas, veículos ou formas proibidas na fase de campanha. Exemplos destas expressas proibições são os outdoors, pinturas em muro, uso indiscriminado de carros de som e realização de showmício, dentre outros vedados no período eleitoral. 

Como o impulsionamento das redes sociais é algo lícito durante o período da campanha eleitoral, então não há que se falar em vedação nesta fase que antecede, essa é a posição do TSE até então. Desde que, por óbvio, não haja pedido explícito de voto e nem de forma indireta, ou seja, nada de o candidato postar seu número ou do partido pelo qual virá candidato, sob pena de configurar propaganda extemporânea.

Assim, preocupação maior deve se dar sob o conteúdo da publicação, pois se a comunicação ou a peça examinada for considerada como sendo propaganda eleitoral antecipada, logo estará vedado o impulsionamento neste período de pré-campanha.

O impulsionamento amplia o impacto do conteúdo publicado e o alcance a um número maior de usuários, isto causa maior visibilidade e exposição do material postado nas redes sociais, como o Facebook e o Instagram, que identificam tais postagens como pagas, e trazem a expressão "patrocinado”. 

Recentemente, algumas mídias sociais passaram a pedir a identificação de quem está pagando pelo impulsionamento, que, no caso dos pré-candidatos, devem ser eles mesmo ou o partido político.

Por outro lado, orienta-se que os gastos com impulsionamento sejam realizados de forma comedida. Mormente os valores com esta prática ser bem acessíveis, o que a princípio afastaria qualquer ilação de abuso de poder econômico e quebra do princípio da igualdade, recomenda-se o bom senso e a moderação com estes gastos, sob pena de, em assim não agindo, o futuro candidato vir a ser acionado por eventual abuso de poder econômico.

*Advogada especialista em Direito Eleitoral, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/PE, membro fundadora e ex-presidente do Instituto de Direito Eleitoral e Público de Pernambuco (IDEPPE), membro fundadora da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP) e autora de livros.


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