FMO janeiro 2020

25/10


2006

Alckmin ganha a eleição, garantem os videntes

As pesquisas não estão do lado de Geraldo Alckmin (PSDB), mas astros e divindades estão. Contra todas as "previsões" das sondagens eleitorais, gurus trazem um recado diferente do plano espiritual: "o tucano será o novo presidente do Brasil".

"Tive essa premonição em 2003. Foi um sonho premonitório tridimensional. Recebi informações através de um mentor de voz grave: ''Geraldo Alckmin será o novo presidente do Brasil"'', relatou à Reuters Jucelino Luz, vidente conhecido pelo hábito de registrar em cartórios suas premonições.

Os oráculos contrariam o que mostram os levantamentos eleitorais do mundo real. A quatro dias da eleição, o oposicionista tem de conviver com o carma de estar muito atrás de seu adversário. Segundo sondagem do Instituto Datafolha, Luiz Inácio Lula da Silva seria reeleito com 61 por cento dos votos válidos, contra 39 por cento dos votos dados a Alckmin.

"Sei que ele vai vencer, mesmo porque ele é a pessoa mais preparada. Neste governo, a corrupção aumentou e a pobreza cresceu", disse o vidente, sem separar a porção médium da porção eleitor.

O colega Paulo Fuentes segue a mesma linha premonitória.

"Ainda no primeiro turno, vi que Geraldo Alckmin chegaria ao segundo turno e daria uma virada. Ele vencerá por dois ou três milhões de votos", declarou.

"Ao contrário do Lula, eu não sou cego, vejo as coisas. Vou votar no Geraldo porque sou contra a corrupção. Se fosse o Enéias, contra Lula, eu votaria no Enéias", acrescentou o vidente, também deixando clara a sua preferência política.

Mas Lula não foi abandonado pelo cosmo por completo. Alguns mentores, ainda que em minoria entre os clarividentes geralmente consultados por famosos da política e das artes, fazem cruzamentos planetários, analisam datas e as conjunções e atestam: a vaga no Palácio do Planalto está mesmo reservada ao petista.

"Nos meus prognósticos, nesta data, o presidente aniversaria. A situação astrológica favorece muito o mapa do presidente-candidato. Ele só não vai ganhar com essa margem que as pesquisas dos institutos mostram, mas a vitória é do presidente-candidato", antevê José Acleildo, conhecido como o "guru das estrelas".


"Visão embaçada"
Mas os astros e as divindades também pregam peças nos seus porta-vozes. No caso de Jucelino da Luz, figuram em seu documento autenticado alguns políticos que, ao contrário do que havia previsto, foram derrotados nas urnas. Na carta, endereçada ao presidente Lula, datada de 2003, o vidente alerta para a vitória de Alckmin e dos tucanos Aécio Neves, em Minas Gerais, e de José Serra, em São Paulo, mas erra em cheio quando concentra a mente na Bahia e no Rio Grande do Sul.

Se suas premonições tivessem se realizado nesses dois últimos casos, Jaques Wagner (PT) não teria sido escolhido governador do maior Estado do Nordeste, para surpresa também das pesquisas eleitorais, e Germano Rigotto (PMDB) não teria chorado diante das câmeras por ter ficado de fora da disputa no segundo turno.

"Fico num lugar escuro, onde a energia se capitaliza melhor. A premonição passa na minha mente como se fosse um filme. Quando a imagem é nítida, ocorre imediatamente. Às vezes, vem embaçada", explicou, dizendo ter "cantado" o resultado de todas as eleições, "desde Collor".

A cada conversa, os conhecidos gurus abrem uma lista de acertos na história. Uns previram o Tsunami quatro dias antes, outros, disseram ter previsto, e alertado, para os atentados de 11 de setembro.

Na política, no entanto, alguns repetem sem querer a máxima que os experimentados do Congresso e do Executivo já sabem de cor.

"Política é aquela coisa, você não consegue explicar", resumiu Fuentes. (Da Reuters)


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Comentários

Caro Magno, as vezes você me surpreende com informações que até respeito, pelo mistério que existe entre o céu a e terra, porém esse comentários são tão idiotas, que não podemos fazer outra coisa se sorrir. AHAHAAHAHAH

Fabio Henrique Cavalcanti Pedrosa

Pergunte de quanto Mendoça vai perder. Estou curioso.

Fabio Henrique Cavalcanti Pedrosa

Magno, que videntes borocoxôs são esses? Sem comentários. Por citar o assunto, sugiro que você consulte algum vidente daqui pra vê o que ele fala a respeito de Mendonça Filho.

José Manoel de Souza

EU ACREDITO, EM BOI DA CARA PRETA, EM CUMADE FULOZINHA, EM SACI PERERE, NA CUCA.......AGORA ACREDITAR EM VIDENTE É DOSE. Ô TURMA PRÁ APELAR. ATÉ TÚ MÁGNO?

caca di serrat

sabe quem foi o vidente professor sarturno


Abreu e Lima

Confira os últimos posts



24/03


2020

Pronunciamento de Bolsonaro foi feito com ajuda de Carlos e gabinete do ódio

Do Estadão

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira (24) pegou de surpresa integrantes do Palácio do Planalto. O discurso, em que pediu o fim do "confinamento em massa" diante da escalada da pandemia do coronavírus, foi preparado no gabinete do presidente com a participação de poucas pessoas e em segredo. O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), considerado o mais radical do clã, participou da elaboração do pronunciamento.

Também estavam presentes, segundo o Estado apurou, integrantes do chamado "gabinete do ódio", onde atuam assessores responsáveis pelas redes sociais pessoais do presidente e ligados a Carlos.

Até o final da tarde, poucos auxiliares sabiam que Bolsonaro preparava uma declaração em cadeia de rádio e televisão. A decisão de falar à nação foi tomada após as reuniões com os governadores do Sul e do Centro-Oeste. A gravação foi feita à tarde.

O presidente vinha sendo elogiado dentro do próprio governo por se abrir ao diálogo com os governadores e sinalizar uma mudança de postura sobre os efeitos da covid-19, que já matou 46 pessoas no país. O pronunciamento, no entanto, surpreendeu negativamente auxiliares do Planalto que viram um retrocesso na posição de Bolsonaro.

No discurso, o presidente defendeu a reabertura do comércio e das escolas. Segundo ele, a imprensa foi responsável por passar à população da "sensação de pavor" e potencializou o "cenário de histeria."

O presidente disse ainda que, caso e contraísse o coronavírus, ele não sentiria nenhum efeito dado o seu histórico de atleta. Bolsonaro viajou com ao menos 23 pessoas que receberam diagnóstico positivo para a doença. Há duas semanas, o Estado pede os resultados dos seus exames para covid-19, mas não obtém resposta.

Durante o pronunciamento, Bolsonaro foi alvo de panelaços em ao menos dez capitais. Após o discursos, as críticas ao presidente estiveram entre os assuntos mais comentados do Twitter.


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Fernandes

Bozonaro. Inépcia total para governar! É mentiroso e mau caráter mesmo!

Ramilson Correia de Carvalho

Um irresponsável que não tem noção do cargo que ocupa. Desautoriza o seu próprio Ministro da Saúde. Amanhã certamente dirá que o povo e a imprensa interpretou errado. Sem nenhuma condição se ser Presidente de um país com tantos desafios.

gilson

E ainda, temos lixos humanos que defendem este ser.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Estadão, como sempre, criticando o Bolsonaro. Não adianta, vocês vão fechar por não mais ter as vultuosas soma de dinheiro petralha. Bolsonaro vai continuar Presidente, o Brasil vai superar todas as dificuldades e voltar a crescer apesar dos urubus que perderam a boquinha da corrupção.



24/03


2020

Saúde faz chamamento para compra emergencial

Por Estadão Conteúdo

O Ministério da Saúde fez novo chamamento público convocando empresas interessadas em fornecer, via contratação direta (emergencial), 1 milhão de álcool gel 500 ml; 1 milhão de álcool em gel 100 ml; 120 milhões de toucas hospitalares 20g/m2; 1 milhão de óculos de proteção; 200 mil protetores faciais 200mm; 200 milhões de máscaras cirúrgicas 3 camadas; 40 milhões de máscara respirador N95; 40 milhões aventais hospitalares 50g/cm2 – tamanho G; mais 40 milhões tamanho GG; outros 40 milhões tamanho único; 40 milhões de luvas sem látex tamanho G; a mesma quantidade de luvas, tamanho M; outros 40 milhões tamanho P; 40 milhões de Luva com látex G, 40 milhões tamanho M; e 40 milhões tamanho P; 1 milhão de sapatilhas tamanho único.

Serão considerados doadores qualquer pessoa física, jurídica, nacional ou estrangeira, organização internacional ou países com os quais o Brasil mantenha relações diplomáticas. O objeto da doação deverá estar livre e desembaraçado e deverá ter seu agendamento de entrega realizado junto ao Departamento de Logística, por meu do Email [email protected]

Os interessados têm até a próxima quinta-feira, 26, às 23h59, para enviar as propostas. Segundo o aviso de Chamamento Público publicado em edição extra do Diário Oficial da União desta terça-feira, a proposta poderá ser apresentada com o ministério retirando o produto diretamente no local de fabricação ou o fornecedor arcando com os custos logísticos de entrega até o centro de distribuição do MS, localizado no município de Guarulhos (SP)


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Prefeitura de Serra Talhada

24/03


2020

Secretários do NE estarrecidos com Bolsonaro

Assistimos estarrecidos ao pronunciamento em cadeia nacional do Presidente Jair Bolsonaro, onde desfaz todo o esforço e nega todas as recomendações para combate à pandemia do coronavírus. 

Não é nosso desejo politizar esse problema. Já temos dificuldades demais pra enfrentar.  Não podemos cometer esse erro. Vamos continuar fazendo nosso trabalho. Não nos parece que a posição exposta pelo Presidente seja a do Ministério da Saúde, que tem se conduzido tecnicamente. 

Percebemos, com espanto, os graves desencontros entre o pronunciamento do Presidente e as diretrizes cotidianas do Ministério da Saúde. Esta fala atrapalha não só o ministro, mas todos nós! 

Sabemos que iremos enfrentar uma grave recessão econômica, mas o que nos cabe lidar diretamente é a grave crise sanitária. 

Vamos seguir tocando nossas vidas com decisões baseadas em evidências científicas, seguindo exemplos bem sucedidos ao redor do mundo. 

A grande maioria dos países do mundo, ocidentais e orientais, já firmaram seu curso no combate ao vírus e é este curso que o Nordeste Brasileiro seguirá. 

Que Deus abençoe cada um de nós que pouco temos dormido. Que Deus nos abençoe!


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Fernandes

Bozonaro. Inépcia total para governar! É mentiroso e mau caráter mesmo!

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

É isso. As medidas dos governadores do Nordeste estão sendo feitas para aumentar o desemprego e falir as empresas. Não vi nenhum desses hipócritas criticar o DR. Drauzio Varela e outros renomados médicos que disseram o que Bolsonaro disse. São uns aproveitadores da desgraça.



24/03


2020

Belo Jardim clama por ajuda a mototaxistas

Do BJ1 Notícias

Em medida protetiva contra a propagação do coronavírus, o Governador de Pernambuco, Paulo Câmara, decretou, no final da manhã de ontem, a proibição do transporte de passageiros por mototáxi. A determinação gerou revolta entre a clase trabalhista que necessita do serviço para honrar seus compromissos e manter sua casa e família.

O vereador e pré-candidato a prefeito de Belo Jardim, Gilvandro Estrela, compadecido com a aflição dos mais de mil profissionais da categoria na cidade, publicou um vídeo se solidarizando e cobrando do Governo do Estado outras medidas para que os mototáxis não sejam tão prejudicados.

"Só em Belo Jardim, temos mais de mil pais de família (mototaxistas). Aí eu pergunto ao governador: qual foi a medida que o senhor tomou no sentido de amenizar o sofrimento desses pais de família e também daqueles pais de família que vivem da economia informal? Pelo o que sei, nenhuma", disse Estrela.

O vereador indagou ainda sobre que tipo de atitude o estado irá tomar para tranquilizar essas famílias que não tem assistência do Estado, da União e nem do Município e sugeriu que fosse criado um programa assistencialista para o momento de crise.

"Como é que essas pessoas vão agora sobreviver? [...] Em uma só canetada, o senhor colocou milhares de pais de família na miséria. Então é preciso rever essa situação a fim de oferecer um programa  governamental onde todos, que são da economia informal e que estão passando por situação financeira, possam receber uma renda mensal até que essa crise acabe", sugeriu o político.

Confira o vídeo aqui: https://youtu.be/ZyWDz7GnOGQ


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O Jornal do Poder

24/03


2020

Alcolumbre diz que fala de Bolsonaro na TV é grave e que país precisa de liderança séria

Por Filipe Matoso, Gustavo Garcia, Sara Resende e Delis Ortiz, G1 e TV Glob

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), divulgou uma nota na noite desta terça-feira (24) na qual afirmou que a fala do presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento na TV foi "grave" e que o país precisa de uma "liderança séria".

Na noite desta terça, Bolsonaro fez um pronunciamento em rede nacional no qual pediu "volta à normalidade" em meio à pandemia do novo coronavírus e o fim do "confinamento em massa". Afirmou também que meios de comunicação espalharam "pavor" na população.

"Neste momento grave, o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19", afirmou Alcolumbre.
Para o presidente do Congresso, o momento não é de "ataque" à imprensa e aos gestores públicos. Alcolumbre ressaltou ainda que é preciso "união, serenidade e equilíbrio".

"A nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise", acrescentou.

Enquanto Bolsonaro fazia o pronunciamento, houve panelaço em cidades de alguns estados, entre os quais São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Ceará e Alagoas.

Dados sobre coronavírus

De acordo com o Ministério da Saúde, até esta terça, foram registradas 46 mortes no Brasil em razão da Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Além disso, segundo o ministério, há 2,2 mil casos confirmados.

Procurado, o ministério informou que não vai se pronunciar sobre a fala de Bolsonaro.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que há no mundo mais de 375 mil casos de coronavírus, com 16,3 mil mortes confirmadas, em 195 países.

Íntegra

Leia a íntegra da nota de Alcolumbre:

Nota à imprensa

Neste momento grave, o País precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19. Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS).

Reafirmamos e insistimos: não é momento de ataque à imprensa e a outros gestores públicos. É momento de união, de serenidade e equilíbrio, de ouvir os técnicos e profissionais da área para que sejam adotadas as precauções e cautelas necessárias para o controle da situação, antes que seja tarde demais.

A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise.


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Fernandes

Bozonaro. Inépcia total para governar! É mentiroso e mau caráter mesmo!

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

É lamentável ver esse senhor fazer esse comentário. Quando o Dr. Drauzio Varela e outros renomados médicos falou exatamente o que o Presidente disse, não fez nenhuma critica. Um aproveitador da miséria alheia como, infelizmente, a maioria dos nossos políticos. Perdeu as indicações para Ministérios e Estatais e quer derrubar o Bolsonaro aumentando o desemprego e a violência, principalmente junto a população mais pobre. Não adianta, vamos superar essa crise em pouco tempo e o povo irá ver quem realmente estava contra. Conseguimos sobreviver 30 anos de esquerda sendo 15 do PT e estamos vivo recuperando o Brasil.


Banner de Arcoverde

24/03


2020

Claudiano apela por consumo de queijos estaduais

O deputado Claudiano Martins (PP), fez um apelo aos pernambucanos, para que consumam os produtos de leite e queijo produzidos no estado. O pedido se faz diante da crise provocada pelo novo coronavírus (covid-19) que vem gerando uma queda no setor agrícola de Pernambuco, no consumo de leite e queijos.

Cerca de 100 mil famílias produzem, em média, 1 milhão e 900 mil litros de leite por dia no estado. A maior concentração dessa produção está no agreste meridional, como Garanhuns. O leite produzido na região vai, em sua grande maioria, para os pequenos produtores, que possuem seus pequenos laticínios, onde são produzidos queijos artesanais, como coalho e manteiga, iogurte, além de toda linha láctea.

Saulo malta, presidente do Sindicato dos Produtores de Leite de Pernambuco, afirma que os pequenos produtores estão sofrendo com a baixa procura. ”A demanda de queijo e leite caiu e os pequenos produtores estão sofrendo com isso. Sabemos que, no momento, todo mundo está em uma situação difícil, mas peço que olhem o rótulo e comprem nossos leites, queijos e derivados, principalmente o de coalho e manteiga, que são de altíssima qualidade. Precisamos valorizar nossos produtores locais”.

Atualmente, o único produto que Pernambuco não produz é o leite em pó, mas todos os outros derivados podem ser encontrados no comércio da região.


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Prefeitura de Limoeiro

24/03


2020

Médicos rebatem aliados de Bolsoaro sobre quarentena

Por G1

Especialistas ouvidos pelo G1 não endossam as afirmações do ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra, e do Presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que usaram ontem o Twitter para criticar as medidas de isolamento e quarentena como forma de combater o novo coronavírus.

Osmar Terra, que é deputado federal e foi ministro da Cidadania até 18 de fevereiro, disse que “isolar a população é ineficaz, não reduz um doente” e que o “o foco são idosos e pessoas com doenças de baixa imunidade”.

Já Camargo disse que o isolamento é a “maior imbecilidade da história da humanidade”. “Confinaram 99% da população em casa para vencer um vírus que mata em torno de 1% dos infectados. O isolamento, exceto para os que são do grupo de risco, precisa ser imediatamente suspenso. É a maior imbecilidade da história da humanidade! Ao trabalho, brasileiros”, disse o presidente da fundação. O presidente da Fundação Palmares apagou a publicação.

O médico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, disse que o isolamento social é recomendado para todas as pessoas.

“Essas pessoas que têm mais riscos precisam intensificar o isolamento, mas o distanciamento social, como nós chamamos, é para todas as pessoas. Com menos interação, diminuímos a taxa e a velocidade da transmissão”, explicou Chebabo.

O superintendente médico do Hospital Santa Paula, Otavio Gebara, diz que o isolamento precisa ser feito em duas etapas.

“Primeiro, se faz um período de isolamento total da população, que dure de 15 a 30 dias no mínimo. Após esse período, em que quem se contaminou não transmite mais a doença e se corta a subida quase vertical da curva de infectados, pode-se manter o isolamento para os grupos de risco, para que a economia consiga rodar”.

O médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e assessor da diretoria da SBI, Leonardo Weissmann, explica que todas as pessoas estão suscetíveis a se infectar. “Idosos e pessoas com baixa imunidade são consideradas de grupos de risco para desenvolver formas mais graves da doença, mas qualquer pessoa está suscetível a ter a infecção com o novo coronavírus.”

Osmar Terra também disse que o número de novos casos por dia na Itália, país com o maior número de mortes pela Covid-19, está caindo pelo segundo dia consecutivo, mas que a queda dos casos “não tem relação com a quarentena”. “E sim com padrão das epidemias virais que começam a cair em 6 semanas, pela elevação do número de contaminados. Veja na curva como explode número de contaminados após início da quarentena”, disse.

A Itália voltou a registrar aumento do número de mortes nesta terça-feira (24), quando o país contabilizou 743 mortes em 24 horas, elevando o número de vítimas para 6.820.

O vice-presidente da SBI explica que os números cresceram rapidamente no país por que as medidas de quarentena e isolamento não foram tomadas no início da epidemia.

“A Itália tem uma situação diferente: ela começou a quarentena quando estavam no pico da doença, ela não detectou a fase que vivemos semana passada. Quando ela implementou a medida, foi tardiamente. A mortalidade não tem a ver com a medida. É o contrário, as medidas foram implementadas quando a mortalidade já estava alta”, explicou Chebabo.

O médico explica que a duração padrão citada pelo ex-ministro para epidemias virais de fato é verificado em alguns casos, com ciclos que duram de seis a oito semanas, mas no caso específico do coronavírus, o sistema de saúde do Brasil não conseguiria comportar um pico natural da infecção.

“O que estamos tentando fazer é que o pico não seja tão alto. Se ele acontecer muito rápido, o nosso sistema de saúde não comporta internação e tratamento de todos os doentes”, diz Gebara.
Leonardo Weissmann lembra que a epidemia se comportou de maneiras diferentes em vários países, como a Itália e na Coreia do Sul, que começou a epidemia como um dos quatro países com mais pessoas infectadas, mas conseguiu diminuir a transmissão e o número de mortos.

“É impossível afirmar quando o número de casos vai diminuir. Tudo depende do respeito das pessoas às orientações feitas. O número de casos pode aumentar em uma curva rápida e cair como observamos na Itália, ou pode acontecer o que houve na Coreia do Sul, onde a curva da doença foi mais achatada ao longo do tempo”.


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Fernandes

Bozonaro. Inépcia total para governar! É mentiroso e mau caráter mesmo!

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Os números não mentem. O H1N1 foi e é mais mortal que o Coronavírus, pelo menos até agora. O H1N1 atinge todas as faixas etárias e, claro, com mais incidência nos idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde. O Coronavírus, até agora, não se manifestou com maior incidência nas crianças. Os médicos que estão sendo alarmistas, me parecem, tem dificuldade com os números. A Dengue e suas variáveis, assim como o H1N1 tem matado muito mais e atingindo todas as faixas etárias. Citam a Itália como exemplo sem citar que sua maior incidência e na Região da Lombardia onde a população de idosos acima dos 80 anos é uma das maiores do mundo. Agravado pelo clima e estão contabilizando todas mortes como Coronavírus sem separar as mortes por gripe normal. Quero ver com vão ficar esses que estão alardeando o pânico, principalmente uma grande parte da imprensa capitaneada pela Globo, quando esse vírus for debelado ou perder sua potência em pouco tempo. Não, não vai acontecer pois eles vem com desculpas esfarrapadas como sempre.


Shopping Aragão

24/03


2020

Alepe aprova estado de calamidade

A Assembleia Legislativa aprovou nesta terça-feira (24) os projetos encaminhados pelo governador Paulo Câmara (PSB) que fortalecem o combate ao coronavírus em Pernambuco. Todo o trâmite foi feito por e-mail, tanto na apreciação pelas comissões, quanto nas sessões ordinária e extraordinária, concluindo o processo às 19h40, com a participação maciça dos parlamentares. 

Entre as medidas aprovadas, está o reconhecimento formal do estado de calamidade pública para Pernambuco e para o Recife, abrindo uma condição fiscal excepcional para que a gestão atue concentrando recursos no combate ao Covid-19.

Foi aprovada ainda a criação do Sistema de Deliberação Remota (SDR) que permitirá os deputados a analisar as próximas proposições numa plataforma virtual, cuja interação será transmitida pela TV Alepe e pelo YouTube. Os trabalhos desta terça-feira foram realizados com o apoio da Secretaria Geral da Mesa Diretora, Consultoria do Legislativo, Procuradoria Geral e Superintendência de Tecnologia e Informática. 

No período da manhã, os projetos tramitaram pelas comissões permanentes de Constituição, Legislação e Justiça, pela de Finanças, Orçamento e Tributação e pela de Administração Pública. À tarde, os projetos foram apreciados pelos deputados no período equivalente à sessão ordinária. O líder da oposição, deputado Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB), manifestou abstenção em todas as votações em primeiro turno. 

O PL 1006/20, que disciplina a contratação de bens e serviços para combate à Covid-19, foi aprovado com 45 votos favoráveis e uma abstenção. O PL 1007/20, que cria o Fundo Estadual de Enfrentamento ao Coronavírus (FEEC), recebeu o mesmo quantitativo de votos. A resolução 1008/20, que cria o Sistema de Deliberação Remota (SDR), recebeu 46 votos favoráveis e uma abstenção.

A sessão extraordinária, que ocorreu no início da noite, aprovou os três projetos com votações semelhantes - além do deputado Marco Aurélio, a deputada Clarissa Tércio (PSC) apresentou abstenção na segunda votação do PL 1006/20. A votação dos decretos legislativos 02/2020 e 03/2020, que reconhecem o estado de calamidade pública, respectivamente, de Pernambuco e do Recife, tiveram o mesmo quantitativo de votos: 45 favoráveis e uma abstenção. Ambos já passam a vigorar desde a aprovação na sessão ordinária, já que não carecem de uma segunda votação.

As próximas votações passam a ocorrer no novo sistema e acontecerá conforme determinação da Mesa Diretora, em função da demanda de projetos a serem apresentados à Casa de Joaquim Nabuco. Após o término dos trabalhos, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eriberto Medeiros (PP), manifestou a sua gratidão pela solicitude de todos os envolvidos na aprovação dessa agenda. 

“A união e o entendimento nos permitiu encerrar essa fase inicial sem maiores percalços, dando ao Estado uma pronta resposta, com a devida segurança e com o máximo de transparência possível”, avaliou o presidente.


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24/03


2020

Brasil tem 46 mortes e 2.201 casos de Covid-19

Por G1

O Ministério da Saúde divulgou na tarde desta terça-feira (24) seu mais recente balanço dos casos de coronavírus Sars-Cov-2, vírus responsável pela doença Covid-19. Os principais dados são:

. 46 mortes, eram 34 na segunda-feira
. 2.201 casos confirmados
. São Paulo tem 810 casos e 40 mortes
. Rio de Janeiro tem 305 casos e 6 mortes

O número de mortos por causa do novo coronavírus subiu 35% em relação ao balanço do dia anterior. Já o total de casos subiu 16%. Segundo o Ministério da Saúde, a atual taxa de letalidade da doença no país é de 2,1%, com base nos dados registrados até 16h desta terça-feira.

As secretarias estaduais de Saúde reportam 2.251 casos de infecção no país. Veja o levantamento do G1.

O dobro a cada três dias
O aumento nos casos já era previsto. De acordo com o secretário-executivo do ministério da Saúde, João Gabbardo, o governo espera que o total de casos dobre a cada três dias. Este cenário considera que as recomendações sugeridas pelo governo federal (isolamento em casos suspeitos ou confirmados) surtam resultados esperados para frear a disseminação do surto no país.

Ampliação dos testes

O Ministério da Saúde afirmou ter a previsão de ampliar para 22,9 milhões o número de testes que serão distribuídos para diagnosticar a Covid-19.

"O Brasil deve ser um dos países que terá o maior número de casos, porque nós vamos testar muita gente. E a nossa letalidade vai ficar mais próxima do real. (...) Como a OMS orientou que nós devemos testar, assim estamos fazendo. Trabalhando duramente, apesar de termos considerado que poderíamos estar trabalhando com uma estratégia um pouco menos intensa", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira.

Coronavírus, Covid-19, Sars-Cov-2 e mais: veja a explicação para 16 termos usados na pandemia
Segundo o secretário, o Brasil tem a capacidade de produzir 6,7 mil testes por dia. Entretanto, a meta é chegar a entre 30 e 50 mil testes por dia.

"Para que a gente possa enfrentar o pico da epidemia, temos que ter a capacidade de produção de testes da ordem de 30 a 50 mil teste por dia. Esta é a escala que nós temos que chegar. (...) Nós vamos chegar nas próximas semanas o máximo possível (perto) desses valores, que são valores de referência. Lembrando que nós já temos instalado uma capacidade de 6,7 mil testes por dia", disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira.

O ministério diz que vai trabalhar com dois tipos diferentes de testes: aqueles que detectam o vírus na amostra (RT-PCR) e outros que verificam a resposta do organismo ao vírus (teste rápido de sorologia). No atual estágio, os testes serão voltados para profissionais de saúde e de segurança, além da verificação dos casos graves e óbitos.

Há a previsão de elaboração um novo protocolo para testagem dos casos mais leves em postos volantes. A meta é utilizar os postos em cidades com mais de 500 mil habitantes, como estratégia para conter surtos.

Alerta global

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira (24) que percebe uma "aceleração muito grande" em número de casos de coronavírus nos Estados Unidos, o que representa potencial para o país se tornar o novo epicentro da epidemia, informou a agência Reuters.


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24/03


2020

Bolsonaro defende fim da quarentena

Cidades brasileiras registraram panelaços contra o presidente Jair Bolsonaro pelo oitavo dia seguido na noite de hoje.

São Paulo, Rio, BH, Recife e Brasília (Distrito Federal) tiveram gritos de "fora, Bolsonaro!" durante pronunciamento do presidente.

As primeiras manifestações contrárias a Bolsonaro residente ocorreram na terça-feira (17) da semana passada.

Pronunciamento

O presidente Jair Bolsonaro pediu, em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão sobre a pandemia do coronavírus, a "volta à normalidade" e o fim do "confinamento em massa".

Bolsonaro defendeu a reabertura do comércio, de escolas, afirmou que são "raros" os casos de morte de pessoas com menos de 40 anos e que estão em grupo de risco os que têm mais de 60 anos.

"Algumas poucas autoridades devem abandonar o conceito de 'terra arrasada', com proibição de transporte, fechamento de comércio e confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco são pessoas acima de 60 anos, então, por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas com menos de 40 anos de idade", afirmou.

O tom do pronunciamento contraria os reiterados apelos do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para que as pessoas não saiam de casa, como forma de evitar a contaminação e a disseminação do vírus.

"Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos e o sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade", acrescentou.


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24/03


2020

Câmara Municipal realiza primeira sessão não presencial

A Câmara Municipal do Recife realizou, hoje, a primeira sessão não presencial de sua história. Os parlamentares utilizaram os e-mails institucionais, acessados a partir do website do poder legislativo, para ler a pauta, projetos, requerimentos e encaminhar os votos.

"No começo tivemos alguma dificuldade porque estamos falando de algo inédito, jamais realizado na Casa. Depois a sessão fluiu bem. Nos comunicamos por e-mail e todos puderam votar e assim dar continuidade aos trabalhos do poder legislativo municipal", explicou o presidente da Câmara, Eduardo Marques (PSB). Por se tratar da primeira reunião não presencial, ele fez questão de ir ao plenário, onde estavam servidores do suporte tecnológico, para garantir que o modelo pudesse funcionar com o mínimo de atropelos.

Eduardo Marques antecipou que os técnicos de tecnologia da Câmara estão trabalhando para que as reuniões possam ser realizadas por vídeo conferência, com tempo para os pronunciamentos, leitura da ata e debates, exatamente como nas sessões tradicionais. "Algumas ferramentas estão sendo testadas e acreditamos que em mais alguns dias teremos um mecanismo eficiente, com transmissão ao vivo via Youtube, para que os recifenses possam acompanhar em tempo real", afirmou Eduardo.

A Câmara está com o expediente fechado desde a segunda-feira, seguindo as instruções dos órgãos de saúde, para tentar evitar o contágio da pandemia do coronavírus. Os servidores estão trabalhando em sistema de home office, assim como os vereadores, para garantir o trabalho das comissões. A próxima reunião plenária está agendada para a terça-feira, às 10h.


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24/03


2020

Nomes de pacientes sonegados podem ser os de Bolsonaro e da primeira-dama

Integrantes do Palácio do Planalto admitem que os dois nomes dos paciente com testes positivos para o novo coronavírus sonegados à Justiça pelo Hospital das Forças Armadas (HFA) podem ser os do presidente Jair Bolsonaro e da primeira-dama, Michele.

Esses servidores dizem que a lista do HFA virou tabu dentro do Planalto. A ordem é não passar qualquer informação sobre os exames do presidente e da mulher dele “por questão de segurança nacional”. Mas o incômodo é grande, uma vez que o Palácio de tornou uma das principais fontes de contaminação pelo coronavírus em Brasília.

O último a ser contaminado foi um dos motoristas que atendem o presidente da República. Ele deu entrada em um hospital de Brasília alegando estar com problemas respiratórios, sintomas característicos da Covid-19.

O HFA sonegou os dois nomes à Secretaria de Saúde do Saúde do Distrito Federal, apesar de a Justiça ter determinado o repasse de todos os registros de pessoas que foram testados positivamente para o coronavírus. Do total de 17 pessoas confirmadas com a Covid-19, somente 15 tiveram os nomes revelados à Justiça.


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Comentários

Fernandes

Bozonaro. Inépcia total para governar! É mentiroso e mau caráter mesmo!

joao carlos da silva

Sinceramente é deprimente a torcida dessa imprensa marron para que o Presidente fique doente. Como se paga por ser honesto num país de marginais como o nosso.



24/03


2020

Essa tempestade vai passar

Por Yuval Noah Harari*

A humanidade agora está enfrentando uma crise global. Talvez a maior crise da nossa geração.  As decisões tomadas pelas pessoas e pelos governos nas próximas semanas provavelmente moldarão o mundo nos próximos anos.  Eles moldarão não apenas nossos sistemas de saúde, mas também nossa economia, política e cultura. 

Devemos agir de forma rápida e decisiva. Também devemos levar em consideração as consequências a longo prazo de nossas ações.  Ao escolher entre alternativas, devemos nos perguntar não apenas como superar a ameaça imediata, mas também que tipo de mundo habitaremos quando a tempestade passar.  Sim, a tempestade passará, a humanidade sobreviverá, a maioria de nós ainda estará viva – mas habitaremos um mundo diferente.

Muitas medidas de emergência de curto prazo se tornarão um elemento da vida futura. Essa é a natureza das emergências. Eles avançam rapidamente nos processos históricos.  As decisões que em tempos normais podem levar anos de deliberação são aprovadas em questão de horas. Tecnologias imaturas e até perigosas são colocadas em serviço, porque os riscos de não fazer nada são maiores. Países inteiros servem como cobaias em experimentos sociais em larga escala. 

O que acontece quando todos trabalham em casa e se comunicam apenas à distância?  O que acontece quando escolas e universidades inteiras ficam online?  Em tempos normais, governos, empresas e conselhos educacionais nunca concordariam em realizar tais experimentos.  Mas estes não são tempos normais.

Neste momento de crise, enfrentamos duas escolhas particularmente importantes.  O primeiro é entre vigilância totalitária e empoderamento do cidadão.  O segundo é entre isolamento nacionalista e solidariedade global.

Para interromper a epidemia, populações inteiras precisam obedecer a certas diretrizes.  Existem duas maneiras principais de conseguir isso.  Um método é o governo monitorar as pessoas e punir aqueles que violarem as regras.  Hoje, pela primeira vez na história da humanidade, a tecnologia torna possível monitorar todos o tempo todo.  Há cinquenta anos, a KGB não podia seguir 240 milhões de cidadãos soviéticos 24 horas por dia, nem poderia esperar processar efetivamente todas as informações coletadas.  A KGB contava com agentes e analistas, e simplesmente não podia colocar um agente humano para seguir todos os cidadãos.  Mas agora os governos podem confiar em sensores onipresentes e algoritmos poderosos, em vez de fantasmas de carne e osso.

Em sua batalha contra a epidemia de coronavírus, vários governos já implantaram as novas ferramentas de vigilância.  O caso mais notável é a China.  Ao monitorar de perto os smartphones das pessoas, usar centenas de milhões de câmeras que reconhecem o rosto e obrigar as pessoas a verificar e relatar sua temperatura corporal e condição médica, as autoridades chinesas podem não apenas identificar rapidamente os portadores suspeitos de coronavírus, mas também rastrear seus movimentos e deslocamento,  identificar qualquer pessoa com quem eles entraram em contato.  Uma variedade de aplicativos móveis avisa os cidadãos sobre sua proximidade com pacientes infectados.

Esse tipo de tecnologia não se limita ao leste da Ásia.  O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de Israel, autorizou recentemente a Agência de Segurança de Israel a implantar a tecnologia de vigilância normalmente reservada aos terroristas em combate para rastrear pacientes com coronavírus.  Quando o subcomitê parlamentar pertinente se recusou a autorizar a medida, Netanyahu a aplaudiu com um "decreto de emergência".

Você pode argumentar que não há nada de novo nisso tudo.  Nos últimos anos, governos e empresas vêm usando tecnologias cada vez mais sofisticadas para rastrear, monitorar e manipular pessoas.  No entanto, se não tomarmos cuidado, a epidemia pode, no entanto, marcar um importante divisor de águas na história da vigilância.  Não apenas porque pode normalizar a implantação de ferramentas de vigilância em massa nos países que até agora as rejeitaram, mas ainda mais porque significa uma transição dramática da vigilância "sobre a pele" para a vigilância "sob a pele".

Até aqui, quando seu dedo tocou a tela do seu smartphone e clicou em um link, o governo queria saber exatamente o que seu dedo estava clicando.  Mas com o coronavírus, o foco do interesse muda.  Agora o governo quer saber a temperatura do seu dedo e a pressão sanguínea sob a pele.

Um dos problemas que enfrentamos ao trabalhar onde estamos sendo vigiados é que nenhum de nós sabe exatamente como estamos sendo vigiados e o que os próximos anos podem trazer.  A tecnologia de vigilância está se desenvolvendo a uma velocidade vertiginosa, e o que parecia ficção científica há 10 anos é hoje uma notícia velha.  Como um experimento mental, considere um governo hipotético que exija que todo cidadão use uma pulseira biométrica que monitore a temperatura do corpo e a frequência cardíaca 24 horas por dia.  Os dados resultantes são acumulados e analisados por algoritmos governamentais.  Os algoritmos saberão que você está doente mesmo antes de conhecê-lo e também saberão onde você esteve e quem conheceu.  As cadeias de infecção podem ser drasticamente encurtadas e até cortadas por completo.  É possível que esse sistema possa parar a epidemia em questão de dias.  Parece maravilhoso, certo?

A desvantagem é, obviamente, que isso daria legitimidade a um novo e aterrador sistema de vigilância.  Se você sabe, por exemplo, que cliquei no link da Fox News em vez do link da CNN, isso pode lhe ensinar algo sobre minhas opiniões políticas e talvez até sobre minha personalidade.  Mas se você puder monitorar o que acontece com a temperatura do meu corpo, pressão sanguínea e batimentos cardíacos enquanto assisto ao vídeo, você pode aprender o que me faz rir, o que me faz chorar e o que me deixa muito, muito zangado.

É crucial lembrar que raiva, alegria, tédio e amor são também fenômenos biológicos, como febre e tosse.  A mesma tecnologia que identifica tosse também pode identificar risos.  Se as empresas e os governos começarem a coletar nossos dados biométricos em massa, eles podem nos conhecer muito melhor do que nós mesmos, e podem não apenas prever nossos sentimentos, mas também manipular nossos sentimentos e nos vender o que quiserem - seja um produto  ou um político.  O monitoramento biométrico faria as táticas de hackers de dados da Cambridge Analytica parecerem algo da Idade da Pedra.  Imagine a Coréia do Norte em 2030, quando todo cidadão deve usar uma pulseira biométrica 24 horas por dia.  Se você ouvir um discurso do Grande Líder e a pulseira captar os sinais reveladores de raiva, você estará liquidado.

Você poderia, é claro, defender a vigilância biométrica como uma medida temporária tomada durante um estado de emergência.  Ela desapareceria assim que a emergência terminasse.  Porém, medidas temporárias têm o hábito desagradável de superar as emergências, especialmente porque sempre há uma nova emergência à espreita no horizonte.  Meu país natal, Israel, por exemplo, declarou estado de emergência durante a Guerra da Independência de 1948, que justificava uma série de medidas temporárias, desde censura à imprensa e confisco de terras a regulamentos especiais para fazer pudim (não estou brincando).  A Guerra da Independência já foi vencida há muito tempo, mas Israel nunca declarou a emergência terminada e falhou em abolir muitas das medidas "temporárias" de 1948 (o decreto de pudim de emergência foi misericordiosamente abolido em 2011).

Mesmo quando as infecções por coronavírus estiverem abaixo de zero, alguns governos com fome de dados podem argumentar que precisam manter os sistemas de vigilância biométrica no local porque temem uma segunda onda de coronavírus ou porque existe uma nova cepa de Ebola em evolução na África central, ou porque... Você entendeu a ideia.  Nos últimos anos, tem ocorrido uma grande batalha pela nossa privacidade.  A crise do coronavírus pode ser o ponto de inflexão da batalha.  Pois quando as pessoas podem escolher entre privacidade e saúde, geralmente escolhem a saúde.

Pedir às pessoas que escolham entre privacidade e saúde é, de fato, a própria raiz do problema.  Porque esta é uma escolha falsa.  Podemos e devemos desfrutar de privacidade e saúde.  Podemos optar por proteger nossa saúde e impedir a epidemia de coronavírus, não instituindo regimes totalitários de vigilância, mas capacitando os cidadãos.  Nas últimas semanas, alguns dos esforços mais bem-sucedidos para conter a epidemia de coronavírus foram orquestrados pela Coréia do Sul, Taiwan e Cingapura.  Embora esses países tenham feito uso de aplicativos de rastreamento, eles confiaram muito mais em testes extensivos, em relatórios honestos e na cooperação voluntária de um público bem informado.

O monitoramento centralizado e punições severas não são a única maneira de fazer as pessoas cumprirem diretrizes benéficas.  Quando as pessoas são informadas dos fatos científicos e quando as pessoas confiam nas autoridades públicas para lhes contar esses fatos, os cidadãos podem fazer a coisa certa, mesmo sem um Big Brother vigiando seus ombros.  Uma população motivada e bem informada é geralmente muito mais poderosa e eficaz do que uma população ignorada e policiada.

Considere, por exemplo, lavar as mãos com sabão.  Este foi um dos maiores avanços de todos os tempos na higiene humana.  Essa ação simples salva milhões de vidas todos os anos.  Embora tomemos como certo, foi apenas no século 19 que os cientistas descobriram a importância de lavar as mãos com sabão.  Anteriormente, mesmo médicos e enfermeiros passavam de uma operação cirúrgica para outra sem lavar as mãos.  Hoje, bilhões de pessoas diariamente lavam as mãos, não porque têm medo da polícia, mas porque entendem os fatos.  Lavo minhas mãos com sabão porque ouvi falar de vírus e bactérias, entendo que esses minúsculos organismos causam doenças e sei que o sabão pode remover.

Mas, para atingir esse nível de conformidade e cooperação, você precisa de confiança.  As pessoas precisam confiar na ciência, nas autoridades públicas e na mídia.  Nos últimos anos, políticos irresponsáveis minaram deliberadamente a confiança na ciência, nas autoridades públicas e na mídia.  Agora, esses mesmos políticos irresponsáveis podem ficar tentados a seguir o caminho do autoritarismo, argumentando que você simplesmente não pode confiar no público para fazer a coisa certa.

Normalmente, a confiança que foi corroída por anos não pode ser reconstruída da noite para o dia.  Mas estes não são tempos normais.  Em um momento de crise, as mentes também podem mudar rapidamente.  Você pode ter discussões amargas com seus irmãos por anos, mas quando ocorre uma emergência, você descobre subitamente um reservatório oculto de confiança e amizade e se apressa para ajudar um ao outro.  Em vez de construir um regime de vigilância, não é tarde demais para recuperar a confiança das pessoas na ciência, nas autoridades públicas e na mídia.  Definitivamente, também devemos fazer uso de novas tecnologias, mas essas tecnologias devem capacitar os cidadãos.  Sou totalmente a favor de monitorar a temperatura corporal e a pressão sanguínea, mas esses dados não devem ser usados para criar um governo todo-poderoso.  Em vez disso, esses dados devem permitir que eu faça escolhas pessoais mais informadas e também responsabilize o governo por suas decisões.

Se eu pudesse rastrear minha própria condição médica 24 horas por dia, aprenderia não apenas se me tornei um risco à saúde de outras pessoas, mas também quais hábitos contribuem para minha saúde.  E se eu pudesse acessar e analisar estatísticas confiáveis sobre a disseminação do coronavírus, seria capaz de julgar se o governo está me dizendo a verdade e se está adotando as políticas corretas para combater a epidemia.  Sempre que as pessoas falam sobre vigilância, lembre-se de que a mesma tecnologia de vigilância geralmente pode ser usada não apenas pelos governos para monitorar indivíduos - mas também por indivíduos para monitorar governos.

A epidemia de coronavírus é, portanto, um grande teste de cidadania.  Nos próximos dias, cada um de nós deve optar por confiar em dados científicos e especialistas em saúde em detrimento de teorias infundadas da conspiração e de políticos que servem a si mesmos.  Se não conseguirmos fazer a escolha certa, poderemos perder nossas mais preciosas liberdades, pensando que essa é a única maneira de proteger nossa saúde.

A segunda escolha importante que enfrentamos é entre isolamento nacionalista e solidariedade global.  Tanto a epidemia em si quanto a crise econômica resultante são problemas globais.  Eles podem ser resolvidos efetivamente apenas pela cooperação global. Em primeiro lugar, para derrotar o vírus, precisamos compartilhar informações globalmente.  Essa é a grande vantagem dos humanos sobre os vírus.  Um coronavírus na China e um coronavírus nos EUA não podem trocar dicas sobre como infectar humanos.  Mas a China pode ensinar aos EUA muitas lições valiosas sobre o coronavírus e como lidar com isso.  O que um médico italiano descobre em Milão no início da manhã pode muito bem salvar vidas em Teerã à noite.  Quando o governo do Reino Unido hesita entre várias políticas, pode obter conselhos dos coreanos que já enfrentaram um dilema semelhante há um mês.  Mas, para que isso aconteça, precisamos de um espírito de cooperação e confiança global.

Os países devem estar dispostos a compartilhar informações de maneira aberta e humilde, procurar aconselhamento e devem poder confiar nos dados e nas ideias que recebem.  Também precisamos de um esforço global para produzir e distribuir equipamentos médicos, principalmente kits de testes e máquinas respiratórias.  Em vez de todos os países tentarem fazer isso localmente e acumular qualquer equipamento que puderem obter, um esforço global coordenado poderá acelerar bastante a produção e garantir que o equipamento que salva vidas seja distribuído de maneira mais justa.  Assim como os países nacionalizam as principais indústrias durante uma guerra, a guerra humana contra o coronavírus pode exigir que "humanizemos" as linhas de produção cruciais.  Um país rico com poucos casos de coronavírus deve estar disposto a enviar equipamentos preciosos para um país mais pobre com muitos casos, confiando que, se e quando posteriormente precisar de ajuda, outros países o ajudarão.

Podemos considerar um esforço global semelhante para reunir pessoal médico.  Os países atualmente menos afetados podem enviar equipes médicas para as regiões mais atingidas do mundo, tanto para ajudá-las em suas horas de necessidade quanto para obter uma experiência valiosa.  Mais tarde, no foco das mudanças epidêmicas, a ajuda poderia começar a fluir na direção oposta.

Também é de vital importância a cooperação global na frente econômica.  Dada a natureza global da economia e das cadeias de suprimentos, se cada governo fizer suas próprias coisas em total desconsideração dos demais, o resultado será um caos e uma crise cada vez mais profunda.  Precisamos de um plano de ação global e precisamos dele rapidamente.

Outro requisito é chegar a um acordo global sobre viagens.  Suspender todas as viagens internacionais por meses causará enormes dificuldades e dificultará a guerra contra o coronavírus.  Os países precisam cooperar para permitir que pelo menos um conjunto de viajantes essenciais continue atravessando as fronteiras: cientistas, médicos, jornalistas, políticos, empresários.  Isso pode ser feito alcançando um acordo global sobre a pré-seleção dos viajantes pelo país de origem.  Se você souber que apenas viajantes cuidadosamente selecionados foram permitidos em um avião, estaria mais disposto a aceitá-los em seu país.

Infelizmente, atualmente os países dificilmente fazem alguma dessas coisas.  Uma paralisia coletiva tomou conta da comunidade internacional.  Parece não haver adultos na sala.  Esperávamos ver, há algumas semanas, uma reunião de emergência de líderes globais para elaborar um plano de ação comum.  Os líderes do G7 conseguiram organizar uma videoconferência apenas nesta semana, e não resultou em nenhum plano desse tipo.

Nas crises globais anteriores - como a crise financeira de 2008 e a epidemia de Ebola de 2014 - os EUA assumiram o papel de líder global.  Mas o atual governo dos EUA abdicou do cargo de líder.  Deixou bem claro que se preocupa muito mais com a grandeza da América do que com o futuro da humanidade. Este governo abandonou até seus aliados mais próximos.  Quando proibiu todas as viagens da UE, nem se deu ao trabalho de avisar a UE com antecedência - quanto mais consultar a UE sobre essa medida drástica.  Ele escandalizou a Alemanha ao oferecer supostamente US $ 1 bilhão a uma empresa farmacêutica alemã para comprar direitos de monopólio de uma nova vacina Covid-19.  Mesmo que a administração atual acabe mudando de rumo e elabore um plano de ação global, poucos seguirão um líder que nunca assume responsabilidade, que nunca admite erros e que rotineiramente assume todo o crédito por si mesmo, deixando toda a culpa para os outros.

Se o vazio deixado pelos EUA não for preenchido por outros países, não só será muito mais difícil interromper a epidemia atual, mas seu legado continuará envenenando as relações internacionais nos próximos anos.  No entanto, toda crise também é uma oportunidade.  Devemos esperar que a epidemia atual ajude a humanidade a perceber o grave perigo que representa a desunião global.

A humanidade precisa fazer uma escolha. Iremos percorrer o caminho da desunião ou adotaremos o caminho da solidariedade global?  Se escolhermos a desunião, isso não apenas prolongará a crise, mas provavelmente resultará em catástrofes ainda piores no futuro.  Se escolhermos a solidariedade global, será uma vitória não apenas contra o coronavírus, mas contra todas as futuras epidemias e crises que possam assaltar a humanidade no século XXI.

*Autor de 'Sapiens', 'Homo Deus' e '21 Lessons for the 21st Century'


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Comentários

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Falou muito e não disse nada. Quer por que falar mal doa Estados Unidos. Melhor, do Trump. Acontece que os americanos não são bobos e elegeu o Trump para cuidar da América e dos americanos. Ajudar os aliados e não aqueles aliados da 2ª Grande Guerra que, não fosse os Estados Unidos estariam todos ferrados. O Trump vai ser reeleito e esse Yuval Noah Harari vai ficar a ver navios.



24/03


2020

Meu editorial no Frente a Frente – 24/03/2020

Se você perdeu o Frente a Frente de hoje, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, tendo como cabeça de rede a Rádio Hits 103,1 FM, em Jaboatão dos Guararapes, escute agora o meu editorial.


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24/03


2020

Cadê eles? O protesto do cantor Daniel Bueno


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24/03


2020

As ponderações do marqueteiro Edinho Barbosa


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