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23/06


2018

Religião petista

Absolvição de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo cria um mal-estar retórico

Hélio Schwatsman - Folha de S.Paulo

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu marido, Paulo Bernardo, foram absolvidos das acusações de corrupção e lavagem de dinheiroque lhes haviam sido imputadas pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Lava Jato. 

Não há o que questionar na decisão da 2ª Turma do STF. A peça acusatória não ia além de empilhar declarações de réus que aderiram à delação premiada, o que é insuficiente para condenar alguém. A absolvição, porém, cria um mal-estar retórico para alguns petistas que, desde o início da Lava Jato, vêm insistindo que a operação e a própria Justiça brasileira têm um viés contra o partido.

Ora, se tudo não passa mesmo de uma conspiração das elites para frustrar a redistribuição de renda iniciada no governo Lula, como explicar que a presidente nacional do partido tenha escapado?

A nova decisão do STF não representou, evidentemente, o primeiro buraco na teoria conspiratória. O discurso de perseguição já se vira em dificuldades antes, com condenações e prisões de gente graúda de outros partidos, como Sérgio Cabral e Eduardo Cunha, do MDB, Eduardo Azeredo, do PSDB, e Paulo Maluf, do PP —os dois últimos por casos anteriores à Lava Jato. A Procuradoria também não tem dado folga a Michel Temer e seu entorno.

Quando confrontados com as evidências de que as condenações são mais ecumênicas do que supunham, alguns desses petistas afirmam, não sem uma ponta de paranoia, que é tudo parte do plano. A Justiça faz isso para manter a aparência de imparcialidade e, assim, tentar dar credibilidade à condenação de Lula.

É um discurso tão autorreferente que se torna difícil contestá-lo com argumentos. Como atitude, porém, essa cepa de militantes me lembra os criacionistas da Terra jovem que, depois de apresentados a uma miríade de fósseis muito mais velhos do que a idade que atribuem ao planeta, dizem que Deus plantou esses materiais no mundo só para confundir os homens.


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ArcoVerde

23/06


2018

Aliados de Alckmin temem delação de secretário preso

Entorno lamenta novo revés com operação que atingiu Lourenço em momento em que tucano tenta decolar

Thais Bilenky – Folha de S.Paulo

Dizendo-se surpreendidos pela operação que atingiu um ex-secretário do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), aliados do presidenciável temem uma delação premiada e lamentam a má notícia para a imagem do tucano no momento em que o pré-candidato tenta demonstrar força para fechar alianças e decolar nas pesquisas.

Laurence Lourenço, ex-secretário de Transportes e ex-presidente da Dersa, estatal paulista que administra rodovias, e outros 14 servidores foram presos na quinta (21). Oito deles foram soltos nesta sexta (22), medida que não incluiu Lourenço. A juíza Maria Isabel do Prado determinou a libertação após o Ministério Público Federal alegar que não havia mais interesse na prisão dos oito para as investigações.

Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público, a Dersa assinou aditivos irregulares nas obras do Rodoanel que trouxeram prejuízo de mais de R$ 600 milhões.

Entre interlocutores de Alckmin, condenou-se a forma com que Lourenço foi abordado, considerada feroz para constrangê-lo a delatar ou envolver outras pessoas no esquema investigado.

Aliados do presidenciável disseram que à defesa de Lourenço foi dificultado o acesso ao processo mesmo depois da prisão, em suposto método de pressão dos investigadores.

O temor é que o desenrolar da Operação Pedro no Caminho aponte abastecimento de caixa dois de campanha a partir de um superfaturamento nas obras do Rodoanel.

Até entre alckmistas que rechaçam a hipótese de delação lamenta-se que essa sombra volte a rondar o presidenciável. Há menos de um mês, outro dirigente da Dersa foi solto pela segunda vez sob a ameaça de que poderia delatar. Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, foi posto em liberdade no final de maio, por decisão de Gilmar Mendes, do Supremo.

Souza, suspeito de ser operador do PSDB, é investigado por supostas irregularidades em desapropriações do Rodoanel Sul que teriam gerado prejuízos de R$ 7,7 milhões. 

Diante do novo revés de Alckmin, que atinge até 7% no Datafolha, aliados se apressaram em reforçar a defesa de que o tucano não tem qualquer envolvimento em eventuais esquemas irregulares.

Nas investigações sobre desvios do Rodoanel, a PF também identificou movimentações suspeitas nas contas do ex-diretor da Dersa Pedro da Silva, um dos que continuaram presos nesta sexta.

Duas empresas das quais ele foi sócio receberam três depósitos que somam R$ 571 mil do Grupo Paulista de Investimentos e Participações. O grupo, segundo a polícia, pertence a Law Kin Chong, que já foi considerado um dos maiores contrabandistas do Brasil e é dono de diversos imóveis em São Paulo. Chong foi preso em novembro de 2007.

A PF também identificou depósitos de pessoas físicas em espécie, possíveis laranjas.

“A movimentação está a indicar o recebimento de vultosas quantias, tendo como depositantes indivíduos que, em tese, não têm condições econômico-financeiras. Trata-se de graves indícios do recebimento de valores com origem ilícita”, diz o relatório.

A defesa de Silva nega que ele tenha cometido crimes.


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Prefeitura de camaragibe

23/06


2018

No forno, proposta para livrar da pena por caixa dois

Num encontro fora da agenda na residência oficial da Câmara, ontem à noite, Rodrigo Maia, Michel Temer e Aécio Neves teriam discutido, segundo relatos, uma proposta de anistia para caixa dois. Todos negam.

 A assessoria de Aécio Neves diz que “esse assunto sequer foi tratado e seria inoportuno se tivesse sido”.

O ministro Carlos Marun, da articulação política, que é “muita criatividade”.

Rodrigo Maia disse que “esse tema saiu da pauta em 2016”.

As conversas sobre alternativas para livrar políticos acusados de receber caixa dois voltaram à tona depois de a Segunda Turma do Supremo absolver a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) da acusação.  (Coluna do Estadão – Andreza Matais)


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23/06


2018

TCU vai vetar prorrogação de contratos nos Portos

Coluna do Estadão – Andreza Matais

A área técnica do Tribunal de Contas da União concluiu o relatório de fiscalização do Decreto dos Portos. O documento, ao qual a Coluna teve acesso, não aponta direcionamento para atender uma empresa específica. A PF investiga se o decreto foi editado pelo presidente Michel Temer em troca de propina de empresas que atuam no Porto de Santos.

Os técnicos encontraram, contudo, indícios de ilegalidade na permissão para que os contratos de arrendamento portuário sejam prorrogados por 70 anos e recomendam que a medida seja proibida.

Ministros do TCU consideraram o relatório da área técnica muito leve e devem propor maior rigor em alguns pontos. O julgamento está marcado para a próxima terça. O documento será compartilhado com a PF.

O governo deve informar ao TCU que jamais pretendeu aplicar o novo prazo de prorrogação dos contratos de arrendamento retroativamente e que os 35+35 somente valerão para contratos novos.


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Caruaru - São João

23/06


2018

Marqueteiro compara Temer a Tite: "Vai levantar"

Josias de Souza

Elsinho Mouco, o marqueteiro de Michel Temer, enxergou no tombo que Tite levou ao festejar o primeiro gol da Seleção Brasileira na partida contra a Costa Rica uma oportunidade para encher a bola do seu cliente. “O presidente Michel Temer também vai se levantar quando forem reconhecidos os gols do seu governo”, escreveu no Facebook.

Não foi uma boa analogia. Tite, quando cai, pode dizer: “Do chão não passo.” Em questão de segundos, surgirá um craque com músculos suficientes para içá-lo do gramado. Temer, com seus 82% de impopularidade, atingiu o subsolo da existência. No caso do presidente, o fundo do poço é apenas uma escala na sua descida rumo aos nove círculos do inferno.

Entretanto, se você reparar bem verá que o marqueteiro tem certa razão. Não existe motivo para pessimismo. Há duas denúncias contra Temer no freezer. Oportunidade ideal para que a Justiça tome providências a partir de 1º de janeiro de 2019. Correm no Supremo dois inquéritos contra o presidente e ministros-amigos. Mais uma chance para que o braço repressor do Estado alcance pessoas poderosas.

Quando os gols que Temer e Cia. fizeram contra o interesse público forem finalmente reconhecidos, o brasileiro perceberá que vive no local ideal para o surgimento de um país inteiramente novo do ponto de vista ético.

Corrupção não falta. Pode faltar um goleiro com o porte atlético do Cássio para levantar os caídos. Mas sempre haverá um agente da Polícia Federal ao alcance da mão. O marqueteiro tem razão: ''Temer também vai se levantar.''


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bm4 Marketing 6

23/06


2018

Decisão de Fachin: golpe de morte na esperança de Lula

decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, de tirar de pauta o recurso que pedia a libertação do ex-presidente Lula pegou o PT de surpresa.

O partido estava mobilizando militantes para uma manifestação em frente ao Supremo na terça-feira (26), data prevista para o julgamento.

Fachin é muito próximo de juízes da região Sul, onde fez carreira no direito.

Menos de uma hora após o TRF-4 proferir a decisão que embaçou o caminho de Lula no STF, o ministro liberou o despacho que enterrou de vez as chances deste recurso do petista.

Durante a tarde, um ministro do STF apostou que havia maioria já formada na Segunda Turma da corte para transferir Lula da carceragem da PF para a prisão domiciliar. (Daniela Lima – Folha Painel)


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Comentários

Quentura

Ipsos: desaprovação a Bolsonaro sobe a 64%. Depois de três meses de estabilidade, a desaprovação ao pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) subiu de 60% para 64%, enquanto a aprovação caiu de 23% para 20%. Esta é a principal novidade da pesquisa Barômetro Político

Ricardo José

Aliança em PE para as eleições 2018: Presídiario+investigado.

Quentura

A hipocrisia é a fuga mais comum daquele que não tem coragem de ser ele mesmo o que o leva a sufocar seus medos e frustrações no preconceito para com o outro.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Lugar de ladrão é na cadeia.



23/06


2018

Odebrecht: sua empresa não foi culpada e sim lesada

Marcelo Odebrecht definiu como “discurso leviano e diversionista”, num e-mail, uma entrevista de Olga Pontes, diretora de compliance da empreiteira.

Ela afirmou recentemente ao site Jota que é preciso “baixar a cabeça e dizer que pecamos”.

A mensagem foi encaminhada para o diretor-presidente do grupo, Luciano Guidolin, e para Sergio Foguel, membro do conselho da companhia, no mês passado. 

 Marcelo diz no texto que sua família “não foi culpada, e, sim, foi lesada” pelas práticas da empresa. 

Segundo ele, é errado dizer que as orientações e a responsabilidade pelas práticas do passado cabem exclusivamente à família.

“A maioria dos conselheiros da Odebrecht S.A. eram não apenas acionistas sem vínculos com a família Odebrecht, como eram ex-executivos da organização”.

Esses mesmos membros, segue Marcelo, “implantaram ou evoluíram estas práticas”. (Mônica Bergamo – Folha de S.Paulo) 


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Asfaltos

23/06


2018

Paulo Câmara lamenta morte do ex-ministro Waldir Pires

O governador Paulo Câmara lamentou a morte do ex-ministro e ex-governador da Bahia Waldir Pires, ocorrida em Salvador. Segundo Câmara foi “uma história de vida digna e corajosa”

Na íntegra a nota do governador pernambucano:

"O nosso País perde um grande brasileiro com a morte do ex-governador da Bahia Waldir Pires, com uma história de vida digna e corajosa, que serve de referência para todos aqueles que se dedicam à causa pública, especialmente em benefício dos que mais precisam. Tive o privilégio de conhecer doutor Waldir pessoalmente em 2014, quando, ao lado de Eduardo Campos, estive na sua residência, em Salvador. Meus sentimentos aos seus familiares, amigos e admiradores. Seu exemplo continuará nos inspirando".


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23/06


2018

Suíços fazem provocação política a Sérvia: vem punição

Comemoraram gols em alusão à bandeira da Albânia

ANSA e Estadão Conteúdo

Autores dos gols da Suíça na vitória sobre a Sérvia, por 2 a 1, Granit Xhaka e Xherdan Shaqiri aproveitaram o momento para provocar os rivais. Ambos de origem kosovar, os jogadores comemoraram imitando a águia da bandeira da Albânia, para provocar os sérvios. Os gestos chegaram a ser confundidos como uma alusão à pomba da paz.

Xhaka nasceu na Suíça, mas é filho de um cidadão do Kosovo que ficou mais de três anos preso por protestar contra a Iugoslávia comunista. Já Shaqiri é natural da cidade kosovar de Gjilan e emigrou para o país alpino ainda criança.

O Kosovo declarou sua independência unilateralmente em fevereiro de 2008, mas a Sérvia ainda não reconhece a autonomia de sua ex-província, assim como cerca de 90 países, incluindo o Brasil.

Para os sérvios, o Kosovo é o berço de sua civilização, embora a grande maioria de seus quase 2 milhões de habitantes seja de etnia albanesa, o que explica o gesto dos atletas. Tanto Xhaka quanto Shaqiri podem ser punidos pela Fifa, que proíbe manifestações políticas em campo.

Questionado sobre o gesto, Shaqiri preferiu não alimentar a polêmica. "É algo que eu penso, não quero falar sobre isso", afirmou o meia-atacante, que ainda recebeu o cartão amarelo por tirar a camisa na comemoração. "No futebol, vivemos sempre de sentimentos. Todos puderam ver o que eu fiz e é apenas um sentimento. Apenas me sinto feliz por ter marcado o gol. Fiz o gesto e não quero falar sobre isso."

O treinador da Suíça, Vladimir Petkovic, também evitou entrar no assunto. "Nunca se deve misturar política e futebol. Sempre temos que respeitar isso. Tivemos um ambiente lindo aqui e uma experiência positiva [em campo]. Isso é futebol", declarou.

Mladen Krstajic, técnico da Sérvia, foi outro que optou por desconversar sobre o tema. "Não tenho nada a dizer. Não me meto com essas coisas. Sou uma pessoa dedicada ao esporte e é assim que eu vou continuar", afirmou. 


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23/06


2018

Defesa de Lula ama confusão. E é correspondida

Josias de Souza

Uma das características fundamentais da dificuldade dos tribunais para deferir os recursos de Lula é ter que ler as várias petições da defesa e chegar à conclusão de que os advogados do ex-presidente petista já não têm muito a dizer em favor do seu cliente. A escassez de argumentos leva à criatividade processual. Numa de suas inovações, os defensores de Lula tentaram saltar instâncias. Protocolaram no Supremo um recurso que dependia do aval do TRF-4 para tramitar. Não colou.

A Segunda Turma do Supremo já havia marcado para terça-feira (26) o julgamento de um recurso extraordinário que pedia a libertação de Lula. Os advogados queriam suspender os efeitos da condenação que resultou na inelegibilidade do preso. Desejavam que, além de ganhar a liberdade, Lula pudesse participar da campanha presidencial até que o mérito do seu recurso fosse julgado pelo Supremo.

O problema é que esse tipo de recurso teria de ser analisado previamente pelo TRF-4, o tribunal que confirmou a condenação que Sergio Moro impusera a Lula no caso do tríplex. A defesa tomou o atalho de Brasília sob a alegação de que o tribunal de segunda instância demorava a encaminhar o recurso à Suprema Corte.

Os companheiros estavam esperançosos, pois a Segunda Turma do Supremo absolvera há três dias a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, numa das ações movidas contra ela por corrupção e lavagem de dinheiro. Mas a vice-presidente do TRF-4, desembargadora Maria de Fátima Freitas Labarrère, jogou jurisprudência dentro do chope do petismo.

Em despacho divulgado no final da tarde desta sexta-feira, a magistrada decidiu que um dos recursos protocolados pela defesa de Lula deveria seguir para o Superior Tribunal de Justiça, onde são julgadas as encrencas infra-constitucionais. Envolve uma questão relacionada ao valor da indenização a ser paga por Lula à Petrobras. Mas a desembargadora brecou o recurso que os advogados endereçavam ao Supremo. Sustentou que não há pendências constitucionais a serem julgadas.

Diante da novidade, o ministro Edson Fachin, relator da causa no Supremo, cancelou o julgamento que estava marcado para terça-feira. “A modificação do panorama processual interfere no espectro processual objeto de exame deste STF”, anotou Fachin. “Diante do exposto (…), julgo prejudicada esta petição. Retire-se de pauta.” Presidente da Segunda Turma, o ministro Ricardo Lewandowski já excluiu a matéria da pauta.

Os advogados de Lula informam que recorrerão contra as duas decisões, a de Maria Labarrère e a de Fachin. Antes, a defesa terá de se entender consigo mesma. As bancas de Brasília e de São Paulo batem cabeça. Em memorial entregue aos ministros do Supremno, o doutor Sepúlveda Pertence pedira a conversão do encarceramento de Lula em prisão domiciliar. Seu colega Cristiano Zanin divulgara nota para informar que não interessa a Lula senão a liberdade plena.

Vai ficando claro que a defesa de Lula ama a confusão. E é plenamente correspondida.


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23/06


2018

Melania Trump e a jaqueta que causou o caos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As fotos da primeira-dama embarcando no voo que a levaria ao Texas rodaram a internet ilustrando críticas ao uso da peça de roupa MANDEL NGAN/AFP

Não havia mensagem oculta na frase escrita. A pergunta é: quem era o público-alvo?

Vanessa Friedman – Folha de S.Paulo (Nova Yok)

 “EU REALMENTE NÃO ME IMPORTO, E VOCÊ?” 

Quando a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, em uma visita humanitária de surpresa a um abrigo de crianças no Texas, subiu ao seu avião vestindo uma jaqueta verde-oliva da marca Zara com essas palavras rabiscadas em branco nas costas, como uma pichação, fez o mundo que assistia entrar no que se poderia chamar, com certa discrição, de fusão. 

Insensível, impiedosa e impensada foram algumas palavras atiradas pela digisfera sobre sua escolha.

Ela tem razão, é claro. Não estava oculta. Estava literalmente escrita nas costas da primeira-dama. A pergunta é: quem era o público-alvo?

A suposição implícita na indignação é que a mensagem se destinava àqueles que Melania ia encontrar. Mas é aí que está a coisa: a primeira-dama já teve certa experiência da atenção que atrai quando embarca em aviões.

Ela sabe que todo mundo estará olhando. Lembram-se de agosto passado, quando ela andou pela pista na Base Aérea de Andrews com enormes saltos stiletto de Manolo durante a crise da enchente no Texas

Na época, os sapatos pareciam simbolizar seu enorme distanciamento do trauma, e ela foi alvo de grande infâmia por sua escolha.

Ela bem sabe que nada que uma primeira-dama veste é “apenas” qualquer coisa, especialmente nada que ela vista para um evento público em que ela permanece em silêncio, mas sabe que será fotografada —como a experiência com os saltos altos no Texas lhe teria ensinado (e a seus assessores).

Aceitar a ideia de que ela simplesmente pôs a jaqueta da Zara só porque estava à mão e talvez ela sentisse um ligeiro frio (ou coisa parecida) é simplesmente inacreditável.

Especialmente porque desta vez Melania decidiu usar algo da marca Zara, do mercado de massa, em vez de suas habituais Dolce & Gabbana ou Ralph Lauren. Esta é uma primeira-dama, afinal, que decidiu usar uma saia xadrez de Balmain de US$ 1.380 durante um evento de jardinagem na Casa Branca. Ela não é alguém que se veste high/low em público —pelo menos nunca foi desde a eleição. Ela foi high o tempo todo, aparentemente. 

Então como interpretar essa jaqueta, um estilo de acordo com a estética autoprotetora que ela desenvolveu desde que entrou na Casa Branca, a não ser como um indício de que Melania pensava no que as pessoas iriam ler nas roupas que escolhesse para visitar crianças que ficaram efetivamente sem nada? 

A jaqueta, afinal, que segundo informações está esgotada e não é da atual temporada, era vendida por US$ 39 (R$ 146). Deve ser a roupa menos cara que a primeira-dama usou como representante do governo. 

Depois há o fato de que ela nunca se esquivou de codificar comunicação dirigida, não necessariamente popular, em seu guarda-roupa. Afinal, ela usou um terno branco de calças —o uniforme da oposição liderada por Hillary Clinton— no primeiro Discurso sobre o Estado da União de seu marido. 

Tudo isso sugere que há muito poucas chances de que ela não soubesse o que estava fazendo com aquele casaco “Eu realmente não me importo”. (A Zara não quis comentar.)

Então quem era o alvo da mensagem nada oculta? O fato de que ela havia retirado a jaqueta quando desembarcou no Texas talvez indique que não eram, de fato, as famílias que estão no centro do problema da imigração. Além disso, há diversas alternativas possíveis, quando se pensa a respeito. 

Houve a interpretação de seu marido, conforme expressa em seu meio de comunicação favorito, o Twitter: “’Eu realmente não me importo, e você?’ escrito nas costas da jaqueta de Melania se refere à Mídia das Fake News. Melania aprendeu como eles são desonestos e realmente não se importa mais!”

Ou talvez a parte “eu realmente não me importo” se destinasse aos críticos da política de seu marido. Talvez tivesse o intuito de dizer a todos que ela não fazia parte da formação dessa política, ou não era responsável por transmitir a indignação de todos sobre tal política. 

Talvez fosse dirigida a seu marido. (O pessoal do “liberte Melania” gostará dessa ideia.) 

Ou talvez, apenas talvez, fosse uma mensagem para as pessoas que leem mensagens em suas roupas. Uma que dizia: “Vou usar o que eu quiser e não me importo com o que você pense”. 

Afinal, ela usou a jaqueta de novo ao desembarcar mais tarde em Andrews —sabendo de todo o comentário que havia causado, a confusão e o ressentimento, a distração do que segundo ela era sua mensagem principal de compaixão. Usou-a como que para dar uma prova direta das palavras em suas costas. Isso seria meio meta.

Melania Trump muitas vezes parece usar suas roupas como uma espécie de diário privado, mas um que é analisado por milhões de pessoas que não têm o resto do texto. Entre intenção e análise, pode haver um enorme abismo. É uma abordagem arriscada de seu papel.

E, por mais interessante que possa ser a ideia, desta vez pode ter dado errado.


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23/06


2018

Amigo do rei

O secretário-executivo do Ministério do Turismo, Alberto Alves, deu uma canetada para liberar recursos para eventos em quatro municípios que estão no mapa eleitoral de seus padrinhos políticos.

A decisão causou forte polêmica na pasta.

Segundo os relatos, a área responsável desaconselhou os repasses que somam pouco mais de R$ 1 milhão, mas Alves interveio e avalizou a liberação.

Procurado, o ministério apenas disse que “as propostas para os municípios citados encontram-se em fase de análise, como determina a legislação”. (Folha Painel)


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23/06


2018

Segurança pública: a força de Bolsonaro

Meu batalhão - Levantamento feito para consumo interno e direcionamento das campanhas estaduais só com policiais militares de SP e seus familiares mostrou a força de Bolsonaro junto a agentes de segurança pública. Um total de 92% dos entrevistados disseram votar nele para o Planalto.

Já Laurence Lourenço, ex-secretário de Transportes de SP preso pela Polícia Federal na quinta (21), foi quem, no comando da Dersa, levantou dados que levaram ao Ministério Público a pedir a prisão de Paulo Vieira de Souza, (Paulo Preto), ex-diretor do órgão.

Paulo amargou semanas na cadeia, mas foi solto pelo STF. (Painel – Folha de S.Paulo)


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Quentura

Ipsos: desaprovação a Bolsonaro sobe a 64%. Depois de três meses de estabilidade, a desaprovação ao pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) subiu de 60% para 64%, enquanto a aprovação caiu de 23% para 20%. Esta é a principal novidade da pesquisa Barômetro Político

Quentura

A hipocrisia é a fuga mais comum daquele que não tem coragem de ser ele mesmo o que o leva a sufocar seus medos e frustrações no preconceito para com o outro.

JOÃO FREIRE CORRÊA LIMA

Bolsonaro Presidente para exterminar a corja petralha e fazer o Brasil voltar a ser decente.

Quentura

BOLSONARO PERDE PARA VOTOS BRANCOS E NULOS

Quentura

Datafolha: Lula é o mais preparado, diz eleitor. Postado por Magno Martins às 06:00 Lula é o mais preparado para acelerar o crescimento da economia, diz eleitor Segundo pesquisa Datafolha, 32% dos entrevistados citaram o ex-presidente



23/06


2018

Aliados a Alckmin: apoio só a Doria, chutar França

ampla chapa articulada por João Doria (PSDB) na disputa pelo governo de São Paulo aumentou a pressão para que Geraldo Alckmin, o presidenciável tucano, rompa o palanque duplo que tem no estado e abrace de uma vez a campanha do correligionário. Alckmin tem evitado agendas com Doria para não melindrar o governador Márcio França (PSB), que era seu vice e o sucedeu no comando da administração. Agora é aconselhado a escolher um lado, ainda que desagrade o pessebista.

Enquanto Doria lidera a disputa estadual e, com a adesão do PP, garantiu a maior fatia da propaganda eleitoral vislumbrando agora até a vitória no primeiro turno, Alckmin patina nas pesquisas e aparece abaixo de Jair Bolsonaro mesmo nas enquetes com eleitores paulistas.

Márcio França sempre foi um aliado fiel do presidenciável tucano e tornou-se peça decisiva na queda de braço interna que ainda impede o partido dele, PSB, de apoiar nacionalmente a candidatura de Ciro Gomes (PDT) ou a do PT, rivais de Alckmin.

Após o desembarque do PP de seu arco de alianças, França passou esta sexta (22) reunido com dirigentes de partidos que o apoiam. Tenta impedir que outros debandem. A traição do Progressistas atiçou o apetite por cargos de siglas que hoje estão com ele, como PHS e PRP.  (Daniela Lima – Painel, FSP)


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23/06


2018

O senhor do Rodoanel

Folha de S.Paulo - (O que a Folha Pensa)

Prisão de ex-presidente da Dersa cria novos embaraços para o tucano Geraldo Alckmin

A operação da Polícia Federal que prendeu na quinta (21) Laurence Casagrande Lourenço, ex-presidente da Dersa, deixou mais uma vez o ex-governador paulista Geraldo Alckmin em situação difícil.

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República viu-se constrangido a dar declarações para defender sua gestão e apoiar as investigações, como já fizera outras vezes —assim se deu na prisão dePaulo Vieira de Souza, o Paulo Pretoex-diretor da mesma Dersa, estatal que administra rodovias.

No caso deste último, Alckmin pôde dizer que não se tratava de personagem de seu círculo e que determinou apurações na empresa. Quanto a Lourenço, porém, a situação é mais complicada.

Este, afinal, vinha ocupando o comando da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), depois de ter sido secretário estadual de Logística e Transportes de maio de 2017 a abril passado. Sua passagem pela Dersa, de janeiro de 2011 a maio de 2017, está longe de ter sido breve.

Tal currículo explicita ligações duradouras entre o ex-governador e o suspeito de ter se envolvido com operações fraudulentas na companhia, por meio de adendos contratuais irregulares nas obras do trecho norte do Rodoanel. Polícia e Ministério Público estimam prejuízos de cerca de R$ 600 milhões. 

Além do ex-presidente da estatal, foram presos sete servidores e ex-funcionários. Na outra ponta do esquema, teriam sido beneficiadas as construtoras OAS e Mendes Júnior, ambas investigadas pela Operação Lava Jato.

As apurações sobre os desvios datam de 2016, quando um ex-empregado de uma empresa que participava da obra apresentou uma denúncia em depoimento à PF.

Ouvido posteriormente, Emílio Urbano Squarcina, ex-gerente do Rodoanel, confirmou que havia surgido na Dersa a estratégia de mudar o valor do contrato de modo irregular. Ele relatou ter resistido a pressões para elevar os valores e perdido o cargo.

De acordo com o Ministério Público, os aditivos foram mantidos mesmo depois de um laudo em contrário emitido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação.

Com dificuldades para conquistar percentuais mais expressivos nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin e seu partido encontram embaraços óbvios para sustentar um discurso anticorrupção —não bastassem os episódios paulistas, há a tibieza no tratamento do senador Aécio Neves (MG), seu último candidato ao Planalto.

Para agravar os problemas, o trecho norte do Rodoanel não será entregue no prazo prometido. Marcada de início para 2014, a conclusão da obra ficará para 2019, na melhor hipótese. Nem se pode dizer, aliás, que atrasos do tipo sejam incomuns na administração tucana.


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