Governo de PE

04/06


2015

Histórias de repórter (23)

Em agosto de 1983, Tancredo Neves, então governador de Minas Gerais pelo PMDB, desceu em Campina Grande e de carro seguiu até Taquaritinga do Norte, no Agreste, para um compromisso de ordem sentimental: prestigiar a inauguração de um hospital com o nome do empresário pernambucano Severino Pereira.

Industrial bem-sucedido da área têxtil e de cimento em São Paulo, com expansão dos seus negócios em várias partes do País, inclusive Minas, Severino teve o privilégio de contar nos quadros das suas empresas com os serviços do advogado Tancredo Neves. Foi daí que surgiu uma amizade sólida.

O empresário dirigia a Companhia Industrial Cataguases, a Fiação Santa Terezinha em Juiz de Fora e a Companhia Nacional de Estamparia - CIANÊ, em Paraguaçu, Sul de Minas Gerais. Severino Pereira da Silva chegou a ter mais de 10 mil funcionários no auge da tecelagem quando proprietário da extinta Companhia Nacional de Estamparia (Cianê), em Sorocaba, matriz do seu conglomerado.

Ali, na Praça Pio XII, há um monumento que homenageia o empresário pernambucano, com a avenida principal levando o seu nome. Com profunda ligação à sua terra natal, Severino Pereira chegou a abrir um hotel fazenda em Taquaritinga do Norte. Tancredo o admirava pela sua história e pelo seu trânsito nacional. Até os grandes nomes da política brasileira, como os presidentes Ernesto Geisel e João Batista de Figueiredo também tinham uma boa relação com ele.

Já visto como um grande nome para disputar a Presidência da República, Tancredo foi homenageado em Taquaritinga com um almoço na casa de Severino Pereira, que contou com as presenças do governador Roberto Magalhães e do senador Marco Maciel. Magalhães e Maciel, após a frustração das diretas em 1984, se negaram a apoiar Paulo Maluf, do seu partido, o PDS, no Colégio Eleitoral, criando uma dissidência que veio a se chamar Frente Liberal em apoio a Tancredo.

Discreto, Tancredo não falou com a Imprensa nem quando chegou nem durante a solenidade de inauguração do hospital, o que nos obrigou a fazer um plantão em frente à casa de Severino Pereira. Fui a Taquaritinga pelo Correio Braziliense como repórter substituto do companheiro Nivaldo Araújo, que estava em férias. E, lembro muito bem, da longa espera para o final do almoço ao lado do companheiro Lula Farias, já falecido, que trabalhava na sucursal do jornal O Globo.

Após o almoço, Tancredo nos concedeu uma longa entrevista sobre a necessidade de o País voltar a ter o direito de eleger por via direta o seu presidente da República. A abertura já havia sido iniciada com a eleição direta de governadores um ano antes, em 1982. "Chegou a hora de libertarmos esta pátria desta confusão que se instalou no país há 20 anos”, disse ele, defendendo em seguida a aprovação da emenda Dante Oliveira no Congresso.

Chegou a dizer que os parlamentares que votassem contra a emenda deveriam se retirar do Congresso, já que não representavam mais a vontade do povo. “Restaurar a democracia é restaurar a República, é edificar a Nova República”, completou. Sobre Maluf, que vinha a se transformar no seu adversário no Colégio Eleitoral, afirmou:” Maluf simboliza tudo quanto a Revolução realizou de negativo nesses 20 anos”.

Soube depois que, neste mesmo almoço, que Tancredo passou boa parte do tempo elogiando outro pernambucano, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, com quem sonhava contar como candidato a vice em sua chapa. Antônio Ermírio, nascido em família tradicional de Pernambuco, era líder empresarial em São Paulo. O pai dele, José Ermírio de Morais, tinha sido senador pelo PTB de Pernambuco e foi amigo de Getúlio Vargas. O segredo vazou depois e a possibilidade de Antônio Ermírio ser vice foi descartada em São Paulo, sendo Sarney o escolhido.

As declarações de Tancredo nos renderam uma boa manchete, valendo a pena a longa espera em frente à residência do empresário. Mais à frente, Tancredo se incorporou à campanha das diretas percorrendo o País em grandes manifestações e comícios. Em 1984, aceitou a proposta de se candidatar à Presidência da República, com o apoio de Ulysses Guimarães. Em 15 de janeiro de 1985 foi eleito presidente do Brasil pelo voto indireto de um colégio eleitoral, mas adoeceu gravemente em 14 de março do mesmo ano, véspera da posse. Morreu oficialmente de diverticulite.


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Governo de PE

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21/08


2011

MP investiga empresa que cedeu jatinho a ex-ministro

 O Ministério Público de Uberaba (MG) abriu inquérito para investigar possíveis irregularidades na concessão de incentivos fiscais e imobiliários da prefeitura à empresa Ourofino Agronegócio, com sede em Cravinhos (292 km de São Paulo). A suspeita é que Ricardo Saud, ex-diretor da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, possa ter oferecido vantagens à Ourofino por ter sido sócio dos donos em um outro negócio do grupo. A Ourofino é a dona do jatinho usado pelo ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi para viagens. Rossi pediu demissão na quarta-feira (17) por não resistir à onda de denúncias de supostas irregularidades na pasta. 

Saud foi secretário de Desenvolvimento Econômico na cidade e participou das negociações para a instalação de duas unidades da Ourofino em Uberaba. O "Diário Oficial" da União publicou, na sexta-feira (19), a exoneração dele do cargo no ministério. A decisão de abrir o inquérito partiu do promotor de Defesa do Patrimônio Público de Uberaba, José Carlos Fernandes Júnior.


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Ana Navaes

O caso da Agricultura são favas contadas. O que houve será debulhado pelo MP. O que interessa agora é o Pedro Novais no Ministério do Turismo e, dependendo de outras denúncias, o Ministério das Cidades. Vamos aguardar...


Congresso Nordestino de Educação Médica

21/08


2011

Presentinhos a deputados fazem a festa na Câmara

 Diversos presentes recebidos por deputados da Comissão de Agricultura e em pleno uso, apesar da manifestação contrária da Casa, dão a dimensão da confusão entre interesse público e privado na Câmara dos Deputados. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) instalou dentro da comissão uma televisão de plasma de 42 polegadas. A tevê seria colocada no plenário do colegiado para a divulgação de cotações de produtos agrícolas e de campanhas da CNA, o que acabou vetado pela direção da Câmara. O aparelho, então, foi instalado dentro da secretaria da Comissão de Agricultura, uma das mais movimentadas da Casa.

A CNA cedeu uma tevê de 42 polegadas para exibir campanhas da entidade e cotação de preços. Ao lado da tevê, outros agrados estão à disposição de parlamentares e visitantes. São três cafeteiras e uma máquina de sucos, doadas por entidades que fazem lobby pelo agronegócio no Congresso. Cartazes anexados às máquinas mostram quem está por trás das doações: a Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).  (Correio Braziliense)


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21/08


2011

PT-PSDB: desconfiado, PMDB prepara nome para 2014

Nas reuniões com dirigentes estaduais e municipais do PMDB Brasil afora, o presidente interino do partido, senador Valdir Raupp (RO), insiste em dizer que todos devem estar preparados para a possibilidade de trabalhar por um candidato da legenda à sucessão da presidente Dilma Rousseff.  “Nós temos de construir nomes para a sucessão em 2014”, disse Raupp ao Estado. “Temos vários, mas outros podem surgir.” Os peemedebistas, que já se movimentam para 2014, têm três nomes neste momento. Um deles é o do vice Michel Temer (SP). Os outros são os do ex-ministro Nelson Jobim (Defesa) e do governador do Rio, Sérgio Cabral.

Por trás dessa defesa da candidatura própria há dois recados do PMDB. Um, dirigido aos peemedebistas descontentes com a forma como julgam estar sendo tratados pelo PT na aliança, com denúncias de corrupção nos ministérios em que atuam. O outro recado é destinado à presidente Dilma Rousseff, uma esfinge que o partido não consegue decifrar. De acordo com dirigentes do PMDB, o que o partido hoje pergunta é se Dilma é capaz de chefiar uma aliança como a que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu. Será Dilma uma parceira confiável para a manutenção da aliança? Ou será preciso construir alternativas? O PMDB tem queixas quanto ao peso do que seus dirigentes chamam de “chicote do PT”. O partido sempre reivindicou um lugar no conselho político da presidente, para influenciar no dia a dia do governo. Mas não conseguiu. Quis a divisão do governo em partes iguais. O PT não aceitou.(O Estado de S.Paulo)


 


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roberto lima

FHC está mais uma vez apaixonado. Dessa vez , por Dilma Russeff ou pelo poder dela. SEU olhar não nega.



21/08


2011

Muitos apoiam a faxina, ''mas não muito''

A faxina iniciada pela presidente Dilma Rousseff para reduzir os focos de corrupção no governo federal tem sido creditada pela sociedade, em parte, a um traço de personalidade da presidente. Há quem identifique nela uma intolerância maior em relação à corrupção em comparação ao antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas ninguém nutre expectativas de que, sozinha, Dilma conseguirá seguir muito além do que já foi, desmontando esquemas de corrupção alimentados pelo loteamento político da máquina pública. Até porque muitos dos partidos que a apoiam são contra a faxina. Na terça-feira que vem, a Frente Suprapartidária Contra a Corrupção e a Impunidade, lançada semana passada por um grupo de senadores que apoiam a faxina, fará um ato no Congresso para receber apoio de diversas entidades. ''A sociedade tem que apoiá-la ou ela não conseguirá governar'', opina Ney Matogrosso''''.  (O Globo)


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ArcoVerde

21/08


2011

Juíza assassinada teve escolta negada em 2009

 Processo administrativo ao qual a Folha teve acesso revela que o Tribunal de Justiça do Rio negou, em 2009, escolta para a juíza Patrícia Acioli, diferentemente do que a instituição tem afirmado desde que a magistrada foi assassinada, há dez dias. A recusa aconteceu em fevereiro de 2009 e está documentada em despacho da magistrada Sandra Kayat, no qual ela determina o arquivamento do pedido de escolta “por não vislumbrar a necessidade de adoção de qualquer medida extraordinária de segurança”. Segundo o despacho, a decisão de negar a escolta foi do então presidente do Tribunal de Justiça e atual presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Luiz Zveiter.


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Asfaltos

21/08


2011

Turismo libera R$ 351 milhões a cidades sem turistas

 O Ministério do Turismo gastou R$ 351,7 milhões nos últimos dois anos em obras que nada têm a ver com o setor: drenagem, esgotamento sanitário, praças e pontes. A maior parte das cidades que receberam as melhorias têm pouco ou nenhum fluxo de visitantes e turistas.Dos 841 municípios beneficiados pelos convênios de infraestrutura, somente 105 estão na lista dos considerados relevantes para turismo. Essa relação, feita pelo próprio ministério, é composta por 584 localidades. Quase metade dos recursos é ligada a emendas parlamentares, propostas sob a rubrica “apoio a projetos de infraestrutura turística”.

Uma das emendas do Turismo, destinada à capacitação de profissionais no Amapá, provocou a Operação Voucher da Polícia Federal, deflagrada há duas semanas. A cidade de Jandira (Grande São Paulo) recebeu R$ 2 milhões no ano passado para realizar uma obra de drenagem e pavimentação. Lá, não existem nem sequer hotéis para receber gente de fora.


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S. C. B. M.

Quando colocaram e quem colocou no ministério já sabias que ele era desonesto.

Jair Lima Lopes de Vasconcelos

Esse ministro tem mil motivos para ser exonerados, mas quanto a esse, é muita pretensão de quem pensa que só o seu lugar ou cidade é atrativo turístico.

Jair Lima Lopes de Vasconcelos

Toda cidade tem direito a receber verba do turismo, independentemente de ser taxada de cidade turística ou não. Afinal, todos pagamos impostos ou não! afinal, todos somos ou não brasileiros!



21/08


2011

Dilma dá verbas ao PT, tira de aliados e irrita base

 O controle de gastos promovido pelo governo Dilma Rousseff poupou ministérios controlados pelo PT e atingiu com mais força os que estão nas mãos dos outros partidos que apoiam o governo, contribuindo para alimentar a tensão na base de sustentação do Palácio do Planalto, segundo a Folha de S.Paulo deste domingo. Uma análise detalhada das contas do Tesouro Nacional mostra que, nas dez pastas entregues no início do governo a PMDB, PR, PSB, PP, PDT, e PC do B, os investimentos caíram 4,8% no primeiro semestre deste ano. O desempenho contrasta com o dos 13 ministérios da cota petista: em conjunto, eles investiram 13,7% a mais do que na primeira metade do ano eleitoral de 2010, sem considerar as cifras modestas do apartidário Itamaraty e das secretarias especiais vinculadas à Presidência.


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bm4 Marketing 4

21/08


2011

Oposição à oposição

 O PSDB, o DEM e o PPS da Câmara votaram contra, na noite de anteontem, proposta que reestrutura os Correios, cujo autor original foi o ex-ministro Sérgio Mota (Comunicações na gestão FH). O relator, Arnaldo Jardim (PPS-SP), está pasmo: "O texto é coerente com a visão de Estado praticada na época do FH". Uma das mudanças aprovadas: todos os cargos gerenciais dos Correios serão ocupados por funcionários de carreira.

Na votação, o deputado (e ex-ministro da gestão Lula) Miro Teixeira (PDT-RJ) ficou surpreso: "Votaram contra um texto que é igual à proposta que o FH tinha mandado para cá e o Lula retirou da pauta, quando assumiu em 2003". Causou surpresa nos petistas e descontentamento nos tucanos o discurso do líder do DEM, deputado ACM Neto (BA), contra as privatizações, na votação da Medida Provisória que reestrutura os Correios, na noite de anteontem(Ilimar Franco - O Globo)


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21/08


2011

Jarbas: ''''O que a gente não pode é esmorecer''''

O GLOBO - Adriana Mendes

Entre os integrantes da frente suprapartidária de combate à corrupção e à impunidade, Jarbas Vasconcelos (PMDB-RS) foi enfático no apoio à presidente Dilma Rousseff para que ela amplie a faxina no governo. Único peemedebista contrário ao governo, o senador completa 69 anos terça-feira, data da primeira reunião da frente suprapartidária na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Em entrevista ao GLOBO, Jarbas avalia que Dilma busca se diferenciar do ex-presidente Lula e prevê um conflito entre ''criador'' e ''criatura'' para a disputa na eleição presidencial de 2014. ''A corrupção está incorporada à paisagem brasileira. É como se fosse um outdoor e já está generalizada no governo''.

A frente contra a corrupção vai crescer?

O movimento só se consolida e só se expande se a presidente tomar uma medida uniforme com relação a todos os partidos. Não adianta ela fazer o que fez com relação ao Ministério dos Transportes e ficar de faz de contas em relação aos outros. Dilma só consolida essa posição dela, que é uma posição louvável, se ela tiver apoio da sociedade, das entidades, da mídia e do Congresso.

Deveria haver uma medida mais forte por parte de Dilma?

Mais forte e para todos. Ela não pode deixar de lado porque tal partido é grande, ou porque pertence a ele, no caso o PT. Ela tem que enfrentar isso de maneira firme, determinada e com a conduta uniforme. Ela não pode estar com um peso para um e uma medida para outro

Por que é difícil maior adesão de parlamentares?

Primeiro, por acomodação. Segundo, compromisso com cargos, emendas. Não querem contrariar o governo. Acham que fazer parte de uma frente dessas, só depois de consultar a presidente. Mas o que a gente não pode é esmorecer. No combate à corrupção, ela tem de exercer a autoridade dela de forma clara, transparente e linear. No Congresso, uma grande parte que é fisiológica não apoia.

Quatro ministros já caíram, três por denúncias. Dilma está colocando o dedo na ferida?

Para mim, era previsível. Eu tinha para mim mais ou menos essa previsão, porque ela tem um conceito, a conduta e fama de durona. Eu achava que, se ela enveredasse por essa formação dela, essa formação de não conviver com o malfeito... eu acho que em determinados momentos ela iria enfrentar isso. Enfrentar isso tem muitas contradições e muitos problemas para Dilma. Primeiro, porque é uma herança de que ela participou. Ela também criou essa herança. É uma herança maldita que veio de Lula, mas de que ela participou, porque foi chefe da Casa Civil. Ela presenciou (o fato de) que Lula alisava, passava a mão na cabeça de corruptos. Lula convivia bem com mensaleiros, Lula amparou e defendeu os aloprados. Sempre saiu em defesa de Sarney. Na crise de Sarney, ele se colocou à frente dizendo que Sarney era uma pessoa diferenciada. Tudo isso, ela presenciou.

Onde Lula errou?

Ele é marqueteiro. É homem de palanque. E chegou a índices de popularidade incríveis. Lula se considerou, no governo e agora fora do governo, uma pessoa que está acima de tudo. Acima da Constituição, acima da Justiça, acima do Congresso, acima das pessoas. Quando Lula diz que essa questão de formador de opinião pública é uma balela, que não existe, ele incorre em um grande erro. Todo país, toda cidade, todo estado, tem formadores de opinião pública. Ele alcançou uma popularidade tal que se dá o luxo hoje e o desplante de enfrentar TCU (Tribunal de Contas da União), a mídia de um modo geral, de desqualificar denúncias. Ele tinha força para isso. A Dilma não tem ainda. A Dilma está longe, muito longe de chegar a uma posição de Lula. O Lula enveredou por um caminho errado, de proteger. O erro dele foi esse aí.

A corrupção está centrada nos ministérios ou presente também em outros órgãos?

Ela é generalizada. É uma avaliação incorreta dizer que o Lula, o PT, ou os dois juntos inventaram a corrupção. A corrupção sempre existiu. Só que Lula foi benevolente. Lula foi eleito em 2002 em cima de duas bandeiras, de duas pernas: uma perna que era a da ética e outra que era a das mudanças. Lula nem promoveu mudanças e deixou a ética de lado, abandonou a ética.

Dilma está esquentando a cadeira para Lula?

Não, não. Eu acho que ela vai ser candidata. Acho que ele é candidatíssimo, se não fosse, não estaria andando pelo país inteiro. Ele está com um comportamento de candidato. Se ele não quisesse antecipar eleição, ele não estaria andando como está andando, ele estaria mais recolhido como ex-presidente da República. Ele tá em plena campanha! Ele deve estar com isso na cabeça, de voltar. E ela, eu acho que ela está querendo criar um estilo próprio, porque ela não tem como e ela não vai chegar nunca aos índices de popularidade de Lula, que fazia o que queria e a popularidade dele não era sequer arranhada. Eu acho que vai ter um conflito, mais cedo ou mais tarde, é muito cedo ainda, com o desejo dele de voltar à Presidência em 2014 e o desejo dela de permanecer no poder, de querer se reeleger.

Ela disputa então a eleição de 2014?

Ela é candidatíssima. Para isso, ela só tem que fazer o que está fazendo. Ela tem que se diferenciar de Lula. Aí você percebe que é um mundo de contradição. É um mundo de choque. Ela até agora está tirando ministros que eram ligados a Lula, eram indicações de Lula. O (Antonio) Palocci, o (Wagner) Rossi eram pessoas ligadas e indicadas por Lula. Ela sabia que não podia ter uma conduta como teve com relação ao Ministério dos Transportes e mudar a conduta com relação ao PMDB, só porque o PMDB é maior, bem maior do que o PR.

O senhor já declarou que o PMDB é um partido corrupto. Esse é um dos problemas do governo?

Hoje não é nem o PMDB. A corrupção está instalada em todos os lugares. É a política do toma lá, dá cá. Tem uma coisa importante nisso tudo aí, que é a reforma política, que ficou de lado. Nós estamos terminando agosto e entrando em setembro, para fazer PEC, modificar normas eleitorais, a gente tem que fazer até um ano antes da eleição. Esse prazo se extingue daqui a 40 ou 50 dias no máximo, no começo de outubro. Vamos ficar sem reforma política, vamos disputar eleições para o ano, e depois em 2014, com essas regras.

A reforma política não sai?

Não sai porque o Executivo não teve interesse. Ela está repetindo erros de governos anteriores. Não estou nem me referindo a Lula. Ou você faz isso no começo, ou não faz mais. Ela está terminando o 8º mês e não fez. Acabar com coligações e eleições proporcionais, essa história de votar em José e eleger Emanoel, isso beneficia as legendas de aluguel. Esses pequenos partidos que infernizam a vida de qualquer país que queira se livrar da corrupção.

O senhor foi favorável à CPI da Corrupção. É um caminho?

Sinceramente, não. Mas ela tem que ser formalizada. Porque se criou um hábito de que o governo não quer CPI. A CPI da Corrupção é a favor dela (Dilma), ia ajudá-la, já que não quer conviver com corruptos. A corrupção está incorporada à paisagem brasileira. É como se fosse um outdoor. O medo que faz é a população se acostumar com isso.

O que pode ser feito de concreto pela frente suprapartidária?

Tenho algumas ideias. Primeiro, acho que isso tem de ser levado à frente e se aproximar da sociedade organizada. Depois daquela denúncia contra o meu próprio partido, o PMDB, apresentei um projeto de que todas as diretorias financeiras e órgãos de ministérios e de estatais, a diretoria financeira não podia ser indicada por partidos políticos, teria que ser de funcionários de carreira, proibindo a indicação de políticos. Pode ser feito um pente fino no Congresso para levantar os projetos que possam melhorar o combate à impunidade e à corrupção.

A oposição está enfraquecida ou incompetente?

A oposição está muito reduzida e ainda continua incompetente para fazer oposição. A oposição que não se reúne. No Senado, no ano passado, na única vez em que a gente se reuniu formalmente, o núcleo de oposicionistas, a gente conseguiu derrubar a CPMF, que era para reduzir a carga tributária no país. Então, a gente precisa se reunir mais, conversar mais.

O senhor não se acha fora de moda, senador?

Não, não me acho fora de moda, não, e nem quero ser o Quixote. Não tenho formação para isso: o moralista, o homem que tem a bandeira da moralidade. Não quero nada disso. Eu quero fazer aquilo que minha consciência determina, que minha formação dada pelos meus pais explicita em mim.


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INALDO SATILINO DE OLIVEIRA

A tão sonhada REFORMA POLÍTICA, enquanto o fisiologismo imperar, nunca será feita... pois falta seriedade e compromisso da maioria dos políticos brasileiros em buscar meios de solucionar os problemas de suma importância para o país.

INALDO SATILINO DE OLIVEIRA

Dilma tem mais é que criar identidade própria mesmo, pois o exelentíssimo Sr. Ex-presidente sempre passou a mão na cabeça dos corruptos...e nunca sabia de nada...num embate entre a CRIA e o CRIADOR, fico com quem tem a coragem de pelo menos iniciar uma faxina na corrupção...que é uma vergonha pais

INALDO SATILINO DE OLIVEIRA

A Dilma nesse momento precisa mais do que nunca do apoio da sociedade, da mídia e dos poucos políticos honrados e que têm coragem de falar e fazer o que pensam...para auxiliá-la na continuidade da faxina...

INALDO SATILINO DE OLIVEIRA

Jarbas é o único senador de PE, que fala com clareza, coerência, visão e coragem, pois enquanto as estatais estiverem sob o comando de apadrinhados políticos...vai ser como a cantiga da perua:é de mal a pior...

Flavio

É isso aí Jarbas!



21/08


2011

Simon lidera ''''Defesa da Cidadania e da Democracia''''

José Cruz/ABr

Pedro Simon foi o mais votado entre os jornalistas na categoria ''Defesa da Democracia e da Cidadania'', com 59 votos - José Cruz/Senado

DO CONGRESSO EM FOCO

No início da semana, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) arregimentou colegas para uma sessão de apoio à presidenta Dilma Rousseff na sua disposição de fazer uma “faxina” ética no governo, eliminando todos os envolvidos em denúncias de corrupção. Curiosamente, o gesto de Simon não teve o apoio oficial da base do governo, e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), chegou a fazer críticas à iniciativa.

Apenas uns poucos senadores da base governista aderiram à ideia de Simon de formar uma frente suprapartidária em defesa da “faxina” de Dilma. O esforço de Simon pode não ter entusiasmado uma maioria no Congresso que parece muito incomodada com a disposição da presidenta de reagir duramente à corrupção em seu governo. Mas ele foi anotado pelos jornalistas que cobrem o Congresso Nacional, como demonstra o resultado final da primeira etapa de votação do Prêmio Congresso em Foco.

Na categoria “Defesa da Cidadania e da Democracia”, prêmio que o Congresso em Foco concederá com o apoio da Associação dos Peritos Criminais Federais (APCF), Pedro Simon foi o mais lembrado pelos jornalistas. Não por acaso, os outros dois senadores da base que também estão entre os finalistas apoiaram a criação da frente suprapartidária contra a corrupção. Cristovam Buarque (PDT-DF), que saiu com Simon na defesa da “faxina”, foi o segundo mais votado. Ele aparece empatado com o deputado Chico Alencar (Psol-RJ). Fechando a lista dos finalistas, ficou Paulo Paim (PT-RS). Entre eles, ficou um oposicionista, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Veja quem foram os finalistas na categoria “Defesa da democracia e da cidadania”:

Pedro Simon (PMDB-RS) – 59 votos

Cristovam Buarque (PDT-DF) - 45 votos

Chico Alencar (Psol-RJ) – 45 votos

Demóstenes Torres (DEM-GO) – 29 votos

Paulo Paim (PT-RS) – 25 votos


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INALDO SATILINO DE OLIVEIRA

Pedro Simon e aliados estão lutando em vão... a maioria do congresso está contaminada pelos vícios...mas, não se deve esmorecer...vamos à luta.

roberto lima

Estranho é o paulo paim e não suplicy . Talvez paim seja mais simpático para a mídia. Na realidade ele (paim) "se pendura " nos velhlinhos (sobretudo para conseguir votos no RS) e faz o jogo do governo que detesta os aposentados. Mas opinião ...



21/08


2011

O golpe parlamentar do PT e do PMDB

ELIO GASPARI

ENQUANTO O PAÍS vê o serviço de faxina da doutora Dilma, a comandita PT-PMDB, ajudada por discretos silêncios do PSDB e do DEM, prepara um golpe parlamentar de proporções inauditas desde que, na ditadura, baixou-se o Pacote de Abril de 1977. Essa jararaca de muitas bocas move-se há meses no escurinho do Congresso. Se ninguém fizer nada, a matéria será aprovada ainda neste ano.

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) apresentou à Comissão de Reforma Política um anteprojeto que institui o voto de lista preordenada para a composição de metade da Câmara. O eleitor deverá votar duas vezes, uma no candidato e outra na lista. Além disso, pretende buscar na Bolsa da Viúva todos os recursos para as campanhas eleitorais, atribuindo às direções dos partidos a distribuição do dinheiro. A choldra pagará a conta toda, mas só escolherá metade de seus deputados.

Tudo o que há de ruim no atual sistema, ruim continuará. As coligações mudarão de nome, chamando-se federações. Para piorar, se um micropartido se juntar a outro, grande, bicará seus recursos. Os defensores da jararaca dizem que a reforma destina-se a revigorar a democracia, fortalecendo os partidos.

Tudo bem. José Genoino e Delúbio Soares, ex-presidente e ex-tesoureiro do PT, são réus na quadrilha que aguarda julgamento no STF. Roberto Jefferson, o cronista do mensalão, é o presidente de honra do PTB. Valdemar Costa Neto presidiu o PL. Alfredo Nascimento, defenestrado do Ministério dos Transportes, preside o PR. Baleia Rossi, filho do ex-ministro da Agricultura, preside o PMDB paulista.

O aspecto golpista do projeto está na maneira como querem votar a essência da proposta. Matéria dessa magnitude exige uma emenda constitucional, para a qual seriam necessários os votos de 308 deputados e 49 senadores. Querem descer o voto de lista e o avanço sobre a Bolsa da Viúva goela abaixo como projeto de lei, coisa que pode passar até mesmo com 129 votos na Câmara e 21 no Senado.


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21/08


2011

Tucanos caem como patinhos

ELIANE CANTANHÊDE  *

As fotos de Dilma com Fernando Henrique, Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia dizem muito -sobretudo da estratégia dilmista de se descolar de escândalos e escandalosos e se aproximar da oposição e de independentes. Dilma, que não é PT na origem e na alma, tem problemas na base aliada, com o malcriado PR articulando operação-padrão com PTB, PP, PSC e setores do PMDB. Mas o que é melhor: uma foto com Alfredo Nascimento e os quase 30 demitidos dos Transportes ou com FHC, Alckmin e Anastasia? O apoio caríssimo de Wagner Rossi ou um elogio de Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon e Cristovam Buarque?

A presidente já tinha trocado gentilezas com FHC na festa da Folha, foi justa e carinhosa numa carta de aniversário para ele, ofereceu-lhe vaga à mesa de Barack Obama no Itamaraty. Tudo isso é bom, republicano, mas é preciso avaliar perdas e ganhos. O aparato marqueteiro que Dilma herdou de Lula não dá ponto sem nó: a solenidade do Brasil sem Miséria com o tucanato foi justamente em São Paulo, coração do PSDB e do seu eleitorado.

E o aparato político cuida da aritmética no Congresso: o PR faz beicinho? Chama o PSD! Dilma se reuniu com Kassab em Brasília no mesmo dia da festinha com tucanos em São Paulo. Coincidência...

Assim, enquanto se discute se Dilma faz mesmo uma ''faxina ética'', ou apenas deixa rolar e se beneficia dela, a presidente vai virando estrela de uma frente pluripartidária contra a corrupção e contra a miséria. Só tem a ganhar. CPI da Corrupção? Esquece.

Lula virou ''pai dos pobres'', e Dilma se firma como ''mãe anticorrupção''. O PSDB corrobora alegremente, e assim ela vence resistências entre os 40 milhões que votaram na oposição, contra Lula e o lulismo. Por trás do discurso de que o Brasil sai ganhando, a oposição não lucra nada, Dilma fica com tudo. E Dilma é Lula. (* Folha de S.Paulo)


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roberto lima

Nem a folha de são paulo sabe o que é oposição: oposição fiscaliza, fiscaliza não se opõe a tudo.Oposição defende seu programa de governo .



21/08


2011

Fala, doutor!

 Em depoimento na Câmara dos Deputados esta semana, o ministro Pedro Novais disse que só deixará o cargo mediante três hipóteses: Dilma Rousseff pedir, o partido solicitar ou ele adoecer.

São muitas as apostas em Brasília sobre quando Sua Excelência apresentará um atestado médico ao governo.(Ricardo Boechat)


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roberto lima

Curioso nesse caso do velhaco maranhense é que o seu patrono, quem o indicou, o seu amigo sarney não aparece.



21/08


2011

Corrupção: há quem fature, e muito, com a prática

 As ações da Polícia Federal têm feito a festa de grandes escritórios de advocacia. Não são apenas os criminalistas que entraram em campo.

Há muitos advogados tributaristas atuando nos bastidores para livrar novos clientes de processo contra o Fisco, por sonegação. Tudo em segredo de Justiça, como gostam de afirmar à boca pequena. (Ricardo Boechat)


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21/08


2011

Ministro vai sair, antes que seja "saído" por Dilma

 Confirmando previsões, o ministro do Turismo, Pedro Novais, parece ser a bola da vez no xadrez  traçado por Dilma em termos de faxina ética, figurando -- como conta Renata Lo Prete(abaixo), na Folha de S.Paulo -- como futura vítima da degola:

''''Cresce no PMDB o bloco dos defensores de um pedido de demissão de Pedro Novais, antes que as denúncias o obriguem a fazê-lo. A blindagem ao ministro do Turismo não é a mesma que tentou manter Wagner Rossi na Agricultura. O escasso apoio a Novais reflete a divisão do partido. Ele é patrocinado pelo líder Henrique Alves (RN), ora sob ataque especulativo de metade da bancada da Câmara.

Alvorada Mensagem matinal postada no Twitter: "Bom dia pra você que está mais derrubado do que ministro da Dilma!".


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