Dos 20 deputados que assumem presidências das comissões temáticas da Câmara, 7 são investigados no STF e 5 receberam doações de empresas com interesses nos temas a serem tratados nas reuniões. As comissões são responsáveis por analisar projetos antes de enviá-los para o plenário e algumas delas têm o poder de aprovar uma proposta sem a análise dos 513 deputados.Os congressistas que assumem seus comandos podem apressar ou atrasar a tramitação de projetos, segundo os interesses políticos. Alguns colegiados podem ainda convocar autoridades, como ministros, e promover audiências públicas.
Segundo o Supremo Tribunal Federal, 35% dos novos presidentes têm que prestar algum tipo de conta à Justiça.O deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), eleito na semana passada presidente da mais importante das comissões, a CCJ, por exemplo, é alvo de inquérito no STF, suspeito de tráfico de influência e fraudes em licitações de obras do PAC no Estado. Já Nelson Bornier (PMDB-RJ), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, é alvo de seis inquéritos no STF. O deputado será o responsável, entre outras coisas, por coordenar duas subcomissões designadas para acompanhar as obras do PAC, da Copa e da Olimpíada de 2016.
Além deles, também têm problemas no Supremo: Laerte Bessa (PSC-DF), novo presidente da Comissão de Segurança Pública; Emanuel Fernandes (PSDB-SP), da Comissão de Relações Exteriores; Abelardo Lupion (DEM-PR), da Comissão de Agricultura; Claudio Cajado (DEM-BA), da Comissão de Defesa do Consumidor; e Raquel Teixeira (PSDB-GO), da Comissão de Turismo.Milton Monti (PR-SP), da Comissão de Viação e Transporte, espera decisão do STF sobre processo que está no STJ.
Cinco presidentes de comissões receberam doações de empresas que têm interesse nas áreas que as comissões atuam.Jorge Khoury (DEM-BA), por exemplo, da Comissão de Meio Ambiente, recebeu, no total, R$ 370 mil da agroindústria e de empresas de celulose.(Informações da Folha de S.Psulo)