
Mais um equívoco
A Câmara dos Deputados cometeu um equívoco, ontem, ao aprovar a PCE dos suplentes de vereador na Comissão Especial. Num momento em que o Senado atravessa uma crise moral sem precedentes, sem que a pressão da sociedade seja capaz de levar Sarney à renúncia, jogar na conta do contribuinte brasileiro o custeio de mais 7,3 mil vagas de parlamentares municipais é um contrasenso.
Por mais que os suplentes aleguem que os repasses do duodécimo serão reduzidos não dá para assimilar que mais vereadores representam menos despesas. Com receio de perder o apoio nas bases, deputados recorrem ao discurso fácil de que o Congresso está recuperando o tamanho inicial das câmaras, que lá atrás, por uma decisão do TSE, perderam igual número, que, na prática, simboliza, hoje, o trem da alegria aprovado na Comissão Especial.
Só resta, agora, esperar que o plenário da Câmara repare o erro cometido pelos integrantes da comissão. Ninguém arrisca um palpite seguro, mas o que se especula nos corredores da Câmara é que a PEC será reprovada na votação final. Há uma emenda propondo que a proposta seja aprovada, mas valendo apenas a partir da próxima eleição e não imediatamente, como querem os atuais suplentes. Dos males, o menor!
TRAIÇÃO – O presidente da UVP (União dos Vereadores de Pernambuco), Biu Farias, avisa que a categoria se sente apunhalada pelos deputados Fernando Ferro (PT) e Gonzaga Patriota (PSB). Segundo ele, ficou acordado que a Comissão Especial, presidida por Ferro, só votaria a PEC dos suplentes mediante um acordo. Numa manobra, Ferro e Patriota provocaram uma sessão que se prolongou pela madrugada de ontem e aprovaram a proposta original, sem emendas.
De general a soldado raso - Da disputa ao Senado, para onde grudou os olhos pensando que iria se dá bem como presidente do Santa Cruz, o secretário de Desenvolvimento, Fernando Bezerra Coelho, corre risco de ter um papel irrelevante nas eleições de 2010, restando-lhe apenas entrar na briga por um mandato na Assembleia Legislativa.
A conta salgada dos assentamentos - Embora tenha uma relação respeitosa com os movimentos sociais, o prefeito de Santa Maria da Boa Vista, Leandro Duarte (DEM), revela que chegou ao limite, ou seja, não tem mais como manter em dia a conta dos 32 assentamentos do MST no município. “Não tenho ajuda do governo federal nem do Estado. Com os cortes do FPM, a prefeitura não pode continuar mantendo o custo dos assentamentos”, desabafa.
Adesão total - Estranhamente, a Amupe não se envolveu no protesto dos prefeitos, mas das 42 prefeituras vinculadas à Codeam 40 fecharam as suas portas, ontem, em sinal de protesto contra os cortes no FPM. Na próxima semana, os prefeitos pretendem fazer um manifesto em Brasília para cobrar o apoio da bancada federal.
Representação - O Ministério Público abriu representação contra o ex-prefeito de Afrânio, Adalberto Cavalcanti, acusado de cometer irregularidades em verbas repassadas pelo Ministério da Educação. Não é a primeira vez que isso ocorre. Cavalcanti também é acusado de abuso de poder econômico nas eleições do ano passado.
Curtas
CONTRA – O deputado Fernando Filho (PSB) não tem ainda uma posição definida sobre a PEC dos suplentes, mas sua tendência é votar contra, conforme adiantou a este colunista. “Ainda estou avaliando. Não vejo com bons olhos”, disse.
CHAPÃO – O presidente do DEM, Mendonça Filho, não vê motivos para inquietação sobre a entrada do PSDB no chapão proporcional. Segundo ele, o que importa, no momento, é a construção da chapa majoritária. “O mais é secundário”, diz.
AGENTES – Na próxima semana, durante o seminário da categoria, o prefeito de Caruaru, José Queiroz (PDT), assina portaria efetivando 377 agentes de saúde do município. Trata-se de um sonho de 20 anos, segundo a secretária Cristina Sette.