Alexandre Santos*
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A campanha publicitária orquestrada pelo departamento de Estado dos EUA estimulando o imaginário mundial sobre a iminência de mudanças políticas e econômicas em Cuba em função da decisão anunciada em 19 de fevereiro por Fidel Castro de não pleitear a recondução à presidência do país, teve reflexo imediato em diversas áreas, suscitando as mais diversas ilações políticas, econômicas, militares e diplomáticas. No plano comercial não foi diferente.
Sempre gulosos, grandes empresários se reuniram às pressas para discutir formas de aproveitar as mudanças insinuadas pela mídia.
Do nada surgiram relatórios sobre Cuba. Mesas foram cobertas com dados sobre a Ilha. Um relatório mostrava a localização estratégica, indicando que, a 144 quilômetros da costa da Flórida, Cuba é o portão de entrada para o Caribe. Outro, indicava como o povo cubano é saudável, culto, educado e preparado profissionalmente. Outro, ainda, falava sobre as imensas reservas naturais, especialmente de níquel, dos resultados alcançados pelos grupos que já atuam na Ilha e do surpreendentemente baixo volume de produção e de consumo. Papéis e mais papéis falavam de maravilhas nunca citadas pelas agências internacionais. Boquiabertos, viram como Havana é uma cidade bonita, como as praias cubanas são agradáveis, como a comida cubana é deliciosa, etc., etc.. A surpresa dos grandes empresários foi grande. Perceberam que estavam diante de um país de potencial econômico fantástico. Os números não mentiam. Mostravam, claramente, o volume de negócios ávido por realização, especialmente nas áreas de mineração, turismo, tabaco, açúcar, petróleo e gás e infra-estrutura. Sem a necessidade de maiores estudos, concluíram que, se Cuba fizesse transações com o exterior, se tornaria um grande foco de negócios. Empresas como a Royal Caribbean e a Carnival, cujos navios atualmente são proibidos de atracar na Ilha, por exemplo, dobrariam as atividades no Caribe. Empresários estrangeiros lucrariam, a economia de Cuba deslancharia e o país experimentaria grande desenvolvimento.
Vendo apenas cifrões pela frente, os empresários, então, torceram pela rápida queda do regime cubano, pois queriam fazer negócios com a Ilha. Mas, alguém lembrou que a presença de grupos internacionais na Ilha, como o Sherritt, Meliá e Altadis, provava que não era o socialismo que impedia a realização dos negócios. “Se não é o socialismo, então, o que é?”, perguntou alguém, obtendo como resposta que: “Cuba não faz negócios com o exterior porque os EUA mantêm um boicote contra o povo cubano há 40 anos”. Uma onda de espanto varreu as rodas de conversa. Souberam, então, que, independentemente da nacionalidade, qualquer empresa que compre ou venda para Cuba fica impedida de comercializar com os EUA e, por isso, temendo perder negócios, os empresários preferem não exportar ou importar de Cuba; que, com medo de ser automaticamente excluído do mercado norte-americano, os empresários não investem em Cuba; que, independentemente da bandeira, qualquer avião ou navio que toque o solo de Cuba fica impedido de pousar ou atracar em qualquer parte dos EUA e, por isso, temendo perder contratos de transportes para os EUA, os comandantes se recusam a levar ou buscar cargas em Cuba.
Aqueles grandes empresários se exasperaram, pois, se tivessem liberdade para comercializar com Cuba, ganhariam muito dinheiro. Aflitos com os negócios que deixam de fazer, se perguntaram: “se o governo dos EUA se diz defensor da liberdade, por que nega liberdade aos empresários que querem negociar com os cubanos?”. Não precisou pensar muito e a resposta surgiu clara: “porque se Cuba puder fazer negócios com o exterior, prosperará rapidamente e deixará claro a todos que o socialismo é um regime de progresso social e econômico”.
Só, então, já tendo claro que não é o regime socialista que atrapalha os negócios com a Ilha e, sim, o truculento e ilegal embargo mantido pelos EUA contra o povo cubano, aqueles empresários souberam porque o governo norte-americano tem tanto medo da pequenina Cuba.
*Presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e da Academia de Letras e Artes do Nordeste