Principal
Entrevistas
Regras
Fale com Magno
Coluna da Folha
Coluna do Fatorama
Coluna do Blog
Opinião
Endereço do Blog




Destaques

>> Serra bateu tanto que Dilma subiu na pesquisa em SP, diz Lula

>> Ex-governadora do DF no rol de fichas sujas e barrada pelo TSE

>> Serra diz que violador aparecerá em folha de pagamento do PT

>> O que não se faz para ganhar a vida!

>> Plínio defende desapropriação de terras e reestatização da Vale

>> TSE lacra sistemas eleitorais

>> Jarbas propôs que aliados abordem nos guias a quebra de sigilo

>> Equipe de campanha de Souto é detida

>> Frente Popular aciona Justiça contra coligação de Jarbas

>> Jarbas classifica como "ridícula" reação de Eduardo





Uma lei contra a enganação - Gilberto Dimenstein


Cadastre-se para relizar seus comentários e receber notícias do Blog em seu e-mail




Conheça mais sobre Magno Martins


  


A essência contraditória do Liberalismo

Alexandre Santos*
alexandresantos@br.inter.net

O Liberalismo é um sistema hipócrita. Seus mentores e beneficiários defendem a ‘liberdade’. Não uma ‘liberdade’ que assegure às pessoas a possibilidade de recorrer aos meios necessários para que se realizem os direitos de todos, mas a ‘liberdade’ que dê a eles próprios a condição de usar livremente as armas que dispõem em quaisquer embates, mesmo que sejam contra entidades muito mais fracas. Em outras palavras, abominando regras e louvando o Estado mínimo, o sistema defendido pelos liberais possibilita que entidades de forças desproporcionais se engalfinhem em contendas de desfecho viciado em favor dos mais fortes. Essa condição fica mais clara quando comparamos os juros do Cheque Especial, que favorece os banqueiros, com o rendimento das Cadernetas de Poupança, que favorece os correntistas. Mas, é, justamente aí, na liberdade dos mais fortes poderem enfrentar os mais fracos em pelejas ‘livres’ que os deixam mais ricos e outros mais pobres, que está a fragilidade do Liberalismo. De fato, como a liberdade econômica favorece, naturalmente, os que têm mais dinheiro (confirmando o velho adágio popular segundo o qual “a água sempre corre para o mar”), o sistema liberal leva inevitavelmente à concentração de renda compondo um sistema bipolar no qual um núcleo afluente contrasta com um segmento minguante, no qual fervilha a exclusão que faz brotar graves seqüelas sociais, reduz o ta-manho do mercado e leva às recessões.

Quando a recessão se instala, o sistema entra em crise e revela o lado esquizofrênico do Liberalismo, pois, nesse caso, ao invés de exigir a apatia do Estado, como acontece quando os pobres são engolidos pelos ricos, os mentores do liberalismo passam a cobrar apoio do governo. Nunca é demais lembrar que, nos momentos de normalidade econômica (entre uma crise e outra), a pronta resposta dos liberais aos desvalidos que pedem ajuda ao governo é um sonoro NÃO, pois, em seu entender, “quem não tem competência não se es-tabelece”. Quando, no entanto, a crise sobrevém e afeta os interesses das elites e dos mento-res do liberalismo, a resposta é outra...

Agora, por exemplo, nos EUA, onde bilhões e bilhões transferidos no curso de jogos liberais travados ao longo de décadas dos mais pobres para os mais ricos estão se esvaindo pelo ralo da crise do mercado de crédito imobiliário, ameaçando banqueiros e magnatas, os mentores do liberalismo cobram uma “atitude do governo”. E, contrariando o discurso repetido à exaustão aos pobres e desvalidos de todo o mundo, o governo dos EUA atendeu as elites e interveio na economia.

Em 06 de dezembro de 2007, o presidente dos EUA, George W. Bush, um dos prin-cipais porta-vozes do Liberalismo, esqueceu momentaneamente o fundamentalismo de mercado (que, no fundo, significa um “cada um por si”) e, para alívio dos bancos e das bol-sas, anunciou um plano de congelamento dos juros para 1.800.000 de pessoas afetadas pela crise do mercado de crédito imobiliário.

As elites quiseram mais e, em 18 de janeiro de 2008, o governo norte-americano anunciou nova intervenção na economia, propondo um pacote no valor de US$ 145 bilhões que inclui até a devolução de impostos. Vale dizer que, indicando claramente a articulação das elites encasteladas nos partidos Republicano e Democrata, tão logo o presidente George W. Bush disse que a aprovação do pacote era sua “prioridade econômica mais urgente”, um coro regido pela batuta do secretário do Tesouro Henry Paulson e com vozes influentes como as dos senadores Harry Reid e Charles Schummer e do representante Charlie Rangel exigiu aprovação imediata do pacote “para que as medidas tenham o impacto desejado”.

Não bastasse o socorro direto do governo norte-americano ao sistema bancário e o anúncio do pacote bilionário feito quatro dias antes, ao fim de reunião de reunião antecipa-da do Federal Reserve, alegando riscos de ‘enfraquecimento futuro da economia’ e de ‘de-saceleração do crescimento’, o banqueiro Ben Bernanke anunciou a redução da taxa básica de juros nos EUA de 4,25% a.a. para 3,50% a.a., o maior corte nos últimos 23 anos. Imedi-atamente o FMI ofereceu apoio à decisão do Fed, adiantando que, no caso da crise persistir, os juros nos EUA precisam cair ainda mais.

A intervenção do governo em apoio aos banqueiros surtiu efeito imediato e os libe-rais dos quatro cantos do planeta exultaram. Embora a bolsa de Nova York tenha recuado 11.971 pontos naquele dia (o índice Dow Jones caiu 1,06%, o índice Nasdaq caiu 2,04%, o rendimento do bônus do Tesouro dos EUA com vencimento para dez anos caiu a 3,484% e rendimento dos títulos para 30 anos caiu 4,227%), em São Paulo, depois das espantosas quedas dos dias anteriores, o Ibovespa subiu 4,45%; a bolsa de Hong Kong, que na véspera caíra 8,7%, subiu 10,72%; em Tóquio, o índice Nikkei subiu 2,03%; em Seul, o índice Kospi, que, na véspera caíra 4,43%, subiu 1,21%; na bolsa de Mumbai, (cujo pregão, na véspera, fora suspenso devido a queda de quase 10%), o índice Sensex subiu 6%; em Mani-la, a bolsa subiu 2,68%; em Cingapura, a bolsa subiu 4,08%; e, em Jacarta, a bolsa subiu 7,92%. O exemplo das elites norte-americanas fez escola e, no dia seguinte, 23 de janeiro, diante da persistente queda da bolsa de Taipe, o governo de Taiwan anunciou que utilizará um multimilionário fundo de estabilização para comprar ações e impedir a queda da bolsa de valores, salvando a fortuna dos jogadores da bolsa.

A decisão do governo dos EUA de intervir na economia para salvar os interesses das elites liberais demonstra claramente a hipocrisia do sistema e desmoraliza vergonhosamente as teses que defendem o fundamentalismo de mercado e a apatia do Estado. Ao contrário do que pensam as elites, que o querem só para si, o Estado deve ser atuante e intervir na vida social das comunidades sempre que necessário para garantir a realização das liberdades de todas as pessoas e ampliar o bem estar comum. 

*Presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e da Academia de Letras e Artes do Nordeste

Comentários (0) | Enviar essa matéria por e-mail | Imprimir



Copyright Magno Martins. 2006. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do autor.